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terça-feira, 1 de maio de 2018

Pain Of Salvation + Reckoning Hour (26/04/2018 - Teatro Rival – Rio de Janeiro/RJ)

POS - Cartaz do Show

In The Passing Light Of...Night...
Fotos e Texto Por Trevas

É sempre interessante notar a diferença entre os públicos dos vários subgêneros dentro do rock. No curto espaço de tempo passado na fila do teatro Rival, fiquei todo ouvidos só captando os diálogos alheios. Se no show do Slash, com seu público “roqueiro de rádio cidade” que vai ao show por duas ou três músicas batidas sem se importar com a qualidade do espetáculo em si, isso me rendeu uma imensa sensação de que o rock realmente estava fadado à morte lenta e dolorosa, no caso do público do POS, foi o contrário. A garotada, que em sua maioria tem aquela pinta de quem fazia a festa nas lanhouses da vida, conversava avidamente sobre a carreira de sua banda favorita, parecendo conhecer cada nuance dos discos e até mesmo de assuntos não tão obrigatórios. Isso sem perder o humor. Em determinado momento ouço a seguinte tirada: “O único Ragnar bom era viking e já está morto”. Gargalhadas se seguiram e só então eu, longe de ser fanboy dos suecos, me toquei que corria no ar a apreensão de como seria o show (adiado de fevereiro por problemas de saúde com o dono da bola, Daniel Gildenlöw) com a “nova” formação, ainda não testada, com Johan Hallgren retomando seu lugar na guitarra (e voz), justamente em substituição ao tão mal falado multi-instrumentista Islandês Ragnar Zolberg. Dentro da casa, tomei meu lugar para o show da sempre competente banda carioca Reckoning Hour.


Reckoning Hour

O quinteto, cujo som fica muito distante do praticado pela banda principal da noite, bem poderia correr o risco de uma recepção desfavorável. Mas a Reckoning Hour tem toneladas de peso e talento, e vem se mostrando uma máquina para lá de azeitada em cima dos palcos cariocas.

JP, o gogó feroz dos excelentes cariocas


Destilando um Metal Moderno que não fica a dever em nada à muitos expoentes gringos do gênero, logo os rapazes conquistam o público, com as boas músicas de seus dois trabalhos amplificadas por um primor técnico e muito carisma. Quando me perguntam sobre renovação na cena brasuca, nem penso muito, um dos primeiros nomes que me vem à mente é o da Reckoning Hour: uma bandaça que merece alçar voos cada vez maiores. (NOTA:8)

Lucas Brum, um dos guitarristas da Reckoning Hour



Pain Of Salvation

Quando se fala em Prog Metal, muita gente (esse escriba inclusive) logo relaciona o rótulo à músicas frias e sem alma executadas por robozinhos assexuados travestidos de músicos. Tudo o que o Rock não precisa. Mas esse estereótipo passa longe da obra e dos shows do POS. Aqui emoção e feeling ficam em primeiro plano, a despeito do cuidado com detalhes técnicos. Full Throttle Tribe abre magistralmente o set, e chega a impressionar a desenvoltura da banda em eu primeiro show desde janeiro desse ano.

Daniel e Flea

Daniel, o dono da bola, descalço e vestindo uma roupa que você não usaria nem para ajudar seu avô a pintar a sala, arranca suspiros da mulherada a cada intervalo de música, e sua felicidade por estar de volta à ativa é contagiante. E a confiança no novo disco é tamanha que o set seguiu com Reasons (que acho péssima, mas o público cantou palavra por palavra) e a belíssima Meaningless. A recepção? Cada vírgula das novas músicas era bebida pela plateia, que se não lotou o Teatro Rival, fez compensar os lugares vazios com invejável devoção. E essa energia circulava, com a banda, em chamas, catapultando em nossas faces o momento mais rocker da noite, com a setentista (e excelente) Linoleum.

Daniel Mendigato Gildenlöw


Daniel, o mendigato, pode não ser o fenômeno vocal que alguns dos discos da banda apregoam, mas está tão bem assessorado vocalmente por todos os membros do POS que pouco isso afeta o resultado final - quase tudo o que se ouve das complexas linhas melódicas em estúdio é reproduzido ao vivo. Hallgren, recentemente reintegrado ao bando, é quase tão ovacionado quanto o patrão. Pudera, o irmão gêmeo do Flea toca e agita muito, além de ser um dos destaques vocais. Aliás, todos os membros dessa formação tocam eximiamente bem, mas com muita pegada e clara vontade expressa nos rostos. E até os erros eram recebidos com sorrisos por todos, seja no palco, seja na plateia. Fica fácil se divertir quando a banda mostra tamanho carinho pelo que faz.

Johan compenetrado

O repertório buscou representar quase toda a carreira dos suecos, mesmo com a preferência pelo novo disco. Ashes e Rope Ends arrancaram lágrimas de muitos e o set inicial terminou com a Excelente On A Tuesday, com impressionante contribuição vocal do exímio baterista Leo Margarit. Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, juraria que a voz do cara sai de dentro de uma estonteante loura escandinava. Um falsete e tanto! O bis se deu com a faixa título do novo trabalho, aparentemente já elevada a clássico pelos fãs. Doze músicas e 100 minutos depois, com muitos sorrisos e uma energia palpável no ar, a banda se despede. E pela reação do público, podem retornar ano após ano sem medo. Um grande show. (NOTA:9)        












sábado, 21 de outubro de 2017

In Flames + Reckoning Hour – 2017 South American Tour - Circo Voador (20/10/2017 – Rio de Janeiro/RJ)

Flyer Digital do Show

Excelente Noite de Metal Moderno No Circo
Fotos, vídeos e texto por Trevas

Reckoning Hour – Melodeath made In Brazil!

