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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Kvelertak – Splid (CD-2020)



Deliciosa Discórdia

Por Trevas

Quatro anos depois de Nattersferd, o tresloucado sexteto norueguês de Black’n’Roll (cantado na língua nativa) retorna com seu quarto disco, com duas mudanças na formação. Ivar Nikolaisen assumiu os vocais no lugar de Erlend Hjelvik e Håvard Takle Ohr ganhou o posto de baterista. Ivar não é exatamente uma novidade para os fãs, tendo participado em Blodtørst, do primeiro disco da banda. Figura lendária na cena underground norueguesa, sua performance nos palcos já havia sido aprovada (aqui pela Cripta, inclusive), ficando a curiosidade sobre o que ele traria de novo para as composições. Se Nattersferd trouxera uma mudança na produção do disco e um direcionamento mais viajante, que refletiu em uma algo desconcertante falta de interesse pelo público (contrastando com o impacto dos dois primeiros discos), aqui os rapazes apostaram em reassumir a bem-sucedida parceria com Kurt Ballou (produtor e guitarrista do Converge). E que caminho teria escolhido uma das bandas mais inventivas da atualidade?

Vai discordar?

Rogaland começa algo etérea, dando a impressão que veríamos mais do Natterferd por aqui, mas logo a ferocidade aparece e tudo o que conhecemos sobre o Kvelertak se mostra em pouco mais de 5 contagiantes minutos. Logo em seguida Crack Of Doom nos apresenta duas novidades: a participação de Troy Sanders, do Mastodon, e letras completamente em inglês, numa delícia que mistura Punk com Metal Moderno.



Já na terceira música pude sacar que a banda mudou. Ivar não chega a ser tão diferente de Erlend, mas a pegada do Kvelertak em Splid aposta muito mais no lado Hardcore da banda do que nos arroubos de Black Metal de outrora. Mas longe de descaracterizar o som dos caras, temos o trio de guitarras conjurando riffs para lá de empolgantes, entrecortados por harmonias de guitarra à lá Thin Lizzy e eventuais incursões em trechos de Space Rock/psicodélico, vide Necrosoft (que traz elementos de Black na bateria) e a viciante faixa título (Splid se traduz como Discord, em inglês), que traz Nate Newton, do Converge, em participação especial.


Se a primeira metade do disco é de quebrar o pescoço do Colossus do X Men, na segunda o lado mais viajante aparece com um pouco mais de intensidade. Mas longe do quase Prog de Nattersferd, as faixas mais longas, como Brattebrann, Fanden ta Dette Hull!, Delirium Tremens e Ved Bredden av Nihil são verdadeiras pérolas em termos de dinâmica, ficando entre a tresloucada modernidade do sexteto e um Classic Rock quase acessível. Demonstrando uma impressionante maturidade para uma banda tão jovem. E assim pode ser descrito esse Splid, um disco fascinante para quem quer ouvir algo genuinamente novo, mas que respeite de maneira criativa o DNA de tudo o que amamos no Rock And Roll. Um dos melhores discos do ano! (NOTA:10)

 

Gravadora: Rise Records (importado)

Prós: caótico e muito criativo

Contras: pode ser longo e caótico demais para ouvidos sensíveis

Classifique como: Kvelertak? Black’n’Roll, Metal Moderno

Para Fãs de: Mastodon, Thin Lizzy





domingo, 1 de março de 2020

Graspop Metal Meeting 2019: Parte II – Os Shows



Olá Criptomaníacos!! 
Nessa segunda postagem sobre o GMM, farei um breve apanhado dos 36 shows assistidos ao longo dos 3 dias de festival. 
Por show assistido e avaliado, consideramos aquele que conseguimos presenciar por pelo menos metade de sua duração prevista. 
Se contarmos os pedaços de 10/15 minutos que assistimos ao longo desses dias, o número cresceria bastante.
As fotos e pequenos vídeos são meus e da Dressa, e servem apenas para tentar dar uma vaga noção visual da coisa, já que celulares são péssimos para esse tipo de registro. 
E claro que demos preferência a curtir as apresentações ao invés de registrar as mesmas de maneira porca.
Divirtam-se
Trevas


21.06.19 - SEXTA (11 shows assistidos)

Os calouros aqui calcularam mal o deslocamento para o festival, o que nos fez perder o Death Angel, escalado para a infeliz hora do almoço. Nossa primeira parada acabou por ser o Crowbar, no palco Marquee. Foi um bom começo, Kirk Windstein e sua trupe desfilaram seus acordes monolíticos com maestria (NOTA: 8,00). Ainda conseguimos assistir duas músicas do caos eletrônico virulento do Combichrist antes de encarar Glenn Hughes e suas releituras dos clássicos do Purple num show inesperadamente mediano (NOTA: 6,00).

