Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
O 9º disco do
quarteto estadunidense, agora com 20 anos de carreira nas costas, chegou às
lojas repleto de expectativas, tendo em vista o sucesso de The Sin And The Sentence junto ao público e à crítica
especializada. Repetindo a formação e a parceria com o premiado produtor JoshWilbur, fomos checar se dessa vez a banda não repetiria sua sina de
discos medíocres seguindo seus grandes trabalhos...
Sorriam, rapazes...ou não
IX é a típica
introdução que as bandas de Metal
costumam utilizar para criar um clima antes de subir nos palcos e precede a
faixa título, nos deixando com a pulga atrás da orelha: teria a banda optado
por retornar ao excesso de melodias que tornara Silence In The Snow uma pequena decepção? Produção bem polida e
vocais limpos em destaque, a despeito da quebradeira instrumental ao fundo. Boa
canção, mas que sucumbe ao poderio inicial do trabalho anterior, falhando como um
cartão de visitas que impressione.
Melhor se sai Catastrophist.
Apesar de não abrir mão da melodia, o refrão caprichado, a dupla quase
telepática de guitarras (Matt e Beaulieu) e a devastação baterística de
AlexBent dão uma vida irresistível ao que poderia bem ser um Pop Metal
aguado em outras mãos. E a ótima performance do quarteto (somem-se aos citados,
o baixista e fundador PaoloGregoletto), essa é uma constante na
bolachinha. A, e qualquer tentativa
restante de comparação entre o novo material e Silence cai definitivamente por terra após a trauletada AmongstTheShadows&TheStones.
Na verdade, ao invés de repetir a fórmula do bem-sucedido disco
anterior, aqui o Trivium optou por
mesclar as facetas que já haviam aparecido em trabalhos mais recentes. As quase
radiofônicas BleedIntoMe e TheDefiant não ficariam estranhas, por
exemplo, em VengeanceFalls. Assim como SicknessUntoYou tem a caruncha de The Sin And The Sentence.
Ponto extra para a produção e banda por optarem em manter a duração do CD abaixo dos 50 minutos, fazendo com
que What The Dead Men Say não deixe
a peteca cair por um minuto sequer. Um dos discos mais equilibrados da carreira
do Trivium, e olha que a banda já
tem outro prontinho para sair. Que mantenham a boa fase! (NOTA: 9,08)
Um dos mais promissores
nomes de sua geração, o Trivium tem
uma trajetória que lembra a de muitos jogadores de futebol por aí. O quarteto
estourou cedo para um sucesso que 99,99% das bandas do globo jamais conhecerão,
mas logo sucumbiu à absurda cobrança de que viesse a se tornar um nome capaz de
adentrar o panteão imortal onde habitam gigantes como IronMaiden e Metallica. Ou seja, apesar das
vendagens sempre boas, da presença constante em festivais de ponta com certo
destaque e do reconhecimento mundial, o Trivium
parece sempre ser visto como aquele jogador de quem se espera um título de melhor
do mundo.
Os imberbes moleques do Trivium, num passado nem tão distante assim
Bom lembrar que, a despeito da longa estrada e dos oito álbuns lançados,
os membros do Trivium acabaram de
adentrar a casa dos 30, e ainda tem muito a errar e acertar. E para o novo
disco, o quarteto resolver corrigir o que parece ser considerado, veladamente,
um erro de estratégia. O nome desse erro? SilenceIn The Snow (ver resenha na Cripta),
o polêmico, mesmo que comercialmente bem-sucedido, disco anterior. Ainda que
nenhum de seus membros diga a palavra “arrependimento”, fica claro ao lermos as
entrevistas da banda que Silence não
era exatamente o passo certo na hora certa. Gravado no momento em que MattHeafy tentava redescobrir sua voz após um segundo e grave colapso
nas cordas vocais, Silence foi
inteiramente feito para se adequar a uma forma limpa de cantar. Os companheiros
de longa data CoreyBeaulieu (guitarra) e PaoloGregoletto (baixo) se viram numa encruzilhada para compor material
desse tipo. E os dois admitiram à MetalHammer que consideram ter apressado
em muito a finalização das composições daquele disco. E Matt, esse parecia desconectado da banda. Um acaso do destino
recolocaria Matt de volta ao jogo. Com o relançamento de EmberToInferno em uma edição especial,
choveram matérias na imprensa onde músicos até mais velhos que os rapazes do Trivium mostravam o quanto o surgimento
da banda havia mexido com o cenário de seu tempo. Heafy se viu surpreso e se sentiu pela primeira vez em muito tempo
desafiado a vencer suas limitações físicas e enfim entregar um disco que mostre
efetivamente todo o poder de fogo que se espera do quarteto. O produtor escolhido
para a façanha, um declarado fã, JoshWilbur (Gojira, Korn, LambOfGod). Vamos então a The Sin And The Sentence.