Na ativa desde 2011, o quinteto carioca definitivamente foi uma ótima escolha para a abertura deste show. Com o palco ornado com o belo backdrop da banda, além de dois praticados laterais com arte gráfica correlata, o RH iniciou seu show pontualmente às 21:00, quando ainda havia pouco público. Mas o poderio do quinteto, que mostra em eu som uma espécie de compêndio de tudo o que já se fez (e se faz) de bom dentro do Melodic Death Metal, logo atraiu uma parcela bem razoável das pessoas que já se encontravam na casa para a pista. O vocalista JP tem um gutural poderosíssimo (realmente impressionante!) e ótima presença de palco (me parece que ainda há algo a evoluir nas linhas de voz limpas, mas nada que comprometa), e seguiu comandando as ações, mas extremamente bem assessorado por uma dupla de grandes guitarristas (Phil Leander e Lucas Brum) que atua de forma quase telepática. Some-se a isso uma cozinha para lá de poderosa (Johnny Kings e Cavi Montenegro, com seu baixo tão alto no mix que chegava a encobrir as guitarras) e ótimas músicas e temos uma das melhores bandas da nova geração que já vi ao vivo. Uma pena que o set durou apenas meia hora. Fui lá na banquinha e já garanti os dois lançamentos da RH (um Ep e um Full Length) e uma camisa. Sensacional. (NOTA:8,50)

Reckoning Hour ganhando novos fãs







In Flames – Tocando Para Amigos

O palco repentinamente toma nova forma, o backdrop gigante (e clean) dos suecos é o único cenário, afora a bateria...nada de parede de amps, tudo ligado em linha. E a banda sobe com dez minutos de atraso ao som de duas faixas do novo disco, o controverso Battles (e como essas músicas soaram melhores ao vivo, hein?). E controvérsia parece ser uma constante na carreira do In Flames, uma das bandas mais influentes e polarizadoras de seu tempo. A mudança do Melodic Death Metal tipicamente sueco para uma amálgama de heavy metal moderno que deve tanto a seu passado quanto ao Nu Metal e Pop ainda é motivo de muita rabugice na cena. Mas se você veio até aqui procurando alguém que alimente essa gasta polêmica, veio ao lugar errado. O In Flames de hoje é um monstro muito diferente, e pudera, a banda que vemos no palco traz somente dois membros originais (e dá até para discutir se realmente podem ser considerados “originais"): o guitarrista tigrado Björn Gelotte e o vocalista com cara de hipster do Leblon Anders Fridén. De resto, temos os novatos Bryce Paul (baixista) e Joe Rickard (bateria), além do já conhecido guitarrista Niclas Engelin. E cara, como esse novo monstro funciona bem.

In Flames deixando o Circo, ehr...em chamas?
O público, apenas razoável, ficou impressionado com a qualidade sonora da banda, que destilou uma penca de sons de seus discos mais recentes. Todas devidamente cantadas e agitadas pelos ávidos fãs, que a cada intervalo entoava um contagiante “olê, olê, olê, In Flames, In Flames”. A banda retribuía com muito dinamismo e energia, além de uma postura atípica. Anders interagia com todos sempre de maneira calma e jocosa, muito longe da postura fodão malvadão que muitos artistas do estilo destilam. Sempre bebendo ,ora cerveja ora um destilado que não consegui identificar, Anders ainda aproveitou a execução e um número instrumental para consumir um fumígero suspeito no backstage (visível de onde eu estava), seguido pelo seu companheiro Björn. Enfim, o clima era tão agradavelmente descompromissado e amistoso que em determinados momentos dava a impressão de estarmos assistindo a uma banda de amigos. E a prova de que o público da banda renovou seu gosto ficou latente ao percebermos que a dobradinha Moonshield/Jesters Dance (as únicas da fase MeloDeath executadas, se consideramos que Only for The Weak já representa uma fase de transição) teve recepção morna se comparada a músicas novas como The Truth e a derradeira The End. A reclamar, apenas uma certa queda de dinâmica das músicas do meio do set, mas a energia foi logo recuperada na reta final, com a casa vindo abaixo em números como Deliver Us e The Quiet Place. Um show matador! (NOTA:9,00)

domingo, 3 de setembro de 2017

Torture Squad + Hatefulmurder + Reckoning Hour + Warcursed - Planet Music - Rio de janeiro/RJ (18/08/17)

Flyer do Show

Olá, Guardiões da Cripta!

Mais um período de recesso não programado tomou conta deste Blog...

Mas como a gente tarda, mas não falha, setembro vem com uma avalanche de postagens!

A começar, nossos colaboradores e enVIADOS especiais, Freddy Krill e Claudia Sperotto conferiram uma noite arrasadora de Death Metal contando só com bandas brasucas, e vem aqui contar como foi!
Divirtam-se
Trevas


UMA NOITE DE DEATH METAL SUBURBANO

Texto: Freddy Krill.
Fotos: Claudia Speroto.