Crowbar - mais pesado que fimose de cachalote
Retornando ao Marquee, dessa vez para o assombroso e para lá de pesado show do Candlemass com Leif de volta ao batente trazendo a tiracolo o excelente Johan Längqvist, vocalista que gravou Epicus Doomicus Metallicus. Realmente épico, Doom bagarai e destruidor (NOTA: 10).

Candlemass, espetacular e de volta às origens
Num dos palcos principais, o metal moderno do Architects levantou o público de maneira tão esfuziante que me senti até um pouco culpado por não conseguir ver nada demais no som dos caras (NOTA: 7,00). Após alguns minutos do viajante e original Cult Of Luna, era vez de comprovar o quanto o Anthrax funciona bem ao vivo. Mesmo com som embolado e Belladonna longe da boa forma vocal, o som dos caras em festival levanta até defunto (NOTA: 9,00).

Caught In A Mosh! Anthrax detonando! 
Um dos shows mais esperados pela gente, o Lynyrd Skynyrd demorou a esquentar. Ainda assim, um show que tem Saturday Night Special e Free Bird não pode ser um fracasso. Vide a contagiante rodinha de coroas dançando em Sweet Home Alabama (NOTA: 7,50). Se os sulistas pareciam algo deslocados, os suecos do Amon Amarth estavam na sala de casa. Com um show pesado, tecnicamente perfeito e cheio de pirotecnias, mostraram que hoje em dia são os headliners perfeitos para festivais do tipo. Vide a lotação do empolgado público de frente para o palco (NOTA: 10).







Perfeição técnica é o que vimos também na apresentação do Within Temptation. Com uma produção de fazer inveja a qualquer banda que não seja o Rammstein, destilaram clássicos de seu período mais sinfônico misturados ao metal moderno de agora. O ponto alto da noite foi ver um verdadeiro viking, torso desnudo no frio, cantando a plenos pulmões Ice Queen. Nos debulhamos em gargalhadas, para então recebermos um merecido olhar de reprovação do grandalhão, que logo voltou a exibir seus dotes líricos. Um belo show (NOTA:8,50) Era hora do último show do Slayer na Bélgica. Um dos eventos mais esperados do festival, a apresentação do quarteto contou com uma produção de palco caprichada e muita, mas muita pirotecnia. O repertório está matador e Gary Holt trouxe um algo a mais para a dinâmica do show, mas não fosse o clima criado pela grandiosidade visual, que nos transporta para algum lugar no inferno, novamente ficaria com a impressão de que a banda é um pouco burocrática no palco (NOTA: 8,00). No acampamento, madrugada adentro só se ouviria uma coisa, urros de “SLAAAAAYEEEEERRR”.

Slayer levando sua capirotagem pela última vez em território belga
22.06.19 - SÁBADO (10 shows assistidos)

Começamos na hora do almoço, com a belíssima apresentação do Cellar Darling. Anna Murphy é uma vocalista e multi-instrumentista brilhante e a banda é um raro caso do estilo que não se vale de absolutamente nada pré-gravado. Excelente (NOTA: 9,00).

Ainda esbarramos com o final da apresentação do Gloryhammer, banda piada de Power Metal que surpreendentemente mostra um poderio absurdo nos palcos. Fica para uma próxima. Impressionante também o pouco que vimos do Ne Obliviscaris, que parece conjurar o próprio som de alguma outra dimensão, uma dimensão sombria e pesada. Os suecos do Hammerfall podem ser mega xaropes, mas imaginei que seu som pudesse soar divertido no ambiente de um festival. Até cantei junto uma ou outra música dos simpáticos bangers, mas a plateia não pareceu tão convencida assim (NOTA: 7,00).

