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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Curtas: Dimmu Borgir, Bullet, Five Finger Death Punch & Behemoth







Dimmu Borgir – Eonian (Cd-2018)

Dimmuwish?
Por Trevas

A gestação do nono disco de estúdio dos mestres noruegueses do Black Metal Sinfônico foi surpreendentemente longa: 8 anos de espera, com anúncios desencontrados e expectativas minguando nesse percurso. Hoje resumido a um restrito polo criativo, com Shagrath, Silenoz e Galder formando uma nada santa trindade, o Dimmu Borgir definitivamente é uma entidade bem diferente daquela que no passado entregou Enthrone Darkness Trumphant. E é também uma entidade muito bem-sucedida, obrigado. E em que obscuros recônditos teria ido vagar a sonoridade da banda após tanto tempo? Pois então, se Abrahadabra já potencializava de maneira assustadora o lado sinfônico dos monstrinhos, a primeira faixa de trabalho, Interdimensional Summit fez com que muito fã de carteirinha regurgitasse o sangue de virgem consumido na ceia: substitua a voz rasgada de Shagrath pela da Floor Jansen e a música passaria com facilidade como algo do Nightwish. Se isso é um elogio ou heresia, da resposta dada podemos inferir se existe alguma possibilidade de você digerir o restante da bolachinha.



Sim, por que Eonian eleva os coros operísticos e orquestrações à estratosfera, deixando o restante da banda em segundo plano, um profano refém de sua própria audácia e grandiloquência. Particularmente, apesar de entender o horror que o disco vem causando nos fãs mais puristas, não consegui nutrir pela bolachinha tamanho desencanto. Eonian flui como uma trilha sonora, com momentos que lembram a fúria de outrora entremeados a construções operísticas e sinfônicas que raramente colam de imediato, mas podem convencer com repetidas audições. The Empyrean Phoenix e Lightbringer talvez sejam ótimos exemplos do caráter quase esquizofrênico do disco, que tem em Alpha Aeon Omega seu destaque absoluto. Enfim, um trabalho ambicioso em sua concepção e algo titubeante em sua execução, que vem recebendo uma saraivada de críticas pesadas bem mais pela expectativa criada pelos oito anos de ausência do que pela falta de qualidade em si. Ainda assim, temos que concordar que Eonian está distante dos melhores momentos dos noruegueses.

NOTA: 7,57

Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: complexo e variado
Contras: chega a esbarrar no Disney Metal de um Nightwish
Classifique como: Black Metal
Para Fãs de: Therion, Cradle OF Filth

É, acho que está na hora da Floor para com os anabolizantes...
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Bullet – Dust To Gold (Cd-2018)

Fast As A Sh...Bullet?
Por Trevas

O sexto full length do combo sueco de heavy metal tradicional começa com os dois pés na porta: Speed And Attack é um veloz (ooops) ataque (oooooops) inclemente que quase nos remete aos primórdios do Accept. E olha que isso é um elogio para lá de colossal. A voz do corpulento Hell Hofner é aquela coisa meio troglodita e algo idiossincrática que parece ter desaparecido do mapa após 1987. As guitarras de Alex Lyrbo e Hampus Klang dificilmente irão figurar na capa da Guitar Player, mas são mais que suficientes para nos abastecer de riffs e solos simples e certeiros. Dois Gustavs fazem uma cozinha correta em técnica mas que garante uma pressão analógica muito bem vinda na produção Old School e precisa, nas mãos sei-lá-de-quem, já que o belo encarte não traz nenhuma informação a respeito.


