Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
A banda homônima do guitarrista
teutônico chega aos 31 anos de estrada com a impressionante marca de 18 álbuns
de estúdio (mais um de covers e uma penca de compilações e trabalhos ao vivo). Com
uma formação estável (BobbyRondinelli é o “novato” aqui e já está
em seu terceiro disco com os caras), e novamente com o capitão do time
assumindo a produção, vamos ao que o novo disco tem a oferecer.
A tradicional foto tosca dos encartes da banda
Após a obrigatória (dentro da
fórmula para lá de testada do quinteto) introdução, Gunfire aparece: diretona e interessante, como costumam ser as
primeiras faixas dos discos da banda. JohnnyGioeli é um dos grandes vocalistas
do Hard/Heavy e claramente não desaprendeu o ofício.
BadReputation
transita por aquele Hard/Heavy oitentista, que tantos amam. Nada
brilhante, mas dá para bater o pezinho junto, sem nenhuma vergonha. A faixa
título é mais um daqueles números épicos e algo misteriosos que sempre aparecem
nos discos do guitarrista. Boa, mas não essencial. Aliás, esse é o problema
aqui.
Quem conhece a carreira do AxelRudiPell sabe bem que ele nunca tentou ser um músico inovador, a
fórmula de seus discos é batida e para lá de testada. E aqui não é diferente,
temos os épicos midtempo, as faixas
diretas e empolgantes e as baladas. De diferente, uma pegada mais classicrock (que vem sendo privilegiada após a adição de Bobby) e um menor exagero no tamanho
das faixas. Ah e um pouquinho de Reggae na introdução de Living In A Dream. Sim, é pouca coisa para
chamar efetivamente de novidade. Mas para quem aceita esse fato e curte a
proposta, sem se importar com a repetição, a trupe raramente desaponta.
O que desaponta é o trabalho de bateria de Rondinelli ao longo do disco, de uma retidão e preguiça que por
vezes lembra aqueles trabalhos dos anos 1990 em que as bandas usavam toscamente
a bateria eletrônica (RunningWild me veio à mente aqui). A produção
também está abaixo do patamar usual dos alemães. Ao optar por um som mais
voltado para o classicrock, com a cozinha em destaque, Axel perdeu a mão e deixou a mixagem
algo embaralhada e cansativa. Afora esses detalhes, é apenas mais um trabalho
dentro de uma discografia bem homogênea, sem nada que o destaque dos irmãos
mais velhos. Mas sem nada que desabone também. AxelRudiPell, enfim...(NOTA: 7,08)
Curtas: Vader, Axel Rudi Pell,
Avenged Sevenfold, Crowbar
Por Trevas
Vader - The Empire
Vader
– The Empire (Cd-2016)
Death
Imperial
Poucas bandas da idade
da polonesa Vader (quase 3 décadas)
podem se gabar de ter uma extensa discografia (só de estúdio são 14 discos) que
prima por um incrível padrão de qualidade. Os caras simplesmente não tem disco
ruim e The Empire está aí para esfregar isso na nossa cara. Se você já havia
ficado feliz com a bifa na oreia que é AngelsOfSteel, primeira faixa de trabalho, não terá do que reclamar do
restante do disco. O que ouvimos aqui é um DeathMetalOldSchool com os
tradicionais elementos de HeavyMetal que o líder Piotr (responsável pelas guitarras e voz) sempre fez questão de
imputar aos seus sons.
A produção, com imenso punch e
ao mesmo tempo imprimindo uma qualidade sonora absurda em meio à desgraceira,
merece destaque absoluto. A proficiência de MarekPajak (guitarras),
TomaszHalicki (baixo) e JamesStewart (bateria) junto ao patrão
também é impressionante. Mas nem produção nem os músicos seriam suficientes
para garantir um jogo ganho e o que realmente vale aqui são as músicas. Prayer To the God Of War carrega nas
nuances mais heavy, já Genocidius é
uma pedrada nos tímpanos. Feel My Pain
é contagiante, e os 33 minutos da bolachinha se encerrariam com imensa
ferocidade com a inspirada Send Me Back
To Hell. Encerraria. Mas na edição brasileira ainda temos o EpIronTimes incluso. Descartada a desnecessária
repetição de Prayer... e Parabellum, cujas versões no Ep são as mesmas do disco, recebemos de
presente duas covers: uma PiescIStal,
que Piotr gravara em 2006 junto ao PanzerX, e uma respeitosa e matadora rendição para Overkill do...ah, nem preciso dizer, né? Padrão de qualidade Vader- Um puta disco, como sempre!