Compenetrados
Muito melhor se saiu o fenômeno Lzzy Hale e seu Halestorm. Aguados em estúdio, os estadunidenses destroem ao vivo, capitaneados por uma das vozes mais fortes da história do rock (NOTA: 9,00). Após um pequeno relance no não muito impressionante show do Grand Magus, era hora de Nergal e sua trupe no palco principal. E o Behemoth fez justiça a sua fama, um show verdadeiramente infernal e pesado (NOTA: 9,00). Tempos atrás parecia que o Trivium conquistaria o mundo, mas a carreira dos caras nunca atingiu o ápice esperado. Mas não é por falta de trabalho, com um show tecnicamente excelente na parte instrumental, os caras se movem tanto no palco que microfones eram colocados em toda a extensão do mesmo. Uma apresentação repleta de carisma e energia (NOTA:8,50).

Muitos cadeirantes no evento, alguns deles gozaram de belos crowdsurfings
De volta aos palcos menores, nossa primeira escolha de sofia: estávamos nas primeiras fileiras da apoteótica apresentação do Clutch, com um Neil Fallon endiabrado comandando a plateia como um pastor do inferno, os estadunidenses destilavam um clássico atrás do outro (NOTA: 10,00). Infelizmente deixamos o show na reta final pois não podíamos perder uma das derradeiras apresentações do UFO antes do encerramento da carreira. O septuagenário Phil Mogg parece um pouco cansado, e logo se percebe que a aposentadoria vem em boa hora, mas o show tem tanto clássico por minuto que acaba valendo o esforço (NOTA: 8,00). A noite não dormida cobrou seu preço, acabamos por abandonar o festival mais cedo e perdemos bandas como Krokus, King Diamond, Demons & Wizards, Disturbed, Lamb Of God e Slipknot. As três últimas pudemos escutar do acampamento, assim como a reação da plateia. Ao que parece, shows destruidores. Era hora de recuperar as baterias para o último dia.

Domingo com sol a pino e os dois na primeira fila para o FM


23.06.19 - DOMINGO (15 shows assistidos)

Nosso domingo começou bem cedo, e direto da primeira fila de um dos palcos principais, com uma aula impecável de AOR com os veteranos britânicos do FM, comandados pela bela e cristalina voz de Steve Overland (NOTA:9,00). Bem menos impressionante foi o show seguinte, dos postulantes a nova sensação do Classic Rock Inglorious. Definitivamente falta algo aos ingleses, e o afetado e talentoso Nathan James ainda precisa comer muito Fish & Chips para atingir o nível que acha já ter (NOTA: 6,50).


Outro combo britânico na fila, fomos conferir os ogros do Orange Goblin no Marquee. O gigante Ben Ward e sua trupe fazem um show poderoso e vibrante, e nos divertimos pulando abraçados a um cabrunco que parecia ter lambido um sapo lisérgico (NOTA:9,00). Ainda deu tempo de pegar a metade final do Deadland Ritual, supergrupo que reúne gente do quilate de Geezer Butler, Steve Stevens e Matt Sorum. Capitaneados pelo pouco inspirado vocalista Franky Perez, a banda fez o provável show mais murcho de todo o festival. Uma apresentação morta a ponto de conseguir não levantar a galera nem com War Pigs, música que geralmente salva da derrota qualquer banda cover do planeta. Uma lástima (NOTA: 4,00).

Ih, é a banda da minha camisa ó!


Mudando um pouco o clima, fomos conferir o show do Delain, que seria o último com a formação contando com duas guitarras (uma despedida curiosamente silenciosa da demissionária gnominha espoleta Merel Bechtold). Um show bacana que levantou a plateia com hits grudentos, mas fica claro que os holandeses ainda precisam trilhar muita estrada para chegar perto dos patrícios do Within Tempattion ou dos finlandeses do Nightwish (NOTA: 7,50).

Mesmo durante o início do show do Delain, era visível e impressionante o deslocamento de boa parte do público presente no festival para o outro palco principal. O que só comprova o estrondoso sucesso dos franceses do Gojira em território europeu. E que show. Com peso e musicalidade surreais e uma postura de quem sabe que vai destruir tudo, os irmãos Duplantier foram responsáveis pela maior profusão de rodinhas, Crowd Surfing e afins em todo o festival. Ao final de pouco mais de uma hora, a banda se despede, e o baterista Mario vai ao microfone agradecer e atestar ter perdido alguns quilos na apresentação. Nós também, Mario, nós também (NOTA: 9,50).

