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domingo, 28 de março de 2021

Human Fortress – Epic Tales & Untold Stories (2CD-2021)


 

Épico em Dose Dupla

Por Trevas

Comemorando 20 anos de lançamento de seu primeiro Full Length, o combo teutônico de Power Metal Human Fortress preparou um pacote especialíssimo para os fãs: um disco duplo contendo passado e presente. O primeiro, ou Untold Stories, passa pouco a marca dos 30 minutos, e traz um compilado de material inédito, majoritariamente gravado durante as sessões de Reign Of Gold, de 2019. O segundo disco, seria o Epic Tales, um Best Of de toda a carreira do sexteto, que desde 2013 conta com os préstimos do brazuca Gus Monsanto (Astra, Revolution Renaissance, Adagio, Takara...) nos vocais.


Esqueça o 7x1, aqui Brasil e Alemanha jogam juntos...

Untold Stories

As faixas foram produzidas pelo lendário Tommy Newton (que já trabalhou em clássicos do Helloween e Conception, só para ficar em dois exemplos), que também toca baixo em Disappear In Dark Shadows. E o disco abre majestosamente, com a misteriosa e épica The Grimoire: fácil, fácil uma das músicas mais legais desse ano, que ainda conta com Michael Bormann no violão e backing vocal. 


Disappear In Dark Shadows e Vain Endeavour quebram o clima soturno da abertura, trazendo aquele Power Metal clássico e grudento que caracterizou o som dos alemães. Free é uma balada orquestrada, que bota a privilegiada de voz de Gus na marca do pênalti. Gol certo, é claro. Fernweh faz o mistério retornar ao som, e We Are Legion é daquelas de incendiar qualquer show. Cruel Fantasy e a folk Pray For Salvation, encerram o primeiro disco, 33 minutos que mostram que a banda vive seu melhor momento.

Epic Tales

No segundo disco temos 15 petardos tirados de 5 dos 6 discos de estúdio da carreira do Human Fortress. Apenas o polêmico Eternal Empire ficou de fora, até por apostar em uma sonoridade bem diversa, o que ocasionou um hiato nas atividades dos caras à época. O material é apresentado em ordem cronológica, o que permite observar a evolução da sonoridade do Human Fortress. Destaque para Gladiator of Rome e para o material de Reign Of Gold, último trabalho da banda, com Gus na voz. Uma compilação matadora, que apenas peca pela falta de informações técnicas sobre as faixas e respectivos discos de origem, a despeito do encarte do belo pacote (um digipack duplo) ser caprichado e trazer fotos de todas as eras.


Ao final das 23 faixas contidas em Epic tales & Untold Stories, fica fácil chegar à conclusão de que os alemães mereciam mais reconhecimento por essas paragens. Um material perfeito para quem quer conhecer a carreira dos caras, e uma promessa de que ainda há muita coisa boa por vir. (NOTA: 9,00)

Gravadora: Massacre Records (importado)

Prós: passado e presente em harmonia

Contras: faltou liner notes com a história da banda para ficar perfeito

Classifique como: Power Metal

Para Fãs de: Helloween, Heavens Gate


quarta-feira, 1 de março de 2017

Os Melhores de 2016 - Pela Cripta do Trevas!

Os Melhores de 2016 pela Cripta do Trevas!
Olá, Guardiões da Cripta

Mais um ano se passou, mais uma lista atrasou, hehehehe

Bem, passei janeiro e fevereiro chafurdando nas listas de sites e pessoas em busca de discos obscuros. Confesso que caso não o tivesse feito, meu Top 20 de 2016 teria ficado bem empobrecido.

E não é por falta de material, não. Foi o primeiro ano em que utilizei ativamente o Spotify, e com ele e o The Metal Club, consegui ter alcance a uma penca de discos quase impossíveis de serem encontrados fisicamente. Devo ter escutado cerca de 200 trabalhos, uns 100 deles resenhados na Cripta.

