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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Lacuna Coil – Black Anima (CD-2019)



De Alma Negra Lavada
Por Trevas

Difícil acreditar, mas os italianos do Lacuna Coil já estão comemorando 20 anos desde o lançamento de In A Reverie. Outra das bandas a explorar um território bem mais moderno após figurar entre as trocentas promessas do Gothic Metal no fim dos anos 1990, transição que operou com surpreendente sucesso, mas não sem dividir opiniões entre os fãs, chegam enfim ao seu 9º trabalho de estúdio em um recente espiral crescente de peso. O disco, novamente conceitual, traz o trio principal de fundadores Andrea Ferro (voz), Cristina Scabbia (voz) e Marco Coti-Zelati (baixo e teclados) agora amparados por Diego Cavalotti (guitarra) e Richard Meiz (bateria). A produção ficou ao encargo de Marco, e a temática parece lidar com a dualidade luz/sombra que permeia nossa existência. Na verdade, não muito diferente do mergulho na loucura contido em Delirium, apenas um pouco mais abstrato.

Cris e suas assombrações de estimação
Anima Nera é uma introdução climática, onde Scabbia soa como uma versão sombria da Lady Gaga, preparando o terreno para a pesadíssima Sword Of Anger. Chama a atenção a versatilidade nas vozes da banda: Scabbia cada vez migrando para uma pegada entre o Pop e o Rock e Andrea crescendo consideravelmente de produção, o cara está melhor que nunca, em especial nos guturais. Esse casamento funciona às mil maravilhas aqui, como podemos comprovar na acachapante faixa de trabalho, Reckless.


Primeira das músicas do novo trabalho a ser apresentada, e postulante a clássico imediato, Layers Of Time é das coisas mais pesadas que o Lacuna Coil já fez. Possivelmente o ouvinte casual só vai conseguir identificar a banda no refrão, quando Cristina deposita pitadas de doçura numa trauletada de fazer inveja a muita banda Troozona por aí. Apocalypse baixa um pouco a poeira, mas sem baixar a qualidade.



Now Or Never sobe o tom novamente, pesada e com um riff cortante. Nunca os italianos soaram tão raivosos, em alguns momentos temos a impressão de estar ouvindo os discos mais recentes do Paradise Lost, uma das maiores influências da banda, diga-se. Under The Surface parece querer resgatar um pouco o espírito do Lacuna Coil dos primeiros discos, mas com a nova roupagem, e funciona bem. Outra novidade é o resgate dos solos de guitarra, sempre curtos, mas bonitos, e presentes em maior número que o usual. Veneficium é um espetáculo à parte, unindo o peso atual a um então inédito viés sinfônico. A melhor faixa do disco e uma das mais impressionantes da carreira do quinteto.


Chegamos à reta final do disco e fica claro que o mesmo perde um pouco de fôlego, as três últimas canções soando bem mais calmas que o restante do material. Mas até nisso o Lacuna Coil acerta dessa vez, o trabalho não se estende por tempo demais (como em alguns CDs deles no passado) e quando a faixa título termina, ficamos com a certeza de estar diante do disco mais forte da carreira dos italianos. Surpreendente. (NOTA:  9,27)

Visite O The Metal Club

Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: ainda mais pesado que Delirium, possivelmente o disco mais inspirado da carreira
Contras: apenas continua não recomendável a quem não curte metal moderno
Classifique como: Modern Metal, Gothic Metal, Metal Industrial
Para Fãs de: Paradise Lost, Disturbed 


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Curtas: Gary Moore, Lacuna Coil, Deftones, Sunstorm

Gary Moore, Lacuna Coil, Deftones, Sunstorm

Curtas: Gary Moore, Lacuna Coil, Deftones, Sunstorm

Gary Moore - Live At Bush Hall 2007 (Cd-2016)
Gary Moore – Live at Bush Hall 2007 (Cd-2016)