Pernas pedindo arrego, hora de dosar as energias
Igualmente destruidora foi a apresentação dos suecos do In Flames. Trazendo a bela adição de Chris Broderick na segunda guitarra e contando com algumas surpresas antigas (Pinball Map e Colony) e muita simpatia, fizeram um set de arrepiar os fãs de todas as fases da carreira dos caras (NOTA: 9,50). Uma breve checada no aparentemente imponente show do Insomnium antes do encontro com tio Coverdale e seu novo Whitesnake. Novo entre mil aspas. O repertório permanece o de sempre (só trocam as faixas do disco atual), mas a destreza dos músicos compensa a repetição. Claro que se você pode chiar do tom abissal no qual as músicas são tocadas e do fato de um show de uma hora contar com solos individuais e intervenções instrumentais, ambos artifícios voltados a preservar a combalida voz do tio, que até que estava num bom dia. Divertido e previsível, como sempre (NOTA: 8,00). Já eram 19:00 da noite, mas o céu de verão estava límpido, com o sol castigando a galera. Após conferir alguns minutos do final estrondoso do show do Possessed, sentados na grama para testemunhar Rob Zombie fazer uma apresentação impressionantemente divertida, com direito até a uma ótima versão para Helter Skelter (NOTA: 9,00). Nunca havíamos visto o Def Leppard em ação. E cara, que decepção. Tecnicamente perfeito, o show tomava forma repleto dos hits radiofônicos que catapultaram os ingleses ao Mainstream. Mas é tudo feito de maneira tão burocrática que faz até o “chá das cinco” parecer um evento com mais atitude. Morno demais (NOTA: 6,00).

Cervejinha belga + Coverdale = previsível e bom
Fugimos para o Eluveitie, mas a lotação do Marquee e o calor infernal nos levaram mesmo ao palco onde se apresentava o Kvelertak. Eu tinha muita curiosidade de conferir o sexteto de Death’n’Roll, com suas músicas repletas de referência de tudo o que é era do rock cantadas em norueguês. E que sorte que o destino nos levou até ali, os caras fizeram um dos shows mais perfeitos do festival. E o público pequeno, logo se transformou em uma multidão. A grande maioria não fazia ideia do que esperar do som dos caras, mas a força de uma banda que, além de proficiência técnica, ainda termina com o vocalista (novo na turma) e dois dos três guitarristas fazendo crowdsurfing ao longo das músicas não pode ser menosprezada. Ao final dos 50 minutos do repertório, os noruegueses deixavam umas 5.000 pessoas embasbacadas para trás, certamente tendo convertido boa parte desses em novos fãs incondicionais (NOTA: 10).


Pausa para o lanche, retornamos a um dos palcos principais e temos uma grata surpresa. O Sabaton é absurdamente popular por lá. Sim a multidão que se amontoa de frente para o palco é impressionante, mas mais impressionante ainda é a desenvoltura com que a banda lida com isso. Em poucos minutos de show e umas 40.000 cabeças cantam e dançam sem parar os hinos quase caricatos dos suecos. A banda também faz por merecer. Os caras não param um segundo e Joakin pode ser um vocalista limitado, mas tem um carisma e simpatia tão grandes que você acaba o show jurando que ainda vai tomar uma cerveja com o grandalhão. Isso sem contar que, arames farpados, sacos de areia, um coral de 20 cabruncos vestidos com uniformes da primeira guerra mundial e um tanque de guerra de verdade estão ali no palco, em meio a explosões e pirotecnias variadas, criando um clima que raramente se vê por aí. Um show monumental e que tem como um grande trunfo não se levar a sério por um instante sequer (NOTA: 10).

