Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
E o novo rebento dos
veteranos do Armored Saint não
poderia começar de forma mais impactante, gaitas irlandesas anunciam Standing In The Shoulder Of Giants, o épico
cuja letra dá nome ao disco. E que mantém a tradição dos Saints, de abrir cada disco com um postulante a clássico.
E o arregaço vem em dose dupla nesse início: a “desomenagem” à era dos Smartphones chamada End Of The Attention Span é uma porrada
quase thrasher agigantada por mais
uma das letras espertas e únicas de Bush,
que mantém o nível altíssimo de sua performance no disco anterior. A produção,
nas mãos de Joey Vera, é perfeita,
atualizando o som do Metal Tradicional da banda com punch e dinâmica perfeitos. Facilita o fato dele formar com GonzoSandoval uma cozinha que é uma verdadeira parede sonora.
Jeff Duncan e Phil Sandoval descascam Riffs e solos empolgantes na tríade Bubble, MyJurisdiction e Do Wrong To None, subindo o nível na
algo setentista LoneWolf e, em especial, no hino anti-bélico
Missile To Gun, facilmente um dos
melhores sons desse 2020.
E a power balada Fly In The Ointment (caceta, de onde Bush tira essas letras?) é outro dos
destaques, em uma reta final que ainda traz a ótima (e bem setentista) Bark, No Bite, a algo viajante Unfair (que não ficaria estranha caso Vera usasse no FatesWarning) e a feroz
Never Your Fret.
Os Saints conseguiram um
feito difícil, PunchingTheSky é o segundo álbum em sequência capaz de competir em pé de
igualdade com os pontos altos da discografia da banda nos anos 1980.
Obrigatório. (NOTA: 9,27)
Uma da melhores bandas de
Heavy Metal Tradicional dos Estados Unidos, ArmoredSaint assumiu
seu lugar confortavelmente ao passar dos anos como uma entidade restrita ao
nicho cult da cena. Poucos e espaçados lançamentos de estúdio, turnês
esporádicas e de curta duração e estratégia de marketing quase inexistente.
Some isso a um pacote de lançamentos ao vivo restrito, limitado a HomeVideos que não vão além e Bootlegs
chancelados e um Ep (SaintsWillConquer, ver
resenha aqui) e temos motivos para ficar empolgados ao nos deparamos com a
notícia meio escondida de que os Saints
estão fazendo campanha de financiamento para um novo material ao vivo.
Pledge
Ok, assim que fiquei
sabendo da campanha, escolhi logo meu pacote, incluindo o Digipack do disco, mais download digital e uma camisa especial da
campanha. O envio do meu pacote atrasou alguns dias, e mesmo antes deu ter me
dado conta disso, recebi uma mensagem de TracyVera, esposa de JoeyVera e empresária
da banda, me informando que houvera um problema com as camisas de tamanho P
(tamanho por mim escolhido). Ela me informava que eu poderia optar por aguardar
o novo lote de camisas e receber o pacote todo junto ou receber o Cd antes e depois a camiseta. Informei
que não havia problemas em esperar desde que eles me dessem um prazo e ele não
fosse muito longo. Ao que ela me ofereceu uma outra opção: se eu optasse por um
tamanho M, ela me enviaria no mesmo dia. Topei. Depois ela me mandou uma
mensagem que, como desculpas pelo atraso, estaria seguindo um pequeno brinde no
pacote. Recebi meu pacote ontem e, além da camisa e Cd, me foi enviado uma prancha com adesivos da banda e um pôster do
disco autografado por todos da banda. Que bacana! Vai ganhar moldura, claro!!!
Pacote da felicidade do velho Trevas
O
Disco.
CarpeNoctum
cumpre exatamente o que promete, são oito faixas ao vivo pinçadas de eras
diferentes da carreira da banda, muito bem executadas, obrigado. O material foi
extraído de duas apresentações em solo alemão na Turnê do WinHandsDown (ver resenha aqui), em 2015. Uma delas da
apresentação dos Saints no WackenOpenAir. Infelizmente
não há informações de que música veio de qual apresentação. As performances
aqui beiram a perfeição, todas ganhando e longe de suas contrapartes de
estúdio. São elas: WinHandsDown, MarchOfTheSaint, StrickenByFate, LastTrainHome, Mess, Aftermath, LeftHookFromRightField e o encerramento com ReignOfFire. As guitarras e cozinha estão em sintonia quase telepática. A
voz de JohnBush nunca soou tão clara e perfeita numa gravação ao vivo, o que
chega a levantar a dúvida quanto o uso ou não de overdubs no material.
Bom, se CarpeNoctum é excelente quando julgado pelo
que é, pode ser amplamente criticado pelo que não é. Confuso? Nem tanto. A
primeira crítica é: ao se levar em consideração a qualidade dos vídeos de
divulgação liberados para sua promoção, ficamos intrigados pela banda ter
optado por não lançar um DVD/Blu-ray do material. Lembrando que não há material em vídeo com
gravação profissional para os Saints,
é uma crítica bem válida. A segunda crítica, ainda mais contundente, é quanto à
duração: por que diabos mesmo com a campanha de financiamento pelos fãs, a
banda optou por restringir o material a apenas 8 músicas e menos de 40 minutos?
Não faria mais sentido lançar um ao vivo completo, com um repertório que
fizesse justiça à uma discografia bem acima da média? Pois é.
Saldo
Final
CarpeNoctum apresenta 38 minutos de uma
banda que vive uma de suas melhores fases em cima de um palco. Um ótimo
material, mas que faz com que a gente questione o porquê diacho os Saints nos privaram de um lançamento
mais abrangente. Ainda ficaremos à espera do material ao vivo definitivo dessa grande banda. Esse só serve de aperitivo.
NOTA: 8,00
Gravadora:
Metal Blade (importado)
Pontos
positivos: muito bem gravado e executado
Pontos
negativos: poderíamos ter muito mais músicas aqui
Curtas: Pretty Maids, Tygers of Pan Tang, Diamond Head, Armored Saint
Pretty Maids - Kingmaker
Pretty
Maids – Kingmaker (Cd-2016)
Algo
Morno no Reino da Dinamarca
O 15º disco de
estúdio dos prolíficos dinamarqueses, 4º no curto período de 5 anos – uma
raridade em tempos de download ilegal - traz a mesma fórmula que a banda vem
lapidando desde meados dos anos 1990: Pitadas de PowerMetal europeu em
meio a melodias que não ficariam nem um pouco deslocadas em um trabalho de AOR. Some-se a isso uma produção
moderna, com importante uso de teclados nos arranjos e uma ou outra balada
incidental farofenta e você tem um diagrama de todos os lançamentos recentes
dos caras. O fato é que a fórmula, quando funciona, como na faixa título, é
irresistível. E ninguém soa como os cabruncos.
O problema é que para
funcionar bem, toda a perfeição dos músicos e da produção do sempre competente JacobHansen tem que vir acompanhados de canções marcantes. E, embora Kingmaker não tenha nada em seus quase
cinquenta minutos de duração que ofenda os ouvidos, também passa longe de gerar
músicas passíveis de integrar o repertório ao vivo do PrettyMaids. Enfim, um
disco competente, mas que passa longe dos melhores momentos de uma banda única.
Talvez seja hora de desacelerar na quantidade de lançamentos e atentar para o
padrão de qualidade.
NOTA:
7,30
Pontos
positivos: produção caprichada
Pontos
negativos: falta algo à boa parte do material
Fóssil vivo da NWOBHM, o TygersofPanTang escolheu não nomear seu quinto rebento desde o retorno à ativa
(em 1999). Quando uma banda lança um disco homônimo a essa altura da carreira,
geralmente o faz com a intenção de mostrar ao mundo um suposto renascimento. E
é mais ou menos o que temos aqui. Não, os caras não reinventaram seu som, ainda
temos aqui aquela mistura de Hard
com um HeavyMetal tipicamente britânico, mas cara, a inspiração estava em alta.
Que o diga a abertura, com OnlytheBrave, facilmente uma das melhores músicas de 2016.
A formação atual traz apenas o
guitarrista RobWeir dos primórdios, mas está longe de ser um catadão sem
personalidade. O vocalista Italiano JacopoMeille já acompanha Weir desde 2004, e a despeito de soar
meio irritante em discos anteriores, simplesmente detona aqui. Outro que já
está na banda tem muito tempo (desde 2002, para ser mais preciso) é CraigEllis (batera), que forma uma ótima cozinha com GavinGray (baixo). Outro destaque fica para o excelente MickyCrystal, que debulha solos e riffs de primeira. Musicalmente temos
faixas que equilibram muito bem o Hard/Heavy (a já citada Only the Brave, Never Give
In e Do It Again – todas muito
boas) e outras mais festivas, como a contagiante GladRags, a bela Praying For a Miracle e o cover bacana
para I Got The Music In Me (KikiDeesBand). A banda
estava com a mão tão boa que, até mesmo quando arriscou uma balada xarope tipicamente
anos 1980 (The Reason Why), o fez
muito bem. Ao final dos 45 minutos do disco homônimo, fiquei com a certeza de
estar diante de um dos melhores trabalhos da longa carreira dos britânicos. Só
dispenso o grunhido tosco de tigre após a última música, que me deu um baita
susto. Excelente!
NOTA:
8,93
Pontos
positivos: Inspiração em alta, ótimos vocais, riffs e solos
Pontos
negativos: tem cara de anos 1980, se espera modernidade, nem passe perto
Para
fãs de: Saxon, Diamond Head, Def Leppard antigo
Bem, repita aqui a
introdução da resenha acima. Temos um disco homônimo tardio de um dos baluartes
da NWOBHM. O Diamond Head hoje tem
seu nome marcado na história do Rock por sempre ser lembrado pelos
estadunidenses do Metallica como uma das suas principais influências nos
primórdios da banda. Mas, verdade seja dita, sua carreira nunca sobreviveu ao
peso de seu primeiro disco, o excelente LightningToTheNations. Essa é a
segunda tentativa de retorno da banda, com uma formação que traz apenas o
guitarrista BrianTatler de seus primórdios, auxiliado
pelo baterista KarlWilcox, que figurou na encarnação
noventista dos caras, além dos novatos RasmusBomAndersen (voz), AndyAbberley e DeanAshton (baixo).
Bones abre
o disco de forma vigorosa, mostrando um cruzamento da sonoridade NWOBHM com uma leve e bem-vinda
modernidade. ShoutAt The Devil tem um bom riff
prejudicado pela óbvia indução ao clássico homônimo do MotleyCrue. A boa Set My Soul On Fire poderia até figurar
num disco do Audioslave, não fossem
os timbres e algumas sutilezas estilísticas. SeeYouRise tem aquela rifferama que cheira a AC/DC e bons vocais do competente, mas
algo comum, RasmusAndersen. E talvez aí resida o único problema
do disco. É tudo bastante bem tocado, as músicas nunca ficam exatamente enfadonhas,
mas o todo carece de personalidade. Tudo soa comum como a voz de Rasmus. Se All The Reasons You Live é outra que bem poderia estar num disco do
Audioslave, WizardSleeve já é a
cara dos primórdios do NWOBHM e
talvez mais próxima do que se esperaria da banda. Outras, como BloodonMyHands, remetem ao mediano BritishLion do SteveHarris. Ou seja, o ouvinte casual
provavelmente irá transitar pelas 11 músicas desse disco sem saber exatamente
quem diabos é o DiamondHead. Um disco correto, mas que passa
longe de ser essencial.
Armored
Saint – Saints Will Conquer (Cd – 1988/2016)
Desenterrando
um Clássico
Saints Will Conquer é o Ep ao vivo que os estadunidenses do ArmoredSaint soltaram em 1988, registrando 7 faixas nos palcos da turnê de
RaisingFear, além de uma música de estúdio inédita. O clássico Ep foi recentemente relançado aqui no
Brasil pela HeavyMetalRock, curiosamente pouco antes da banda lançar seu segundo disco ao
vivo na carreira. O material ao vivo da bolachinha é feroz e nada lapidado, e
aí reside seu principal charme: todas as versões aqui são superiores às originais
de estúdio, graças ao clima quase tosco e à velocidade acelerada das rendições.
Os gang vocals são
praticamente jogados nos microfones, JohnBush se preocupa muito mais com a
garra das interpretações do que com pormenores técnicos. DavidPritchard, que
morreria dois anos depois, segura muito bem as guitarras sozinho. GonzoSandoval e JoeyVera fazem uma cozinha de respeito, colaborando um bocado para o
impressionante peso do resultado final. A oitava faixa é uma até então inédita
sobra das gravações da primeira demo dos Saints,
datada de 1983. Um imperdível registro de uma era romântica da história do HeavyMetal.
NOTA:
CLÁSSICO DA CRIPTA
Pontos
positivos: energia pura, ótimas músicas
Pontos
negativos: deixa a gente querendo ouvir mais do show
Califórnia, 1982. Quatro
colegas de escola mais um vizinho resolvem montar uma banda. Os garotos são
muito jovens, na faixa dos 18 anos de idade. Todos fascinados pela NWOBHM, já sabiam eles que a banda
seguiria aquele caminho, do então efervescente “novo Heavy Metal”. Mas falta à
mistura um nome bombástico. Afinal, Judas
Priest, Iron Maiden, Saxon, Angel Witch, todos tinham nomes memoráveis que conjuravam grandes
batalhas ou coisas místicas e algo proibidas. Qual então a maneira mais eficaz
de se pensar num nome de banda do que ficar doidão e assistir a um filme de
capa e espada num cinema da vizinhança? Reza a lenda que assim os garotos
escolheram o insólito nome Armored Saint,
fumando muita erva e assistindo o já suficientemente viajandão Excalibur num empoeirado cinema de
bairro. Nascia ali uma das mais talentosas e mais azaradas bandas de Heavy Metal
da América. Aquela que viveria seu auge à margem do sucesso, fadada a ser
eternamente lembrada dentro daquele umbral artístico no qual colocamos as ditas
“Bandas Cult”.
Xicanos de Armadura
Metallica
x The Saints
Já com a primeira
demo assinada (Lessons Well Learned)
o primeiro contratempo aparece para os jovens Californianos. Uma banda para lá
de incensada no underground Estadunidense, uma tal de Metallica, convida o vocalista John Bush para a gravação de seu
primeiro álbum, que viria a se chamar Kill’Em
All. Bush, aos 20 anos de idade
e com o orgulho e presunção que muito temos nessa idade, refutou o convite,
certo de que os Saints viriam a ser
ainda maiores do que aquela banda, que apesar de longe do fenômeno que hoje
conhecemos, já tinha fama o suficiente na cena para que muitos considerassem a
escolha do vocalista um tremendo erro. Alguns dizem que o que em grande parte
teria influenciado a negativa de Bush
seria o fato do tresloucado Dave
Mustaine ter quebrado a perna do guitarrista Phil Sandoval, ao tentar defender o gnomo e metido colega de banda Lars num entrevero com o guitarrista
dos Saints. Vale lembrar que era uma
época em que as bandas se comportavam meio que como pequenas gangues de
desajustados, e o comportamento algo fraternal fazia parte do jogo. Bush tinha que estar do lado de Phil, seria uma afronta debandar para o
lado da “gangue rival”. A relação dos Saints
com o Metallica ainda teria mais um
capítulo. Joey Vera, eterno baixista
dos Californianos, foi o primeiro a ser lembrado por um já grande Metallica para substituir o falecido Cliff Burton. Mais uma negativa que
mais uma vez se mostrou uma escolha equivocada para uma carreira que não
levantava voo.
Metallic Saint?
Saints
Will Conquer? NOT!
Mas melhor nos atermos
a discografia dos caras, essa sim de qualidade muito superior do que as
escolhas citadas. Descobertos pela Metal
Bade com o EP auto intitulado, os garotos logo seriam cooptados por uma
Major, a Chrysalis para seu primeiro
Full Lenght. Nomeado March Of The Saint
o mesmo é quase que um Blueprint para o que viria a ser o dito American Power
Metal. Apesar do relativo sucesso da faixa de trabalho Can U Deliver, March marcou
o início de uma relação para lá de conturbada: a banda estava infeliz com a
interferência da gravadora na sonoridade do disco e a Chrysalis se sentiu decepcionada com a vendagem apenas razoável do
primeiro tento de sua suposta “mina de ouro”, sua chance de espelhar o sucesso
que as bandas inglesas vinham tendo no mercado americano com o então som da
moda.
Delirious Nomad pode ser um baita
disco, mas teve um gosto amargo para os garotos. O sucesso não vinha e a
interferência da insatisfeita gravadora fez uma séria baixa: Phil Sandoval deixava os Saints, que gravariam o ótimo Raising Fear com apenas Dave Prichard nas guitarras. A falta de
promoção do novo disco mostrou à banda o que Phil já percebera antes, eles já não eram uma opção válida para a
Major. Com um misto de derrota e sangue nos olhos, os garotos retornam à Metal Blade, sua resposta vindo através
do desafiador título de seu primeiro lançamento e volta à casa: Saints Will Conquer. Já com Jeff Duncan como segundo guitarrista,
os Saints tinham em mente uma única
coisa, o próximo disco seria sua última chance de provar ao mundo (na verdade,
à ex-gravadora) que eles tinham sim muito valor. Somando o seu usual Heavy
metal vigoroso a uma maturidade que só a vivência de tempos difíceis costumam
trazer, a fase de pré produção de Symbol
Of Salvation dava a todos a certeza de que o disco definitivo dos Saints estava enfim para sair. Mas nada
na vida dos caras era tão simples. Antes de adentrar o estúdio para as
gravações, Dave é diagnosticado com
um tipo extremamente agressivo de Leucemia. A doença levou o guitarrista ao óbito em pouco
tempo, e as gravações foram então adiadas.
R.I.P. Dave!
Os membros remanescentes estavam em dúvida se seguiam ou não em frente,
até que um reforço conhecido deu a eles a força para continuar: Phil Sandoval
estava de volta. Symbol se tornou o
disco de maior sucesso dos Saints,
com reconhecimento de público (menos) e crítica (mais). Reign Of Fire e Last Train
Home puxaram o relativo sucesso e a banda fez sua maior turnê até então,
abrindo para os gigantes Suicidal Tendencies
e para os heróis da cena Savatage.
Mas já era tarde demais, o desgaste havia sido excessivo para todos. Tão logo o
Anthrax precisou de um substituto para
o demissionário Belladonna e o
convite foi feito, dessa vez John Bush
não deixou passar. O ano era 1992 e morria ali a primeira encarnação da banda.
O
retorno dos Santos Bissextos!
Em 1999, durante um
hiato nas atividades do Anthrax, Bush se juntou a Vera e ambos discutiram se aquele não seria um momento propício
para o retorno, sem compromisso, dos Saints.
O bom Revelation foi lançado em
2000. A recepção foi quase nula, mas isso já não importava mais. Os Saints passaram a se encontrar de forma
errática, para lançamentos espaçados, algo como aqueles encontros de turmas de
colégio esporádicos. Só que ao invés de somente beber e relembrar os velhos
tempos, discos são produzidos no caminho. Dez anos depois, La Raza, não tão inspirado assim, viu a luz do dia. Novamente não
chamou muita atenção, mas e daí? Dessa vez o tempo de espera entre um
lançamento e outro foi menor, mas curiosamente, o resultado foi bem além do
esperado!
Vencendo
Sem Esforço
Se o clima dos
lançamentos anteriores era tão descompromissado que talvez tenha comprometido o
resultado final, no caso do novo disco, parece que os Saints resolveram que tem algo a provar para o mundo. Já a faixa
título (ver vídeo), que numa tradução livre e literal, quer dizer, “vencer sem
esforço”, faz troça com a própria carreira da banda, mostrando em sua letra que
a despeito do que o mundo pode pensar, os Saints
se consideram vitoriosos por sempre terem mantido seu caráter a despeito do que
as modas ditaram ao longo dos anos. Já de cara podemos destacar a bateria para
lá de vigorosa de Gonzo e a
qualidade vocal irrepreensível do subestimado John Bush (uma de minhas maiores influências, diga-se). Isso sem
contar os belos duelos de guitarra. Um novo clássico, com certeza!
Mess não fica muito atrás
não, um belo exemplo de Power Metal feito nos moldes Estadunidenses, uma ode vintage
ao som de conterrâneos como Jag Panzer
e Vicious Rumors! Estranhamente
escolhida como segunda música de trabalho, An
Exercise In Debauchery (ver vídeo) se destaca mais pelo vigor e pelo ótimo
solo de baixo de Joey Vera.
Muscle Memory é outro destaque, remetendo
bastante o clima do material de Symbol
of Salvation e nos fazendo lembrar que Bush
também é um grande letrista, optando por temas e por uma escolha de palavras
bastante incomum em se tratando de Heavy Metal. That Was Then é para lá de anos 1980 e a excelente With A Full Head Of Steam conta com o
reforço da ótima voz de Pearl Aday,
nada mais nada menos que filha do lendário Meat
Loaf e esposa de Scott Ian.
Santos Velhacos!
In
An Instant talvez seja
a menos inspirada das faixas do disco, mas tem uma redenção em sua reta final e
a dobradinha Dive/Up Yours trazem um
pouco dos anos 1970 à mistura, sem descaracterizar o som dos Californianos.
Saldo
Final
Numa discografia nada extensa, mas de
qualidade louvável, Win Hands Down
se destaca com louvor. Uma grata surpresa que certamente deixará feliz todo e
qualquer Headbanger que nutre simpatia pela música dos Saints. Um de seus mais inspirados lançamentos e que entrará com destaque
em minha lista de melhores discos desse ano.
NOTA: 88
Indicado para:
Todos aqueles que ainda sentem um frio
na barriga ao escutar um simples bom disco de metal tradicional.
Fuja se:
Achar enfadonho o metal de décadas
passadas.
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Riot, Vicious Rumors, Metalmorphose,
Jag Panzer