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domingo, 8 de novembro de 2020

Kamelot - I Am The Empire: Live From The O13 (Box Set: Blu-ray + DVD + 2Cds – 2020)


 

Recheado e Caprichado

Por Trevas

Quase 14 anos após o lançamento do apoteótico One Cold Winter’s Night, um dos home vídeos mais bacanas já lançados, o combo multinacional de Power Metal Kamelot volta ao formato com um show especial, gravado em Tilburg, na Holanda, em 2018. A versão aqui analisada é a do Box Set, contendo Blu-ray, Cds e DVD, mas como habitual, existem diversos outros formatos (com lançamento nacional, inclusive).

Apresentação

O Box Set segue o formato tradicional para lançamentos do gênero: um Digipack enclausurado em Slipcase. Cada banda do Digipack com miolos de plástico sobrepostos para encaixe dos disquinhos. O encarte é bonito, mas tudo segue um padrão repetido inúmeras vezes. Os Menus são bonitos, mas tive alguma dificuldade de navegação pelo joystick do PS4. Uma apresentação bacana, mas não há nada diferente aqui.

Feuer Frei! 

Áudio e Vídeo

Quem já assistiu a banda ao vivo sabe do esmero técnico que envolve suas apresentações. Em se tratando de um show especialmente feito para a gravação de seu novo ao vivo, era de se esperar algo ainda mais grandioso. E é isso que encontramos aqui: uma qualidade absurda de vídeo, com inúmeras câmeras, nenhuma imagem granulada que seja, edição perfeita e momentos visuais de cair o queixo. A produção do show ainda garante um palco belo, pirotecnias bem colocadas e um ou outro arroubo de teatralidade (embora em menor grau que em One Cold Winter’s Night).



O áudio é ótimo, e os Cds merecem sim a aquisição, mas confesso que na primeira audição demorei a entrar no clima da mixagem. Embora hoje nem saiba mais explicar o porquê.

Performances e Repertório

O show do Kamelot é absurdamente redondo, e tecnicamente absurdo. Alex Landenburg, o mais novo membro, é um baterista para lá de competente para o estilo. Oliver Palotai toma tanto os holofotes com seus teclados quanto o eficiente patrão Thomas Youngblood. Sean Tibbets brinca bastante no palco, ainda que suas linhas de baixo raramente apareçam tanto. E Tommy Karevik é o clone perfeito de Roy Khan. A semelhança nos timbres chega a assustar. Mas, apesar de tecnicamente ser possivelmente até melhor que seu antecessor, sinto a falta de um pouco mais de feeling em suas interpretações. Da mesma maneira, apesar de, como Roy, não ter pinta de cantor de Metal, ele segura bem como frontman, mas fica um pouco a sensação de algo meio robotizado em sua performance.



E, por falar em robôs, vamos entrar num ponto sensível aqui; é impressionante o quanto temos material pré-gravado no show do Kamelot. Das compreensíveis partes orquestradas até quase todos os backing vocals, essas camadas extras deixam tudo com cara de que estamos ouvindo o próprio CD ao vivo. Das bandas que conheço, somente o Nightwish exagera mais do que eles nas backing tracks. O quanto esse uso é interessante ou beira a trapaça, deixo para cada um analisar.



Temos também um punhado de participações especiais nesse show: Lauren Hart (Once Human); Alissa White-Gluz (Arch Enemy); Elize Ryd (Amaranthe); Charlotte Wessels (Delain), Sascha Paeth (ex-Heavens Gate, Avantasia) e o quarteto feminino de cordas Eklipse. Todos os convidados têm seu espaço e fazem bonito, engrandecendo o show, como esperado.

Sobre o repertório, aqui jaz o suposto único ponto fraco do pacote. A intenção, exposta nas entrevistas bônus, era a de focar no material posterior ao último Home Vídeo. Com ao menos uma música dos cinco trabalhos de estúdio lançados a partir de então. Uma ideia válida, mas que demonstra o quanto a banda decaiu criativamente com o passar do tempo. Não que os discos com Karevik não tenham lá seus bons momentos, em especial as músicas de Haven (de longe o melhor dos discos atuais), mas até esses números empalidecem quando confrontados com os poucos clássicos espalhados pelo set (March Of Mephisto, When The Lights Are Down e Forever). Na verdade, apanham até dos momentos de discos menores da era Khan, como Rule The World e The Great Pandemonium. Mas a plateia presente não composta de fãs eventuais, e acaba por cantar de tudo, feliz e participativa.