KVELERTAK!!!
Era chegada a hora do ultimo Headliner do festival. You Wanted The Best, You’ve Got The Best. The Hottest Band In The World…KISS! Você pode até não gostar do quarteto mascarado estadunidense, mas eles sempre foram o padrão que norteia toda e qualquer banda que preza pelo espetáculo. E a banda faz sua despedida oficial nessa turnê (se bem que anunciam isso sem cumprir o prometido tem bem uns 20 anos pelo menos), então a expetativa era de uma experiência audiovisual impressionante. E realmente o palco é impressionante. Pirotecnias e teatralidade a mil. Uma pena que a banda simplesmente já não esteja à altura de sua reputação. Paul Stanley está com a voz tão cacarecada que consegue irritar os ouvidos até nas várias falas entre as músicas. Sim, o cara está desafinando até falando. Mas ao menos se esforça, conduzindo a banda com vigor impressionante para a idade. Uma pena que seus colegas pareçam tão desinteressados, em especial Gene, cansado como aquele motorista de ônibus no final da última jornada do dia. O repertório, algo previsível, ainda assim deveria soar delicioso. Mas não soa. A sensação de que efetivamente uma das lendas vivas do rock esgotou sua força vital parece ter consumido o público, já cansado dos três intensos dias, que respondia contidamente e de maneira mais respeitosa do que realmente empolgada. Talvez devessem ter pendurado as chuteiras alguns anos atrás, quem assistir a banda pela primeira vez nessa turnê jamais terá a verdadeira noção do que foram até um passado não muito distante (NOTA: 6,00). Íamos deixando o festival antes do fim da apresentação do Kiss, mas pelo caminho ouvimos um som destruidor. Entramos no Marquee no exato momento em que Jeff Walker bradava sarcasticamente ao parco público presente na apresentação do Carcass: “ parabéns a você que está nos assistindo, pois você definitivamente não é um poser”! A provocação aos fãs do Kiss poderia parecer exagerada e deselegante, mas o show do Carcass responde em campo. Um final devastador para nossa longa e fantástica jornada num dos maiores festivais do planeta (NOTA: 9,00).

Kiss e seu melancólico adeus




quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Kvelertak – Nattesferd (Cd-2016)

Kvelertak - Nattesferd
Kvelertak – Nattesferd (Cd-2016)

Mudando de Ares
Por Trevas

O novo disco dos noruegueses veio coberto do sentimento de ruptura com os dois primeiros trabalhos, que tornaram o Black’n’Roll da banda um improvável Best Seller ao redor da Europa. Incubado desde sua concepção nos seios de um selo que lhes deu todo o suporte, o mítico Roadrunner Records, em Nattesferd o sexteto quebrou primeiramente a parceria com o ilustrador (e dono do Baroness) John Baizley e também resolveu dispensar a produção e mixagem do companheiro Kurt Ballou, ambos presentes nos dois discos anteriores.



O Hômi-Curuja brada: "Leve-me a seu líder!"



E se em termos de ilustração a qualidade se manteve, havendo apenas a nova estética no trabalho de capa proposto pelo ótimo Arik Roper (responsável por capas que vão desde artistas mainstream como Black Crowes até mestres do underground do naipe de Sleep, Sun O))) e Grand Magus), já na produção a mudança não foi lá muito acertada não. Meio abafado e sem tanto punch, o Kvelertak tentou apostar suas fichas em carregar a mão no acento Retro-Rocker do vasto espectro de seu som. Não que isso seja exatamente ruim, mas músicas como 1985 (ver vídeo) acabam soando meio tranquilas e previsíveis demais, ainda que agradáveis.


E quem escutou os discos anteriores certamente vai estranhar a palavra “previsível” sendo usada para o som dos caras. É que a produção de Nick Terry (Turbonegro) em conjunto com a banda, acabou por amaciar e organizar o caos, causando um preocupante impacto inicial. Mas, ei, não vá embora. Nattesferd, a música (ver vídeo), mostra que o disco homônimo está longe de ser um fiasco. Facilmente um dos sons do ano, ela vem para lembrar o motivo pelo qual o Kvelertak ter virado um queridinho da imprensa especializada.


Daí para frente parece que a bolachinha resolve engrenar, ou ao menos nossos ouvidos acabam por se acostumar à pegada mais carregada no Classic Rock e menos caótica, como em Svartmesse (ver vídeo) e Ondskapsen Galakse. Bronsegud traz um tiquinho de punk Rock à mistura, mas sem agredir muito os ouvidos.