Matt Heafy - hora de reencontrar a voz... e o tesão pela banda?
O
Disco
The Sin And The Sentence, a música, é de uma
ferocidade que já põe por terra qualquer pedaço de cinismo que pudesse existir
nesse escriba em relação à recuperação da banda. A letra, por Paolo, é bem atual, e faz um paralelo
entre a caça às bruxas de outrora com nossa sanha por julgamento de erros
alheios nas mídias sociais. O novo membro, o baterista AlexBent já diz aqui ao
que veio, descendo a marreta em trechos claramente influenciados por bandas de BlackMetal (estilo de quem Matt
é sabidamente fã). Um ótimo início com um futuro clássico.
BeyondOblivion (ver vídeo) começa igualmente violenta, com Bent deixando seu cartão de visitas e Matt urrando a plenos pulmões antes da
música descer o tempo e assumir um estilo que parece cruzar ferocidade prometida
ao senso melódico do trabalho anterior. Outro ótimo momento.
OtherWorlds é bem mais calma e melodiosa. Uma canção boa, mas talvez um
pouco perto do padrão de canções mais tranquilas de boa parte das bandas de Metalcore. Melhor se sai a igualmente
grudenta The Heart Of Your Hate (ver
vídeo), presença certa no set da
turnê vindoura.
Como que para quebrar a carga melódica das duas faixas anteriores, Betrayer já começa a todo vapor, com as
guitarras e bateria fazendo novamente referências pontuais ao BlackMetal. As guitarras, aliás, são um show à parte no disco, temos
dobras em profusão, além de solos inspiradíssimos de Heafy e Corey. A produção
deixa a sonoridade bem menos mecanizada do que o habitual para bandas atuais, e
o disco não deve incomodar os ouvidos mais “troos”, não.
Em seguida temos as duas contribuições de MattHeafy para o disco.
Originalmente composta sob encomenda para outra banda de metal moderno (não,
ele não cita nomes), The Wretchedness
Inside é uma pedrada grooveada e
urrada, que cede espaço para o baixo de Paolo
brilhar no mix. Já EndlessNight, que surgiu também de uma encomenda de música feita por
terceiros, é bem mais comercial e traz uma letra que versa sobre o estresse pós-traumático
que aflige muitos veteranos de guerra.
Trivium, agora balzakium, enxergando vermelho
Sever the Hand traz a agressividade
de volta à bolachinha, com alguns momentos puramente Thrash e muitas guitarras inspiradas. E como que para provar que o
equilíbrio entre melodia e peso tentado no disco anterior pode sim jogar a
favor da banda, somos apresentados à simples e excelente Beauty In the Sorrow.
TheRevanchist, o épico do disco, desfila com maestria referências a
vários subgêneros dentro do metal, inclusive aí um refrão delicioso que bem
poderia ter sido escrito para o ParadiseLost. Para terminar o disco de
maneira emblemática, foi escolhida a poderosa ThrownIntotheFire (ver vídeo), repleta de vocais e solos virulentos que fazem um
contraponto à polidez excessiva de Silence
In the Snow.
Veredito
da Cripta
The
Sin And The Sentence é a resposta perfeita àqueles que torceram o
nariz para os dois trabalhos anteriores. Violento em alguns momentos,
equilibrado em outros tantos, e extremamente inspirado, o novo disco não é só
um dos melhores do ano, mas também um dos grandes momentos da carreira dos
jovens veteranos da Flórida. Que venham ao Brasil!