O bacana é que dentro da falta de pretensão do Bullet em reinventar a roda e de sua evidente simplicidade é possível afirmar que há uma sonoridade com cara bem própria. Sim, e isso ocorre mesmo nos números que parecem tentar homenagear monstros sagrados do estilo. Highway Love pode ter toneladas de AC/DC, mas é a versão Bullet para o som dos australianos. O mesmo pode ser dito de Wildfire, que traz um irmão sueco e mais novo do melhor material do W.A.S.P. E seguindo a onda de emular o som e visual das bandas de Heavy Metal oitentista, uma das tendências mais legais da chamada NWOTHM é a de produzir discos curtos, sem encheção de linguiça. Não dá tempo nem de pensar em ficar saturado da voz de carniça de Hofner, o disco acaba e o pescoço continua a balançar, quase que num movimento fantasma. Para quem está atrás de um Heavy Metal com cara de anos 80 e sem nenhuma pretensão, Dust To Gold garante 38 deliciosos minutinhos para lá de bem investidos de seu tempo! 

NOTA: 8,88

Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: Old School e grudento
Contras: não tem sequer 1 minuto de inovação aqui
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Accept, Grim Reaper

Valderrama e os Impedidos? Bullet 2018
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Five Finger Death Punch – And Justice For None (Cd-2018)

Soco De Raspão
Por Trevas

O metal macho-burro-com-uma-arma-na-mão dos estadunidenses é a cara de um mundo ocidental que aos poucos vira à direita. Mas limitar o acachapante sucesso comercial dos caras a fatores desse tipo seria reducionismo da minha parte. O FFDP nos presenteou com uma série de discos deliciosamente diretos que misturam a estética macho-alfa de um Pantera com a simplicidade do Metal tradicional e trejeitos do Nu-Metal não tão Nu-Metal assim do Disturbed. O problema é que após a dobradinha inspirada de The Wrong Side Of Heaven, a fonte parece ter começado a secar. Some isso à banda andar perdendo mais tempo com os problemas com a gravadora (que adiou por quase dois anos o lançamento do disco) e com os demônios pessoais de alguns integrantes e temos a impressão de que o timing está prestes a se perder. E a abertura com a algo formulaica Fake só parece corroborar que o FFDP perdeu a mão.



Mas não é tão simples assim, Top Of The World é divertida e remete aos primeiros discos da banda. Sham Pain, a despeito do trocadilho idiota, tenta recuperar os flertes com o Hip Hop e é bem grudenta. A produção para lá de plástica de Kevin Churko (por Odin, não consigo gostar do som dos discos que esse cara produz) dilui o poder de fogo dos rapazes, mas a capacidade de escrever faixas diretas e grudentas definitivamente ainda está viva, ainda que entre erros e acertos. Blue On Black (uma improvável cover do Kenny Wayne Shepherd) detona e soa como puro Lynyrd Skynyrd moderno, Fire In The Hole tem mais dinâmica do que a média do trabalho anterior e I Refuse tenta (e falha) emular o sucesso das Power Ballads que ajudaram a escalada comercial no passado recente. And Justice For None marca de maneira honesta o encerramento do relacionamento conturbado com a gravadora Prospect Park e o fim da parceria com o baterista Jeremy Spencer, que deixa os colegas por motivos médicos.  Um bom disco de passagem. Resta saber se o próximo passo fará efetivamente aquele que consolidará o FFDP entre os Headliners de festivais no futuro ou se eles ficarão no confortável patamar em que se encontram. 
 

NOTA: 7,26


Gravadora: Prospect Park (importado)
Prós: boas músicas, refrães grudentos
Contras: produção pau mole, fórmula repetida
Classifique como: Metal Moderno
Para Fãs de: Stone Sour, Disturbed


Olha, tem que tocar isso aí, taokey?
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Behemoth – I Loved You At Your Darkest (Cd-2018)

Uma Capirotagem Muito Digna
Por Trevas

A batalha vencida contra um câncer devastador rendeu a Nergal, líder inconteste dos poloneses do Behemoth, munição pesada para produzir The Satanist, um dos grandes discos de metal em qualquer de seus subgêneros nos últimos dez anos. O problema de quando se faz um trabalho cuja repercussão transcende seu restrito nicho de fãs é que o inesperado sucesso torna o passo criativo seguinte uma caminhada arriscada em terreno pantanoso. Nergal chegou até mesmo a questionar se conseguiria efetivamente compor algo que fosse digno de seguir o legado do disco anterior. Quando ILYAYD foi anunciado, ficou clara a curiosidade de todos na cena em relação à direção que o Behemoth tomaria. E, vejam só, eles não repetiram a fórmula. E deu muito certo.


