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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Melhores de 2017 pela Cripta do Trevas

Melhores de 2017 - Cripta do Trevas

Olá, Criptomaníacos!

Todo ano é a mesma coisa, prometo para a mesmo que conseguirei fechar minha lista de melhores do ano na primeira quinzena de janeiro. E acabo só conseguindo publicar em fevereiro ou março. Dessa vez tenho uma desculpa razoável, fui acometido de uma infecção nos dois ouvidos no final do ano, o que me deixou de molho e impediu colocar em dia as audições para essa postagem.

E esse ano que passou teve uma quantidade bem expressiva de ótimos lançamentos, muitos deles bem poderiam estar na lista do top 20. E 2017 representou um ano de impressionante crescimento para o blog. Chegamos a uma média de 20.000 acessos por mês, o que pode ser pouco para alguns, mas me parece surpreendente para um blog feito por uma pessoa só, sem nenhuma ambição profissional e com frequência errática de publicação.

Como usual, reescutei os discos lançados no início de 2017 para não cometer nenhuma injustiça, e sempre é válido lembrar que, ao contrário de outros blogs, a Cripta expressa tão somente minha preferência. Não há uma equipe ou votação. Então, é claro, tudo tem muito a ver com o meu gosto pessoal e está sujeito a altas doses de subjetividade. Como toda lista do gênero, diga-se.

A ideia principal é tão somente mostrar às pessoas os discos que mais me impressionaram, para, quem sabe, fazer com que elas se apaixonem por essas pérolas também.

Espero que vocês se divirtam, comentem e, se tiverem tempo, postem nos comentários suas listas.

Grande Abraço
Trevas

Metal Brasuca

O ano terminou com o choque da notícia do falecimento de um dos maiores vocalistas da história do nosso Heavy Metal, Mário Linhares, mentor do Dark Avenger. A banda lançou o ambicioso The Beloved Bones: Hell. Confesso que a obra, bastante complexa, não me conquistou como eu esperava, mas muita gente captou a mensagem e listou o disco entre seus favoritos do ano. Já o Sepultura lançou o avassalador Machine Messiah, um dos melhores e mais concisos trabalhos de sua carreira. O canto do cisne de Tavinho Godoy junto à lendária Metalmorphose com Ação & Reação também tem sido pule de dez nas listas de melhores do ano nos veículos especializados tupiniquins. Estaria na minha lista também, mas como agora faço parte da banda e não quero ouvir “marmelada, marmelada”, deixarei a bolachinha fora da lista. O Hatefulmurder achou em Angélica Burns a voz capaz de levar a promissora banda um patamar acima.

Revelações Brasucas


Já no quesito revelação, muita gente vem se impressionando com o Metal revivalista dos anos 1980 do Biter, de fato uma banda a ser observada para os bangers mais tradicionais. Já apostando num Power Metal encorpado, fico com a impressionante estreia do “exército de um homem só” petropolitano Omega Blast. Numa estética ainda mais moderna, apostaria minhas fichas no Final Disaster, que mostrou maturidade e criatividade em seu Ep The Darkest Path.

Capas

The Beloved Bones: Hell, do Dark Avenger, trouxe a impressionante e sombria ilustração do francês Bernard Bitler para casar com a sonoridade complexa e pesada do disco. Igualmente sombria e complexa ficou a arte de Dan Seagrave para o disco de estreia do Memoriam. Já a homenagem à Força Expedicionária Brasileira que a Metalmorphose imortalizou em A Cobra Fumou, também ficou latente na bela ilustração de Victor Santiago no disco Ação & Reação. A simplicidade também tem seu valor, como podemos notar na icônica ilustração do Branca Studio para Medusa, do Paradise Lost.

Melhores Capas de 2017
Bombas do Ano

Difícil escolher os destaques do ano? Mais difícil ainda é gastar saliva com cocôs musicados. Dos grandes lançamentos, fico de longe com a forçada aposentadoria do Deep Purple com o intragável Infinite, um disco que dilapida mais uma vez o legado de um dos gigantes do Rock num marasmo de ideias chinfrins disfarçadas por uma superprodução musical. Uma lástima. A segunda escolha já é menos dolorosa e surpreendente, já que supergrupos são prolíficos em caquinhas musicais. O novo supergrupo da moda, o estelar Sons Of Apollo, foi incapaz de achar uma cara própria em seu absolutamente nada criativo trabalho de estreia, desfilando um pastiche dos piores clichês do infame Metal Progressivo, para nosso horror.

Playlist

Olha, sempre me cobro de fazer um playlist das principais músicas do ano. Em 2018 tenho certeza que farei algo mais robusto, mas para 2017, fico com essas 43 músicas, espero que gostem!






Melhores de 2017 – Top 20:


20. Chelsea Wolfe – Hiss Spun
Quinto álbum da multi-instrumentista estadunidense, Hiss Spun tem a difícil tarefa de suceder a obra prima Abyss. A sonoridade é um pouco mais orgânica, com presença de guitarras em primeiro plano em diversas músicas, mas a essência não é muito diferente: uma obra densa e extremamente sombria que mistura elementos de várias vertentes do Heavy Metal com muita eletrônica e soluções musicais incomuns. Difícil de explicar, mas funciona muito bem.




19. Night Demon – Darkness Remais
Adoro o Heavy Metal simples e direto da primeira metade dos anos 1980, e essa onda de revival desse som é legal, mas costuma ser tão derivativa que raramente passa disso: “legal”. Entretanto, às vezes surgem uns discos dessa cena que são tão bacanas que me fazem esquecer a sensação do “já ouvi isso antes e melhor”. Esse Darkness Remains é um deles, um disco delicioso apesar da profusão e clichês.





18. Inglorious – II
Eis que justamente quando Kevin Shirley resolveu controlar um pouco os exageros do promissor (e ególatra) Nathan James é que o Inglorious começa efetivamente a mostrar seu poderio. Apostando em canções que fazem ponte entre o Hard Oitentista e o som dos anos 1970, a banda vem ganhando território e tem tudo para se tornar um grande nome do rock mundial num futuro próximo. Se o ego de Nathan deixar, claro...





17. Hatefulmurder – Red Eyes
A estreia do fenômeno vocal Angélica Burns só fez bem ao som dos cariocas do Hatefulmurder. Contando com uma produção precisa e canções tão ferozes quanto grudentas, Red Eyes tem tudo para colocar a banda no hall dos nomes mais incensados de nossa cena.







16. Vuur – In This Moment We Are Free: Cities
Se forçarmos bastante a barra, dá para chamar o Vuur de um supergrupo holandês. Mas pouco importa, a maioria das pessoas só conseguirá lembrar da presença da sorridente Anneke na banda. O magnetismo e talento da elfa holandesa se unem a um arcabouço musical para lá de inspirado, num daqueles casos em que o rótulo Prog Metal não soa como um convite para desligar o som. Um disco envolvente.




15. Tankard – One Foot In The Grave
Os fãs de metal são esquisitos. Os teutônicos do Tankard, a despeito de uma discografia bem homogênea, são geralmente deixados de lado simplesmente por optarem pelo uso de humor em suas letras. Uma pena, pois os caras tem uma ferocidade impressionante, que se faz ainda mais explícita no novo trabalho, o mais agressivo e bem produzido da longa história da banda.





14. Black Country Communion – BCCIV
Os fãs de Rock em sua vertente mais clássica vibraram com o anúncio do retorno do melhor supergrupo do estilo. E Bonamassa, Hughes e grande elenco não decepcionaram, BCCIV é um disco épico, capaz de fazer frente aos já clássicos dois primeiros trabalhos do combo Anglo-Americano.






13. Royal Thunder – Wick
Difícil classificar o som desse quarteto estadunidense. Mais difícil ainda é passar incólume ao poder de imersão de seus discos. Com Wick não é diferente, basta colocar a bolachinha para rodar para que Mlny e seus comparsas nos transportem para uma dimensão paralela. Uma das bandas mais únicas da atualidade.






12. Overkill – The Grinding Wheel
Chega a ser injusto todo o falatório em torno do Big 4 quando são justamente as bandas do “segundo escalão” como Testament, Death Angel e Overkill que efetivamente carregam nas costas o Thrash Metal estadunidense. E o fazem sem refestelar em comida requentada, diga-se. Tudo aqui em Grinding Wheel soa revigorante e moderno, fica até difícil acreditar que uma banda tão rodada ainda possa ter tanto sangue nos olhos. Uma verdadeira aula de Thrash Metal.



11. Europe – Walk The Earth
Walk The Earth aprofunda ainda mais a caminhada dos outrora purpurinados suecos rumo ao Retro Rock. Canções para lá de inspiradas que se utilizam de estruturas e timbres típicos dos anos 1970, com o tempero sempre bem-vindo da guitarra do mestre John Norum. E ainda temos de brinde boas letras sobre temas políticos e reflexões sobre os rumos de nossa sociedade. Nem dá para acreditar que é aquela mesma banda que apavorou nossos ouvidos na década de 1980 com um sonzinho e visual xaropescos. Isso é que é evolução.




10. Sepultura – Machine Messiah
Sempre inventivo e aberto a experimentações, o Sepultura por vezes paga por sua louvável ousadia com discos que sofrem de uma certa irregularidade. Felizmente não é o que acontece em Machine Messiah, um dos mais certeiros e inspirados discos que a banda lançou. Partindo de um conceito interessante, a banda montou um material variado e ao mesmo tempo repleto de personalidade, que soa totalmente Sepulturesco mesmo quando flerta com elementos alienígenas.





09. Kreator – Gods Of Violence
Nunca o sujeito a deitar sobre os louros do passado, dessa vez Mille fez o Kreator aprofundar o flerte com as alas mais melodiosas do metal Europeu. Apesar dos narizes torcidos de alguns fãs mais cabeça-fechada, a mistura nos brindou com um disco pesadíssimo e inspirado, que honra sobremaneira a vitoriosa discografia dos teutônicos.






08. Paradise Lost – Medusa
O novo trabalho dos mestres britânicos do Doom/Gothic Metal faz uma ponte entre os primeiros discos da banda, soando extremamente pesado e arrastado, ao mesmo tempo em que sela as pazes com o período em que os caras quase se transformaram numa versão Metal para o Depeche Mode. Um disco de extremos, feito com muita qualidade.





07. Memoriam – For The Fallen
Nem sempre os supergrupos nos presenteiam com chorume musicado. O britânico Memoriam, que une membros e ex-membros de dois titãs do extremo (Bolt Thrower e Benediction), foi responsável por um dos melhores e mais surpreendentes debuts dos últimos tempos. Denso e pesado feito piche.





06. Trivium – The Sin And The Sentence
Afastados os problemas com a voz de Matt Heafy, enfim o Trivium faz um disco conciso e capaz de agradar tanto aos velhos fãs quanto aos que apreciaram o lado mais melódico que a banda vinha tomando nos últimos trabalhos. Repleto de boas canções, bateria nervosa e solos inspirados, The Sin And The Sentence pode e deve marcar uma nova etapa na carreira de uma banda que tem tudo para se tornar um dos maiores nomes do estilo.






05. Myrkur – Mareridt
O aparecimento de uma One Woman Band no usualmente misógino cenário do Black Metal unificou uma horda de haters espinhentos e bocós contra a dinamarquesa Amalie Bruun. Como sempre acontece, a onda de ódio só atraiu ainda mais a atenção para o trabalho da moça. Mas tudo não passaria dos 15 minutos de fama, caso a música não falasse por si só. E fala, muito. Mareridt pega os pontos fortes do debut e amplifica por dez. De Folk a industrial (com presença da igualmente polarizadora Chelsea Wolfe), tudo é feito com muita precisão e uma sorumbática beleza.



04. Enslaved – E
Os noruegueses já há muito gozam da fama de vanguardistas dentro da cena extrema. Entretanto, poucas vezes na carreira conseguiram tão bem casar os elementos clássicos de seu Viking Metal com experimentalismos e nuances de Rock Progressivo como fizeram em E. E o que é melhor, conseguiram unir essas características sem soar herméticos. Tal façanha vem rendendo à banda novos mercados para shows e resenhas positivas em meios de comunicação pouco relacionados à cena da qual fazem parte. Merecido.




03. Pallbearer – Heartless
Os estadunidenses da Pallbearer conseguiram em Heartless transmutar todos os trunfos do Doom Metal em sua concepção mais tradicional para a modernidade, selando uma harmoniosa união entre duas eras geralmente conflitantes. Um disco belo para ser apreciado por inteiro.







02. Mastodon – Emperor Of Sand
Uma das bandas mais idiossincráticas de sua geração, Mastodon nos presenteou com duas obras para lá de inspiradas nesse ano. Emperor of Sand, que narra a batalha contra o câncer sob o manto de um épico de ficção, é o trabalho mais conciso e cheio de nuances que o quarteto já lançou. Um marco de como se fazer um disco complexo e cheio de personalidade que ainda assim consegue ter grande apelo comercial.





01.  Moonspell – 1755
Seguir o sucesso comercial de Extinct com um disco conceitual cantado totalmente em português? Um passo ousado, não? Mas ousadia nunca faltou aos Portugueses do Moonspell. E 1755 não é um disco qualquer, e sim um trabalho fadado a se tornar um clássico entre os fãs das vertentes mais sombrias do Heavy Metal. Primeiro lugar, com louvor!






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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Hatefulmurder - Red Eyes (Cd-2017)

Hatefulmurder - Red Eyes


Com Sangue Nos Olhos
Por Trevas

Segundo full length dos cariocas extremos, Red Eyes já de cara traz uma novidade, a ruiva Angélica Burns (ex-Diva, ex-Scatha), assumindo o microfone. Lembro perfeitamente a primeira vez que vi Angélica em ação, ela devia ter uns 17 anos e já era um fenômeno. Então não tive a menor dúvida de que a banda estava fazendo uma escolha acertada. Mas ainda assim restou a curiosidade de como a vocalista se sairia ao assumir os vocais de uma banda com uma história pregressa respeitável na cena, sob a batuta de seu antecessor.

Angélica ao vivo (foto por Alessandra Tolc)
Com a interessante arte de capa do tatuador grego Orge Kalodimas ornando um belo encarte e produção de João Milliet e co-produção de Celo Oliveira, Red Eyes logo foi parar em alta rotação no meu player. Mas vamos aos detalhes.

Hatefulmurder, com sangue nos olhos 
Silence Will Fall já se apresenta como um brutal chute no rego dos machistinhas que infestam a cena, Angélica destroçando enquanto a banda desfila entre um Death Metal mais direto e nuances de várias vertentes do Metal moderno. Red Eyes (ver vídeo) joga seu refrão de bate-pronto no meio de nossas fuças, e a trauletada come solta, com espaço para elementos mais dinâmicos no arranjo, fazendo com que o material nunca corra o risco de cansar os ouvidos. Mas se a nova vocalista passa no teste com louvor, o mesmo não pode se dizer dos vocais limpos de Felipe Modesto. Esses são um ponto sensível na produção. Apesar das linhas serem interessantes, o timbre do baixista não funciona tão bem.


Tear Down (ver vídeo) foi escolhida como uma das faixas de trabalho, e que escolha acertada. Pesada e ao mesmo tempo grudenta, conquista o ouvinte de cara e apresenta boas linhas de baixo de Felipe, mostrando que o negócio do cara são as cordas mesmo. E por falar em cordas, a paulada Riot traz riffs para lá de cortantes nas mãos de Renan Ribeiro.


The Meaning Of Evil continua o assalto comandado pela levada violenta de Thomás Martin na bateria, com uma interessante queda no andamento no refrão trazendo um tempero diferente. Outro fenômeno vocal da cena extrema brasileira, Mayara Puertas (Torture Squad) empresta seus urros em Time Enough At Last. My Battle (ver vídeo) é bem diversificada e aposta num refrão forte, com grande potencial para se tornar um dos destaques do set da banda ao vivo.




O disco chega em sua reta final com a boa You’re Being Watched (que baixo legal) e com a direta e mais tradicional Creature Of Sorrow, encerrando meia hora de um metal extremo de muita qualidade.

Veredito da Cripta

Trazendo como trunfo a mescla de agressividade e ecletismo dentro da música extrema moderna com músicos excelentes e um fenômeno vocal, o Hatefulmurder tem tudo para alçar grandes voos com Red Eyes. E se pensarmos que a banda ainda tem espaço para evoluir, não é exagero imaginar que logo venham a se tornar um dos maiores nomes de nossa cena.  


NOTA: 8,85


Gravadora: Secret Service Records (nacional).
Pontos positivos: curto e certeiro, trazendo peso mesclado a partes grudentas. Ah, e Angélica detona.
Pontos negativos: os vocais de Felipe Modesto ainda podem evoluir muito
Para fãs de: Killswitch Engage, Arch Enemy
Classifique como: Melodic Death Metal, Metalcore



domingo, 3 de setembro de 2017

Torture Squad + Hatefulmurder + Reckoning Hour + Warcursed - Planet Music - Rio de janeiro/RJ (18/08/17)

Flyer do Show

Olá, Guardiões da Cripta!

Mais um período de recesso não programado tomou conta deste Blog...

Mas como a gente tarda, mas não falha, setembro vem com uma avalanche de postagens!

A começar, nossos colaboradores e enVIADOS especiais, Freddy Krill e Claudia Sperotto conferiram uma noite arrasadora de Death Metal contando só com bandas brasucas, e vem aqui contar como foi!
Divirtam-se
Trevas


UMA NOITE DE DEATH METAL SUBURBANO

Texto: Freddy Krill.
Fotos: Claudia Speroto.


A noite de 18 de agosto passado ficará marcada como sendo aquela em que pude, finalmente, conferir ao vivo e a cores uma apresentação do Torture Squad. A veterana banda de SP, na ativa desde 1990, dividiu o palco do Planet Music, em Cascadura (subúrbio do RJ) com outras três bandas: a paraibana Warcursed e as cariocas Reckoning Hour e Hatefulmurder. As quatro estão realizando uma inédita turnê conjunta, que passará por 23 estados brasileiros, em 25 shows, ao longo de 31 dias! As quatro bandas viajam juntas em um tour bus, num formato que funciona na Europa e nos Estados Unidos há anos, mas é inédito no país. No ônibus vão não apenas as bandas, equipes e instrumentos, mas muito sangue nos olhos e garra para promover seus mais recentes trabalhos, que incluem os recém lançados “Stages Of Death” do Warcursed, “Red Eyes” do Hatefulmurder e “Far Beyond Existence” do Torture Squad. Mas calma, que até chegarmos lá, muita coisa ainda há por ser dita...

(1)       Sobre a casa: Não conhecia a NOVA Planet Music (muito menos a “velha”), conforme indicado logo na entrada. A abertura das portas (marcada para as 21h) deu aquela atrasada de praxe, mas nada que incomodasse. Ao adentrar o recinto, a ordem foi reconhecer o local e identificar os melhores pontos para ver os shows: para este escriba, já meio rodado, o ambiente me pareceu algo mesclado entre o finado Garage e o Teatro Odisseia. Segundo sua página no Facebook (https://www.facebook.com/planetmusicrj/), a casa passou por recentes reformas, que melhoraram principalmente o sistema de som. E, de fato, o som mecânico estava bom, alto e bastante audível, sem embolar. Bom prenúncio! As bandas tinham suas bancas para venda de CDs, camisas e demais produtos oficiais, a preços bastante interessantes, e seus membros circulavam com desenvoltura entre os presentes, tirando fotos e distribuindo autógrafos com muita simpatia e nenhum estrelismo, algo infelizmente comum para certos artistas inseridos na cena...


Sperotto e Krill: os repórteres de campo da Cripta!
(1)       Sobre os shows:

1.         Warcursed: Faltava pouco para as 23h quando a banda, diretamente da Paraíba, finalizou os acertos de som e começou sua apresentação. Na ativa desde 2004 (quando iniciou os trabalhos como banda cover de Megadeth), têm uma turnê europeia na bagagem e shows conjuntos com medalhões do metal e hardcore brasileiros, como Ratos de Porão e Sepultura. Esta era a única banda totalmente desconhecida por mim. De acordo com seu site oficial (http://warcursed.com/site/), a line-up atual é composta por Luciano Miranda (Vocal/Baixo), Richard Senko (Guitarra), Eduardo Victor (Guitarra) e Marsell Senko (Bateria). Contudo, quem cantou foi um guitarrista. Por serem “estranhos”, não tenho como identificá-los... Sua discografia conta com três álbuns: “Escape From Nightmare” (2012), “The Last March” (2014) e “Stages Of Death” (2017), que teve o maior número de músicas apresentadas em um set curto (de cerca de 45 minutos), mas que agitou bastante o público (ainda reduzido), com algumas rodas sendo timidamente ensaiadas... Apostam num death metal melódico, priorizando a técnica, sem abrir mão do peso e agressividade característicos do estilo. Vale muito à pena uma conferida mais atenta em seu trabalho. Além disso, é ótimo ver bandas de metal extremo formadas fora do eixo RJ-SP! Ganham nota 8,5 com louvor!



Warcursed

2.         Reckoning Hour: A primeira (e única) vez em que os tinha visto fora no Festival Hell in Rio, sob um dilúvio de cachorro beber água em pé! Claro que daquela vez isso espantou o pequeníssimo público (não eu, que não sou feito de açúcar...) e atrapalhou o show. Mas agora seria muito diferente... O quinteto do RJ, originado em 2012 e formado por JP (vocal), Philip Leander & Lucas Brum (guitarras), Johnny Kings (bateria) e Cavi Montenegro (baixo) soa como um “ponto fora da curva” no estilo death metal, já que não usa dos tradicionais vocais guturais, tão característicos. Ao contrário, abusa de muita técnica, riffs quebrados e vocais limpos e melódicos. Mas é death metal, certo? Claro! Então tem aquela agressividade que identifica o estilo, com certeza! Por volta de 00:05h iniciaram seu show, baseado em seus lançamentos “Rise Of The Fallen” (EP 2013) e o full-lengthBetween Death And Courage” (2016). Tocaram por cerca de 45 minutos, para um público maior e mais insano, com diversos mosh-pits sendo abertos ao longo de sua apresentação. Recomendo que você, leitor, caso ainda não os conheça, corra atrás de seu trabalho e shows (de acordo com sua página do Facebook: https://www.facebook.com/reckoninghour/, vão se apresentar no Odisseia em 14 de outubro próximo). A nota para seu show fica num honesto 9,0!

Reckoning Hour

3.         Hatefulmurder: Iniciaram seu set por volta de 1:05h. Essa foi minha terceira apresentação, depois do Hell in Rio e do Teatro Odisseia (abrindo para o saravá metal do Gangrena Gasosa) e, de longe, a melhor delas! Cada vez mais coesos e precisos, Angélica Burns (voz), Renan Campos (guitarra), Felipe Modesto (baixo) e Thomás Martin (bateria) fazem do Hatefulmurder uma das bandas mais agressivas do cenário death metal brazuca! Os guturais da bela ruiva Angélica são assustadores! – ainda mais que logo depois ela está falando normalmente, com uma voz calma e melodiosa (COMO ELA FAZ ISSO?) – aliados ao duo de guitarra e baixo que sustentam as músicas sem cansar. Quanto ao batera, um caso à parte! Fuja daquela visão estereotipada de bateristas que parecem gorilas bombados. Ele é magro, mas senta a marreta “dicumforça”, como diria um velho camarada... Apresentando seu novo CD “Red Eyes” (RECOMENDO!), tocaram por cerca de uma hora, sem piedade! A quantidade de pessoas na pista usando camisas da banda dá a mostra de quanto estão conquistando novos – e velhos – fãs! E não é pra menos: o show é violento, direto e sem concessões! Rodas bem intensas se abriram ao longo do show, que durou pouco mais de uma hora. Não perca a chance de vê-los ao vivo! Nota 9,5.


Hatefulmurder




4.         Torture Squad: Chegamos então à “cereja do bolo”... Soube da existência da banda através do extinto “MusiKaos” da TV Cultura (apresentado por Gastão Moreira), em uma apresentação demolidora, lá por volta de 2000/2001. Desde então, aquela vontade de ver um show deles. Em 2012, perderam o vocalista de longa data (Vitor Rodrigues). Daí viraram um trio, lançaram um CD (fraco) em português, logo após o guitarrista/vocalista André Evaristo saiu e ficou a dúvida: resistiriam? A resposta veio com o recrutamento de dois novos membros: Mayara “Undead” Puertas (voz, ex-Necromesis) e Rene Simionato (guitarra, ex-Em Ruínas e Guillotine). E, meus amigos, o que dizer? Uma banda BRUTAL se refez, emergindo das aparentes cinzas para seu absoluto lugar de destaque na cena metálica nacional! Aliados à nova dupla, os membros de longa data Castor (baixo) e o rolo compressor Amilcar Christófaro (bateria). Por volta de 2:30h iniciaram o massacre, impiedoso e brutal, divulgando seu novo CD “Far Beyond Existence”. Não há dúvida de que os guturais assustadores de Mayara são um caso à parte (e, de novo, logo depois ela fala calma, pausadamente e com voz doce, como se despejar aquela sequência de urros fosse algo natural... – COMO ELA FAZ ISSO?, parte 2). Como este era o show que estava seco por ver, colei no palco (os outros assisti do balcão, confortavelmente sentado – sim, estou velho para essas coisas de show de metal...) e pude ver uma apresentação soberba, com DEZ... NOTA DEZ! Cada pedrada melhor que a outra! Por volta das 4h terminou o arregaço, e fomos embora exaustos, mas absolutamente certos de que participamos não apenas de uma celebração death metal, mas da reafirmação de que o Rio tem SIM uma cena metal forte e participativa, especialmente no subúrbio!

Torture Squad
P.S.: Não tenho como listar as músicas apresentadas nos quatro shows. Aliado ao fato de que os set-lists não foram divulgados, não consigo identificar (com todo o respeito às bandas, estilo e fãs troo-die-hard) os títulos naqueles montes de “uuuuuurrrrrgggghhhssssss”, “uuuuaaaahhhhhsss” e congêneres...
That’s all, folks!
Thanx, Don Trevas!
Freddy Krill