Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
Décimo disco de inéditas
do combo liderado pelo hirsuto ZakkWylde, GrimmestHits vem ao
mundo pouco após o grandalhão ter retomado seu lugar ao lado do padrinho Ozzy. Também é o primeiro trabalho
pesado de Zakk após o reencontro com
seu lado acústico na apenas passável segunda parte do clássico BookOfShadows. Se considerarmos
que o BLS nunca primou por grande
versatilidade em seu som, fica a curiosidade se haveria influência desses dois
fatos em GrimmestHits.
Zakk e sua turma de inimigos do barbeador
TrampledDownBelow tem início
climático carregado pelo baixo de JohnDeServio, seguido de um ataque
guitarrístico à lá BlackSabbath. A voz de Zakk, com aqueles toques de inspiração explícita do madman, estão mais limpos do que em
outros tempos e o ótimo solo coroa um belo pontapé inicial. Toneladas de SouthernRock permeiam o disco, como em SeasonsOfFalter, mostrando que o BLS
soube enfim colocar um pouco de versatilidade em seu som consagrado. Som consagrado
do BLS é bem o que temos em Betrayal (ver vídeo), mas a produção,
arranjos e timbres trouxeram um algo à mais ao disco mesmo quando ele nada mais
faz que repetir fórmulas. Isso sem falar que mr. Wylde parece ter reencontrado sua melhor forma após ter deixado de
lado a biritagem, todos os solos do disco são absurdamente matadores!
O leitor atento já deve ter percebido que há algo de sorumbático em
todos os títulos das músicas, e talvez seja justamente esse senso de trevosidade
que tenha norteado o nome da bolachinha. Mas quem segue Zakk nas mídias sociais sabe bem o quanto o cara tem um espírito
galhofeiro, então até mesmo o impagável encarte, que traz o ceifador em
diversos momentos cotidianos hilários, faz troça com a temática sisuda. RoomOfNightmares (ver
vídeo) e A Love Unreal (que solo!) são
BLS tradicional em sua melhor forma,
e bem poderiam estar em Mafia ou BlessedHellride.
A
produção, capitaneada pelo próprio patrão, é seca e sombria, ainda que aposte
bastante numa bem-vinda dinâmica pouco comum aos trabalhos anteriores, casando
muito bem com o clima das composições. Um exemplo bem claro do que escrevi é Disbelief, que começa tipicamente BLS e dá uma bela caída semiacústica no
pré refrão, depois adicionando uma camada de guitarras que evoca até mesmo o
som Stoner clássico. Maturidade que
chama, né? IllusionsOfPeace
é outra pedrada com riff inspirado e talvez as apenas bacaninhas BuryYourSorrow e NothingLeftToSay devessem ter ficado de fora, até
para não diluir o poderio do restante do disco em quase uma hora de música, o
que é um bocadinho longo para esse tipo de som.
Veredito da Cripta
GrimmestHits
é uma surpreendente jornada por todo o espectro de influências musicais que
permeiam a carreira de ZakkWylde, temperada com o som típico do BlackLabelSociety, para
forjar um dos mais inspirados trabalhos da banda. Tivesse o disco encerrado com
umas três músicas a menos e estaríamos diante de um dos melhores do ano. Recomendo.
O clima não era lá
dos melhores. O evento foi transferido da péssima Apoteose para a distante JeunesseArena devido à baixa procura de
ingressos, o que gerou também uma miríade de promoções conforme o show se
aproximava. Os vídeos no YouTube
evidenciavam que a qualidade do show, ao menos no que se refere à performance
do dono da bola, anda variando muito. Some-se a isso a atitude estúpida da
produção, que cedeu aos caprichos de uma primadonna da fotografia rocker, impedindo o trabalho dos
fotógrafos locais, deixando os veículos de imprensa reféns do material do
beócio-cujo-nome-não-citarei, com a alternativa de contar com fotos feitas à
distância, como as que aqui apresentarei. É, a despedida (de novo?) de Mr. Madman dos palcos não parecia lá muito atraente.