O Baú do Tio Moore

Lançado originalmente lá fora em 2014 numa edição que logo saiu de catálogo, esse é o relançamento brasuca de mais um ao vivo do cara de Morcego. Gravado às vésperas do lançamento de Close as You Get, disco de 2007, temos aqui o registro de um show bem diferente. Primeiramente, o show fez parte de uma promoção de uma rádio britânica, e os 400 felizardos presentes no evento compõe o hall de vencedores dessa promoção. E outro fator que fez desse show único é que seu set está calcado majoritariamente no repertório do disco novo. Que bacana que Close As You Get é muito bom, como vemos nas ótimas If The Devil Made Whiskey, Eyesight to the Blind, I Had a Dream, Trouble at Home e na versão para Thirty Days de Chuck Berry. Claro que estamos falando de um Gary em sua fase Blueseira, mas os fãs de seu lado mais hard tem uma ótima versão de Don’t Believe a Word, clássico do Thin Lizzy, para se divertir um pouco. De resto, um disco muito bem gravado, com ótima performance vocal e guitarrística do irlandês. O único senão fica por conta da participação do público, bastante tímida, obviamente por conta do número de espectadores e pelo clima intimista do show. Um grande lançamento que nos deixa esperançosos de que o baú do tio Moore ainda esteja repleto de belezuras ao vivo.

NOTA: 8,50

Pontos positivos: ótimas rendições para as músicas de Close as you get e alguns clássicos
Pontos negativos: plateia bem no fundo na mixagem.
Para fãs de: Joe Bonamassa, Rory Gallagher
Classifique como: Blues Rock


O saudoso cara de morcego, debulhando sua guitarra
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Lacuna Coil - Delirium (Cd-2016)
Lacuna Coil – Delirium (Cd-2016)

Bendita Loucura

O oitavo disco de estúdio dos italianos foi elaborado em situação extremamente incomum. O baixista Marco Coti Zelati ficou boa parte da turnê de divulgação de Broken Crown Halo no estaleiro, utilizando esse período de férias forçadas para exercitar seus talentos como compositor. Em paralelo, os italianos sofreram com uma espécie de demissão coletiva, com os membros de longa data Cristiano "Criz" Mozzati, Cristiano "Pizza” e Marco "Maus" Biazzi abandonando o barco no período de um ano. Tempos sombrios, temática sombria. Os vocalistas Cristina Scabbia e Andrea Ferro resolveram aproveitar o surto criativo de Zelati, e escolheram como tema central do novo trabalho explorar os recônditos mais sombrios da mente humana. Loucura, depressão e os horrores dos tratamentos psiquiátricos e suas instituições num passado não muito distante figuram nas letras de Delirium.


A temática trevosa acabou por gerar o disco mais pesado e sombrio da banda. Andrea Ferro tem aqui sua melhor e mais brutal performance até hoje (lembrando em algumas partes o Burton C Bell) e faixas como The House of Shame e as viciantes My Demons, Ghost in the Mist, Broken Things e Take Me Home bebem em iguais proporções das fontes do Metalcore, Groove Metal e Gothic Metal. Cris Scabbia também mudou em parte sua maneira de cantar, como fica evidente nos agudos estratosféricos da excelente faixa título. As guitarras são um caso à parte. Enquanto Zeloti gravou praticamente todas as bases, os solos ficaram ao encargo de músicos convidados, que trouxeram solos mais trabalhados do que o habitual. Entre os convidados, a surpresa fica por conta de Myles Kennedy, no belo solo da boa balada Downfall. Enfim, Delirium não é um retorno às origens, como foi vendido em declarações para a imprensa. O disco é ainda mais sombrio e pesado que os trabalhos mais antigos da banda, mas bastante moderno e bem mais sofisticado. Eis que da escuridão absoluta e da loucura surge o provável melhor trabalho do Lacuna Coil. Muito bom!

