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sábado, 23 de janeiro de 2021

Trivium – What The Dead Men Say (CD-2020)

 


Mantendo A Boa Fase

Por Trevas

O 9º disco do quarteto estadunidense, agora com 20 anos de carreira nas costas, chegou às lojas repleto de expectativas, tendo em vista o sucesso de The Sin And The Sentence junto ao público e à crítica especializada. Repetindo a formação e a parceria com o premiado produtor Josh Wilbur, fomos checar se dessa vez a banda não repetiria sua sina de discos medíocres seguindo seus grandes trabalhos...

Sorriam, rapazes...ou não

IX é a típica introdução que as bandas de Metal costumam utilizar para criar um clima antes de subir nos palcos e precede a faixa título, nos deixando com a pulga atrás da orelha: teria a banda optado por retornar ao excesso de melodias que tornara Silence In The Snow uma pequena decepção? Produção bem polida e vocais limpos em destaque, a despeito da quebradeira instrumental ao fundo. Boa canção, mas que sucumbe ao poderio inicial do trabalho anterior, falhando como um cartão de visitas que impressione.


Melhor se sai Catastrophist. Apesar de não abrir mão da melodia, o refrão caprichado, a dupla quase telepática de guitarras (Matt e Beaulieu) e a devastação baterística de Alex Bent dão uma vida irresistível ao que poderia bem ser um Pop Metal aguado em outras mãos. E a ótima performance do quarteto (somem-se aos citados, o baixista e fundador Paolo Gregoletto), essa é uma constante na bolachinha.  A, e qualquer tentativa restante de comparação entre o novo material e Silence cai definitivamente por terra após a trauletada Amongst The Shadows & The Stones.


Na verdade, ao invés de repetir a fórmula do bem-sucedido disco anterior, aqui o Trivium optou por mesclar as facetas que já haviam aparecido em trabalhos mais recentes. As quase radiofônicas Bleed Into Me e The Defiant não ficariam estranhas, por exemplo, em Vengeance Falls. Assim como Sickness Unto You tem a caruncha de The Sin And The Sentence.


Ponto extra para a produção e banda por optarem em manter a duração do CD abaixo dos 50 minutos, fazendo com que What The Dead Men Say não deixe a peteca cair por um minuto sequer. Um dos discos mais equilibrados da carreira do Trivium, e olha que a banda já tem outro prontinho para sair. Que mantenham a boa fase! (NOTA: 9,08)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Roadrunner Records (importado)

Prós: uma mistura das várias facetas da banda

Contras: nada a declarar

Classifique como: Heavy Metal, Metalcore

Para Fãs de: Killswitch Engage, Soilwork

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Trivium - The Sin And The Sentence (CD-2017)

Trivium - The Sin And The Sentence (Cd-2017)

Com Sangue Nos Olhos
Por Trevas


Um dos mais promissores nomes de sua geração, o Trivium tem uma trajetória que lembra a de muitos jogadores de futebol por aí. O quarteto estourou cedo para um sucesso que 99,99% das bandas do globo jamais conhecerão, mas logo sucumbiu à absurda cobrança de que viesse a se tornar um nome capaz de adentrar o panteão imortal onde habitam gigantes como Iron Maiden e Metallica. Ou seja, apesar das vendagens sempre boas, da presença constante em festivais de ponta com certo destaque e do reconhecimento mundial, o Trivium parece sempre ser visto como aquele jogador de quem se espera um título de melhor do mundo.


