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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Magnum – The Serpent Rings (CD-2020)


 

O Veneno da Velha Serpente

Por Trevas

Longa estrada já percorreu esse combo britânico, The Serpent Rings é simplesmente o 21º trabalho de estúdio em uma carreira que remete ao longínquo ano de 1972. O mais impressionante é imaginar que quase metade desses trabalhos foi lançada em anos recentes, mais precisamente após o retorno da banda, após alguns anos de hiato, em 2002. Se essa alma prolifica algo tardia já é incomum, mais incomum ainda é o fato de que, afora os curtos anos de flerte com o Mainstream, entre a segunda metade dos anos 1980 e início dos 1990, a banda nunca foi tão popular. Aproveitando a liberdade artística dos dias atuais e surfando nessa nova onda de popularidade, o mentor, guitarrista e principal compositor do MagnumTony Clarkin - optou por manter essa hercúlea rotina de trabalho e, enquanto falamos desse disco, já foi anunciado que a banda está preparando o próximo, programado para início de 2022.


UOUOUIEIEI...Ovelha e sua trupe, 2020

The Serpent Rings marca a estreia de Dennis Ward (Pink Cream 69, Unisonic, Place Vendome), substituindo o baixista Al Barrow. Mas, para minha surpresa, não é o estadunidense quem assume a produção aqui, e sim o patrão Clarkin. Que escreveu todas as músicas e letras, claro. A bolachinha abre com Where Are You Eden?, um belo exemplar da sonoridade atual da banda. Talvez com a guitarra mais na cara do que no mediano disco anterior. Ah, para quem não conhece o trabalho do Magnum, explicar o estilo dos britânicos não é lá uma tarefa muito fácil. Aura mística, canções baseadas num vocalista que prima muito mais pelas belas melodias e timbres do que pelos gritos e agressividade (o clone do Ovelha, Bob Catley) e uma impressionante capacidade de misturar Hard, Heavy, AOR e Progressivo sem soar forçado – essa é a melhor definição do som do Magnum. E isso tudo está presente aqui.


Seguimos com You Can’t Run faster Than Bullets, e a impressão de um álbum mais guitarrístico se confirma, com sua letra sombria ganhando vida na bela voz de Bob Catley, que se já mostra sinais de esgotamento ao vivo (pudera, são 73 anos bem vividos), ainda cumpre seu papel com maestria em estúdio. Bob, aliás, dá um show na ótima Madman Or Messiah, que tem algo do Uriah Heep atual. Um dos trunfos de Clarkin é sua capacidade de construir pequenos épicos, repletos de luz e sombra, como The Archway Of Tears. A princípio menos impressionante, a faixa de trabalho, Not Forgiven, dá uma guinada em seu refrão. Vale ressaltar que tio Clarkin anda meio cabreiro, as letras são boas e bem encardidas por uma certa descrença e raiva.


A épica e progressiva faixa título é bonita e algo climática, com as orquestrações dando a ela uma aura de filme à lá Senhor dos Anéis. Sabiamente, ela vem seguida pela rocker House Of Kings, que mesmo aparentando maior simplicidade, abre caminho para um interlúdio de piano, um sax encardido e belo solo de guitarra. Uma daquelas coisas que somente a maturidade traz aos grandes compositores. Seja lá que bicho mordeu a banda, o marasmo do disco anterior pouco se faz presente aqui, e até nas faixas que despertam um certo Deja Vu, como Man e The Great Unknow, há momentos interessantes. Um disco inspirado e cheio de nuances só poderia encerrar com uma faixa como Crimson On The White Sand, com Bob tirando um coelho vocalístico da cartola e mostrando que nunca é tarde para aprender novos truques. Mais um belo trabalho do Magnum, que tirou a má impressão deixada pelo disco anterior. Vale uma conferida! (NOTA: 8,90)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Shinigami Records (Nacional)

Prós: clima soturno, músicas bonitas e repletas de dinâmica

Contras: sempre reclamo de discos longos, então...