As sirenes indicam: os Porcos da Guerra chegaram!
Mas caiu em meu colo um par especialíssimo de ingressos (valeu, Sá!!!),
e lá fomos eu e Dressa comemorar meu
aniversário ao som de um dos caras que eu mais escutei na minha juventude.
Arena abarrotada, pontualmente o belo arranjo de telões inicia a reprodução de
um filme muito do bem feito ao som de CarminaBurana. Logo Ozzy sobe ao palco, convocando sua banda e anunciando o show. Bark At the Moon toma de assalto nossos
ouvidos e toda aquela balela que escrevi ali no primeiro parágrafo pareceu
bosta de camelo diante do que se viu e ouviu.
Ozzy e Zakk, uma parceria para a eternidade
Mas como está Ozzy? O
sequelado sessentão se movimenta com a graça de um senhor de 90 anos que acabou
de soltar um lastro em seu fraldão geriátrico, verdade. Mas, convenhamos, isso
pode ser dito sobre ele desde os 40 anos de idade, não é mesmo? A voz? Essa
estava surpreendentemente boa e precisa, numa forma bem superior à da segunda
perna da ScreamWorldTour (quando vi um
errático show dele no Monsters) e
melhor também do que na turnê de despedida do BlackSabbath. E o Madman, além de possuir a maior
concentração de carisma por metro quadrado, tem a seu favor três trunfos, o
primeiro deles um setlist matador,
que permite emendar a sequência Mr. Crowley, I Don’t Know, FairiesWearBoots e NoMoreTears, para somente então frear um pouco os ânimos com a baladinha RoadToNowhere.
Ozzy e seu atentado aos epiléticos
O segundo trunfo é a cozinha destruidora formada por TommyClufetos e Blasko (com Adam “filhodocara” Wakeman quebrando um galho por vezes no teclado, por vezes numa
segunda guitarra). O terceiro trunfo atende pelo nome artístico ZakkWylde. O cruzamento de viking com urso grizzly é um show à parte.
Longe da birita, sua performance está enfim à altura de sua fama, e o cara
consegue até mesmo carregar o show nas costas quando o velho comedor de
morcegos se ausenta por mais de dez minutos. Segurar as pontas com um medley instrumental calcado nas partes
dos solos das músicas, caminhando ogrescamente entre uma ponta a outra do
chiqueirinho debulhando com a guitarra às costas como quem passeia com o totó
no parque? Não, não é para qualquer um. Zakk
é uma lenda viva e sua presença faz enorme diferença se comparado aos shows com
o excelente GusG e o competente JoeHolmes. Mas nem tudo são flores. Se
visualmente os canhões laser e telões formavam um espetáculo imponente, o som
da JeunesseArena se mostrou confuso para tudo que não fosse bateria ou voz. E ainda
que os pouco mais de 80 minutos de show tenham sido extremamente divertidos, é
difícil aceitar um setlist tão
reduzido (se contarmos os solos de guitarra e bateria) na despedida mundial de
um dos maiores ícones da história do HeavyMetal. Deixou a sensação de que
faltou muita coisa a ser tocada. Ainda assim, ao término do show, a saída da Arena era só sorrisos, uma multidão
feliz por ver um de seus ídolos saindo de cena de maneira para lá de honrosa.
Longe de ter sido um show perfeito, mas Ozzy
e sua trupe certamente nos brindaram com uma noite muito divertida! (NOTA:8,50)
Bom, infelizmente devido à crise que assola o Estado do Rio de Janeiro, e sendo eu um dos muitos servidores que vivem um ano complicado repleto de salários atrasados, definitivamente tive que me alijar de assistir uma penca de grandes shows que por aqui pintaram. Mas não seja por isso, o grande Freddy Krill, nosso enviado especial da Cripta, esteve em todos eles e vem aqui contar tudo para vocês. Divirtam-se!!