A primeira metade do disco é de uma fúria e concisão impressionantes. Solve é uma introdução assustadora, que traz o peculiar senso distorcido de humor de Nergal unidos a um coral de crianças profanas, tudo para nos lançar na desgraceira que é Wolves Of Siberia. Não contente com isso, o primeiro single, God=Dog, mostra como se produz uma peça diabólica, pesada e ainda assim grudenta, tal como faz a brilhante Ecclesia Diabolica Catholica. Bartzabel é o mais perto que essa horda de poloneses capirotescos se aproximará de uma Power Ballad, bela e poderosa. E o mais legal é que o conteúdo musical novamente é amparado por um cuidado gráfico exemplar, repleto de belas imagens para lá de profanas. É na segunda parte da bolachinha que ILYAYD acaba por se distanciar da quase perfeição de Satanist. Não que o padrão de qualidade despenque, nenhuma das faixas é menos do que boa, mas com a exceção de Sabbath Mater e Havohej Pantocrator (que parece tentar replicar a estonteante O Father, O Satan, O Sun), o material da segunda metade do disco não atinge o patamar de memorável. Ainda assim, temos um disco excelente e único que consegue sobreviver ao árduo teste de suceder um clássico moderno.   

NOTA: 9,00

Gravadora: Nuclear Blast (importado)
Prós: um capítulo único no livro blasfemo de tio Nergal
Contras: a produção é um pouco lamacenta
Classifique como: Black Metal, Death Metal
Para Fãs de: Vader, Sceptic Flesh


Trouxe um presentinho, tia Damares

Notas Baseadas no sistema The Metal Club





quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Curtas: The Darkness, Five Finger Death Punch, Def Leppard, Voodoo Hill

The Darkness, 5FDP, Def Leppard, Voodoo Hill



The Darkness - Last Of Our Kind
The Darkness – Last Of Our Kind (Cd – 2015)

Finalmente honrando a fama

Lutando bravamente para se manter no mainstream, onde fora jogada desde seu surpreendente debut em 2003, The Darkness começa Last Of Our Kind com sua provável melhor música desde sempre, a deliciosa Barbarian (ver o excelente vídeo). Open Fire segue com uma intro que não assustaria num disco do The Cult e um refrão daqueles, pelo qual bandas de Hair Metal dos anos 1980 seriam capazes de matar a própria mãe. A produção excelente e com muito punch deixa até mesmo os polarizadores falsetes do ótimo Justin Hawkins bem na cara, além de que eles não sejam a tônica das músicas aqui. Mas sim, eles se fazem presentes em alguns momentos – como na ótima faixa título e em Mudslide.  Um disco enxuto, com pouco mais de quarenta minutos, Last Of Our Kind tem em sua maior qualidade mesclar suas boas composições oitentistas (tente Sarah O’Sarah e Mighty Wings) com uma sonoridade moderna. Não sei se Last Of Our Kind vai ser capaz de justificar o status de banda Mainstream dos caras, mas sei que é um disco para ser escutado de uma tacada só, sem pular músicas, bem divertido.
                                                                                                                                              
NOTA: 82

Classifique como: Hard Rock
Para fãs de: bandas de Hair Metal em geral

Justin e sua trupe, há época da gravação do disco

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5FDP - Got Your Six
Five Finger Death Punch – Got Your Six (Cd – 2015)