Classifique como: AOR, Prog Rock

Para Fãs de: Demon, Ten, Avantasia

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Magnum – Live At The Symphony Hall (2 CDs – 2019)



O Feitiço do Mago Cansado
Por Trevas

Praticamente um fóssil vivo, o Magnum é uma banda única na história do rock. Formada na mítica Birmingham, cidade que nos deu Judas Priest e Black Sabbath, em 1972, fazia nos primórdios um som que mesclava Progressivo com Hard Rock (sensu década de 1970). Vestiu lycra nos anos 1982 ao abraçar o AOR. Mas, diga-se, abraçar o AOR de uma maneira única. Longe dos Foreigner e Journey, o som do Magnum mantinha uma aura algo mística. Grosso modo, é como imaginar Saruman e Gandalf fazendo sua visão do que deveria ser o AOR depois de tragar alguma estranha erva em seus cachimbos. Intragável para alguns? Fascinante para outros tantos. O que não impediu a banda de sumir após patinar por um tempo no Mainstream. O retorno veio sem tanto alarde, mas com um som mais maduro e equilibrado. Mantendo uma sucessão de lançamentos em ritmo alucinante e vivendo um improvável segundo ápice em termos de sucesso comercial, normal que o combo britânico solte aqui e acolá um registro ao vivo, como que para ganhar fôlego (e manter o nome no mercado) enquanto prepara um novo trabalho inédito.

Bob, Tony e seus amiguinhos
E cá estamos, com o anacrônico lançamento de Live At The Symphony Hall em mãos. Sim, pois é cada vez mais raro o lançamento de um disco ao vivo que não seja mero efeito colateral do lançamento de um Blu-Ray ou DVD. E o que o novo disco traz de relevante? Bom, é o último a contar com Al Barrow no baixo, que recentemente cedeu lugar a Dennis Ward após 18 anos de batalha junto aos colegas britânicos. E também marca a estreia (em registros ao vivo) de Rick Benton e Lee Morris (Ten, Paradise Lost, Marshall Law), respectivamente nos teclados/voz e bateria. De resto, temos 15 faixas, separadas em dois discos, totalizando quase 100 minutos do tradicionalmente bacana show do Magnum.


O repertório está bem dividido entre números antigos e destaques da bem-sucedida nova fase. Os estreantes fazem bonito, assim como o veterano ‘dono da bola”, o classudo guitarrista Tony Clarkin. O som é cristalino, cru (duvido que existam muitos retoques) e com boa captação da plateia. Infelizmente é justo num dos trunfos do som do Magnum que a bolachinha acaba por pecar. O mago Bob Catley, uma de minhas vozes favoritas em todos os tempos, já viveu dias melhores. Longe de comprometer, sua performance, com uma voz por vezes trêmula, também não faz com que as versões de faixas para lá de comuns nos “ao vivos” anteriores (How Far Jerusalem, The Spirit, Vigilante) soem melhores aqui, mesmo com tons mais baixos para acompanhar a idade do cantor. E, convenhamos, um disco ao vivo cujas versões não fazem frente a suas contrapartes de estúdio ou até mesmo com suas irmãs mais velhas de outros registros ao vivo, não tem muita chance de vingar perante aqueles que não são meros fãs completistas de uma banda.




Mas Live At The Symphony Hall tem lá seus trunfos. Em especial nas recentes Sacred Blood Divine Lies, Show Me Your Hands e na apoteótica Lost On The Road To Eternity, com memorável dueto entre Bob e Tobias Sammet, mentor do Avantasia. Ah, e Don’t Wake The Lion retorna de maneira triunfante ao repertório da banda. Em suma, um disco divertido, mas que definitivamente não se faz obrigatório dentro da extensa oferta de registros ao vivo presentes na discografia do Magnum. (NOTA: 7,00)



Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: boa mistura de clássicos com novos destaques
Contras: Bob está ficando claramente com o gogó gasto
Classifique como: AOR, Hard Rock
Para Fãs de: Avantasia, Meat Loaf, Asia


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Magnum – Lost On The Road To Eternity (2Cds – 2018)

Magnum - Lost On The Road To Eternity

Tudo Como Dantes No Quartel D’Abrantes
Por Trevas

O vigésimo disco de estúdio dos britânicos do Magnum é também aquele que marca a estreia de dois novos membros, o baterista Lee Morris, que ganhou destaque junto ao combo Doom Paradise Lost, no lugar do colaborador de longa data Harry James e, num caso muito mais surpreendente, o tecladista Rick Benton (um requisitado músico de estúdio) para o lugar de Mark Stainway, tecladista que acompanhava a banda desde 1980. Promessa então de que a banda traria novidades em seu som? Veremos.

