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terça-feira, 21 de maio de 2019

Graveyard + Auramental + Psilocibina - Hocus Pocus Festival 2019 (19.05.19 - BCO Space Makers - Rio de janeiro/RJ)-



Cerveja, Psicodelia e Rock & Roll
Texto e fotos por Trevas

Véspera do meu dia de decrepitude, pego o rumo ao Rio de Janeiro, para comemorar em grande estilo ao som dos retro-rockers suecos do Graveyard. Confesso que jamais acreditei ter a oportunidade de assistir os caras em território Tupiniquim, então foi uma imensa surpresa quando a cervejaria Hocus Pocus anunciou a banda no cast da edição 2019 de seu Hocus Pocus Festival. A cervejaria, além de alguns dos melhores rótulos do país, sempre buscou inspiração na psicodelia e no rock esfumaçado, tendo até mesmo estampado o Thijs van Leer (do Focus) em sua famosa Magic Trap. E os festivais costumam contar com grandes nomes do estilo, seja daqui ou lá de fora (ano passado trouxeram os alemães do Kadavar). O evento, que presenciei pela primeira vez, também traz como atração obrigatória o lançamento de novos rótulos, uma companhia perfeita para o som de qualidade. Vamos avaliar aqui primeiramente a estrutura do festival, depois partindo para os quitutes sonoros.


A Estrutura

O espaço escolhido para a edição 2019 foi o BCO Space Makers. Um simpático pátio aberto situado a menos de uma quadra da Rodoviária Novo Rio, de frente para o Terminal Rodoviário Padre Henrique Otte. Ou seja, o acesso é para lá de tranquilo. Já do lado de dentro, confesso que fui tomado de um misto de sensações. Não havia almoçado, minhas lombrigas estavam saltitando ferozmente, e as opções de comida eram parcas. Três barracas apostando em sanduíches, fritas e tapioca. Tudo muito gostoso, verdade, mas com preços incompatíveis com as pequenas porções servidas.

Belos exemplares, precinhos nem tanto
Ah, e as cervejas? Acho que a Hocus Pocus é absolutamente incapaz de produzir uma cerveja boazinha. É tudo bom para caralho. Superlativo mesmo. Mas o que não isenta o festival de falhas também nesse quesito. Primeiramente, o preço: o chope do rótulo mais barato custava R$ 14 (por 300ml, não havia opção de 500ml), o que está bem justo para o alto padrão de qualidade. Mas os preços chegavam até R$ 24 por 100ml de um dos rótulos. Muita coisa para quem vai passar algumas (muitas) horas por lá e pretende explorar os vários (e inspirados) sabores. E, para piorar a situação, fomos prontamente informados de que não seria permitido conceder as famosas provinhas. Confesso que achei uma decisão no mínimo pouco simpática, além de incomum para eventos cervejísticos. Outro problema (menor) foi a concentração do pagamento e da retirada das biritas no mesmo local, o que ocasionou um certo engarrafamento e desencontro de gente que nunca sabia se a fila era para pagar ou para pegar sua cervejinha. Em contrapartida, os banheiros químicos estavam bem situados e foram suficientes para o tamanho do público. E até onde vi, se mantiveram em ótimas condições de uso até o fim.

Acho que as cervejinhas já tinham feito estrago
No palco, majestoso, já havia uma passagem de som em curso, e cara, nesse aspecto tudo estava perfeito. Som alto e cristalino, logo o primeiro show começou. E com as lombrigas satisfeitas, e após goles de belezuras do naipe de Prometheus Rising, Elephants’ Graveyard e O Louco, me entreguei de vez à falência hepática e financeira e a diversão enfim começou.

