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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Khemmis – Doomed Heavy Metal (EP-2020)



Um Belo CataDOOM

Por Trevas

Uma das bandas mais legais a surgir nos últimos anos, a estadunidense Khemmis veio disco a disco crescendo na cena, ao ponto de atrair a atenção da Nuclear Blast já em seu terceiro Full Length, o ótimo Desolation. Com um som calcado numa mistura das várias facetas que o Doom Metal já teve desde seu surgimento, o quarteto conseguiu angariar fãs tanto da velha guarda quanto da nova safra do subgênero. Doomed Heavy Metal é o primeiro lançamento feito sob a batuta da Nuclear Blast, originalmente planejado para o Record Store Day de 2020, evento que perdeu muito a força diante da pandemia.

Vingança dos NerDOOMs
O EP traz 6 faixas em pouco menos de 40 minutos, duas delas presentes em lançamentos limitados anteriores da banda, somados a uma nova cover e três canções ao vivo. Torci o nariz inicialmente quanto à escolha para o novo cover, para Rainbow In The Dark, simplesmente a música mais manjada da carreira de Ronnie James Dio. Motivada como singela homenagem pelos dez anos da passagem do mestre, imaginei que poderiam ter escolhido outra música menos manjada e que tivesse maior proximidade ao Doom, como tantas outras do repertório do saudoso baixinho. Mas ao contrário do meu desanimado prognóstico, os caras reinventaram a música, trazendo ela para seu estilo, soando mais melancólica e com as dobras de guitarra substituindo a xaropagem tecladística da original. Belíssima versão, que me fez ter prazer de escutar novamente essa canção.



Empty Throne é uma (boa) faixa própria, composta e lançada como um flexi-single, especialmente encartado em uma edição da Decibel Magazine em 2017. Ou seja, um item bem raro, que agora pode alcançar um número maior de fãs. A terceira faixa de estúdio também é um cover, dessa vez para A Conversation With Death. A canção, originalmente conhecida como O’Death e atribuída ao músico/pastor batista Lloyd Chandler, ganhou notoriedade na interpretação de Ralph Stanley para a trilha sonora de “E Aí, Meu Irmão, Cadê Você”, filme de 2000 dos irmãos Coen. Aqui ela vira uma peça épica de Doom Metal com a cara do Khemmis, e só ela já valeria o disco.



Mas tem mais. Para a sessão ao vivo desse EP, a banda escolheu uma música de cada um dos seus discos de estúdio. Bloodleting, Three Gates e The Bereaved. Todas soam muito bem, obrigado, provando que a banda não é boa só em estúdio. Doomed Heavy Metal pode ser nada além de um catadão caça-níqueis, mas é dos bons. Que venha logo um novo disco de estúdio! (NOTA: 8,97)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Nuclear Blast (importado)

Prós: Bela mistura de Doom e Tradicional

Contras: apenas covers ou versões de músicas lançadas anteriormente

Classifique como: Doom Metal

Para Fãs de: Candlemass, Pallbearer


sexta-feira, 1 de março de 2019

Melhores de 2018 Pela Cripta do Trevas




Olá, Criptomaníacos!

Novamente com atraso, chega mais uma lista de melhores do ano.

Faço essa lista desde 2012 e confesso que embora eu sempre me pegue impressionado com a qualidade do material ao final de cada um dos anos, dessa vez me surpreendi demais. 2018 foi o ano em que minha nota de corte para o 20º colocado foi tão alta que quase estendi a lista para 25 ou 30.

Sim, pois o resultado final deixou de fora discos excelentes de gente respeitável, como Unleashed, Imago Mortis (o melhor disco Brasuca de 2018), Metal Church, Burning Witches, Clutch e grande elenco...

Mas lista é assim mesmo, sujeita a falhas, supostas injustiças e muito xingamento gratuito à progenitora do infame “redator” hehehehe

Claro que preparei também uma Playlist no Spotify com uma música de cada disco avaliado por aqui, para quem quiser fazer uma tardia retrospectiva sonora de 2018.