Os imberbes moleques do Trivium, num passado nem tão distante assim

Bom lembrar que, a despeito da longa estrada e dos oito álbuns lançados, os membros do Trivium acabaram de adentrar a casa dos 30, e ainda tem muito a errar e acertar. E para o novo disco, o quarteto resolver corrigir o que parece ser considerado, veladamente, um erro de estratégia. O nome desse erro? Silence In The Snow (ver resenha na Cripta), o polêmico, mesmo que comercialmente bem-sucedido, disco anterior. Ainda que nenhum de seus membros diga a palavra “arrependimento”, fica claro ao lermos as entrevistas da banda que Silence não era exatamente o passo certo na hora certa. Gravado no momento em que Matt Heafy tentava redescobrir sua voz após um segundo e grave colapso nas cordas vocais, Silence foi inteiramente feito para se adequar a uma forma limpa de cantar. Os companheiros de longa data Corey Beaulieu (guitarra) e Paolo Gregoletto (baixo) se viram numa encruzilhada para compor material desse tipo. E os dois admitiram à Metal Hammer que consideram ter apressado em muito a finalização das composições daquele disco. E Matt, esse parecia desconectado da banda. Um acaso do destino recolocaria Matt de volta ao jogo. Com o relançamento de Ember To Inferno em uma edição especial, choveram matérias na imprensa onde músicos até mais velhos que os rapazes do Trivium mostravam o quanto o surgimento da banda havia mexido com o cenário de seu tempo. Heafy se viu surpreso e se sentiu pela primeira vez em muito tempo desafiado a vencer suas limitações físicas e enfim entregar um disco que mostre efetivamente todo o poder de fogo que se espera do quarteto. O produtor escolhido para a façanha, um declarado fã, Josh Wilbur (Gojira, Korn, Lamb Of God). Vamos então a The Sin And The Sentence.

Matt Heafy - hora de reencontrar a voz... e o tesão pela banda?

O Disco

The Sin And The Sentence, a música, é de uma ferocidade que já põe por terra qualquer pedaço de cinismo que pudesse existir nesse escriba em relação à recuperação da banda. A letra, por Paolo, é bem atual, e faz um paralelo entre a caça às bruxas de outrora com nossa sanha por julgamento de erros alheios nas mídias sociais. O novo membro, o baterista Alex Bent já diz aqui ao que veio, descendo a marreta em trechos claramente influenciados por bandas de Black Metal (estilo de quem Matt é sabidamente fã). Um ótimo início com um futuro clássico.



Beyond Oblivion (ver vídeo) começa igualmente violenta, com Bent deixando seu cartão de visitas e Matt urrando a plenos pulmões antes da música descer o tempo e assumir um estilo que parece cruzar ferocidade prometida ao senso melódico do trabalho anterior. Outro ótimo momento.



Other Worlds é bem mais calma e melodiosa. Uma canção boa, mas talvez um pouco perto do padrão de canções mais tranquilas de boa parte das bandas de Metalcore. Melhor se sai a igualmente grudenta The Heart Of Your Hate (ver vídeo), presença certa no set da turnê vindoura.


Como que para quebrar a carga melódica das duas faixas anteriores, Betrayer já começa a todo vapor, com as guitarras e bateria fazendo novamente referências pontuais ao Black Metal. As guitarras, aliás, são um show à parte no disco, temos dobras em profusão, além de solos inspiradíssimos de Heafy e Corey. A produção deixa a sonoridade bem menos mecanizada do que o habitual para bandas atuais, e o disco não deve incomodar os ouvidos mais “troos”, não.


Em seguida temos as duas contribuições de Matt Heafy para o disco. Originalmente composta sob encomenda para outra banda de metal moderno (não, ele não cita nomes), The Wretchedness Inside é uma pedrada grooveada e urrada, que cede espaço para o baixo de Paolo brilhar no mix. Já Endless Night, que surgiu também de uma encomenda de música feita por terceiros, é bem mais comercial e traz uma letra que versa sobre o estresse pós-traumático que aflige muitos veteranos de guerra.

Trivium, agora balzakium, enxergando vermelho

Sever the Hand traz a agressividade de volta à bolachinha, com alguns momentos puramente Thrash e muitas guitarras inspiradas. E como que para provar que o equilíbrio entre melodia e peso tentado no disco anterior pode sim jogar a favor da banda, somos apresentados à simples e excelente Beauty In the Sorrow.




The Revanchist, o épico do disco, desfila com maestria referências a vários subgêneros dentro do metal, inclusive aí um refrão delicioso que bem poderia ter sido escrito para o Paradise Lost. Para terminar o disco de maneira emblemática, foi escolhida a poderosa Thrown Into the Fire (ver vídeo), repleta de vocais e solos virulentos que fazem um contraponto à polidez excessiva de Silence In the Snow.




Veredito da Cripta

The Sin And The Sentence é a resposta perfeita àqueles que torceram o nariz para os dois trabalhos anteriores. Violento em alguns momentos, equilibrado em outros tantos, e extremamente inspirado, o novo disco não é só um dos melhores do ano, mas também um dos grandes momentos da carreira dos jovens veteranos da Flórida. Que venham ao Brasil!


