Mostrando postagens com marcador Zakk Wylde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zakk Wylde. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de junho de 2018

Black Label Society – Grimmest Hits (Cd-2018)

Black Label Society - Grimmest Hits
Canções Para o Ceifador
Por Trevas

Décimo disco de inéditas do combo liderado pelo hirsuto Zakk Wylde, Grimmest Hits vem ao mundo pouco após o grandalhão ter retomado seu lugar ao lado do padrinho Ozzy. Também é o primeiro trabalho pesado de Zakk após o reencontro com seu lado acústico na apenas passável segunda parte do clássico Book Of Shadows. Se considerarmos que o BLS nunca primou por grande versatilidade em seu som, fica a curiosidade se haveria influência desses dois fatos em Grimmest Hits.


Zakk e sua turma de inimigos do barbeador

Trampled Down Below tem início climático carregado pelo baixo de John DeServio, seguido de um ataque guitarrístico à lá Black Sabbath. A voz de Zakk, com aqueles toques de inspiração explícita do madman, estão mais limpos do que em outros tempos e o ótimo solo coroa um belo pontapé inicial. Toneladas de Southern Rock permeiam o disco, como em Seasons Of Falter, mostrando que o BLS soube enfim colocar um pouco de versatilidade em seu som consagrado. Som consagrado do BLS é bem o que temos em Betrayal (ver vídeo), mas a produção, arranjos e timbres trouxeram um algo à mais ao disco mesmo quando ele nada mais faz que repetir fórmulas. Isso sem falar que mr. Wylde parece ter reencontrado sua melhor forma após ter deixado de lado a biritagem, todos os solos do disco são absurdamente matadores!



O leitor atento já deve ter percebido que há algo de sorumbático em todos os títulos das músicas, e talvez seja justamente esse senso de trevosidade que tenha norteado o nome da bolachinha. Mas quem segue Zakk nas mídias sociais sabe bem o quanto o cara tem um espírito galhofeiro, então até mesmo o impagável encarte, que traz o ceifador em diversos momentos cotidianos hilários, faz troça com a temática sisuda. Room Of Nightmares (ver vídeo) e A Love Unreal (que solo!) são BLS tradicional em sua melhor forma, e bem poderiam estar em Mafia ou Blessed Hellride.


A produção, capitaneada pelo próprio patrão, é seca e sombria, ainda que aposte bastante numa bem-vinda dinâmica pouco comum aos trabalhos anteriores, casando muito bem com o clima das composições.  Um exemplo bem claro do que escrevi é Disbelief, que começa tipicamente BLS e dá uma bela caída semiacústica no pré refrão, depois adicionando uma camada de guitarras que evoca até mesmo o som Stoner clássico. Maturidade que chama, né? Illusions Of Peace é outra pedrada com riff inspirado e talvez as apenas bacaninhas Bury Your Sorrow e Nothing Left To Say devessem ter ficado de fora, até para não diluir o poderio do restante do disco em quase uma hora de música, o que é um bocadinho longo para esse tipo de som.


Veredito da Cripta

Grimmest Hits é uma surpreendente jornada por todo o espectro de influências musicais que permeiam a carreira de Zakk Wylde, temperada com o som típico do Black Label Society, para forjar um dos mais inspirados trabalhos da banda. Tivesse o disco encerrado com umas três músicas a menos e estaríamos diante de um dos melhores do ano. Recomendo.  



NOTA: 8,51

Visite o The Metal Club
Gravadora: eOne Music (importado).
Pontos positivos: um dos discos mais variados de Zakk, grandes solos
Pontos negativos: poderia ter uns 10 minutos a menos
Para fãs de: Ozzy Osbourne, Black Sabbath, Clutch
Classifique como: Southern Metal



sábado, 26 de maio de 2018

Ozzy Osbourne – No More Tours 2 (20/05/18 – Jeunesse Arena – Rio de Janeiro/RJ)

Flyer original da tour

Goodbye to Romance?
Fotos e texto por Trevas

O clima não era lá dos melhores. O evento foi transferido da péssima Apoteose para a distante Jeunesse Arena devido à baixa procura de ingressos, o que gerou também uma miríade de promoções conforme o show se aproximava. Os vídeos no YouTube evidenciavam que a qualidade do show, ao menos no que se refere à performance do dono da bola, anda variando muito. Some-se a isso a atitude estúpida da produção, que cedeu aos caprichos de uma prima donna da fotografia rocker, impedindo o trabalho dos fotógrafos locais, deixando os veículos de imprensa reféns do material do beócio-cujo-nome-não-citarei, com a alternativa de contar com fotos feitas à distância, como as que aqui apresentarei. É, a despedida (de novo?) de Mr. Madman dos palcos não parecia lá muito atraente.