Psilocibina
O nome já indica uma viagem induzida por psicotrópicos. E que viagem. O Power Trio aposta em um som instrumental inspiradíssimo e que se vale de um virtuosismo que nunca soa gratuito, muito menos enfadonho. Um show caprichado calcado no disco de estreia, lançado ano passado. (NOTA: 8,00)

Psilocibina: ótimo show, só não tente falar o nome da banda bêbado
Auramental
O quarteto, que também aposta em uma proposta musical instrumental (e espacial), se utilizou do Festival para o lançamento de seu trabalho de estreia. E a resposta não poderia ter sido melhor. O público assistia atentamente ao som, menos calcado no virtuosismo que a banda anterior, mas ainda mais lisérgico e climático. Mais um grande show que ajudou a tornar a atmosfera do evento ainda mais bacana (NOTA: 8,00)

Auramental...tipo, literalmente
Graveyard
Debaixo de lufadas de gelo seco, o quarteto sueco começa seu show já com um de seus clássicos, Hisingen Blues, mostrando que não estão para brincadeira. A reação do público no refrão mostra de cara que o jogo estava ganho, mas Goliath, outro Hit, vem logo em seguida e aprendemos então que os caras não iriam afrouxar a marcação nem que o placar fosse uma sonora goleada.

Não, o show não foi em Petrópolis

Alternando clássicos de seus aclamados quatro trabalhos iniciais com músicas de seu disco de retorno (a banda chegou a anunciar o fim das atividades em 2016) num ritmo praticamente ininterrupto, que não deixava os fãs sequer respirar, o Graveyard fez a mágica de transportar todo o festival para algum ano entre 1968 e 1974. Joakim Nilsson reinou absoluto, seja com sua voz ríspida ou com sua guitarra destilando riffs mais vintages que sua bisavó, mal abrindo os olhos e mantendo a comunicação com o público ao mínimo. O restante da banda não fica atrás, todos tocando com garra e precisão impressionantes. Em alguns shows a falta de comunicação pode causar um distanciamento, mas definitivamente não foi o caso aqui, e quando a banda rapidamente se retirou após a primeira parte do set, a plateia gritou a plenos pulmões pelo retorno.

Joakim, não o da padaria

O retorno contou com Low, emendada com a porrada Zeppeliana clássica Ain’t Fit To Live Here (que abre o colossal Hisingen Blues) e preparando o terreno para uma apoteótica rendição da não menos apoteótica The Siren, talvez uma das melhores canções já criadas pela cena Retro-Rocker. Sorrisos e agradecimentos econômicos, mas honestos, são vislumbrados, o Graveyard se retira de campo. E a sonora goleada prevista realmente se fez. Excelente (NOTA: 10)

Os tarados do Set List

Fim Do Evento:
Tão logo os shows terminaram, a produção fez um telão descer na frente do palco. A ideia? Projetar o último capítulo de Game Of Thrones. Uma bela sacada da produção. Foi bacana ver aquela penca de gente ébria e pacata sentando no chão, todos juntos como grandes amigos (membros de todas as bandas inclusive), vibrando com o destino de seus personagens favoritos. Um toque final de humanidade e camaradagem para coroar um evento que se fez bastante divertido, a despeito dos defeitos. Que venha a edição 2020!


sábado, 26 de janeiro de 2019

Curtas: Doro, Annihilator, Graveyard & High On Fire







Doro – Forever Warriors, Forever United (2Cds-2018)

OverDOROse
Por Trevas

Impossível não admirar Doro Pesch. Na ativa desde muito jovem, quando à frente do Warlock, ajudou a colocar as mulheres em local de destaque numa cena majoritariamente dominada pela testosterona, Doro jamais deixou de carregar orgulhosamente a bandeira do Heavy Metal, mesmo nos períodos em que se associar cegamente ao estilo soava como amarrar uma âncora nos pés em termos de sucesso comercial. O problema é que, tal como acontece com seu conterrâneo UDO, a sonoridade que a loirinha explora em seus discos por muitas vezes parece se contentar em replicar de novo e de novo (e de novo) a mesma fórmula, ameaçando cansar até o mais devoto fã. Por isso mesmo, ao me deparar com a notícia de que a jovem senhora anunciara um novo disco, e que o mesmo seria duplo, fiquei com um pé atrás. E com razão. Temos aqui 25 músicas de um Hard & Heavy bem padrão para a carreira da alemã, com uma produção não mais que aceitável e participações especiais aqui e acolá (por exemplo, Johan Hegg do Amon Amarth, replicando o dueto algo desencontrado de Jomsviking), e a qualidade, se nunca chega a ser ruim, também raramente empolga de verdade.