NOTA: 9,52


Visite o The Metal Club
Gravadora: Roadrunner Records (importado).
Pontos positivos: composições inspiradas, peso e melodia em equilíbrio
Pontos negativos: uma hora de música pode ser muito para se consumir de uma vez só
Para fãs de: Killswitch Engage, Bullet For My valentine
Classifique como: Metalcore, Modern Metal, Heavy Metal



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Curtas: Graveyard, Nightwish, Symphony X, Trivium

Graveyard, Nightwish, Symphony X, Trivium



Graveyard - Innocence & Decadence (Cd-2015)
Graveyard – Innocence & Decadence (Cd-2015)

Às Arvre Somos Nozes

Das 789 zilhões de novas bandas suecas praticantes do famigerado (e inflado) Retro Rock, Graveyard conquistou meu carinho tão logo esbarrei com uma belezura chamada Hisingen Blues (ver história completa desse romance Criptoniano aqui). O problema é que esse disco acabou por deixar minhas expectativas muito altas para os futuros trabalhos dos caras. O bom é que eles nunca chegam perto de decepcionar. Innocence abre com Magnetic Shunk alternando entre o rock e o boogie com maestria, e a faixa de trabalho The Apple And The Tree (ver vídeo) é uma daquelas pérolas de 1968 que pegaram uma máquina do tempo para a década atual.


Exit 97 é um blues melancólico e esfumaçado engrandecido por um belo hammond, o tipo de música para compor o ambiente de um pub decadente repleto de facínoras. Never Theirs e Can’t Walk Out possuem uma aura de Proto Metal, contendo pinceladas de Led (na primeira) e Doors (na segunda). O retorno de Truls Mörck, guitarrista e vocalista da formação original do Graveyard, se faz perceber em maior grau quando este assume os microfones, na ótima From a Hole In The Wall – um Space Rock com Blast Beats!!!. E nem mesmo a chocha música final, Stay for A Song, consegue entornar o caldo. Quando ela aparece o jogo já está para lá de ganho. Innocence pode não ser um Hisingen Blues, mas mostra que o Graveyard ainda consegue chutar sua murcha bunda retrô com galhardia.

NOTA: 83

Classifique como: Retro Rock, Blues Rock, Stoner Rock
Para fãs de: Kadavar, Monster Magnet, Withccraft
Passe longe se você for um maldito clubber

Graveyard: nossos queridos suecos mofados
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Nightwish - Endless Forms Most Beautiful (Cd-2015)
Nightwish – Endless Forms Most Beautiful (Cd-2015)

Pretensão e Água Benta...

Primeiro trabalho dos finlandeses a contar com a vocalista holandesa Floor Jansen, Endless traz um conceito baseado na obra do Biólogo e Evolucionista Richard Dawkins, tudo isso ornado por uma produção que envolve também uma orquestra e uma faixa de encerramento de 24 minutos. Quer um pouco mais de megalomania? Bom, pede lá para o mentor da banda, o tecladista Tuomas Holopainen, que ele deve ter mais no estoque sobrando. Shudder Before the Beautiful tenta com afinco justificar toda a pompa numa explosão sinfônica bacana, mas algo derivativa de trabalhos anteriores. Se na faixa de abertura Floor parece quase uma cópia da demissionária Anette, no fantasmagórico libelo anti-religião Weak Fantasy ela dá o verdadeiro ar de sua graça, num show de interpretação engrandecido pelo toque folk do britânico Troy Donockley. Èlan, primeira faixa de trabalho, é outra que poderia estar nos dois álbuns anteriores, um bonito Folk Metal versão MTV (ver vídeo).


Enquanto Yours Is An Empty Hope puxa pelo peso e dramaticidade, ainda que sem sucesso, Our Decades In The Sun bem poderia ser usada como música tema de princesa da Disney, e My Walden parece Enya com esteroides. Ainda bem que depois temos a pesada e inspirada faixa título, a Power Ballad gótica Edema Rull (muito anos 1990) e Alpenglow, que parece saída de Once. A instrumental Eye Of Sharbat saiu do toca discos de alguma loja que vende incensos indianos e prepara o terreno para The Greatest Show On Earth: uma colcha de retalhos que dilui alguns bons momentos entre narrativas de Dawkins, sons de bichinhos selvagens e muita, muita pretensão. Barulhos de bichinhos? É, talvez seja a hora de botar os pés no chão, Tuomas.