2016 foi tão bom em lançamentos de rock pesado que minha lista original para essa postagem contava com 30 discos. Abri mão de coisas como os novos do Testament, Kvelertak, Temperance Movement, Claustrofobia, Killswitch Engage, Deftones...mas o fiz para que o texto ficasse menos longo.

Mas ainda assim ficou beeeem longo. Dividirei a postagem em duas partes. Na primeira, farei um apanhado de diversos pontos de 2016. Na segunda parte consta a lista do Top 20.
Comentem, critiquem, desenvolvam vossos vocabulários chulos, só lembrem de deixar minha progenitora fora dessa. Divirtam-se!!!

Saudações metálicas!
Trevas


MELHORES (E PIORES) DE 2016 – Parte I:
Por Trevas


Decepção e Bomba
Decepção e Bomba? Opeth e Metallica cabem aqui? Bom, decepção a gente só tem quando se espera algo de alguma coisa ou alguém. Não é o caso, parei de me importar com o Opeth tem tempo e Metallica nunca me interessou. E, convenhamos, por mais mequetrefes que soem os novos discos, estão longe de poderem ser considerados bombas. Decepção tive quando escutei o novo projeto dos mestres Hank Shermann e Michael Denner. Os caras tiveram a infeliz ideia de contratar para os vocais Sean Peck, o Ripper Owens sem pedigree, que tem tempos infla minha bolsa escrotal com o genérico Cage. Bom, Sean parece ter se empolgado ao fazer um som com os tiozões do Mercyful Fate, nos presenteando com a performance vocal mais irritante desde a estreia de Jim Gillette. Some os maneirismos para lá de Over de nosso amiguinho à um punhado de faixas burras do naipe de Son Of Satan e temos o disco mais decepcionante que escuto em eras. Mas, por pior que seja Masters of Evil, ele em nada se compara a The Astonishing, do Dream Theater. Os nerds estadunidenses encapsulam tudo o que há de pior no Prog Metal, mas dessa vez se superaram: 130 minutos de puro exibicionismo com barulhinhos de robôs e melodias insípidas que contam uma história tão desinteressante e genérica que se trocássemos os robozinhos por dragões, teríamos um disco do Rhapsody. E tome tiruliruli-tirulirulu-pim-pom-tum. O treco é tão absurdamente ruim que a melhor música dentro as 34(!!!!), the Gift Of Music, não serviria nem de lado B de single do Rush atual. Bisonho!

Denner/Shermann + Dream Theater - why, Lord, whyyy??!?!?!

Revelações:

Ok, ok. Podem me xingar. Mas o combo britânico de Classic/Hard Rock que o queridinho do The Voice Nathan James montou promete, e muito. O primeiro disco do Inglorious pode não ter reinventado a roda, mas promete fazer a alegria dos fãs de Rainbow e seus derivados pelos anos que virão. O mesmo pode ser dito dos espanhóis do Lords Of Black. Não os caras não nasceram em 2016, mas a escolha de seu vocalista, Ronnie Romero, para o posto de nova aposta de Blackmore no retorno improvável do Rainbow fez com que os caras ganhassem uma exposição gigantesca. Uma baita banda a ser espiada no futuro! E coloco aqui um supergrupo também – Last In Line. O combo montado por Vivian Campbell e Vinny Appice chutou bundas com seu debut. E para provar que não foi acidente, já anunciaram o lançamento do segundo rebento. Aqui no Brasil, fui surpreendido pelo trio Chronicode, que lançou meio que na surdina seu Shapeshifter, mostrando que Mari Figueiredo é uma das melhores vozes da nova cena brasuca. Com boas músicas guiadas pelas guitarras afiadas de Julia Pombo e Celo Oliveira e uma baita produção, esse projeto é mais uma promessa tupiniquim de alta qualidade! 

Inglorious, Lords Of Black, Last In Line e Chronicode - gratas surpresas!
Capas do Ano!

