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sábado, 23 de janeiro de 2021

Sepultura – Quadra (CD-2020)


 

Nasce Um Novo Clássico

Por Trevas

Uma vez, li uma entrevista com o guitarrista Andreas Kisser que achei bastante valiosa para ilustrar meu pensamento sobre o Sepultura. Nela, o entrevistador (acho que foi na Roadie Crew) perguntava sobre como a expectativa dos fãs sobre o direcionamento de um novo lançamento afetava a banda. Andreas, com sua inteligência habitual, explicou brilhantemente que cada fã tinha uma imagem do que considerava ser o Sepultura ideal. E ele mesmo também tinha uma imagem bem nítida de seu Sepultura ideal. Sendo assim, invariavelmente o que a banda viesse a lançar chegaria perto do Sepultura que alguns idealizam, e distanciaria de maneira igual do Sepultura ideal de outros tantos. Logo, seria tolice compor pensando nisso, o Sepultura real sempre perderia para os vários Sepulturas imaginários. Machine Messiah representou com maestria o nascimento de mais um desses muitos Sepulturas, ganhando espaço nas listas de melhores do ano ao redor do globo em 2017. Surpreendente para um disco cuja gestão total durou poucos meses. Mas Kisser queria mais. Repetindo a parceria com Jens Bögren, dessa vez a banda tomou todo o tempo necessário para trabalhar em seu sucessor. Novamente conceitual, as ideias por detrás de Quadra são repletas de nuances, e deixarei aos curiosos pesquisar mais sobre o assunto. Em resumo, o conceito brinca com estereótipos e maneiras diferentes de ver a realidade, com uma mensagem simplificada de respeito às diferenças. Como sempre digo, a intenção quando da criação de um disco conceitual pode ser brilhante, mas de nada servirá se as músicas não estiverem à altura. Então, vamos ao que interessa: como soa Quadra?

Os quatro de Quadra

O disco também está dividido em quartos, cada qual com 3 músicas. A dobradinha que abre a bolacha é de destruir qualquer pescoço. Isolation e a pretendente a clássico Means To An End mesclam os elementos sinfônicos típicos das produções de Bögren com uma ferocidade absurda. Os detratores podem reclamar de qualquer coisa do Sepultura atual, mas definitivamente jamais poderão acusar a banda de amansar seu som. Last Time encerra o primeiro quarto do disco, com orquestrações que dão um certo tom épico em outra pancadaria que ficará muito bem ao vivo.


O segundo quarto abre com elementos tribais em Capital Enslavement, outro destaque, com sua forte letra. Ali é o primeiro momento menos frenético do disco, contando com um groove carregado, assim como em Raging Void, um dos refrães mais legais de todo o disco. Já nesse ponto dá para comemorar Quadra como a melhor performance vocal do gigante Derrick Green, cada vez mais versátil.


A épica Guardians of Earth inaugura o terceiro quarto, com sua mensagem poderosa e preservacionista traduzida perfeitamente em um clipe igualmente forte. The Pentagram é uma das duas instrumentais que vem salientar a força criativa dessa formação da banda e nos lembrar do monstruoso guitarrista que é Andreas Kisser. E se alguém souber de que planeta vem Eloy Casagrande, favor avisar. Além da performance colossal, o baterista também co-assina quase todas as faixas do disco com Kisser.  Autem encerra mais um quarto do disco de maneira tão experimental quanto empolgante.


A faixa título inaugura sua soturna e aventureira reta final, uma pequena peça instrumental no violão clássico, seguida pela excelente Agony Of Defeat, que traz Derrick usando vocais limpos, com maestria, e com ótimo arranjo. A surpresa aumenta ainda mais com Fear, Pain, Chaos, Suffering, com um dueto espetacular entre Green e Emmily Barreto, a ótima vocalista do Far From Alaska. Ao final das contas, Quadra não só se mostra uma sequência digna para Machine Messiah, como também forte postulante a novo clássico do metal nacional. Um disco único e forte. (NOTA:10)

Visite o The Metal Club

Gravadora: BMG (nacional)

Prós: pesado, experimental e ainda assim viciante

Contras: só os muito puristas terão algo a reclamar

Classifique como: Thrash Metal, Modern Metal

Para Fãs de: Gojira, Machine Head


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Sepultura - Sepultura Endurance (Filme, 2017)

 



Embracing The Storm

Por Trevas

 “Já havia ouvido a banda antes, mas pra mim não faziam nada de diferente que eu já não tivesse escutado com Slayer ou Possessed. Talvez o sotaque do Max fizesse alguma diferença. Mas aí ouvi Refuse/Resist e não acreditei! Aquilo sim era diferente de tudo o que já tinha ouvido, era simplesmente a coisa mais pesada que meus ouvidos já haviam testemunhado! Era Metal feito como nunca antes! Aquilo era o som do próprio apocalipse!”

As palavras acima são uma transcrição aproximada da apaixonada declaração de ninguém menos que Scott Ian, um dos maiores ícones do metal estadunidense, sobre o nosso Sepultura.