NOTA: 69

Classifique como: Symphonic Metal, Power Metal, Gothic Metal
Para fãs de: Within Temptation, Delain
Passe longe se: cara, barulhos de bichinhos...sério, cara!!!!!!!!!!!

Tuomas finalmente acha uma vocalista do tamanho do seu ego, só que mais forte
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Symphony X - Underworld (Cd-2015)
Symphony X – Underworld (Cd-2015)

Aventuras sombrias de uma banda barroca

Desde Paradise Lost os estadunidenses vinham carregando no peso, temática sombria e nos timbres modernos, afastando um pouquinho os fãs antigos de seu Power Metal Neoclássico com toque Sinfônico/Progressivo. O conceito sombrio por detrás de Underworld, baseado na Divina Comédia, poderia ser indicativo de que novamente trilhariam o caminho do peso e força bruta no novo disco. E faixas como Kiss Of Death, Nevermore (ver vídeo) e Charon, todas ótimas e presentes na primeira metade da bolachinha, até pendem mais para esse lado. Mas daí para frente, Underworld toma uma outra forma.


To Hell And Back coloca os teclados, tímidos nas primeiras faixas, na linha de frente. A estrutura mais progressiva e com toques de AOR se repete na razoável Swan Song e nas boas Run With the Devil e In My Darkest Hour. Mas ao chegar ao final da jornada, com Legend, fiquei com a impressão de que tivesse a banda seguido a toada da primeira metade do disco, estaríamos diante de seu provável melhor trabalho. Um grande disco, ainda assim.

NOTA: 84

Classifique como: Power Metal, Prog Metal, Symphonic Metal
Para fãs de Malmsteen, Fates Warning, Dream Theater
Passe longe se tiver alergia a devaneios neoclássicos


O gigolô Russell Allen e seus colegas do Symphony X
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Trivium - Silence In The Snow (Cd-2015)
Trivium – Silence In the Snow (Cd-2015)

Let It Go, Let It Goooo

Há não muito tempo atrás, os garotos do Trivium apareceram como a linha de frente da NWOAHM, reais postulantes ao trono de maior banda de Heavy metal em atividade quando os Maidens e Priests da vida pendurassem as jaquetas de couro. Bom, a história foi um pouco diferente e bem menos benevolente com os já não tão garotos. Sem conseguir emplacar comercialmente como era esperado e também sofrendo um pouco com os narizes torcidos da velha guarda de metaleiros troozões, o Trivium vem tentando disco após disco achar seu espaço. E se você é um dos tantos que não gostou do direcionamento de Vengeance Falls, provavelmente vai gostar menos ainda do que temos aqui. Após uma intro absolutamente desnecessária composta e tocada pelo mestre Ihsahn (sim, aquele do Emperor, ídolo de Matt Heafy), a razoável faixa título traz um resumo do direcionamento da bolacha: metal tradicional direto, polido e com vocais limpos. Não, nada de peso em excesso e estruturas complexas.


Matt disse recentemente à Metal Hammer inglesa que sempre quis cantar como vocalista de metal clássico, como Dio e Dickinson, e que assim tentaria daqui para frente, mesmo sabendo das limitações de sua voz. E foi num metal clássico e algo radiofônico que a banda centrou esforços, com produção cristalina de Michael Elvis Baskette, conhecido pelo seu trabalho com o Alter Bridge. O novo enfoque mais direto pode ter minado o poderio de fogo da banda, mas em termos de composições, os caras parecem ter achado seu nicho. Blind Leading the Blind, Dead And Gone (com groove caprichado) e a ótima (ainda que algo farofa) faixa de trabalho Until The World Goes Cold provavelmente farão parte dos shows vindouros sem que ninguém reclame e temos toneladas de Iron Maiden nas bacaninhas Pull Me From the Void e The Thing That’s Killing Me. Ao que parece, a recepção do novo trabalho foi quase tão fria quanto sua temática visual, mas ainda assim Silence In The Snow merece uma conferida. Um bom disco, mas os caras podem fazer melhor!

NOTA: 78

Classifique como: Heavy Metal, Melodic Metalcore
Para fãs de: Bullet For My Valentine, Avenged Sevenfold
Passe longe se a capa e o nome do disco te derem vontade de assistir Frozen de novo... 