Comida (de Macho) requentada

Um dos Representantes máximos do metal de arena moderno, a banda estadunidense tinha uma missão árdua em superar a surpreendente reação que as duas partes de Wrong Side Of Heaven And The Righteous Side Of Hell receberam da imprensa especializada. Dessa vez o 5FDP escolheu por deixar o som ainda mais direto, apostando no que faz melhor, um Heavy Metal com letras bem Macho-man com riffs contagiantes executados cirurgicamente por guitarras de oito cordas. Algo como um Disturbed mais encorpado. Nada muito elaborado, mas muito bem executado. O primeiro single, Jekyll And Hyde dá bem a pista do todo do material encontrado aqui. Mas o problema é que a banda começa a se repetir bastante, e mesmo boas faixas algo radiofônicas como My Nemesis, Digging My Own Grave e Wash It All Away começam a dar aquela impressão de comida requentada. Ah, e as faixas mais pesadas como No Sudden Movement e Boots And Blood, apesar de competentes, também estão bem atrás de petardos dos discos anteriores. Enfim, um disco apenas correto, o que é pouco para uma banda que almeja atingir o topo do mundo metálico (e que tem apoio de uma grande gravadora para isso).

NOTA: 70

Classifique como: Modern Heavy Metal
Para fãs de: bandas de: Disturbed, Adrenaline Mob

Tio, podemos passar o Reveillon na sua casa? 5FDP 2015

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Def Leppard
Def Leppard – Def Leppard (Cd – 2015)

Muito Marketing, pouca música

Logo na introdução da faixa de abertura Let’s Go, Joe Elliot nos pergunta repetidamente: “Do You really, really Wanna Do This Now?” Deveria ter prestado mais atenção na pergunta. Aceitei o desafio e o que veio aos meus ouvidos, a despeito de todo o Hype que envolveu o lançamento desse novo disco, foi uma versão pasteurizada do Def Leppard em sua fase áurea. Nem todo o marketing do mundo conseguiria salvar músicas como Energized, Last Dance e We Belong, que passariam muito bem como trabalhos de qualquer boy band da moda. Ah, claro que tudo é muito bem feito e se você realmente tentar, há de achar umas quatro ou cinco faixas que não fariam vergonha em meio aos melhores discos dos britânicos. Entre elas colocaria Dangerous, All Time High, Battle Of My Own, Wings Of An Angel e Sea Of Love. Deixando bem claro que nenhuma delas pode ser considerada postulante a novo clássico dos caras. De resto nada substancialmente acima do padrão de qualidade que a banda vem seguindo desde Adrenalize. Enfim, muito pouco para uma banda que já há tempo nos deve um disco realmente bom.

NOTA: 63

Classifique como: Hard Rock/AOR
Para fãs de: Hard bem, mas beeeem açucarado

Tio, podemos passar o Reveillon na sua sauna? Def Leppard 2015

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Voodoo Hill - Waterfall
Voodoo Hill – Waterfall (Cd – 2015)

Batendo na trave

Voodoo Hill é o projeto do guitarrista italiano Dario Mollo (Crossbones, The Cage) em conjunto com Glenn Hughes e Waterfall é o terceiro lançamento da dupla em longos quinze anos. A sonoridade, assim como nos dois discos anteriores, fica num equilíbrio entre o Hard Rock, AOR e pitadas de Classic Rock. Para muitos, o projeto traz um certo alívio por não ter as doses de funk que Mr. Hughes costuma imprimir em seus trabalhos solo. Vocalmente, o approach opta pelo meio termo entre o período mais hard de Glenn e seu trabalho no Black Country Communion. Dario é um bom guitarrista que tem como trunfo o bom gosto nos timbres e composições, não pecando pelo exagero como outros guitarristas talentosos costumam fazer. A produção beira a perfeição e é uma pena que Waterfall sofra com a inconstância do material. A faixa de abertura, All That Remains é bonita e marca uma tendência da banda, as faixas mid tempo costumam se sair muito melhor que as mais diretas e roqueiras. Que bom que as temos em bom número, como a ótima faixa título e Underneath and Down Below (onde Dario evoca inspiração Blackmoriana). Das mais diretas, destaco Evil Thing, Rattle Shake Bone e Eldorado. Não fosse o restante do disco de uma mediocridade algo preguiçosa, estaríamos de frente para um dos grandes lançamentos do estilo nesse ano de 2015.

