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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Paul Rodgers – Free Spirit (Blu-Ray – 2018)

Paul Rodgers - Free Spirit

Paulo Rogério e o Espírito Livre
Por Trevas

Narrativa em off, tela preta, Paul faz uma introdução, explicando que antes de todo o sucesso de sua carreira (cerca de duas centenas de milhões de discos vendidos), existiu uma pequena banda de Blues Rock que ele montou com seu saudoso amigo Paul Kossoff (nenhuma menção ou homenagem a Andy Fraser, diga-se) em 1968. A pequena grande banda foi o Free, uma das mais influentes para a então efervescente cena do Rock pesado britânica. Em sua curta existência, o Free produziu uma penca de discos clássicos, e sua importância acabou eclipsada com o tempo pelo gigantismo da empreitada seguinte de Rodgers, o multi-platinado Bad Company.

Os imberbes menudos do Blues Rock inglês

Em 2017 Paul resolveu colocar na rua uma breve turnê celebrando o legado do Free, de mesmo nome desse lançamento (em diversos formatos), que vê a luz do dia justamente quando a banda completa 50 anos de sua fundação. O local escolhido para o registro? O lendário Royal Albert Hall, em Londres. A banda que acompanha o vocalista, a mesma que acompanhou a blueswoman Deborah Bonham (sim, irmã do “hômi”) por muitos anos. Uma banda repleta de feeling e com proficiência o suficiente para fazer justiça ao material original, 16 faixas pinçadas dos 6 discos de estúdio, contando com as obrigatórias (All Right Now, Fire And Water, Mr. Big) e algumas “surpresas”, como Magic Ship (numa rendição de arrepiar) e Woman.



Ok, o repertório é matador e a banda é de ponta. Tá bom, mas e a estrela da noite, como está? Então aos 68 anos, Paul Rodgers prova que fez definitivamente o pacto com o cramulhão! Ou isso ou o cara deve ser urgentemente estudado pela NASA. Além de estar em plena forma física, o baixola não só não perdeu nem um pingo da potente e límpida voz como ainda tira onda “tsunâmica” cantando por vezes a uma distância surreal do microfone, de maneira até mais elástica do que em seus longínquos 20 anos. Não, nenhuma das músicas tem rendição menos do que espetacular. Talvez falte somente aquela coisa mais crua da época, mas vamos combinar, difícil reclamar do que foi gravado nessa noite mágica.


Áudio e Video

Visualmente a produção é mantida ao mínimo: bela iluminação em um palco clean, câmeras em tomadas corretas (em altíssima definição) e uma edição de cortes nada frenéticos, que privilegiam o cantor em pelo menos 70% do tempo. O som? Absolutamente cristalino. Talvez a única reclamação possível seja o ambiente algo asséptico de shows no Royal Albert Hall: parece partida de tênis, um monte de gente com cara de riquinho que mal respira durante a música, todo mundo sentadinho, batendo palmas e gritando só nos intervalos. Eu iria gritar e pular feito um macaco sifilítico durante todo o show, mas está tudo ok.

Extras

Como já havia acontecido em Live In Glasgow, nos extras temos trechos dos shows de abertura. E se Paul fosse político, ia sofrer denúncias de nepotismo. Um dos shows é da filhota, Jasmine Rodgers (com 6 músicas), em formato semi-acústico. Bela voz e um som folk, por vezes exótico. Bacana. O Outro show é da filha de John Bonham, Deborah (com 7 músicas). Nesse caso, como Paul roubou a banda dela, a moça se apresentou num esqueminha voz e guitarra. Baita vozeirão tem a senhora, e o show acaba ficando interessante, mas certamente renderia melhor com a banda completa. Bem poderia ter também uma entrevista com o tio Rodgers, mas ficamos só com os extras musicais (bacaninhas) dessa vez.


Veredito da Cripta

Uma boa banda, um ótimo repertório e Paul Rodgers esbanjando voz. Não, o show não é um emulador perfeito do que era o Free, faltam a garra, a audácia e imprevisibilidade daqueles então menudos do Blues Rock. Mas em compensação, temos muita perícia, experiência e feeling num registro para lá de recomendado.


NOTA: 9,00


Gravadora: Quarto Valley Records (importado)
Prós: 16 clássicos do Free interpretados com maestria
Contras: O clima “festa de tiozão” do Roayl Albert Hall
Classifique como: Blues Rock
Para Fãs de: Bad Company, Joe Bonamassa

terça-feira, 27 de maio de 2014

Paul Rodgers – Live In Glasgow (Cd/DVD/BD - 2007)

Live In Glasgow - Capa do DVD
Clássicos da Cripta - Paul Rodgers Live In Glasgow (Cd/DVD/BD - 2007)



MÃE, QUERO SER PAUL RODGERS!
Por Trevas (texto publicado originalmente em meu antigo Blog, em 2007)

Paul Quem?


Paul Rodgers conseguiria passear despercebido por qualquer avenida desse país. Como o próprio "“Tiozinho Aleatório", no máximo esse nanico e bem apessoado senhor inglês de 64 anos seria alvo de olhares voluptosos de uma ou outra senhora assanhada, mas é só.

Paul aos 64 está melhor que você aos 30, certo?
Pois bem, Mr. Rodgers pode não ter muita fama em nosso território, mas capitaneou 4 megabandas desde o início de sua carreira, nos anos 60, vendendo mais de 100 milhões de discos ao redor do globo. E sua lista de fãs inclui gente como: Jimmy Page, Hendrix, Ian Gillan, David Coverdale, Glenn Hughes, BB King, Jeff Beck, Neal Schon, Bob Dylan, Paul Stanley, David Gilmour...Até o maluco do Ritchie Blackmore, avesso a elogios, vez ou outra diz só voltar ao rock se conseguir Mr. Rodgers como vocalista.

Paul no final dos anos 1960 era bem mais "Troo"
E como toda unanimidade é burra, suas performances à frente do Queen se tornaram motivo de discórdia: muitos fãs da banda chiaram: Como ousa esse baixola substituir o maior de todos?” Brian May explica: Paul Rodgers foi um dos grandes ídolos de Freddy Mercury, que tinha o Free como banda favorita. Ponto final.
Bem, Mr. Rodgers influenciou toda a geração Hard/Heavy dos anos 70 com o Free e seu Rock recheado de blues. Seu estilo de cantar, com muita influência de música negra e sem os maneirismos, gritinhos e exageros da maioria dos vocalistas do rock é fácil de ser reconhecido e sua voz pode ser considerada das mais belas do gênero.


Quando o Free acabou, no início dos anos 70, montou o megagrupo Bad Company (com membros do Mott The Hoople e King Crimson), fazendo uma mistura de Hard com Blues, que durou até 1982, quando se aposentou para constituir família. Suas brincadeiras em seu estúdio particular com o então vizinho e também recém aposentado (por conta da morte de Mr. Bonham) Jimmy Page renderam o megaprojeto The Firm, que gravou dois bem sucedidos (embora de gosto duvidoso) álbuns.
Posteriormente gravou álbuns solo esporádicos, sempre focando o Blues, voltou a fazer turnês com o Bad Company e assumiu por um tempo os vocais no Queen.


O Show

Esse DVD (também disponível em BD e Cd), gravado em uma pequena turnê solo pouco após o fim de 2 anos de excursão frente ao Queen, faz uma apanhado de toda a sua carreira, se concentrando um pouco mais no material do Free.
A gravação é excelente, com boa edição e som perfeito, mas o destaque fica por conta das performances da banda e do bem escolhido repertório.


                                              

O set list traz coisas do Bad Company (Bad Company; Seagull...), material solo (como a ótima Warboys, até então inédita), apenas uma do The Firm (o hit Radioactive) e muito Free (Wishing well; Fire and Water; All Right Now...).


Se a performance de Mr. Rodgers dispensa comentários, sua banda também não fica devendo: Howard Leese (Heart), continua esbanjando feeling na guitarra; Lynn Sorensen (baixista e violinista clássico!?) mostra que é tão bom no palco como em estúdio, com excelente presença e Ryan Hoyle(Collective Soul) mostra todo seu talento nas baquetas.
Mas quem rouba a cena é o outro guitarrista, um tal de Kurtis Dengler. O moleque, de apenas 17 anos possui um feeling que muito marmanjo nunca vai encontrar, tocando canções que tem mais que o dobro de sua idade. E seu entrosamento com Mr. Leese é impressionante, levando-se em conta que a banda ensaiou apenas 10 dias antes de sair em turnê.

Extras

O DVD traz, além do show, entrevistas com Mr. Rodgers, sua banda e com os fãs, além de uma apresentação ao vivo do filho do homem, Steve Rodgers, que está para o pai assim como Maria Rita está para Elis.

Saldo Final
Resta dizer que esse é um documento obrigatório para qualquer fã de blues e rock, mostrando um de seus ícones em ótima forma, tocando ótima música acompanhado de uma banda em estado de graça. E aos vocalistas de plantão, trata-se de uma aula de canto imperdível.

NOTA: Clássico da Cripta!

P.s.: Ah, e o título da resenha foi tirado de uma comunidade do extinto Orkut, e achei bem apropriado, hahahaah


DVD/CD
Faixas (CD): 17 Duração: 125’(DVD) 78’(CD)
Lançamento Nacional ST2/ Eagle Vision

Set List CD/DVD
1. Ill Be Creepin
2. The Stealer
3. Ride On A Pony
4. Radioactive
5. Be My Friend
6. Warboys (A Prayer For Peace)
7. Feel Like Making Love
8. Bad Company
9. I Just Want To See You Smile
10. Louisiana Blues
11. Fire And Water
12. Wishing Well
13. All Right Now
14. Im a Mover
15. The Hunter
16. Cant Get Enough
17. Seagull

Bônus (DVD):
Steve Rodgers – Sunshine/ Entrevistas com Paul Rodgers, banda e fãs.