A noite de 18 de agosto passado ficará marcada como sendo aquela em que pude, finalmente, conferir ao vivo e a cores uma apresentação do Torture Squad. A veterana banda de SP, na ativa desde 1990, dividiu o palco do Planet Music, em Cascadura (subúrbio do RJ) com outras três bandas: a paraibana Warcursed e as cariocas Reckoning Hour e Hatefulmurder. As quatro estão realizando uma inédita turnê conjunta, que passará por 23 estados brasileiros, em 25 shows, ao longo de 31 dias! As quatro bandas viajam juntas em um tour bus, num formato que funciona na Europa e nos Estados Unidos há anos, mas é inédito no país. No ônibus vão não apenas as bandas, equipes e instrumentos, mas muito sangue nos olhos e garra para promover seus mais recentes trabalhos, que incluem os recém lançados “Stages Of Death” do Warcursed, “Red Eyes” do Hatefulmurder e “Far Beyond Existence” do Torture Squad. Mas calma, que até chegarmos lá, muita coisa ainda há por ser dita...

(1)       Sobre a casa: Não conhecia a NOVA Planet Music (muito menos a “velha”), conforme indicado logo na entrada. A abertura das portas (marcada para as 21h) deu aquela atrasada de praxe, mas nada que incomodasse. Ao adentrar o recinto, a ordem foi reconhecer o local e identificar os melhores pontos para ver os shows: para este escriba, já meio rodado, o ambiente me pareceu algo mesclado entre o finado Garage e o Teatro Odisseia. Segundo sua página no Facebook (https://www.facebook.com/planetmusicrj/), a casa passou por recentes reformas, que melhoraram principalmente o sistema de som. E, de fato, o som mecânico estava bom, alto e bastante audível, sem embolar. Bom prenúncio! As bandas tinham suas bancas para venda de CDs, camisas e demais produtos oficiais, a preços bastante interessantes, e seus membros circulavam com desenvoltura entre os presentes, tirando fotos e distribuindo autógrafos com muita simpatia e nenhum estrelismo, algo infelizmente comum para certos artistas inseridos na cena...


Sperotto e Krill: os repórteres de campo da Cripta!
(1)       Sobre os shows:

1.         Warcursed: Faltava pouco para as 23h quando a banda, diretamente da Paraíba, finalizou os acertos de som e começou sua apresentação. Na ativa desde 2004 (quando iniciou os trabalhos como banda cover de Megadeth), têm uma turnê europeia na bagagem e shows conjuntos com medalhões do metal e hardcore brasileiros, como Ratos de Porão e Sepultura. Esta era a única banda totalmente desconhecida por mim. De acordo com seu site oficial (http://warcursed.com/site/), a line-up atual é composta por Luciano Miranda (Vocal/Baixo), Richard Senko (Guitarra), Eduardo Victor (Guitarra) e Marsell Senko (Bateria). Contudo, quem cantou foi um guitarrista. Por serem “estranhos”, não tenho como identificá-los... Sua discografia conta com três álbuns: “Escape From Nightmare” (2012), “The Last March” (2014) e “Stages Of Death” (2017), que teve o maior número de músicas apresentadas em um set curto (de cerca de 45 minutos), mas que agitou bastante o público (ainda reduzido), com algumas rodas sendo timidamente ensaiadas... Apostam num death metal melódico, priorizando a técnica, sem abrir mão do peso e agressividade característicos do estilo. Vale muito à pena uma conferida mais atenta em seu trabalho. Além disso, é ótimo ver bandas de metal extremo formadas fora do eixo RJ-SP! Ganham nota 8,5 com louvor!



Warcursed

2.         Reckoning Hour: A primeira (e única) vez em que os tinha visto fora no Festival Hell in Rio, sob um dilúvio de cachorro beber água em pé! Claro que daquela vez isso espantou o pequeníssimo público (não eu, que não sou feito de açúcar...) e atrapalhou o show. Mas agora seria muito diferente... O quinteto do RJ, originado em 2012 e formado por JP (vocal), Philip Leander & Lucas Brum (guitarras), Johnny Kings (bateria) e Cavi Montenegro (baixo) soa como um “ponto fora da curva” no estilo death metal, já que não usa dos tradicionais vocais guturais, tão característicos. Ao contrário, abusa de muita técnica, riffs quebrados e vocais limpos e melódicos. Mas é death metal, certo? Claro! Então tem aquela agressividade que identifica o estilo, com certeza! Por volta de 00:05h iniciaram seu show, baseado em seus lançamentos “Rise Of The Fallen” (EP 2013) e o full-lengthBetween Death And Courage” (2016). Tocaram por cerca de 45 minutos, para um público maior e mais insano, com diversos mosh-pits sendo abertos ao longo de sua apresentação. Recomendo que você, leitor, caso ainda não os conheça, corra atrás de seu trabalho e shows (de acordo com sua página do Facebook: https://www.facebook.com/reckoninghour/, vão se apresentar no Odisseia em 14 de outubro próximo). A nota para seu show fica num honesto 9,0!

