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domingo, 2 de fevereiro de 2020

Os Melhores de 2019 - Pela Cripta do Trevas!



Olá, Guardiões da Cripta!

Chega o fim de um ano e me pego tendo a mesma impressão de sempre, quantos bons lançamentos que tive em mãos! E quantos outros podem ter me escapado...

A facilidade de acesso que instrumentos como o streaming nos proporciona faz com que consigamos explorar cada recanto do “universo música”, se assim nosso dia a dia permitir.

E se considerarmos que ainda assim existem mundos pouco afeitos a expor sua arte nessas plataformas, chega a assustar quanta coisa boa pode estar perdida por aí...

Quem já lê a Cripta com frequência, provavelmente sabe que a maior parte do material nela resenhado é composta por aquisições em mídia física para a minha coleção pessoal. Como não sou rico, claro que isso limita bastante meu range. O Spotify tem me ajudado a ter acesso a materiais que não encontro e/ou não consigo comprar.

Como habitual, tentei escutar nesse janeiro eventuais “discos do ano” que me passaram desapercebidos. Uma tarefa dura, a cada lista de “melhores do ano” que exploro, ao menos dois ou três discos que nunca ouvi são citados. Na maioria das vezes, com mérito.

Então, encarem essa presente lista como um instrumento falho, incompleto, mas cheio de boas intenções. Uma lista de recomendações, já que o conceito de “melhor ou pior” me parece injusto. 

Por tabela, segue a minha playlist do spotify para 2019.

Leiam, escutem, divirtam-se, cornetem. E se quiserem, me mostrem suas listas!
Saudações
Trevas 

Revelação

No Rio de Janeiro, o Facing Fear lançou seu primeiro disco (Ana Jansen) e vem causando barulho com seu metal revivalista (até no visual) e com letras eventualmente em português. Já o combo Prog Metal Vikram, com músicos de vários lugares de nosso vasto país, fez um disco que merece com sobras entrar na nossa listinha. O Tanith, que traz Russ Tippins, do Satan, Tysondog e Blind Fury fez uma promissora estreia num elo perdido musical entre os anos 1970 e a NWOBHM. Somaria aos três a brilhante estreia dos paraguaios do Nightbound, num Ep homônimo caprichado, que soa uma delícia aos ouvidos dos fãs de bandas como Thin Lizzy.

Revelações
Melhor DVD/Blu-Ray

Ainda que não conte com nenhum extra de bastidores, Songs From The Dead é o Home Video dos sonhos (ou pesadelos?) de qualquer fã do mestre King Diamond que se preze. O dinamarquês, aliás, está em forma impressionante após quase antecipar sua sentada no colo do Capeta. Em contrapartida, o apoteótico registro da bem-sucedida turnê Punpkins United, reunindo eras diferentes dos Lordes teutônicos do Power Metal Helloween, é tão recheado de material caprichado, que não poderia ficar de fora da lista. Um dos pacotes mais bem servidos já lançados no formato.

Os melhores Home Videos que o dinheiro pode comprar, em 2019

PLAYLIST de 2019 – Criptozoologia 2019:




Agora, fiquem com a lista dos 30 (+1, pois errei a conta e só vi quando fui publicar...típico, hehehehe) melhores trabalhos de 2019:


30. Baroness – Gold & Grey
Os esquisitões estadunidenses por pouco não lançaram seu disco definitivo. Ainda que minado por exageradas 17 faixas e uma produção incomodamente suja, quando Gold & Grey acerta a mão, é espetacular e único.



29. Gloryhammer - Legends from Beyond the Galactic Terrorvortex
Power Metal escocês e galhofeiro entre os melhores do ano? Teria Trevas comido um cogumelo estragado? É possível. Mas é inegável que os caras conseguiram lançar um disco para lá de divertido e diferente, mesmo brincando com clichês de um dos gêneros mais bobocas dentro do Metal.


28. Vírus – Contágio
O tão aguardado disco de estreia dos veteranos da cena Brazuca enfim chegou. E mesmo com o atraso de décadas, impossível resistir às versões definitivas para petardos como Matthew Hopkins e Batalha No Setor Antares. Isso sem contar com os “novos” clássicos Povo do Céu e Sacrifício. Imperdível aos ouvidos dos fãs do metal em Português.


27. Týr – Hèl
Essa lista está tão estranha que entra até banda das Ilhas Faroe. Sim, os caras chegam aqui na cota de Viking que deveria ser do Amon Amarth. Já que os suecos lançaram um disco bom, mas inferior ao alto padrão por eles imposto...fico com esse belo trabalho que mistura de forma única vários gêneros dentro do metal.


26. The 69 Eyes – West End
Olha, mesmo eu curtindo muito vários trabalhos dos Vampiros de Helsinque, os caras andavam tanto no piloto automático que jamais imaginei gamar em um disco deles de novo. West End é uma delícia do Gothic Rock, viciante.


25. Overkill – The Wings Of War
Faz tempo que a máquina de Thrash estadunidense não erra a mão. Em Wings Of War o Overkill se recusa a trilhar a fórmula que dera tão certo no surpreendente disco anterior. Com uma sonoridade mais próxima de seus primórdios, acertam em cheio em um disco que é uma muqueta na zoreia.