As sirenes indicam: os Porcos da Guerra chegaram!
Mas caiu em meu colo um par especialíssimo de ingressos (valeu, Sá!!!), e lá fomos eu e Dressa comemorar meu aniversário ao som de um dos caras que eu mais escutei na minha juventude. Arena abarrotada, pontualmente o belo arranjo de telões inicia a reprodução de um filme muito do bem feito ao som de Carmina Burana. Logo Ozzy sobe ao palco, convocando sua banda e anunciando o show. Bark At the Moon toma de assalto nossos ouvidos e toda aquela balela que escrevi ali no primeiro parágrafo pareceu bosta de camelo diante do que se viu e ouviu.

Ozzy e Zakk, uma parceria para a eternidade

Mas como está Ozzy? O sequelado sessentão se movimenta com a graça de um senhor de 90 anos que acabou de soltar um lastro em seu fraldão geriátrico, verdade. Mas, convenhamos, isso pode ser dito sobre ele desde os 40 anos de idade, não é mesmo? A voz? Essa estava surpreendentemente boa e precisa, numa forma bem superior à da segunda perna da Scream World Tour (quando vi um errático show dele no Monsters) e melhor também do que na turnê de despedida do Black Sabbath. E o Madman, além de possuir a maior concentração de carisma por metro quadrado, tem a seu favor três trunfos, o primeiro deles um setlist matador, que permite emendar a sequência Mr. Crowley, I Don’t Know, Fairies Wear Boots e No More Tears, para somente então frear um pouco os ânimos com a baladinha Road To Nowhere.

Ozzy e seu atentado aos epiléticos

O segundo trunfo é a cozinha destruidora formada por Tommy Clufetos e Blasko (com Adam “filhodocara” Wakeman quebrando um galho por vezes no teclado, por vezes numa segunda guitarra). O terceiro trunfo atende pelo nome artístico Zakk Wylde. O cruzamento de viking com urso grizzly é um show à parte. Longe da birita, sua performance está enfim à altura de sua fama, e o cara consegue até mesmo carregar o show nas costas quando o velho comedor de morcegos se ausenta por mais de dez minutos. Segurar as pontas com um medley instrumental calcado nas partes dos solos das músicas, caminhando ogrescamente entre uma ponta a outra do chiqueirinho debulhando com a guitarra às costas como quem passeia com o totó no parque? Não, não é para qualquer um. Zakk é uma lenda viva e sua presença faz enorme diferença se comparado aos shows com o excelente Gus G e o competente Joe Holmes. Mas nem tudo são flores. Se visualmente os canhões laser e telões formavam um espetáculo imponente, o som da Jeunesse Arena se mostrou confuso para tudo que não fosse bateria ou voz. E ainda que os pouco mais de 80 minutos de show tenham sido extremamente divertidos, é difícil aceitar um setlist tão reduzido (se contarmos os solos de guitarra e bateria) na despedida mundial de um dos maiores ícones da história do Heavy Metal. Deixou a sensação de que faltou muita coisa a ser tocada. Ainda assim, ao término do show, a saída da Arena era só sorrisos, uma multidão feliz por ver um de seus ídolos saindo de cena de maneira para lá de honrosa. Longe de ter sido um show perfeito, mas Ozzy e sua trupe certamente nos brindaram com uma noite muito divertida! (NOTA:8,50)


























terça-feira, 21 de novembro de 2017

Shows de Novembro: Vimic + Megadeth + Accept + Zakk Sabbath

Vimic + Megadeth +Accept + Zakk Sabbath

Olá, Criptomaníacos!
Bom, infelizmente devido à crise que assola o Estado do Rio de Janeiro, e sendo eu um dos muitos servidores que vivem um ano complicado repleto de salários atrasados, definitivamente tive que me alijar de assistir uma penca de grandes shows que por aqui pintaram. Mas não seja por isso, o grande Freddy Krill, nosso enviado especial da Cripta, esteve em todos eles e vem aqui contar tudo para vocês. Divirtam-se!!   
Abraço
Trevas