Reckoning Hour

3.         Hatefulmurder: Iniciaram seu set por volta de 1:05h. Essa foi minha terceira apresentação, depois do Hell in Rio e do Teatro Odisseia (abrindo para o saravá metal do Gangrena Gasosa) e, de longe, a melhor delas! Cada vez mais coesos e precisos, Angélica Burns (voz), Renan Campos (guitarra), Felipe Modesto (baixo) e Thomás Martin (bateria) fazem do Hatefulmurder uma das bandas mais agressivas do cenário death metal brazuca! Os guturais da bela ruiva Angélica são assustadores! – ainda mais que logo depois ela está falando normalmente, com uma voz calma e melodiosa (COMO ELA FAZ ISSO?) – aliados ao duo de guitarra e baixo que sustentam as músicas sem cansar. Quanto ao batera, um caso à parte! Fuja daquela visão estereotipada de bateristas que parecem gorilas bombados. Ele é magro, mas senta a marreta “dicumforça”, como diria um velho camarada... Apresentando seu novo CD “Red Eyes” (RECOMENDO!), tocaram por cerca de uma hora, sem piedade! A quantidade de pessoas na pista usando camisas da banda dá a mostra de quanto estão conquistando novos – e velhos – fãs! E não é pra menos: o show é violento, direto e sem concessões! Rodas bem intensas se abriram ao longo do show, que durou pouco mais de uma hora. Não perca a chance de vê-los ao vivo! Nota 9,5.


Hatefulmurder




4.         Torture Squad: Chegamos então à “cereja do bolo”... Soube da existência da banda através do extinto “MusiKaos” da TV Cultura (apresentado por Gastão Moreira), em uma apresentação demolidora, lá por volta de 2000/2001. Desde então, aquela vontade de ver um show deles. Em 2012, perderam o vocalista de longa data (Vitor Rodrigues). Daí viraram um trio, lançaram um CD (fraco) em português, logo após o guitarrista/vocalista André Evaristo saiu e ficou a dúvida: resistiriam? A resposta veio com o recrutamento de dois novos membros: Mayara “Undead” Puertas (voz, ex-Necromesis) e Rene Simionato (guitarra, ex-Em Ruínas e Guillotine). E, meus amigos, o que dizer? Uma banda BRUTAL se refez, emergindo das aparentes cinzas para seu absoluto lugar de destaque na cena metálica nacional! Aliados à nova dupla, os membros de longa data Castor (baixo) e o rolo compressor Amilcar Christófaro (bateria). Por volta de 2:30h iniciaram o massacre, impiedoso e brutal, divulgando seu novo CD “Far Beyond Existence”. Não há dúvida de que os guturais assustadores de Mayara são um caso à parte (e, de novo, logo depois ela fala calma, pausadamente e com voz doce, como se despejar aquela sequência de urros fosse algo natural... – COMO ELA FAZ ISSO?, parte 2). Como este era o show que estava seco por ver, colei no palco (os outros assisti do balcão, confortavelmente sentado – sim, estou velho para essas coisas de show de metal...) e pude ver uma apresentação soberba, com DEZ... NOTA DEZ! Cada pedrada melhor que a outra! Por volta das 4h terminou o arregaço, e fomos embora exaustos, mas absolutamente certos de que participamos não apenas de uma celebração death metal, mas da reafirmação de que o Rio tem SIM uma cena metal forte e participativa, especialmente no subúrbio!

Torture Squad
P.S.: Não tenho como listar as músicas apresentadas nos quatro shows. Aliado ao fato de que os set-lists não foram divulgados, não consigo identificar (com todo o respeito às bandas, estilo e fãs troo-die-hard) os títulos naqueles montes de “uuuuuurrrrrgggghhhssssss”, “uuuuaaaahhhhhsss” e congêneres...
That’s all, folks!
Thanx, Don Trevas!
Freddy Krill
























sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Hell In Rio (05 e 06/11/16 - Terreirão do Samba - Rio de Janeiro/RJ)




Boa noite, Criptomaníacos!
Quem tem amigos tem tudo, certo? Pois então, mesmo impossibilitado por questões diversas de acompanhar a realização da histórica primeira edição do  Hell In Rio, pude contar coma ilustríssima colaboração de Fred Krill, nosso enVIADO especial da Cripta!!!! E que resenha, meus cotovelos urram de dor ao ler as palavras do grande camarada...que venham novos eventos como esse!!

Divirtam-se com a resenha!!!
Trevas


Convidado da Cripta: Fred Krill

Biólogo e Maidenmaníaco, Krill testemunhou mais shows nessa existência do que você comeu meleca na sua infância, e isso merece respeito. 
Nas horas vagas, Mr. Krill é um renomado e dedicado professor cujo humor e peso da mão na correção de provas variam consideravelmente de acordo com o que está rolando no aparelho de som. 





HELL IN RIO, DIA 1 (MAS PODE CHAMAR DE HELL IN RAIN)



Cheguei ao Terreirão do SAMBA sob uma chuva torrencial, que começou a cair pouco antes de uma hora da abertura dos portões, prevista para as 16h, mas que foram abertos às 16:30h! A revista, muito rigorosa e demorada, fez com que pudesse chegar ao palco apenas na segunda música da primeira banda... Mas vamos aos shows:

Reckoning Hour: Formada em 2012 no Rio de Janeiro e composta por JP (vocal), Philip Leander & Lucas Brum (guitarras), Johnny Kings (bateria) e Cavi Montenegro (baixo), a banda aposta numa sonoridade agressiva, calcada num death metal que foge dos padrões do estilo mais visceral, aproximando-se do chamado melodic death metal. Começaram sua apresentação às 16:40h. Boas composições, boa presença de palco e um som que começou muito bem o festival, para a alegria de poucos bangers encharcados que conseguiram chegar a tempo de vê-los.


