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domingo, 9 de agosto de 2020

Lucifer – Lucifer III (CD-2020)



The Devil You Know

Por Trevas 

Meio redundante dizer, mas esse é o terceiro rebento do combo multinacional capitaneado pela alemã Johanna Platow Andersson, outrora conhecida por Johanna Sadonis. Sim, a mudança de nome da moça tem um pouco a ver com a mudança na banda. Johanna juntou os trapos (e assumiu o nome) com seu parceiro de segundo disco, Nicke Andersson (multi-instrumentista que ficou famoso por ter capitaneado bandas tão díspares quanto Entombed e Hellacopters), e os dois são exatamente o que sobrou do segundo disco, além de escrever e produzir tudo o que ouvimos aqui.

Johanna e seus Black Caps

De cara Ghosts nos leva a crer que o Lucifer optou definitivamente por assumir seu lado Retro Rocker, como no segundo trabalho, em detrimento ao Occult Rock com elementos de Doom do disco de estreia. Ainda que as boas Midnight Phantom e Leather Demon (assim como as letras) mantenham sopros, não mais que efêmeros do clima sombrio de outrora.


Não que isso seja exatamente um problema. A despeito das mudanças de formação e de opção estilística, a banda conseguiu forjar uma cara própria, muito graças à voz única de Johanna. Longe de ser uma virtuose da voz, a alemã tem um timbre agradável que nos remete a algum lugar esfumaçado (e com leve cheiro de enxofre) no fim dos anos 1960.


Dessa vez Nicke ficou restrito às baquetas, as boas guitarras cabendo ao desconhecido Martin Nordin e ao sueco Linus Björklund (do ótimo grupo de Retro Rock VOJD). Não dá para saber pelos créditos quem responde pelo baixo nem pelo Hammond climático que aparece aqui e acolá. Mas é tudo bem feito, com aquela aura de produção antiga, ainda que bem polida. O problema é que as músicas são legais, mas carecem de um algo a mais que estava presente nos dois trabalhos anteriores. Uma bolachinha curta, boa de se ouvir, mas que falha em se destacar dentro do para lá de recheado e concorrido mercado de lançamentos do universo Retro Rocker (NOTA: 8,21)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Hellion Records (nacional)

Prós: a banda achou sua cara, e é uma cara agradável

Contras: menos cativante que os trabalhos anteriores

Classifique como: Retro Rock, Occult Rock

Para Fãs de: Blood Ceremony, Jess And The Ancient Ones, Jex Thoth 


domingo, 11 de novembro de 2018

Lucifer - Lucifer II (Cd-2018)

Lucifer - Lucifer II (2018)
Mesmo Capeta, Maldição Diferente
Por Trevas

Lucifer, a banda, chamou a atenção de muita gente com seu primeiro trabalho, lançado em 2015. Pudera, a loirinha alemã Johanna Sadonis, que havia feito uma estreia excelente com o efêmero duo feminino de Occult Rock nomeado The Oath, agora estava amparada por gente do calibre de Gaz Jennings, o mestre das seis cordas do extinto Cathedral, e Andrew Prestridge (baterista de gente como Tytan e Angel Witch). Trazendo 8 músicas pesadas e com uma aura bem sombria, o disco angariou espaço nas listas de melhores daquele ano. Com a turnê vieram diversas mudanças na formação, e a banda oficialmente passou a ser um trio (com adições de músicos contratados aqui e acolá ao vivo), com Johanna tendo ao seu lado Robin Tinderbrink (Saturn) e Nicke Andersson (The Hellacopters, Entombed). As mudanças drásticas de formação também acompanharam as assertivas de que o novo trabalho teria um direcionamento musical diferente.

Johanna e seus capirotos
Essa diferença fica clara logo na abertura, com a viciante e totalmente 1968 California Son. Ficam de fora (ao menos num primeiro plano) o ocultismo e a carga Doom nos riffs. 



Mas para nossa sorte a mudança de direcionamento nem de longe afetou a qualidade do som, como bem mostra Dreamer, a bela Power Ballad que traz belas performances de Robin Tidebrink e de Johanna, bem mais solta que no primeiro trabalho.


Phoenix faz um delicioso rip-off das guitarras de Transmaniacon MC, do Blue Öyster Cult, pega emprestado algo dos primórdios do Scorpions na mistura e transpõe para seu próprio mundo, com um refrão que gruda de primeira. Parece pesado dizer isso, mas Gaz Jennings não faz falta aqui. Robin e Nicke (que detona como sempre na bateria) seguram a onda muito bem, com ainda mais cores e timbres que no trabalho de estreia. O repertório ajuda, e nem a opção pelo cover dos Stones, em detrimento da belíssima Evening Wind do Scorpions, lançada como single, consegue derrubar o andamento da bolachinha, que o diga a ótima Reaper In Your Heels.