Das 789 zilhões de
novas bandas suecas praticantes do famigerado (e inflado) Retro Rock, Graveyard conquistou meu carinho tão
logo esbarrei com uma belezura chamada HisingenBlues (ver história completa desse
romance Criptoniano aqui). O problema é que esse disco acabou por deixar minhas
expectativas muito altas para os futuros trabalhos dos caras. O bom é que eles
nunca chegam perto de decepcionar. Innocence
abre com MagneticShunk alternando entre o rock e o
boogie com maestria, e a faixa de trabalho TheAppleAndTheTree (ver vídeo) é uma daquelas pérolas
de 1968 que pegaram uma máquina do tempo para a década atual.
Exit97
é um blues melancólico e esfumaçado engrandecido por um belo hammond, o tipo de
música para compor o ambiente de um pub decadente repleto de facínoras. NeverTheirs e Can’tWalkOut possuem uma aura de ProtoMetal, contendo pinceladas de Led (na primeira) e Doors (na segunda). O retorno de TrulsMörck, guitarrista e vocalista da formação original do Graveyard, se faz perceber em maior
grau quando este assume os microfones, na ótima FromaHoleInTheWall – um Space Rock com Blast
Beats!!!. E nem mesmo a chocha música final, StayforASong,
consegue entornar o caldo. Quando ela aparece o jogo já está para lá de ganho. Innocence pode não ser um HisingenBlues, mas mostra que o Graveyard
ainda consegue chutar sua murcha bunda retrô com galhardia.
NOTA: 83
Classifique como: Retro
Rock, Blues Rock, Stoner Rock
Nightwish - Endless Forms Most Beautiful (Cd-2015)
Nightwish – Endless Forms
Most Beautiful (Cd-2015)
Pretensão e Água
Benta...
Primeiro trabalho dos
finlandeses a contar com a vocalista holandesa FloorJansen, Endless traz um conceito baseado na
obra do Biólogo e Evolucionista RichardDawkins, tudo isso ornado por uma
produção que envolve também uma orquestra e uma faixa de encerramento de 24
minutos. Quer um pouco mais de megalomania? Bom, pede lá para o mentor da
banda, o tecladista TuomasHolopainen, que ele deve ter mais no
estoque sobrando. ShudderBeforetheBeautiful tenta com
afinco justificar toda a pompa numa explosão sinfônica bacana, mas algo
derivativa de trabalhos anteriores. Se na faixa de abertura Floor parece quase uma cópia da demissionária
Anette, no fantasmagórico libelo
anti-religião WeakFantasy ela dá o verdadeiro ar de sua
graça, num show de interpretação engrandecido pelo toque folk do britânico TroyDonockley. Èlan,
primeira faixa de trabalho, é outra que poderia estar nos dois álbuns
anteriores, um bonito Folk Metal versão MTV (ver vídeo).
Enquanto
YoursIsAnEmptyHope puxa pelo peso e dramaticidade, ainda que sem sucesso, OurDecadesInTheSun bem poderia ser usada como música tema de princesa da Disney, e MyWalden parece Enya com esteroides. Ainda bem que
depois temos a pesada e inspirada faixa título, a Power Ballad gótica EdemaRull (muito anos 1990) e Alpenglow,
que parece saída de Once. A
instrumental EyeOfSharbat
saiu do toca discos de alguma loja que vende incensos indianos e prepara o
terreno para TheGreatestShowOnEarth: uma colcha de retalhos que dilui
alguns bons momentos entre narrativas de Dawkins,
sons de bichinhos selvagens e muita, muita pretensão. Barulhos de bichinhos? É,
talvez seja a hora de botar os pés no chão, Tuomas.
NOTA: 69
Classifique como:
Symphonic Metal, Power Metal, Gothic Metal
Para fãs de: Within
Temptation, Delain
Passe longe se: cara, barulhos de
bichinhos...sério, cara!!!!!!!!!!!
Tuomas finalmente acha uma vocalista do tamanho do seu ego, só que mais forte
Desde ParadiseLost os estadunidenses vinham carregando no peso, temática sombria
e nos timbres modernos, afastando um pouquinho os fãs antigos de seu Power
Metal Neoclássico com toque Sinfônico/Progressivo. O conceito sombrio por
detrás de Underworld, baseado na Divina
Comédia, poderia ser indicativo de que novamente trilhariam o caminho do peso e
força bruta no novo disco. E faixas como KissOfDeath, Nevermore (ver
vídeo) e Charon, todas ótimas e
presentes na primeira metade da bolachinha, até pendem mais para esse lado. Mas
daí para frente, Underworld toma uma
outra forma.