Convidado da Cripta: Freddy Krill


Biólogo e Maidenmaníaco, Krill testemunhou mais shows nessa existência do que você comeu meleca na sua infância, e isso merece respeito. 

Nas horas vagas, Mr. Krill é um renomado e dedicado professor cujo humor e peso da mão na correção de provas variam consideravelmente de acordo com o que está rolando no aparelho de som.




SOBRE NOVEMBRO E SHOWS NO RIO

Não é novidade que o Rio há muito se tornou escala alternativa para MUITAS produtoras de shows de Rock/Metal (valeu e “OBRIGADO”, povo rockêro-redbênzi!...). Mas estes últimos meses têm sido (estão sendo) atípicos! Ainda que tenhamos ficado de fora do circuito de algumas bandas (King Diamond, Helloween, Hammerfall e Anthrax, sobretudo), tivemos ótimos shows aqui! Cito CINCO, na sequência de apresentação: Vimic / Megadeth, Metalmorphose, Accept & Zakk Sabbath! Esta resenha versará apenas sobre os gringos...

1.          VIMIC / MEGADETH (VIVO RIO, 01/11/2017)

a)         VIMIC: NUNCA fui (ou serei) fã do Slipknot. As a matter of fact, quando se apresentaram no RiR 2011, fui me deitar na grama (sintética) da Cidade do Rock... Também, depois de Matanza, Korzus, Angra, Sepultura, Coheed & Cambria e MOTÖRHEAD (meu último deles, snif snif...), como é que eu estava??? Então optei por ficar apenas ouvindo aquela “muralha” (oops!) polissônica que não me emociona (Sorry lovers / Hello haters)! Mas por que falar deles? Porque a saída/demissão/expulsão de Joey Jordison da banda será sempre algo mal e/ou não devidamente explicado. Assim sendo, saber da inclusão do Vimic como banda de abertura do Megadeth não me disse nada. Não sabia o que esperar...
A convite da @eventimbrasil (produtora do evento), adentramos o Vivo Rio com a expectativa nas alturas! Eram 20h (EM PONTO) quando Jordison (D) e seus asseclas (Jed Simon / Steve Marshall [G], Kyle Konkiel [B], Matt Tarach [KB] e o super-albino Kalen Chase [V]) tomaram o palco. Sua música tem (e não poderia ser diferente!) toques da ex-banda de Joey (que é um excepcional baterista!), mas, honestamente??? NÃO CONSEGUI CURTIR!!! As músicas têm andamentos esquisitos, com diversas “quebradas” de tempo... Na hora em que você acha que “vai”... NÃO VAI!!! O público (ainda reduzido) tratou o batera com reverência e (a banda com) respeito, mas o fato de ainda não terem lançado seu álbum de estreia e um show apenas morno (apesar de uma hora de duração), com músicas desconhecidas, contribuiu para certa indiferença... (este escriba incluso!).