Extras

O pacote é caprichado aqui: temos um extenso documentário (cerca de 30 minutos) sobre o show, com muito espaço para os fãs e convidados especiais. Tudo muito bem feito e interessante. Outro item é um apanhado de imagens de bastidores da turnê norte americana, com cerca de 15 minutos. Menos interessante, é daqueles que você dificilmente assistirá mais de uma vez. Para fechar, temos todos os videoclipes da fase Karevik (10 no total), todos contando com produção de ponta.

Veredito Final

Completo e feito com imenso esmero, I Am The Empire é um pacote que há de ganhar alta rodagem nos aparelhos dos fãs da fase atual do Kamelot. Poderia reclamar da falta de material antigo, mas como essa é exatamente a proposta desse ao vivo, seria julgar o trabalho justamente pelo que ele não intenciona ser. Um Home Vídeo tecnicamente perfeito. (NOTA: 10).

 

Gravadora: Napalm Records (importado)

Prós: um pacote recheado e tecnicamente absurdo

Contras: repertório baseado na fase atual, backing tracks em profusão

Classifique como: Heavy Metal, Power Metal

Para Fãs de: Angra, Conception


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Blue Öyster Cult – 45th Anniversary Live In London (Blu-ray – 2020)



Bodas de Platina

Por Trevas

45 anos de estrada...uma marca assustadora, mesmo no longevo universo do Rock & Roll. E mais assustador ainda quando se fala de uma das bandas mais idiossincráticas e inclassificáveis da história. E cá estamos, diante do lançamento em alta resolução de um dos shows da turnê que comemorou essa marca, realizado no Indigo At The O2, Londres, em julho de 2017.

A imagem e som são para lá de cristalinos. O palco é simples, sem nenhuma grande produção nem arroubos na iluminação. A edição é comportada e nada frenética, o que agrada em cheio à faixa etária consumidora, uma galera que geralmente gosta de veros takes privilegiando a destreza dos músicos em seus instrumentos, ao invés da alucinante linguagem de videoclipe que alguns Home Vídeos nos trazem. 


No repertório, 15 faixas em 75 minutos de show. Marcadamente, para a data comemorativa, temos o disco homônimo por completo, somado a 5 números da fase inicial da banda. Sobre a banda, cabe ressaltar que aqui a formação é bem modificada, somente Eric Bloom e Buck Dharma restando dos tempos clássicos. Mas nem de longe isso deve gerar problemas: a já conhecida cozinha composta por Danny Miranda (também baixista do Queen, e que toca com os caras desde os idos de Curse Of The Hidden Mirror) e Jules Radino (bateria, também desde 2004 com o BÖC) é fenomenal. E ainda temos na formação um super trunfo: o multi-instrumentista Richie Castellano (voz, guitarra e teclado), que acrescenta um bocado tecnicamente ao time.



Dos nossos queridos velhinhos, já setentões, Eric Bloom demonstra alguma limitação, tanto na voz quanto na desenvoltura no palco. Inclusive, é notada a pegada mais lenta para alguns números, provavelmente por conta dessas limitações. Já Buck Dharma, esse está tocando como nunca, vide a memorável versão estendida para Then Came The Last Days Of May, na qual faz um duelo fenomenal com Castellano nos solos. Ah, e sim, ele ainda usa a "cheesetar". O que merece pontos extras!

Mas ao final das contas, se temos um BÖC menos feroz que no passado, por outro lado temos uma versão para lá de técnica da banda, em um show que provavelmente irá tirar um sorriso de qualquer fã dos veteranos. (NOTA: 8,00)


Extras

Nos tímidos extras, cerca de cinco minutos de imagens (em resolução razoável) da banda aquecendo, ensaiando alguns detalhes e conversando nos camarins.

 

Gravadora: Frontiers Records (importado)

Prós: repertório fantástico para os fãs da fase inicial

Contras: a voz de Eric Bloom está miudinha

Classifique como: Classic Rock

Para Fãs de: Ghost


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Sepultura - Sepultura Endurance (Filme, 2017)

 



Embracing The Storm

Por Trevas

 “Já havia ouvido a banda antes, mas pra mim não faziam nada de diferente que eu já não tivesse escutado com Slayer ou Possessed. Talvez o sotaque do Max fizesse alguma diferença. Mas aí ouvi Refuse/Resist e não acreditei! Aquilo sim era diferente de tudo o que já tinha ouvido, era simplesmente a coisa mais pesada que meus ouvidos já haviam testemunhado! Era Metal feito como nunca antes! Aquilo era o som do próprio apocalipse!”