ToHellAndBack coloca os teclados, tímidos nas primeiras faixas, na linha de
frente. A estrutura mais progressiva e com toques de AOR se repete na razoável SwanSong e nas boas RunWiththeDevil e InMyDarkestHour. Mas ao chegar ao final da jornada, com Legend, fiquei com a impressão de que tivesse a banda seguido a
toada da primeira metade do disco, estaríamos diante de seu provável melhor
trabalho. Um grande disco, ainda assim.
NOTA: 84
Classifique como: Power
Metal, Prog Metal, Symphonic Metal
Para fãs de Malmsteen, Fates
Warning, Dream Theater
Passe longe se tiver
alergia a devaneios neoclássicos
O gigolô Russell Allen e seus colegas do Symphony X
Há não muito tempo
atrás, os garotos do Trivium
apareceram como a linha de frente da NWOAHM,
reais postulantes ao trono de maior banda de Heavy metal em atividade quando os
Maidens e Priests da vida pendurassem as jaquetas de couro. Bom, a história
foi um pouco diferente e bem menos benevolente com os já não tão garotos. Sem
conseguir emplacar comercialmente como era esperado e também sofrendo um pouco
com os narizes torcidos da velha guarda de metaleiros troozões, o Trivium vem tentando disco após disco
achar seu espaço. E se você é um dos tantos que não gostou do direcionamento de
VengeanceFalls, provavelmente vai gostar menos ainda do que temos aqui. Após
uma intro absolutamente desnecessária composta e tocada pelo mestre Ihsahn (sim, aquele do Emperor, ídolo de MattHeafy), a razoável
faixa título traz um resumo do direcionamento da bolacha: metal tradicional
direto, polido e com vocais limpos. Não, nada de peso em excesso e estruturas
complexas.
Matt disse recentemente à MetalHammer inglesa que sempre quis cantar como vocalista de metal
clássico, como Dio e Dickinson, e que assim tentaria daqui
para frente, mesmo sabendo das limitações de sua voz. E foi num metal clássico
e algo radiofônico que a banda centrou esforços, com produção cristalina de MichaelElvisBaskette,
conhecido pelo seu trabalho com o AlterBridge. O novo enfoque mais direto
pode ter minado o poderio de fogo da banda, mas em termos de composições, os
caras parecem ter achado seu nicho. BlindLeadingtheBlind, DeadAndGone (com groove
caprichado) e a ótima (ainda que algo farofa) faixa de trabalho UntilTheWorldGoesCold provavelmente farão parte dos shows vindouros sem que ninguém
reclame e temos toneladas de IronMaiden nas bacaninhas PullMeFromtheVoid e TheThingThat’sKillingMe. Ao que parece, a recepção do novo
trabalho foi quase tão fria quanto sua temática visual, mas ainda assim SilenceInTheSnow merece uma conferida. Um bom
disco, mas os caras podem fazer melhor!
NOTA: 78
Classifique como: Heavy
Metal, Melodic Metalcore
Para fãs de: Bullet For My
Valentine, Avenged Sevenfold
Passe longe se a capa e o nome do disco te derem
vontade de assistir Frozen de novo...
Curtas: Anvil + Monster Magnet + Death Angel + Deep Purple + Trivium + Whitesnake
Ano acabando e minha lista de melhores começa a ser elaborada. Faz um bocado de tempo que não posto por aqui, fim de ano complicado, então lá vai uma penca de resenhas, no atacado!
Anvil - Hope In Hell
Anvil – Hope
In Hell (CD - 2013)
Mais do Mesmo
Segundo disco dos mestres do Speed/Thrash Metal canadense após o estouro do documentário History Of Anvil, Hope In Hell repete a dobradinha da banda com o renomado produtor Bob Marlette (Alice Cooper, Iommi, Seether). Infelizmente dessa vez sem o
mesmo sucesso do ótimo Juggernaut Of
Justice.