Reckoning Hour
Perc3ption: Não está escrito errado não... Fundada em 2007 em São Paulo e já com dois CDs lançados, a banda executa com muita correção seu Prog / Power Metal. Iniciaram sua apresentação às 17:20h, executando melodias bem trabalhadas, em composições muito bem tocadas. A influência de Dream Theater é muito evidente. Destaque para a coesão da banda (Dan Figueiredo (Vocal), Wellington Consoli (Baixo), Rick Leite / Glauco Barros (Guitarras) e Peferson Mendes (Bateria)), não tem como ficar indiferente ao som deles! Um set curtinho, de apenas quatro músicas (“Persistence Makes The Difference”, “Magnitude 666” “Oblivion’s Gate” e “Surrender”), mas que agitou e serviu para esquentar os (ainda poucos) bangers ainda mais encharcados (SIM!, a chuva tinha apertado!!!).

Perc3ption

O Satânico Dr. Mao & Os Espiões Secretos: Não tive a chance de ver os Garotos Podres ao vivo, embora sempre tenham sido uma de minhas bandas prediletas, desde quando comecei a escutar metal, punk e seus congêneres, lá pelo início dos ‘80. Quando ela se desmanchou, pensei: já era... Mas eis que Mao e Cacá Saffiotti lançaram esta empreitada que, na prática, continua sendo... Garotos Podres! Acompanham os dois Uel (baixo) e Rodrigo Japa (bateria). Pra começar os trabalhos (às 18:05h), vem logo “Garoto Podre”. Emendam sem muito falatório, porque o tempo de apresentação era escasso, “Agente Secreto”, “Aos Fuzilados da CSN”, “Anarkia Oi!”, “Repressão Policial (Instrumento Do Capital)”, “Um Grito Em Meio À Multidão”, “Avante Camarada” “ A Internacional” (RACISTAS, FASCISTAS, NÃO PASSARÃO!!! – muito apropriado para nosso momento...), “Papai Noel Filho da Puta” e, para fechar, “Johnny”. Faltaram tempo e mais clássicos como “Batman”, “Subúrbio Operário”, “Vou Fazer Cocô”, “Rock de Subúrbio”, “Fernandinho Veadinho”, “Verme”,...


O Satânico Dr. Mao & Os Espiões Secretos

Oitão: Esqueça Masterchef, 200 Graus e Rolê do Chef... O Henrique Fogaça que subiu ao palco mascarado a La Slipknot às 18:50h não era o cozinheiro renomado, mas o vocalista de uma das mais brutais bandas de thrashcore do Brasil! Até a chuva parou para ver os caras!!! Letras diretas, que tratam das mazelas sociais deste País, do controle de mídia e sua lavagem cerebral e um som que se assemelha a socos do bom e velho Mike Tyson diretos no queixo e estômago! Completam a banda Ciero na guitarra (que fez questão de homenagear Carlos Lopes e Dorsal Atlântica), Ed Chavez (baixo) e Marcelo BA (bateria). Fecharam com covers de “Vida Ruim” (Ratos de Porão) e “Isto É Olho Seco” (Olho Seco). Chef Fogaça no palco? Parece um orangotango expulso da Socila por mau comportamento!!! Como diria aquele sábio filósofo contemporâneo... CRASSE A!!!!


Oitão
Claustrofobia: De Leme/SP, para o mundo, desde 1994! A primeira vez que os vi foi no extinto “Fúria MTv”, tocando no estúdio em 2000. Desde então, acompanho a carreira deles com bastante atenção, mas ainda não tinha tido chance de vê-los ao vivo. Assim, saber de sua escalação para o festival me deixou certo de que desta vez não teria como escapar! Subindo ao palco às 19:45h, os irmãos Marcus e Caio D’Angelo (guitarra/voz e bateria, respectivamente), Daniel Bonfogo (baixo) e o “novato” Douglas Prado (guitarra solo) entraram rasgando com seu death/thrash visceral, cru, nervoso e direto! Petardos em sequência, que abriram verdadeiros clarões na pista (finalmente cheia! Tá, parcialmente...), em rodas insanas e violentas! Lançando o novo CD, executaram “Download Hatred”, “Curva”, “Metal Malóka”, dentre outras desgraceiras sonoras. Faltaram “Terror and Chaos” e “Thrasher”, mas o festival tinha horários bem rigorosos que, PASMEM!, foram respeitados!

Claustrofobia
Hibria: Direto de Porto Alegre, com 20 anos de estrada, fazendo um thrash melódico, muito trabalhado nas melodias. Agradam em cheio os apreciadores de bandas como Helloween (era “Keepers”), Viper e Angra. Subiram ao palco às 20:54h, e não há como ignorar a presença de Iuri Sanson (vocal, que infelizmente abusa de gritinhos e falsetes, por vezes desnecessários), Abel Camargo e Renato Osório (guitarras) e da cozinha formada por Ivan Beck (debulhando um baixo de seis cordas) e Eduardo Baldo (bateria, muito parecido com Gene Hoglan (Dark Angel, Death, Testament) na aparência e jeito de tocar). Levantaram o público com uma apresentação energética, provando que são perfeitamente capacitados a tocar em grandes eventos (fizeram o Rock in Rio de 2013) e abrir para medalhões como Black Sabbath, Metallica e Ozzy Osbourne. Ótimo show!