Abraço
Trevas
Convidado da Cripta: Freddy Krill
Biólogo e Maidenmaníaco, Krill testemunhou mais shows nessa existência do que você comeu meleca na sua infância, e isso merece respeito.
Nas horas vagas, Mr. Krill é um renomado e dedicado professor cujo humor e peso da mão na correção de provas variam consideravelmente de acordo com o que está rolando no aparelho de som.
SOBRE NOVEMBRO E SHOWS NO RIO
Não
é novidade que o Rio há muito se tornou escala alternativa para MUITAS
produtoras de shows de Rock/Metal (valeu e “OBRIGADO”, povo rockêro-redbênzi!...).
Mas estes últimos meses têm sido (estão sendo) atípicos! Ainda que tenhamos
ficado de fora do circuito de algumas bandas (King Diamond, Helloween,
Hammerfall e Anthrax, sobretudo), tivemos ótimos shows aqui! Cito CINCO, na
sequência de apresentação: Vimic / Megadeth, Metalmorphose, Accept & Zakk
Sabbath! Esta resenha versará apenas sobre os gringos...
1.VIMIC
/ MEGADETH (VIVO RIO, 01/11/2017)
a)VIMIC: NUNCA fui (ou serei) fã
do Slipknot. As a matter of fact,
quando se apresentaram no RiR 2011, fui me deitar na grama (sintética) da
Cidade do Rock... Também, depois de Matanza, Korzus, Angra, Sepultura, Coheed &
Cambria e MOTÖRHEAD (meu último deles, snif snif...), como é que eu estava???
Então optei por ficar apenas ouvindo aquela “muralha” (oops!) polissônica que
não me emociona (Sorry lovers / Hello
haters)! Mas por que falar deles? Porque a saída/demissão/expulsão de Joey
Jordison da banda será sempre algo mal e/ou não devidamente explicado. Assim
sendo, saber da inclusão do Vimic como banda de abertura do Megadeth não me disse
nada. Não sabia o que esperar...
A convite da @eventimbrasil (produtora do evento),
adentramos o Vivo Rio com a expectativa nas alturas! Eram 20h (EM PONTO) quando
Jordison (D) e seus asseclas (Jed Simon / Steve Marshall [G], Kyle Konkiel [B],
Matt Tarach [KB] e o super-albino Kalen Chase [V]) tomaram o palco. Sua música
tem (e não poderia ser diferente!) toques da ex-banda de Joey (que é um
excepcional baterista!), mas, honestamente??? NÃO CONSEGUI CURTIR!!! As músicas
têm andamentos esquisitos, com diversas “quebradas” de tempo... Na hora em que
você acha que “vai”... NÃO VAI!!! O público (ainda reduzido) tratou o batera com
reverência e (a banda com) respeito, mas o fato de ainda não terem lançado seu
álbum de estreia e um show apenas morno (apesar de uma hora de duração), com
músicas desconhecidas, contribuiu para certa indiferença... (este escriba
incluso!).
Vimic (foto por Krill)
b)MEGADETH: Desde que aterrissaram
no RiR 1991, com a formação do Rust in
Peace (Mustaine / Ellefson / Friedman / Menza – aclamada como a melhor da
história da banda), que de forma mais ou menos contínua ela vem ao Brasil. Sua
última passagem aqui foi em 2013, como banda de abertura do Black Sabbath (Apoteose),
ainda com Shawn Drover (D) e Chris Broderick (G), que saíram logo após. A
escalação de Kiko Loureiro (G, ex-Angra) e Dirk Verbeuren (D, ex-Soilwork) como
membros efetivos trouxe certo entusiasmo em ver como seria sua “enésima”
encarnação!