Let it Go, Let It Gooo, Silence in the Snooow

domingo, 22 de dezembro de 2013

Curtas: Anvil + Monster Magnet + Death Angel + Deep Purple + Trivium + Whitesnake


Curtas: Anvil + Monster Magnet + Death Angel + Deep Purple + Trivium + Whitesnake

Ano acabando e minha lista de melhores começa a ser elaborada. Faz um bocado de tempo que não posto por aqui, fim de ano complicado, então lá vai uma penca de resenhas, no atacado!

Anvil - Hope In Hell
Anvil – Hope In Hell (CD - 2013)

Mais do Mesmo

Segundo disco dos mestres do Speed/Thrash Metal canadense após o estouro do documentário History Of Anvil, Hope In Hell repete a dobradinha da banda com o renomado produtor Bob Marlette (Alice Cooper, Iommi, Seether). Infelizmente dessa vez sem o mesmo sucesso do ótimo Juggernaut Of Justice.

Ok, Lips, nós também gostamos de você. Mas vê se capricha mais na próxima!
Não que falte garra a Lips, Reiner e Sal Italiano, o Anvil continua com uma pegada bem pé no acelerador, e nem falta também o obrigatório senso de humor, vide a brincadeira com o riff e estrutura de Smoke On The Water, que atende pelo nome de Through With You. O que ficou faltando foram músicas memoráveis. Para se ter uma ideia, somente na quarta música, a vigorosa The Fight Is Never Won é que o disco ameaça engrenar. E só ameaça, pois afora a mencionada música e as duas bônus da edição limitada (Hard Wired e Fire At Will), o material do disco não empolga, embora também não chegue a ser ruim. Como a banda está excursionando como nunca, dá a nítida impressão que esse Hope In Hell foi produzido apenas como desculpa para o retorno aos palcos. Se não se cuidar com os próximos lançamentos, é possível que o Anvil comece a traçar seu retorno ao ostracismo. Melhor caprichar, então!

NOTA: 6,5

Recomendado para: apenas para os fanáticos pelo Anvil e/ou completistas.

Passe longe se: quiser conhecer a banda, nesse caso, a discografia dos caras tem coisas muito melhores, tente Juggernaut of Justice ou Metal On Metal...



Monster Magnet - Last Patrol
Monster Magnet – Last Patrol (CD - 2013)

(Not So) Hot Shit, Babe!

Após uma seqüência de grandes discos que tornaram o Monster Magnet provavelmente a banda mais bem sucedida e influente da história do Stoner Rock, o maluquete Dave Wyndorf sofreu uma overdose, e então tudo desandou. 

Seguiram-se os pouco inspirados 4 Way Diablo e Mastermind, que só chamaram a atenção dos fãs mais ardorosos. Dave parecia inclusive ter perdido a centelha que movia a banda e suas histórias de proxenetas interplanetários e drogas cósmicas (seria porque ironicamente sua overdose quase fatal fora de remédios para dormir?).

Seria Dave Wyndorf  = Sr. Madruga + LSD?
Bom, quando poucos esperavam alguma coisa da banda, foi anunciado esse Last Patrol, como uma audaciosa e triunfal volta aos primórdios lisérgicos do MM. Seria verdade ou bravata? Veremos.

Logo de início, na sombria faixa de abertura (I Live Behind) e na espacial faixa título que a segue, duas coisas ficam claras: 1. não, não é um retorno a Superjudge ou Spine of God; 2. Certamente trata-se de material muito melhor que o dos últimos dois discos.

Com uma sonoridade que fica entre God Says No e Monolithic Baby, o disco segue com uma surpreendentemente boa releitura para Three Kingfishers (do Donovan), e com as boas Paradise e Hallelujah e a “MM no piloto automático” Mindless Ones (música de trabalho, que se parece outras 789 músicas da banda). The Duke Of Supernature torna o disco novamente interessante, seguida pelo rockão End Of Time. Stay Tuned encerra a bolachinha como que para nos avisar de que Wyndorf tem planos mirabolantes para os novos capítulos. Que assim seja, pois Last Patrol, embora longe das glórias de outrora, deixa os fãs esperançosos para com o futuro do Monster Magnet!

NOTA: 7,5

Recomendado para: fãs de Stoner e Space Rock em geral.

Passe longe se: o Monster Magnet morreu para você após Superjudge.