Berserkr finalmente joga alguns Blast Beats nas nossas fuças, escapando por muito pouco de soar como novo clássico dos caras. Heksebrann de cara assusta por seu padrão algo Baroness/Mastodon, mas logo assume feições Kvelertakianas ao longo de seus 9 minutos de duração, se tornando o grande destaque do disco (junto à já elencada faixa título), com seu refrão viciante embelezado por um sutil vocal feminino (ver video).


Nekrodamus encerra de maneira competente a bolachinha com um ar de Folk Metal em suas guitarras, algo como uma trilha sonora de um western empoeirado...só que rodado em Marte.

2016 - Mas cadê a Corujinha????
Saldo Final

Nattesferd é definitivamente um disco curioso: a princípio um pouco decepcionante em razão da alta expectativa criada, acaba por se tornar bastante bom com repetidas audições despojadas de comparação com o passado. Ao que parece pelo direcionamento aqui encontrado, a tresloucada coruja norueguesa vai tentar alçar vôos ainda maiores, rumo ao improvável estrelato reservado ao igualmente idiossincrático Mastodon!    

NOTA: 8,36

Pontos positivos: goste ou não, soa diferente de qualquer coisa
Pontos negativos: produção respeitosa demais com o lado Classic Rock
Para fãs de: Turbonegro, Baroness, Mastodon, Kylesa
Classifique como: Black’n’Roll, Modern Metal, retro-Rock, Space-Metal, Punk'n'Roll...ah, caralho, sei lá!!!!!

domingo, 25 de agosto de 2013

Curtas: Helloween, Killswitch Engage, Kvelertak e Pretty Maids


Curtas: Helloween, Killswitch Engage, Kvelertak e Pretty Maids
Por Trevas
Helloween - Straight out Of Hell
Helloween - Straight Out Of Hell (CD - 2013)

Álbum de número 16 na discografia dos inventores do Power Metal Melódico e novamente produzido por Charlie Bauerfeind, Straight Out Of Hell veio ao mundo com a difícil tarefa de dar uma chacoalhada na carreira da banda, que caminha no modo piloto automático já tem um tempo. A abertura com a épica (e boa) Nabatea dá alguma esperança de que finalmente os teutônicos nos presentearão com um disco de qualidade. Fica na promessa. Novamente carecendo de um senso de direção, a banda alterna investidas no lado mais bobalhão do melódico nas fracas World Of War, Far From The Stars e Years com tiros na direção do metal mais moderno e grudento (com o qual vem acertando a mão desde The Dark Ride) em Live Now, na gratuita Asshole e na ótima Waiting For The Thunder. A balada Hold Me In Your Arms é bacaninha, mas não chega a empolgar como outras do catálogo do grupo. Wanna Be God é uma tentativa assumida (e ruim) de reviver We Will Rock You do Queen.

Helloween 2013 - Uma preguiça só...
Curiosamente é justamente quando a banda encontra o equilíbrio entre o melódico e o Metal moderno que o disco melhora, como nas boas Burning Sun, Make Fire Catch The Fly e na faixa título. No final das contas, entre altos e baixos temos mais um disco para cumprir tabela de uma banda que outrora deu as cartas no metal europeu.

NOTA: 6,5




Killswitch Engage - Disarm The Descent

Killswitch Engage - Disarm the Descent (CD - 2013)

O futuro de uma das melhores bandas da nova onda do metal Americano parecia incerto. Após o excelente The End Of Heartache ter catapultado o grupo à estratosfera (com As Daylight Dies mantendo o nível), a banda sofreu um baque com a recepção aguada de fãs e críticos para o igualmente aguado disco homônimo. Não bastasse isso, o ótimo vocalista Howard Jones, envolto em sérios problemas de saúde, resolve abandonar a banda. Ah, isso sem contar com os problemas de saúde do guitarrista, produtor e líder Adam Dutkiewicz.