Ah, tá, ninguém mais compra mídia física. Foda-se! Ninguém liga mais para arte gráfica. FODAAAAAA-SEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!! 

Eu ligo. Engole o choro!

Olha, ainda que o declínio da vendagem das mídias físicas seja uma infeliz realidade, ele não afetou tanto assim a qualidade das artes gráficas dos lançamentos mundo afora não. Muito provavelmente por que as ferramentas hoje são muito mais acessíveis aos artistas de plantão. Escolhi aqui quatro capas que considero das mais belas que vi esse ano. Brotherhood of the Snake, do Testament, pode ter falhado em me conquistar como o fizeram os lançamentos dos caras desde The Gathering. Mas a arte de capa do Israelense Eliran Kantor (Satan, Crowbar, Kreator) ficou excelente, casando bem com as paranoias conspiratórias das letras do disco.

O Tamuya Thrash Tribe explora em suas letras um pouco de nossa história. E também toca em temas para lá de pesados, como o silencioso genocídio de nossos índios. E dificilmente uma arte de capa poderia se mostrar mais concisa e impactante do que a que adornou The Last Of The Guaranis. Um Forte e belo trabalho da artista plástica Isabelle Araujo.

O Metal extremamente técnico e espacial dos estadunidenses do Fallujah geralmente vem adornado por artes de capa belíssimas e etéreas, e em Dreamless não foi diferente: cortesia de Peter Mohrbacher, especialista em ilustrar versões bem diferentes para as entidades que chamamos de “Anjos”.

Os noruegueses do Kvelertak decidiram abandonar as artes de temática pagã do excelente John Baizley (líder do Baroness), mas o renomado ilustrador Arik Roper (que além e artes para outras mídias já pintou coisas para Black Crowes, Sleep e Cathedral) nos presenteou com uma bela ilustração Old School para o Night Traveller (com a corujinha mascote da banda à tiracolo) do título em norueguês.

Testament, TTT, Fallujah e Kvelertak - belos trabalhos de arte gráfica
Shows:
A oferta de shows pelo Brasil em 2016 foi bastante boa. Os preços, nem tanto. Aqui na Cripta vocês puderam ler relatos de alguns convidados ilustres sobre o primeiro Hell In Rio, sobre a primeira turnê do Iron Maiden depois da recuperação de Mr. Bruce Dickinson, além da passagem marcante do Sisters Of Mercy pelo Rio. Pude assistir a uma penca de shows em 2016, vários deles memoráveis (Soilwork, Candlemass, Halestorm, Kamelot, Exciter/Sacred Reich), mas dentre todos, os que mais me marcaram foram os shows de dois combos teutônicos (7x1?):

A) O verdadeiro massacre sonoro que a nova encarnação do Accept propiciou no Imperator, em Abril. Arrisco a dizer que os caras estão melhores hoje do que em seus tempos áureos. Um show de metal sem frescuras, apenas a banda e sua música.

B) Bem diferente da minha escolha seguinte: o apoteótico show do Rammstein encerrando o primeiro Maximus Festival. Um show de tanto poder de fogo musical e visual que é capaz de tornar uma apresentação do Kiss algo mambembe e desinteressante. Simplesmente o melhor espetáculo audiovisual que a cena do rock pesado já criou. Inesquecível.

Pôster do primeiro Maximus
O que esperar de 2017?

Em termos de lançamentos, 2017 começou com tudo! Kreator, Pain Of Salvation e Sepultura já botaram suas garrinhas de fora com dois discaços que em breve ganharão suas resenhas por aqui. Os veteranos prometem muita coisa boa vindo por aí: Judas Priest, Metalmorphose e Deep Purple são alguns dos “velhinhos” que já anunciaram novos trabalhos para esse ano. Ritchie Blackmore já avisou que uma segunda rodada de shows do Rainbow redivivo irá acontecer, deixando um suspense em relação a um novo disco. O Megadeth finalmente conquistou seu primeiro Grammy, ainda que trolado pela produção, que tocou uma música do Metallica no momento do anúncio. E 2017 ainda promete ser o ano em que finalmente o Tool vai largar a preguiça de lado e lançar seu primeiro trabalho em mais de 10 anos. Em relação a shows em nosso território, Amon Amarth, Abbath, Lacuna Coil, Evanescence e Moonspell já tem datas confirmadas. A promessa é de uma agenda ainda mais cheia e repleta de grandes apresentações do que 2016. Enfim, o ano promete!


MELHORES DE 2016 – PARTE II - TOP 20!!!


20. Witherscape - The Northern Sanctuary

20. Witherscape – The Northern Sanctuary
O projeto do criativo sueco Dan Swanö com Ragnar Widerberg  tem um pé na morbidez, mas com nuances Prog e citações a quase todo e qualquer subgênero dentro do Heavy Metal, mas sem perder uma inesperada veia pop.


19. Gus Monsanto - Karma Café
19. Gus Monsanto – Karma Café
O primeiro disco solo de um dos melhores vocalistas da história do rock pesado Brasuca é uma grata surpresa: AOR/Hard recheado sensibilidade e boas ideias. Ah, e com um vocal de primeira!


18. Lords Of Black - II
18. Lords Of Black – II
Vocal de primeira é o que encontramos nessa banda espanhola, que faz uma versão 2016 do som que o Rainbow imprimiu lá nos anos 1970. Não à toa, Ronnie Romero foi escolhido vocalista do...Rainbow!


17. Ihsahn - Arktis
17. Ihsahn – Arktis
O norueguês é especialista em trabalhos que misturam zilhões de influências de tudo o que já foi feito dentro do metal. Só que dessa vez ele conseguiu fazer isso de maneira ainda mais acessível.


16. Blood Ceremony - Lord Of Misrule
16. Blood Ceremory -  Lord Of Misrule
Os canadenses fazem um Occult Rock que bebe tanto de Jethro Tull quanto de Black Sabbath e Coven. Os riffs monolíticos com nuances folk, flautas e a bela voz de Alia O’Brien criam um clima único e sombrio.


15. Vader - The Empire
15. Vader – The Empire
Não há nada de necessariamente novo nos pouco mais de 30 minutos do novo disco dos mestres poloneses do Death Metal. E nem precisa ter novidade quando se faz um disco tão forte e vigoroso quanto esse.


14. Tygers of Pan Tang
14. Tygers Of Pan Tang - Tygers Of Pan Tang
Talvez o disco mais improvável a figurar na minha lista. Os veteranos da NWOBHM  tem mais cacos do que clássicos em sua discografia, então esse ótimo disco homônimo certamente pode figurar entre seus melhores trabalhos.


13. Last In Line
13. Last In Line – Heavy Crown
Vivian Campbell remonta a formação clássica que gravou Holy Diver para honrar a memória do desafeto Ronnie James Dio. Soa falso? Em intenção, sim, mas que puta disco nasceu dessa ideia!


12. Purson - Desire's Magic Theatre
12. Purson – Desire’s Magic Theatre
Rosalie Cunningham, o prodígio britânico que praticamente faz tudo nessa banda com nome de capeta, muda a chave de seu som para algo mais psicodélico e menos sombrio, mas ainda assim excelente.


11. Magnum - Sacred Blood, Divine Lies
11. Magnum – Sacred Blood, Divine Lies
Os veteraníssimos britânicos, responsáveis por uma das sonoridades mais idiossincráticas da história do rock, vivem um raro momento de criatividade tardia. Um dos melhores trabalhos de sua extensa discografia.


10. Trees of Eternity - Hour of the Nightingale
10. Trees Of Eternity – Hour of the Nightingale
A Sul-Africana Aleah Stanbridge pode ter deixado cedo demais esse plano astral. Mas seu legado musical, em parceria com Juha Raivio (do Swallow the Sun), viverá para sempre nesse belo e tristonho disco.


09. Fallujah - Dreamless
09. Fallujah – Dreamless
Robótico, etéreo e extremamente técnico, o som dos estadunidenses é bem próprio. Para nossa sorte também é pesado feito um mamute celestial. Estranho e muito criativo, um baita disco de metal moderno.


08. Metal Church - XI
08. Metal Church – XI
Outra surpresa vinda de um grupo veterano. Mike Howe retornou ao Metal Church e parece que os anos afastado da cena fizeram muito bem ao vocalista uma ótima performance num disco recheado de petardos para deixar a velha guarda de sorriso no rosto.

07. Khemmis - Hunted
07. Khemmis – Hunted
Em Hunted, o Khemmis escreve um verdadeiro compêndio de quase tudo o que se pode fazer dentro do Doom Metal. Épico, pesadíssimo e lento feito uma tartaruga das galápagos com reumatismo.


06. Gojira - Magma
06. Gojira – Magma
Composto em um longo espaço de tempo onde a vida dos irmãos Duplantier foi revirada de pernas para o ar, Magma confirma a capacidade dessa banda francesa de compor discos que não se parecem com nada que já tenha sido feito antes. Pesado, denso e ainda assim cheio de sutilezas.


05. Blues Pills - Lady In Gold
05. Blues Pills – Lady In Gold
O combo multinacional capitaneado pela bela vocalista sueca Elin Larsson já havia apresentado uma imensa gama de influências no som retrô de seu surpreendente debut. Mas no novo disco foram ainda mais longe, mostrando que além de emular com precisão as eras de ouro do Rock, são capazes também de compor belas músicas que grudam na nossa cabeça.


04. Tamuya Thrash Tribe - The Last Of The Guaranis
04. Tamuya Thrash Tribe – The Last Of the Guaranis
Os cariocas nos presentearam com um trabalho extremamente bem pensado, desde o conceito, passando pela arte gráfica, composições e arranjos. Ah, e no meio disso tudo tem peso, um puta peso, diga-se. Um dos melhores trabalhos de estreia de uma banda brasuca em muito tempo.


03. Insomnium - Winter's Gate
03. Insomnium – Winter’s Gate
Puta merda, um trabalho conceitual sobre uma história viking em uma única música dividida em várias partes. Adornado por uma sonoridade que remete ao Melodic Death Metal. Isso pode prestar? Sim, e como!!!!! Um trabalho quase perfeito.


02. Amon Amarth - Jomsviking
02. Amon Amarth – Jomsviking
Eita, mais um trabalho conceitual envolvendo temática nórdica? Virou moda? Obviamente os suecos do Amon Amarth são bem menos sutis que os colegas do Insomnium, mas ainda assim a história simples de Jomsviking é muito bem contada. E musicalmente o disco é o melhor dos brucutus desde o perfeito Twilight Of The Thunder God.



01. Fates Warning - Theories Of Flight
01. Fates Warning – Theories Of Flight
Vejam só que surpresa, um cara que adora desancar o Prog Metal coloca justamente um dos baluartes do estilo no topo de sua lista? Pois é. Mas não estamos falando de qualquer banda, e sim de uma das pioneiras. E de longe a mais madura. E é justamente por isso que o FW não cai nas armadilhas de punhetagem explícita e arrogância intelectualoide que assolaram e minaram o estilo. Não que não existam momentos de proficiência técnica que esbarrem nisso por aqui, mas o que vem primeiro para Jim Matheos, Ray Alder e sua trupe é a música. E Theories Of Flight está repleto de boas canções, excelentes melodias e peso, muito peso. Com dos melhores discos de uma longa carreira, o Fates Warning angariou com sobras o topo de minha lista!




domingo, 18 de setembro de 2016

Gus Monsanto – Karma Café (Cd-2016)

Gus Monsanto - Karma Café

Gus Goes Solo!
Por Trevas

Prólogo - Uma Longa Gestação



Sabe aqueles filmes de heróis que vemos hoje em dia, onde diversos personagens interessantes, com história de vida e brilho próprios são diluídos para servir a uma trama complexa e você é pego pensando: “pô, personagem X bem poderia ter um filme só dele, né?”. Mas o filme esperado nunca vem. Pois então, assim parecia seguir a carreira do vocalista Petropolitano Gus Monsanto.


'É, cara, tô falando com você!" Gus Monsanto



Um dos melhores vocalistas de rock pesado a ter surgido em território tupiniquim em todos os tempos, Gus possui considerável reputação no Velho Continente, tendo participação marcante em bandas como Adagio (França), Human Fortress (Alemanha), Takara (EUA) e, obviamente, Revolution Renasissance (o combo multinacional capitaneado pelo guitarrista Timo Tolkki). Isso sem falar nas Brasucas Angel Heart, Symbolica e Astra. Some isso às inúmeras participações especiais (Dr. Sin, Skyrion, Julien Damotte...) e você tem uma discografia bastante rica. Algo que talvez só tenha paralelos com a carreira do também excelente Jeff Scott Soto





O “problema” é que em muitos desses casos o vocalista usou seu talento para tentar imprimir sua marca em músicas idealizadas por outros artistas. Era de se esperar, portanto, que em algum momento o cara sentisse uma forte necessidade em poder exprimir sua arte seguindo suas próprias regras, expiando seus próprios demônios e colorindo seus próprios sonhos. E aí teve início a longa gestação do que viria ser Karma Café, um trabalho que começou a ser elaborado lá pelos idos de 2013 e que acaba de ser lançado, um pouco na surdina, para surpresa geral. A se considerar a versatilidade de Gus somado ao fato de sua discografia passear por diversos estilos dentro do rock pesado, pairou a dúvida no ar; que caminho seguiria o vocalista em sua primeira aventura solo? Apostaria ele no Power Metal, cena na qual talvez tenha obtido maior reconhecimento? Ou estaria ele reservando alguma surpresa? Pois então, pegue uma mesa no Karma Café e vejamos o que tem no menu.



Adentrando o Café

A trinca inicial, com a ótima faixa título seguida pela animada No Candle Left In The Box e a Zeppeliana Elephant In The Room (composta em parceria com o irmão Jayme, uma de minhas favoritas, diga-se), já mostra o tom do disco: sonoridade Hard flertando com o Pop (chame de Melodic Rock, se quiser). Gus está cantando de maneira solta e repleta de feeling, sabedor do que cada canção pede em termos de performance. Nada aqui é over e não há sequer um pingo de Power Metal na bolacha, o que pode assustar um pouco os fãs da discografia do vocalista e que desconhecem seu rico pool de influências.

Fire and Dynamite é daquelas faixas que poderiam muito bem ganhar as rádios rock, num mundo onde as mesmas ainda existissem, claro. Repleta de belas melodias e com arranjo bem bolado e belas intervenções de guitarra, cortesia de William Belle. A produção, ao encargo de Gus com Celo Oliveira aposta numa sonoridade cristalina e com espaço para todos os instrumentos brilharem. Mas deixando claro também se tratar de um disco de canções, e num trabalho assim a estrela absoluta é a voz, como vemos nas harmonias cuidadosas das faixas mais pop como Time (outra parceria com Jayme Monsanto e que possui absurda veia radiofônica), A Girl I Know, Going Insane, Fel (com algo de country e Beatles) e Shooting Star (a menos inspirada para meu gosto, a despeito dos belos solos).





Nas letras é possível observar uma intensa carga emocional, tudo soa extremamente pessoal e é possível notar um tom algo melancólico. Mas essa sutil melancolia nunca transparece na energia que as músicas passam, bastante positiva, diga-se.


A bolachinha volta a ganhar peso com a ótima Forbidden, que bem poderia ser a melhor música que o Dokken fez em séculos. O pop volta com força total e muita qualidade em Why?, com belo interlúdio com destaque para o baixo de Jayme. After the Storm é a minha favorita do lado mais calmo do disco e duvido alguém escutar a viciante Change the World sem sair fazendo os “nanana” junto com o Petropolitano. A primeira aventura solo de Gus termina com uma mensagem bem “alto astral” da curtinha e rocker Nothing is Impossible, com leves toques à lá Marillion, cortesia dos teclados de Bruno .


Saldo Final

A estreia de Gus Monsanto traz um material muito bem feito, repleto de belas melodias e executado por um time para lá de talentoso, num disco daqueles de se escutar por inteiro sem cansar. Talvez represente um choque inicial para os fãs da carreira do vocalista, cujos maiores feitos sempre estiveram mais relacionados ao universo do Power Metal.  Um trabalho que fará a alegria dos fãs de Melodic Rock e AOR em especial. Se você gosta da gravadora Frontiers e seus combos sempre eficientes de Melodic Rock, não perca tempo e corra atrás dessa belezura. Resta esperar que o disco, já disponível no Spotify e em mídia física, seja bem recebido e que o vocalista não demore tanto assim para soltar um novo trabalho solo.


NOTA: 8,42


Pontos positivos: belas melodias, vocais caprichados e arranjos que valorizam as canções
Pontos negativos: trabalho bastante melódico, não há muito espaço para peso aqui
Para fãs dos trabalhos da gravadora Frontiers e congêneres;
Classifique como: Melodic Rock, AOR, Hard Pop

sábado, 27 de outubro de 2012

Herman Rarebell - Scorpions – Minha História Em Uma das Maiores Bandas de Todos os Tempos (Livro - 2012)




Venha Sentar no Botequim do Alemão

Herman Ze German


Para quem não conhece, Herman Rarebell foi o baterista da era de maior sucesso comercial do Scorpions, tendo tocado com os caras de 1977 a 1995. Não somente Herman marcou época como um dos bateristas mais vigorosos do hard rock nos anos 1980, como também ajudou a escrever vários dos clássicos da banda, além de ter contribuído com muitas das letras por possuir um conhecimento de inglês “menos ruim” que seus colegas de Hannover.


Herman Maltratando as Peles nos anos 1980

Pois bem, ao final do ano passado, Herman resolveu compartilhar suas memórias sobre esses anos junto ao Scorpions com o mundo, com a ajuda de Michael Krikorian, que além de jornalista é diretor da fundação Rock And Roll Remembers, criada para ajudar figuras públicas outrora proeminentes na cena rocker e que hoje passam por dificuldades.



O livro, originalmente lançado em inglês, sob o título “And Speaking About Scorpions...”, foi recentemente publicado pela Panda Books no Brasil, contando com uma boa tradução de Gus Monsanto (que é um tremendo vocalista de metal) e notas na badana de capa e na contracapa escritas respectivamente por Bruno Sutter (o humorista e músico conhecido pelo personagem Detonator) e por Felipe Machado (jornalista e guitarrista do Viper). O prefácio fica por conta de Dieter Dierks, o proverbial “sexto Scorpion”, produtor que trabalhou com a banda em seu período mais prolífico.

Mas quem espera pela típica biografia de astro do rock vai encontrar algo um pouco diferente nesse livro. A narrativa é pouco linear e em muito se assemelha a uma conversa de bar, bem informal, sem se preocupar muito com a exatidão e detalhes das histórias contadas. Além do mais, fica evidente desde o início o egocentrismo de Herman, e pouco ou nada é exposto sobre pensamentos, comportamentos e/ou histórias envolvendo outro membro da banda.

Por outro lado, o que também fica bastante evidente é o senso de humor aguçado do baterista bonachão, tudo aqui é contado, ao menos na maior parte do livro, com uma leveza e descontração contagiantes. Em poucas páginas você quase acredita que pode pedir a nova rodada de cerveja alemã para curtir a conversa com seu mais novo amigo.

Herman nos dias de hoje
E logo ficamos sabendo que Herman nasceu Erbel, mas que devido a uma incompreensível inaptidão dos ingleses em pronunciar seu sobrenome corretamente, o Erbel virou Rarebell. E foi na Inglaterra também onde Herman passou a ser chamado Herman Ze German.

E que tal saber que Herman só foi fazer teste para a banda quando ambos estavam na Inglaterra, por conta de um esbarrão casual em um pub britânico com o maluco teutônico Michael Schenker, irmão caçula de Rudolph Schenker.

Outras curiosidades aparecem ao longo do livro, como o surpreendente teor jovial da conversa da banda com Mikhail Gorbachev (que conhecia bastante bem o material da banda) às vésperas de um dos pontos mais importantes da história recente.


Scorpions e Gorbachev

Mas grande parte do livro se passa em devaneios de Herman Ze German sobre a indústria musical, suas idiossincrasias e armadilhas, seja no terreno das finanças, seja no pantanoso terreno das relações conjugais (e como as mesmas são afetadas por esse meio). Herman destila seu humor politicamente incorreto sobre esses pontos, além de dar diversas dicas aos jovens músicos do que fazer e do que não fazer, sempre exemplificando com seus próprios erros e acertos durante a carreira. E não faltam também piadas sobre o bebum Pete Way (baixista do UFO e reconhecidamente um dos maiores junkies da indústria) e sobre a proficiência oral das groupies americanas. Aliás, quem gosta de histórias sobre drogas e devassidão, não deve ficar assanhado. Há até um capitulo inteiro sobre o assunto, mas nada próximo do que pode ser encontrado em outras biografias do gênero, afinal, o autor preferiu não expor nomes na maioria dos casos.

Só que em sua reta final o baterista estraga toda a leveza do papo de botequim, como aquele bêbado que passou um pouco demais da conta, começando a ficar inconveniente. E então, com um amargor muito mal escondido em relação a sua saída da banda, passa a atacar com acusações de ganância e traição Klaus e Rudolph, a quem dizia parágrafos antes amar como irmãos, pontuando os ataques com requintes de egocentrismo, já que afirma que a banda após sua saída não emplacou mais nenhum hit, o que talvez diga algo sobre a sua real importância na história dos Scorpions.

Reunião dos velhos escorpiões em 2006, Herman de vermelho

Saldo Final

Apesar da queda em seus últimos dois capítulos, a leitura em geral é bastante dinâmica e divertida, ainda que seja carente em detalhes históricos.

Meu gosto pelas biografias musicais se deve principalmente ao pano de fundo histórico que as mesmas costumam trazer com maestria e onde aprendemos como os cenários político, econômico e social  modulam o surgimento e morte de estilos e subestilos musicais. E não encontrei nada disso por aqui, as referências históricas são mínimas e mesmo a citação a outras bandas e músicos contemporâneos ocorre de forma esporádica e superficial (ah, há um gratuito espancamento do Girlschool e um tapa de luva de pelica no Bon Jovi).

Ou seja, um livro legal, com um enfoque bem diferente do tradicionalmente encontrado em obras do gênero, mas que fica muito longe de ser uma obra definitiva se seu objetivo for de fato conhecer a história da maior banda de rock teutônica em todos os tempos.


NOTA: 6,5

Ficha Técnica

Título: Scorpions – Minha História Em Uma das Maiores Bandas de Todos os Tempos.

Título original: And Speaking Of Scorpions...

Autor: Herman Rarebell, com Michael Krikorian

Ano: 2012

Tradução: Gus Monsanto

Páginas: 280

Lançamento nacional Panda Books, selo da Editora Original Ltda