NOTA: 76

Classifique como: Hard Rock
Para fãs de: Rainbow fase Joe Lynn Turner, Glenn Hughes em sua fase mais Hard Rock.

Dario e Glenn: não, eu não quero saber onde esses caras cortam os cabelos!

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Dobradinhas: 5FDP + Queensrÿche



Dobradinhas: 5FDP + Queensrÿche






Five Finger Death Punch – The Wrong Side Of Heaven And The Righteous Side Of Hell

Macho, Macho (pop) Metal em Duas Viciantes Partes

A New Wave Of American Metal tem sido extremamente prolífica em bandas, todas elas contando com pontos em comum a despeito do subestilo: músicas pesadas, que fazem uma ponte entre modernidade e o passado do metal e com um tino incrível para melodias radiofônicas.
Um dos exemplares que melhor ilustram esses pontos, o Five Finger Death Punch (ou simplesmente 5FDP) estourou para o grande público com uma versão pesada para Bad Company (sim, da banda homônima de Paul Rodgers) e desde então vem angariando tantos fãs quanto detratores, muitos desses últimos geralmente críticos da postura “testosterona ao máximo” que a banda passa. Apesar da postura “Macho Man” e belicista, na verdade o 5FDP é das bandas mais palatáveis para o grande público dessa nova safra, talvez devido à simplicidade de suas músicas.

Só cabra bonito e simpático

A suposta falta de conteúdo da banda fez com que muitos estranhassem quando a mesma anunciou o lançamento de um disco duplo, atitude muito mais comum em se tratando de bandas mais ambiciosas estilisticamente. A produção das duas bolachinhas ficaria ao encargo de Kevin Churco (produtor da safra atual de discos do Ozzy Osbourne) e foram anunciados alguns artistas convidados: Max Cavalera, Rob Halford, Jamey Jasta e Maria Brink.

Volume 1

O primeiro disco, saído em julho desse ano, começa arrasador, com o single Lift Me Up (ver vídeo) contando com ótimo refrão e participação marcante de Rob Halford, como que para mostrar que a valha guarda aprova o trabalho do 5FDP. Watch You Bleed mantém a toada, mostrando que a banda vem se especializando em uma mistura de metal moderno com referências a bandas clássicas e uma veia radiofônica típica do metal americano, sem que isso represente música estéril e sem peso. Tudo isso em faixas que raramente ultrapassam 4 minutos. O peso dá as caras com maior intensidade em números como You, Burn MF, Dot Your Eyes e I.M. Sin, sendo essas últimas dois dos destaques, em especial nas versões bônus da edição limitada.



Mas o 5FDP mostra também ter uma mão bastante boa para Power ballads, diga-se de passagem, fazia tempos que não ouvia boas baladas metálicas como a faixa título, M.I.N.E. (lembrando bastante o lado melódico do Stone Sour) e Anywhere But Here, essa última contando com a discreta participação de Maria Brink (In This Moment) em sua versão original.


As participações especiais trazem um diferencial para a edição limitada do disco. Em Anywhere But Here, Maria Brink aparece em maior destaque na versão bônus. Dot your Eyes melhora ainda mais com a possante participação de Jamey Jasta (Hatebreed), assim como o faz Max Cavalera (inclusive em português) com I.M Sin. Até mesmo a participação do rapper Tech N9ne em Mamma Said Knock You Out (versão para a música do também rapper LL Cool J) ficou legal, lembrando as interações metal/rap da trilha sonora clássica do filme Judgement Night.



A edição limitada também possui um CD ao vivo de bônus, contendo uma apresentação completa da banda, com 17 faixas em ótima qualidade. Portanto, se esbarrar com essa edição, dê preferência, os bônus engrandecem e muito o material.