No mais, espero que se divirtam.
Saudações
Trevas


A PLAYLIST


Blu-Ray/DVD

Sim, o outrora promissor mercado de Blu-rays e DVDs, que chegou (ainda que momentaneamente) a servir de válvula de escape para as Gravadoras diante da crescente queda de venda dos Cds, diminuiu estrondosamente. A enxurrada de Home-vídeos do início dos anos 2000 praticamente secou. O bom disso é que as bandas perceberam que precisam colocar algo realmente especial e relevante nesse restrito mercado. Esse ano tivemos alguns bons exemplos, como o documentário/show The Pursuit Of Vikings, do Amon Amarth. Ou Messe Noire, que coloca toda a capirotagem do Behemoth apresentando sua obra máxima ao vivo. Ainda tivemos o ineditismo de ver um show completo do Ayreon saindo do papel no ótimo Ayreon Universe. E a habitualmente confusa mistura orquestra/banda de rock enfim funcionando com Symphonic Terror, do Accept. Mas nada se comparou ao esmero dos lusos do Moonspell com o para lá de abrangente Lisboa Under The Spell: uma megaprodução em três atos divididos entre os clássicos Wolfheart, Irreligious e o então último trabalho, Extinct. Um pacote que ainda conta com ótimos extras e que merece o título de melhor lançamento audiovisual de 2018.



Bomba e Decepção

Sempre bom lembrar a diferença entre bomba e decepção: algo só nos decepciona quando desse algo esperamos bons resultados. Da bomba não necessariamente esperamos nada. E esse ano tivemos algumas decepções que não chegam a ferir os ouvidos: Machine Head perde o pé no confuso Catharsis, Doro entrega um disco duplo bem sem graça, Magnum e Kamelot enfim erram o alvo após anos e anos de bons serviços prestados.  Ah, e Steve Perry faz de seu improvável retorno uma viagem adocicadamente sonolenta. Mas se as decepções não mataram ninguém, não posso falar o mesmo da bomba inconteste de 2018: uma josta triplamente qualificada, um horror Lovecraftiano vomitado das profundezas do mau-gosto chamado The Three Tremors! Roubando a ideia original abandonada nos anos 2000, de unir três grandes vocalistas de Metal (Dio+Halford+Bruce Dickinson), alguém teve a infeliz sacada de fazer uma versão disso, só que comprada no Ali Express: os insuportáveis cacarejadores Sean Peck (Cage, Denner/Shermann) e Tim Owens (Judas Priest e outros 789 projetos de onde é sempre demitido) se juntam ao subestimado Harry Conklin (Jag Panzer) num disco absolutamente impossível de ser ouvido por mais de torturantes dois minutos. Sinceramente, nem latido de poodle soa tão irritante e intragável.

Três decepções e uma aberração
Os 20 Melhores:














20. Saxon – Thunderbolt
A primeira metade dos curtos quarenta minutos de Thunderbolt é tão arrasadora que chega a empalidecer (injustamente) o restante do disco. Mais um ótimo trabalho de uma das bandas mais prolíficas e equilibradas de sua geração.














19. Behemoth – I Loved You At Your Darkest
O sucessor do brilhante The Satanist é de uma fúria e perfeição absurdos. Mais direto e menos inventivo, ILAYD definitivamente não é tão genial quanto seu irmão, mas ainda assim está facilmente entre os melhores discos dos poloneses.
















18. Halestorm – Vicious
O Halestorm estava nos devendo um Cd à altura de seus poderosos shows. Estava. Vicious enfim mostra ao mundo um som encorpado e com produção que faz justiça a natureza rocker e rebelde do quarteto. E Lzzy, essa coloca novamente suas garras de fora e vai galgando espaço aos poucos no panteão das grandes mulheres da história do Rock. Um baita disco.















17. We Sell The Dead – Heaven Doesn't Want You And Hell Is Full
E de onde eu menos esperava saiu um disco simples, único e viciante. Um disco conceitual unindo figuras tão díspares Niclas Engelin (guitarrista do In Flames, Engel e Passenger), Apollo Papathanasio (voz, ex-Firewind, atual Spiritual Beggars), Jonas Slättung (baixo e voz, Drömriket) e Gas Lipstick (bateria, ex-HIM). Difícil dizer se há conteúdo para se levar o We Sell The Dead para além desse álbum de estreia, mas se ficar só nele, a junção dos suecos já terá valido à pena.















16. King Witch - Under The Mountain
Imensamente suja e intensa em seus parcos 43 minutos, Under The Mountain é uma estreia para lá de invejável e promissora desse barulhento quarteto escocês. Recomendadíssimo para qualquer fã de Doom Metal que se preze!