Ou ao menos, não empolga o suficiente para que um ouvinte casual resista à audição contínua de todo o material. A destacar, a ótima homenagem ao Motorhead (que também aparece sob o correto cover para Lost On The Ozone), na feroz Bastardos, a gostosa Backstage To Heaven, a bacana Résistance e a tentativa (quase acertada) de replicar o poder de grude de All We Are em All For Metal (que conta com um coro estelar). Quase todas presentes no primeiro Cd, que é consideravelmente mais interessante que o segundo. Em suma, se você é fã de carteirinha, irá se divertir. Se nunca deu bola para a voz da milf mais querida da história do metal, passe bem longe pois não há nada de novo ou excepcional aqui. Talvez um best of de 10 faixas pinçadas dos dois discos rendesse um trabalho bem mais legal!

NOTA: 6,77

Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: a Doro de sempre
Contras: muitas músicas medianas diluem o poderio do disco
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Warlock, Burning Witches


Tia Doro podia ter maneirado na quantidade e apostado na qualidade
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Annihilator – For The Demented (Cd-2017)

Demente Como Sempre
Por Trevas

Não é segredo para ninguém que o combo canadense de Thrash Metal Annihilator é praticamente um “exército de m homem só”, capitaneado pelo exímio guitarrista Jeff Waters. Mas volta e meia, como que para tirar qualquer dúvida que possa pairar sobre quem manda na pelota, Mr. Waters passa a assinar até mesmo os vocais de alguns discos da banda, com resultados que variam bastante. E esse é o caso de For The Demented, Jeff lidera com guitarras alucinantes e vocais apenas competentes em um disco direto, feroz e rápido de um Thrash/Speed Metal moderno repleto de solos e riffs excelentes. Twisted Lobotomy abre a bolachinha com o pé no acelerador, e One To Kill tem momentos guitarrísticos de clara referência (reverência?) à Michael Schenker.



Claro que em se tratando de uma banda com uma discografia tão extensa (e com diferentes fases) quanto essa (são 16 discos até agora!), cada novo capítulo costuma receber atenções um bocado polarizadas por parte dos fãs. Li um bocado de coisas ruins sobre o disco, mas tive imensa dificuldade em sequer entender o motivo das críticas negativas, já que o trabalho parece encapsular de maneira para lá de competente as diversas nuances que a banda já vinha apresentando pelo menos nos últimos 20 anos. Em suma, se você gosta de um Thrash mais técnico e não se importa com sonoridade moderna e com a limitação vocal do tio Jeff, pode conferir o disco sem medo.

NOTA: 8,17


Gravadora: Hellion Records (nacional)
Prós: porradaria bruta
Contras: Jeff não é lá um grande vocalista
Classifique como: Thrash Metal

Para Fãs de: Megadeth

Jeff e os caras que trabalham nesse momento para ele
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Graveyard – Peace (CD-2018)

Boca De Sino Rediviva
Por Trevas

Peace é o irônico título que estampa a capa do quinto disco de estúdio dos suecos do Graveyard. Irônico pois paz definitivamente foi o que a banda não viveu em tempos recentes. Após o lançamento do melancólico Innocence & Decadance, os caras supreendentemente anunciaram a separação. Uma das mais promissoras bandas do movimento Retro Rock que tomou a Escandinávia de assalto simplesmente sumiria do mapa em seu auge. Um ano depois o retorno foi anunciado, mas sem o baterista fundador, Axel Sjöberg. E como Axel era parte importante no som do quarteto, Peace chegou ás prateleiras debaixo de alguma desconfiança. Será que a banda efetivamente funcionaria a contento? Bem, a detonante faixa de abertura It Ain’t Over Yet talvez seja outra dose de bom humor sueco programada justamente para responder aos incrédulos.


São 10 faixas certeiras, fabricadas com esmero para viver os anos 1970 em sua plenitude. Timbres e estruturas totalmente vintage e vocais roufenhos (Nilsson e Morck se dividem ao longo do disco, oito para o primeiro, duas para o segundo) numa produção encardida e orgânica. O novo recruta, Oskar faz um ótimo trabalho, mas o coringa aqui são as composições caprichadas, que acham profundidade em sua fingida simplicidade. Os destaques ficam para The Fox, Walk On e a já citada faixa de abertura. Um belo retorno.


NOTA: 8,40

Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: orgânico até a medula
Contras: falta aquele algo a mais de Hisingen Blues
Classifique como: Retro-Rock
Para Fãs de: Rival Sons, Witchcraft

Maior brasa, morou broto?
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High On Fire – Electric Messiah (Cd-2018)

Messias Sujismundo
Por Trevas

Electric Messiah é o oitavo capítulo do monstro criado em 1998 pelo homem-que-nunca-vestirá-uma-camisa Matt Pike, o cérebro ensopado de psicotrópicos responsável pelo som monolítico do Sleep. A jornada continua a mesma desde o segundo trabalho: um viciante e fétido crossover de Celtic Frost/Motörhead/Black Sabbath com riffs e solos carregados de sujeira, baixo gorduroso (Jeff Matz), bateria de homem das cavernas (Dens Kensel) e vocais que parecem saídos do Lemmy após um gargarejo com cerol. Coisas como as virulentas Spewn From The Earth e Electric Messiah (a melhor música do Motörhead que você vai ouvir pós existência da banda) devem causar um esgar de felicidade no cadáver do saudoso tio Crocotó.


Enquanto isso há espaço para números mais tribais, calcados no Stoner épico do Sleep, como Steps Of The Ziggurat/House Of Evil e Sanctioned Annihilation e até sobra um pedaço para algo mais melodioso, como a ótima Drowning Dog. A sujeira e ogridão do som podem não render um prato requintado ao gosto de ouvidos mais sensíveis, e justamente por isso impressiona a notícia de que uma banda tão comprometida com a estética underground tenha ganho uma surpreendente indicação ao Grammy! Após terminar as 9 músicas que totalizam quase uma hora de som, duas perguntas permanecem: por que diabos Matt Pike não usa camisas? E de onde o infame biltre consegue tirar tantos riffs e solos encardidos? Espero que Tony Iommi nos responda...  

NOTA: 8,53

Gravadora: SPV (importado)
Prós: lindamente tosco
Contras: ainda assim, tosco e ogroide demais para ouvidos leite-com-pera
Classifique como: Stoner Metal
Para Fãs de: Celtic Frost, Motörhead, Orange Goblin, Black Sabbath

Fodam-se camisas! Matt Pike por Hillarie Jason


Notas Baseadas No Sistema de Avaliação do The Metal Club














terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Curtas: Graveyard, Nightwish, Symphony X, Trivium

Graveyard, Nightwish, Symphony X, Trivium



Graveyard - Innocence & Decadence (Cd-2015)
Graveyard – Innocence & Decadence (Cd-2015)

Às Arvre Somos Nozes

Das 789 zilhões de novas bandas suecas praticantes do famigerado (e inflado) Retro Rock, Graveyard conquistou meu carinho tão logo esbarrei com uma belezura chamada Hisingen Blues (ver história completa desse romance Criptoniano aqui). O problema é que esse disco acabou por deixar minhas expectativas muito altas para os futuros trabalhos dos caras. O bom é que eles nunca chegam perto de decepcionar. Innocence abre com Magnetic Shunk alternando entre o rock e o boogie com maestria, e a faixa de trabalho The Apple And The Tree (ver vídeo) é uma daquelas pérolas de 1968 que pegaram uma máquina do tempo para a década atual.


Exit 97 é um blues melancólico e esfumaçado engrandecido por um belo hammond, o tipo de música para compor o ambiente de um pub decadente repleto de facínoras. Never Theirs e Can’t Walk Out possuem uma aura de Proto Metal, contendo pinceladas de Led (na primeira) e Doors (na segunda). O retorno de Truls Mörck, guitarrista e vocalista da formação original do Graveyard, se faz perceber em maior grau quando este assume os microfones, na ótima From a Hole In The Wall – um Space Rock com Blast Beats!!!. E nem mesmo a chocha música final, Stay for A Song, consegue entornar o caldo. Quando ela aparece o jogo já está para lá de ganho. Innocence pode não ser um Hisingen Blues, mas mostra que o Graveyard ainda consegue chutar sua murcha bunda retrô com galhardia.