Volume 2

Volume 2

Lançado poucos meses depois do primeiro volume, o segundo disco veio ao mundo com a ingrata tarefa de igualar o alto nível de seu predecessor. Sem contar dessa vez com nenhuma participação especial, o Volume 2 foi alardeado pela banda em entrevistas se tratar da nata do material composto para a dobradinha. Parecia pura bravata, e é mesmo. Essa segunda parte é legal, mas não chega perto da primeira.

Here To Die, Weight Beneath My Sin e Wrecking Ball tentam quase com sucesso repetir o início radiofônico, porém arrasador do disco anterior. E se eu disse anteriormente que a banda fazia boas Power-ballads, é porque eu ainda não havia escutado essa fantástica Battle Born (ver vídeo). Os caras se tornaram mestres nesse tipo de baladinha metal. Tão previsível quanto viciante, essa música pode ser considerada o destaque absoluto do segundo disco e tocaria nas rádios facilmente tivesse sido lançada ao final dos anos 1980.


Cradle To The Grave mantém o híbrido peso/melodia/radiofonia vivo com méritos. Daí para a frente o disco fica um pouco irregular. A Matter Of Time é apenas correta, The Agony Of Regret não passa de uma curta introdução para Cold, a menos legal das baladas do pacote. Let This Go e My Heart Lied são bons exemplares de Pop Metal e A Day In My Life não traz nada demais. 
Como citado anteriormente, o 5FDP estourou de vez com uma versão metalizada para um clássico do rock. Por isso não deixa de ser curioso que o ponto baixo dos dois discos seja justamente uma tentativa de reproduzir esse sucesso, dessa vez errando feio com uma péssima rendição para House Of The Rising Sun (famosa por sua versão pelo Animals). Essa versão ficou tão ruim que parece coisa dos Mamonas Assassinas. E se nessa segunda parte não temos faixas bônus, por outro lado a edição limitada traz o DVD do show encartado como Cd na edição limitada da primeira parte, o que compensa bastante.


Saldo Final

A estratégia de marketing de mostrar que a banda “tem tanto material de qualidade composto que ficou impossível lançar tudo em um só disco” é manjada e não funciona tão bem atualmente, quando o conceito de disco já não parece fazer tanto sentido para as novas gerações. E via de regra os “discos gêmeos” poderiam funcionar muito melhor caso o material fosse bem escolhido e compilado em um só trabalho, mais forte. É o caso aqui. Se pegassem a primeira parte inteira e fundissem com as 4-5 melhores da segunda parte, teríamos um provável clássico em mãos. Ainda assim, tratam-se de dois bons lançamentos, com ampla vantagem para o Volume 1.

NOTAS
Volume 1: 9

Volume 2: 7,5




Queensrÿche: Queensrÿche x Frequency Unknown



Goleada na Primeira Partida

A história do rock conta com um sem número de aberrações e o capítulo recente da biografia do grupo estadunidense Queensrÿche exemplifica uma delas: o caso da banda que passa a existir em duas versões. A separação traumática do vocalista alemão radicado no Canadá Geoff Tate do restante do grupo foi um fato extensamente explorado pela mídia especializada desde seu acontecimento em junho de 2012 (clique aqui para ver um resumo).

Esses 4 juntos novamente? Só nos tribunais...
De lá para cá transcorre uma disputa legal pela marca, e até que a mesma seja findada, teremos duas versões do Queensrÿche, a do Geoff Tate e a de Michael Wilton, Eddie Jackson e Scott Rockenfield. Cada parte se defende como pode. Tate, autor de 90% do material do Queensrÿche, garante que esse fato por si só lhe garante o direito de seguir com a marca. Já os três outros tem a seu favor o fato de serem membros fundadores da banda, quando essa ainda atendia pelo epíteto The Mob. Além disso, acusam Tate de ter dilapidado a marca ao colocar seus familiares e agregados para tratar dos negócios do grupo, dando-lhe vantagens contratuais indevidas. Enquanto a justiça não dá seu veredicto, os dois Queensrÿches resolveram nos brindar com suas visões musicais do que representa a banda.