Vimic (foto por Krill)
b)         MEGADETH: Desde que aterrissaram no RiR 1991, com a formação do Rust in Peace (Mustaine / Ellefson / Friedman / Menza – aclamada como a melhor da história da banda), que de forma mais ou menos contínua ela vem ao Brasil. Sua última passagem aqui foi em 2013, como banda de abertura do Black Sabbath (Apoteose), ainda com Shawn Drover (D) e Chris Broderick (G), que saíram logo após. A escalação de Kiko Loureiro (G, ex-Angra) e Dirk Verbeuren (D, ex-Soilwork) como membros efetivos trouxe certo entusiasmo em ver como seria sua “enésima” encarnação!
Eram 21:30h (sim, EM PONTO!) quando o telão passou sua tradicional abertura e, logo após, ladeados por algumas dezenas de fãs do Meet and Greet, Dave Mustaine e trupe adentraram o recinto, descascando logo de cara Hangar 18 que, na minha opinião, não fosse Holy Wars, ganharia o título de “melhor-música-best-of-de-todos-os-‘times’-do-RiP”! Calcando seu set no novo CD, levaram The Threat is Real, Conquer or Die!, Lying in State e a faixa título Dystopia, além daquelas “çuper-crássicas-crasse-A” que não podem faltar: Wake Up Dead, In My Darkest Hour, A Tout Le Monde, Symphony of Destruction e Peace Sells, ladeadas pelas excepcionais Take No Prisoners, Sweating Bullets (é muito comédia ver Mustaine conversando com ele mesmo!), Tornado of Souls e a apenas esforçada Trust (dava pra colocar outra melhor no lugar...). De MUITO espantoso veio Mechanix (provando que Mustaine deixou no passado suas diferenças com o Metallica – ou será que não e nunca???)...
Os novatos Dirk e Kiko provaram ter sido ótimas escolhas, ainda que o Brasileiro esteja contido, com pouca participação junto à galera, que o ovacionava de forma enlouquecida! Num show direto, mas curto (1:30h de duração), a volta teve como único bis a óbvia Holy Wars... The Punishment Due, que levou o público ao êxtase! De forma simpática, mas sem muitas firulas, bye bye Rio!

Dave Megamorte e sua trupe (foto por Krill)
2.          ACCEPT (TEATRO RIVAL, 11/11/2017)

Sabe aquelas bandas que você acha que NUNCA conseguirá ver aqui? Pois é. Para mim, o Accept SEMPRE teve essa aura! Nas suas idas e vindas, ao longo de seus 40 anos (!) de carreira, com intermináveis e inesgotáveis “brigas e pazes” com o baixinho Udo Dirkschneider, já tinha me conformado com o inevitável. Mas eis que... Udo’s OUT, Mark Tornillo’s IN e... ACCEPT NO BRASIL (abrindo para o Judas Priest, num abarrotado Vivo Rio [23/04/2015] e Imperator [09/04/2016])!! Shows irrepreensíveis, com uma banda afiada, que resiste ao tempo no “núcleo duro” composto por Wolf Hoffman (G/V, o melhor clone de Bruce Willis que você verá na sua Vida!) e Peter Baltes (B/V), aliados ao já citado Tornillo (V, ex-TT Quick), Uwe Lullis (G/V, ex-Grave Digger / Rebellion) e Christopher Williams (D/V, ex-Kid Rock, Blackfoot & War Within). E foi assim que vieram para sua terceira apresentação no RJ, divulgando seu novo CD (o primeiro com a nova formação). Na fila (pequenina), algumas questões: o quanto de público compareceria? (O Rival comporta apenas metade de público do Imperator, onde o show já fora um tanto esvaziado) e, pior... Haveria? O de Fortaleza fora cancelado (por problemas no avião/aeroporto)... Mas daí encostou uma van e saltaram os cabruncos!