As palavras acima são uma transcrição aproximada da apaixonada declaração de ninguém menos que Scott Ian, um dos maiores ícones do metal estadunidense, sobre o nosso Sepultura.

E Endurance traz depoimentos ainda mais  apaixonados de gente do naipe de Lars Ulrich (Metallica), Phil Campbell (Motörhead), David Ellefson (Megadeth), Phil Anselmo e Vinnie Paul (Pantera) e Corey Taylor (Slipknot), só para ficar em alguns nomes...

Um documentário bem construído, que mistura um pouco do resgate das origens, com imagens de bastidores de todas as épocas e entrevistas com figuras chave da trajetória (Monte Conner, Ross Robinson, João Gordo, a galera do Chakal, Jairo Guedz...) com o clima atual da banda em turnê e gravações.

Pegando inclusive momentos cruciais da saída de Jean Dolabella e a chegada do fenômeno Eloy Casagrande.

E tem algumas passagens surpreendentes, como o quanto Lemmy “apadrinhou” a chegada de Derrick, ajudando a banda a vencer a queda de braço com as vozes dissonantes em relação à escolha do “Fumaça “.

Ah,sim...esse é o documentário que resultou no chilique dos Cavalera, que se recusaram a participar do mesmo e limitaram o uso de parte do material. Mais uma demonstração de pequenez de espírito. Uma pena.

Talvez esse imbróglio tenha impedido Endurance de ser um registro perfeito de toda a jornada da banda, mas ainda assim seus 90 minutos passam como um foguete.

Mas as declarações de decanos da história do Metal lá de fora deixam aquela tristeza: os caras são venerados no exterior e aqui, a cada lançamento, desde Chaos AD, é uma choradeira e mimimi impressionantes por parte dos cagadores de regra e (posteriormente) das viúvas de Max.

Longa vida ao Sepultura. (NOTA:9,00)

 

Disponível na Netflix







sexta-feira, 10 de julho de 2020

Kreator – London Apocalypticon – Live At The Roundhouse (Blu-Ray +CD - 2020)



Apocalypticoverdose

Por Trevas

Já faz um tempo que os titãs do Thrash germânico, seguem essa fórmula: disco de estúdio lançado, certeza de que virá um registro da turnê vindoura em seguida, tal qual fazem Iron Maiden e Saxon. Joga a favor da banda que seus discos atuais são excelentes e seus shows, garantia de muita energia e ferocidade, mesmo após tantos anos. London Apocalypticon nos traz o registro, em vídeo e áudio, de um show como co-headliner de um evento na lendária Roundhouse, em Londres (dã). Mas não é só isso, como já se faz um salutar hábito de Mille e companhia, temos uma penca de material da banda encartado aqui, então vamos lá.

Apresentação

A edição analisada aqui é a que vem com Blu-ray e CD. Encartados em um digipack bonito, com bela arte gráfica e informações à contento, é um pacote tão compacto e eficiente quanto bonito. Existe uma edição em Earbook e outra contendo só o CD (lançada no Brasil).

Os diversos formatos de London Apocalypticon

Qualidade de Áudio e Vídeo

Temos na verdade três shows completos encartados no pacote, o principal, na Roundhouse, tem qualidade de som e imagem espetaculares. A banda preparou um visual discreto, mas interessante, no palco, e optou por uma iluminação mais escura que o habitual para uma apresentação a ser filmada. Mas as câmeras são todas excelentes, então nada de imagens granuladas. E a Roundhouse tem um visual bem bonito, que soma à qualidade cenográfica da apresentação.


De ponto negativo, a edição frenética demais e que empresta efeitos desnecessários às imagens (exemplo: sobreposição das imagens da banda com as animações do telão). As primeiras faixas ficaram com aquela cara de edição de videoclipe. Definitivamente um recurso que não agrada, mas que felizmente fica menos exagerado ao longo da apresentação. Sobre o show em si, pouco mais de uma hora da habitual destruição Kreatoriana. Banda super afiada, talvez o fato do repertório estar mais calcado nos discos recentes incomode alguns, mas, convenhamos, difícil reclamar do material de discos como Phantom Antichrist e Gods Of Violence. E só a inclusão de material recente faz sentido para o ciclo disco de estúdio – disco ao vivo. A plateia mostra se divertir e tudo funciona muito bem, apesar da voz um pouco cansada de Mille (era o último show da turnê). Muito bom. Mas melhora.