KsE 2013 - Jesse com a camisa do Bad Brains
Em meio ao caos o Killswitch Engage promoveu testes para o posto de vocalista. Entre os postulantes ao cargo, o eleito foi um velho conhecido, Jesse Leach, dono do microfone anteriormente a Howard. Quem, como este escriba, acreditava impossível que Jesse pudesse seguir de onde o trabalho impecável de Howard parou, quebrou solenemente a cara. Disarm The Descent é uma pedrada metalcore do início ao fim. Tudo funciona perfeitamente, desde a produção cristalina e repleta de punch, passando pela cozinha coesa, os riffs matadores e, pasmem, uma performance vocal avassaladora que não nos deixa ter saudades do demissionário HJ. Difícil apontar destaques em um disco tão homogêneo, mas In Due Time, Tribute to The Fallen e You Dont Bleed for Me tem tudo para se tornarem obrigatórias no set da banda. E ainda temos um momento para respirar um pouco com a bela Always, que coroa a evolução vocal de Jesse. Resta torcer para que o KsE mantenha o nível, pois estamos diante de um dos grandes discos de 2013.

NOTA: 9



Kvelertak - Meir
Kvelertak - Meir (CD -2013)

Três anos após os tresloucados noruegueses terem tomado a Europa de assalto com sua estréia homônima, o Kvelertak retorna com Meir, traduzido literalmente como “mais”.  O som da banda é um Punk Rock furioso misturado à Black Metal e elementos de Hard Rock de bandas clássicas como Thin Lizzy. Ah e isso contando com um trio de guitarras e letras escritas exclusivamente na língua natal da banda. Parece estranho? E realmente é. Mas é também incrivelmente grudento e divertido, basta uma breve conferida nos links abaixo, para as faixas Kvelertak (com algo de Hellacopters), Manelyst e principalmente Bruane Brenn, para descobrir o porquê. Esta última, aliás, é uma das faixas mais legais que ouvi nos últimos tempos. 

Kvelertak e sua mascote alada
No meio dessa sonzeira ainda destacaria a pancadaria de Trepan, o Folk porrada de Evig Vandrar e o clima de Jam de Tordenbrak. Cabe ressaltar ainda o belo trabalho gráfico, novamente cortesia de John Baizley, do Baroness. Para quem procura originalidade sem abrir mão do peso, o Kvelertak representa uma ótima pedida!

NOTA: 8,5






Pretty Maids - Motherland
Pretty Maids - Motherland (CD -2013)

Dono de um dos piores nomes já escolhidos para uma banda de rock pesado, o Pretty Maids iniciou sua carreira na Dinamarca em 1981, sendo mais um dos frutos da influência da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) pelo continente europeu. Para bem da verdade, o Pretty Maids pode ser considerado um dos artifices do Power Metal Europeu, tendo por característica em seu som o cruzamento desse estilo com o AOR, algo que ficou ainda mais forte ao longo dos anos 1990. A carreira da banda, reerguida pelo cover do Hammerfall para Back To Back, voltara a um viés de baixa. Mas deu uma nova guinada com a assinatura de um contrato com a gravadora italiana Frontiers, especializada em AOR, pela qual lançou o ótimo Pandemonium (2010, seguido por um excelente registro ao vivo). O sucesso de crítica gerou um bocado de expectativa para esse Motherland.

Pretty Maids - Ou seria Ugly Guys?
Mother Of All Lies, a faixa de abertura e primeiro vídeo mostra a banda enterrando os pés no AOR com maestria, uma música que entremeia riffs de guitarra e camas de teclado, sendo sempre guiada pela excelente voz de Ronnie Atkins, que outrora influenciara o timbre de Hansi Kürsch (Blind Guardian) e que é de uma versatilidade e competência impares. To Fool A Nation mantém a pegada AOR, e um ouvinte desavisado poderia bem pensar que o Def Leppard finalmente voltara a fazer boas músicas, tamanha a semelhança, em especial pelo atual timbre de Ronnie. Após uma curta introdução narrada, The Iceman finalmente nos mostra a fusão de Power Metal com AOR típica do Pretty Maids, mais uma boa ideia de Ken Hammer, guitarrista e único membro original da banda (além de Atkins) na formação atual. Sad To See You Suffer e Bullet For You são outras a fazer inveja ao Def Leppard, enquanto Hooligan e Why So Serious representam a pegada mais pesada da banda. A balada Infinity ressalta a excelente produção da bolachinha e a faixa título é mais um postulante a novo clássico da banda, assim como a melancólica Wasted, que encerra de maneira brilhante o disco. Uma audição obrigatória para todos aqueles que curtem AOR!

NOTA: 8,5