Ok, Lips, nós também gostamos de você. Mas vê se capricha mais na próxima!
Não que falte garra a Lips, Reiner e Sal Italiano, o
Anvil continua com uma pegada bem pé
no acelerador, e nem falta também o obrigatório senso de humor, vide a
brincadeira com o riff e estrutura de Smoke
On The Water, que atende pelo nome de Through
With You. O que ficou faltando foram músicas memoráveis. Para se ter uma
ideia, somente na quarta música, a vigorosa The Fight Is Never Won é que o disco ameaça engrenar. E só ameaça,
pois afora a mencionada música e as duas bônus da edição limitada (Hard Wired e Fire At Will), o material do disco não empolga, embora também não
chegue a ser ruim. Como a banda está excursionando como nunca, dá a nítida
impressão que esse Hope In Hell foi
produzido apenas como desculpa para o retorno aos palcos. Se não se cuidar com
os próximos lançamentos, é possível que o Anvil
comece a traçar seu retorno ao ostracismo. Melhor caprichar, então!
NOTA: 6,5
Recomendado para: apenas para os fanáticos pelo Anvil e/ou completistas.
Passe longe se: quiser conhecer a banda, nesse
caso, a discografia dos caras tem coisas muito melhores, tente Juggernaut of Justice ou Metal On Metal...
Monster Magnet - Last Patrol
Monster
Magnet – Last Patrol (CD - 2013)
(Not So) Hot Shit, Babe!
Após uma seqüência de grandes
discos que tornaram o Monster Magnet
provavelmente a banda mais bem sucedida e influente da história do Stoner Rock, o maluquete Dave Wyndorf sofreu uma overdose, e
então tudo desandou.
Seguiram-se os pouco inspirados 4 Way Diablo e Mastermind, que só chamaram a atenção dos fãs mais ardorosos. Dave parecia inclusive ter perdido a
centelha que movia a banda e suas histórias de proxenetas interplanetários e
drogas cósmicas (seria porque ironicamente sua overdose quase fatal fora de
remédios para dormir?).
Seria Dave Wyndorf = Sr. Madruga + LSD?
Bom, quando poucos esperavam
alguma coisa da banda, foi anunciado esse Last Patrol, como uma audaciosa e
triunfal volta aos primórdios lisérgicos do MM. Seria verdade ou bravata?
Veremos.
Logo de início, na sombria faixa
de abertura (I Live Behind) e na
espacial faixa título que a segue, duas coisas ficam claras: 1. não, não é um
retorno a Superjudge ou Spine of God; 2. Certamente trata-se de
material muito melhor que o dos últimos dois discos.
Com uma sonoridade que fica entre
God Says No e Monolithic Baby, o disco segue com uma surpreendentemente boa
releitura para Three Kingfishers (do
Donovan), e com as boas Paradise e Hallelujah e a “MM no piloto automático” Mindless Ones (música de trabalho, que se parece outras 789 músicas
da banda). The Duke Of Supernature
torna o disco novamente interessante, seguida pelo rockão End Of Time. Stay Tuned encerra a bolachinha como que para nos
avisar de que Wyndorf tem planos
mirabolantes para os novos capítulos. Que assim seja, pois Last Patrol, embora longe das glórias de outrora, deixa os fãs
esperançosos para com o futuro do Monster
Magnet!
NOTA: 7,5
Recomendado para: fãs de Stoner e Space Rock em geral.
Passe longe se: o Monster Magnet morreu para você após Superjudge.
Death Angel - The Dream Calls For Blood
Death Angel
– The Dream Calls For Blood (CD - 2013)
Absolutamente Destruidor
Um raro caso de segunda chance na história do
Metal, o Death Angel, banda promissora de Thrash a surgir na segunda leva da
cena da Bay Area, retornou com sangue nos olhos em 2004. De lá para cá produziu
três obras que facilmente suplantam em qualidade os três discos de sua
encarnação original. E o quarto rebento desse ressurgimento, The Dream Calls
For Blood já chama a atenção de primeira, graças à belíssima ilustração de
Brent Elliot White que adorna sua capa, facilmente a mais bacana de 2013.