Bruce Willis teutônico, Baltes, Lullis e tio Parafuso

Lá dentro, a espera durou mais que deveria... Mas às 21:30h o pano que cobria a bateria foi retirado, e Christopher recebeu os aplausos dos cerca de 300 (!) abnegados presentes. Logo em seguida, vieram os demais (num palco diminuto, dada a cenografia da banda) e largaram, de cara, Die by the Sword, emendando com Stalingrad (poderosa, ao vivo!) e as clássicas Restless and Wild, London Leatherboys e Livin’ for Tonite. Do novo álbum, e seguindo sua sequência vieram a faixa título The Rise of Chaos, Koolaid, No Regrets e Analog Man. A partir daí, Final Journey e Shadow Soldiers se apresentaram como novas clássicas (JÁ VIRARAM!), mas é claro que o povo quer as “Udonianas”: Neon Nights, Princess of the Dawn, Midnight Mover, Up to the Limit e Objection Overruled provaram que Tornillo não é “apenas mais um baixinho com voz de pato rouco”, mas que calçou os sapatos do Udo e os remoldou em seus próprios pés, sem deixar dúvidas sobre sua competência nem saudades do Urtigão Ranzinza (pleonasmo vicioso, eu sei!). Pandemic veio destruindo, mas... O ano foi 1982. O termo Heavy Metal, supostamente cunhado vinte anos antes por William S. Burroughs abrangia toda uma gama de sons altos, distorcidos e aparentemente relacionados ao que o Black Sabbath fazia desde 1968... Mas ao se colocar o LP “Restless and Wild” para tocar fomos (e somos) brindados com a curiosa abertura de uma música folclórica alemã, seguida pelo inconfundível som da agulha raspando no vinil e um berro de assustar (lembra do ano?), seguido da música que reputo como a primeira canção de thrash metal da história!: Fast as a Shark, que ao vivo assume contornos assustadores, de tanta força, energia e violência que libera!!! Pausa para um breve descanso, e a volta vem com Metal Heart, Teutonic Terror e a infalível Balls to the Wall!! Na saída, os sorrisos da banda, aliados àquele calorzinho “gostoso” do Rio pré-verão diziam como eles se sentiam... O bom do Accept é que se você não conhece as letras fazer um ÔÔÔÔ já ajuda, e bastante! O carisma, presença de palco, talento e coreografia da melhor banda teuto-americana do mundo faz o resto! Que voltem logo, porque ficamos otimamente bem acostumados!

Teutonic Terror

3.          ZAKK SABBATH (CIRCO VOADOR, 17/11/2017)
Com o “The End” dos mais longevos dinossauros do Heavy Metal, abriu-se uma lacuna que jamais será fechada. Não há banda nesta Terra plana (Planeta – ironic feelings!) que possa fazer o que o Black Sabbath fez. E PONTO! Então, só nos restará, doravante, ver/ouvir seus CDs / DVDs e pior: “aturar” os clones/repetidores/imitadores do BS (EU MESMO participo, como vocalista (se o Ozzy pôde, por que não este escriba?), de uma bagaça dessas)!
Assim, foi sem espanto que no início deste ano soube que Zakk Wylde (G/V, Ozzy Osbourne / Black Label Society), Rob “Blasko” Nicholson (B, ex-Rob Zombie / Ozzy Osbourne) e Joey Castillo (D, ex-Danzig / QOTSA) montaram um projeto, singelamente nomeado Zakk Sabbath. Convenhamos: QUEM TEM MAIS MANHA que Zakk de colocar algo assim pra funcionar? Guitarrista de longa data do Quiropterófago Dislálico e tour-partner dos pais do Heavy Metal... O vídeo de War Pigs me convenceu que havia ali algo espontâneo e forte, ainda que apenas um projeto, já que o BLS está plenamente ativo, e ele voltou a tocar/gravar/excursionar com o Madman. Blasko é um monstro nas quatro cordas, e Joey (que vi com o Danzig no Imperator, num distante 22/06/1995 [lembrem-se de que o Trevas afirmou que já vi mais shows do que melecas foram comidas por muita gente ao longo da Vida!...]) é um baterista fenomenal!
Ao saber que o ZS viria ao Brasil, e melhor, ao Rio e, muito mais melhor de bom ainda, ao Circo Voador, comprei meu ingresso sem pestanejar! Sabia que não há como dar errado juntar músicos como os três com a música inspiradora e atemporal do Black Sabbath!

Trio Urtigão (foto por Krill)