Death Angel - The Dream Calls For Blood
Death Angel – The Dream Calls For Blood (CD - 2013)

Absolutamente Destruidor

Um raro caso de segunda chance na história do Metal, o Death Angel, banda promissora de Thrash a surgir na segunda leva da cena da Bay Area, retornou com sangue nos olhos em 2004. De lá para cá produziu três obras que facilmente suplantam em qualidade os três discos de sua encarnação original. E o quarto rebento desse ressurgimento, The Dream Calls For Blood já chama a atenção de primeira, graças à belíssima ilustração de Brent Elliot White que adorna sua capa, facilmente a mais bacana de 2013.

Death Angel - 2013
Mas de nada adiantaria se o conteúdo, produzido pelo guitarrista e principal compositor do D.A., Rob Cavestany e Jason Suecof (Trivium, Firewind, Six Feet under) não fizesse frente à bela arte de capa. Ah e como faz. Left For Dead, Son Of The Morning e Fallen formam uma trinca de derrubar tanque de guerra.

Mark Osegueda está usando sua voz peculiar (que poderia bem servir a uma banda sleaze, por exemplo) como nunca. Rob Cavestany e Ted Aguilar são os culpados por uma chuva de riffs e solos memoráveis e a cozinha de Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria) não deixam pedra sobre pedra.

O ritmo cai com a faixa título, somente em velocidade, já que a mesma cheira a clássico. E não para por aí, somos presenteados com uma pedrada após a outra, com destaque para Caster Of Shame e Empty. A edição limitada, além de um DVD com o Making Of do álbum, ainda vem com uma ótima versão para Heaven And Hell, do Black Sabbath.

Em suma, o Death Angel nos entregou o disco de Thrash de 2013!

NOTA: 9

Recomendado para: fãs de thrash,  seja ele old ou new school.

Passe longe se: seu ideal musical tenha algo com Jack Johnson e John Mayer...




Deep Purple - Now What?!
Deep Purple – Now What?! (CD - 2013)

Cuma?

O tempo pode ser cruel com alguns artistas. Mas com outros pode ser ainda pior. Esse é o caso do Deep Purple, que aos poucos se tornou uma caricatura hedionda do outrora seminal grupo do Rock britânico. Com seu último grande disco datando de 1984 (Perfect strangers), a fase atual da banda, com o enfadonho Steve Morse na guitarra, até começou com um brilhareco, sob a figura do corretinho Pupendicular, mas depois desceu uma interminável ladeira. E se você caiu na propaganda enganosa desse novo disco, de que o produtor Bob Ezrin (que produzira o the Wall, do Pink Floyd, dentre outros...) teria conseguido efetuar um milagre, esqueça. A ladeira Purpleniana  realmente  não tem fim...

Não, ainda não descobri se ali é o Gillan ou o Bill Murray...
Sim, acho um absurdo a banda ter mudado seu som para se encaixar no estilo do “novo” guitarrista, mas seria demais colocar toda a culpa por todas as mazelas da banda nas costas de Steve Morse. Na verdade, a saída de Blackmore representa muito mais que a mudança de um guitarrista. Representou a saída do compositor de 90% do material da banda. E disso o Purple nunca se recuperou. Atualmente a banda parece muito mais com um misto de projeto solo de Gillan e/ou Morse. Fato ainda mais acentuado após a saída do saudoso Jon Lord.

E não ajuda em nada o fato de Ian Gillan, outrora a voz mais prodigiosa dos anos 1970 hoje soar ridículo, com seu timbre anasalado que irrita até monge budista.

Bom, o que esse Now What?! Traz de novo, então? Bob Ezrin ajudou em todas as composições do disco, e orientou a banda a compor em forma de Jam. O álbum traz uma produção encorpada, com bastante punch e um clima progressivo que permeia todas as faixas. Um bom começo, desde que as faixas demonstrassem alguma qualidade. Não é o caso. A despeito de boas passagens instrumentais, inclusive com uma referência a ELP (Uncommon Man, homenagem à homenagem do ELP a Aaron Copland), o que temos aqui é um ótimo som tentando esconder músicas envelhecidas e desinteressantes. Curiosamente a melhorzinha da safra vem sob a figura da esquisitona Vincent Price, uma ode bacana aos filmes de horror do passado. Sintomaticamente, horror é quase o que temos aqui. 

NOTA: 5

Recomendado para: não consegui pensar em ninguém para recomendar isso aqui...

Passe longe se: for fã do Deep Purple!