Death Angel - 2013
Mas de nada adiantaria se o
conteúdo, produzido pelo guitarrista e principal compositor do D.A., Rob Cavestany e Jason Suecof (Trivium, Firewind, Six Feet under) não fizesse frente à bela arte de capa. Ah e como
faz. Left For Dead, Son Of The Morning e Fallen formam uma trinca de derrubar
tanque de guerra.
Mark Osegueda está usando sua voz peculiar (que poderia bem servir
a uma banda sleaze, por exemplo) como nunca. Rob Cavestany e Ted Aguilar
são os culpados por uma chuva de riffs e solos memoráveis e a cozinha de Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria) não deixam pedra
sobre pedra.
O ritmo cai com a faixa título,
somente em velocidade, já que a mesma cheira a clássico. E não para por aí,
somos presenteados com uma pedrada após a outra, com destaque para Caster Of Shame e Empty. A edição limitada, além de um DVD com o Making Of do
álbum, ainda vem com uma ótima versão para Heaven
And Hell, do Black Sabbath.
Em suma, o Death Angel nos entregou o disco de Thrash de 2013!
NOTA: 9
Recomendado para: fãs de thrash, seja ele old ou new school.
Passe longe se: seu ideal musical tenha algo com
Jack Johnson e John Mayer...
Deep Purple - Now What?!
Deep Purple
– Now What?! (CD - 2013)
Cuma?
O tempo pode ser cruel com alguns artistas. Mas
com outros pode ser ainda pior. Esse é o caso do Deep Purple, que aos poucos se tornou uma caricatura hedionda do
outrora seminal grupo do Rock britânico. Com seu último grande disco datando de
1984 (Perfect strangers), a fase
atual da banda, com o enfadonho Steve
Morse na guitarra, até começou com um brilhareco, sob a figura do
corretinho Pupendicular, mas depois
desceu uma interminável ladeira. E se você caiu na propaganda enganosa desse
novo disco, de que o produtor Bob Ezrin
(que produzira o the Wall, do Pink Floyd, dentre outros...) teria
conseguido efetuar um milagre, esqueça. A ladeira Purpleniana realmente
não tem fim...
Não, ainda não descobri se ali é o Gillan ou o Bill Murray...
Sim, acho um absurdo a banda ter
mudado seu som para se encaixar no estilo do “novo” guitarrista, mas seria
demais colocar toda a culpa por todas as mazelas da banda nas costas de Steve Morse. Na verdade, a saída de Blackmore representa muito mais que a
mudança de um guitarrista. Representou a saída do compositor de 90% do material
da banda. E disso o Purple nunca se
recuperou. Atualmente a banda parece muito mais com um misto de projeto solo de
Gillan e/ou Morse. Fato ainda mais acentuado após a saída do saudoso Jon Lord.
E não ajuda em nada o fato de Ian Gillan, outrora a voz mais
prodigiosa dos anos 1970 hoje soar ridículo, com seu timbre anasalado que
irrita até monge budista.
Bom, o que esse Now What?! Traz de novo, então? Bob Ezrin ajudou em todas as
composições do disco, e orientou a banda a compor em forma de Jam. O álbum traz
uma produção encorpada, com bastante punch e um clima progressivo que permeia
todas as faixas. Um bom começo, desde que as faixas demonstrassem alguma
qualidade. Não é o caso. A despeito de boas passagens instrumentais, inclusive
com uma referência a ELP (Uncommon Man, homenagem à homenagem do ELP a AaronCopland), o que
temos aqui é um ótimo som tentando esconder músicas envelhecidas e
desinteressantes. Curiosamente a melhorzinha da safra vem sob a figura da
esquisitona Vincent Price, uma ode
bacana aos filmes de horror do passado. Sintomaticamente, horror é quase o que
temos aqui.
NOTA: 5
Recomendado para: não consegui pensar em ninguém para
recomendar isso aqui...
Passe longe se: for fã do Deep Purple!
Trivium - Vengeance Falls
Trivium – Vengeance Falls (CD - 2013)
Rumo Ao topo
Surgida como a possível cereja do
bolo dentro da cena que vem sido chamada de New Wave Of American Metal, a banda Trivium
acabou por ver sua carreira ratear para longe do topo, enquanto o Avenged Sevenfold era catapultado à
estratosfera.