NOTA: 8,71

Pontos positivos: disco mais sombrio da banda, com a melhor performance vocal de Andrea Ferro até hoje
Pontos negativos: sua produção algo saturada pode causar cansaço.
Para fãs de: Paradise Lost, Delain, Within Temptation
Classifique como: Gothic Metal, Metal Moderno

Cris quer saber se você já tomou seu remedinho hoje
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Deftones - Gore (Cd-2016)
Deftones – Gore (Cd-2016)

Beleza Americana

Supostamente Gore é o disco que marcou a dissidência entre o guitarrista Stephen Carpenter e o vocalista Chino Moreno, por conta do direcionamento musical menos pesado forçado pelo último. A polêmica foi amplamente ventilada nos meios de comunicação especializados e parecia antecipar uma mudança drástica na sonoridade dos estadunidenses, talvez o único exemplar do moribundo Nu Metal a ainda contar com grande aceitação por parte da crítica. Mas ao colocar a bolachinha para rodar, fiquei com a impressão de que tudo não passou de um grande embuste, estratégia de marketing para chamar a atenção num mercado cada vez mais saturado de lançamentos. Não, Gore não é ruim, não mesmo. Mas sua sonoridade também não representa nada de tão novo na discografia Deftoniana. Diria que parece um cruzamento entre o comercial e direto (e ótimo) Diamond Eyes e o diversificado (e muito bom) Koi No Yokan. As melodias estranhas e ainda assim grudentas de Chino estão lá, fazendo de músicas algo incomuns como Prayers/Triangles, Hearts/Wires e (L)Mirl potenciais hits. Aliás, sou só eu ou alguém mais consegue ver o paralelo entre as linhas melódicas de Chino e as da Islandesa Bjork?


Engana-se quem acreditou que a produção do experiente Matt Hyde (Monster Magnet, Machine Head, Slayer, Slipknot...) deixaria a banda soar leve demais (vide porradas como Doomed User). As guitarras de Stephen Carpenter estão ali, destilando riffs à sua maneira peculiar, mas dessa vez experimentando um pouco mais, como nas dobras Ironmaideanas de Pittura Infamante e da belíssima Phantom Bride, essa última com participação do monstro Jerry Cantrell. Talvez o grande diferencial e maior charme de Gore seja o senso algo cinemático do material, que faz com que seus 51 fantasmagóricos minutos venham a fluir agradavelmente de forma contínua, ainda que as faixas tenham vida própria para o ouvinte casual. Um disco bonito e estranho que conta com ótima arte gráfica em seu lançamento nacional e que figura como forte candidato a entrar nas listas de discos do ano ao redor do globo.   

NOTA: 8,74

Pontos positivos: melodias vocais belas e intrincadas, boa cadência dando senso de continuidade na audição do disco
Pontos negativos: experimental demais a alguns ouvidos
Para fãs de: Bjork, Tesseract, Korn
Classifique como: Nu Metal, Metal Alternativo, Metal Moderno


Chino e sua trupe, aprontando muita confusão na sessão da tarde
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Sunstorm - Edge of Tomorrow (Cd-2016)
Sunstorm – Edge of Tomorrow (Cd-2016)  

Tempestade de Farofa

Edge of Tomorrow é o quarto rebento do projeto AOR capitaneado pelo veterano vocalista Estadunidense Joe Lynn Turner (Rainbow, Deep Purple, Malmsteen). Dessa vez o “Seu Peruca” resolveu reformular por completo a banda que o acompanha. Ao invés da base do Pink Cream 69, Joe cooptou um bando de pistoleiros de aluguel do selo AOR Frontiers, tendo à frente o tecladista e compositor Alessandro Del Vecchio, ser onipresente nos lançamentos atuais da gravadora italiana. A sonoridade, supostamente mais pesada que nos discos anteriores, na verdade está bastante próxima ao estilo de composição de Del Vecchio, que assina quase todas as faixas (com exceção de uma contribuição de Jim Peterik, do Survivor na oitentista The Sound of Goodbye): ou seja, uma sonoridade que geralmente lembra um Journey um pouco mais melancólico e rocker.


As faixas, aliás, são todas legais, ainda que raramente memoráveis. Os melhores momentos ficam com Heart of the Storm e a faixa título. Joe pode ser persona non grata para os fãs de Deep Purple e Rainbow, mas continua reinando absoluto quando se trata desse estilo mais comercial de Hard Rock. A banda toda é muito boa, mas quem brilha na parte instrumental é o guitarrista Simone Mularoni, que destila riffs e solos muito bem arquitetados e até mesmo mais vigorosos do que se esperaria. A produção, sob a batuta de Del Vecchio, é aquela tipicamente polida e algo plástica, tão característica dos trabalhos da Frontiers, fato que já começa a incomodar. Enfim, um bom disco, divertido e cliché até a medula e que irá agradar em cheio aos fãs de um AOR old school.

NOTA: 7,93

Pontos positivos: boas interpretações de Joe e ótimos solos de Mularoni
Pontos negativos: produção pasteurizada e canções bacanas, mas bem manjadas
Para fãs de: produções típicas da gravadora Frontiers
Classifique como: AOR, Melodic Hard Rock


Tio Joe, boquiaberto com o novo lançamento das Perucas Lady

domingo, 18 de maio de 2014

Lacuna Coil – Circo Voador (RJ) – 11.05.14/ Amon Amarth – Circo Voador (RJ) – 16.05.14


Lacuna Coil/Amon Amarth
Lacuna Coil – Circo Voador (RJ) – 11.05.14/ Amon Amarth – Circo Voador (RJ) – 16.05.14


A temporada de shows esse ano anda inspirada para os Cariocas, e maio vem sendo um mês especial, com uma miríade de opções para todos os tipos de headbangers.
E como que para exemplificar esse fenômeno venho agora com essa resenha para dois shows que aconteceram no mesmo local no espaço curtíssimo de 5 dias: os góticos italianos do Lacuna Coil e os Vikings fedegosos do Amon Amarth!

p.s.: Maio também foi um mês de marasmo aqui na Cripta, meu computador ficou no estaleiro, mas agora já está tudo em ordem e voltaremos com nossa programação habitual em breve...ou não...
Abraços
Trevas


Poster da Turnê Latino Americana
Lacuna Coil – Circo Voador (RJ) – 11.05.14

Gothic Spaghetti
Texto e fotos – Trevas

Aproximadamente um ano após o memorável show dos italianos por essas bandas (Ver resenha aqui), o Lacuna Coil retorna ao mesmo palco para apresentar seu novo show, para um público quantitativamente inferior ao daquela ocasião.

Se naquele dia a banda foi escoltada pelos ótimos brasileiros do Painside, dessa vez não dividiram a noite com ninguém, e pontualmente o show teve início, curiosamente com uma canção do disco anterior.

A bela...
Com um set bem menos abrangente e variado que no show de 2013, tivemos vários representantes do último lançamento (o ótimo Broken Crown Halo) no repertório, como Die & Rise, Victims, Zombies e Hostage To The Light. Estranhamente a atual música de trabalho, I Forgive (But Won’t Forget Your Name) foi deixada de fora.

...e a fera.
Mas apesar da ausência de algumas favoritas do público (cadê Senzafine?), ninguém pode reclamar muito do show. Novamente impecavelmente profissionais, os italianos proporcionaram um show intenso, com ótimo trabalho de iluminação somado a um cuidado estético que passa pelo figurino e termina na estudada postura de palco dos dois vocalistas, a belíssima, simpática e talentosa Christina Sccabia e o esforçado Andrea ferro. Andrea teve em Broken Crown Halo sua melhor performance em estúdio até o momento, o que parece ter refletido em sua atuação vocal superior nessa turnê.

Christina Sccabia
O profissionalismo por vezes quase mecânico do show não contaminou o público, que respondeu com bastante energia a cada música tocada. E um toque de espontaneidade foi adicionado ao espetáculo graças a duas coroas arremessadas ao palco pelos fãs, que serviram de uma indumentária lúdica aos vocalistas, que claramente se divertiram com a situação. Talvez por se tratar do último show da perna brasileira da turnê e por conta do cansaço acumulado, a banda cortou uma música do set programado, se retirando um pouco antes do palco.  O bis curiosamente trouxe um apanhado de músicas relativamente recentes, mas com um público fiel e conhecedor de cada trabalho dos italianos, as mesmas foram recebidas com empolgação e intensidade. O show chega ao fim, todos voltam para casa felizes, mas fico com a impressão de que o Lacuna Coil está andando um pouquinho demais no piloto automático (NOTA: 7,5).


Lacuna e seus amigos do Circo Voador

Amon Amarth - poster oficial


Amon Amarth – Circo Voador (RJ) – 16.05.14


Happy, happy Ragnarök!!!
Texto, Foto e Vídeo por Trevas

Meu ingresso dizia expressamente:
Abertura da casa - 22h
Início do show - 23h

Qual não foi minha surpresa ao chegar às 21:50 na porta do Circo Voador e ouvir o Tamuya Thrash Tribe tocando em alto e bom som para uma casa que já contava com ótimo público (a essa hora já superior ao que testemunhou o show do Lacuna Coil resenhado acima). Entrei a tempo de ver o TTT anunciar sua última música, terminando o show ovacionado efusivamente pelo público, o que só me fez amaldiçoar ainda mais a falta de respeito da organização do evento. Por que diabos temos problemas em cumprir com os horários programados, isso eu nunca vou saber. Além de ter perdido o show de abertura, me deparei com a bancada de merchandise dos suecos vazia, com todo o material tendo sido vendido faltando ainda uma hora para o início do show. Prenuncio de que os barbudões teriam em sua primeira passagem por solo carioca um público fiel e sedento nas mãos.

Com um belo backdrop representando a arte de capa do novo trabalho, Deceiver Of The Gods, mas sem parte da produção costumeira de seus shows em solo europeu (nada do Drakkar nem de efeitos pirotécnicos), o Amon Amarth sobe ao palco triunfante ao som de Father Of The Wolf. A reação do público se repetiria a cada nova música anunciada: punhos ao alto e animados moshpits.

Vamos lá, Vikings tupiniquins!
O som está perfeito e a banda executa as músicas com tamanha precisão que a impressão de que estamos escutando aos discos só é quebrada porque o público canta cada palavra das letras a plenos pulmões. O gigante Johan Hegg, com sua imensa barba só rivalizando com a rotunda pança e possante voz, parece maravilhado com a recepção calorosa. Sua postura portentosa de campeão Viking desmoronando perante o sorriso pueril incontido a cada vez que percebia os fãs cantando até mesmo as linhas melódicas das guitarras.

Faltaram o Drakkar e os fogos...
A costumeira pose belicosa e ameaçadora da banda esconde um punhado de suecos para lá de descontraídos e bem humorados, e a ferocidade do show foi quebrada por um momento que gerou uma sensação generalizada de vergonha alheia. Johan resolve homenagear a cidade, fazendo a banda brindar e beber uma “típica” birita brasileira, ao som de uma bizarra e festiva música de caserna. A cara de incredulidade do público, que pela primeira e única vez durante o set faria um sepulcral silêncio, talvez tenha parecido misteriosa aos olhos da banda. É que ninguém avisou aos grandalhões que “Underberg” não é exatamente uma bebida típica e muito menos popular por aqui...de qualquer maneira, foi um momento pitoresco.

Moshpit em nome de Odin!
Com músicas novas como Blood Eagle, As Loke Falls e Warriors Of The North tão bem recebidas quanto as já clássicas Runes To My Memory (ver vídeo abaixo) e Cry of the Black Birds, a banda se retira do palco pela primeira vez com a sensação de vitoria estampada nos felizes e hirsutos rostos. O retorno se dá ao som da destruidora Twilight Of The Thunder God, seguida de Pursuit Of Vikings. Exausta e extasiada, a platéia grita efusivamente “Amon, Amon” ao final do que parecia ser o prenúncio do ragnarök. E pelo olhar de todos na banda ficamos na certeza de que não demorará muito até que os guerreiros vikings retornem em solo fluminense para repetir a pilhagem que presenciamos essa noite (NOTA 10).



domingo, 7 de abril de 2013

Sobre Painside, Lacuna Coil e Anneke Van Giersbergen


Prólogo: a Cripta Offline

Sim, quem passa os olhos frequentemente ou bissextamente por este Blog certamente reparou que nada é postado por essas bandas tem muito tempo. Não é por falta de ideias e/ou material a ser resenhado. Apenas estou sem computador e venho utilizando a internet com parcimônia, algo que deve mudar no próximo mês. No mais, nesse período de ausência, pude assistir três bandas em dois eventos que serão comentados a seguir.
Abraços
Trevas

LACUNA COIL + PAINSIDE – Circo Voador/RJ - 01.03.13


Sexta feira chuvosa na Lapa, longa fila, espera ainda mais longa. A qualidade de som e luzes nos espetáculos de pequeno/médio porte no Rio de Janeiro melhorou exponencialmente na última década, mas o mesmo infelizmente não pode ser dito em relação ao respeito com os horários. Mais de uma hora após o anunciado os portões finalmente são abertos. Hora de conferir a primeira atração da noite, a promissora Painside.

PAINSIDE: Um Acidente com Desfecho Épico

Poderia ser um problema a distância estilística entre o metal moderno, porém com raízes no power metal e metal tradicional praticado pela Painside em relação ao Pop Metal de raízes góticas da atração principal. Mas não o foi. Desde o início do set, a plateia que já se amontoava a frente do palco não só respeitou a banda, como prestou bastante atenção à mesma. Talvez fruto do ótimo trabalho de grandes músicos, fermentado por uma forte divulgação em redes sociais com uso de material visual que transpira profissionalismo e bom gosto.

Sevens, do Painside: uma prece ao Deus-Metal?
Boas músicas como Reject The Silence, Collapse The Lies e A Caustic Romance formaram um impressionante cartão de visitas para quem nunca havia escutado a Painside antes. Contando com uma cozinha bastante forte (cortesia de Eduardo Julião e Thiago D), grandes guitarristas (o sempre ótimo Leandro Carvalho fazendo par com Carlos Saione) e um vocalista com personalidade e muito carisma, na figura de Guilherme Sevens (cujo timbre me recorda uma versão moderna do subestimado Lizzy Borden), a banda vem trabalhando em novo material para seu segundo cd, e mostrou nesse show que não fica a dever em qualidade em relação ao novo material de estúdio que vem sendo apresentado em seus sites. 

Dois dos guerreiros do Painside

E a aceitação do público, correta e respeitosa, cresceu absurdamente diante de um fato que poderia ter acabado com o show. Já na reta final do set, Guilherme sai às pressas do palco, sob olhares incrédulos tanto do público quanto da banda. Pouco depois chega a notícia: a causa da retirada emergencial fora um ombro deslocado. O restante da banda segura a batuta com muita simpatia e simplesmente o mágico acontece: o público, mesmo após todo o atraso debaixo da chuva não só foi compreensivo como também ajudou a banda – com uma garra impressionante -  a se reerguer, fazendo do final desse curto show algo épico e único. Coisas dessas que só acontecem em um show de Heavy Metal. Quanto ao futuro do Painside, esse promete. Como diria o velho desenho animado: Stay Tuned!!!!

No Pain(side) no Gain! Sevens segura as pontas na raça!

LACUNA COIL: Profissionalismo e Simpatia

Com um primor de iluminação e som beirando a perfeição, os italianos do Lacuna Coil tomaram de assalto o Circo Voador, usando como armas uma tríade de músicas de seus últimos dois álbuns (na minha opinião, os dois melhores). Dark Adrenaline e Shallow Life, diga-se de passagem, foram os discos que dominaram o longo set dessa noite. 