Os bons velhinhos, Magnum 2018 
A primeira pista de que nada haveria de diferente na bolachinha vem com a arte cheia de auto referências de Rodney Matthews, pule de dez em se tratando de capas do Magnum. Outra pista residiria no fato do guitarrista e dono da pelota Tony Clarkin assinar pela enésima vez a produção e todas as composições. E, realmente, basta uma primeira rodada em músicas como a boa abertura Peaches And Cream e as subsequentes Show Me Your Hands e Storm Baby para ficar claro que a banda optou pelo mais do mesmo. Não que isso signifique exatamente algo ruim, tendo em vista se tratar de uma banda com sonoridade única.



O problema é que se não há nada que desabone a já vasta discografia dos caras, também há muito pouco que se destaque o suficiente para fazer desse novo trabalho algo de especial. A produção é excelente e todos os músicos jogam para o time e fazem bonito, mas Welcome To the Cosmic Cabaret, por exemplo, não tem nada que justifique seus oito minutos de duração. Without Love (ver vídeo), esbarra na breguice oitentista em seus versos irritantes, um mal do qual a banda eventualmente sofre, o que acaba minando um refrão bacana. You Wanna Be Someone é outra que fica aquém da capacidade de Clarkin como compositor, com a cara de outras quinhentas coisas que ele já escreveu.



Mas há também momentos acima da média, a orquestração e presença de Tobias Sammet na faixa título são uma tremenda bola dentro. Aliás, a participação do mentor e voz do Avantasia tem uma significativa importância. Fã incondicional da banda e da voz do tremendão Bob Catley (que canta bem como sempre aqui), Tobi é responsável por ter ressuscitado o interesse no Magnum para uma geração bem mais nova. No mais, Tell Me What You’ve Got To Say e Glory To Ashes se salvam da mediocridade da segunda metade do longo disco.





Veredito da Cripta

Lost On The Road To Eternity é o disco menos interessante dos nove que o Magnum lançou desde seu incansável retorno às atividades em 2002. Sem nada de novo a apresentar, com um andamento que resvala na monotonia e poucas composições capazes de se destacar num eventual repertório de shows futuros, este é um daqueles discos recomendados somente aos aficionados pela banda. Longe de ser ruim, é daqueles trabalhos medianos e facilmente esquecíveis, fadado a catar poeira até na coleção do fã mais ardoroso. Hora de mudar um pouco a fórmula.


NOTA: 6,69



Visite O The Metal Club

Disco Bônus da Edição Nacional

A edição nacional, da Shinigami Records, traz ainda um segundo disco, contendo quatro músicas ao vivo gravadas em 2017. As músicas escolhidas vieram todas do disco de inéditas anterior, o excelente Sacred Blood Divine Lies, e suas versões ao vivo são bem representativas do que o Magnum pode apresentar ao vivo hoje em dia. Muito bacana, só fica aquela pergunta no ar: por que diachos só quatro músicas e pouco mais de vinte minutos num disco bônus? Não dá para entender.


Gravadora: Shinigami Records (nacional).
Pontos positivos: produção cristalina, a grande voz de Bob Catley e a faixa título
Pontos negativos: repertório pouco inspirado e andamento monótono
Para fãs de: Hard Rain, Pretty Maids
Classifique como: Classic Rock, Melodic Rock





quarta-feira, 1 de março de 2017

Os Melhores de 2016 - Pela Cripta do Trevas!