Quebrando a parceria de longa data com o
produtor Jason Suecof (ver resenha
sobre o novo do Death Angel, nesse
mesmo post), os garotos assumiram a atitude do “ou vai ou racha”. Só que muitos
estranharam quando foi anunciado o novo produtor: David Draiman, mais conhecido pelo posto de vocalista no
controverso Disturbed.
Pelas orelhas de Matt Heafy! Esse disco é bom mesmo!
Mas não se desesperem caros
amigos, a presença de Draiman não
fez que Matt Heafy passasse a imitar
orangotangos em suas linhas melódicas. Muito pelo contrário, a presença do
diminuto careca fez com que finalmente Matt
encontrasse sua voz, não mais pecando pelo excesso de referências a seus
ídolos. A maior preocupação com as melodias vocais não tirou o foco das
guitarras, que permanecem excelentes. Matt
e Corey Beaulieu formam uma dupla de
respeito, e não faltam solos e riffs memoráveis no novo disco. E o fato das
músicas estarem mais diretas, isso não deveria assustar, já que In Waves já mostrava essa tendência.
Sem sequer uma música ruim, fica
difícil apontar os momentos de destaque no novo disco, mas a tríade composta
pela faixa título, Strife (a melhor)
e No Way To Heal devem se tornar
obrigatórias nos shows. O encerramento com a épica Wake (The End Is Nigh) deixa o ouvinte com aquela sensação de que
poderia escutar mais uma hora de material desse nível. A apontar de negativo
(se é que dá para considerar isso como negativo), apenas uma presença um pouco
forte demais de Disturbed em algumas
composições (como nos versos da boa To Believe,
por exemplo). No mais, um grande salto de qualidade na carreira do Trivium e um dos melhores discos do
ano.
NOTA: 9
Recomendado para: fãs de metal tradicional em geral.
Passe longe se: prefere músicas mais intrincadas
e/ou extremas.
Whitesnake - Made In Japan
Whitesnake –
Made In Japan (Blu Ray - 2013)
Rugas e Farofa em HD!
Após ter passado seu período de
maior sucesso sem soltar sequer um disco ao vivo, o Whitesnake resolveu capitalizar
na última década, lançando um atrás do outro. Não que isso seja ruim,
David Coverdale nunca foi bobo e sempre se cercou da nata do hard/Heavy,
fazendo com que uma apresentação da banda seja quase sempre certeza de sucesso.
Quase por um simples motivo, de alguns anos para
cá a voz do tiozão anda pagando o preço de décadas de birita e muito cigarro. Como
visto esse ano nos últimos shows da banda em território tupiniquim, Coverdale
alterna bons shows com outros nos quais parece ter feito gargarejo com giletes.
Pode admitir, ele parece alguma tia sua, vai...
Para nossa sorte, nesse Blu Ray
(com edições em DVD e CD duplo), que imortaliza a participação da banda no festival
Loud Park de 2011 (realizado na Saitama Super Arena, Tóquio), a voz de Coverdale está no melhor estado que
sua idade permite atualmente. Somos agraciados com um set curto (cerca de 80
minutos), mas matador, contando com alguns clássicos misturados a faixas do
ótimo Forevermore e do bom Good To Be Bad. Doug Aldrich e Reb Beach arregaçam
as guitarras, como sempre. Brian Tichy é um tremendo baterista e dá até para
não passar o solo do rapaz. Michael Devin pode não ser tão famoso quantos eus
colegas, mas segura as pontas com louvor. E Coverdale, esse é um dos maiores
frontmen da história, esbanjando vigor e simpatia, além de possuir uma das mais
belas vozes do rock. Tudo isso coroando uma imagem cristalina
(podemos ver as rugas de tio Cobrabranca com perfeição), e um som que em nada
deve a essa imagem.
A reclamar, somente a escassez de
extras de verdade. Se considerarmos que o show é bem curto e Blu Ray ainda
custa um bocado para os incautos cucarachas, temos a relação custo/benefício um bocado
prejudicada. Ainda assim, trata-se de um grande registro de uma grande banda.
NOTA: 8
Recomendado para: amantes de boas vozes e grandes
guitarras...