E essa visões, para um bom observador, ficam claras desde as escolhas dos nomes para os discos. Tate parece tentar dar prosseguimento ao Queensrÿche dos últimos lançamentos, nomeando o disco com um título, Frequency Unknown, que a princípio em nada faz transparecer toda a polêmica vivida atualmente. Aparentemente, pois na capa do disco, temos as iniciais F.U. em evidência. Simples abreviação ou um sonoro “Fuck You” para seus ex-parceiros?

Enquanto isso, o título homônimo escolhido pela outra versão, dá a clara sensação de retorno às origens. Um Queensrÿche Reboot. E essa sensação torna-se concreta assim que colocamos as duas bolachinhas para rodar. Vou analisar os dois discos por etapas.


Arte Gráfica

Duas artes simples e diretas. Tate nos presenteia com um soco na cara (de seus detratores? De seus ex-companheiros? De Seus Fãs? Não fica claro.) e a famosa logomarca aparece com discrição, sob a forma de um anel.
Na ordem: Queensrÿche, Frequency Unknown

Queensrÿche traz uma imagem simples e direta do logo da banda. Novamente a ideia de um reboot. A edição limitada desse segundo disco, além de três faixas ao vivo (novas rendições de velhos clássicos), traz uma embalagem em formato de caixa, contendo adesivo, patch e palheta.
Enfim, duas artes simples e nada chamativas, um empate técnico nesse quesito.


Pessoal

Tate aparentemente tentou atrair atenção para sua versão da banda ao incluir uma longa lista de convidados especiais em seu Frequency Unknown. Temos aqui, só para exemplificar, gente do naipe de Craig Locicero (Forbidden), KK Downing (ex-Judas Priest), Dave Meniketti (Y&T), Paul Bostaph (Slayer), Simon Wright (Dio e AC/DC), Ty Tabor (King’s X) e Rudy Sarzo (Ozzy, Blue Oyster Cult, Whitesnake, Quiet Riot). Um time de respeito, mas como essas participações soaram no disco, aí é história para mais tarde. A produção ficou ao encargo de Tate e Jason Slater.

Alguns dos culpados por Frequency Unknown
Já o Queensrÿche versão 2 não pareceu se importar muito com nomes. Além dos três membros originais, a banda conta com Parker Lundgren na segunda guitarra. Curiosidade mórbida à La João Cléber: Lundgren fora trazido ao mundo do Queensrÿche incialmente pelo próprio Tate, pois fazia parte de sua banda solo. Posteriormente casaria com uma das filhas do chefe (e se divorciaria pouco depois). Já para o posto de vocalista, foi escolhido o estadunidense Todd La Torre. Baterista de formação, La Torre teve sua primeira experiência como vocalista profissional já tardiamente, aos 35 anos, substituindo o falecido Midnight no Crimson Glory. Todd já vinha trabalhando com os atuais colegas no projeto Rising West e anteriormente em algumas demos de um projeto solo de Wilton.


Queensrÿche, com Todd ao centro.

Para remeter ainda mais ao som clássico da banda, o produtor escolhido foi James “Jimbo” Barton, engenheiro de som (e produtor eventual) da banda nos lançamentos do período Operation MindcrimePromised Land. Há ainda a participação de Pamela Moore (a Sister Mary de Operation Mindcrime) em uma das faixas.

Sonoridade e Músicas






















1. Frequency Unknown

Cold abre o trabalho indicando claramente que Tate não tem intenção alguma de desviar da evolução musical que vem implantando ao Queensrÿche desde á saída de Chris De Garmo. Soa como o Queensrÿche dos últimos discos. E a despeito da opinião negativa que essa afirmação possa trazer, é uma grande faixa e foi corretamente escolhida como primeiro single.


O disco segue com uma sequencia de faixas diretas, modernas e pouco interessantes, mas que poderiam ter um apelo um pouco maior caso não fossem prejudicadas por uma produção ruim, com os instrumentos soando sem brilho ou força, tal como a própria voz de Tate. A culpa foi jogada na mixagem, tendo rapidamente sido lançada uma versão com mixagem diferente, mas que ao que pude ler, não ajudou em muito. O disco soa como uma demo aceitável em se tratando de um artista já estabelecido. E o pior é que essa sonoridade sem vida acabou por tornar dispensável todo o cast unido pelo vocalista.