Os Melhores de 2016 pela Cripta do Trevas!
Olá, Guardiões da Cripta

Mais um ano se passou, mais uma lista atrasou, hehehehe

Bem, passei janeiro e fevereiro chafurdando nas listas de sites e pessoas em busca de discos obscuros. Confesso que caso não o tivesse feito, meu Top 20 de 2016 teria ficado bem empobrecido.

E não é por falta de material, não. Foi o primeiro ano em que utilizei ativamente o Spotify, e com ele e o The Metal Club, consegui ter alcance a uma penca de discos quase impossíveis de serem encontrados fisicamente. Devo ter escutado cerca de 200 trabalhos, uns 100 deles resenhados na Cripta.

2016 foi tão bom em lançamentos de rock pesado que minha lista original para essa postagem contava com 30 discos. Abri mão de coisas como os novos do Testament, Kvelertak, Temperance Movement, Claustrofobia, Killswitch Engage, Deftones...mas o fiz para que o texto ficasse menos longo.

Mas ainda assim ficou beeeem longo. Dividirei a postagem em duas partes. Na primeira, farei um apanhado de diversos pontos de 2016. Na segunda parte consta a lista do Top 20.
Comentem, critiquem, desenvolvam vossos vocabulários chulos, só lembrem de deixar minha progenitora fora dessa. Divirtam-se!!!

Saudações metálicas!
Trevas


MELHORES (E PIORES) DE 2016 – Parte I:
Por Trevas


Decepção e Bomba
Decepção e Bomba? Opeth e Metallica cabem aqui? Bom, decepção a gente só tem quando se espera algo de alguma coisa ou alguém. Não é o caso, parei de me importar com o Opeth tem tempo e Metallica nunca me interessou. E, convenhamos, por mais mequetrefes que soem os novos discos, estão longe de poderem ser considerados bombas. Decepção tive quando escutei o novo projeto dos mestres Hank Shermann e Michael Denner. Os caras tiveram a infeliz ideia de contratar para os vocais Sean Peck, o Ripper Owens sem pedigree, que tem tempos infla minha bolsa escrotal com o genérico Cage. Bom, Sean parece ter se empolgado ao fazer um som com os tiozões do Mercyful Fate, nos presenteando com a performance vocal mais irritante desde a estreia de Jim Gillette. Some os maneirismos para lá de Over de nosso amiguinho à um punhado de faixas burras do naipe de Son Of Satan e temos o disco mais decepcionante que escuto em eras. Mas, por pior que seja Masters of Evil, ele em nada se compara a The Astonishing, do Dream Theater. Os nerds estadunidenses encapsulam tudo o que há de pior no Prog Metal, mas dessa vez se superaram: 130 minutos de puro exibicionismo com barulhinhos de robôs e melodias insípidas que contam uma história tão desinteressante e genérica que se trocássemos os robozinhos por dragões, teríamos um disco do Rhapsody. E tome tiruliruli-tirulirulu-pim-pom-tum. O treco é tão absurdamente ruim que a melhor música dentro as 34(!!!!), the Gift Of Music, não serviria nem de lado B de single do Rush atual. Bisonho!

Denner/Shermann + Dream Theater - why, Lord, whyyy??!?!?!

Revelações:

Ok, ok. Podem me xingar. Mas o combo britânico de Classic/Hard Rock que o queridinho do The Voice Nathan James montou promete, e muito. O primeiro disco do Inglorious pode não ter reinventado a roda, mas promete fazer a alegria dos fãs de Rainbow e seus derivados pelos anos que virão. O mesmo pode ser dito dos espanhóis do Lords Of Black. Não os caras não nasceram em 2016, mas a escolha de seu vocalista, Ronnie Romero, para o posto de nova aposta de Blackmore no retorno improvável do Rainbow fez com que os caras ganhassem uma exposição gigantesca. Uma baita banda a ser espiada no futuro! E coloco aqui um supergrupo também – Last In Line. O combo montado por Vivian Campbell e Vinny Appice chutou bundas com seu debut. E para provar que não foi acidente, já anunciaram o lançamento do segundo rebento. Aqui no Brasil, fui surpreendido pelo trio Chronicode, que lançou meio que na surdina seu Shapeshifter, mostrando que Mari Figueiredo é uma das melhores vozes da nova cena brasuca. Com boas músicas guiadas pelas guitarras afiadas de Julia Pombo e Celo Oliveira e uma baita produção, esse projeto é mais uma promessa tupiniquim de alta qualidade! 

Inglorious, Lords Of Black, Last In Line e Chronicode - gratas surpresas!
Capas do Ano!

Ah, tá, ninguém mais compra mídia física. Foda-se! Ninguém liga mais para arte gráfica. FODAAAAAA-SEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!! 

Eu ligo. Engole o choro!

Olha, ainda que o declínio da vendagem das mídias físicas seja uma infeliz realidade, ele não afetou tanto assim a qualidade das artes gráficas dos lançamentos mundo afora não. Muito provavelmente por que as ferramentas hoje são muito mais acessíveis aos artistas de plantão. Escolhi aqui quatro capas que considero das mais belas que vi esse ano. Brotherhood of the Snake, do Testament, pode ter falhado em me conquistar como o fizeram os lançamentos dos caras desde The Gathering. Mas a arte de capa do Israelense Eliran Kantor (Satan, Crowbar, Kreator) ficou excelente, casando bem com as paranoias conspiratórias das letras do disco.

O Tamuya Thrash Tribe explora em suas letras um pouco de nossa história. E também toca em temas para lá de pesados, como o silencioso genocídio de nossos índios. E dificilmente uma arte de capa poderia se mostrar mais concisa e impactante do que a que adornou The Last Of The Guaranis. Um Forte e belo trabalho da artista plástica Isabelle Araujo.

O Metal extremamente técnico e espacial dos estadunidenses do Fallujah geralmente vem adornado por artes de capa belíssimas e etéreas, e em Dreamless não foi diferente: cortesia de Peter Mohrbacher, especialista em ilustrar versões bem diferentes para as entidades que chamamos de “Anjos”.

Os noruegueses do Kvelertak decidiram abandonar as artes de temática pagã do excelente John Baizley (líder do Baroness), mas o renomado ilustrador Arik Roper (que além e artes para outras mídias já pintou coisas para Black Crowes, Sleep e Cathedral) nos presenteou com uma bela ilustração Old School para o Night Traveller (com a corujinha mascote da banda à tiracolo) do título em norueguês.

Testament, TTT, Fallujah e Kvelertak - belos trabalhos de arte gráfica
Shows:
A oferta de shows pelo Brasil em 2016 foi bastante boa. Os preços, nem tanto. Aqui na Cripta vocês puderam ler relatos de alguns convidados ilustres sobre o primeiro Hell In Rio, sobre a primeira turnê do Iron Maiden depois da recuperação de Mr. Bruce Dickinson, além da passagem marcante do Sisters Of Mercy pelo Rio. Pude assistir a uma penca de shows em 2016, vários deles memoráveis (Soilwork, Candlemass, Halestorm, Kamelot, Exciter/Sacred Reich), mas dentre todos, os que mais me marcaram foram os shows de dois combos teutônicos (7x1?):

A) O verdadeiro massacre sonoro que a nova encarnação do Accept propiciou no Imperator, em Abril. Arrisco a dizer que os caras estão melhores hoje do que em seus tempos áureos. Um show de metal sem frescuras, apenas a banda e sua música.

B) Bem diferente da minha escolha seguinte: o apoteótico show do Rammstein encerrando o primeiro Maximus Festival. Um show de tanto poder de fogo musical e visual que é capaz de tornar uma apresentação do Kiss algo mambembe e desinteressante. Simplesmente o melhor espetáculo audiovisual que a cena do rock pesado já criou. Inesquecível.

Pôster do primeiro Maximus
O que esperar de 2017?

Em termos de lançamentos, 2017 começou com tudo! Kreator, Pain Of Salvation e Sepultura já botaram suas garrinhas de fora com dois discaços que em breve ganharão suas resenhas por aqui. Os veteranos prometem muita coisa boa vindo por aí: Judas Priest, Metalmorphose e Deep Purple são alguns dos “velhinhos” que já anunciaram novos trabalhos para esse ano. Ritchie Blackmore já avisou que uma segunda rodada de shows do Rainbow redivivo irá acontecer, deixando um suspense em relação a um novo disco. O Megadeth finalmente conquistou seu primeiro Grammy, ainda que trolado pela produção, que tocou uma música do Metallica no momento do anúncio. E 2017 ainda promete ser o ano em que finalmente o Tool vai largar a preguiça de lado e lançar seu primeiro trabalho em mais de 10 anos. Em relação a shows em nosso território, Amon Amarth, Abbath, Lacuna Coil, Evanescence e Moonspell já tem datas confirmadas. A promessa é de uma agenda ainda mais cheia e repleta de grandes apresentações do que 2016. Enfim, o ano promete!


MELHORES DE 2016 – PARTE II - TOP 20!!!


20. Witherscape - The Northern Sanctuary

20. Witherscape – The Northern Sanctuary
O projeto do criativo sueco Dan Swanö com Ragnar Widerberg  tem um pé na morbidez, mas com nuances Prog e citações a quase todo e qualquer subgênero dentro do Heavy Metal, mas sem perder uma inesperada veia pop.


19. Gus Monsanto - Karma Café
19. Gus Monsanto – Karma Café
O primeiro disco solo de um dos melhores vocalistas da história do rock pesado Brasuca é uma grata surpresa: AOR/Hard recheado sensibilidade e boas ideias. Ah, e com um vocal de primeira!


18. Lords Of Black - II
18. Lords Of Black – II
Vocal de primeira é o que encontramos nessa banda espanhola, que faz uma versão 2016 do som que o Rainbow imprimiu lá nos anos 1970. Não à toa, Ronnie Romero foi escolhido vocalista do...Rainbow!


17. Ihsahn - Arktis
17. Ihsahn – Arktis
O norueguês é especialista em trabalhos que misturam zilhões de influências de tudo o que já foi feito dentro do metal. Só que dessa vez ele conseguiu fazer isso de maneira ainda mais acessível.


16. Blood Ceremony - Lord Of Misrule
16. Blood Ceremory -  Lord Of Misrule
Os canadenses fazem um Occult Rock que bebe tanto de Jethro Tull quanto de Black Sabbath e Coven. Os riffs monolíticos com nuances folk, flautas e a bela voz de Alia O’Brien criam um clima único e sombrio.


15. Vader - The Empire
15. Vader – The Empire
Não há nada de necessariamente novo nos pouco mais de 30 minutos do novo disco dos mestres poloneses do Death Metal. E nem precisa ter novidade quando se faz um disco tão forte e vigoroso quanto esse.


14. Tygers of Pan Tang
14. Tygers Of Pan Tang - Tygers Of Pan Tang
Talvez o disco mais improvável a figurar na minha lista. Os veteranos da NWOBHM  tem mais cacos do que clássicos em sua discografia, então esse ótimo disco homônimo certamente pode figurar entre seus melhores trabalhos.


13. Last In Line
13. Last In Line – Heavy Crown
Vivian Campbell remonta a formação clássica que gravou Holy Diver para honrar a memória do desafeto Ronnie James Dio. Soa falso? Em intenção, sim, mas que puta disco nasceu dessa ideia!


12. Purson - Desire's Magic Theatre
12. Purson – Desire’s Magic Theatre
Rosalie Cunningham, o prodígio britânico que praticamente faz tudo nessa banda com nome de capeta, muda a chave de seu som para algo mais psicodélico e menos sombrio, mas ainda assim excelente.


11. Magnum - Sacred Blood, Divine Lies
11. Magnum – Sacred Blood, Divine Lies
Os veteraníssimos britânicos, responsáveis por uma das sonoridades mais idiossincráticas da história do rock, vivem um raro momento de criatividade tardia. Um dos melhores trabalhos de sua extensa discografia.


10. Trees of Eternity - Hour of the Nightingale
10. Trees Of Eternity – Hour of the Nightingale
A Sul-Africana Aleah Stanbridge pode ter deixado cedo demais esse plano astral. Mas seu legado musical, em parceria com Juha Raivio (do Swallow the Sun), viverá para sempre nesse belo e tristonho disco.


09. Fallujah - Dreamless
09. Fallujah – Dreamless
Robótico, etéreo e extremamente técnico, o som dos estadunidenses é bem próprio. Para nossa sorte também é pesado feito um mamute celestial. Estranho e muito criativo, um baita disco de metal moderno.


08. Metal Church - XI
08. Metal Church – XI
Outra surpresa vinda de um grupo veterano. Mike Howe retornou ao Metal Church e parece que os anos afastado da cena fizeram muito bem ao vocalista uma ótima performance num disco recheado de petardos para deixar a velha guarda de sorriso no rosto.

07. Khemmis - Hunted
07. Khemmis – Hunted
Em Hunted, o Khemmis escreve um verdadeiro compêndio de quase tudo o que se pode fazer dentro do Doom Metal. Épico, pesadíssimo e lento feito uma tartaruga das galápagos com reumatismo.


06. Gojira - Magma
06. Gojira – Magma
Composto em um longo espaço de tempo onde a vida dos irmãos Duplantier foi revirada de pernas para o ar, Magma confirma a capacidade dessa banda francesa de compor discos que não se parecem com nada que já tenha sido feito antes. Pesado, denso e ainda assim cheio de sutilezas.


05. Blues Pills - Lady In Gold
05. Blues Pills – Lady In Gold
O combo multinacional capitaneado pela bela vocalista sueca Elin Larsson já havia apresentado uma imensa gama de influências no som retrô de seu surpreendente debut. Mas no novo disco foram ainda mais longe, mostrando que além de emular com precisão as eras de ouro do Rock, são capazes também de compor belas músicas que grudam na nossa cabeça.


04. Tamuya Thrash Tribe - The Last Of The Guaranis
04. Tamuya Thrash Tribe – The Last Of the Guaranis
Os cariocas nos presentearam com um trabalho extremamente bem pensado, desde o conceito, passando pela arte gráfica, composições e arranjos. Ah, e no meio disso tudo tem peso, um puta peso, diga-se. Um dos melhores trabalhos de estreia de uma banda brasuca em muito tempo.


03. Insomnium - Winter's Gate
03. Insomnium – Winter’s Gate
Puta merda, um trabalho conceitual sobre uma história viking em uma única música dividida em várias partes. Adornado por uma sonoridade que remete ao Melodic Death Metal. Isso pode prestar? Sim, e como!!!!! Um trabalho quase perfeito.


02. Amon Amarth - Jomsviking
02. Amon Amarth – Jomsviking
Eita, mais um trabalho conceitual envolvendo temática nórdica? Virou moda? Obviamente os suecos do Amon Amarth são bem menos sutis que os colegas do Insomnium, mas ainda assim a história simples de Jomsviking é muito bem contada. E musicalmente o disco é o melhor dos brucutus desde o perfeito Twilight Of The Thunder God.



01. Fates Warning - Theories Of Flight
01. Fates Warning – Theories Of Flight
Vejam só que surpresa, um cara que adora desancar o Prog Metal coloca justamente um dos baluartes do estilo no topo de sua lista? Pois é. Mas não estamos falando de qualquer banda, e sim de uma das pioneiras. E de longe a mais madura. E é justamente por isso que o FW não cai nas armadilhas de punhetagem explícita e arrogância intelectualoide que assolaram e minaram o estilo. Não que não existam momentos de proficiência técnica que esbarrem nisso por aqui, mas o que vem primeiro para Jim Matheos, Ray Alder e sua trupe é a música. E Theories Of Flight está repleto de boas canções, excelentes melodias e peso, muito peso. Com dos melhores discos de uma longa carreira, o Fates Warning angariou com sobras o topo de minha lista!