15. Lucifer – Lucifer II
Lucifer II é um demônio completamente diferente daquele conjurado por Sadonis e sua trupe no primeiro trabalho. Menos pesado e solene, mais melodioso e versátil. A única linha que une por completo os dois discos é a da qualidade, que se mantém para lá de alta. Outro excelente trabalho de uma das melhores bandas da atualidade.















14. Powerwolf – The Sacrament Of Sin.
O Power Metal, geralmente um pária aos ouvidos deste escriba aqui, acabou por ganhar um representante na minha lista de melhores discos de 2018. Sacrament Of Sin é o renascimento dos lobisomens teutônicos e provável postulante a melhor trabalho de suas carreiras. Um disco deliciosamente brega e divertido.















13. Rolo Tomassi – Time Will Die And Love Will Bury It
Se você anda a procura de uma banda única, encontrou. Aqui a parada é densa e para lá de complexa, exigindo bastante do ouvinte. Pode não parecer um prato para todos, e realmente não é. Mas para quem curte, ainda que vez ou outras, sons desafiadores, e estiver disposto a embarcar na viagem dos irmãos Spencer, eis um trabalho cuja audição pode se tornar imensamente gratificante.















12. Corrosion Of Conformity – No Cross No Crown
Parece que o longo hiato só fez bem ao casamento Pepper Keenan/COC. No Cross No Crown é um disco que beira a perfeição e que deixará os fãs de Stoner/Southern com lágrimas nos olhos. Figura certa nas listas de melhores do ano, a audição desse novo disco não é somente recomendada, é uma obrigação.














11. Wytch Hazel – II: Sojourn
O segundo Full-length dos britânicos do Wytch Hazel é um deleite aos ouvidos mais afeitos à sonoridade de eras passadas: guitarras dobradas com a cara do Thin Lizzy, melodias simples e grudentas com aquela cadência algo folk de um Jethro Tull e uma cozinha impressionante. Tudo na bolachinha cheira à anos 1970, e se a abertura com Devil Is Here não for o suficiente para te convencer que os caras falam à sério, tente sobreviver ao ataque seguinte, com Save My Life. Impossível, não? Que bom que não são exceções à regra num disco surpreendente e matador.















10. Uriah Heep – Living The Dream
Living The Dream é uma grata surpresa, um disco repleto de criatividade e vigor vindo de uma banda com tantas décadas de estrada nas costas. Talvez seja o sangue novo trazido já a alguns discos por Gillbrook e Rimmer, talvez seja o dedo do produtor. Seja lá o que for, esse ingrediente secreto faz desse Living The Dream um dos melhores discos da história Heepiana pós fase clássica. Excelente!














09. Fifth Angel – The Third Secret
Os estadunidenses acertaram em cheio nesse disco de retorno, atualizando seu Hard & Heavy tipicamente oitentista para a era atual, com uma produção moderna e com punch suficiente para derrubar um mamute. Sinceramente, não me lembro de um comeback tão impactante desde o já clássico Blood Of The Nations do Accept.















08. Earthless – Black Heaven
Black Heaven é o melhor disco de Retro-Rock que escuto desde o fenomenal Hisingen Blues, do Graveyard. E esse não é um elogio tolo. Uma adição obrigatória à coleção e qualquer fã de rock setentista que se preze.














07. Khemmis – Desolation
O terceiro disco em três anos do Khemmis (algo incomum para os dias atuais) é excepcional, como fora seu antecessor. Se em Hunted eles encontraram seu som, aqui eles consolidam o mesmo com muita personalidade, galgando terreno para fora do underground e se tornando também uma de minhas bandas favoritas da atualidade. Fenomenal.


A PARTIR DE AGORA, CONSIDERO TODOS OS DISCOS EMPATADOS 




Satan – Cruel Magic
Quantas bandas conseguem depois de um hiato tão longo replicar a magia de seus primórdios em uma trinca de discos tão forte? Um fenômeno raro, mas aqui o Satan ainda foi mais longe, buscando toques de progressivo e de timbres setentistas para produzir algo ainda mais raro: um disco único. Nada soa como esse Cruel Magic.