A opção por uma sonoridade e temática que se distanciam do Occult Rock pode erroneamente levar os incautos a imaginar que o novo disco é pop e acessível. Bobagem, as músicas estão amis dinâmicas, com variações e muita liberdade nos devaneios instrumentais (vide Before The Sun e Eyes In The Sky). Só que tudo soando coeso e preparando uma cama rica sobre a qual se deita a voz da estrela da companhia, a bela voz de Johanna Sadonis. A alemã (que co-assina a produção com Nicke) simplesmente supera em muito sua performance do primeiro disco, soando mais versátil e ainda mais melodiosa, mas mantendo a aura de mistério nas interpretações. O rompimento completo com a estética do primeiro disco mostrado até então cai completamente por terra com a faixa de encerramento, a monolítica Faux Pharaoh, que tão logo termina, já nos deixa com vontade de colocar a bolachinha para rodar de novo.



Veredito da Cripta

Lucifer II é um demônio completamente diferente daquele conjurado por Sadonis e sua trupe no primeiro trabalho. Menos pesado e solene, mais melodioso e versátil. A única linha que une por completo os dois discos é a da qualidade, que se mantém para lá de alta. Outro excelente trabalho de uma das melhores bandas da atualidade.


NOTA: 9,17

Visite o The Metal Club

Gravadora: Hellion Records (nacional)
Prós: uma perfeita máquina do tempo que nos leva direto a algum ano entre 1968 e 1972
Contras: o ocaso da estética Occult Rock/Doom pode alieanar fãs do primeiro disco
Classifique como: Retro-Rock
Para Fãs de: Purson, Coven



domingo, 13 de setembro de 2015

Luficer – Lucifer I (Cd – 2015)

Lucifer I (Cd - 2015)
Reerguido Das Cinzas
Por Trevas

Ano passado uma nova banda - The Oath - capitaneada por duas pequenas loiras, surpreendeu o mundo do rock pesado duas vezes. A primeira vez, ao lançar a bolachinha homônima, listada em muitas revistas e sites especializados como um dos melhores discos do ano. A segunda ao, pouco depois do lançamento do primeiro rebento, anunciar o fim de suas atividades. O motivo: diferenças pessoais irreconciliáveis entre a guitarrista sueca Linnéa Olsson e a vocalista alemã Johanna Sadonis.

Olsson e Sadonis = The Oath
E veja só, Johanna Sadonis também foi pega de surpresa pelo desmantelamento de sua banda. Já então cheia de planos para um novo disco, foi um alento para ela saber que a cozinha de sua antiga banda estava a seu lado para uma nova empreitada. Mas faltava uma peça importante: um guitarrista. Eis que um encontro casual com Lee Dorrian, que por anos ostentou o microfone junto ao Cathedral, resolveu miraculosamente a questão: “Por que você não chama Gaz, ele é um ótimo guitarrista”! Sim, o “Gaz” em questão é o mestre por traz dos riffs do Cathedral, Gaz Jennings. Johanna se mostrou incrédula com a sugestão, mas não mais incrédula do que com o aceite do lendário guitarrista. Gaz se juntaria ao novo projeto, intitulado Lucifer, ao menos em estúdio.

Lucifer e a esfinge
Tendo como engenheiro de som Ingo Krauss (que também trabalhou recentemente com o Kadavar), todas as músicas foram compostas pela dupla Sadonis/Jennings e evocam um rock pesado à lá anos 1970, com pitadas marcantes de psicodelia e muito ocultismo nas letras. Bom, quanto ao ocultismo, a capa e títulos como Abracadabra, Purple Pyramid, Sabbath e Izrael (ver clipe) logo entregam o jogo.



No geral, temos a junção de riffs sabáticos típicos de Gaz com a doce e algo misteriosa voz de Sadonis, que muitas vezes parece uma versão mais crua e vintage da Anneke dos primórdios (The Gathering circa Mandylion). A cozinha é bastante competente, e ainda temos alguns teclados adornando o resultado final.

Sadonis em destaque na capa da Decibel
A produção é direta e com aquela aura esfumaçada de outrora, e todas as músicas são muito boas, fazendo os 43 minutos passarem voando. Um disco daqueles que você acaba por escutar por muitas vezes seguidas! Ah e o nome da bolacha parte da promessa de Johanna: haverá uma parte II. Aguardemos a segunda vinda de Lucifer, então!

NOTA: 93

Prós:
Peso e doçura mesclados com uma aura mística.

Contras:
Um pouco curto demais.

Classifique como: Retro Rock, Stoner, Ocult Rock

Para Fãs de: Death Penalty, Purson, Jess and The Ancient Ones

Ficha Técnica
Banda: Lucifer
Origem: ALE
Disco (ano): Lucifer I (2015)
Mídia: CD
Lançamento: Rise Above Records (importado)

Faixas (duração): CD  - 8 (43’)
Produção: Lucifer
Arte de Capa: Johanna Sadonis

Formação:
Johanna Sadonis – voz e teclados;
Dino Gollnick – Baixo;
Gaz Jennings – Guitarra;
Andrew Prestidge – Bateria.