Logo no primeiro dos
45 minutos da bolachinha, mais especificamente na entrada da excelente FallingWhileRising (ver vídeo),
já sabemos o que esperar de KirkWindstein e sua trupe – uma tijolada Doom/Sludge de respeito. O disco marca o retorno do baixista original
após 16 anos de ausência, ToddStrange. O trabalho, 11º rebento do Crowbar, parece querer de certa forma
reverenciar os primórdios da banda, quando Todd
ainda arcava com os graves, carregando a mão no Doom mais classudo. PlasmicandPure, por exemplo, é como uma encarnação zumbi do BlackSabbath. Mas as influências de hardcore não foram esquecidas, não.
A rápida I Am The Storm é virulenta
como pede o estilo.
A produção de DuanneSimoneaux, parceiro de longa data de Kirk (tanto no Crowbar
quanto no Down), faz aquele
equilíbrio preciso entre a sujeirada necessária para a massa sonora da banda e
a clareza nos momentos mais trabalhados, como na excelente e Jerrycantrelliana SurvivingTheAbyss. A faixa
título, que praticamente compila em seus parcos 4 minutos todas as
características do Crowbar, já merece
ganhar espaço nos sets vindouros. O disco tem lá seus momentos menos inspirados,
mas não tem erro – se tua praia é um peso monolítico e sujismundo, vá na fé que
tio Kirk sabe das coisas! Recomendo!
NOTA:
8,26
Pontos
positivos: peso abissal
Pontos
negativos: tem lá duas faixas mais marromenos no caminho
Disco do guitarrista
alemão Axel Rudi Pell é que nem
filme da sessão da tarde: você geralmente já sabe o que vai acontecer, é clichê
para cacete, mas ainda assim, dependendo do estado de espírito, pode divertir
sem maiores problemas. Convenhamos, não ia ser agora, no 17º disco de estúdio,
que a história iria mudar. A intro desnecessária está ali (dessa vez, com clima
circense), a faixa de abertura que você jura já ter ouvido antes (Fire), também. Mas não vamos ser tão
chatos, tem também um punhado de boas músicas.
Game
Of Sins é um ótimo exemplar do épico obrigatório dos caras, assim
como When the World Says Goodbye. E Sons In the Night nos mostra que a
banda até consegue ser vigorosa quando quer. Uma pena que eles ainda insistam
nas baladas xaropescas de gosto para lá de duvidoso, como a irritante Lost In Love. O mais legal é que a
edição nacional, cortesia da Shinigami,
traz a excelente releitura para All
Along the Watchtower (Bob Dylan,
imortalizada pelo Hendrix). Dentro dos
trocentos discos iguais do Axel Rudi
pell, esse é da leva dos inspirados. Se você é fã, corra e garanta o seu.
A banda que os
Troozões amam odiar está de volta. E camaradas, vocês podem pensar o que quiser
dos estadunidenses, mas os moleques tem colhões de aço. Peitando uma gravadora
major, resolveram simplesmente fazer o que parecia impossível nos tempos de
discos que vazam meses antes de ir ás prateleiras – lançaram seu novo álbum ás
escuras, sem anuncio prévio. Para isso contaram com uma estratégia que envolveu
a difusão de inúmeras notícias falsas pela internet, com participação
ativíssima do colega e lutador de WWEChrisJericho (Fozzy), que até
mesmo criou um disco fictício apara a banda, VoltaicOceans (nome
adaptado de uma música do theCult). A estratégia culminou na
projeção do logo da banda em pontos diferentes das grandes cidades dos EUA e em um show em cima de um edifício.
Durante o show os discos começaram a ser distribuídos às lojas, sem que ninguém
se desse conta disso. A estratégia teve um resultado interessante. TheStage vendeu menos da metade do disco anterior na semana de
lançamento (atingindo o primeiro lugar da mesma maneira), mas manteve a vendagem
no topo por mais semanas do que o normal. De resto, TheStage traz como
novidade a estreia de BrooksWackerman (BadReligion), na
bateria, além de tratar de conceitos baseados em Inteligência artificial e astrofísica.
Parece que a garotada cresceu, enfim.
TheStage, o épico que abre o disco e
primeira faixa de trabalho, lida com a história de um homem que questiona os
desígnios do universo e com a ideia de destino pré-determinado. Uma música
excelente, repleta de belos solos e com uma interessante construção que leva a
um desfecho apoteótico. Uma abertura incomum, mais um ponto para a audácia dos
caras. Paradigm é outra excelente faixa,
que mostra o distanciamento do caminho mais OldSchool do disco
anterior, como comprova a não tão legal SunnyDisposition, com seus metais em meio
ao caos. GodDamn e CreatingGod são bons libelos antirreligiosos. Angels é uma bela balada, que não
aprece chupada do Guns And Roses,
vejam só. Simulation começa lenta e
se desenvolve numa sequência de altos e baixos, de maneira a lembrar uma
evolução dos sons que a banda fazia em CityOfEvil. Higher é excelente
e mostra o quanto MattShadows evoluiu como vocalista, soando
bem mais versátil que em seus primórdios com aquele trinado anasalado. RomanSky traz elementos orquestrais bem casados com a proposta viajante,
que fez lembrar algo no novo Nightwish.
FermiParadox pode ter momentos instrumentais inspirados, mas fica abaixo
do restante do disco. E se iniciar um disco com uma faixa de 8 minutos já é
meio esquisito, que tal fechar o mesmo com um épico de quase 16? Bom, Exist tem de tudo, solos
impressionantes, passagens que remetem ao Metallica
antigo, passagens vocais baladescas e discurso de NeilDeGrasseTyson...certamente não é a obra prima
que a banda imaginou, mas tem momentos interessantes. Em suma, um disco tão
corajoso quanto a estratégia para seu lançamento. Bola dentro para o A7X!
Egresso do grupo de hard/heavy oitentista Steeler, o guitarrista alemão Axel Rudi Pell iniciou as atividades de
sua banda homônima em 1989, levando consigo o baixista Volker Krawczak. Além do ex-companheiro de Steeler, Axel recrutou Jörg Michael (bateria, então no Running Wild) e o vocalista Charlie Huhn (que já havia sentido o
gosto da fama com Gary Moore e Ted Nugent e estrelado uma versão
picareta do Humble Pie). O disco
oriundo dessa formação, Wild Obssession,
não chegou a chamar muito a atenção, apostando num hard/heavy típico de seu
tempo.
Axel Rudi Pell - seria ele fruto do cruzamento entre Blackmore e um espantalho?
O nível começou a subir com Nasty Reputation (1991), já contando com o vocalista do Impelliteri, Rob Rock. E se foi em Eternal
Prisioner (1992) que a banda encontrou sua voz no fenômeno Jeff Scott Soto (recém egresso da banda
de Yngwie Malmsteen), só foi de fato
encontrar seu som em definitivo no disco seguinte, Between The Walls (1994). O som de Axel Rudi Pell, a banda, é calcado num hard/heavy épico, que emula
com perfeição o Rainbow, da
principal influência de Axel, o
guitarrista, Ritchie Blackmore
(somado a pitadas de influência do conterrâneo Michael Schenker). Tal como Malmsteen,
Axel imita o temperamental mago
inglês das guitarras em equipamentos, vestimentas e pose. Mas ao contrário do
Sueco ególatra, Axel é um
guitarrista comedido e patrão generoso, bastante distante de poder ser chamado
de um virtuose, seu jogo está muito mais centrado em boas composições do que em
peripécias guitarrísticas repletas de notas à velocidade da luz.
Seguiu-se uma série de discos bem sucedidos
contando com Jeff nos vocais, aproveitando
a onda de sucesso que o power metal viveu em meados dos anos 1990. Mas então a
parceria foi rompida, com Axel recrutando
o americano Johnny Gioeli para
capitanear o microfone. Vocalista do Hardline,
Johnny pode ser considerado perfeito
para o estilo do guitarrista alemão, e a parceria nova tornou-se um sucesso tão
grande quanto a anterior. Axel Rudi Pell
sobreviveu à derrocada do Power metal ao final dos anos 1990, vivendo como uma
banda Cult a quem os fãs ávidos por um metal old school podem sempre recorrer
em momentos de saudosismo.
Mas se o estilo próprio e imutável
garantiram ao alemão uma penca de fãs fieis e respeito na ala mais conservadora
da cena, também rendeu críticas duras. Muita gente acusa a banda de escrever e
lançar o mesmo disco de novo e de novo e de novo.
De fato, novidades no som do Axel Rudi Pell são escassas e muito
pontuais, e tal como ocorre com grupos que sofrem do mesmo “mal”, como Motörhead e AC/DC, o diferencial entre um disco e outro do alemão reside no
grau de inspiração dos músicos. Então Axel
entrelaça discos muito inspirados (Mystica,
Shadow Zone) com outros que resvalam
na sonolência (Kings And Queens, The Crest). O lançamento de 2012, Circle Of The Oath, se mostrou um dos
mais legais da carreira da banda, e gerou uma certa expectativa para seu
sucessor, esse Into The Storm.
Encruando
a Fórmula
Como já é tradição, uma introdução
para lá de climática prepara o terreno para a sempre bombástica faixa de
abertura. Ok. O de praxe. Só esqueceram de avisar a Tower Of Lies que ela deveria soar como tal. Uma faixa para lá de
pálida se comparamos com coisas como Edge
Of the World, Ghost In The Black
e outras pérolas que inauguraram discos passados da banda. Mas nela já
percebe-se uma tendência que faz com que o disco atual soe um pouco diferente
dos últimos. As guitarras estão mais cortantes, com riffs mais crus, em
contraste com o feeling classic rock de Circle
Of the Oath.
Long
Way To Go introduz um riff que parece saído do disco Sacred Heart do Dio. As boas viradas do estreante veterano Bobby Rondinelli (Rainbow,
Riot, Quiet Riot, Doro, Blue Oyster Cult e mais “trocentas”
bandas), somados a ótimas melodias de Gioeli
nos apresentam a primeira pérola do disco.
Rondinelli, Doernberg, Pell, Gioeli e Krawkzak
Burning Chains,
com sua pegada totalmente Rainbow
(cortesia dos teclados de Ferdy
Doernberg) é bem sucedida onde Tower
Of Lies falhou e deveria ter sido escolhida a faixa de abertura. Presença
certa nos shows da próxima turnê. When
Truth Hurts mostra outra faceta que inspirou o sucesso de Axel, a mão certeira para Power-ballads.
Os solos melodiosos e que podem bem ser cantados são a herança bem vinda que Michael Schenker deixou no som de seu
compatriota, outra marca registrada da carreira de Axel.
Outra que bem poderia ter sido utilizada como
faixa de abertura, a excelente Changing
Times é anunciada por um riff que remete a Lovedrive, do Scorpions,
mostrando novamente aquela pegada mais crua nas guitarras que diferenciam esse
disco dos anteriores. Mais um riff inspirado e cru aparece após a fraca
introdução de Touching Heaven,
salvando a faixa do que parecia um fracasso retumbante e a levando a ser um dos
destaques do material, com seu bom refrão e andamento épico.
High Above
evidencia o que considero ser disparado o ponto fraco da banda, as letras caricatas
e repletas de clichês de Power metal. Nesse momento me pergunto o porquê do
alemão não deixar o ofício de escrever as letras para o americano Gioeli, acho impossível que ele não
consiga aparecer com algo melhor do que “Flying
High above on the wings of a rainbow” e melecas afins. Mas apesar da letra,
High Above é uma música bem bacana. Como
que para mostrar que não é o único a escrever letras idiotas, Axel escolheu coverizar Hey Hey My My, de Neil Young. Absolutamente deslocada do restante do material, a
versão metalizada de Mr. Young na
melhor das hipóteses soa desnecessária. A épica faixa título encerra a edição
normal do disco sem chamar muito a atenção e com parte do refrão lembrando
demais Circle Of the Oath. Na edição
limitada o disco termina de maneira bem mais inspirada, com uma boa
instrumental (White Cats) seguida de
uma ótima rendição para Way To Mandalay,
do subestimado Blackmore’s Night.
Saldo
Final
Seguindo a tradição, Into The Storm não apresenta grandes
mudanças ao famigerado som da banda. Quem nunca foi fã não encontrará nada aqui
que ocasione uma mudança de opinião. Já os fãs do alemão, esses podem escutar o
novo disco sem medo: Into The Storm pode
ser mais do mesmo, mas é um mais do mesmo dos bons!
NOTA:
8
Prós:
O mago alemão estava inspirado nos
riffs, dessa vez mais crus. Gioeli continua cantando muito e Rondinelli substituiu
Mike Terrana com louvor.
Contras:
Nada de novo no front, para variar,
o que pode cansar...ah, isso e Hey Hey My My...
Faixas (duração): 12 (62’). 10
faixas na versão comum
1. The Inquisitional Procedure; 2. Tower Of Lies; 3. Long Way To Go; 4. Burning
Chains; 5. When Truth Hurts; 6. Changing Times; 7. Touching Heaven; 8. High
Above; 9. Hey Hey My My; 10. Into The Storm; 11. White Cats*; 12. Way To
Mandalay*.