Extras

O único motivo do pacote levar o nome de London Apocalypticon deve ser o fato de registrar um show numa Roundhouse lotada, pois os outros dois shows encartados aqui são até melhores que o principal. Live In Chile tem apenas uma hora de duração (outra turnê como co-headliner), mas conta com um público insano, que faz uma arena lotada se tornar um imenso liquidificador de carne. A banda soa ainda melhor (Mille está com a voz de Gremlin tinindo) e o único ponto menor é que nem todas as câmeras proporcionam a qualidade superperfeita do show de Londres. Já o show do Masters Of Rock se mostra o melhor do pacote: maior, com 90 minutos de duração, em local aberto, plateia gigante e animada, contando com pirotecnia ligeiramente incrementada. Esse show também só “peca” pela granulação em uma ou outra tomada. Show perfeito, seria minha escolha caso pudesse escolher somente um dos três.



De brinde, ainda temos Violent Visions: trazendo os cinco videoclipes para Gods Of Violence, geralmente muito bem produzidos.

CD

Talvez a parte menos interessante do pacote todo, o CD ao vivo é bom, mas seja pela limitação do set (que é o da Roundhouse), seja pela qualidade de som (apenas boa), fica aquém de um Live Kreation. Vale como bônus, mas não compraria a edição somente em CD.

Ou seja, London Apocalypticon nos presenteia com cerca de quatro horas de Kreator, em alta qualidade de som e imagem. Uma irresistível overdose Thrasher. (NOTA:9,00)


Gravadora: Nuclear Blast (importado)

Prós: Overdose de Kreator em três shows diferentes

Contras: A edição do show principal irrita um pouco

Classifique como: Thrash Metal

Para Fãs de: Sodom, Testament


sexta-feira, 3 de julho de 2020

Pretty Maids – Maid In Japan (Blu-ray – 2020)


De Volta Para O Futuro

Por Trevas

Com o espirituoso título que faz referência aos clássicos discos ao vivo de Deep Purple e Iron Maiden, os veteranos dinamarqueses nos presenteiam com seu primeiro Blu-ray, gravado em 2018, em Kawasaki.

Áudio & Vídeo

O áudio e vídeo são impecáveis, fazendo justiça ao que se espera de um lançamento em Blu-ray. A produção é simples, somente um backdrop e uma iluminação comportada e eficiente. A edição é eficiente e nada vertiginosa, mas dá espaço a todos os músicos e guardando também as tomadas do surpreendentemente animado público nipônico.


Repertório

Com tudo parecendo tão feijão e arroz assim, seria fácil imaginar se tratar de um lançamento mediano. Mas estamos diante de uma banda para lá de afiada, com um repertório especial, comemorando os 30 anos de um de seus grandes trabalhos: Future World. E é esse disco na íntegra que toma boa parte do que vemos aqui, e todas as versões ganham muito de energia ao vivo, soando ainda melhores que as originais. No encore, algumas faixas de trabalhos mais atuais (com destaque para Mother Of All Lies) e Sin-Decade fechando a noite, em pouco mais de hora e dez de uma apresentação curta, mas matadora.

Performances

Toda a banda funciona muito bem, mas é impossível não destacar Ronnie Atkins. Recentemente superando um terrível câncer, o cara é um frontman raro. Ronnie continua com voz poderosa e única, além de ter toneladas de carisma para fechar o pacote. Que bom que logo ele estará pronto para outras aventuras.



Extras

Se a atração principal é um show curto, em contrapartida temos extras sobrando. Primeiramente, todos os videoclipes da fase Frontiers da banda, que totalizam 11, geralmente bem produzidos. Temos também dois documentários curtos de turnê. Depois temos entrevistas bem bacanas com quatro dos membros da banda, focando em fatos desde o início da carreira até agora. Sem legendas, mas o inglês dos caras é tranquilo de entender, em especial de Ronnie e Ken.

Veredito

Um show curto, mas excelente, amparado por uma quantidade para lá de satisfatória de extras interessantes. Obrigatório para os fãs dos dinamarqueses, e uma boa porta de entrada em quem tem curiosidade de expandir seu conhecimento sobre o som de uma das bandas mais únicas da história do metal. (NOTA: 9,00)

 

Gravadora: Frontiers Records (importado)

Prós: Show curto e forte e uma penca de extras bacanas

Contras: O show é curto...

Classifique como: Hard/Heavy

Para Fãs de: Bonfire, Eclipse


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Helloween – United Alive (2x Blu-Ray)



Overdose de Abóbora
Por Trevas

Talvez uma das maiores notícias (e um dos maiores golpes de marketing) da cena metálica internacional desde o anúncio do retorno de Bruce e Adrian ao Iron Maiden em 1999, a fusão de formações de eras diferentes do Helloween gerou a turnê dos sonhos de muita gente que foi criada com a onda Power Metal dos anos 1990. A turnê, Pumpkins United, que começou titubeante devido a problemas de saúde envolvendo Michael Kiske e uma grave acusação de uso desenfreado de Playbacks, entrou logo nos eixos e terminou como um estrondoso sucesso. Claro que, em tempos modernos de grande apelo visual, onde cada movimento em cima de um palco é registrado por inúmeros aspirantes a “cinegrafista de celular”, uma turnê de tamanha importância pedia um registro audiovisual à altura. E cá temos United Alive, lançado em DVD triplo e Blu-ray duplo (aqui analisado), além de opções em Box Set e sua contraparte em CDs, denominada United Alive In Madrid. Disco rodando, vamos às impressões da Cripta para a turma da abóbora teutônica.

O Pacote sob análise
Imagem & Som
O disco 1 representa o set completo da turnê Pumpkins United. Mas as músicas foram escolhidas de 3 shows diferentes. Embora a edição seja competente o suficiente para que isso não venha a causar problemas de continuidade (quase não se sente os cortes quando o show “muda de lugar”), fator importante em qualquer ao vivo que se preze, a alternância de imagens e som entre os shows de São Paulo, Madrid e Wacken, além da óbvia mudança de cenário, ainda fazem com que exista uma diferença entre a qualidade do vídeo e som, ainda que essas diferenças não cheguem a atrapalhar. Pois para nossa sorte as câmeras são de alta qualidade, e em grande número, possibilitando uma edição ágil sem ser cansativamente frenética. Há a inserção de efeitos, em especial flashes em P&B e divisão da tela, mas ocorrem de maneira bacana. E quando o show muda de uma cidade para outra, simpáticas vinhetas aparecem para nos informar o paradeiro atual, com nome da música apresentada. Infelizmente o som já não acompanha a perfeição das imagens, longe de ser verdadeiramente ruim, mas mais próximo de embolado do que se esperaria para uma superprodução. Talvez tenha sido uma opção para deixar o trabalho com mais cara de ao vivo possível. O legal é que os públicos dos três shows, extremamente animados, aparecem consideravelmente na mixagem.


Performances & Repertório
Quem já assistiu qualquer show dos teutônicos, em qualquer era, provavelmente já sabe que instrumentalmente a banda é sempre impecável. A dupla atual de guitarristas, Sascha Gerstner e Michael Weikath abriram espaço para Kai Hansen brilhar, os arranjos para 3 guitarras soando muito melhores do que no caso do Iron Maiden, seja nas faixas recentes, seja nos clássicos da era Kiske/Hansen. É fácil fácil se perder embasbacado nas cascatas de solos dos 3 grandes guitarristas. A cozinha, formada por Dani Loeble e Markus Grosskopf funciona à perfeição, o que não é novidade.



Novidade mesmo, e uma novidade super esperada, é a união dos três vocalistas que já passaram pela banda. Michael Kiske, a cara do eunuco Varys da série Game Of Thrones, está com a voz cristalina e em dia. Mas o careca possui o carisma de uma abóbora cozida. Já o sempre divertido Hansen tem problemas com a voz tem séculos, mas sobrevive surpreendentemente bem aos seus números, quase todos compilados num Medley interessante, além de colaborar bastante nos Backings. Arrisco dizer que a união serviu para que os fãs deem mais valor ao excessivamente criticado Andi Deris – além de estar em sua melhor forma vocal em mais de década, Deris ainda carrega boa parte da atenção do longo show com seu carisma e dinamismo. Os arranjos foram todos muito bem bolados para aproveitar o melhor de cada vocalista, deixando espaço para duetos e momentos solo. Afinal, todos têm direito a descansar um pouco a voz em um set que beira as 3 horas de duração. De resto, a banda demonstra simpatia o show inteiro, além de se movimentar bastante em um palco com produção caprichada. Aos puristas, uma ressalva e alerta: a banda toca atualmente com a afinação 1 tom abaixo do original. A grande maioria das canções funciona sem maiores sustos, mas uma ou outra, mais notadamente Dr Stein, soam esquisitas aos meus ouvidos com essa mudança.


Outro ponto a ser discutido é a escolha de repertório. Claro que cada fã da banda tem seu “lado B” de estimação que pode não ter visto a luz do dia aqui. Mas num show com quase três horas de duração e 25 faixas (fora os trechos inclusos em dois Medleys), há mais Helloween do que a maioria ousaria sonhar. Um repertório bem equilibrado e que consegue o milagre de fazer com que o longo programa nunca chegue perto de ficar cansativo.


Extras
O segundo disco apresenta quatro faixas ao vivo, duas representando versões alternativas (em países diferentes) para músicas presentes no disco 1. As outras duas são faixas que não aparecem no show principal, Kids Of the Century e March Of Time. Qualidade de imagem? Ótima. De som? Boa, como no material do programa principal. De resto, documentários sobre a reunião, com incrível opção de legendas, inclusive para o português! 

Uma união fantástica, só resta saber quanto tempo vai durar
Veredito da Cripta

Um pacote que encapsula aproximadamente quatro horas de material já merece respeito. O que dizer então quando há visível esmero e capricho em cada pedaço do referido material? United Alive é a materialização dos sonhos molhados de qualquer fanático pelo Helloween que se preze. Uma deliciosa e imperdível overdose de abóbora! (NOTA: 10)

Gravadora: Nuclear Blast (importado)
Prós: Overdose de Helloween
Contras: Overdose de Helloween
Classifique como: Heavy Metal, Power Metal
Para Fãs de: Gamma Ray, Heavens Gate


quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Soundgarden – Live From The Artists Den (Blu-Ray – 2019)



The Knights of the Soundtable Last Ride
Por Trevas

O Grunge nunca existiu. Sorry. Usaram um termo para colocar no mesmo balaio bandas tão díspares quanto um Nirvana, com sua agressividade Punk suja e até mesmo algo tosca, e um Soundgarden, com sua releitura algo soturna e bem pesada para o Rock dos anos 1970. E essa afirmativa não se trata em absoluto de um mero revanchismo de “Metaleiro”, não. Os próprios fãs de Heavy Metal mais instruídos já viram esse filme antes, mais especificamente com a famosa New Wave Of British Heavy Metal, uma cena que somente existiu nos jornais e revistas, mas nunca na vida real. Dito isso, temos em mãos o esperado registro ao vivo de uma das apresentações mais icônicas da banda, lançado de maneira póstuma (Cornell tirou sua própria vida em maio de 2017) em uma pletora de formatos, cada um mais apetitoso que o outro aos olhos dos colecionadores. Após flertar por um tempo com o Box Deluxe (somente para ver a realidade de um dólar acima de R$4,00 me esmagar de volta à minha insignificância), acabei por comprar a edição em Blu-Ray. O que não é nada mal, temos aqui nada mais nada menos que 29 canções, espalhadas em quase duas horas e meia de show. Ah, e somadas à meia hora de extras. Ao menos em termo de quantidade, não se pode reclamar nem um pouco. Resta saber se a qualidade está à altura da expectativa criada junto aos fãs.

O belo (e caro) Box Set
O show, realizado em fevereiro de 2013, foi transmitido ao vivo pela TV, mais um bem-sucedido capítulo da série Live From The Artists Den. A série promove shows especiais de artistas consagrados para um público restrito. A casa escolhida, o Wiltern, proporciona um cenário interessante. E está claramente forrada de fãs que realmente amam a banda, que por isso mesmo aposta num longo repertório, alternando clássicos, faixas do então recente King Animal (que soam bem melhores no palco, diga-se) e lados B tão obscuros quanto bacanas.



A performance da banda é vigorosa e repleta de dinâmica, com aquele ar de banda setentista que sempre separou o Soundgarden de seus contemporâneos. Chris Cornell é um daqueles talentos que serão lembrados décadas após sua partida, mas o restante do quarteto demonstra uma concisão e perícia respeitáveis. A Guitarra “gorda” de Thayl (em boa parte do set dividida com o próprio Cornell) destilando riffs encorpados, com o auxílio de uma cozinha para lá de forte e certeira (Cameron e Shepherd). Algumas versões são melhores que suas contrapartes de estúdio, outras nem tanto, mas todas tem vida e cara próprias, algo indispensável para um bom registro ao vivo.



A imagem na edição em Blu-Ray é perfeita. A edição, comportada, mas eficiente. E as tomadas são mais artísticas do que se esperaria de uma (geralmente burocrática) transmissão ao vivo. A iluminação é bela e o telão de fundo, funcional. Sobre o som, temos em mãos uma mixagem cristalina, mas que não perde a mão nem no punch nem naquele senso de urgência que se espera de um show de rock que se preze. Sobre os extras, temos entrevistas com o quarteto, um material que talvez não seja reprisado por muitos, mas fecha com esmero um pacote destruidor de uma das bandas mais idiossincráticas da história do Rock. Obrigatório. (NOTA: 10)



Gravadora: Universal Music (importado)
Prós: excelente show, som e imagem perfeitos
Contras: eu não tenho dinheiro para o Box Set...#xatiado
Classifique como: Heavy Rock
Para Fãs de: Alice In Chains, Black Sabbath


sábado, 6 de julho de 2019

Journey – Live In Japan 2017 (Blu-ray + 2CDs)



Escapando Para A Fronteira Com Estilo
Por Trevas

Gravado no mítico Budokan dois anos atrás, o novo ao vivo dos veteranos máximos do AOR estadunidense traz como grande atrativo a reprodução integral de dois dos maiores discos da banda: Escape e Frontiers. Lançado em formatos diferentes, a edição aqui analisada é a que inclui o show em Blu-Ray e traz os dois CDs, com mesmíssimo repertório.


Imagem e Som

Como habitual para os padrões do mala inveterado e perfeccionista assumido Neal Schon, o produto lançado é dotado de enorme esmero técnico: som perfeito e imagem cristalina. A edição não é daquelas frenéticas que dão a impressão de videoclipe gigante, os ângulos das tomadas são bacanas e não ficam monopolizados em um ou dois dos músicos. O som nos CDs também é excelente.



Banda e Repertório

As performances são tão perfeitas quanto a qualidade técnica, mas isso é de se esperar, faz parte da mitologia Journeyana. A formação é o mais perto da clássica que podemos esperar: o patrão Schon, cercado dos comparsas Jonathan Cain (teclados), Ross Valory (baixo) e Steve Smith (bateria). Na voz, a grande diferença, o filipino Arnel Pineda já não é exatamente uma novidade, mas agora o cinquentão espoleta (que parece ter somente uns 30 anos) já precisa que a banda adapte o tom das músicas (um tom abaixo, acho) para que ele sobreviva às mais de duas horas de show segurando notas estratosféricas em sons difíceis para qualquer mortal.


Mas o estranhamento não deve superar os primeiros minutos da abertura, com Don’t Stop Believing. Arnel canta barbaramente e continua quicando pelo palco, para desespero do patrão. Adicionalmente, o tecladista de aluguel (que aparece aqui e acolá nas vezes em que Cain abandona seu posto para fazer a segunda guitarra) Travis Thibodaux ainda empresta seu gogó em Lay It Down, Frontiers e After The Fall, para descanso do gnomo filipino. Sobre o repertório, quem espera cinicamente por uma burocrática execução fotocopiada dos discos originais, terá uma grande surpresa: as músicas são apresentadas com muito feeling, e com adições que nunca soam gratuitas. Temos também interlúdios instrumentais e os solos de Schon, Cain e Smith, somente esse último podendo ser chamado de dispensável. De bis para uma noite memorável, extensas versões para La Raza Del Sol e Loving’ Touchin’ Squeezin’. De “negativo”, somente o clima tranquilo demais da comportada plateia nipônica.



Veredito da Cripta

Live In Japan 2017 soa melhor do que a soma das partes (Escape + Frontiers), e não estranhe se encontrar por aí algum fã que o chame de registro definitivo do Journey em vídeo. Excelente.


NOTA: 10


Gravadora: Eagle Vision/Universal (importado)
Prós: Show extenso e excelente
Contras: somente a calmaria habitual do Budokan
Classifique como: AOR
Para Fãs de: Foreigner, Toto



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

King Diamond – Songs For The Dead Live (Box Set – 2019)




Capirotagem Em Alta definição
Por Trevas

Chega a ser difícil acreditar que um artista tão reconhecido pelo apelo visual de suas apresentações ao vivo nunca tenha lançado um Home Video em sua extensa carreira. Pois é, mas esse é caso do dinamarquês King Diamond, que pretende tirar o atraso com esse Songs For The Dead, que nos traz duas apresentações completas, uma em ambiente fechado e outra num festival, focadas em sua para lá de bem-sucedida turnê de retorno após um infarto que quase lhe levou mais cedo para o colo do capeta.

O Box e suas guloseimas 
Apresentação

Songs For The Dead vem em uma penca de formatos: DVD duplo + Cd; Blu Ray e um opulento Box Set. E é justamente o Box Set que analisaremos aqui na Cripta. O mesmo compreende a soma das edições em DVD duplo (mesmo conteúdo do BD) + CD, Blu-Ray e um CD bônus (com o áudio do show do Graspop). Isso tudo em um pacote cheio de delícias para colecionadores. São elas: uma réplica do Set List do Graspop assinado (uma pena que o “autógrafo” é impresso); uma réplica do cartaz do show; um pôster da turnê; dois stage passes e uma palheta. Tudo embalado numa caixa de papelão que emula um case de instrumento musical. Um pacote belo e caprichado, que pode ser visto em detalhes no Unboxing que fiz no vídeo abaixo.



Áudio e Vídeo

Todo o cuidado com a apresentação de nada serviria se não fosse acompanhado de igual esmero nas imagens e no som. Para nossa sorte, os shows foram captados em altíssima definição, com tomadas e edição criativas que só engrandecem a por si só já impressionante produção de palco. E as performances individuais da agitada banda também não escapam do olho mecânico sagaz. E isso sem deixar de lado as imagens da galera ensandecida, sempre instigada pela presença de palco hipnótica do carismático Rei Diamante. O Som? Tão impressionante quanto esperaria o mais otimista dos fãs. E a qualidade sonora também está excelente nos Cds, o que é ainda mais raro.


Os Shows – Performances e Set List

Olha, realmente fica difícil acreditar que o Rei esteja com 60 anos nesses shows. Já tive a oportunidade de ver o Dinamarquês ao vivo duas décadas atrás e a performance dele naquela noite não se equipara ao que vemos nos dois shows aqui presentes, a perfeição é tamanha que logo apostaria em toneladas de overdubs. Mas basta buscar outros shows gravados não oficialmente dessa turnê para entender que, seja lá o que a experiência de quase morte trouxe na cachola do maluco, essa epifania fez um bem danado para sua performance. Contando apenas com a ajuda da esposa e cantora Livia Zita, ele destrói, e nenhuma música fica aquém de sua contraparte de estúdio.


E não é só o patrão que está na ponta dos cascos, não. Andy La Rocque e Mike Wead formam uma dupla de guitarras forjada nas profundezas do inferno. E a cozinha composta por Pontus Egberg e Matt Thompson (que rolo compressor é esse cara!) parece tocar por telepatia. Sem tempo para respirar, as músicas se seguem e os caras agitam bastante, como se conhecessem cada uma das notas desde 789 encarnações passadas.


O repertório se repete nas duas apresentações, com uma ou outra mudança de ordem. A primeira parte do show traz um apanhado da carreira do tio Diamante, com dois números do Mercyful Fate, a segunda metade centrada na execução integral de seu disco mais famoso: Abigail. Apesar das reclamações dos fãs mais ardorosos, que gostariam de ver todos os discos representados, é indiscutível que o resultado final funcionou monstruosamente bem! E apesar dos repertórios gêmeos, a ambiência diferente dos dois shows justificam a dobradinha. Apesar do público maior no Graspop, a atmosfera fica ainda mais legal no mais intimista Phillmore. Se há realmente algo que poderia causar alguma reclamação mais justa, é a ausência de making off, entrevistas ou qualquer outro extra.



Veredito da Cripta

Alta definição de imagens, grandes performances e uma sonoridade bem cuidada podem produzir grandes Home Videos. Mas existe um outro elemento, difícil de explicar, que eleva alguns desses registros de shows a um patamar ainda mais alto. Seria a atmosfera? Ou a interação entre público e banda? Ou uma noite particularmente inspirada dos músicos? Tudo isso junto? Não sei. Mas sei que esse Songs For The Dead tem exatamente esse algo mais, um bem-vindo elemento sobrenatural que faz desse ao vivo um clássico em potencial. Coloque para rodar com o volume no talo e perdoe King Diamond por ter demorado tanto tempo para nos entregar essa pérola! Obrigatório!


NOTA: 10


Gravadora: Metal Blade Records (importado)
Prós: produção visual impecável, som de primeira e grande performances
Contras: ausência de extras
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Mercyful Fate