NOTA: 83

Classifique como: Retro Rock, Blues Rock, Stoner Rock
Para fãs de: Kadavar, Monster Magnet, Withccraft
Passe longe se você for um maldito clubber

Graveyard: nossos queridos suecos mofados
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Nightwish - Endless Forms Most Beautiful (Cd-2015)
Nightwish – Endless Forms Most Beautiful (Cd-2015)

Pretensão e Água Benta...

Primeiro trabalho dos finlandeses a contar com a vocalista holandesa Floor Jansen, Endless traz um conceito baseado na obra do Biólogo e Evolucionista Richard Dawkins, tudo isso ornado por uma produção que envolve também uma orquestra e uma faixa de encerramento de 24 minutos. Quer um pouco mais de megalomania? Bom, pede lá para o mentor da banda, o tecladista Tuomas Holopainen, que ele deve ter mais no estoque sobrando. Shudder Before the Beautiful tenta com afinco justificar toda a pompa numa explosão sinfônica bacana, mas algo derivativa de trabalhos anteriores. Se na faixa de abertura Floor parece quase uma cópia da demissionária Anette, no fantasmagórico libelo anti-religião Weak Fantasy ela dá o verdadeiro ar de sua graça, num show de interpretação engrandecido pelo toque folk do britânico Troy Donockley. Èlan, primeira faixa de trabalho, é outra que poderia estar nos dois álbuns anteriores, um bonito Folk Metal versão MTV (ver vídeo).


Enquanto Yours Is An Empty Hope puxa pelo peso e dramaticidade, ainda que sem sucesso, Our Decades In The Sun bem poderia ser usada como música tema de princesa da Disney, e My Walden parece Enya com esteroides. Ainda bem que depois temos a pesada e inspirada faixa título, a Power Ballad gótica Edema Rull (muito anos 1990) e Alpenglow, que parece saída de Once. A instrumental Eye Of Sharbat saiu do toca discos de alguma loja que vende incensos indianos e prepara o terreno para The Greatest Show On Earth: uma colcha de retalhos que dilui alguns bons momentos entre narrativas de Dawkins, sons de bichinhos selvagens e muita, muita pretensão. Barulhos de bichinhos? É, talvez seja a hora de botar os pés no chão, Tuomas.

NOTA: 69

Classifique como: Symphonic Metal, Power Metal, Gothic Metal
Para fãs de: Within Temptation, Delain
Passe longe se: cara, barulhos de bichinhos...sério, cara!!!!!!!!!!!

Tuomas finalmente acha uma vocalista do tamanho do seu ego, só que mais forte
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Symphony X - Underworld (Cd-2015)
Symphony X – Underworld (Cd-2015)

Aventuras sombrias de uma banda barroca

Desde Paradise Lost os estadunidenses vinham carregando no peso, temática sombria e nos timbres modernos, afastando um pouquinho os fãs antigos de seu Power Metal Neoclássico com toque Sinfônico/Progressivo. O conceito sombrio por detrás de Underworld, baseado na Divina Comédia, poderia ser indicativo de que novamente trilhariam o caminho do peso e força bruta no novo disco. E faixas como Kiss Of Death, Nevermore (ver vídeo) e Charon, todas ótimas e presentes na primeira metade da bolachinha, até pendem mais para esse lado. Mas daí para frente, Underworld toma uma outra forma.


To Hell And Back coloca os teclados, tímidos nas primeiras faixas, na linha de frente. A estrutura mais progressiva e com toques de AOR se repete na razoável Swan Song e nas boas Run With the Devil e In My Darkest Hour. Mas ao chegar ao final da jornada, com Legend, fiquei com a impressão de que tivesse a banda seguido a toada da primeira metade do disco, estaríamos diante de seu provável melhor trabalho. Um grande disco, ainda assim.

NOTA: 84

Classifique como: Power Metal, Prog Metal, Symphonic Metal
Para fãs de Malmsteen, Fates Warning, Dream Theater
Passe longe se tiver alergia a devaneios neoclássicos


O gigolô Russell Allen e seus colegas do Symphony X
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Trivium - Silence In The Snow (Cd-2015)
Trivium – Silence In the Snow (Cd-2015)

Let It Go, Let It Goooo

Há não muito tempo atrás, os garotos do Trivium apareceram como a linha de frente da NWOAHM, reais postulantes ao trono de maior banda de Heavy metal em atividade quando os Maidens e Priests da vida pendurassem as jaquetas de couro. Bom, a história foi um pouco diferente e bem menos benevolente com os já não tão garotos. Sem conseguir emplacar comercialmente como era esperado e também sofrendo um pouco com os narizes torcidos da velha guarda de metaleiros troozões, o Trivium vem tentando disco após disco achar seu espaço. E se você é um dos tantos que não gostou do direcionamento de Vengeance Falls, provavelmente vai gostar menos ainda do que temos aqui. Após uma intro absolutamente desnecessária composta e tocada pelo mestre Ihsahn (sim, aquele do Emperor, ídolo de Matt Heafy), a razoável faixa título traz um resumo do direcionamento da bolacha: metal tradicional direto, polido e com vocais limpos. Não, nada de peso em excesso e estruturas complexas.


Matt disse recentemente à Metal Hammer inglesa que sempre quis cantar como vocalista de metal clássico, como Dio e Dickinson, e que assim tentaria daqui para frente, mesmo sabendo das limitações de sua voz. E foi num metal clássico e algo radiofônico que a banda centrou esforços, com produção cristalina de Michael Elvis Baskette, conhecido pelo seu trabalho com o Alter Bridge. O novo enfoque mais direto pode ter minado o poderio de fogo da banda, mas em termos de composições, os caras parecem ter achado seu nicho. Blind Leading the Blind, Dead And Gone (com groove caprichado) e a ótima (ainda que algo farofa) faixa de trabalho Until The World Goes Cold provavelmente farão parte dos shows vindouros sem que ninguém reclame e temos toneladas de Iron Maiden nas bacaninhas Pull Me From the Void e The Thing That’s Killing Me. Ao que parece, a recepção do novo trabalho foi quase tão fria quanto sua temática visual, mas ainda assim Silence In The Snow merece uma conferida. Um bom disco, mas os caras podem fazer melhor!

NOTA: 78

Classifique como: Heavy Metal, Melodic Metalcore
Para fãs de: Bullet For My Valentine, Avenged Sevenfold
Passe longe se a capa e o nome do disco te derem vontade de assistir Frozen de novo... 

Let it Go, Let It Gooo, Silence in the Snooow

sábado, 9 de junho de 2012

Graveyard – Hisingen Blues (2011)

Hisingen Blues (2011)


SERIAM OS SUECOS VIAJANTES DO TEMPO?
Por Trevas

Prólogo - uma peregrinação qualquer pela galeria do rock carioca
Como de costume, toda vez que passo pelo Rio de Janeiro, obrigatoriamente visito as lojas de cds da galeria Vitrine da Tijuca, que proverbialmente chamamos de “galeria do rock carioca”. Geralmente o faço sem um alvo específico, somente para verificar os lançamentos e garimpar uma boa oferta. Estou em uma das lojas, garimpando a seção reservada ao rock dos anos 1960/1970. O vendedor, sempre muito simpático e sabedor de minha preferência pelo rock setentista, me pergunta, acenando para a capa de um disco exposto na parede da loja:
“já ouviu Graveyard?”
O disco está no meio de outros tantos de bandas rotuladas como “stoner”. Não tão simpaticamente, torço o nariz e digo que não conheço. O vendedor, relevando minha tacanha evolução espiritual, coloca o cd para rolar no som mecânico da loja. Finjo não me importar e continuo minha misantrópica ação quase ritualística de revirar os cds em busca de algum santo graal, ou de algo em bom preço, o que viesse primeiro.
Mas não pude ignorar o que se passou em seguida: uma virada de bateria e um riff nervoso de uma guitarra que parecia ter sido timbrada por uma versão lisérgica do espírito de Paul Kossoff. Uma voz ao mesmo tempo roufenha, despreocupada e cheia de feeling berrando como se Rusty Day tivesse levantado de sua tumba. Quase pude sentir calças boca-de-sino materializando-se sobre minha bermuda e um par de suíças se instalando em minha face. Os cds viram vinil e sei lá porque, tenho certeza que um pacote de haxixe apareceu em meu bolso. “Que diabos está acontecendo”, pensei – era apenas o Graveyard, a máquina do tempo sueca fazendo uma nova vítima!
Graveyard - até os caras parecem saídos do túnel do tempo
Background – o retrô rock sueco
Após a invasão do chamado “Gothenburg Sound”, ou como alguns gostam de dizer – a merda da moda do death metal melódico, que tomou a Suécia nos anos 1990 até meados dos anos 2000, o país escandinavo entrou num novo movimento. Dezenas de bandas praticando um som vintage, baseado no psicodelismo, timbres e liberdade musical do início dos anos 1970.
Talvez o pioneiro desse movimento seja o Spiritual Beggars (de Michael Ammot, do Carcass e atualmente Arch Enemy), mas podemos citar também os Hellacopters além da nova safra: Horisont, Truckfighters, Asteroid, Demon Cleaner e em alguns pontos, o próprio Grand Magus.
O Graveyard surgiu de uma derivação de parte da formação do folk/doom do Witchcraft, mais precisamente em 2006. Seu primeiro disco, homônimo, foi lançado em 2007, pela TeePee Records, logo chamando atenção da Nuclear Blast. Não foi só a Nuclear Blast que teve sua atenção voltada ao Graveyard. David Fricke, editor sênior da Rolling Stone, colocou os suecos em sua coluna “Fricke’s Pick”, destinada a revelar pérolas musicais escondidas por aí (ver link abaixo). Fricke também teve a experiência de transporte temporal com a banda, no caso dele, foi carregado direto para os banhos de lama do Glastonbury Festival de 1970 – só que sem a lama!


Capa do Primeiro Disco
Finalmente, Hisingen Blues
Hisingen Blues toma nossos ouvidos de assalto logo em seus primeiros instantes, com a urgência de “Aint Fit To Live Here”, uma de suas melhores faixas. A sonoridade é vintage até a medula. Mas nada soa forçado ou fake. O disco segue com um nível elevadíssimo de qualidade e a banda trabalha muito bem com a dinâmica barulho/calmaria, como uma versão lisérgica e entupida de esteroides do Free. Ecos de Led Zeppelin, Cactus e Black Sabbath podem ser encontrados aqui e ali, mas nada que possa ser considerado meramente cópia.
Embora todas as músicas sejam dignas de nota, a faixa título se destaca, em conjunto com “The Siren”, um blues rock fantasmagórico, a faixa de abertura citada anteriormente e a instrumental “The Longing”, que é provavelmente a melhor composição que Enio Morricone nunca escreveu, digna da trilha sonora de algum Western empoeirado. Algumas versões ainda incluem a faixa bônus “Cooking Brew”, que poderia muito bem estar no repertório oficial do álbum.

                                                               Clipe da Faixa Título

Saldo final
Talvez o grande trunfo do Graveyard seja que, ao contrário da maioria das bandas retrô-rock ou stoner, não soa como alguém emulando desesperadamente os anos 1970. A banda soa EXATAMENTE como se fosse alguma pérola obscura produzida no período e que por algum motivo ainda mais obscuro, tivesse permanecida escondida até que algum colecionador sortudo tivesse redescoberto a bolachinha.
Some a excelência musical da bolachinha com a bela arte de capa, um raro caso de ilustração criativa nos tempos atuais, e temos um lançamento imperdível.
Cabe ressaltar que a bolachinha foi recentemente lançada no mercado nacional, pela Hellion Records.

NOTA - 9

Curiosidade
O estranho nome do disco faz menção apenas ao fato de sua faixa título ter sido composta em uma noite fria num quarto de hotel da ilha sueca de Hisingen. 

Ficha Técnica
Banda: Graveyard

Título (ano de lançamento): Hisingen Blues (2011)

Mídia: CD

Faixas: 9 (10 em algumas versões)


Duração: 39’ (43' em algumas versões)

Rotule como: Classic rock, Heavy Rock, Hard Rock, Stoner

Indicado para: Fãs de Led Zeppelin, Black Sabbath, Cactus, Free e bandas setentistas em geral.
Passe longe se: seu negócio for coisas modernas e/ou modernosas (ou se tiver alergia a pó).