E Endurance traz depoimentos ainda mais  apaixonados de gente do naipe de Lars Ulrich (Metallica), Phil Campbell (Motörhead), David Ellefson (Megadeth), Phil Anselmo e Vinnie Paul (Pantera) e Corey Taylor (Slipknot), só para ficar em alguns nomes...

Um documentário bem construído, que mistura um pouco do resgate das origens, com imagens de bastidores de todas as épocas e entrevistas com figuras chave da trajetória (Monte Conner, Ross Robinson, João Gordo, a galera do Chakal, Jairo Guedz...) com o clima atual da banda em turnê e gravações.

Pegando inclusive momentos cruciais da saída de Jean Dolabella e a chegada do fenômeno Eloy Casagrande.

E tem algumas passagens surpreendentes, como o quanto Lemmy “apadrinhou” a chegada de Derrick, ajudando a banda a vencer a queda de braço com as vozes dissonantes em relação à escolha do “Fumaça “.

Ah,sim...esse é o documentário que resultou no chilique dos Cavalera, que se recusaram a participar do mesmo e limitaram o uso de parte do material. Mais uma demonstração de pequenez de espírito. Uma pena.

Talvez esse imbróglio tenha impedido Endurance de ser um registro perfeito de toda a jornada da banda, mas ainda assim seus 90 minutos passam como um foguete.

Mas as declarações de decanos da história do Metal lá de fora deixam aquela tristeza: os caras são venerados no exterior e aqui, a cada lançamento, desde Chaos AD, é uma choradeira e mimimi impressionantes por parte dos cagadores de regra e (posteriormente) das viúvas de Max.

Longa vida ao Sepultura. (NOTA:9,00)

 

Disponível na Netflix







sexta-feira, 15 de maio de 2020

Relentless: 30 Anos De Sepultura (Livro: Jason Korolenko, 2015)





(Relentless: Thirty Years Of Sepultura)
328 Páginas
Editora Benvirá

A maior banda de rock pesado do Brasil em todos os tempos tem uma história repleta de superação e drama. Daquelas que qualquer autor mataria para poder transcrever em seu livro, com cores quentes, vísceras à mostra.


O estadunidense Korolenko faz aqui um apanhado dessa história numa escrita dinâmica, mas que peca justamente ao ser evasiva demais nas partes polêmicas e ao cometer um erro comum em biografias: gastar frequentemente linhas e linhas por capítulo engrandecendo os feitos da banda.

Convenhamos, se alguém está disposto gastar tempo de vida para ler uma biografia sobre qualquer artista, subentende-se no ato que aquele artista já é importante o suficiente para tal, não precisamos ser lembrados o tempo todo disso. 

A evidente ausência de material (entrevistas e opiniões) por parte do clã Cavalera também incomoda um pouco, ainda que isso não seja exatamente culpa do autor, dado a hostilidade contínua e atitude frequentemente infantiloide vinda do lado de lá da história. Mas que isso prejudica o todo do livro, prejudica. Acaba soando como um "lado do Max no livro do Max" x "lado da banda nesse livro". E a história do Sepultura é maior que a soma desses lados. 

Mas o livro não é ruim, não. 
A leitura é legal e deixa a gente com vontade de explorar novamente a discografia, já que tem como um dos seus maiores trunfos a densa análise música a música de cada disco.

Mas ao final da leitura, fica a certeza de que o livro definitivo sobre nosso maior orgulho na cena metálica ainda está por ser escrito. (NOTA:7,00)









































sábado, 7 de outubro de 2017

Sepultura – Machine Messiah (Cd-2017)

Sepultura - Machine Messiah

Prólogo: Muitos Sepulturas
Por Trevas

Existem poucos assuntos mais polarizadores (e cansativos) no universo headbanger brasuca do que a discografia e as relações pessoais entre os integrantes e ex-integrantes do Sepultura. Ousar entrar em uma conversa sobre o assunto costuma gerar mais discórdia e aporrinhação do que uma partida de War. Embora eu tenha minha opinião muito bem formada (e informada) sobre o assunto, deixarei ela para terceiro plano. O fato inconteste é que o Sepultura é de longe a maior banda de Heavy Metal nascida em território brasileiro, tendo vendido cerca de 20 milhões de discos e influenciado uma geração inteira de bandas ao redor do globo. Por aqui, infelizmente, escolhemos perder tempo polemizando ao invés de nos orgulharmos disso. Enfim...

Sepultura em sua formação "clássica"
Uma vez, li uma entrevista com o guitarrista Andreas Kisser que achei bastante valiosa para ilustrar meu pensamento sobre o Sepultura. Nela, o entrevistador (acho que foi na Roadie Crew) perguntava sobre como a expectativa dos fãs sobre o direcionamento de um novo lançamento afetava a banda. Andreas, com sua inteligência habitual, explicou brilhantemente que cada fã tinha uma imagem do que considerava ser o Sepultura ideal. E ele mesmo também tinha uma imagem bem nítida de seu Sepultura ideal. Sendo assim, invariavelmente o que a banda viesse a lançar chegaria perto do Sepultura que alguns idealizam, e distanciaria de maneira igual do Sepultura ideal de outros tantos. Logo, seria tolice compor pensando nisso, o Sepultura real sempre perderia para os vários Sepulturas imaginários.