24. Pristine – Road Back To Ruin
Heidi Solhein comanda com sua bela voz e feeling o combo norueguês em Road Back To Ruin, um disco que, apesar da evidente cara retro-rocker, não é para ficar limitado somente a esse nicho. Um baita trabalho que merece ser ouvido por fãs de Rock em geral 


23. Arch/Matheos – Winter Ethereal
A junção de metade da formação original do Fates Warning traz um trabalho complexo e repleto de melancolia, com cascatas de melodias vocais e instrumental sofisticado nos levando para uma viagem sombria. Um disco de Prog Metal maduro, sem os exibicionismos estéreis do gênero.


22. RAM – The Throne Within
Para não dizer que não há espaço para o Metal-Metal da nova leva nesse 2019, o novo trabalho dos suecos troozões chuta bundas com seu coturno gasto e surrado. Fãs de Accept e Judas Priest certamente ficarão com suas cacetas em riste perante o Metal puro e vigoroso do quinteto, que parece nunca errar a mão.


21. Angel Witch – Angel Of Light
Eu falei Metal-Metal? Pois olha quem nos surpreendeu esse ano: Direto e certeiro, Angel Of Light pode ser a luz (oops) que faltava para o Angel Witch enfim engrenar e, quem sabe, construir uma reputação que faça justiça ao status de lenda que o quarteto ganhou exclusivamente por conta de seu excelente debut. Imperdível


20. Sacred Reich – Awakening
Despretensioso, virulento e direto ao ponto! De onde menos se esperava veio um disco de retorno dos mais legais que já escutei. Viciante, Awakening tem como único grande “defeito” durar parcos 30 minutos.


19. Death Angel – Humanicide
Desde seu triunfal e prolífico retorno, os ex-menudos da Bay Area definitivamente não podem ser acusados nem de amansar seu som, nem de se deitar no saudosismo repetitivo que acomete a cena Thrasher. Humanicide é definitivamente um dos discos mais poderosos dos californianos, audição obrigatória para qualquer fã de Thrash, de qualquer era.


18. In Flames – I, The Mask
Ainda que seja fã de carteirinha dos suecos, fazia tempo que nada deles me empolgava tanto. Longe da discussão infrutífera sobre os rumos que a banda tomou quase 20 anos atrás, temos em mãos o melhor e mais equilibrado disco do In Flames em muito tempo. Um disco direto, moderno, grudento e ainda assim cheio de nuances. Viciante.


17. Crobot – Motherbrain
Os malucos do Crobot conseguem unir em Motherbrain elementos de Retro-Rock e Stoner com o som alternativo dos anos 1990 e tempero Hard/Heavy, num dos discos mais viciantes desse 2019. E Brandon Yeagley é um dos vocalistas mais bacanas que ouvi da nova safra.


16. Vikram – Behind The Mask – I
Um punhado de ótimos músicos de nossa cena se unem em uma viagem conceitual num dos melhores Debuts dos últimos anos. Prog Metal inteligente, único e vigoroso, uma feliz prova de que há sim renovação e esperança para a cena Bazuca!


15. Evergrey – The Atlantic
Se alguém quer um exemplo de como uma banda pode amadurecer seu som sem soar meramente pretensiosa, reserve uma hora de seu tempo e embarque em The Atlantic. Um disco colossal, ao mesmo tempo pesado, denso e sensível. Isso sem nunca soar piegas. Uma pena que não consegui conferir o show no Rio.


14. Lacuna Coil – Black Anima
Após alguns anos de estagnação, os italianos acertaram a mão ao apostar em uma guinada no peso e em temáticas mais sombrias. Delirium já era matador, mas Black Anima vai além, um forte concorrente a melhor disco da prolífica carreira de Cris Scabbia e seus amigos.


13. Thunder – Please Remain Seated
Fiquei em dúvida se incluía ou não esse disco aqui, já que se trata praticamente de uma compilação. Mas esse não é um Best Of normal, os britânicos escolheram faixas não necessariamente incensadas de sua carreira e praticamente as reconstruíram em um delicioso formato anos 1950. Uma bela maneira de se explorar o passado sem soar apelativo. Um disco único e muito bacana de se ouvir.


12. Cellar Darling – The Spell
The Spell pode se mostrar uma jornada demasiadamente longa e melancólica ao ouvinte de um Metal mais convencional, mas é uma jornada na qual vale a pena embarcar, para aqueles afeitos a músicas que permeiam várias vertentes do estilo. O Cellar Darling encontrou enfim sua cara, e ela é bela e triste.


11. Kadavar – For The Dead Travel, Fast
Os retro-rockers teutônicos do Kadavar mergulham de maneira firme e certeira na história de Drácula e num som que parece erguido triunfantemente das brumas lisérgicas do final dos anos 1960. Absolutamente matador.


10. Eclipse – Paradigm
Paradigm pode não ter exatamente quebrado nenhum paradigma do Melodic Hard Rock/AOR, mas é facilmente um dos melhores trabalhos do estilo que escuto em anos, e provavelmente o melhor disco da carreira dos prolíficos suecos.


09. Sabaton – The Great War
Os simpaticíssimos suecos do Sabaton vêm tomando o mundo do Metal de assalto. The Great War alcançou o Top 10 em nada menos que 13 países (e Top 50 em 21), chegando ao número 1 na Alemanha. E é merecido. Dentro do estilo que se propõe, é facilmente um dos melhores discos desse 2019, e tem aquele raro mérito de pedir por um repeteco tão logo os 39 minutos se encerram. Excelente.


08. Rammstein – Rammstein
Com a estética do “menos é mais”, o quinteto ganhou foco, caprichando bastante nas composições. Até aquelas que aparentemente nada trazem de novo ao bestiário Rammsteiniano soam deliciosas. Com parcos 46 minutos de duração (e as tradicionais 11 músicas), Rammstein é cirúrgico e denso. Um dos melhores discos de 2019, que também ameaça se tornar um dos favoritos dos fãs dentro da discografia da banda.


07. Insomnium – Heart Like A Grave
Retornando a um formato de disco mais tradicional, o combo finlandês mergulha ainda mais na melancolia para produzir um disco de Melodic Death Metal excepcional, adotando elementos de diversos gêneros dentro do rock para temperar seu som. Denso e pesado, belo e sombrio.


06. Tuatha De Dannan – The Tribes Of Witching Souls
Um Ep vitaminado por algumas versões diferentes de faixas já apresentadas anteriormente, The Tribes Of Witching Souls é a prova cabal de que os mineiros são das melhores bandas de nossa cena. Um daqueles trabalhos que tão logo terminam já pedem por um novo toque compulsivo no “PLAY” do aparelho de som.

DAQUI PARA  FRENTE, A ORDEM NÃO IMPORTA!


Tygers Of Pan Tang – Ritual
Difícil esperar de um combalido veterano do segundo escalão da NWOBHM qualquer sinal vital em pleno 2019, certo? Porra nenhuma. Os tigres britânicos já vêm ameaçando lançar um novo clássico tem pelo menos 10 anos. E Ritual, ainda que seja apenas um simples disco de Metal tradicional, consegue grudar em nossa mente feito chiclete. 53 minutos que farão qualquer fã Old School sorrir sem parar.


Jinjer- Macro
Eis que vem da improvável Ucrânia um dos melhores e mais inventivos discos de 2019, que nos prova com sobras que o Jinjer não é mais uma promessa da cena, e sim uma retumbante realidade. Pesado, inteligente, criativo e diversificado.


Rival Sons – Feral Roots
Incapaz de fazer um disco minimamente medíocre, o combo Retro-rocker estadunidense nos presenteia com um discaço ao mesmo tempo simples e bastante sofisticado. Um forte rival (oops) para The Great Western Valkyrie pelo trono de melhor disco da carreira dos caras.


Candlemass – The Door To Doom
Os mestres suecos do Doom Metal parecem uma fênix sombria. Renasceram anos atrás com o impecável disco homônimo, ressurgiram de novo quando Rob Lowe assumiu os vocais da banda. Anunciaram o fim. E do nada retornam, com o vocalista original que gravara Epicus Doomicus Metallicus, com um disco tão matador que não merecia o título tosco. Um dos melhores de toda a carreira.


Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light
Quando os finlandeses sorumbáticos lançaram o ambicioso disco triplo Songs From The North, acreditei piamente que esse seria o ápice criativo que uma banda como eles poderia atingir. Ledo engano. Movidos pela dor do luto de seu líder e principal compositor, os caras fizeram um disco tão sombrio e denso quanto delicado e belo. Um Gothic Doom de cortar o coração (e os pulsos).


Soilwork  - Verkligheten
E não é que o The Night Flight Orchestra fez muito bem ao Soilwork? Após anos de estagnação criativa, os caras vêm enfileirando discaço atrás de discaço. Até fica difícil escrever aqui sem cair na armadilha da adulação gratuita de fanboy. Mas o fato é que no novo trabalho os suecos conseguiram encontrar um raro equilíbrio entre peso, melodia e inserção de elementos estranhos ao seu som tradicional. As composições são tão caprichadas, e o clima tão único, que nos resta aplaudir quando You Aquiver nos presenteia com os últimos acordes de um disco fadado a se tornar um clássico do estilo.


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Rival Sons – Feral Roots (CD-2019)




Sanha Feral
Por Trevas

“Não fazíamos ideia de quanto mundo estava precisando de uma banda de Rock.” Essa frase, proferida pelo vocalista do Rival Sons, o impressionante Jay Buchanan exemplifica o quanto os próprios músicos ainda se surpreendem com o sucesso obtido pela banda, desde que Pressure & Time (segundo trabalho e estreia de Jay) passou a receber resenhas elogiosas ao redor do globo em 2011. E como o mundo precisa, Jay! Em especial quando essa banda de rock nos presenteia com discaços como Great Western Valkyrie e Hollow Bones!

Rival Sons, caminhando por 1969 em pelo 2019

O esperado sexto álbum de estúdio dos retro-rockers californianos do Rival Sons foi precedido por Do Your Worst, um rockão direto e radiofônico que também é o responsável por abrir com maestria o repertório do Cd, primeiro lançamento do quarteto pela Atlantic Records.



De cara percebe-se que a dobradinha da banda com o produtor Dave Cobb atingiu um grau de simbiose que beira a perfeição. Faixas como Sugar On The Bone soam vivas como se estivéssemos sentados num banco dentro da sala de ensaios de um estúdio caro com os músicos tocando. E o disco equilibra bastante bem um lado mais rockeiro, que além das duas já citadas afeta também canções como as espetaculares Back In The Woods, Stood By Me e Too Bad com um lado mais calmo e experimental.



Esse lado mais experimental e calmo (que para alguns críticos remete ao caminho trilhado décadas antes pelo Led Zeppelin III) está explicito em belezuras quase folk como Look Away, All Directions e a faixa título. Ainda há espaço para flertes com elementos de reggae (Imperial Joy), Gospel (Shooting Stars) e eletrônica (a totalmente The Cult End Of Forever), enriquecendo o já bem estabelecido Classic Rock de uma das melhores bandas da atualidade. Um discaço ao mesmo tempo simples e bastante sofisticado. Facilmente um dos melhores trabalhos do ano (NOTA: 9,46)




Visite o The Metal Club
Gravadora: Atlantic Records (importado)
Prós: ótima produção, músicas excelentes
Contras: absolutamente nada
Classifique como: Retro Rock, Classic Rock
Para Fãs de: Montrose, Led Zeppelin, The Cult

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Rival Sons – Hollow Bones (Cd-2016)

Rival Sons - Hollow Bones
That 70’s Show
Por Trevas

Após o sucesso de Great Western Walkyrie, um dos melhores discos de 2014 (resenha da Cripta), os californianos do Rival Sons passaram a figurar em tudo o que é festival e premiação ao redor do globo. Em uma delas, mais especificamente no evento de melhores do ano da revista inglesa Classic Rock Magazine, sua curta apresentação gerou elogios efusivos da nata do rock britânico presente na premiação. Uma figura em especial fez questão e parabenizar a banda após o show, com a família à tiracolo. A figura? Um sorridente Ozzy Osbourne. Conversa vai, conversa vem, Ozzy se despede. A banda segue seu projeto ambicioso, o de em pleno 2015 com boa parte da população mundial não mais dando a mínima para Cds, lançar um disco novo por ano, como se fazia no passado cujo som emula à perfeição em seus trabalhos. Mas no meio do caminho havia um... Black Sabbath? Sim, poucas semanas depois da premiação da Classic Rock, os empresários do Black Sabbath fizeram contato, convidando os incrédulos estadunidenses para ser a banda de abertura da última turnê dos maiores baluartes do heavy Metal. E não, o convite não se restringia a uma pequena perna da The End Tour, se estendendo a todas as datas em todos os continentes. Extremamente honrados, os quatro músicos resolveram abandonar a meta do disco anual. Por uma boa causa, claro. Para nossa sorte, havia material suficiente para um novo rebento, Hollow Bones, adornado com a belíssima arte de capa de Martin Wittfooth e lançado aqui no Brasil pela Hellion Records em uma edição em digipack tão cuidadosa quanto à gringa.

Rival Sons 2016
Repetindo a dobradinha com o produtor Dave Cobb, o Rival Sons inaugura a bolachinha com a primeira parte da faixa título, uma pedrada que já pode adentrar os sets da banda sem medo. A sonoridade está mais direta e vigorosa que no versátil disco anterior, com a guitarra de Scott Holiday bem na nossa cara e a cozinha precisa de Michael Miley e David Beste soando extremamente orgânica.


Tied Up (ver vídeo) mantém a toada direta, engrandecida pelo hammond onipresente de Tedd E. Ogreen-Brooks. A sonoridade mais direta não quer dizer nenhuma drástica mudança de direcionamento não. O som dos caras continua sendo aquele retro rock encardido e cheio de detalhes que vem conquistando o mundo disco a disco.



Thundering Voices (ver vídeo) é já de cara uma das melhores faixas que os californianos já confeccionaram, um daqueles hinos que você jura terem sido compostos entre 1968 e 1971. Nela quem nunca ouviu os caras poderá conhecer um dos maiores trunfos da banda: um baita vocalista que atende pelo nome Jay Buchanan. Seja nos vocais mais gritados, seja num simples sussurro, Jay domina nossos ouvidos sobremaneira. Confesso que não lembro de ouvir algum vocalista das últimas duas décadas que capture tanto em timbre quanto em interpretação e estilo a alma dos anos de ouro do rock.



Baby Boy segue a sequência impecável de faixas diretas e grudentas, aparentemente tão simples, mas repletas de detalhes de arranjos que nunca soam over, um mérito de Dave Cobb. Pretty Face diminui ligeiramente a intensidade, aparentemente (não sei se foi intencional) preparando o terreno para a segunda metade do disco, antigamente o lado B do vinil. A partir daí as músicas abandonam o caráter de urgência e apostam mais nas sutilezas. Fade Out é belíssima, um excelente canal para mostrar uma das características que mais salta aos olhos nos shows dos caras, a dinâmica absurda. Jay brilha como nunca em uma de suas melhores performances em estúdio, nesse que pode ser considerado o ponto mais alto do novo trabalho, ornado por um ótimo solo de Scott.


Uma pena que a partir daí a coisa já não funcione tão bem. A rendição para Black Coffee, de Ike e Tina Turner, me soa desnecessária, com aquele tipo de arranjo que andou tornando a audição de alguns dos trabalhos mais recentes do Bonamassa algo enfadonho. A segunda parte de Hollow Bones tenta soar como uma jam Zeppeliana, mas acaba por diluir ótimas ideias vocais e instrumentais em um vai e volta um pouco cansativo, com Mr. Buchanan dando uma exagerada nos Ad Libs. As baladas soul do Rival Sons sempre trilham uma linha tênue entre extrema beleza e uma breguice assustadora, e All That I Want infelizmente acaba por pender mais para a última, encerrando os parcos 37 minutos da bolachinha de forma não tão empolgante.

Saldo Final
Aparentemente fabricado em duas partes bem distintas, Hollow Bones funciona muito melhor quando tenta soar mais direto do que quando tenta transpor as já costumeiras viagens da banda nos palcos para o ambiente de estúdio. Apesar dessa dualidade e de ser claramente inferior a Great Western Walkyrie, trata-se ainda assim de um grande trabalho, que vem coroar o Rival Sons como uma das melhores bandas da atualidade. Que venham os shows com o Black Sabbath!

NOTA: 8,45









Prós:

Composições inspiradas, vocais e instrumental repletos de feeling e referências a bandas do passado.

Contras:
Pode soar como purgante para aqueles que não curtem o rock mais clássico.

Classifique como: Retro-rock, Hard Rock, Blues Rock, Classic Rock


Para Fãs de: Free, Bad Company, The Doors, The Who, Led Zeppelin

terça-feira, 28 de abril de 2015

Monsters Of Rock 2015 - Arena Anhembi - São Paulo (25 e 26.04.15)



Monsters Of Rock 2015
Texto e fotos por Trevas

Realizado nos dias 25 e 26 de abril na Arena Anhembi, o festival desse ano focou seu cast majoritariamente em bandas veteranas, apostando num público um pouco mais velho (e potencialmente mais apto a consumir). Separei a resenha em duas partes, a primeira focada na estrutura em si, a outra nas performances das bandas.

PARTE I – O FESTIVAL

O festival Monsters Of Rock, marca famosa na Europa da década de 1980, sempre esteve diretamente correlacionado ao heavy Metal e Hard Rock. Aqui no Brasil, foi realizado algumas vezes na década de 1990, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Assisti duas edições, a última em 1998. Essa edição foi apoteótica, contando com Korzus, Dorsal, Glenn Hughes, Saxon, Savatage, Dream Theater, Manowar, Megadeth e Slayer. Um cast para lá de caprichado. Ano passado o evento voltou a ser realizado, centrado numa mistura de duas eras diferentes do rock pesado, confrontando nomes como Limp Bizkit e Whitesnake. Pela segunda vez sediado na Arena Anhembi, como é comum em eventos desse porte, o Monsters 2015 viveu entre erros e acertos.

Ingressos
Primeiro ponto negativo dessa edição, foi um absoluto parto adquirir ingressos pela internet. Os preços, pouco convidativos de início, logo se tornaram abusivos conforme os lotes de ingressos se sucederam. Aliás, esse esquema de lotes com preços diferenciados me parece realmente ridículo.

Acesso
Principal ponto negativo para muitos, pois no sábado a média de espera na fila para adentrar a Arena foi de uma hora e meia. Inexplicavelmente, quando nos aproximávamos do único portão aberto (19), tudo transcorria velozmente e ficamos sem entender o motivo de tanta retenção. O problema poderia ter sido resolvido com uma melhor orientação ao longo da fila, ou melhor ainda, com outro portão de acesso disponibilizado. No domingo tudo transcorreu sem entraves e adentrei a Arena em menos de 2 minutos, ainda que o número do público tenha sido o mesmo do dia anterior. Nas catracas, outro problema, ao contrário do anunciado no site, os funcionários impediam a entrada de água em embalagens plásticas.

Próximo à fila, o jeitinho brasileiro: uma casa oferecendo o prazer de uma cagada por preço módico
Atividades
Um espaço chamado Galpão do Rock trouxe dezenas de stands vendendo acessórios e roupas ligadas à cultura rocker, dentre outras atividades. Ao longo da Arena também tivemos a disposição um stand de venda de vinil e diversos stands vendendo merchandise das principais bandas do festival e do próprio evento. Os preços variaram de R$60 (as camisetas mais vagabundas) a salgados R$250 (moletons). Apenas o Manowar montou um stand próprio para seu merchandise e todos os stands contavam com máquinas para pagamento em cartão. Um stand de promoção do filme Mad Max inovou ao fazer maquiagens e penteados inspirados no visual pós apocalíptico do filme naqueles que se dispusessem a enfrentar uma fila de pelo menos meia hora. Também haviam barracas de revistas especializadas e de um selo de cds.

O Galpão do Rock
Stand Mad Max
Alimentação e bebida
Dezenas de stands e bares foram espalhados ao longo da Arena, e os caixas também estavam presentes em número satisfatório. Durante os shows foi bem tranquilo se alimentar ou comprar bebidas, as filas ficavam bem pequenas. O esquema de pagamento nos caixas consistia na conversão de uma quantia em fichas do festival (Monster Money), cada ficha equivalendo a R$3. Seria um esquema bem bacana, não fosse a maioria dos bares situados na arena limitados a receber o pagamento em dinheiro vivo, assim como todos os ambulantes. Esse fato, somado ao abusivo e estratégico valor de R$ 9 cobrado por uma simples lata da pavorosa Budweiser, resultou em uma picaretagem homérica: a maioria dos ambulantes, geralmente mais para o final do dia, vendia as latinhas a R$10. Quando interpelados, colocavam a desculpa na falta de troco de R$1,00. Os alimentos, em sua maioria sanduíches, também custavam bem caro. Uma pequena porção de batatas fritas valia R$12, um pacote médio de pipoca saía a R$10. A maioria dos sanduíches não ficava por menos de R$18. Foi instalada uma área gourmet concentrando os stands de comida e algumas mesas, que serviam de salvação aos pés cansados ao fim do dia.

Bares e lanchonetes em profusão
O (desvalorizado) dinheiro metálico
A área gourmet e suas mesinhas salvadoras
Som e palco
O som da grande maioria dos shows foi no mínimo muito bom, embora talvez um pouco baixo para aqueles que optaram por assistir mais de longe para se afastar da muvuca. As exceções se deram nos shows do Manowar e Malmsteen, no domingo. Provavelmente muito mais por culpa das bandas e suas trupes, ao que pareceu. Visualmente o palco estava muito bonito, com um grande telão ao fundo que engrandeceu até mesmo as apresentações iniciais de cada dia. A torre no meio da Arena atrapalhou um pouco a visibilidade e o palco baixo, somado aos não tão grandes três telões (dois laterais e um na torre) acabou por limitar a experiência para aqueles que assim como eu, são desprovidos de altura. De negativo, apenas destacaria a insistência do som mecânico em músicas do Pantera no sábado. Até os fanáticos pela banda devem ter saído enjoados de escutar as mesmas músicas.

Vista do palco no show do Kiss
PARTE II – OS SHOWS

Primeiro dia – 25.04.15

Cast do primeiro dia de festival
(perdi o primeiro show do festival, com o De La Tierra, por pura incompetência minha, mesmo)

Primal Fear
Do lado de fora numa fila infinita, meus ouvidos foram inaugurados nesse Monsters ao som do Primal Fear. Som perfeito, repertório aparentemente equilibrado e Ralph Scheepers gritando a todos os pulmões. Acho o careca fortão extremamente competente, mas muito chato. Prefiro mil vezes o patrão e baixista Matt Sinner cantando, mas quem é fã dos caras aparentemente teve todos os motivos para ficar feliz. Ah, cabe ressaltar que essa foi a estreia do Brasuca Aquiles Priester tocando com eles em território tupiniquim, e o cara tocou bem como sempre.

Coal Chamber
Um dos ícones do Nu Metal, rótulo que soa anacrônico diga-se, o Coal Chamber foi a primeira banda que pude conferir já dentro da arena. Começando com a matadora Loco, Dez Fafara e sua trupe pareciam algo deslocados no cast desse ano, mas fizeram um show honesto, e por isso mesmo receberam uma acolhida respeitosa e em alguns momentos até mesmo positiva. Algumas músicas do vindouro álbum de retorno adornaram o set, fazendo do show algo mais que uma viagem nostálgica aos anos de ouro do infame Nu Metal. Um show correto (NOTA 5).

Nadja e Dez falharam em conquistar o público
Rival Sons
Já enchi a bola do som dos caras na Cripta em outras ocasiões, mas confesso que não sabia muito o que esperar do show dos americanos, ainda mais se considerarmos que eles são desconhecidos do grande público. O som retrô dos caras parece ter conquistado em definitivo boa parte dos metalheads presentes, ainda que tenham insistido em duas ocasiões em jams um pouco longas demais para um festival. Facilita em muito o fato das músicas trazerem muito de Led, The Who, Doors e afins. Ah, e o afetadíssimo Jay Buchanan pode concorrer facilmente ao posto de vocalista revelação do evento, tamanha a qualidade de sua performance vocal. Um showzaço que deve ter angariado muitos novos fãs à banda (NOTA 8,5).

Rival Sons, a grande surpresa do festival (para aqueles que não leem a Cripta, claro)
Black Veil Brides
A inclusão do Black Veil Brides em meio a um cast tão tradicional certamente foi uma aposta arriscada. Amparados por um visual que fica em um meio termo entre o Motley e o gothic rock (lembrando uma versão juvenil do 69 Eyes), o BVB faz um som que em muito lembra uma versão de segunda divisão do Avenged Sevenfold. Tudo extremamente técnico e até mesmo com alguns momentos bem pesados, mas creio que o visual carregado e a aparência de Justin-Bieber-do-mal do vocalista Andy Biersack (disparado o ponto fraco da banda, diga-se) tenham jogado por terra as chances da banda em conquistar o Monsters. Mas aqui cabe uma ressalva, você tem todo o direito do mundo de não gostar dos caras, mas hostilizar e tacar garrafas no palco? Atitude desnecessária e infantil, que só mostra nossa incapacidade como público de curtir festivais. Os festivais de verão na Europa misturam desde Black metal a AOR sem que esse tipo de imbecilidade aconteça. Não quer assistir, o evento tem várias opções de diversão, vá curti-las e volte na hora do show que você tanto quer curtir. Também não concordo com a atitude do vocalista, de choramingar e fazer com que a banda encurte seu set. os babacas eram uma minoria e abandonar o palco foi um desrespeito ao não tão pequeno contingente (em sua maioria meninas) que foram ao evento só para ver o BVB. Ou seja, bola fora dos dois lados (NOTA 6).

Perdão, criançada, Tio Trevas não aprovou nem um pouco as vaias!
Motörhead
O mal-estar causado pelos problemas no show do BVB foi amplificado ao máximo quando um dos produtores do evento adentrou o palco para dar a temida notícia: Lemmy estaria com grandes problemas estomacais e teria sido impedido de tocar. As poucas vaias foram logo suplantadas por um ensurdecedor silêncio e por uma espontânea perplexidade. Um dos grandes bastiões do rock pesado mostrando a crua realidade, até as lendas uma hora enfrentam de frente sua mortalidade. O anúncio da corajosa Mimi-Jam entre ¾ do Sepultura junto a Mickey Dee e Phil Campbell pouco ajudou a diminuir a sensação de perda iminente: muito ali estavam no festival somente para ver o Lemmy, alguns por ser a primeira vez, a maioria por imaginar que aquela poderia ser a última chance de ver o tio Crocotó detonando. A Jam durou apenas três músicas e se representou um momento único na história do rock, poucos ali pareceram perceber. Andreas, com Paulo e Derrick fizeram um esforço bonito ao ajudar Mickey e Phil, mas tudo soou amargo demais aos ouvidos da ainda incrédula plateia.

O telão anunciando uma promessa não cumprida. Melhoras, tio Crocotó!!!
Judas Priest
Coube aos Metal Gods a tarefa árdua de restaurar o ânimo do público, e com um set ligeiramente aumentado em relação ao previsto, tomaram as rédeas da Arena Anhembi com propriedade. Um Rob Halford que até dois anos atrás estava em uma situação bastante delicada de saúde que quase o impediu de andar em definitivo, agora andava pelo palco cantando absurdamente bem, mesmo do alto de seus 63 anos. O repertório, que trouxe boas novas faixas (Dragonaut, a muito bem recebida Halls Of Valhalla e Redeemer Of Souls) com clássicos absolutos (Victim Of Changes) e algumas surpresas (Love Bites, Jawbreaker e Devil’s Child) agradou a todos, fazendo deste um dos melhores shows que já presenciei da banda, e certamente um dos destaques do festival. The Priest is Back!! (NOTA 9).

Rob fazendo graça com a bengala, uiuiui
Ozzy Osbourne
Com meu combalido joelho em frangalhos, presenciei metade do show do Madman, o suficiente para perceber três coisas: 1. Gus G, Blasko e Clufetos formam um time e tanto, certamente uma das melhores formações da banda do Ozzy, e o tempo dará razão a isso; 2. O repertório quase idêntico ao da última passagem do comedor de morcegos por aqui, privilegiando material do Sabbath em detrimento aos sons da carreira solo, absolutamente difícil de entender, tendo em vista a passagem do BS por aqui recentemente; 3. Das quatro vezes que vi Ozzy em ação, essa foi disparado a pior em relação a performance vocal. Fairies Wear Boots e War Pigs foram absolutamente assassinadas. Bom, de qualquer maneira, trata-se sempre de um show divertido e impactante, em especial para os marinheiros de primeira viagem (NOTA 7).

Ozzy trazendo seu manicômio a São Paulo
Segundo dia – 26.04.15

Cast do segundo dia do evento
Dr. Phoebes
Desconhecia o trabalho dos caras e presenciei apenas o final, com presença de uma dançarina fazendo um número de pole dance no palco. Pareceu um rock pesado e competente, e obviamente foi bem recebido pelo público presente. Ponto para os caras, mas não tenho como avaliar.

Dr. Phoebes e sua arma secreta
Steel Panther
Difícil expressar em palavras o grau de diversão que esses caras proporcionaram sem parecer um pouco bobo. O show do Steel Panther poderia ser resumido em um esquete de comédia, todos na banda tem seu papel e o desempenham com louvor e a profusão de piadas de baixo calão com enorme foco nas referências sexuais poderia causar alguns narizes torcidos. Mas tudo isso ainda é adornado com músicas excelentes tocadas por músicos bem acima da média, então se você não é fã da gaiatice, pode ainda assim curtir o som. Bom, e no ramo das gaiatices, nada mais próprio (ou seria impróprio?) que piadas sobre a sexualidade e idade avançada de alguns dos caras (todos eles figurinhas carimbadas da cena Californiana), sobre o tamanho diminuto dos membros dos membros e até mesmo uma impagável sacaneada dos insuportáveis solos de baixo do bobalhão Joey De Maio. Some isso tudo com uma profusão de belos peitos sendo mostrados e temos aí um dos grandes shows do evento todo (NOTA 9).

p.s.: Só não consegui até agora entender a garota chorando horrores no refrão de Community Property (cheque a letra e entenda...).

Satchel e Starr detonando no monsters
Yngwie Malmsteen
O sueco grandalhão sempre teve o talento proporcional a seu ego, e ele tem um ego Godzillico. Então, mesmo sabendo que os bons tempos ficaram bem para trás, estava bastante curioso em conferir o show de um dos maiores guitarristas em todos os tempos. Problemas técnicos intermináveis atrasaram um bocado o início do show, e quando o mesmo teve início, que decepção, Malmsteen conseguiu cagar os solos da fantástica Rising Force. E a banda do cara parece um apanhado de xepa da feira, disparado a pior formação que ele já teve. Um tecladista (bom) que pessimamente se desdobra nos vocais e uma cozinha meia boca. Mas o que impressiona mesmo é o desleixo do outrora mestre do rock neoclássico com seus timbres e solos, comendo muitas notas e fazendo muita pose e pouco som. Um fiasco completo (NOTA 2).

Malmsteen 2015, apenas um borrão do que já foi um dia...
Unisonic
Qualquer coisa com Kiske nos vocais me faz querer estar em uma caverna isolada no Afeganistão, milhas de distância de qualquer emissão sonora. Mas respeito Kai Hansen, que acho um bom guitarrista e um puta showman. Bom, o Unisonic não me fez mudar de ideia sobre o Kiske. Um metal europeu para lá de melódico e pasteurizado, como era de se esperar. Mas claro, tudo muito bem tocado. Kiske envelheceu, mas sua voz não sentiu tanto, atingindo uma maturidade que em muito lembra o que aconteceu com o Geoff Tate (Queensrÿche). Acredito que os fãs de metal melódico, afeitos a esses shows bonitinhos e de certa forma distantes do conceito do Heavy metal não tenham nada a reclamar. Eu aproveitei e assisti o show à distância, comendo um bacon burguer, que tem muito mais potássio, atitude e energia em 200 gramas de carne do que em uma hora de show dos caras (NOTA 6).

Accept
Precisou outro combo alemão para mostrar aos garotos leite com pera como se faz. O Accept aproveitou cada um dos minutos de sua apresentação para destilar em alto e bom tom todos os bons clichês do heavy metal clássico. Guitarras esporrentas, bateria cavalar, baixo competente e um vocal que parece ter feito gargarejo com cerol entoando petardos que usam sim de melodia, mas na medida certa, sem Abdicar do peso. A reta final, com Teutonic Terror (recente e já clássica) e Balls To The Wall levantou até defunto. E Mark Tornillo definitivamente faz com que a ausência do anão UDO mal seja sentida. Em suma, o Accept veios em muito alarde e simplesmente destroçou, fazendo aquele que muito consideraram ser o melhor show do festival. Matador! (NOTA 10).

Accept fazendo mais um gol para a Alemanha!

Manowar
O show no Monsters Of Rock de 1998 corou triunfalmente o Manowar no coração dos headbangers nacionais. Eu estava lá, e gaiatices à parte, foi destruidor! Que diferença... o Manowar até começou muito bem, mas chafurdou seu bom repertório num som horroroso. Em quase todo o show o que se ouviu foi o sempre ótimo Eric Adams cantando em cima das linhas de bateria, entrecortado por solos de guitarra e o pior som de baixo que já ouvi. Poderia se culpar o som do evento, mas curiosamente Accept veio antes, som perfeito, Judas veio depois, som perfeito... E o babacão do Joey de Maio com suas bravatas soa como o Steel Panther, só que com uma pequena grande diferença: ele se leva à sério. Absolutamente triste. E o cara ainda tirou onda por falar português, talvez se esquecendo que os gaiatos da Califórnia já tinham falado algumas piadas em bom português horas antes. O sentimento de vergonha alheia tomou conta de muitos, e olha que o público estava bem receptivo. Na plateia, uma profusão de gorilas musculosos sem camisa, se abraçando e chorando, bêbados e provando que o excesso de testosterona se aproxima demais da veadagem absoluta. Assistindo essa apresentação e tentando lembrar o último disco razoável dos caras, me peguei pensando que é hora de programar a aposentadoria: talvez seja melhor dividir o preço do psiquiatra com o Malmsteen. Pífio! (NOTA 4)

p.s.: Ah, sim, teve a participação de Robertinho do Recife, mas ao que parece poucos entenderam quem era.

Judas Priest
Assistir dois shows seguidos de qualquer banda pode ser um pouco desanimador, certo? Sim, mas a fase do Judas está tão boa que fiz questão de ver tudo de novo. Uma ou duas músicas foram trocadas em relação ao show da noite anterior (saiu Love Bites, infelizmente) e Halford estava um tiquinho menos inspirado. Ainda assim um grande show que terminou com uma performance apoteótica de Painkiller seguida de Living After Midnight, a música mais Kiss que o Judas já fez. Muito bom. (NOTA 8)

Kiss
Com quase uma hora de atraso, o Kiss assombra o palco com o costumeiro festival pirotécnico. As pessoas esquecem que fosse somente pela pirotecnia, o Kiss não teria tamanho longevidade e/ou adoração na cena. O grande trunfo dos caras são as músicas: Detroit Rock City, Creatures Of the Night, Psycho Circus, Deuce, God Of Thunder...até mesmo Parasite deu as caras!!! Um show perfeito, certo? Infelizmente não. Paul Stanley está com um físico privilegiado em sua idade, mas ao contrário de Halford, seus 63 anos transparecem por inteiro em sua voz. O cara mal consegue falar, quanto mais entoar os hinos imortais da banda. A voz de Gene também já viveu dias melhores e fica impossível nãos sentir uma pontada de desapontamento em relação ao que se ouviu ontem, a despeito da superprodução e do repertório muito bem escolhido. Ainda assim, um show para lá de empolgante (NOTA 7)

Gene, lá do topo do mundo!
Saldo Final
O triste imprevisto em relação ao Motörhead não pode ser levado em consideração, assim como a má forma de algumas atrações. Ao que pude constatar com quem compareceu na edição do ano passado, o Monsters Of Rock melhorou em termos de estrutura e o som beirou a perfeição na maioria dos shows. A diversidade de stands e afins tornou a experiência de passar o dia no meio de nossos iguais, curtindo um monte de coisas que fazem referência ao universo que tanto amamos, ao som de grandes bandas, uma oportunidade única. E o melhor, em território brasileiro! Particularmente, reencontrei em mim uma paixão pelos shows que vinha aos poucos esmorecendo. O melhor ponto foi a sensação de igualdade, as bandas que tocaram no início da tarde dispondo de ótimo som e do telão fantástico. Afora os já relacionados entraves na organização, o grande ponto negativo foi a notada ausência de nomes brasucas no cast. Sem nenhuma patriotada, temos nomes que podiam muito bem entrar no lugar da galera xepa da feira, como atualmente são o Manowar e Malmsteen. Que venha a edição 2016!!