Dupla Nada Sertaneja
O show do Lacuna Coil é um primor de profissionalismo, tudo é muito bem pensado, cada movimento no palco devidamente estudado. Christina Scabbia, sonho de consumo de 9 entre 10 moleques que se vestem de preto, tem uma voz pequena, mas bonita e cheia de personalidade. Andrea ferro, um dos caras mas feios do showbusiness, não é um dos vocalistas mais talentosos do mundo, mas tem muito carisma e canta com uma garra impressionante. O restante da banda, a saber, os guitarristas Marco Biazzi e Cristiano Migliori e o baterista substituto Ryan Folden (o titular, Cristiano Mozzati não pode participar dessa parte da turnê), assumem sem nenhuma vergonha seus papéis de meros coadjuvantes. A ausência do baixista Marco Zelati rendeu talvez a grande polêmica da noite. Em seu lugar a banda se utilizou de bases pré-gravadas de baixo. O fato do Lacuna Coil utilizar samplers contendo efeitos eletrônicos, linhas de baixo e até mesmo alguns backing vocals chegou a render algumas acusações veladas de que o show inteiro não passara de uma tétrica exibição de mero playback. Nem tanto amiguinhos, nem tanto.

Christina solta o gogó
Após 9 bem recebidas músicas a banda anuncia uma breve pausa e se retira do palco, que é modificado para receber um segundo set, dessa vez acústico. Uma boa ideia, o set acústico nos mostra a qualidade das canções dos italianos, valoriza a boa (ops) voz de Christina e coloca o simpático Andrea em uma enrascada, já que nesse set fica ainda mais clara a limitação técnica do vocalista. Shallow Life encerra o quarto número desse segundo set, e então a banda novamente se retira.

Pegue seu banquinho...acústico gótico?
O retorno ao formato plugado levantou o já cansado público e novamente fomos agraciados com os maiores sucessos da banda tocados com precisão cirúrgica. O grande final ficou por conta de uma emocionante My Spirit, anunciada como uma homenagem póstuma ao ídolo e amigo da banda, Peter Steele. A banda se despede com um misto de felicidade e cansaço estampados nos rostos. Fica a promessa de um retorno em breve, que tomando pela recepção do público, será um retorno muito aguardado.

Christina e Andrea, a linha de frente italiana

ANNEKE VAN GIERSBERGEN – RIO ROCK & BLUES 17.03.13


Chuva torrencial em uma noite de domingo na Lapa. Nova demonstração de desrespeito ao público carioca: os portões do simpático rio Rock & Blues, previstos para serem abertos às 18:30h, permanecem fechados até as 20:00h. A estreita calçada da Rua do Riachuelo somada à costumeira falta de educação dos motoristas cariocas foi suficiente para deixar o pacato público que esperava pacientemente do lado de fora da casa encharcado, a despeito do uso de guarda chuvas. Público que pagou caro para assistir ao show. Triste.


Desrespeito de lado, a pequena, bela e extremamente simpática Anneke sobe ao palco com sua banda armada de seu contagiante e onipresente sorriso e da bela I Feel Alive, de seu mais recente trabalho.


Sua imagem quase élfica, a belíssima voz e seu carisma arrebatador conquistaram o público de imediato e em um fato raro as músicas atuais da holandesa, de teor muito mais pop e alegre que o restante da carreira da cantora, foram tão bem recebidas quanto os clássicos do The Gathering, banda pela qual Anneke se tornou mundialmente conhecida.

Anneke: toda sorrisos
Muitos sorrisos, declarações de amor vindas do público, 17 músicas (delas 4 do The Gathering, um cover do Eurythmics e outro do Devin Townsend) e pouco mais de uma hora e quinze minutos depois, Anneke se despede, deixando todos com aquele sentimento de que poderiam assistir ao show por horas e horas à fio sem cansar.

Como de praxe, meia hora após sua saída do palco, Anneke recebeu a todos os que quiseram esperar para fotos, autógrafos e até mesmo para um bom papo. Tudo com uma simpatia pra lá de incomum, a felicidade daqueles que amam o que fazem e principalmente, que amam e respeitam aqueles possibilitam a ela viver o sonho: os fãs. Certamente todos os presentes aguardarão ansiosamente a oportunidade de retribuir o carinho mais uma vez.

Anneke feliz, fãs ainda mais felizes!