Andreas Kisser detonando

Ehr, seria essa linha de pensamento demonstração de esquizofrenia? Não, faz todo o sentido do mundo se pensarmos na evolução estilística da banda desde seu primeiro disco até o aclamado (lá fora) e odiado (aqui dentro) Roots. Evolução essa que continuou após a saída de Max e permanece sendo uma característica inata de nosso maior expoente. Uma banda em constante mutação. Se isso é ruim ou bom, depende da visão de cada fã. Apesar de não gostar de todos os discos da banda, admiro muito essa coragem. Por isso mesmo, embora eu tenha achado o disco anterior uma termenda bomba, fui conferir esse Machine Messiah de peito aberto.


Conceito e Arte Gráfica do Messias

O disco é conceitual, e nada melhor do que as palavras de um dos próprios criadores da obra para definir seu conceito. Com vocês, Mr Kisser:

“A principal inspiração em torno de “Machine Messiah” é a robotização da sociedade hoje em dia. O conceito de uma ‘Máquina Divina’ que criou a humanidade e agora parece que este ciclo está se fechando, retornando ao ponto de partida. Nós viemos de máquinas e estamos indo de volta para de onde viemos. O Messias, quando ele voltar, vai ser um robô, ou um humanoide, nosso salvador biomecânico”
Agora me devolve esse baseado que seguiremos em frente. Sobre a arte de capa, muito bonita por sinal, uma surpresa, ao menos para mim. A mesma não foi feita para a banda e nem propositalmente faz referência à capa clássica de Arise. Trata-se de uma arte feita há anos pela artista filipina Camille Della Rosa, com a qual a banda acabou esbarrando por acaso. Não precisa nem dizer que se encaixa perfeitamente no conceito, e seus supostos links com a arte de Arise só evidenciam a ideia de uma entidade mutante, caso do Sepultura. Bom, como vocês já sabem, não sou grande fã de discos conceituais e acredito que a música tem que ser maior do que as ideias por detrás de sua criação. Então, tragamos aos nossos ouvidos a vinda do tal Messias.


Bogren No Comando

Saber que a banda havia escolhido o sueco Jens Bogren como produtor já sgarantia uma enorme pista de que a banda iria ousar, e muito. Bogren e seu estúdio Fascination Street (sim, homenagem ao The Cure) são a bola da vez no universo headbanger europeu, e suas produções tem obtido enorme êxito comercial e crítico. Seus últimos trabalhos, a frente de Moonspell, Angra, Kreator e Soilwork, primam por arranjos complexos e utilização de instrumentos incomuns e orquestrações, sem fazer com que as bandas percam peso ou personalidade. E tão logo a faixa título nos assombra com sua atmosfera mezzo progressiva/mezzo Doom, temos a certeza de que Jens acabou de ajudar a criar um Sepultura diferente. Épica e contando até com soturnos vocais limpos do gigante de ébano Derrick Green, Machine Messiah é tão diferente do que se esperaria da abertura de um disco do Sepultura o possível. Ainda assim, é absurdamente destruidora. 


Bom, aí você está atordoado e fica com medo do que vem pela frente, mas a banda nos presenteia com um colossal tapa na orelha, I Am The Enemy, tão visceral e agressiva quanto as músicas mais pesadas que a banda já compusera até hoje. Certeza de rodas de pogo em profusão.


E novamente a banda reprograma seu hardware, numa mistura de maracatu com groove metal, progressivo e orquestrações (que remetem ao trabalho de Jens com o Moonspell, diga-se) na épica Phantom Self (ver vídeo). Derrick berra as letras distopicas como se o apocalipse fosse eminente, as guitarras de Andreas soam tão na cara e inventivas quanto o possível e Paulo Xisto tem a companhia do monstro Eloy Casagrande em uma das cozinhas mais inventivas e poderosas do metal atual.



Confesso que minha maior crítica quanto à banda sempre residiu na inconstância de seus discos, mesmo os melhores trabalhos do Sepultura sempre foram recheados de músicas que não pareciam se encaixar de maneira alguma. Alethea definitivamente não demonstra a qualidade de boa parte de suas companheiras de disco. Mas de certa maneira ela consegue contribuir para o andamento da obra, então sua existência não chega a atrapalhar. Uma daquelas coisas que acontecem com frequência em discos conceituais. Ainda bem que logo depois dela vem uma belezura instrumental cheia de elementos outrora alienígenas ao universo Sepulturesco, Iceberg Dances. Nela temos violões clássicos e até um bem-vindo hammond, que fazem da faixa muito mais do que mero exibicionismo da formação mais técnica que a banda já teve. As orquestrações retornam na mid tempo Sworn Oath, um mastodonte guiado pelos ótimos urros de Mr. Green e por um refrão marcante, outro dos destaques de um disco que já me conquistara em definitivo até esse ponto.


A agressividade gooveada retorna na boa Resistant Parasites, com o baixo de Paulo saltando distorcido em nossos ouvidos. A orquestração em seu interlúdio chega a lembrar algo que o Dimmu Borgir poderia escrever e há espaço até para uma cítara violenta, mostrando que mesmo em faixas mais diretas e supostamente Sepulturescas a banda resolveu inovar. O mesmo ocorre com a furiosa Silent Violence, que parece seguir uma estrutura mais padrão até seu interlúdio com vocais psicodélicos emoldurando uma orgia instrumental de primeira com destaque ao destruidor Eloy.

Sepultura 2017: patrocinados pelos óculos Ambervision?
Chegamos à reta final, e Vandals Nest novamente impressiona em seus menos de 3 minutos, com uma interessante dinâmica entre os vocais limpos e urrados num disco que já de longe representa o melhor trabalho de voz que Derrick Green já fez junto à banda. Cyber God é o épico mid tempo que encerra nossa jornada, com a versatilidade vocal engrandecendo o clima de distopia que cerca o conceito, uma música que parece querer fechar um ciclo, como se pudesse ser diretamente conectada ao início do disco.


Saldo Final

Machine Messiah marca o nascimento de mais um dos muitos Sepulturas. Um disco extremamente pesado, que conta com a introdução de diversos novos elementos ao universo da banda, ao mesmo tempo que realça a capacidade do Sepultura de ousar, pensar fora da caixinha que é o Heavy Metal, e ainda assim manter sua personalidade. E se as aventuras musicais dos caras resultaram em discos bem irregulares em alguns momentos, aqui em Machine Messiah a precisão foi cirúrgica. Um dos melhores trabalhos da discografia da maior banda brasuca de rock pesado em todos os tempos e certamente um dos grandes discos de 2017.


NOTA: 9,32

 
Gravadora: Nuclear Blast (Nacional).
Pontos positivos: ousado, criativo e muito pesado
Pontos negativos: e tome mimimi da troozada
Para fãs de: Fear Factory, Gojira
Classifique como: Modern Metal, Groove Metal



sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Hell In Rio (05 e 06/11/16 - Terreirão do Samba - Rio de Janeiro/RJ)




Boa noite, Criptomaníacos!
Quem tem amigos tem tudo, certo? Pois então, mesmo impossibilitado por questões diversas de acompanhar a realização da histórica primeira edição do  Hell In Rio, pude contar coma ilustríssima colaboração de Fred Krill, nosso enVIADO especial da Cripta!!!! E que resenha, meus cotovelos urram de dor ao ler as palavras do grande camarada...que venham novos eventos como esse!!

Divirtam-se com a resenha!!!
Trevas


Convidado da Cripta: Fred Krill

Biólogo e Maidenmaníaco, Krill testemunhou mais shows nessa existência do que você comeu meleca na sua infância, e isso merece respeito. 
Nas horas vagas, Mr. Krill é um renomado e dedicado professor cujo humor e peso da mão na correção de provas variam consideravelmente de acordo com o que está rolando no aparelho de som. 





HELL IN RIO, DIA 1 (MAS PODE CHAMAR DE HELL IN RAIN)



Cheguei ao Terreirão do SAMBA sob uma chuva torrencial, que começou a cair pouco antes de uma hora da abertura dos portões, prevista para as 16h, mas que foram abertos às 16:30h! A revista, muito rigorosa e demorada, fez com que pudesse chegar ao palco apenas na segunda música da primeira banda... Mas vamos aos shows:

Reckoning Hour: Formada em 2012 no Rio de Janeiro e composta por JP (vocal), Philip Leander & Lucas Brum (guitarras), Johnny Kings (bateria) e Cavi Montenegro (baixo), a banda aposta numa sonoridade agressiva, calcada num death metal que foge dos padrões do estilo mais visceral, aproximando-se do chamado melodic death metal. Começaram sua apresentação às 16:40h. Boas composições, boa presença de palco e um som que começou muito bem o festival, para a alegria de poucos bangers encharcados que conseguiram chegar a tempo de vê-los.


Reckoning Hour
Perc3ption: Não está escrito errado não... Fundada em 2007 em São Paulo e já com dois CDs lançados, a banda executa com muita correção seu Prog / Power Metal. Iniciaram sua apresentação às 17:20h, executando melodias bem trabalhadas, em composições muito bem tocadas. A influência de Dream Theater é muito evidente. Destaque para a coesão da banda (Dan Figueiredo (Vocal), Wellington Consoli (Baixo), Rick Leite / Glauco Barros (Guitarras) e Peferson Mendes (Bateria)), não tem como ficar indiferente ao som deles! Um set curtinho, de apenas quatro músicas (“Persistence Makes The Difference”, “Magnitude 666” “Oblivion’s Gate” e “Surrender”), mas que agitou e serviu para esquentar os (ainda poucos) bangers ainda mais encharcados (SIM!, a chuva tinha apertado!!!).

Perc3ption

O Satânico Dr. Mao & Os Espiões Secretos: Não tive a chance de ver os Garotos Podres ao vivo, embora sempre tenham sido uma de minhas bandas prediletas, desde quando comecei a escutar metal, punk e seus congêneres, lá pelo início dos ‘80. Quando ela se desmanchou, pensei: já era... Mas eis que Mao e Cacá Saffiotti lançaram esta empreitada que, na prática, continua sendo... Garotos Podres! Acompanham os dois Uel (baixo) e Rodrigo Japa (bateria). Pra começar os trabalhos (às 18:05h), vem logo “Garoto Podre”. Emendam sem muito falatório, porque o tempo de apresentação era escasso, “Agente Secreto”, “Aos Fuzilados da CSN”, “Anarkia Oi!”, “Repressão Policial (Instrumento Do Capital)”, “Um Grito Em Meio À Multidão”, “Avante Camarada” “ A Internacional” (RACISTAS, FASCISTAS, NÃO PASSARÃO!!! – muito apropriado para nosso momento...), “Papai Noel Filho da Puta” e, para fechar, “Johnny”. Faltaram tempo e mais clássicos como “Batman”, “Subúrbio Operário”, “Vou Fazer Cocô”, “Rock de Subúrbio”, “Fernandinho Veadinho”, “Verme”,...


O Satânico Dr. Mao & Os Espiões Secretos

Oitão: Esqueça Masterchef, 200 Graus e Rolê do Chef... O Henrique Fogaça que subiu ao palco mascarado a La Slipknot às 18:50h não era o cozinheiro renomado, mas o vocalista de uma das mais brutais bandas de thrashcore do Brasil! Até a chuva parou para ver os caras!!! Letras diretas, que tratam das mazelas sociais deste País, do controle de mídia e sua lavagem cerebral e um som que se assemelha a socos do bom e velho Mike Tyson diretos no queixo e estômago! Completam a banda Ciero na guitarra (que fez questão de homenagear Carlos Lopes e Dorsal Atlântica), Ed Chavez (baixo) e Marcelo BA (bateria). Fecharam com covers de “Vida Ruim” (Ratos de Porão) e “Isto É Olho Seco” (Olho Seco). Chef Fogaça no palco? Parece um orangotango expulso da Socila por mau comportamento!!! Como diria aquele sábio filósofo contemporâneo... CRASSE A!!!!


Oitão
Claustrofobia: De Leme/SP, para o mundo, desde 1994! A primeira vez que os vi foi no extinto “Fúria MTv”, tocando no estúdio em 2000. Desde então, acompanho a carreira deles com bastante atenção, mas ainda não tinha tido chance de vê-los ao vivo. Assim, saber de sua escalação para o festival me deixou certo de que desta vez não teria como escapar! Subindo ao palco às 19:45h, os irmãos Marcus e Caio D’Angelo (guitarra/voz e bateria, respectivamente), Daniel Bonfogo (baixo) e o “novato” Douglas Prado (guitarra solo) entraram rasgando com seu death/thrash visceral, cru, nervoso e direto! Petardos em sequência, que abriram verdadeiros clarões na pista (finalmente cheia! Tá, parcialmente...), em rodas insanas e violentas! Lançando o novo CD, executaram “Download Hatred”, “Curva”, “Metal Malóka”, dentre outras desgraceiras sonoras. Faltaram “Terror and Chaos” e “Thrasher”, mas o festival tinha horários bem rigorosos que, PASMEM!, foram respeitados!

Claustrofobia
Hibria: Direto de Porto Alegre, com 20 anos de estrada, fazendo um thrash melódico, muito trabalhado nas melodias. Agradam em cheio os apreciadores de bandas como Helloween (era “Keepers”), Viper e Angra. Subiram ao palco às 20:54h, e não há como ignorar a presença de Iuri Sanson (vocal, que infelizmente abusa de gritinhos e falsetes, por vezes desnecessários), Abel Camargo e Renato Osório (guitarras) e da cozinha formada por Ivan Beck (debulhando um baixo de seis cordas) e Eduardo Baldo (bateria, muito parecido com Gene Hoglan (Dark Angel, Death, Testament) na aparência e jeito de tocar). Levantaram o público com uma apresentação energética, provando que são perfeitamente capacitados a tocar em grandes eventos (fizeram o Rock in Rio de 2013) e abrir para medalhões como Black Sabbath, Metallica e Ozzy Osbourne. Ótimo show!

Hibria
Dead Fish: Os capixabas já têm 25 anos de carreira. Só que para a proposta do festival, funcionaram como alça de penico (deslocados e totalmente por fora)... Era certo que seriam hostilizados. Subiram ao palco às 22:15h, sob coros de “vai tomar caju!” “Rodrigo, chiado!” e por aí... Rodrigo, o vocalista, estava um tanto puto com a situação e chegou a se alterar num dado momento com parte da plateia... Completam o time Ric (guitarra), Alyand (baixo) e Marcão (bateria). Quanto ao som, agrada a quem aprecia o estilo hardcore melódico / poppy punk, o que não é meu caso... Fizeram um show correto, que satisfez seus fãs presentes no Terreirão (sim, eles estavam lá!) com suas letras de forte conteúdo social e crítico. Quero crer que sua inclusão no cast foi para atrair mais público. Talvez tenha funcionado. Ou não... Digna de nota foi a expressão facial do Fogaça, vestindo uma camisa do Cólera, parado no fosso vendo a apresentação deles...

Dead Fish
Almah: Pensem numa historinha, mais ou menos assim: “vocalista semidesconhecido, batalhador de bandas underground obscuras, recebe o convite para ingressar numa banda já estabelecida, cujo carismático vocalista havia saído... Nas apresentações ao vivo, fazer seu próprio material era tranquilo, mas cantar o antigo era espinhoso... Sem ter o mesmo timbre nem alcance vocal de seu antecessor, começa a ser hostilizado pelos fãs mais antigos... As coisas vão piorando. Discos sem expressão são lançados, inevitáveis conflitos com os demais integrantes, até a óbvia saída/demissão”. Essa é a história de Blaze Bay... ooops... Edu Falaschi no Angra. Verdadeiro rabo de foguete substituir Andre Matos. Ele fez seu melhor, mas não foi o suficiente... Some à historinha acima problemas de saúde que detonaram sua garganta, uma lamentável apresentação no Rock in Rio de 2011 e patéticas declarações posteriores (que ele reconhece e por que já se desculpou)... Então, o que esperar do Almah, que era seu projeto paralelo desde 2006 e que se tornou sua banda definitiva? UM PUTA MEGA ULTRA BLASTER show!!!! Edu e seus asseclas entraram no palco às 23:30h, pegando um público já bastante cansado mas ainda disposto a agitar mais um pouco! Como não conhecia nada de seu material, assisti atentamente a uma irretocável apresentação de Power metal, Melodic metal, whatever... A voz de Edu está totalmente recuperada, e ele está cantando de forma soberba! O que falar de Marcelo Barbosa, além de que é certamente um dos melhores guitarristas do Brasil na atualidade (tanto que substituiu ninguém menos que o Megadethico Kiko Loureiro no Angra!), secundado por Diogo Mafra. O baixão “gordo” de seis cordas do Raphael Dafras e a bateria rolo compressor de Pedro Tinello fazem uma banda muito coesa e que interpreta magistralmente suas composições! Do Angra, Edu cantou “Nova Era” (em dueto com Fabio Lione) e Heroes of Sand (ambas do magistral Rebirth). Fica a dica de um show fortemente recomendado, não apenas para os “trooozões” apreciadores do estilo.

Almah
Sepultura: Após enorme demora na entrada, decorrente de problemas no sistema de PA’s, eis que adentram, às 01:15h de domingo, os quatro integrantes da maior banda de metal do Brasil. Se você é “viúva dos Cavalera”, pode parar de ler aqui. Se não for, continue... Aos 32 anos de idade, a banda tem identidade e maturidade próprias e uma base leal de fãs (incluo-me entre eles). Com um novo disco (“Machine Messiah”), a ser lançado em janeiro, a banda fecha sua turnê comemorativa de 30 anos. Assim, foram petardos clássicos tocados de forma magistral! Abrindo com “Troops Of Doom”, despejaram na sequência “Slave New World”, “Desperate Cry”, a nova “I Am The Enemy”, “The Vatican”, “Territory” (com uma interpretação demolidora de Eloy Casagrande – nada contra o Jean Dolabella mas, SIM!, o Sepultura tem baterista, de novo!!!), “Beneath The Remains”, “Arise”, “Refuse/Resist”, “Ratamahatta” e, para encerrar, “Roots Bloody Roots”. Então você poderia pensar assim “que puta show foi esse!”. Foi, mas... A banda estava pouco comunicativa com a plateia, intervalos muito longos se repetiam entre as músicas, com o Andreas virando-se de costas para o público (cansado demais até para vaiar uma pombagirice dessas!) em todos. Isso, a meu ver, serve só para irritar e distanciar os fãs, dando munição para o Max falar as groselhas que fala em toda entrevista... Pra quem tem tanta estrada, este comportamento foi IMPERDOÁVEL!!
Sepultura



HELL IN RIO, DIA 2 


Chegamos ao Terreirão às 13:45h, e nos deparamos com uma fila de... UM CABOCLO!!!! (se sábado tinha tido um público fraco, muito abaixo da expectativa, este domingo prometia ser um fiasco total). Os portões foram abertos às 14:30h! De novo a revista foi rigorosa e demorada... E vamos aos shows:


Público do HIH
Hatefulmurder: Formada no RJ em 2008, esta banda já passou por várias situações traumáticas, sendo a pior a morte de seu baixista e fundador por câncer em 2012. Depois, em 2015, perderam seu vocalista de longa data, que saiu às portas da gravação do novo álbum... Apesar disso, seguiram em frente, escalando a ruiva Angélica Burns para os vocais (completam o time Renan Campos (guitarra), Felipe Modesto (baixo) e Thomás Martin (bateria)). E que guturais ela dispara!!!! A banda aposta num brutal death metal que agrada em cheio os apreciadores do estilo (este escriba incluso), além dos óbvios atributos da bela cantora... Entraram no palco perto das 15h, fazendo um set curto, mas muito energético, agitado e nervoso, que satisfez bastante os poucos presentes.

Hatefulmurder
Eros: Formado em 1985, participaram da segunda onda do metal carioca, apresentando-se onde desse: Caverna, Circo Voador, Garage... Encerraram atividades em 1992 e resolveram retomar a carreira em 2013. Presentes no cast por ser a banda de um dos produtores do evento (o guitarrista e vocalista Themis Barros). Entraram no palco às 15:42h. Lamentavelmente, seu speed thrash soa muito datado, e é de se esperar e torcer que seu novo disco, que está sendo gravado, não aposte tanto nos velhos chavões do estilo...

Eros
John Wayne: O “Palhaço Assassino” John Wayne Gacy deve estar muito arrependido do que fez, lá pelas bandas das terras de Belzebu... Esta banda de SP, formada em 2011, o homenageia... Entraram no palco às 16:34h, apostando num hardcore com vocais berrados todo o tempo (que inapelavelmente acabam irritando...), aliado a uma muralha sonora confusa e muito misturada. Só para apreciadores die-hard, mesmo... De positivo, a interação do berralista Fabio Figueiredo, que desceu ao fosso e se pendurou na grade, bem ao meu lado, como prova a foto... Completam a banda Rogerio Torres (guitarra/voz), Junior Dias (guitarra), Denis Dallago (baixo/voz) e Edu Garcia (bateria).

John Wayne
Project 46: A proposta desta banda de SP, fundada em 2008 como Slipknot cover, passou a ser fazer um hardcore com fortes raízes fincadas no thrash. Entraram no palco às 17:36h, e de cara mostraram muita coesão e adequação ao estilo. Os vocais são berrados, mas o vocalista Caio MacBeserra não abusa, cantando até mesmo limpo por vezes, o que torna sua performance bem mais agradável. Aliado a ele, destaque para o duo de guitarras, com Vini Castellari e Jean Patton, e a cozinha de Baffo Neto (Baixo) e Henrique Pucci (Bateria). Bom e enérgico show, que levantou a galera, especialmente a mais thrash.

Project 46
Velhas Virgens: Às 18:35h chegou a vez dos ébrios mais sacanas do Brasil. Em meio à turnê “Garçons do Inferno” (supostamente a última), as Velhas Virgens adentram o palco dispostos a fazer o que sabem de melhor: rock básico, que fala de bebedeiras, porres, sacanagem e mulher. Receita de sucesso, testada e aprovada há 30 anos!!!! Desfilaram alguns de seus grandes hits, como “Siririca Baby”, “Uns Drinks”, “Madrugada e Meia”, “Beijos de Corpo”, “Tamo Indo pra Zona”, “Só Pra Te Comer”, “O Que É Que A Gente Quer (B.U.C.E.T.A.)”, fechando com seu hit máximo, “Abre Essas Pernas”. A banda, que se orgulha de ser a maior independente do Brasil, superou o óbvio deslocamento da proposta geral do festival e fez mais um brilhante show aqui no Rio, apresentando os fundadores Paulão Carvalho (vocais) e Alexandre Cavalo (guitarra), Tuca Paiva (baixo), Simon Brow (bateria), Felipe Cirilo (seu novo guitarrista, ainda um tanto tímido) e a irrequieta vocalista Juliana Kosso, num modelito periguete e fazendo coreografias de tirar o fôlego! TOMARA que não seja o fim das Velhas Virgens!!!

Velhas Virgens
Korzus: Com 33 anos de thrash nas costas, sem concessões a modinhas, eram 19:59h quando rolou a introdução e o baterista Rodrigo Oliveira subiu para seu kit. Prenúncio da insanidade!!! Na sequência, entraram os guitarristas Heros Trench e Antonio Araujo para, por fim, virem os GUERREIROS DO METAL Dick Siebert e Marcello Pompeu... Iniciaram com “Guilty Silence”, emendada com “Raise Your Soul”. E os petardos seguem: “Never Die”, “Bleeding Pride”, “What Are You Looking For”, “Discipline Of Hate”, “Vampiro”, “Truth”, “Correria”, “Guerreiros Do Metal” e fechando com “Legion”. Durante o show, Pompeu e Dick desceram ao fosso, interagindo insanamente com a galera da grade (eu, inclusive). Ao final, Antonio, Heros e Dick desceram e vieram conversar e tirar fotos com o pessoal do gargarejo. Muito respeito pelos camaradas que levantam a bandeira do thrash brasileiro mundo afora!

Korzus
Matanza: O countrycore de Jimmy London e companhia já é uma lenda dentro do cenário metal brasileiro! Eram 21:35h quando adentrou o quarteto, com “O Chamado Do Bar”, que abre suas apresentações, emendada com “Ressaca Sem Fim”. E vieram mais e mais porradarias, Jimmy sacaneando o “veinho” guitarrista Maurício Nogueira (esperava que o Donida tocasse também, mas não rolou...), o batera Jonas Cáffaro e o novato baixista Dony “Don” Escobar. É impossível não curtir um show deles, e o mosh-pit se abriu diversas vezes em rodas bastante intensas! O público interage com a banda de forma extrema, com direito a uma menina (ao lado da Claudia) que atirou (duas vezes) o sutiã na direção do palco, saltou a grade (única invasão de todo o festival), quase estourou o chifre na caixa de som, mostrou as peitchola pro Jimmy, foi expulsa, voltou, subiu nos ombros de um maluco e... Mostrou as peitchola de novo!!! A galera foi à loucura!!! Jimmy foi sacaneado pela plateia, revidou com bom humor, mas o show seguia quase sem tempo pra respirar, com “Clube Dos Canalhas”, “Pé Na Porta E Soco Na Cara”, “Eu Não Gosto De Ninguém”, até chegarmos ao final, com “Ela Roubou Meu Caminhão”, “Estamos Todos Bêbados” e “Interceptor V6”. Você sempre sabe o que receberá num show do Matanza!

Matanza
Angra: O último show da noite era aguardado com ansiedade. Agora que apenas Rafael Bittencourt resta da formação original, vamos conferir o que têm a dizer Felipe Andreolli (baixo de seis cordas), Bruno Valverde (bateria), Marcelo Barbosa (guitarra), Fabio Lione (vocais) e o percussionista Dedé Reis, que fez uma apresentação de capoeira durante o show!!! A entrada de Lione devolveu à banda a possibilidade de apresentar canções que Edu Falaschi não conseguia fazer com a correção e agudos necessários, como “Nothing To Say”, “Make Believe” e “Time”. Além destas, foram apresentadas músicas como “Rebirth” e “Nova Era” que, em tese, fecharia o show. Mas a plateia estava insana, urrando por “Carry On”. A banda já havia se retirado, mas ninguém arredava o pé! Eis que o apresentador Bruno Sutter volta ao palco, pergunta se “a galera quer mesmo aquela música” e completa dizendo que “ia ver o que conseguia fazer”... Felipe Andreolli aparece e diz que, “se ele quiser, VAI TER QUE CANTAR!!!”. Como ele já havia cantado no início do dia (“Holy Diver” e “Run To The Hills” no playback) mandou um “eu canto essa porra!”... Volta a banda e o que acontece é apoteótico!!! “Carry On” com vocais divididos entre Sutter (que canta MUITO BEM, para quem não souber) e Lione, e total êxtase da plateia!!! Suores heteros rolaram de meus olhos, porque essa é minha favorita do Angra!!! AGORA PODE ACABAR!!

Angra


SALDO FINAL DO FESTIVAL 



O medo que eu sentia sobre o festival era quanto à organização: a THC Produções é novata, mas já está anunciando Moonspell para o ano que vem. Lógico, veio logo à mente também aquele fiasco do Metal Open Air em São Luis/MA em 2012... Mas, nem pensar em problemas! A produção foi IMPECÁVEL! Cito como ponto negativo apenas a demora excessiva e inexplicável na abertura dos portões. 

(1) A escolha do Bruno “Detonator” Sutter como apresentador foi muito boa. Ele é divertido, interage bastante com o pessoal, cantou no domingo (mais playback) antes do Hatefulmurder e do Matanza e assistiu à maior parte do show do Angra (o “crush” dele, palavras próprias) no fosso, perto de onde eu estava, tirando fotos e zoando com o pessoal da grade). 

(2) O som esteve sempre com qualidade muito boa, instrumentos claros e vozes normalmente audíveis. Problemas existiram, mas pontuais. 

(3) O palco era simples, mas de bom tamanho, permitindo boas evoluções dos músicos. 

(4) Os banheiros deram conta do recado com tranquilidade. 

(5) Os bares tinham boas opções de comida (não provei nada) e cerveja Heineken sempre gelada a cinco lascas reais a lata (como optei por ficar na grade nos dois dias, bebi bem pouco). Garçons circulavam por toda a pista e fosso oferecendo o néctar! 

(6) Segurança eficiente e cortês, e socorristas sempre a postos para levar algum bebum para o posto médico (no sábado vi atrás de mim um caboclo sair carregado na maca). 

Mas então tudo foi assim tão bom? Não. O problema foi... O PÚBLICO!!! Minguado no sábado, mais presente no domingo, foi certamente o ponto negativo. Depois temos que ouvir o mimimimi de que “no Rio não tem show”... Quando tem um senhor festival como foi o Hell in Rio, num local central, cheio de condução para vir e voltar, com preço muito justo (R$ 120 + 2kg de alimento para os dois dias), com 17 shows de bandas medalhonas e iniciantes e produção de primeira, é fiasco... Assim fica difícil defender a “cena metal” desta Cidade. Mas esperemos que aconteçam outros festivais como esse. Há muita banda boa para se apresentar por aqui, ainda! 

É isso, então. Espero que tenham gostado! Fred Krill.


Nosso sorridente enVIADO especial ao lado de sua igualmente sorridente senhorita


Setlists: