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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Curtas: Running Wild, Killswitch Engage, Jeff Beck e The Dead Daisies

Running Wild, Killswitch Engage, Jeff beck & The Dead Daisies



Running Wild - Rapid Foray


Running Wild – Rapid Foray (Cd-2016)

A Balada do Pirata Cansado

A banda de Rock’n’Rolf parece aquele bom futebolista que já passou tem muito tempo do seu auge, mas não consegue largar o campo de jogo. Após alguns discos bem ruins, Rapid Foray vem com a promessa de que ainda há inspiração nesses velhos piratas. Black Skies, Red Flag parece querer mostrar que a banda ainda pode soar como nos velhos tempos. Quase consegue, mas fica claro que Rock’n’Rolf está com a voz bem gasta, parecendo que vai falhar a qualquer momento. Warmongers é a típica faixa anos 1990 mediana dos alemães. Stick to Your Guns traz uma veia AC/DC e Rapid Foray é divertida e puxa para o lado do Hard Rock. Black Bart faz justiça aos clássicos e certamente é o melhor exemplar do novo disco.


Os Riffs e solos da maior parte do material aqui são legais, mas deixam a gente com a certeza de que ouvimos tudo isso antes, e com maior ferocidade e velocidade, vide as burocráticas Hellectrifried, the Depht of the Sea e Into the West. Mas me daria por satisfeito se esse fosse o único problema, infelizmente há uma porcaria na bolachinha, a absolutamente intragável By the Blood In Your Heart. Há também uma tentativa infrutífera em criar um novo épico marcante, sob a forma de Last Of The Mohicans, uma faixa até bacana, mas que apresenta muito pouco que justifique ser esticada até onze minutos de duração (seria efeito da síndrome de Iron Maiden?). Enfim, Rapid Foray é bem melhor que Shadowmaker ou Resilient, mas nem de longe pode ser comparado aos melhores trabalhos do Running Wild. Um bom momento para pendurar as chuteiras em definitivo, Rolf!

NOTA: 7,17

Pontos positivos: alguns bons riffs, solos e refrães
Pontos negativos: não traz nada de novo e a banda parece repetir o passado, com a voz de Rock’n’Rolf soando cansada
Para fãs de: Rage
Classifique como: Heavy Metal Tradicional, Power Metal Europeu 

Pirata Velho ainda faz música boa?
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Killswitch Engage - Incarnate
Killswitch Engage – Incarnate (Cd-2016)

Mantendo a Boa Forma

Após um surpreendente retorno com o vocalista Jesse Leach no apoteótico Disarm The Descent, me parecia óbvio que o próximo passo do KsE corria o perigo de empalidecer numa comparação com seu possível melhor trabalho. Bom, dito e feito, minhas primeiras audições de Incarnate apontaram para um leve sentimento de decepção. Bobagem. O disco é muito bom, apenas não tem em cada uma de suas músicas aquela estampa de “novo clássico” que o Cd anterior e The End of Heartache traziam.


Mas dentro da qualidade bem homogênea do material, impossível não destacar o single Hate By Design (ver vídeo), a grudenta dobradinha Until the Day e It Falls On Me, e principalmente a mais diferente de todo o disco, a excelente Embrace the Journey...Unpraised. A produção continua afiada, assim como todos os músicos. Jesse parece mais solto aqui, talvez não mais preocupado em provar sua capacidade em comparação a um vocalista naturalmente mais talentoso (o monstro Howard Jones). Talvez por isso sua performance aqui seja menos impressionante que em Disarm, mas nada que prejudique nem um pouco o disco. Talvez Incarnate nunca se torne um disco de cabeceira para os fãs da banda, mas duvido que tenha desagradado a algum deles.

NOTA: 8,68

Pontos positivos: musicalidade impecável, refrães bacanas
Pontos negativos: nada a destacar, faltou só um pouquinho para considerar o disco perfeito
Para fãs de: Bullet for My Valentine, Soilwork, Shadows Fall, Devil You Know
Classifique como: Metalcore, Melodic Death Metal

KsE 2016
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Jeff Beck - Loud Hailer
Jeff Beck – Loud Hailer (Cd-2016)

Conspiração Guitarrística da Terceira Idade

Da letra declamada em The Revolution Will Be Televised, passando pelo Blues Rock eletrificado e moderno de Live In The Dark e pela bela balada Bluesy Scared For the Children, apenas uma coisa se faz constante, a magia das seis cordas de Jeff, que reitera ser um dos maiores expoentes do instrumento em todos os tempos. Loud Hailer, décimo primeiro disco solo do lendário setentão, mostra que idade não é sinônimo de acomodação criativa – aqui, Beck adota como parceiras Carmen Vandenberg e Rosie Bones, que formam o duo britânico de Blues Rock moderno Bones. Bones, a cantora, tem uma voz meio encardida que causará estranhamento a alguns. Mas seu feeling e capacidade de interpretação caem como uma luva no material cáustico da bolachinha.


Mas não é só na aposta na ala feminina do rock moderno britânico que jaz a ousadia de Beck, não. Loud Hailer é um disco duplamente conceitual: primeiramente, trata-se de um disco de protesto, repleto de letras sarcásticas com críticas políticas e sociais. Segundo, embora não gire 100% em cima do tema, boa parte das letras faz referência à teoria conspiratória de que o 11 de setembro não passou de um embuste criado pelo governo estadunidense em pareceria com o britânico para justificar ações bélicas que na verdade tinham como intuito a corrida pelo petróleo. Esse é um assunto que delicia o velho Jeff sobremaneira. E é um assunto para lá de espinhoso para um senhor dessa idade soltar num disco lançado por majors ao redor do globo. Ponto pro véio.

Tia Jeff  trouxe suas novas amiguinhas para o chá das cinco (Rosie com um "Loud Hailer" nas mãos)
Musicalmente, os 45 minutos de Loud Hailer soam revigorantes, com um blues rock repleto de eletrônica e sujeira intercalando com algumas baladas bonitas. Quase todas as faixas funcionam muito bem, obrigado, sendo a funky O.I.L. o único ponto baixo (e The Ballad of the Jersey Wives um dos destaques). Enfim, um discaço surpreendente vindo das mãos de um velhinho que se recusa a assumir o fraldão geriátrico musical que vem se tornando o Classic Rock.

NOTA: 8,19

Pontos positivos: guitarras fantásticas, voz repleta de personalidade
Pontos negativos: A voz de Rosie pode incomodar ouvidos mais sensíveis
Para fãs de: Hendrix, Rory Gallagher, Gary Moore
Classifique como: Blues Rock

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The Dead Daisies - Make Some Noise
The Dead Daisies – Make Some Noise (Cd-2016)

Dream Team do Hard Rock Ataca de Novo!
Doug Aldrich na guitarra, Marco Mendonza no baixo, John Corabi na voz e Brian Tichy na bateria. Parece uma banda fruto de uma brincadeira de montar o line up dos sonhos para algum fã de Hard, não? Pois então, não é de mentira, esses são os acompanhantes que o guitarrista David Lowy angariou para o novo disco de seu Dead Daisies. Desde o riff inicial de Long Way To Go, totalmente calcado em AC/DC, até os últimos segundos do cover para Join Together do The Who, temos uma sequência incansável de Hard Rock vigoroso. Todos os músicos fazem suas partes à perfeição, como era de se esperar. A maior referência em termos comparativos seria o Aerosmith em sua verve mais rocker. Aliás, se Mr. Tyler não se mostrar mais interessado sem seguir com o Aerosmith, a banda cometeria imenso erro em não pensar em John Corabi para a vaga.


Os destaques ficam para We All Fall Down, Song and a Prayer e a faixa título (Quiet Riot puro!). Mas não dá para deixar de lado um ponto que alguns críticos vem citando em relação ao disco: o de que falta uma cara própria ao som da banda. É verdade, ainda que muito bem feito, Make Some Noise parece uma colcha de retalhos de tudo o que já fez sucesso no mercado estadunidense de Hard Rock (não dá para evitar ouvir Black Betty no início de All the Same, por exemplo, sendo que o restante dela é mais Aerosmith que o Aerosmith de hoje), fato esse amplificado pela opção do Dead Daisies em inserir dois covers no repertório, nenhum deles muito diferente das versões originais: a boa Fortunate Son (Creedence) e a fraca Join Together (The Who). Mas convenhamos, dá para perdoar totalmente a falta de criatividade quando o resultado é tão divertido quanto esse disco aqui!  

NOTA: 7,71

Pontos positivos: ótima produção e grandes músicos
Pontos negativos: soa algo genérico
Para fãs de: Aerosmith, Quiet Riot
Classifique como: Hard Rock

The Dead Daisies - só tem barão!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

This Is Your Life – Ronnie James Dio (Cd – 2014)

This Is Your Life
Vida Longa Ao Rei!
Por Trevas

Do Fim ao Início

Maio de 2010, recebo a ligação de um amigo e companheiro de banda. A voz do outro lado da linha trazia com ela todas as sombras de Mordor reunidas. Prendo minha respiração, enquanto a voz titubeante faz rodeios e não chega à evidentemente macambúzia noticia, e espero pelo pior. Finalmente a mensagem é passada “cara, o Dio morreu”. Fiquei surpreso e tive vontade de rir, dentre todos os cenários macabros que meu cérebro conseguira produzir desde que atendi o telefonema, esperava a fatalidade dentro do meu círculo social, e de certa forma fui tomado de imenso alívio. Brinquei um pouco com a situação e desliguei o telefone. Demorou cerca de cinco minutos até que me sentisse como se realmente a fatalidade tivesse se abatido sobre algum amigo próximo. Ronnie James Dio nunca soube de minha existência, mas sua voz falava comigo desde meus 16 anos de idade. Lembro-me como se fosse hoje: estava em São Paulo, entro no carro de um de meus tios, ia com ele até a galeria do rock, com dinheiro separado para comprar os discos faltantes a minha coleção do Iron Maiden.  A fita começa a rodar uma introdução que trazia uma fala de O Mágico de Oz, seguida de um rebuliço instrumental, e então um riff matador. Eu era fanático por Purple e em especial Ricthie Blackmore e reconheci o estilo do guitarrista de imediato. Quando achei que já era a melhor coisa que eu escutara até então, entra uma voz arrebatadora que me fez esquecer Ricthie Blackmore. A música era Kill the King, naquela versão do ao vivo On Stage. A voz, Ronnie James Dio. E repentinamente Bruce Dickinson já não me parecia mais o cara. E então eu soube que eu precisava escutar tudo o que aquele enigmático e gnomesco vocalista havia gravado. Meu dinheiro saiu do colo do insepulcro Eddie para a aquisição dos três discos de estúdio do Rainbow.

O grande amigo que nunca conheci
Stand Up And Shout

Wendy Dio fora casada com Ronnie James Dio por quase três décadas. Embora já separados quando Ronnie adoeceu, foi ela quem ficou ao lado do vocalista até os últimos instantes. Única empresária que Dio teve em sua carreira, Wendy criou em conjunto com o já enfermo músico o Stand Up And Shout Cancer Fund, instituição filantrópica que tem como alvo angariar recursos para investir em pesquisas relacionadas à cura e tratamento do câncer. Em seu leito de morte, Ronnie deixou uma missão nas mãos de sua companheira, todos os lançamentos póstumos que levassem sua marca deveriam deixar 100% da arrecadação atrelada ao fundo. Um ato que demonstrou que Dio manteve sua famosa nobreza até o último suspiro. Um verdadeiro legado de um pequeno grande homem.

Wendy e Ronnie - eternos amigos
Desde então alguns títulos já foram lançados com essa finalidade, em sua maioria explorando o vasto arquivo de gravações ao vivo nunca lançadas pelo vocalista. Em 2012, Wendy começou a trabalhar na ideia de um disco tributo, trazendo artistas famosos, cujo nome trouxesse um peso à causa que ela abraçou. Discos tributo ao Dio não são exatamente uma novidade, e em 1999 já havia sido lançado o ótimo Holy Dio, trazendo a nata do segundo escalão metálico em versões em sua maioria muito boas para os clássicos da carreira do anão (e.g.: Blind Guardian; Grave Digger, Doro, Fates Warning...). Mas quando foi anunciado que o tributo atual trazia gente como Motörhead, Scorpions, Anthrax e em especial Metallica, entendi o quão alto Wendy havia mirado. Contando com a excelente arte de capa de Marc Sasso, This Is Your Life foi lançado com grande expectativa. O legal é que o disco foi alçado diretamente à 25ª posição na parada da Bilboard, feito assombroso em se tratando de material relativo a um artista já falecido e que desde a longínqua década de 1980 não fazia parte do mainstream. Sinal de que a boa música nunca morre.

A excelente arte de Marc Sasso para o disco
This Is Your Life - Faixa a faixa:

Anthrax - Neon Knights
Os nova-iorquinos já haviam homenageado Dio em 2011, incluindo uma versão de Heaven And Hell em seu set na turnê do Big 4. Mas essa rendição de Neon Knights ficou bem mais bacana. Baseada em parte na original de estúdio, em parte na versão estendida costumeiramente apresentada pelo Black Sabbath ao vivo, cabe aqui destacar a voz de Belladonna, que ao menos em estúdio vem soando melhor que em seus tempos de sucesso com a banda. Ah, curiosamente, o guitarrista solo nessa faixa ainda é Rob Caggiano, que pouco depois disso abandonaria o posto para assumir as cordas no Volbeat. Um ótimo início.


Tenacious D – The Last In Line
A banda piada liderada pelos comediantes Jack Black e Kyle Gass sempre teve ligação estreita com Ronnie. Jack era amigo pessoal do gnomo e o D já havia homenageado o vocalista em seu primeiro disco, com uma música intitulada...Dio! Ah, e os artistas trocaram favores algumas vezes, com os comediantes participando do clipe de Push (de Killing the Dragon) e Ronnie aparecendo no filme da dupla, The Pick Of Destiny. A versão para Last In Line é bem legal, mais curta que a original,com a voz peculiar de Black guiando a canção com maestria. O solo de flauta substituindo o icônico original de guitarra foi um toque bem bolado.

Black, Gass e Dio: Tenacious Dio?
Adrenaline Mob – The Mob Rules
Existem dois vocalistas da atualidade que fazem justiça ao trono deixado vago por Ronnie. Um é o norueguês Jorn Lande e o outro é o estadunidense Russel Allen, que capitaneia o Adrenaline Mob. The Mob Rules foi gravada para o EP Covertà, quando Mike Portnoy ainda fazia parte da banda, e é tão fiel à original quanto avassaladora. Um dos destaques do disco.


Corey Taylor, Christian Martucci, Russ Parrish, Roy Mayorga – Rainbow In The Dark
Corey Taylor, o espoleta que lidera o Stone Sour e o Slipknot fez questão de participar do tributo. Fã confesso de Dio, juntou seus colegas de Stone Sour a Russ Parrish (ex- Fight) e gravou a toque de caixa essa surpreendentemente boa versão para a música mais famosa da carreira solo de Ronnie. Com boa performance vocal por parte de Corey e uma linha de guitarra substituindo o teclado original com maestria, Rainbow In The Dark pode ser uma porta de entrada para a molecada se interessar pelo catálogo do Dio. (Nota do Trevas: li em alguns lugares que Satchel, dos gaiatos do Steel Panther participa dessa faixa. No encarte ele não vem listado, qual foi então minha surpresa ao descobrir que Satchel e o sumido Russ Parrish são a mesma pessoa!!!!)


Halestorm – Straight Through The Heart
Uma das promessas do Hard/Heavy da atualidade, o Halestorm optou por fazer uma versão crua, sem a refinada produção que guiou seu último disco. Uma escolha acertada, a música ganhou uma cara nova, em parte pela pegada atual em outra pela excelente e poderosa voz de Lzzy Hale. Outra pedrada certeira.

Lzzy trazendo um toque feminino ao tributo

Motörhead & Biff Byford – Starstruck
Amigo pessoal de Ronnie desde os anos 1970, Lemmy não podia ficar de fora dessa festa. E não podia ser outra a escolha, Strastruck fala sobre um tema tipicamente Motörhead – a história de uma insaciável groupie. A participação do monocelha Biff Byford (do Saxon), cuja voz parece não envelhecer nunca, dividindo os microfones com Lemmy deixou essa versão com uma aura toda especial.


Scorpions – The Temple Of The King
A rendição dos alemães para a bela balada The Temple Of The King é um daqueles casos nos quais temos a impressão de que a música poderia muito bem ter sido escrita por eles, tamanha a identificação. Outro grupo que tinha uma boa relação de amizade com Dio, os Scorpions tomam para eles uma das músicas mais inspiradas do Rainbow. É de arrepiar.

Gnomos gêmeos? Dio e Klaus

Doro - Egypt (The Chains Are On)
Outro caso no qual a música se encaixa perfeitamente com o estilo do artista que a coveriza, Egypt já havia aparecido no excelente tributo Holy Dio. Doro, outra amiga de longa data do baixinho, dá uma vida toda nova à faixa com seu vocal rouco e algo sexy. Volta e meia a alemã adiciona essa mística canção em seus set lists.

Doro e Dio - a realeza do metal

Killswitch Engage – Holy Diver
Gravada em 2007, especialmente para uma edição da Kerrang!, essa versão para a música título do primeiro disco solo do Dio ganhou notoriedade na época, em especial pelo seu hilário clipe, que fazia troça com o tosco e icônico original. Ainda trazendo o excelente vocalista Howard Jones em sua line up, o KSE foi responsável por apresentar Ronnie Dio e sua música para a garotada fã da NWOAHM. Talvez a versão soe estranha aos ouvidos mais puristas. Particularmente, acho excelente.


Glenn Hughes, Craig Goldy, Rudy Sarzo, Scott Warren & Simon Wright – Catch The Rainbow
Bem, Hughes foi um dos melhores amigos de Ronnie, tendo até mesmo dividido um apartamento com o gnomo nas épocas de vacas magras. Foi ele o escolhido por Wendy para o concerto do Heaven And Hell que homenageou seu marido (em conjunto com Jorn lande, que acabou por se desentender com ela). Escoltado por ex-colegas de banda de Dio, Hughes acaba exagerando demais no tempero soul de sua interpretação, deixando a bela música um pouco estranha. Não ficou exatamente ruim, em absoluto, mas confesso que demorei algumas audições até me acostumar.


Oni Logan, Jimmy Bain, Rowan Robertson & Brian Tichy - I
O bom vocalista Oni Logan, famoso por ter feito parte do Lynch Mob, faz um trabalho bacana nessa excelente faixa do subestimado Dehumanizer. Um pouquinho respeitosa demais à original, a faixa acaba chamando mais a atenção por trazer de volta aos holofotes Rowan Robertson, que aos 19 anos apareceu ao mundo como o guitarrista prodígio que gravou o mediano Lock Up The Wolves do Dio.


Rob Halford, Doug Aldrich, Jeff Pilson, Vinny Appice, Scott Warren – Man On The Silver Mountain
Outra faixa a trazer um vocalista lendário escoltado por ex-colegas de Ronnie, Man On The Silver Mountain causa estranhamento a princípio. O metal god, a exemplo de quando capitaneou improvisadamente o Black Sabbath por dois shows, dá um pouco a impressão de que não está muito à vontade, mas na volta do solo ele acaba por se soltar mais e tudo se encaixa. De qualquer forma, a pegada da música ficou bem legal, com Aldrich brincando com o riff original no início da música, e após algumas audições acabei me acostumando e achando ótimo o cover.


Rob e Dio gravando Stars
Metallica – Ronnie Rising Medley
Quem me conhece sabe que não tenho nenhum apreço pela banda comercialmente mais bem sucedida da história do metal. Para variar, os ególatras condicionaram sua participação no tributo a não ficarem restritos a uma única música. Torci o nariz. Quando me disseram que o medley, que inclui trechos de Light In The Black, Tarot Woman, Stargazer e Kill The King (todas do Rainbow), estava matador, fui escutar cheio de preconceito. Quebrei retumbantemente minha fuça implicante. Alucinante desde a introdução, o medley traz o Metallica com uma fúria e perícia que não são vistos nos caras desde sei lá quando. E Hetfield conseguiu driblar de maneira brilhante suas limitações vocais, trazendo soberbamente músicas bastante complicadas de cantar ao seu característico estilo. Até mesmo a escolha da manjada Kill The King (que 789 bandas já coverizaram) tem que ser perdoada, é a melhor rendição para essa música que ouvi afora a original. Só para não dizer que perdi o sangue nos olhos e o veneno na língua, a passagem de Tarot Woman para Stargazer podia ter sido melhor elaborada, mas pedir que Lars replicasse a mítica introdução criada por Cozy Powell com alguma decência é um pouco demais, não? De qualquer maneira, num disco com nível bastante elevado, o Metallica conseguiu sobressair, tenho que dolorosamente admitir.


Dio – This Is Your Life
Talvez a única coisa que preste em Angry Machines, de longe o pior disco solo de Dio, this Is Your Life é uma balada belíssima. Com sua letra ganhando um significado tocante perante a morte de nosso ídolo, chega a dar arrepios ouvir a majestosa voz de Ronnie versar sobre a efemeridade de nossa existência. E sua performance nessa faixa serve para nos lembrar do imensurável talento que perdemos.

Saldo Final
Um excelente disco, repleto de talento e coração, feito para uma causa nobre e homenageando o maior vocalista que o heavy metal já ouviu. Preciso dizer mais?
O pequeno grande rei viverá para sempre através da atemporalidade de sua música.
E nós mortais temos que celebrar seus feitos, hoje e sempre. Agora me dá licença que vou escutar o disco de novo!

NOTA: 9,5


Prós:
Repleto de artistas consagrados, do passado e da atualidade. Todas as versões transpiram respeito e prazer em fazer parte da homenagem.

Contras:
Podia bem ser triplo...

domingo, 25 de agosto de 2013

Curtas: Helloween, Killswitch Engage, Kvelertak e Pretty Maids


Curtas: Helloween, Killswitch Engage, Kvelertak e Pretty Maids
Por Trevas
Helloween - Straight out Of Hell
Helloween - Straight Out Of Hell (CD - 2013)

Álbum de número 16 na discografia dos inventores do Power Metal Melódico e novamente produzido por Charlie Bauerfeind, Straight Out Of Hell veio ao mundo com a difícil tarefa de dar uma chacoalhada na carreira da banda, que caminha no modo piloto automático já tem um tempo. A abertura com a épica (e boa) Nabatea dá alguma esperança de que finalmente os teutônicos nos presentearão com um disco de qualidade. Fica na promessa. Novamente carecendo de um senso de direção, a banda alterna investidas no lado mais bobalhão do melódico nas fracas World Of War, Far From The Stars e Years com tiros na direção do metal mais moderno e grudento (com o qual vem acertando a mão desde The Dark Ride) em Live Now, na gratuita Asshole e na ótima Waiting For The Thunder. A balada Hold Me In Your Arms é bacaninha, mas não chega a empolgar como outras do catálogo do grupo. Wanna Be God é uma tentativa assumida (e ruim) de reviver We Will Rock You do Queen.

Helloween 2013 - Uma preguiça só...
Curiosamente é justamente quando a banda encontra o equilíbrio entre o melódico e o Metal moderno que o disco melhora, como nas boas Burning Sun, Make Fire Catch The Fly e na faixa título. No final das contas, entre altos e baixos temos mais um disco para cumprir tabela de uma banda que outrora deu as cartas no metal europeu.

NOTA: 6,5




Killswitch Engage - Disarm The Descent

Killswitch Engage - Disarm the Descent (CD - 2013)

O futuro de uma das melhores bandas da nova onda do metal Americano parecia incerto. Após o excelente The End Of Heartache ter catapultado o grupo à estratosfera (com As Daylight Dies mantendo o nível), a banda sofreu um baque com a recepção aguada de fãs e críticos para o igualmente aguado disco homônimo. Não bastasse isso, o ótimo vocalista Howard Jones, envolto em sérios problemas de saúde, resolve abandonar a banda. Ah, isso sem contar com os problemas de saúde do guitarrista, produtor e líder Adam Dutkiewicz.

KsE 2013 - Jesse com a camisa do Bad Brains
Em meio ao caos o Killswitch Engage promoveu testes para o posto de vocalista. Entre os postulantes ao cargo, o eleito foi um velho conhecido, Jesse Leach, dono do microfone anteriormente a Howard. Quem, como este escriba, acreditava impossível que Jesse pudesse seguir de onde o trabalho impecável de Howard parou, quebrou solenemente a cara. Disarm The Descent é uma pedrada metalcore do início ao fim. Tudo funciona perfeitamente, desde a produção cristalina e repleta de punch, passando pela cozinha coesa, os riffs matadores e, pasmem, uma performance vocal avassaladora que não nos deixa ter saudades do demissionário HJ. Difícil apontar destaques em um disco tão homogêneo, mas In Due Time, Tribute to The Fallen e You Dont Bleed for Me tem tudo para se tornarem obrigatórias no set da banda. E ainda temos um momento para respirar um pouco com a bela Always, que coroa a evolução vocal de Jesse. Resta torcer para que o KsE mantenha o nível, pois estamos diante de um dos grandes discos de 2013.

NOTA: 9



Kvelertak - Meir
Kvelertak - Meir (CD -2013)

Três anos após os tresloucados noruegueses terem tomado a Europa de assalto com sua estréia homônima, o Kvelertak retorna com Meir, traduzido literalmente como “mais”.  O som da banda é um Punk Rock furioso misturado à Black Metal e elementos de Hard Rock de bandas clássicas como Thin Lizzy. Ah e isso contando com um trio de guitarras e letras escritas exclusivamente na língua natal da banda. Parece estranho? E realmente é. Mas é também incrivelmente grudento e divertido, basta uma breve conferida nos links abaixo, para as faixas Kvelertak (com algo de Hellacopters), Manelyst e principalmente Bruane Brenn, para descobrir o porquê. Esta última, aliás, é uma das faixas mais legais que ouvi nos últimos tempos. 

Kvelertak e sua mascote alada
No meio dessa sonzeira ainda destacaria a pancadaria de Trepan, o Folk porrada de Evig Vandrar e o clima de Jam de Tordenbrak. Cabe ressaltar ainda o belo trabalho gráfico, novamente cortesia de John Baizley, do Baroness. Para quem procura originalidade sem abrir mão do peso, o Kvelertak representa uma ótima pedida!

NOTA: 8,5






Pretty Maids - Motherland
Pretty Maids - Motherland (CD -2013)

Dono de um dos piores nomes já escolhidos para uma banda de rock pesado, o Pretty Maids iniciou sua carreira na Dinamarca em 1981, sendo mais um dos frutos da influência da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) pelo continente europeu. Para bem da verdade, o Pretty Maids pode ser considerado um dos artifices do Power Metal Europeu, tendo por característica em seu som o cruzamento desse estilo com o AOR, algo que ficou ainda mais forte ao longo dos anos 1990. A carreira da banda, reerguida pelo cover do Hammerfall para Back To Back, voltara a um viés de baixa. Mas deu uma nova guinada com a assinatura de um contrato com a gravadora italiana Frontiers, especializada em AOR, pela qual lançou o ótimo Pandemonium (2010, seguido por um excelente registro ao vivo). O sucesso de crítica gerou um bocado de expectativa para esse Motherland.

Pretty Maids - Ou seria Ugly Guys?
Mother Of All Lies, a faixa de abertura e primeiro vídeo mostra a banda enterrando os pés no AOR com maestria, uma música que entremeia riffs de guitarra e camas de teclado, sendo sempre guiada pela excelente voz de Ronnie Atkins, que outrora influenciara o timbre de Hansi Kürsch (Blind Guardian) e que é de uma versatilidade e competência impares. To Fool A Nation mantém a pegada AOR, e um ouvinte desavisado poderia bem pensar que o Def Leppard finalmente voltara a fazer boas músicas, tamanha a semelhança, em especial pelo atual timbre de Ronnie. Após uma curta introdução narrada, The Iceman finalmente nos mostra a fusão de Power Metal com AOR típica do Pretty Maids, mais uma boa ideia de Ken Hammer, guitarrista e único membro original da banda (além de Atkins) na formação atual. Sad To See You Suffer e Bullet For You são outras a fazer inveja ao Def Leppard, enquanto Hooligan e Why So Serious representam a pegada mais pesada da banda. A balada Infinity ressalta a excelente produção da bolachinha e a faixa título é mais um postulante a novo clássico da banda, assim como a melancólica Wasted, que encerra de maneira brilhante o disco. Uma audição obrigatória para todos aqueles que curtem AOR!

NOTA: 8,5