Eram
21:30h (sim, EM PONTO!) quando o telão passou sua tradicional abertura e, logo
após, ladeados por algumas dezenas de fãs do Meet and Greet, Dave Mustaine e trupe adentraram o recinto,
descascando logo de cara Hangar 18
que, na minha opinião, não fosse Holy
Wars, ganharia o título de “melhor-música-best-of-de-todos-os-‘times’-do-RiP”! Calcando seu set no novo CD, levaram The Threat is Real, Conquer or Die!, Lying in
State e a faixa título Dystopia,
além daquelas “çuper-crássicas-crasse-A” que não podem faltar: Wake Up Dead, In My Darkest Hour, A Tout Le
Monde, Symphony of Destruction e Peace Sells, ladeadas pelas excepcionais
Take No Prisoners, Sweating Bullets (é muito comédia ver
Mustaine conversando com ele mesmo!), Tornado
of Souls e a apenas esforçada Trust
(dava pra colocar outra melhor no lugar...). De MUITO espantoso veio Mechanix (provando que Mustaine deixou
no passado suas diferenças com o Metallica – ou será que não e nunca???)...
Os novatos
Dirk e Kiko provaram ter sido ótimas escolhas, ainda que o Brasileiro esteja
contido, com pouca participação junto à galera, que o ovacionava de forma
enlouquecida! Num show direto, mas curto (1:30h de duração), a volta teve como
único bis a óbvia Holy Wars... The
Punishment Due, que levou o público ao êxtase! De forma simpática, mas sem
muitas firulas, bye bye Rio!
Sabe
aquelas bandas que você acha que NUNCA conseguirá ver aqui? Pois é. Para mim, o
Accept SEMPRE teve essa aura! Nas suas idas e vindas, ao longo de seus 40 anos
(!) de carreira, com intermináveis e inesgotáveis “brigas e pazes” com o
baixinho Udo Dirkschneider, já tinha me conformado com o inevitável. Mas eis
que... Udo’s OUT, Mark Tornillo’s IN e... ACCEPT NO BRASIL
(abrindo para o Judas Priest, num abarrotado Vivo Rio [23/04/2015] e Imperator
[09/04/2016])!! Shows irrepreensíveis, com uma banda afiada, que resiste ao
tempo no “núcleo duro” composto por Wolf Hoffman (G/V, o melhor clone de Bruce
Willis que você verá na sua Vida!) e Peter Baltes (B/V), aliados ao já citado
Tornillo (V, ex-TT Quick), Uwe Lullis (G/V, ex-Grave Digger / Rebellion) e
Christopher Williams (D/V, ex-Kid Rock, Blackfoot & War Within). E foi
assim que vieram para sua terceira apresentação no RJ, divulgando seu novo CD
(o primeiro com a nova formação). Na fila (pequenina), algumas questões: o
quanto de público compareceria? (O Rival comporta apenas metade de público do
Imperator, onde o show já fora um tanto esvaziado) e, pior... Haveria? O de
Fortaleza fora cancelado (por problemas no avião/aeroporto)... Mas daí encostou
uma van e saltaram os cabruncos!