Tate: os caras me deixaram careca...
Surpreendentemente o material dá uma guinada de qualidade em suas últimas faixas. Life Without You, Everything, Fallen e a épica The Weight Of The World (com belo solo de Chris Poland), em contrapartida ao restante do material parecem querer trazer de volta um pouco que seja do velho Queensrÿche. Melancólicas, melodiosas e com uma veia mais old school, poderiam se encaixar sem muito estranhamento em discos como Empire e Promised Land.


Uma pena que pouco após nos mostrar que existe esperança, Tate faça o favor de jogar lama ao assassinar quatro clássicos da banda em rendições pouquíssimo inspiradas, e com produção pavorosa. I Don’t Believe In Love, Empire, Jet City Woman e Silent lucidity não mereciam isso.





















2. Queensrÿche

A breve introdução X2 parece nos preparar para uma viagem no tempo, remetendo a Rage For Order. E quando Where Dreams Go To Die entra em seus primeiros versos, somos fantasmagoricamente confrontados com o que parece ser o Geoff Tate de outrora. O susto é imenso, tamanha semelhança do timbre e interpretação de La Torre com o que o veterano vocalista fazia na década de 1980. Grande música, apesar do susto.


A produção de Jimbo parece colaborar com o clima vintage que as músicas nos passam, e a qualidade do material surpreende. Spore poderia estar em qualquer disco pré Empire da banda. Na ótima In This Light pode-se perceber que La Torre é mais que um mero macaco de imitação bem treinado, apesar de em alguns momentos ele fazer questão de nos lembrar do fantasma de Tate


Redemption foi a primeira música apresentada ao público e dá para entender o porque: parece uma amalgama de todas as fases do Queensrÿche. Uma boa amalgama, mas nem de longe a melhor música do pacote.


Vindication parece saída diretamente de The Warning, e poderia soar datada, não fosse uma faixa bastante boa. A intro Midnight Lullaby prepara o terreno para a soturna e bela balada A World Without. Don’t Look Back acelera as coisas com guitarras saídas dos anos 1980. Curta, old school e certeira. Fallout foi escolhida como música de trabalho, mas não me parece tão interessante para merecer esse destaque. Muito melhor resultado a banda obteve com a épica Power-ballad Open Road, que encerra os curtos 35 minutos da edição original com maestria. As três faixas ao vivo contidas na edição limitada são Queen Of The Reych, En Force e Prophecy, faixas muito raramente apresentadas nos palcos pela banda na última década. Boas rendições, mas nada que mereça um dinheiro a mais.

Saldo Final

Enquanto Tate não se decide entre modernidade e revival, a outra versão do Queensrÿche nos coloca uma máquina do tempo para nos fazer relembrar o quanto a banda havia sido fantástica. Obviamente de nada essa viagem valeria se as composições não fizessem justiça ao enfoque vintage escolhido. Mas elas o fazem, com louvor. Se formos suficientemente cínicos, o Queensrÿche sem Tate pode ser acusado de vilipendiar o passado, o que fica difícil de defender quando se escuta Todd La Torre imitar descaradamente Geoff Tate em boa parte do material. Mas os méritos tem que ser dados, os caras mergulharam fundo na auto-referência e ainda assim saíram de lá sem parecer uma mera paródia. Já Tate, esse deveria repensar sua carreira e se reinventar, pois independentemente do resultado dos tribunais, trata-se de um dos maiores vocalistas da história do rock e tem capacidade de apresentar algo melhor do que Frequency Unknown.

Em suma, se o resultado dos discos for refletido nos tribunais, dará uma goleada para o Queensrÿche de Wilton, Rockenfield e Jackson.

NOTAS:

Frequency Unknown: 5,5

Queensrÿche: 8,5