Trivium - Vengeance Falls
Trivium – Vengeance Falls (CD - 2013)

Rumo Ao topo

Surgida como a possível cereja do bolo dentro da cena que vem sido chamada de New Wave Of American Metal, a banda Trivium acabou por ver sua carreira ratear para longe do topo, enquanto o Avenged Sevenfold era catapultado à estratosfera.

Quebrando a parceria de longa data com o produtor Jason Suecof (ver resenha sobre o novo do Death Angel, nesse mesmo post), os garotos assumiram a atitude do “ou vai ou racha”. Só que muitos estranharam quando foi anunciado o novo produtor: David Draiman, mais conhecido pelo posto de vocalista no controverso Disturbed.

Pelas orelhas de Matt Heafy! Esse disco é bom mesmo!
Mas não se desesperem caros amigos, a presença de Draiman não fez que Matt Heafy passasse a imitar orangotangos em suas linhas melódicas. Muito pelo contrário, a presença do diminuto careca fez com que finalmente Matt encontrasse sua voz, não mais pecando pelo excesso de referências a seus ídolos. A maior preocupação com as melodias vocais não tirou o foco das guitarras, que permanecem excelentes. Matt e Corey Beaulieu formam uma dupla de respeito, e não faltam solos e riffs memoráveis no novo disco. E o fato das músicas estarem mais diretas, isso não deveria assustar, já que In Waves já mostrava essa tendência.

Sem sequer uma música ruim, fica difícil apontar os momentos de destaque no novo disco, mas a tríade composta pela faixa título, Strife (a melhor) e No Way To Heal devem se tornar obrigatórias nos shows. O encerramento com a épica Wake (The End Is Nigh) deixa o ouvinte com aquela sensação de que poderia escutar mais uma hora de material desse nível. A apontar de negativo (se é que dá para considerar isso como negativo), apenas uma presença um pouco forte demais de Disturbed em algumas composições (como nos versos da boa To Believe, por exemplo). No mais, um grande salto de qualidade na carreira do Trivium e um dos melhores discos do ano.

NOTA: 9

Recomendado para: fãs de metal tradicional em geral.

Passe longe se: prefere músicas mais intrincadas e/ou extremas.



Whitesnake - Made In Japan
Whitesnake – Made In Japan (Blu Ray - 2013)

Rugas e Farofa em HD!

Após ter passado seu período de maior sucesso sem soltar sequer um disco ao vivo, o Whitesnake resolveu capitalizar na última década, lançando um atrás do outro. Não que isso seja ruim, David Coverdale nunca foi bobo e sempre se cercou da nata do hard/Heavy, fazendo com que uma apresentação da banda seja quase sempre certeza de sucesso.

Quase por um simples motivo, de alguns anos para cá a voz do tiozão anda pagando o preço de décadas de birita e muito cigarro. Como visto esse ano nos últimos shows da banda em território tupiniquim, Coverdale alterna bons shows com outros nos quais parece ter feito gargarejo com giletes.

Pode admitir, ele parece alguma tia sua, vai...
Para nossa sorte, nesse Blu Ray (com edições em DVD e CD duplo), que imortaliza a participação da banda no festival Loud Park de 2011 (realizado na Saitama Super Arena, Tóquio),  a voz de Coverdale está no melhor estado que sua idade permite atualmente. Somos agraciados com um set curto (cerca de 80 minutos), mas matador, contando com alguns clássicos misturados a faixas do ótimo Forevermore e do bom Good To Be Bad. Doug Aldrich e Reb Beach arregaçam as guitarras, como sempre. Brian Tichy é um tremendo baterista e dá até para não passar o solo do rapaz. Michael Devin pode não ser tão famoso quantos eus colegas, mas segura as pontas com louvor. E Coverdale, esse é um dos maiores frontmen da história, esbanjando vigor e simpatia, além de possuir uma das mais belas vozes do rock. Tudo isso coroando uma imagem cristalina (podemos ver as rugas de tio Cobrabranca com perfeição), e um som que em nada deve a essa imagem.

A reclamar, somente a escassez de extras de verdade. Se considerarmos que o show é bem curto e Blu Ray ainda custa um bocado para os incautos cucarachas, temos a relação custo/benefício um bocado prejudicada. Ainda assim, trata-se de um grande registro de uma grande banda.

NOTA: 8

Recomendado para: amantes de boas vozes e grandes guitarras...

Passe longe se: tem alergia ao verbete “Love”