Primordial – Exile Amongst The Ruins
A crise de meia idade fez um imenso bem aos Irlandeses. Diante da necessidade de se reinventar, o Primordial conseguiu criar uma obra densa e difícil de ser rotulada. Um trabalho daqueles que acabam por proporcionar uma atmosfera absolutamente imersiva, um louvável e incomum resultado. Um dos melhores discos de 2018 e forte concorrente a disco de cabeceira deste escriba aqui.


Ghost – Prequelle
Pouco após o lançamento do medíocre Infestissumam, cravei que seja lá qual magia o Ghost tivesse, ela havia sido efêmera, concentrada apenas no espetacular álbum de estreia e se esvaído rapidamente a partir dali. Como de costume, uma previsão estúpida. Prequelle é ainda mais espetacular que Opus Eponymous, justamente por conseguir reinventar a banda em um cenário quase Pop Rock, sem abandonar os elementos de Heavy Metal, Progressivo e Classic Rock explorados até então. Um álbum perfeito, daqueles raros, sobre o qual falaremos daqui a 20 anos, com melodias tão simples e grudentas que ficamos estarrecidos por ainda não terem sido inventadas antes.



Orange Goblin - The Wolf Bites Back
Bom, se os ingleses queriam realmente provar ao mundo seu valor com seu 9º disco, conseguiram. The Wolf Bites Back é ao mesmo tempo o disco mais visceral, versátil e inspirado da carreira dos caras. Um petardo de um Heavy Metal feio, ogroide e delicioso que veio direto para o topo de minha lista de melhores de 2018.



Amorphis – Queen Of Time
Uma das bandas mais originais de sua geração, o Amorphis finalmente encontrou um novo sopro de vida nos últimos dois discos. Queen Of Time é realmente bombástico e ambicioso, como seus membros haviam prometido. Mas está muito longe e sucumbir ao exagero e pompa de alguns artistas que resolvem incorporar elementos alienígenas em profusão ao seu som. Pesado, solene e sofisticado, Queen Of Time não é só um dos melhores discos de 2018. Aos poucos está também se tornando um forte postulante a um dos meus discos favoritos em todos os tempos.


Judas Priest – Firepower
O Heavy Metal em sua vertente mais tradicional parecia esquecido no tempo, as velhas bandas do estilo vivendo de raros lampejos (com exceções...ok, Accept e Saxon?), e as novas se limitando a copiar de forma pálida e diluída o que já fora feito melhor no passado. Aí vem um dos titãs do estilo e lança, aos mais de 40 anos de estrada, uma obra que não só se contenta em não fazer feio frente ao passado, como também é capaz de rivalizar com os melhores momentos de sua vitoriosa carreira. Firepower não é só o melhor disco do Judas Priest em décadas. É também o melhor disco de Metal Tradicional que escutei nos últimos cinco anos (talvez mais). Se esse realmente for o canto de cisne de uma das maiores bandas em todos os tempos, será uma saída triunfal de cena. Forte candidato a futuro clássico.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Khemmis – Desolation (Cd-2018)

Khemmis - Desolation

Os Novos Reis Magos do Doom
Por Trevas

Três discos em três anos. Realmente os estadunidenses do Khemmis não estão para brincadeira. Novamente contando com bela arte gráfica de Sam Turner e a produção límpida e cheia de punch de Dave Otero, Desolation abre com a ótima Bloodletting e aquele mix de metal tradicional e Doom que tanto fez a alegria dos fãs nos trabalhos anteriores.


A impressão de que o quarteto optou por mais melodia (e menos sujeira) fica explícita na estonteante Isolation, com toneladas de dobras de guitarra e um ótimo refrão. Os vocais, outrora divididos entre os guitarristas Phil e Ben (não fica claro qual canta limpo e qual canta urrado), hoje ficam bem mais restritos aos cantos limpos, os urros fazendo meras aparições aqui e acolá.



O novo trabalho também mostra um poder de concisão maior, com faixas menores ainda que todas soem como pequenos épicos, cada uma à sua maneira. Não me entenda mal, os números longos ainda estão ali, como Flesh To Nothing, que coroa sua beleza sombria com um refrão bem melancólico.


The Seer é bela e conta até com uma bem encaixada viola. Maw Of Time está um pouco abaixo de suas irmãs, mas traz uma pitada maior de peso e vocais urrados (nos moldes do primeiro disco) e tem duelos guitarrísticos de fazer feliz qualquer fã da NWOBHM. O disco encerra seus parcos 41 minutos com uma belezura imponente chamada From Ruin, que só não chamaria de Funeral Doom por apostar em um peso bem limpo.

Um quarteto fantástico?
Veredito da Cripta

O terceiro disco em três anos do Khemmis (algo incomum para os dias atuais) é excepcional, como fora seu antecessor. Se em Hunted eles encontraram seu som, aqui eles consolidam o mesmo com muita personalidade, galgando terreno para fora do underground e se tornando também uma de minhas bandas favoritas da atualidade. Fenomenal.


NOTA: 9,64

Visite o The Metal Club
Gravadora: Nuclear Blast (importado)
Prós: Bela mistura de Doom e Tradicional
Contras: Senti falta de alguma sujeirinha a mais de início
Classifique como: Doom Metal
Para Fãs de: Candlemass, Pallbearer



quarta-feira, 1 de março de 2017

Os Melhores de 2016 - Pela Cripta do Trevas!

Os Melhores de 2016 pela Cripta do Trevas!
Olá, Guardiões da Cripta

Mais um ano se passou, mais uma lista atrasou, hehehehe

Bem, passei janeiro e fevereiro chafurdando nas listas de sites e pessoas em busca de discos obscuros. Confesso que caso não o tivesse feito, meu Top 20 de 2016 teria ficado bem empobrecido.

E não é por falta de material, não. Foi o primeiro ano em que utilizei ativamente o Spotify, e com ele e o The Metal Club, consegui ter alcance a uma penca de discos quase impossíveis de serem encontrados fisicamente. Devo ter escutado cerca de 200 trabalhos, uns 100 deles resenhados na Cripta.

2016 foi tão bom em lançamentos de rock pesado que minha lista original para essa postagem contava com 30 discos. Abri mão de coisas como os novos do Testament, Kvelertak, Temperance Movement, Claustrofobia, Killswitch Engage, Deftones...mas o fiz para que o texto ficasse menos longo.

Mas ainda assim ficou beeeem longo. Dividirei a postagem em duas partes. Na primeira, farei um apanhado de diversos pontos de 2016. Na segunda parte consta a lista do Top 20.
Comentem, critiquem, desenvolvam vossos vocabulários chulos, só lembrem de deixar minha progenitora fora dessa. Divirtam-se!!!

Saudações metálicas!
Trevas


MELHORES (E PIORES) DE 2016 – Parte I:
Por Trevas


Decepção e Bomba
Decepção e Bomba? Opeth e Metallica cabem aqui? Bom, decepção a gente só tem quando se espera algo de alguma coisa ou alguém. Não é o caso, parei de me importar com o Opeth tem tempo e Metallica nunca me interessou. E, convenhamos, por mais mequetrefes que soem os novos discos, estão longe de poderem ser considerados bombas. Decepção tive quando escutei o novo projeto dos mestres Hank Shermann e Michael Denner. Os caras tiveram a infeliz ideia de contratar para os vocais Sean Peck, o Ripper Owens sem pedigree, que tem tempos infla minha bolsa escrotal com o genérico Cage. Bom, Sean parece ter se empolgado ao fazer um som com os tiozões do Mercyful Fate, nos presenteando com a performance vocal mais irritante desde a estreia de Jim Gillette. Some os maneirismos para lá de Over de nosso amiguinho à um punhado de faixas burras do naipe de Son Of Satan e temos o disco mais decepcionante que escuto em eras. Mas, por pior que seja Masters of Evil, ele em nada se compara a The Astonishing, do Dream Theater. Os nerds estadunidenses encapsulam tudo o que há de pior no Prog Metal, mas dessa vez se superaram: 130 minutos de puro exibicionismo com barulhinhos de robôs e melodias insípidas que contam uma história tão desinteressante e genérica que se trocássemos os robozinhos por dragões, teríamos um disco do Rhapsody. E tome tiruliruli-tirulirulu-pim-pom-tum. O treco é tão absurdamente ruim que a melhor música dentro as 34(!!!!), the Gift Of Music, não serviria nem de lado B de single do Rush atual. Bisonho!

Denner/Shermann + Dream Theater - why, Lord, whyyy??!?!?!

Revelações:

Ok, ok. Podem me xingar. Mas o combo britânico de Classic/Hard Rock que o queridinho do The Voice Nathan James montou promete, e muito. O primeiro disco do Inglorious pode não ter reinventado a roda, mas promete fazer a alegria dos fãs de Rainbow e seus derivados pelos anos que virão. O mesmo pode ser dito dos espanhóis do Lords Of Black. Não os caras não nasceram em 2016, mas a escolha de seu vocalista, Ronnie Romero, para o posto de nova aposta de Blackmore no retorno improvável do Rainbow fez com que os caras ganhassem uma exposição gigantesca. Uma baita banda a ser espiada no futuro! E coloco aqui um supergrupo também – Last In Line. O combo montado por Vivian Campbell e Vinny Appice chutou bundas com seu debut. E para provar que não foi acidente, já anunciaram o lançamento do segundo rebento. Aqui no Brasil, fui surpreendido pelo trio Chronicode, que lançou meio que na surdina seu Shapeshifter, mostrando que Mari Figueiredo é uma das melhores vozes da nova cena brasuca. Com boas músicas guiadas pelas guitarras afiadas de Julia Pombo e Celo Oliveira e uma baita produção, esse projeto é mais uma promessa tupiniquim de alta qualidade! 

Inglorious, Lords Of Black, Last In Line e Chronicode - gratas surpresas!
Capas do Ano!

Ah, tá, ninguém mais compra mídia física. Foda-se! Ninguém liga mais para arte gráfica. FODAAAAAA-SEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!! 

Eu ligo. Engole o choro!

Olha, ainda que o declínio da vendagem das mídias físicas seja uma infeliz realidade, ele não afetou tanto assim a qualidade das artes gráficas dos lançamentos mundo afora não. Muito provavelmente por que as ferramentas hoje são muito mais acessíveis aos artistas de plantão. Escolhi aqui quatro capas que considero das mais belas que vi esse ano. Brotherhood of the Snake, do Testament, pode ter falhado em me conquistar como o fizeram os lançamentos dos caras desde The Gathering. Mas a arte de capa do Israelense Eliran Kantor (Satan, Crowbar, Kreator) ficou excelente, casando bem com as paranoias conspiratórias das letras do disco.

O Tamuya Thrash Tribe explora em suas letras um pouco de nossa história. E também toca em temas para lá de pesados, como o silencioso genocídio de nossos índios. E dificilmente uma arte de capa poderia se mostrar mais concisa e impactante do que a que adornou The Last Of The Guaranis. Um Forte e belo trabalho da artista plástica Isabelle Araujo.

O Metal extremamente técnico e espacial dos estadunidenses do Fallujah geralmente vem adornado por artes de capa belíssimas e etéreas, e em Dreamless não foi diferente: cortesia de Peter Mohrbacher, especialista em ilustrar versões bem diferentes para as entidades que chamamos de “Anjos”.

Os noruegueses do Kvelertak decidiram abandonar as artes de temática pagã do excelente John Baizley (líder do Baroness), mas o renomado ilustrador Arik Roper (que além e artes para outras mídias já pintou coisas para Black Crowes, Sleep e Cathedral) nos presenteou com uma bela ilustração Old School para o Night Traveller (com a corujinha mascote da banda à tiracolo) do título em norueguês.

Testament, TTT, Fallujah e Kvelertak - belos trabalhos de arte gráfica
Shows:
A oferta de shows pelo Brasil em 2016 foi bastante boa. Os preços, nem tanto. Aqui na Cripta vocês puderam ler relatos de alguns convidados ilustres sobre o primeiro Hell In Rio, sobre a primeira turnê do Iron Maiden depois da recuperação de Mr. Bruce Dickinson, além da passagem marcante do Sisters Of Mercy pelo Rio. Pude assistir a uma penca de shows em 2016, vários deles memoráveis (Soilwork, Candlemass, Halestorm, Kamelot, Exciter/Sacred Reich), mas dentre todos, os que mais me marcaram foram os shows de dois combos teutônicos (7x1?):

A) O verdadeiro massacre sonoro que a nova encarnação do Accept propiciou no Imperator, em Abril. Arrisco a dizer que os caras estão melhores hoje do que em seus tempos áureos. Um show de metal sem frescuras, apenas a banda e sua música.

B) Bem diferente da minha escolha seguinte: o apoteótico show do Rammstein encerrando o primeiro Maximus Festival. Um show de tanto poder de fogo musical e visual que é capaz de tornar uma apresentação do Kiss algo mambembe e desinteressante. Simplesmente o melhor espetáculo audiovisual que a cena do rock pesado já criou. Inesquecível.

Pôster do primeiro Maximus
O que esperar de 2017?

Em termos de lançamentos, 2017 começou com tudo! Kreator, Pain Of Salvation e Sepultura já botaram suas garrinhas de fora com dois discaços que em breve ganharão suas resenhas por aqui. Os veteranos prometem muita coisa boa vindo por aí: Judas Priest, Metalmorphose e Deep Purple são alguns dos “velhinhos” que já anunciaram novos trabalhos para esse ano. Ritchie Blackmore já avisou que uma segunda rodada de shows do Rainbow redivivo irá acontecer, deixando um suspense em relação a um novo disco. O Megadeth finalmente conquistou seu primeiro Grammy, ainda que trolado pela produção, que tocou uma música do Metallica no momento do anúncio. E 2017 ainda promete ser o ano em que finalmente o Tool vai largar a preguiça de lado e lançar seu primeiro trabalho em mais de 10 anos. Em relação a shows em nosso território, Amon Amarth, Abbath, Lacuna Coil, Evanescence e Moonspell já tem datas confirmadas. A promessa é de uma agenda ainda mais cheia e repleta de grandes apresentações do que 2016. Enfim, o ano promete!


MELHORES DE 2016 – PARTE II - TOP 20!!!


20. Witherscape - The Northern Sanctuary

20. Witherscape – The Northern Sanctuary
O projeto do criativo sueco Dan Swanö com Ragnar Widerberg  tem um pé na morbidez, mas com nuances Prog e citações a quase todo e qualquer subgênero dentro do Heavy Metal, mas sem perder uma inesperada veia pop.


19. Gus Monsanto - Karma Café
19. Gus Monsanto – Karma Café
O primeiro disco solo de um dos melhores vocalistas da história do rock pesado Brasuca é uma grata surpresa: AOR/Hard recheado sensibilidade e boas ideias. Ah, e com um vocal de primeira!


18. Lords Of Black - II
18. Lords Of Black – II
Vocal de primeira é o que encontramos nessa banda espanhola, que faz uma versão 2016 do som que o Rainbow imprimiu lá nos anos 1970. Não à toa, Ronnie Romero foi escolhido vocalista do...Rainbow!


17. Ihsahn - Arktis
17. Ihsahn – Arktis
O norueguês é especialista em trabalhos que misturam zilhões de influências de tudo o que já foi feito dentro do metal. Só que dessa vez ele conseguiu fazer isso de maneira ainda mais acessível.


16. Blood Ceremony - Lord Of Misrule
16. Blood Ceremory -  Lord Of Misrule
Os canadenses fazem um Occult Rock que bebe tanto de Jethro Tull quanto de Black Sabbath e Coven. Os riffs monolíticos com nuances folk, flautas e a bela voz de Alia O’Brien criam um clima único e sombrio.


15. Vader - The Empire
15. Vader – The Empire
Não há nada de necessariamente novo nos pouco mais de 30 minutos do novo disco dos mestres poloneses do Death Metal. E nem precisa ter novidade quando se faz um disco tão forte e vigoroso quanto esse.


14. Tygers of Pan Tang
14. Tygers Of Pan Tang - Tygers Of Pan Tang
Talvez o disco mais improvável a figurar na minha lista. Os veteranos da NWOBHM  tem mais cacos do que clássicos em sua discografia, então esse ótimo disco homônimo certamente pode figurar entre seus melhores trabalhos.


13. Last In Line
13. Last In Line – Heavy Crown
Vivian Campbell remonta a formação clássica que gravou Holy Diver para honrar a memória do desafeto Ronnie James Dio. Soa falso? Em intenção, sim, mas que puta disco nasceu dessa ideia!


12. Purson - Desire's Magic Theatre
12. Purson – Desire’s Magic Theatre
Rosalie Cunningham, o prodígio britânico que praticamente faz tudo nessa banda com nome de capeta, muda a chave de seu som para algo mais psicodélico e menos sombrio, mas ainda assim excelente.


11. Magnum - Sacred Blood, Divine Lies
11. Magnum – Sacred Blood, Divine Lies
Os veteraníssimos britânicos, responsáveis por uma das sonoridades mais idiossincráticas da história do rock, vivem um raro momento de criatividade tardia. Um dos melhores trabalhos de sua extensa discografia.


10. Trees of Eternity - Hour of the Nightingale
10. Trees Of Eternity – Hour of the Nightingale
A Sul-Africana Aleah Stanbridge pode ter deixado cedo demais esse plano astral. Mas seu legado musical, em parceria com Juha Raivio (do Swallow the Sun), viverá para sempre nesse belo e tristonho disco.


09. Fallujah - Dreamless
09. Fallujah – Dreamless
Robótico, etéreo e extremamente técnico, o som dos estadunidenses é bem próprio. Para nossa sorte também é pesado feito um mamute celestial. Estranho e muito criativo, um baita disco de metal moderno.


08. Metal Church - XI
08. Metal Church – XI
Outra surpresa vinda de um grupo veterano. Mike Howe retornou ao Metal Church e parece que os anos afastado da cena fizeram muito bem ao vocalista uma ótima performance num disco recheado de petardos para deixar a velha guarda de sorriso no rosto.

07. Khemmis - Hunted
07. Khemmis – Hunted
Em Hunted, o Khemmis escreve um verdadeiro compêndio de quase tudo o que se pode fazer dentro do Doom Metal. Épico, pesadíssimo e lento feito uma tartaruga das galápagos com reumatismo.


06. Gojira - Magma
06. Gojira – Magma
Composto em um longo espaço de tempo onde a vida dos irmãos Duplantier foi revirada de pernas para o ar, Magma confirma a capacidade dessa banda francesa de compor discos que não se parecem com nada que já tenha sido feito antes. Pesado, denso e ainda assim cheio de sutilezas.


05. Blues Pills - Lady In Gold
05. Blues Pills – Lady In Gold
O combo multinacional capitaneado pela bela vocalista sueca Elin Larsson já havia apresentado uma imensa gama de influências no som retrô de seu surpreendente debut. Mas no novo disco foram ainda mais longe, mostrando que além de emular com precisão as eras de ouro do Rock, são capazes também de compor belas músicas que grudam na nossa cabeça.


04. Tamuya Thrash Tribe - The Last Of The Guaranis
04. Tamuya Thrash Tribe – The Last Of the Guaranis
Os cariocas nos presentearam com um trabalho extremamente bem pensado, desde o conceito, passando pela arte gráfica, composições e arranjos. Ah, e no meio disso tudo tem peso, um puta peso, diga-se. Um dos melhores trabalhos de estreia de uma banda brasuca em muito tempo.


03. Insomnium - Winter's Gate
03. Insomnium – Winter’s Gate
Puta merda, um trabalho conceitual sobre uma história viking em uma única música dividida em várias partes. Adornado por uma sonoridade que remete ao Melodic Death Metal. Isso pode prestar? Sim, e como!!!!! Um trabalho quase perfeito.


02. Amon Amarth - Jomsviking
02. Amon Amarth – Jomsviking
Eita, mais um trabalho conceitual envolvendo temática nórdica? Virou moda? Obviamente os suecos do Amon Amarth são bem menos sutis que os colegas do Insomnium, mas ainda assim a história simples de Jomsviking é muito bem contada. E musicalmente o disco é o melhor dos brucutus desde o perfeito Twilight Of The Thunder God.



01. Fates Warning - Theories Of Flight
01. Fates Warning – Theories Of Flight
Vejam só que surpresa, um cara que adora desancar o Prog Metal coloca justamente um dos baluartes do estilo no topo de sua lista? Pois é. Mas não estamos falando de qualquer banda, e sim de uma das pioneiras. E de longe a mais madura. E é justamente por isso que o FW não cai nas armadilhas de punhetagem explícita e arrogância intelectualoide que assolaram e minaram o estilo. Não que não existam momentos de proficiência técnica que esbarrem nisso por aqui, mas o que vem primeiro para Jim Matheos, Ray Alder e sua trupe é a música. E Theories Of Flight está repleto de boas canções, excelentes melodias e peso, muito peso. Com dos melhores discos de uma longa carreira, o Fates Warning angariou com sobras o topo de minha lista!