Bruce Willis teutônico, Baltes, Lullis e tio Parafuso
Lá dentro,
a espera durou mais que deveria... Mas às 21:30h o pano que cobria a bateria
foi retirado, e Christopher recebeu os aplausos dos cerca de 300 (!) abnegados
presentes. Logo em seguida, vieram os demais (num palco diminuto, dada a
cenografia da banda) e largaram, de cara, Die
by the Sword, emendando com Stalingrad
(poderosa, ao vivo!) e as clássicas Restless
and Wild, London Leatherboys e Livin’ for Tonite. Do novo álbum, e
seguindo sua sequência vieram a faixa título The Rise of Chaos, Koolaid,
No Regrets e Analog Man. A partir daí, Final
Journey e Shadow Soldiers se
apresentaram como novas clássicas (JÁ VIRARAM!), mas é claro que o povo quer as
“Udonianas”: Neon Nights, Princess of the Dawn, Midnight Mover, Up to the Limit e Objection
Overruled provaram que Tornillo não é “apenas mais um baixinho com voz de
pato rouco”, mas que calçou os sapatos do Udo e os remoldou em seus próprios
pés, sem deixar dúvidas sobre sua competência nem saudades do Urtigão Ranzinza
(pleonasmo vicioso, eu sei!). Pandemic
veio destruindo, mas... O ano foi 1982. O termo Heavy Metal, supostamente
cunhado vinte anos antes por William S. Burroughs abrangia toda uma gama de
sons altos, distorcidos e aparentemente relacionados ao que o Black Sabbath
fazia desde 1968... Mas ao se colocar o LP “Restless
and Wild” para tocar fomos (e somos) brindados com a curiosa abertura de
uma música folclórica alemã, seguida pelo inconfundível som da agulha raspando
no vinil e um berro de assustar (lembra do ano?), seguido da música que reputo
como a primeira canção de thrash metal da história!: Fast as a Shark, que ao vivo assume contornos assustadores, de
tanta força, energia e violência que libera!!! Pausa para um breve descanso, e
a volta vem com Metal Heart, Teutonic Terror e a infalível Balls to the Wall!! Na saída, os
sorrisos da banda, aliados àquele calorzinho “gostoso” do Rio pré-verão diziam
como eles se sentiam... O bom do Accept é que se você não conhece as letras
fazer um ÔÔÔÔ já ajuda, e bastante! O carisma, presença de palco, talento e
coreografia da melhor banda teuto-americana do mundo faz o resto! Que voltem
logo, porque ficamos otimamente bem acostumados!
Com o “The
End” dos mais longevos dinossauros do Heavy Metal, abriu-se uma lacuna que
jamais será fechada. Não há banda nesta Terra plana (Planeta – ironic feelings!) que possa fazer o que
o Black Sabbath fez. E PONTO! Então, só nos restará, doravante, ver/ouvir seus
CDs / DVDs e pior: “aturar” os clones/repetidores/imitadores do BS (EU MESMO
participo, como vocalista (se o Ozzy pôde, por que não este escriba?), de uma
bagaça dessas)!
Assim, foi
sem espanto que no início deste ano soube que Zakk Wylde (G/V, Ozzy Osbourne /
Black Label Society), Rob “Blasko” Nicholson (B, ex-Rob Zombie / Ozzy Osbourne)
e Joey Castillo (D, ex-Danzig / QOTSA) montaram um projeto, singelamente
nomeado Zakk Sabbath. Convenhamos: QUEM TEM MAIS MANHA que Zakk de colocar algo
assim pra funcionar? Guitarrista de longa data do Quiropterófago Dislálico e tour-partner dos pais do Heavy Metal...
O vídeo de War Pigs me convenceu que havia
ali algo espontâneo e forte, ainda que apenas um projeto, já que o BLS está
plenamente ativo, e ele voltou a tocar/gravar/excursionar com o Madman. Blasko
é um monstro nas quatro cordas, e Joey (que vi com o Danzig no Imperator, num
distante 22/06/1995 [lembrem-se de que o Trevas afirmou que já vi mais shows do
que melecas foram comidas por muita gente ao longo da Vida!...]) é um baterista
fenomenal!
Ao saber
que o ZS viria ao Brasil, e melhor, ao Rio e, muito mais melhor de bom ainda, ao
Circo Voador, comprei meu ingresso sem pestanejar! Sabia que não há como dar
errado juntar músicos como os três com a música inspiradora e atemporal do
Black Sabbath!
Trio Urtigão (foto por Krill)
Adentrei o solo
sagrado da música carioca/brasileira e de imediato colei logo o quanto pude
junto ao palco. Em apenas 30min de casa aberta já havia cinco filas de camisas
pretas à minha frente! Mas isso seria temporário, como todos que vamos a shows
de metal sabemos... Às 21:35h aquela indefectível introdução de chuva, raios e
sinos dizia que... O MONSTRO estava ali! Empunhando de imediato uma belíssima
Gibson Les Paul Custom Signature roxa (que ao longo do show trocou por outras
iguais), Zakk e seus comparsas assomaram ao palco, iniciando a debulhação de
imediato com a trinca Supernaut / Snowblind / A National Acrobat! Na voz, Zakk emula muito bem o “Patrão”, além
de ter cartazes plastificados com as letras abaixo dele, que eram trocados por
seu roadie particular a cada música! Nos
solos, ele abusa de sua técnica e “fritação”, tocando com a guitarra por trás
da cabeça (diversas vezes ao longo do show!) alongando-os de maneiras que Tony
Iommi, soberbo e preciso em sua economia, jamais pensou fazer! Mas e daí? Era
Sabbath, PORRA! À essa altura, a galera sedenta queria algo mais visceral, que
veio na forma de Children of the Grave
e aí o Inferno abriu suas portas! Aquele “calorzinho bom” se transformou numa
sauna fedegosa, com a abertura de uma roda carniceira! A pista, que estava
muito cheia se tornou local para bravos e/ou insanos, por que a porradaria
estancou, e dicumforça! PRA PIORAR, Zakk desceu ao fosso, onde ficou tocando
por infindáveis minutos (com a guitarra por trás da cabeça!), e jogando sua
palheta para a pista, fazendo metade dela espremer os próximos à grade (eu
incluído, obviamente!)... Sem pausa, vieram Lord of This World, Under the
Sun / Everyday Comes and Goes e uma improvável (e inesperada) Wicked World! O entrosamento entre
os três fazia com que bastasse um rápido olhar para trocarem de música! Fairies Wear Boots foi emendada direto
com Into the Void!! Soberbo!!
Espetacular!! Hand of Doom trouxe a
apresentação dos músicos, seguida por Behind
the Wall of Sleep – Bassically – N.I.B. Mais descidas de Zakk ao fosso,
mais debulhação por trás da cabeça, mais espremeção... TUDO NORMAL!!!
Blasko (foto por Krill)
Sem ser
exatamente um bis, pois a banda não se retirou, as luzes se apagaram para
começar aquela sirene de ataque aéreo, que prenuncia War Pigs, executada de forma crua (Zakk solou com os dentes!), e o
coro do Circo Voador estremeceu a velha lona (veja nos links dos vídeos). Ao final do espetáculo, uma faixa homenageando
Dimebag Darrel foi lançada ao palco e exibida pela banda, sob estrondosos
aplausos! Aquela gorilice de praxe do Zakk e lá se foram eles...
Zacarias "Ursão" Selvagem (foto por Krill)
É lógico
que jamais imaginaria Mr. “Goes Wylde” tentando cantar algo das outras fases do
BS, mas ficou um gostinho azedo de “quero mais”, já que nos USA tocaram Never Say Die (a melhor faixa desprezada
do igualmente desprezado álbum!) e não fizeram clássicos icônicos como Sympton of the Universe, Black Sabbath, Iron Man e o hino dos hinos Paranoid...
P.S.:
Digno de nota é o fato de que no mesmo dia e hora, a poucos metros do Circo, o
Obituary se apresentou no Teatro Odisseia (uma banda que AINDA não tive chance
de ver, mas Sabbath supera tudo)!
É
isso, espero que tenham gostado de ler, assim como gostei de escrever! E, mais
uma vez, obrigado ao Trevas pela oportunidade!
Já
com o nome marcado na história do rock como um dos maiores guitarristas em
todos os tempos, o prolífico ZakkWylde anda com dificuldade em manter em
seus trabalhos com o BlackLabelSociety um padrão de qualidade condizente com seu imenso talento.
O trabalho
semi-acústico Unblackned parece ter
dado uma renovada na criatividade do barbudão, que produziu um dos melhores
discos de sua banda em tempos (CatacombsoftheBlackVatican, ver resenha da Cripta). Talvez
a saída fosse alternar o estilo dos trabalhos solo, e é isso que Zakk faz aqui, revivendo sua faceta
mais soturna em um disco semi acústico. De início, achei bastante perigosa a
referência ao primeiro BookofShadows.
Aquele foi um trabalho único, sombrio e muito bonito, para muitos o melhor
momento do gigante amigo fora da tutela do tio Ozzy. Aí escutei a primeira música de trabalho, SleepingDogs, e fiquei esperançoso: bonita para dedéu, trazendo um Zakk cantando como nos tempos do Pride&Glory e do
primeiro Book. Enfim, havia
esperanças.
Infelizmente
SleepingDogs é uma exceção dentro das 14 faixas aqui apresentadas. O clima
repete o do primeiro trabalho: músicas melancólicas em formato acústico, com
exceção da inserção eventual de hammond e dos solos de guitarra. Zakk toca tudo nas músicas afora baixo
e bateria. E canta, muito melhor do que vem fazendo no BLS, diga-se. A produção está perfeita, também sob a batuta de
nosso herói. O grande problema é que as composições não ajudam tanto. Não há
nada exatamente ruim aqui, mas as músicas seguem uma mesma fórmula e acabam
cansando ao longo de mais de uma hora de audição. Por sorte temos algumas que
valem por todo o trabalho, como as boas TearsofDecember e DarkestHour, e as excelentes LostPrayer e King. Essa
última tocada ao piano com belíssima interpretação vocal de Mr. Wylde. A edição nacional, culpa da HellionRecords, traz ainda uma segunda versão de SleepingDogs, com CoreyTaylor (Slipknot e StoneSour) fazendo os backing vocals. Um disco bacaninha, mas que não
sobrevive a uma comparação com o primeiro BookofShadows.
Após o sucesso do
ótimo City of Gold (ver resenha daCripta), os canadenses do Striker
voltam com tudo com esse Stand In The
Fire. Com uma nova formação, dessa vez como quarteto, a banda contou com
guitarristas convidados na maioria dos solos, além da ajuda do conterrâneo Randy Black na bateria de uma das
faixas. Mas as mudanças em nada alteraram a capacidade dos caras. Phoenix Strikes é o cartão de visitas
perfeito, mostrando a mescla de NWOTHM
com Hard anos 1980 que a banda faz
tão bem. Out For Blood traz aquela
veia de Anthrax clássico à mistura,
além de um improvável e bacana solo de saxofone (uma referência ao que o Riot fizera em The Privilege of Power?).
Stand in the Fire é um disco bastante vigoroso e up
tempo, e talvez um ponto “falho” seja a pegada frenética e a produção algo
estridente de ponta a ponta de seus 43 minutos de duração. E cabe ressaltar que
a primeira metade do disco (mais precisamente até a ótima instrumental Escape From Shred City) o disco é
excelente, caindo um pouquinho em sua reta final. De resto, ótimos riffs e
solos, refrães grudentos e um vocalista (Dan
Cleary) nos moldes dos grandes nomes do metal tradicional. Nada que
represente uma grande novidade no mundo do metal, mas que fará felizes os fãs
daquela mistura oitentista de Hard/Heavy,
que é exatamente o público alvo desses sempre divertidos canadenses. Bem legal!
NOTA: 8,29
Recomendado para: fãs de
NWOBHM e Hard/Heavy oitentista
Passe longe se: sonoridade
estridente soe incômoda
Quando ouvi falar
sobre um novo projeto envolvendo os grandes HankShermann e MichaelDenner, mestres das seis cordas do MercyfulFate, fiquei
bastante feliz. Mais feliz ainda quando soube da presença do excelente SnowyShaw na batera. Que time! Fui conferir então o EP Satan’sTomb e quase vomitei quando entrou o vocal pela primeira vez.
Conhecia aquele cara, era o vocalista do irritante Cage, um dos grupos de metal mais chatos que já ouvi. Ao final das contas o EP até era razoável.
Mas esse MastersofEvil
é um teste de paciência, ou instrumento de tortura digno de Guantánamo. Angel’sBlood até soa interessante, talvez por apresentar SeanPeck um pouco mais contido. Mas é só começar a rolar a segunda
faixa, a ridícula SonofSatan
para me lembrar o porquê deu não esperar nada desse projeto. Sean soa como o usual, um sub clone do
já imensamente chato RipperOwens. Sua interpretação na péssima The Wolf Feeds At Night é a matéria da
qual os pesadelos são feitos. Mas nem tudo está perdido, vejam só, PentagramandtheCross é muito boa. Ah, mas a faixa
título novamente joga o nível lá no chão, tal qual a subsequente ServantsofDagon. Puta que
bosta!!! E não falo somente pelo vocalista totalmente over, os riffs e solos
todos parecem requentados e nada inspirados, saídos de alguma banda amadora. A
produção é mediana e mesmo o som da bateria de Shaw fica bem aquém do desejado.
O
nível baixo da bolachinha faz com que até a medíocre EscapeFromHell pareça melhor do que realmente o
é. E para encerrar, TheBaroness tenta soar épica e sinistra a
todo custo, mas só consegue mesmo rachar o que sobrou da bolsa escrotal do
incauto ouvinte. Um acinte! Facilmente um dos maiores micos da história recente
do Heavy Metal. Dá até medo de torcer por um retorno do MercyfulFate.
NOTA: 4,20
Recomendado para: seu pior
inimigo.
Passe longe se: tiver bom
senso e bom gosto.
Para fãs de: Cage e gritinhos irritantes tipo
Ripper Owens
1985, um Headbanger bem troozão entra numa loja
de discos atrás de uma cópia do ainda recente RidetheLightning, petardo dos novos heróis da
cena, o então nada comercial Metallica.
No som mecânico da loja, toca uma balada melequenta que fica entre o AOR superproduzido e a ainda crescente
cena GlamMetal. Trata-se do ressurgimento do Heart com WhatAboutLove. O headbanger,
irritado, pega seu disco, paga e sai correndo da loja praguejando. Assim que
cruza a rua é atropelado, entrando em coma. 2016, o headbanger sai do coma e no primeiro estabelecimento em que entra,
escuta a voz daquela menina do Heart
em um Hard pop bem comercial...entra uma voz masculina na música, é PapaHet. O Headbanger
retorna a hospital e pede pela eutanásia. Fim. Brincadeiras à parte, essa
bobageira serve para mostrar o quão chocante é imaginar que a faixa título e
carro chefe do novo disco das irmãs Wilson,
seja justamente uma parceria com o vocalista da maior banda de Heavy Metal
americana. E caramba, funcionou bem!
BeautifulBroken,
o disco, consiste em um apanhado de faixas já lançadas pelo Heart, só que com novos arranjos e
produção. A mesma parece tentar recuperar um pouco a sonoridade do Heart em sua fase de cruza entre o AOR e o Glam, escapando do enfoque mais seco dado aos últimos dois discos.
A Zeppeliana Heaven, cuja versão
original consta na edição Deluxe de Fanatic é outro destaque, assim como City’sBurning, que apareceu pela primeira vez em Passionworks e DownOnMe.
Confesso que o lado mais melecoso das meninas não me pega em absoluto, e coisas
como SweetDarling e LanguageofLove
tem açúcar para matar um elefante de diabetes. De resto, Ann Wilson continua
com a voz fantástica, a produção está muito bem-feita e quem é fã pode conferir
sem medo.
NOTA: 7,36
Recomendado para: fãs de
AOR em geral
Passe longe se: você for o
headbanger da historinha