Adentrei o solo sagrado da música carioca/brasileira e de imediato colei logo o quanto pude junto ao palco. Em apenas 30min de casa aberta já havia cinco filas de camisas pretas à minha frente! Mas isso seria temporário, como todos que vamos a shows de metal sabemos... Às 21:35h aquela indefectível introdução de chuva, raios e sinos dizia que... O MONSTRO estava ali! Empunhando de imediato uma belíssima Gibson Les Paul Custom Signature roxa (que ao longo do show trocou por outras iguais), Zakk e seus comparsas assomaram ao palco, iniciando a debulhação de imediato com a trinca Supernaut / Snowblind / A National Acrobat! Na voz, Zakk emula muito bem o “Patrão”, além de ter cartazes plastificados com as letras abaixo dele, que eram trocados por seu roadie particular a cada música! Nos solos, ele abusa de sua técnica e “fritação”, tocando com a guitarra por trás da cabeça (diversas vezes ao longo do show!) alongando-os de maneiras que Tony Iommi, soberbo e preciso em sua economia, jamais pensou fazer! Mas e daí? Era Sabbath, PORRA! À essa altura, a galera sedenta queria algo mais visceral, que veio na forma de Children of the Grave e aí o Inferno abriu suas portas! Aquele “calorzinho bom” se transformou numa sauna fedegosa, com a abertura de uma roda carniceira! A pista, que estava muito cheia se tornou local para bravos e/ou insanos, por que a porradaria estancou, e dicumforça! PRA PIORAR, Zakk desceu ao fosso, onde ficou tocando por infindáveis minutos (com a guitarra por trás da cabeça!), e jogando sua palheta para a pista, fazendo metade dela espremer os próximos à grade (eu incluído, obviamente!)... Sem pausa, vieram Lord of This World, Under the Sun / Everyday Comes and Goes e uma improvável (e inesperada) Wicked World! O entrosamento entre os três fazia com que bastasse um rápido olhar para trocarem de música! Fairies Wear Boots foi emendada direto com Into the Void!! Soberbo!! Espetacular!! Hand of Doom trouxe a apresentação dos músicos, seguida por Behind the Wall of SleepBassicallyN.I.B. Mais descidas de Zakk ao fosso, mais debulhação por trás da cabeça, mais espremeção... TUDO NORMAL!!!

Blasko (foto por Krill)

Sem ser exatamente um bis, pois a banda não se retirou, as luzes se apagaram para começar aquela sirene de ataque aéreo, que prenuncia War Pigs, executada de forma crua (Zakk solou com os dentes!), e o coro do Circo Voador estremeceu a velha lona (veja nos links dos vídeos). Ao final do espetáculo, uma faixa homenageando Dimebag Darrel foi lançada ao palco e exibida pela banda, sob estrondosos aplausos! Aquela gorilice de praxe do Zakk e lá se foram eles...


Zacarias "Ursão" Selvagem (foto por Krill)


É lógico que jamais imaginaria Mr. “Goes Wylde” tentando cantar algo das outras fases do BS, mas ficou um gostinho azedo de “quero mais”, já que nos USA tocaram Never Say Die (a melhor faixa desprezada do igualmente desprezado álbum!) e não fizeram clássicos icônicos como Sympton of the Universe, Black Sabbath, Iron Man e o hino dos hinos Paranoid...

Set: https://www.setlist.fm/setlist/zakk-sabbath/2017/circo-voador-rio-de-janeiro-brazil-73e0e231.html










P.S.: Digno de nota é o fato de que no mesmo dia e hora, a poucos metros do Circo, o Obituary se apresentou no Teatro Odisseia (uma banda que AINDA não tive chance de ver, mas Sabbath supera tudo)!
É isso, espero que tenham gostado de ler, assim como gostei de escrever! E, mais uma vez, obrigado ao Trevas pela oportunidade!
Freddy Krill.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Curtas: Zakk Wylde + Striker + Denner/Shermann + Heart

Curtas: Zakk Wylde + Striker + Denner/Shermann + Heart

Curtas: Zakk Wylde + Striker + Denner/Shermann + Heart


Zakk Wylde - Book of Shadows II
Zakk Wylde – Book of Shadows II (cd-2016)

Gigante gentil

Já com o nome marcado na história do rock como um dos maiores guitarristas em todos os tempos, o prolífico Zakk Wylde anda com dificuldade em manter em seus trabalhos com o Black Label Society um padrão de qualidade condizente com seu imenso talento.
O trabalho semi-acústico Unblackned parece ter dado uma renovada na criatividade do barbudão, que produziu um dos melhores discos de sua banda em tempos (Catacombs of the Black Vatican, ver resenha da Cripta). Talvez a saída fosse alternar o estilo dos trabalhos solo, e é isso que Zakk faz aqui, revivendo sua faceta mais soturna em um disco semi acústico. De início, achei bastante perigosa a referência ao primeiro Book of Shadows. Aquele foi um trabalho único, sombrio e muito bonito, para muitos o melhor momento do gigante amigo fora da tutela do tio Ozzy. Aí escutei a primeira música de trabalho, Sleeping Dogs, e fiquei esperançoso: bonita para dedéu, trazendo um Zakk cantando como nos tempos do Pride & Glory e do primeiro Book. Enfim, havia esperanças.


Infelizmente Sleeping Dogs é uma exceção dentro das 14 faixas aqui apresentadas. O clima repete o do primeiro trabalho: músicas melancólicas em formato acústico, com exceção da inserção eventual de hammond e dos solos de guitarra. Zakk toca tudo nas músicas afora baixo e bateria. E canta, muito melhor do que vem fazendo no BLS, diga-se. A produção está perfeita, também sob a batuta de nosso herói. O grande problema é que as composições não ajudam tanto. Não há nada exatamente ruim aqui, mas as músicas seguem uma mesma fórmula e acabam cansando ao longo de mais de uma hora de audição. Por sorte temos algumas que valem por todo o trabalho, como as boas Tears of December e Darkest Hour, e as excelentes Lost Prayer e King. Essa última tocada ao piano com belíssima interpretação vocal de Mr. Wylde. A edição nacional, culpa da Hellion Records, traz ainda uma segunda versão de Sleeping Dogs, com Corey Taylor (Slipknot e Stone Sour) fazendo os backing vocals. Um disco bacaninha, mas que não sobrevive a uma comparação com o primeiro Book of Shadows.


NOTA: 7,11

Recomendado para: um dia chuvoso de ressaca.
Passe longe se: tiver tendências suicidas.
Para fãs de: Southern Rock, Acoustic Rock


Zakk tocando Legião
___________________________________________________________

Striker - Stand in the Fire
Striker – Stand in the Fire (Cd-2016)

Canadenses em Chamas

Após o sucesso do ótimo City of Gold (ver resenha daCripta), os canadenses do Striker voltam com tudo com esse Stand In The Fire. Com uma nova formação, dessa vez como quarteto, a banda contou com guitarristas convidados na maioria dos solos, além da ajuda do conterrâneo Randy Black na bateria de uma das faixas. Mas as mudanças em nada alteraram a capacidade dos caras. Phoenix Strikes é o cartão de visitas perfeito, mostrando a mescla de NWOTHM com Hard anos 1980 que a banda faz tão bem. Out For Blood traz aquela veia de Anthrax clássico à mistura, além de um improvável e bacana solo de saxofone (uma referência ao que o Riot fizera em The Privilege of Power?).


Stand in the Fire é um disco bastante vigoroso e up tempo, e talvez um ponto “falho” seja a pegada frenética e a produção algo estridente de ponta a ponta de seus 43 minutos de duração. E cabe ressaltar que a primeira metade do disco (mais precisamente até a ótima instrumental Escape From Shred City) o disco é excelente, caindo um pouquinho em sua reta final. De resto, ótimos riffs e solos, refrães grudentos e um vocalista (Dan Cleary) nos moldes dos grandes nomes do metal tradicional. Nada que represente uma grande novidade no mundo do metal, mas que fará felizes os fãs daquela mistura oitentista de Hard/Heavy, que é exatamente o público alvo desses sempre divertidos canadenses. Bem legal!

NOTA: 8,29

Recomendado para: fãs de NWOBHM e Hard/Heavy oitentista
Passe longe se: sonoridade estridente soe incômoda
Para fãs de: Enforcer, Iron Maiden, Anthrax

Blame Canada! This is all "abut" metal
___________________________________________________________


Denner/Shermann - Masters of Evil
Denner/Shermann – Masters of Evil (Cd-2016)

Das Profundezas....da lata de lixo!

Quando ouvi falar sobre um novo projeto envolvendo os grandes Hank Shermann e Michael Denner, mestres das seis cordas do Mercyful Fate, fiquei bastante feliz. Mais feliz ainda quando soube da presença do excelente Snowy Shaw na batera. Que time! Fui conferir então o EP Satan’s Tomb e quase vomitei quando entrou o vocal pela primeira vez. Conhecia aquele cara, era o vocalista do irritante Cage, um dos grupos de metal mais chatos que já ouvi.  Ao final das contas o EP até era razoável. Mas esse Masters of Evil é um teste de paciência, ou instrumento de tortura digno de Guantánamo. Angel’s Blood até soa interessante, talvez por apresentar Sean Peck um pouco mais contido. Mas é só começar a rolar a segunda faixa, a ridícula Son of Satan para me lembrar o porquê deu não esperar nada desse projeto. Sean soa como o usual, um sub clone do já imensamente chato Ripper Owens. Sua interpretação na péssima The Wolf Feeds At Night é a matéria da qual os pesadelos são feitos. Mas nem tudo está perdido, vejam só, Pentagram and the Cross é muito boa. Ah, mas a faixa título novamente joga o nível lá no chão, tal qual a subsequente Servants of Dagon. Puta que bosta!!! E não falo somente pelo vocalista totalmente over, os riffs e solos todos parecem requentados e nada inspirados, saídos de alguma banda amadora. A produção é mediana e mesmo o som da bateria de Shaw fica bem aquém do desejado.


O nível baixo da bolachinha faz com que até a medíocre Escape From Hell pareça melhor do que realmente o é. E para encerrar, The Baroness tenta soar épica e sinistra a todo custo, mas só consegue mesmo rachar o que sobrou da bolsa escrotal do incauto ouvinte. Um acinte! Facilmente um dos maiores micos da história recente do Heavy Metal. Dá até medo de torcer por um retorno do Mercyful Fate.

NOTA: 4,20

Recomendado para: seu pior inimigo.
Passe longe se: tiver bom senso e bom gosto.
Para fãs de: Cage e gritinhos irritantes tipo Ripper Owens

A verdadeira "Curse of the Pharaos"
____________________________________________________________


Heart - Beautiful Broken
Heart – Beautiful Broken (Cd-2016)

Papa Het e o Coração Recauchutado

1985, um Headbanger bem troozão entra numa loja de discos atrás de uma cópia do ainda recente Ride the Lightning, petardo dos novos heróis da cena, o então nada comercial Metallica. No som mecânico da loja, toca uma balada melequenta que fica entre o AOR superproduzido e a ainda crescente cena Glam Metal. Trata-se do ressurgimento do Heart com What About Love. O headbanger, irritado, pega seu disco, paga e sai correndo da loja praguejando. Assim que cruza a rua é atropelado, entrando em coma. 2016, o headbanger sai do coma e no primeiro estabelecimento em que entra, escuta a voz daquela menina do Heart em um Hard pop bem comercial...entra uma voz masculina na música, é Papa Het. O Headbanger retorna a hospital e pede pela eutanásia. Fim. Brincadeiras à parte, essa bobageira serve para mostrar o quão chocante é imaginar que a faixa título e carro chefe do novo disco das irmãs Wilson, seja justamente uma parceria com o vocalista da maior banda de Heavy Metal americana. E caramba, funcionou bem!


Beautiful Broken, o disco, consiste em um apanhado de faixas já lançadas pelo Heart, só que com novos arranjos e produção. A mesma parece tentar recuperar um pouco a sonoridade do Heart em sua fase de cruza entre o AOR e o Glam, escapando do enfoque mais seco dado aos últimos dois discos. A Zeppeliana Heaven, cuja versão original consta na edição Deluxe de Fanatic é outro destaque, assim como City’s Burning, que apareceu pela primeira vez em Passionworks e Down On Me. Confesso que o lado mais melecoso das meninas não me pega em absoluto, e coisas como Sweet Darling e Language of Love tem açúcar para matar um elefante de diabetes. De resto, Ann Wilson continua com a voz fantástica, a produção está muito bem-feita e quem é fã pode conferir sem medo. 

NOTA: 7,36

Recomendado para: fãs de AOR em geral
Passe longe se: você for o headbanger da historinha
Para fãs de: Heart fase anos 1980


As irmãs Wilson, sessentonas com tudo em cima