Hibria
Dead Fish: Os capixabas já têm 25 anos de carreira. Só que para a proposta do festival, funcionaram como alça de penico (deslocados e totalmente por fora)... Era certo que seriam hostilizados. Subiram ao palco às 22:15h, sob coros de “vai tomar caju!” “Rodrigo, chiado!” e por aí... Rodrigo, o vocalista, estava um tanto puto com a situação e chegou a se alterar num dado momento com parte da plateia... Completam o time Ric (guitarra), Alyand (baixo) e Marcão (bateria). Quanto ao som, agrada a quem aprecia o estilo hardcore melódico / poppy punk, o que não é meu caso... Fizeram um show correto, que satisfez seus fãs presentes no Terreirão (sim, eles estavam lá!) com suas letras de forte conteúdo social e crítico. Quero crer que sua inclusão no cast foi para atrair mais público. Talvez tenha funcionado. Ou não... Digna de nota foi a expressão facial do Fogaça, vestindo uma camisa do Cólera, parado no fosso vendo a apresentação deles...

Dead Fish
Almah: Pensem numa historinha, mais ou menos assim: “vocalista semidesconhecido, batalhador de bandas underground obscuras, recebe o convite para ingressar numa banda já estabelecida, cujo carismático vocalista havia saído... Nas apresentações ao vivo, fazer seu próprio material era tranquilo, mas cantar o antigo era espinhoso... Sem ter o mesmo timbre nem alcance vocal de seu antecessor, começa a ser hostilizado pelos fãs mais antigos... As coisas vão piorando. Discos sem expressão são lançados, inevitáveis conflitos com os demais integrantes, até a óbvia saída/demissão”. Essa é a história de Blaze Bay... ooops... Edu Falaschi no Angra. Verdadeiro rabo de foguete substituir Andre Matos. Ele fez seu melhor, mas não foi o suficiente... Some à historinha acima problemas de saúde que detonaram sua garganta, uma lamentável apresentação no Rock in Rio de 2011 e patéticas declarações posteriores (que ele reconhece e por que já se desculpou)... Então, o que esperar do Almah, que era seu projeto paralelo desde 2006 e que se tornou sua banda definitiva? UM PUTA MEGA ULTRA BLASTER show!!!! Edu e seus asseclas entraram no palco às 23:30h, pegando um público já bastante cansado mas ainda disposto a agitar mais um pouco! Como não conhecia nada de seu material, assisti atentamente a uma irretocável apresentação de Power metal, Melodic metal, whatever... A voz de Edu está totalmente recuperada, e ele está cantando de forma soberba! O que falar de Marcelo Barbosa, além de que é certamente um dos melhores guitarristas do Brasil na atualidade (tanto que substituiu ninguém menos que o Megadethico Kiko Loureiro no Angra!), secundado por Diogo Mafra. O baixão “gordo” de seis cordas do Raphael Dafras e a bateria rolo compressor de Pedro Tinello fazem uma banda muito coesa e que interpreta magistralmente suas composições! Do Angra, Edu cantou “Nova Era” (em dueto com Fabio Lione) e Heroes of Sand (ambas do magistral Rebirth). Fica a dica de um show fortemente recomendado, não apenas para os “trooozões” apreciadores do estilo.

Almah
Sepultura: Após enorme demora na entrada, decorrente de problemas no sistema de PA’s, eis que adentram, às 01:15h de domingo, os quatro integrantes da maior banda de metal do Brasil. Se você é “viúva dos Cavalera”, pode parar de ler aqui. Se não for, continue... Aos 32 anos de idade, a banda tem identidade e maturidade próprias e uma base leal de fãs (incluo-me entre eles). Com um novo disco (“Machine Messiah”), a ser lançado em janeiro, a banda fecha sua turnê comemorativa de 30 anos. Assim, foram petardos clássicos tocados de forma magistral! Abrindo com “Troops Of Doom”, despejaram na sequência “Slave New World”, “Desperate Cry”, a nova “I Am The Enemy”, “The Vatican”, “Territory” (com uma interpretação demolidora de Eloy Casagrande – nada contra o Jean Dolabella mas, SIM!, o Sepultura tem baterista, de novo!!!), “Beneath The Remains”, “Arise”, “Refuse/Resist”, “Ratamahatta” e, para encerrar, “Roots Bloody Roots”. Então você poderia pensar assim “que puta show foi esse!”. Foi, mas... A banda estava pouco comunicativa com a plateia, intervalos muito longos se repetiam entre as músicas, com o Andreas virando-se de costas para o público (cansado demais até para vaiar uma pombagirice dessas!) em todos. Isso, a meu ver, serve só para irritar e distanciar os fãs, dando munição para o Max falar as groselhas que fala em toda entrevista... Pra quem tem tanta estrada, este comportamento foi IMPERDOÁVEL!!
Sepultura



HELL IN RIO, DIA 2 


Chegamos ao Terreirão às 13:45h, e nos deparamos com uma fila de... UM CABOCLO!!!! (se sábado tinha tido um público fraco, muito abaixo da expectativa, este domingo prometia ser um fiasco total). Os portões foram abertos às 14:30h! De novo a revista foi rigorosa e demorada... E vamos aos shows:


Público do HIH
Hatefulmurder: Formada no RJ em 2008, esta banda já passou por várias situações traumáticas, sendo a pior a morte de seu baixista e fundador por câncer em 2012. Depois, em 2015, perderam seu vocalista de longa data, que saiu às portas da gravação do novo álbum... Apesar disso, seguiram em frente, escalando a ruiva Angélica Burns para os vocais (completam o time Renan Campos (guitarra), Felipe Modesto (baixo) e Thomás Martin (bateria)). E que guturais ela dispara!!!! A banda aposta num brutal death metal que agrada em cheio os apreciadores do estilo (este escriba incluso), além dos óbvios atributos da bela cantora... Entraram no palco perto das 15h, fazendo um set curto, mas muito energético, agitado e nervoso, que satisfez bastante os poucos presentes.

Hatefulmurder
Eros: Formado em 1985, participaram da segunda onda do metal carioca, apresentando-se onde desse: Caverna, Circo Voador, Garage... Encerraram atividades em 1992 e resolveram retomar a carreira em 2013. Presentes no cast por ser a banda de um dos produtores do evento (o guitarrista e vocalista Themis Barros). Entraram no palco às 15:42h. Lamentavelmente, seu speed thrash soa muito datado, e é de se esperar e torcer que seu novo disco, que está sendo gravado, não aposte tanto nos velhos chavões do estilo...

Eros
John Wayne: O “Palhaço Assassino” John Wayne Gacy deve estar muito arrependido do que fez, lá pelas bandas das terras de Belzebu... Esta banda de SP, formada em 2011, o homenageia... Entraram no palco às 16:34h, apostando num hardcore com vocais berrados todo o tempo (que inapelavelmente acabam irritando...), aliado a uma muralha sonora confusa e muito misturada. Só para apreciadores die-hard, mesmo... De positivo, a interação do berralista Fabio Figueiredo, que desceu ao fosso e se pendurou na grade, bem ao meu lado, como prova a foto... Completam a banda Rogerio Torres (guitarra/voz), Junior Dias (guitarra), Denis Dallago (baixo/voz) e Edu Garcia (bateria).

John Wayne
Project 46: A proposta desta banda de SP, fundada em 2008 como Slipknot cover, passou a ser fazer um hardcore com fortes raízes fincadas no thrash. Entraram no palco às 17:36h, e de cara mostraram muita coesão e adequação ao estilo. Os vocais são berrados, mas o vocalista Caio MacBeserra não abusa, cantando até mesmo limpo por vezes, o que torna sua performance bem mais agradável. Aliado a ele, destaque para o duo de guitarras, com Vini Castellari e Jean Patton, e a cozinha de Baffo Neto (Baixo) e Henrique Pucci (Bateria). Bom e enérgico show, que levantou a galera, especialmente a mais thrash.

Project 46
Velhas Virgens: Às 18:35h chegou a vez dos ébrios mais sacanas do Brasil. Em meio à turnê “Garçons do Inferno” (supostamente a última), as Velhas Virgens adentram o palco dispostos a fazer o que sabem de melhor: rock básico, que fala de bebedeiras, porres, sacanagem e mulher. Receita de sucesso, testada e aprovada há 30 anos!!!! Desfilaram alguns de seus grandes hits, como “Siririca Baby”, “Uns Drinks”, “Madrugada e Meia”, “Beijos de Corpo”, “Tamo Indo pra Zona”, “Só Pra Te Comer”, “O Que É Que A Gente Quer (B.U.C.E.T.A.)”, fechando com seu hit máximo, “Abre Essas Pernas”. A banda, que se orgulha de ser a maior independente do Brasil, superou o óbvio deslocamento da proposta geral do festival e fez mais um brilhante show aqui no Rio, apresentando os fundadores Paulão Carvalho (vocais) e Alexandre Cavalo (guitarra), Tuca Paiva (baixo), Simon Brow (bateria), Felipe Cirilo (seu novo guitarrista, ainda um tanto tímido) e a irrequieta vocalista Juliana Kosso, num modelito periguete e fazendo coreografias de tirar o fôlego! TOMARA que não seja o fim das Velhas Virgens!!!

Velhas Virgens
Korzus: Com 33 anos de thrash nas costas, sem concessões a modinhas, eram 19:59h quando rolou a introdução e o baterista Rodrigo Oliveira subiu para seu kit. Prenúncio da insanidade!!! Na sequência, entraram os guitarristas Heros Trench e Antonio Araujo para, por fim, virem os GUERREIROS DO METAL Dick Siebert e Marcello Pompeu... Iniciaram com “Guilty Silence”, emendada com “Raise Your Soul”. E os petardos seguem: “Never Die”, “Bleeding Pride”, “What Are You Looking For”, “Discipline Of Hate”, “Vampiro”, “Truth”, “Correria”, “Guerreiros Do Metal” e fechando com “Legion”. Durante o show, Pompeu e Dick desceram ao fosso, interagindo insanamente com a galera da grade (eu, inclusive). Ao final, Antonio, Heros e Dick desceram e vieram conversar e tirar fotos com o pessoal do gargarejo. Muito respeito pelos camaradas que levantam a bandeira do thrash brasileiro mundo afora!

Korzus
Matanza: O countrycore de Jimmy London e companhia já é uma lenda dentro do cenário metal brasileiro! Eram 21:35h quando adentrou o quarteto, com “O Chamado Do Bar”, que abre suas apresentações, emendada com “Ressaca Sem Fim”. E vieram mais e mais porradarias, Jimmy sacaneando o “veinho” guitarrista Maurício Nogueira (esperava que o Donida tocasse também, mas não rolou...), o batera Jonas Cáffaro e o novato baixista Dony “Don” Escobar. É impossível não curtir um show deles, e o mosh-pit se abriu diversas vezes em rodas bastante intensas! O público interage com a banda de forma extrema, com direito a uma menina (ao lado da Claudia) que atirou (duas vezes) o sutiã na direção do palco, saltou a grade (única invasão de todo o festival), quase estourou o chifre na caixa de som, mostrou as peitchola pro Jimmy, foi expulsa, voltou, subiu nos ombros de um maluco e... Mostrou as peitchola de novo!!! A galera foi à loucura!!! Jimmy foi sacaneado pela plateia, revidou com bom humor, mas o show seguia quase sem tempo pra respirar, com “Clube Dos Canalhas”, “Pé Na Porta E Soco Na Cara”, “Eu Não Gosto De Ninguém”, até chegarmos ao final, com “Ela Roubou Meu Caminhão”, “Estamos Todos Bêbados” e “Interceptor V6”. Você sempre sabe o que receberá num show do Matanza!

Matanza
Angra: O último show da noite era aguardado com ansiedade. Agora que apenas Rafael Bittencourt resta da formação original, vamos conferir o que têm a dizer Felipe Andreolli (baixo de seis cordas), Bruno Valverde (bateria), Marcelo Barbosa (guitarra), Fabio Lione (vocais) e o percussionista Dedé Reis, que fez uma apresentação de capoeira durante o show!!! A entrada de Lione devolveu à banda a possibilidade de apresentar canções que Edu Falaschi não conseguia fazer com a correção e agudos necessários, como “Nothing To Say”, “Make Believe” e “Time”. Além destas, foram apresentadas músicas como “Rebirth” e “Nova Era” que, em tese, fecharia o show. Mas a plateia estava insana, urrando por “Carry On”. A banda já havia se retirado, mas ninguém arredava o pé! Eis que o apresentador Bruno Sutter volta ao palco, pergunta se “a galera quer mesmo aquela música” e completa dizendo que “ia ver o que conseguia fazer”... Felipe Andreolli aparece e diz que, “se ele quiser, VAI TER QUE CANTAR!!!”. Como ele já havia cantado no início do dia (“Holy Diver” e “Run To The Hills” no playback) mandou um “eu canto essa porra!”... Volta a banda e o que acontece é apoteótico!!! “Carry On” com vocais divididos entre Sutter (que canta MUITO BEM, para quem não souber) e Lione, e total êxtase da plateia!!! Suores heteros rolaram de meus olhos, porque essa é minha favorita do Angra!!! AGORA PODE ACABAR!!

Angra


SALDO FINAL DO FESTIVAL 



O medo que eu sentia sobre o festival era quanto à organização: a THC Produções é novata, mas já está anunciando Moonspell para o ano que vem. Lógico, veio logo à mente também aquele fiasco do Metal Open Air em São Luis/MA em 2012... Mas, nem pensar em problemas! A produção foi IMPECÁVEL! Cito como ponto negativo apenas a demora excessiva e inexplicável na abertura dos portões. 

(1) A escolha do Bruno “Detonator” Sutter como apresentador foi muito boa. Ele é divertido, interage bastante com o pessoal, cantou no domingo (mais playback) antes do Hatefulmurder e do Matanza e assistiu à maior parte do show do Angra (o “crush” dele, palavras próprias) no fosso, perto de onde eu estava, tirando fotos e zoando com o pessoal da grade). 

(2) O som esteve sempre com qualidade muito boa, instrumentos claros e vozes normalmente audíveis. Problemas existiram, mas pontuais. 

(3) O palco era simples, mas de bom tamanho, permitindo boas evoluções dos músicos. 

(4) Os banheiros deram conta do recado com tranquilidade. 

(5) Os bares tinham boas opções de comida (não provei nada) e cerveja Heineken sempre gelada a cinco lascas reais a lata (como optei por ficar na grade nos dois dias, bebi bem pouco). Garçons circulavam por toda a pista e fosso oferecendo o néctar! 

(6) Segurança eficiente e cortês, e socorristas sempre a postos para levar algum bebum para o posto médico (no sábado vi atrás de mim um caboclo sair carregado na maca). 

Mas então tudo foi assim tão bom? Não. O problema foi... O PÚBLICO!!! Minguado no sábado, mais presente no domingo, foi certamente o ponto negativo. Depois temos que ouvir o mimimimi de que “no Rio não tem show”... Quando tem um senhor festival como foi o Hell in Rio, num local central, cheio de condução para vir e voltar, com preço muito justo (R$ 120 + 2kg de alimento para os dois dias), com 17 shows de bandas medalhonas e iniciantes e produção de primeira, é fiasco... Assim fica difícil defender a “cena metal” desta Cidade. Mas esperemos que aconteçam outros festivais como esse. Há muita banda boa para se apresentar por aqui, ainda! 

É isso, então. Espero que tenham gostado! Fred Krill.


Nosso sorridente enVIADO especial ao lado de sua igualmente sorridente senhorita


Setlists: