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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Armored Saint – Punching The Sky (CD-2020)


 

Socando O Céu (e Seus Tímpanos)

Por Trevas

E o novo rebento dos veteranos do Armored Saint não poderia começar de forma mais impactante, gaitas irlandesas anunciam Standing In The Shoulder Of Giants, o épico cuja letra dá nome ao disco. E que mantém a tradição dos Saints, de abrir cada disco com um postulante a clássico.


E o arregaço vem em dose dupla nesse início: a “desomenagem” à era dos Smartphones chamada End Of The Attention Span é uma porrada quase thrasher agigantada por mais uma das letras espertas e únicas de Bush, que mantém o nível altíssimo de sua performance no disco anterior. A produção, nas mãos de Joey Vera, é perfeita, atualizando o som do Metal Tradicional da banda com punch e dinâmica perfeitos. Facilita o fato dele formar com Gonzo Sandoval uma cozinha que é uma verdadeira parede sonora.


Jeff Duncan e Phil Sandoval descascam Riffs e solos empolgantes na tríade Bubble, My Jurisdiction e Do Wrong To None, subindo o nível na algo setentista Lone Wolf e, em especial, no hino anti-bélico Missile To Gun, facilmente um dos melhores sons desse 2020.


E a power balada Fly In The Ointment (caceta, de onde Bush tira essas letras?) é outro dos destaques, em uma reta final que ainda traz a ótima (e bem setentista) Bark, No Bite, a algo viajante Unfair (que não ficaria estranha caso Vera usasse no Fates Warning) e a feroz Never Your Fret.


Os Saints conseguiram um feito difícil, Punching The Sky é o segundo álbum em sequência capaz de competir em pé de igualdade com os pontos altos da discografia da banda nos anos 1980. Obrigatório. (NOTA: 9,27)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Urubuz Records (nacional)

Prós: ótima produção, ótimas músicas

Contras: poderia reclamar que é longo demais, mas “focófi” desce redondo

Classifique como: Heavy Metal

Para Fãs de: Riot, Jag Panzer, Judas Priest

domingo, 19 de março de 2017

Armored Saint – Carpe Noctum (Cd-2017)

Armored Saint - Carpe Noctum
Santos Compactados
Por Trevas

Uma da melhores bandas de Heavy Metal Tradicional dos Estados Unidos, Armored Saint assumiu seu lugar confortavelmente ao passar dos anos como uma entidade restrita ao nicho cult da cena. Poucos e espaçados lançamentos de estúdio, turnês esporádicas e de curta duração e estratégia de marketing quase inexistente. Some isso a um pacote de lançamentos ao vivo restrito, limitado a Home Videos que não vão além e Bootlegs chancelados e um Ep (Saints Will Conquer, ver resenha aqui) e temos motivos para ficar empolgados ao nos deparamos com a notícia meio escondida de que os Saints estão fazendo campanha de financiamento para um novo material ao vivo.


Pledge

Ok, assim que fiquei sabendo da campanha, escolhi logo meu pacote, incluindo o Digipack do disco, mais download digital e uma camisa especial da campanha. O envio do meu pacote atrasou alguns dias, e mesmo antes deu ter me dado conta disso, recebi uma mensagem de Tracy Vera, esposa de Joey Vera e empresária da banda, me informando que houvera um problema com as camisas de tamanho P (tamanho por mim escolhido). Ela me informava que eu poderia optar por aguardar o novo lote de camisas e receber o pacote todo junto ou receber o Cd antes e depois a camiseta. Informei que não havia problemas em esperar desde que eles me dessem um prazo e ele não fosse muito longo. Ao que ela me ofereceu uma outra opção: se eu optasse por um tamanho M, ela me enviaria no mesmo dia. Topei. Depois ela me mandou uma mensagem que, como desculpas pelo atraso, estaria seguindo um pequeno brinde no pacote. Recebi meu pacote ontem e, além da camisa e Cd, me foi enviado uma prancha com adesivos da banda e um pôster do disco autografado por todos da banda. Que bacana! Vai ganhar moldura, claro!!!


Pacote da felicidade do velho Trevas
O Disco.

Carpe Noctum cumpre exatamente o que promete, são oito faixas ao vivo pinçadas de eras diferentes da carreira da banda, muito bem executadas, obrigado. O material foi extraído de duas apresentações em solo alemão na Turnê do Win Hands Down (ver resenha aqui), em 2015. Uma delas da apresentação dos Saints no Wacken Open Air. Infelizmente não há informações de que música veio de qual apresentação. As performances aqui beiram a perfeição, todas ganhando e longe de suas contrapartes de estúdio. São elas: Win Hands Down, March Of The Saint, Stricken By Fate, Last Train Home, Mess, Aftermath, Left Hook From Right Field e o encerramento com Reign Of Fire. As guitarras e cozinha estão em sintonia quase telepática. A voz de John Bush nunca soou tão clara e perfeita numa gravação ao vivo, o que chega a levantar a dúvida quanto o uso ou não de overdubs no material.


Bom, se Carpe Noctum é excelente quando julgado pelo que é, pode ser amplamente criticado pelo que não é. Confuso? Nem tanto. A primeira crítica é: ao se levar em consideração a qualidade dos vídeos de divulgação liberados para sua promoção, ficamos intrigados pela banda ter optado por não lançar um DVD/Blu-ray do material. Lembrando que não há material em vídeo com gravação profissional para os Saints, é uma crítica bem válida. A segunda crítica, ainda mais contundente, é quanto à duração: por que diabos mesmo com a campanha de financiamento pelos fãs, a banda optou por restringir o material a apenas 8 músicas e menos de 40 minutos? Não faria mais sentido lançar um ao vivo completo, com um repertório que fizesse justiça à uma discografia bem acima da média? Pois é.



Saldo Final

Carpe Noctum apresenta 38 minutos de uma banda que vive uma de suas melhores fases em cima de um palco. Um ótimo material, mas que faz com que a gente questione o porquê diacho os Saints nos privaram de um lançamento mais abrangente. Ainda ficaremos à espera do material ao vivo definitivo dessa grande banda. Esse só serve de aperitivo.


NOTA: 8,00

Gravadora: Metal Blade (importado)
Pontos positivos: muito bem gravado e executado
Pontos negativos: poderíamos ter muito mais músicas aqui 
Para fãs de: Riot, Anthrax
Classifique como: Heavy Metal



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Curtas: Pretty Maids, Tygers of Pan Tang, Diamond Head, Armored Saint

Curtas: Pretty Maids, Tygers of Pan Tang, Diamond Head, Armored Saint

Pretty Maids - Kingmaker
Pretty Maids – Kingmaker (Cd-2016)

Algo Morno no Reino da Dinamarca

O 15º disco de estúdio dos prolíficos dinamarqueses, 4º no curto período de 5 anos – uma raridade em tempos de download ilegal - traz a mesma fórmula que a banda vem lapidando desde meados dos anos 1990: Pitadas de Power Metal europeu em meio a melodias que não ficariam nem um pouco deslocadas em um trabalho de AOR. Some-se a isso uma produção moderna, com importante uso de teclados nos arranjos e uma ou outra balada incidental farofenta e você tem um diagrama de todos os lançamentos recentes dos caras. O fato é que a fórmula, quando funciona, como na faixa título, é irresistível. E ninguém soa como os cabruncos.




O problema é que para funcionar bem, toda a perfeição dos músicos e da produção do sempre competente Jacob Hansen tem que vir acompanhados de canções marcantes. E, embora Kingmaker não tenha nada em seus quase cinquenta minutos de duração que ofenda os ouvidos, também passa longe de gerar músicas passíveis de integrar o repertório ao vivo do Pretty Maids. Enfim, um disco competente, mas que passa longe dos melhores momentos de uma banda única. Talvez seja hora de desacelerar na quantidade de lançamentos e atentar para o padrão de qualidade.


NOTA: 7,30


Pontos positivos: produção caprichada
Pontos negativos: falta algo à boa parte do material 
Para fãs de: Eclipse, Scorpions
Classifique como: Power Metal+AOR




Power Farofa Dinamarquesa


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Tygers of Pan Tang
Tygers Of Pan Tang - Tygers Of Pan Tang (Cd-2016)

O Bonde Do Tigrão

Fóssil vivo da NWOBHM, o Tygers of Pan Tang escolheu não nomear seu quinto rebento desde o retorno à ativa (em 1999). Quando uma banda lança um disco homônimo a essa altura da carreira, geralmente o faz com a intenção de mostrar ao mundo um suposto renascimento. E é mais ou menos o que temos aqui. Não, os caras não reinventaram seu som, ainda temos aqui aquela mistura de Hard com um Heavy Metal tipicamente britânico, mas cara, a inspiração estava em alta. Que o diga a abertura, com Only the Brave, facilmente uma das melhores músicas de 2016.


A formação atual traz apenas o guitarrista Rob Weir dos primórdios, mas está longe de ser um catadão sem personalidade. O vocalista Italiano Jacopo Meille já acompanha Weir desde 2004, e a despeito de soar meio irritante em discos anteriores, simplesmente detona aqui. Outro que já está na banda tem muito tempo (desde 2002, para ser mais preciso) é Craig Ellis (batera), que forma uma ótima cozinha com Gavin Gray (baixo). Outro destaque fica para o excelente Micky Crystal, que debulha solos e riffs de primeira. Musicalmente temos faixas que equilibram muito bem o Hard/Heavy (a já citada Only the Brave, Never Give In e Do It Again – todas muito boas) e outras mais festivas, como a contagiante Glad Rags, a bela Praying For a Miracle e o cover bacana para I Got The Music In Me (Kiki Dees Band). A banda estava com a mão tão boa que, até mesmo quando arriscou uma balada xarope tipicamente anos 1980 (The Reason Why), o fez muito bem. Ao final dos 45 minutos do disco homônimo, fiquei com a certeza de estar diante de um dos melhores trabalhos da longa carreira dos britânicos. Só dispenso o grunhido tosco de tigre após a última música, que me deu um baita susto. Excelente!


NOTA: 8,93


Pontos positivos: Inspiração em alta, ótimos vocais, riffs e solos
Pontos negativos: tem cara de anos 1980, se espera modernidade, nem passe perto 
Para fãs de: Saxon, Diamond Head, Def Leppard antigo
Classifique como: Power Metal+AOR

Bonde do tigrão geriátrico
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Diamond Head
Diamond Head – Diamond Head (Cd-2016)

Diamante Errante

Bem, repita aqui a introdução da resenha acima. Temos um disco homônimo tardio de um dos baluartes da NWOBHM. O Diamond Head hoje tem seu nome marcado na história do Rock por sempre ser lembrado pelos estadunidenses do Metallica como uma das suas principais influências nos primórdios da banda. Mas, verdade seja dita, sua carreira nunca sobreviveu ao peso de seu primeiro disco, o excelente Lightning To The Nations. Essa é a segunda tentativa de retorno da banda, com uma formação que traz apenas o guitarrista Brian Tatler de seus primórdios, auxiliado pelo baterista Karl Wilcox, que figurou na encarnação noventista dos caras, além dos novatos Rasmus Bom Andersen (voz), Andy Abberley e Dean Ashton (baixo).


Bones abre o disco de forma vigorosa, mostrando um cruzamento da sonoridade NWOBHM com uma leve e bem-vinda modernidade. Shout At The Devil tem um bom riff prejudicado pela óbvia indução ao clássico homônimo do Motley Crue. A boa Set My Soul On Fire poderia até figurar num disco do Audioslave, não fossem os timbres e algumas sutilezas estilísticas. See You Rise tem aquela rifferama que cheira a AC/DC e bons vocais do competente, mas algo comum, Rasmus Andersen. E talvez aí resida o único problema do disco. É tudo bastante bem tocado, as músicas nunca ficam exatamente enfadonhas, mas o todo carece de personalidade. Tudo soa comum como a voz de Rasmus. Se All The Reasons You Live é outra que bem poderia estar num disco do Audioslave, Wizard Sleeve já é a cara dos primórdios do NWOBHM e talvez mais próxima do que se esperaria da banda. Outras, como Blood on My Hands, remetem ao mediano British Lion do Steve Harris. Ou seja, o ouvinte casual provavelmente irá transitar pelas 11 músicas desse disco sem saber exatamente quem diabos é o Diamond Head. Um disco correto, mas que passa longe de ser essencial.


NOTA: 6,98


Pontos positivos: muito bem produzido
Pontos negativos: algo sem personalidade
Para fãs de: British Lion, Audioslave
Classifique como: Heavy Metal

Diamond Head 2016




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Armored Saint - Saints Will Conquer
Armored Saint – Saints Will Conquer (Cd – 1988/2016)

Desenterrando um Clássico

Saints Will Conquer é o Ep ao vivo que os estadunidenses do Armored Saint soltaram em 1988, registrando 7 faixas nos palcos da turnê de Raising Fear, além de uma música de estúdio inédita. O clássico Ep foi recentemente relançado aqui no Brasil pela Heavy Metal Rock, curiosamente pouco antes da banda lançar seu segundo disco ao vivo na carreira. O material ao vivo da bolachinha é feroz e nada lapidado, e aí reside seu principal charme: todas as versões aqui são superiores às originais de estúdio, graças ao clima quase tosco e à velocidade acelerada das rendições.




Os gang vocals são praticamente jogados nos microfones, John Bush se preocupa muito mais com a garra das interpretações do que com pormenores técnicos. David Pritchard, que morreria dois anos depois, segura muito bem as guitarras sozinho. Gonzo  Sandoval e Joey Vera fazem uma cozinha de respeito, colaborando um bocado para o impressionante peso do resultado final. A oitava faixa é uma até então inédita sobra das gravações da primeira demo dos Saints, datada de 1983. Um imperdível registro de uma era romântica da história do Heavy Metal.


NOTA: CLÁSSICO DA CRIPTA


Pontos positivos: energia pura, ótimas músicas
Pontos negativos: deixa a gente querendo ouvir mais do show
Para fãs de: Riot, Jag Panzer
Classifique como: Heavy Metal


Realce, reaaalce - Armored Saint 1987






sábado, 26 de dezembro de 2015

Armored Saint - Win Hands Down (Cd - 2015)

Armored Saint - Win Hands Down
Prólogo - Tainted Past

Califórnia, 1982. Quatro colegas de escola mais um vizinho resolvem montar uma banda. Os garotos são muito jovens, na faixa dos 18 anos de idade. Todos fascinados pela NWOBHM, já sabiam eles que a banda seguiria aquele caminho, do então efervescente “novo Heavy Metal”. Mas falta à mistura um nome bombástico. Afinal, Judas Priest, Iron Maiden, Saxon, Angel Witch, todos tinham nomes memoráveis que conjuravam grandes batalhas ou coisas místicas e algo proibidas. Qual então a maneira mais eficaz de se pensar num nome de banda do que ficar doidão e assistir a um filme de capa e espada num cinema da vizinhança? Reza a lenda que assim os garotos escolheram o insólito nome Armored Saint, fumando muita erva e assistindo o já suficientemente viajandão Excalibur num empoeirado cinema de bairro. Nascia ali uma das mais talentosas e mais azaradas bandas de Heavy Metal da América. Aquela que viveria seu auge à margem do sucesso, fadada a ser eternamente lembrada dentro daquele umbral artístico no qual colocamos as ditas “Bandas Cult”.

Xicanos de Armadura
Metallica x The Saints

Já com a primeira demo assinada (Lessons Well Learned) o primeiro contratempo aparece para os jovens Californianos. Uma banda para lá de incensada no underground Estadunidense, uma tal de Metallica, convida o vocalista John Bush para a gravação de seu primeiro álbum, que viria a se chamar Kill’Em All. Bush, aos 20 anos de idade e com o orgulho e presunção que muito temos nessa idade, refutou o convite, certo de que os Saints viriam a ser ainda maiores do que aquela banda, que apesar de longe do fenômeno que hoje conhecemos, já tinha fama o suficiente na cena para que muitos considerassem a escolha do vocalista um tremendo erro. Alguns dizem que o que em grande parte teria influenciado a negativa de Bush seria o fato do tresloucado Dave Mustaine ter quebrado a perna do guitarrista Phil Sandoval, ao tentar defender o gnomo e metido colega de banda Lars num entrevero com o guitarrista dos Saints. Vale lembrar que era uma época em que as bandas se comportavam meio que como pequenas gangues de desajustados, e o comportamento algo fraternal fazia parte do jogo. Bush tinha que estar do lado de Phil, seria uma afronta debandar para o lado da “gangue rival”. A relação dos Saints com o Metallica ainda teria mais um capítulo. Joey Vera, eterno baixista dos Californianos, foi o primeiro a ser lembrado por um já grande Metallica para substituir o falecido Cliff Burton. Mais uma negativa que mais uma vez se mostrou uma escolha equivocada para uma carreira que não levantava voo.

Metallic Saint?
Saints Will Conquer? NOT!

Mas melhor nos atermos a discografia dos caras, essa sim de qualidade muito superior do que as escolhas citadas. Descobertos pela Metal Bade com o EP auto intitulado, os garotos logo seriam cooptados por uma Major, a Chrysalis para seu primeiro Full Lenght. Nomeado March Of The Saint o mesmo é quase que um Blueprint para o que viria a ser o dito American Power Metal. Apesar do relativo sucesso da faixa de trabalho Can U Deliver, March marcou o início de uma relação para lá de conturbada: a banda estava infeliz com a interferência da gravadora na sonoridade do disco e a Chrysalis se sentiu decepcionada com a vendagem apenas razoável do primeiro tento de sua suposta “mina de ouro”, sua chance de espelhar o sucesso que as bandas inglesas vinham tendo no mercado americano com o então som da moda.



Delirious Nomad pode ser um baita disco, mas teve um gosto amargo para os garotos. O sucesso não vinha e a interferência da insatisfeita gravadora fez uma séria baixa: Phil Sandoval deixava os Saints, que gravariam o ótimo Raising Fear com apenas Dave Prichard nas guitarras. A falta de promoção do novo disco mostrou à banda o que Phil já percebera antes, eles já não eram uma opção válida para a Major. Com um misto de derrota e sangue nos olhos, os garotos retornam à Metal Blade, sua resposta vindo através do desafiador título de seu primeiro lançamento e volta à casa: Saints Will Conquer. Já com Jeff Duncan como segundo guitarrista, os Saints tinham em mente uma única coisa, o próximo disco seria sua última chance de provar ao mundo (na verdade, à ex-gravadora) que eles tinham sim muito valor. Somando o seu usual Heavy metal vigoroso a uma maturidade que só a vivência de tempos difíceis costumam trazer, a fase de pré produção de Symbol Of Salvation dava a todos a certeza de que o disco definitivo dos Saints estava enfim para sair. Mas nada na vida dos caras era tão simples. Antes de adentrar o estúdio para as gravações, Dave é diagnosticado com um tipo extremamente agressivo de Leucemia.  A doença levou o guitarrista ao óbito em pouco tempo, e as gravações foram então adiadas.

R.I.P. Dave!
Os membros remanescentes estavam em dúvida se seguiam ou não em frente, até que um reforço conhecido deu a eles a força para continuar: Phil Sandoval estava de volta. Symbol se tornou o disco de maior sucesso dos Saints, com reconhecimento de público (menos) e crítica (mais). Reign Of Fire e Last Train Home puxaram o relativo sucesso e a banda fez sua maior turnê até então, abrindo para os gigantes Suicidal Tendencies e para os heróis da cena Savatage. Mas já era tarde demais, o desgaste havia sido excessivo para todos. Tão logo o Anthrax precisou de um substituto para o demissionário Belladonna e o convite foi feito, dessa vez John Bush não deixou passar. O ano era 1992 e morria ali a primeira encarnação da banda.


O retorno dos Santos Bissextos!

Em 1999, durante um hiato nas atividades do Anthrax, Bush se juntou a Vera e ambos discutiram se aquele não seria um momento propício para o retorno, sem compromisso, dos Saints. O bom Revelation foi lançado em 2000. A recepção foi quase nula, mas isso já não importava mais. Os Saints passaram a se encontrar de forma errática, para lançamentos espaçados, algo como aqueles encontros de turmas de colégio esporádicos. Só que ao invés de somente beber e relembrar os velhos tempos, discos são produzidos no caminho. Dez anos depois, La Raza, não tão inspirado assim, viu a luz do dia. Novamente não chamou muita atenção, mas e daí? Dessa vez o tempo de espera entre um lançamento e outro foi menor, mas curiosamente, o resultado foi bem além do esperado!


Vencendo Sem Esforço

Se o clima dos lançamentos anteriores era tão descompromissado que talvez tenha comprometido o resultado final, no caso do novo disco, parece que os Saints resolveram que tem algo a provar para o mundo. Já a faixa título (ver vídeo), que numa tradução livre e literal, quer dizer, “vencer sem esforço”, faz troça com a própria carreira da banda, mostrando em sua letra que a despeito do que o mundo pode pensar, os Saints se consideram vitoriosos por sempre terem mantido seu caráter a despeito do que as modas ditaram ao longo dos anos. Já de cara podemos destacar a bateria para lá de vigorosa de Gonzo e a qualidade vocal irrepreensível do subestimado John Bush (uma de minhas maiores influências, diga-se). Isso sem contar os belos duelos de guitarra. Um novo clássico, com certeza!


Mess não fica muito atrás não, um belo exemplo de Power Metal feito nos moldes Estadunidenses, uma ode vintage ao som de conterrâneos como Jag Panzer e Vicious Rumors! Estranhamente escolhida como segunda música de trabalho, An Exercise In Debauchery (ver vídeo) se destaca mais pelo vigor e pelo ótimo solo de baixo de Joey Vera.


Muscle Memory é outro destaque, remetendo bastante o clima do material de Symbol of Salvation e nos fazendo lembrar que Bush também é um grande letrista, optando por temas e por uma escolha de palavras bastante incomum em se tratando de Heavy Metal. That Was Then é para lá de anos 1980 e a excelente With A Full Head Of Steam conta com o reforço da ótima voz de Pearl Aday, nada mais nada menos que filha do lendário Meat Loaf e esposa de Scott Ian.

Santos Velhacos!
In An Instant talvez seja a menos inspirada das faixas do disco, mas tem uma redenção em sua reta final e a dobradinha Dive/Up Yours trazem um pouco dos anos 1970 à mistura, sem descaracterizar o som dos Californianos.  

Saldo Final

Numa discografia nada extensa, mas de qualidade louvável, Win Hands Down se destaca com louvor. Uma grata surpresa que certamente deixará feliz todo e qualquer Headbanger que nutre simpatia pela música dos Saints. Um de seus mais inspirados lançamentos e que entrará com destaque em minha lista de melhores discos desse ano.

NOTA: 88

Indicado para:
Todos aqueles que ainda sentem um frio na barriga ao escutar um simples bom disco de metal tradicional.

Fuja se:
Achar enfadonho o metal de décadas passadas.

Classifique como: Heavy Metal

Para Fãs de: Riot, Vicious Rumors, Metalmorphose, Jag Panzer