Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
Quase 14 anos após o
lançamento do apoteótico One Cold Winter’s
Night, um dos home vídeos mais bacanas já lançados, o combo multinacional
de Power MetalKamelot volta ao formato com um show especial, gravado em Tilburg, na Holanda, em 2018. A versão
aqui analisada é a do Box Set, contendo
Blu-ray, Cds e DVD, mas como
habitual, existem diversos outros formatos (com lançamento nacional, inclusive).
Apresentação
O Box Set segue o formato tradicional
para lançamentos do gênero: um Digipack
enclausurado em Slipcase. Cada banda
do Digipack com miolos de plástico sobrepostos
para encaixe dos disquinhos. O encarte é bonito, mas tudo segue um padrão
repetido inúmeras vezes. Os Menus são bonitos, mas tive alguma dificuldade de
navegação pelo joystick do PS4. Uma apresentação bacana, mas não
há nada diferente aqui.
Feuer Frei!
Áudio
e Vídeo
Quem já assistiu a
banda ao vivo sabe do esmero técnico que envolve suas apresentações. Em se
tratando de um show especialmente feito para a gravação de seu novo ao vivo,
era de se esperar algo ainda mais grandioso. E é isso que encontramos aqui: uma
qualidade absurda de vídeo, com inúmeras câmeras, nenhuma imagem granulada que
seja, edição perfeita e momentos visuais de cair o queixo. A produção do show
ainda garante um palco belo, pirotecnias bem colocadas e um ou outro arroubo de
teatralidade (embora em menor grau que em One
Cold Winter’s Night).
O áudio é ótimo, e os Cds
merecem sim a aquisição, mas confesso que na primeira audição demorei a entrar
no clima da mixagem. Embora hoje nem saiba mais explicar o porquê.
Performances
e Repertório
O show do Kamelot é absurdamente redondo, e tecnicamente
absurdo. Alex Landenburg, o mais
novo membro, é um baterista para lá de competente para o estilo. OliverPalotai toma tanto os holofotes com seus teclados quanto o eficiente
patrão ThomasYoungblood. SeanTibbets brinca bastante no palco, ainda
que suas linhas de baixo raramente apareçam tanto. E TommyKarevik é o clone
perfeito de RoyKhan. A semelhança nos timbres chega a assustar. Mas, apesar de
tecnicamente ser possivelmente até melhor que seu antecessor, sinto a falta de
um pouco mais de feeling em suas interpretações. Da mesma maneira, apesar de,
como Roy, não ter pinta de cantor de
Metal, ele segura bem como frontman,
mas fica um pouco a sensação de algo meio robotizado em sua performance.
E, por falar em robôs, vamos entrar num ponto sensível aqui; é impressionante
o quanto temos material pré-gravado no show do Kamelot. Das compreensíveis partes orquestradas até quase todos os backingvocals, essas camadas extras deixam tudo com cara de que estamos
ouvindo o próprio CD ao vivo. Das bandas que conheço, somente o Nightwish exagera mais do que eles nas backingtracks. O quanto esse uso é interessante ou beira a trapaça, deixo
para cada um analisar.
Temos também um punhado de
participações especiais nesse show: LaurenHart (OnceHuman); AlissaWhite-Gluz (ArchEnemy); ElizeRyd (Amaranthe); CharlotteWessels (Delain), SaschaPaeth (ex-HeavensGate, Avantasia) e o quarteto feminino de
cordas Eklipse. Todos os convidados têm
seu espaço e fazem bonito, engrandecendo o show, como esperado.
Sobre o repertório,
aqui jaz o suposto único ponto fraco do pacote. A intenção, exposta nas
entrevistas bônus, era a de focar no material posterior ao último HomeVídeo. Com ao menos uma música dos cinco trabalhos de estúdio
lançados a partir de então. Uma ideia válida, mas que demonstra o quanto a
banda decaiu criativamente com o passar do tempo. Não que os discos com Karevik não tenham lá seus bons
momentos, em especial as músicas de Haven
(de longe o melhor dos discos atuais), mas até esses números empalidecem quando
confrontados com os poucos clássicos espalhados pelo set (MarchOfMephisto, When The Lights Are Down e Forever). Na verdade, apanham até dos
momentos de discos menores da era Khan,
como RuleTheWorld e TheGreatPandemonium. Mas a
plateia presente não composta de fãs eventuais, e acaba por cantar de tudo,
feliz e participativa.
Extras
O pacote é caprichado aqui:
temos um extenso documentário (cerca de 30 minutos) sobre o show, com muito
espaço para os fãs e convidados especiais. Tudo muito bem feito e interessante.
Outro item é um apanhado de imagens de bastidores da turnê norte americana, com
cerca de 15 minutos. Menos interessante, é daqueles que você dificilmente assistirá
mais de uma vez. Para fechar, temos todos os videoclipes da fase Karevik (10 no total), todos contando
com produção de ponta.
Veredito
Final
Completo e feito com imenso
esmero, I Am The Empire é um pacote
que há de ganhar alta rodagem nos aparelhos dos fãs da fase atual do Kamelot. Poderia reclamar da falta de
material antigo, mas como essa é exatamente a proposta desse ao vivo, seria
julgar o trabalho justamente pelo que ele não intenciona ser. Um HomeVídeo tecnicamente perfeito. (NOTA:
10).
Gravadora: Napalm Records (importado)
Prós: um pacote recheado e tecnicamente
absurdo
Contras: repertório baseado na fase atual,
backing tracks em profusão
45 anos de estrada...uma marca
assustadora, mesmo no longevo universo do Rock & Roll. E mais assustador ainda
quando se fala de uma das bandas mais idiossincráticas e inclassificáveis da
história. E cá estamos, diante do lançamento em alta resolução de um dos shows
da turnê que comemorou essa marca, realizado no Indigo At The O2, Londres, em julho de 2017.
A imagem e som são
para lá de cristalinos. O palco é simples, sem nenhuma grande produção nem
arroubos na iluminação. A edição é comportada e nada frenética, o que agrada em
cheio à faixa etária consumidora, uma galera que geralmente gosta de veros takes privilegiando a destreza dos
músicos em seus instrumentos, ao invés da alucinante linguagem de videoclipe
que alguns HomeVídeos nos trazem.
No repertório, 15 faixas em 75 minutos de show. Marcadamente, para a data
comemorativa, temos o disco homônimo por completo, somado a 5 números da fase
inicial da banda. Sobre a banda, cabe ressaltar que aqui a formação é bem
modificada, somente EricBloom e BuckDharma restando dos
tempos clássicos. Mas nem de longe isso deve gerar problemas: a já conhecida cozinha
composta por DannyMiranda (também baixista do Queen, e que toca com os caras desde os
idos de Curse Of The Hidden Mirror) e
JulesRadino (bateria, também desde 2004 com o BÖC) é fenomenal. E ainda temos na formação um super trunfo: o multi-instrumentista
RichieCastellano (voz, guitarra e teclado), que acrescenta um bocado
tecnicamente ao time.
Dos nossos queridos velhinhos,
já setentões, EricBloom demonstra alguma limitação, tanto
na voz quanto na desenvoltura no palco. Inclusive, é notada a pegada mais lenta
para alguns números, provavelmente por conta dessas limitações. Já BuckDharma, esse está tocando como nunca, vide a memorável versão
estendida para Then Came The Last Days
Of May, na qual faz um duelo fenomenal com Castellano nos solos. Ah, e sim, ele ainda usa a "cheesetar". O que merece pontos extras!
Mas ao final das
contas, se temos um BÖC menos feroz
que no passado, por outro lado temos uma versão para lá de técnica da banda, em
um show que provavelmente irá tirar um sorriso de qualquer fã dos veteranos. (NOTA: 8,00)
Extras
Nos tímidos extras, cerca de
cinco minutos de imagens (em resolução razoável) da banda aquecendo, ensaiando
alguns detalhes e conversando nos camarins.
Gravadora: Frontiers Records (importado)
Prós: repertório fantástico para os fãs da
fase inicial
“Já havia ouvido a banda antes, mas pra mim
não faziam nada de diferente que eu já não tivesse escutado com Slayer ou
Possessed. Talvez o sotaque do Max fizesse alguma diferença. Mas aí ouvi
Refuse/Resist e não acreditei! Aquilo sim era diferente de tudo o que já tinha
ouvido, era simplesmente a coisa mais pesada que meus ouvidos já haviam
testemunhado! Era Metal feito como nunca antes! Aquilo era o som do próprio
apocalipse!”
As palavras acima são uma
transcrição aproximada da apaixonada declaração de ninguém menos que Scott Ian,
um dos maiores ícones do metal estadunidense, sobre o nosso Sepultura.
E Endurance traz depoimentos
ainda mais apaixonados de gente do naipe
de Lars Ulrich (Metallica), Phil Campbell (Motörhead), David Ellefson
(Megadeth), Phil Anselmo e Vinnie Paul (Pantera) e Corey Taylor (Slipknot), só
para ficar em alguns nomes...
Um documentário bem
construído, que mistura um pouco do resgate das origens, com imagens de
bastidores de todas as épocas e entrevistas com figuras chave da trajetória
(Monte Conner, Ross Robinson, João Gordo, a galera do Chakal, Jairo Guedz...)
com o clima atual da banda em turnê e gravações.
Pegando inclusive momentos
cruciais da saída de Jean Dolabella e a chegada do fenômeno Eloy Casagrande.
E tem algumas passagens
surpreendentes, como o quanto Lemmy “apadrinhou” a chegada de Derrick, ajudando
a banda a vencer a queda de braço com as vozes dissonantes em relação à escolha
do “Fumaça “.
Ah,sim...esse é o documentário
que resultou no chilique dos Cavalera, que se recusaram a participar do mesmo e
limitaram o uso de parte do material. Mais uma demonstração de pequenez de
espírito. Uma pena.
Talvez esse imbróglio tenha
impedido Endurance de ser um registro perfeito de toda a jornada da banda, mas
ainda assim seus 90 minutos passam como um foguete.
Mas as declarações de decanos
da história do Metal lá de fora deixam aquela tristeza: os caras são venerados
no exterior e aqui, a cada lançamento, desde Chaos AD, é uma choradeira e
mimimi impressionantes por parte dos cagadores de regra e (posteriormente) das
viúvas de Max.
Já faz um tempo que os titãs
do Thrash germânico, seguem essa
fórmula: disco de estúdio lançado, certeza de que virá um registro da turnê
vindoura em seguida, tal qual fazem IronMaiden e Saxon. Joga a favor da banda que seus discos atuais são excelentes
e seus shows, garantia de muita energia e ferocidade, mesmo após tantos anos. LondonApocalypticon nos traz o registro, em vídeo e áudio, de um show
como co-headliner de um evento na lendária Roundhouse,
em Londres (dã). Mas não é só isso, como já se faz um salutar hábito de Mille e
companhia, temos uma penca de material da banda encartado aqui, então vamos lá.
Apresentação
A edição analisada
aqui é a que vem com Blu-ray e CD. Encartados em um digipack bonito, com bela arte gráfica e informações à contento, é
um pacote tão compacto e eficiente quanto bonito. Existe uma edição em Earbook e outra contendo só o CD
(lançada no Brasil).
Os diversos formatos de London Apocalypticon
Qualidade
de Áudio e Vídeo
Temos na verdade três
shows completos encartados no pacote, o principal, na Roundhouse, tem qualidade de som e imagem espetaculares. A banda
preparou um visual discreto, mas interessante, no palco, e optou por uma
iluminação mais escura que o habitual para uma apresentação a ser filmada. Mas as
câmeras são todas excelentes, então nada de imagens granuladas. E a Roundhouse tem um visual bem bonito,
que soma à qualidade cenográfica da apresentação.
De ponto negativo, a edição frenética demais e que empresta efeitos
desnecessários às imagens (exemplo: sobreposição das imagens da banda com as animações
do telão). As primeiras faixas ficaram com aquela cara de edição de videoclipe.
Definitivamente um recurso que não agrada, mas que felizmente fica menos
exagerado ao longo da apresentação. Sobre o show em si, pouco mais de uma hora
da habitual destruição Kreatoriana. Banda
super afiada, talvez o fato do repertório estar mais calcado nos discos
recentes incomode alguns, mas, convenhamos, difícil reclamar do material de
discos como PhantomAntichrist e GodsOfViolence. E só a inclusão de material
recente faz sentido para o ciclo disco de estúdio – disco ao vivo. A plateia
mostra se divertir e tudo funciona muito bem, apesar da voz um pouco cansada de
Mille (era o último show da turnê).
Muito bom. Mas melhora.
Extras
O único motivo do
pacote levar o nome de London Apocalypticon
deve ser o fato de registrar um show numa Roundhouse
lotada, pois os outros dois shows encartados aqui são até melhores que o
principal. Live In Chile tem apenas uma
hora de duração (outra turnê como co-headliner), mas conta com um público
insano, que faz uma arena lotada se tornar um imenso liquidificador de carne. A
banda soa ainda melhor (Mille está
com a voz de Gremlin tinindo) e o
único ponto menor é que nem todas as câmeras proporcionam a qualidade superperfeita
do show de Londres. Já o show do MastersOfRock se mostra o melhor do pacote: maior, com 90 minutos de
duração, em local aberto, plateia gigante e animada, contando com pirotecnia ligeiramente
incrementada. Esse show também só “peca” pela granulação em uma ou outra tomada.
Show perfeito, seria minha escolha caso pudesse escolher somente um dos três.
De brinde, ainda temos ViolentVisions: trazendo os cinco videoclipes para GodsOfViolence, geralmente muito bem
produzidos.
CD
Talvez a parte menos
interessante do pacote todo, o CD ao vivo é bom, mas seja pela limitação do set
(que é o da Roundhouse), seja pela
qualidade de som (apenas boa), fica aquém de um LiveKreation. Vale como
bônus, mas não compraria a edição somente em CD.
Ou seja, LondonApocalypticon nos
presenteia com cerca de quatro horas de Kreator,
em alta qualidade de som e imagem. Uma irresistível overdose Thrasher. (NOTA:9,00)
Gravadora: Nuclear Blast (importado)
Prós: Overdose de Kreator em três shows
diferentes
Contras: A edição do show principal irrita
um pouco
Com o espirituoso título que
faz referência aos clássicos discos ao vivo de DeepPurple e IronMaiden, os veteranos dinamarqueses nos presenteiam com seu primeiro
Blu-ray, gravado em 2018, em
Kawasaki.
Áudio
& Vídeo
O áudio e vídeo são impecáveis,
fazendo justiça ao que se espera de um lançamento em Blu-ray. A produção é simples, somente um backdrop e uma iluminação comportada e eficiente. A edição é
eficiente e nada vertiginosa, mas dá espaço a todos os músicos e guardando
também as tomadas do surpreendentemente animado público nipônico.
Repertório
Com tudo parecendo tão feijão
e arroz assim, seria fácil imaginar se tratar de um lançamento mediano. Mas estamos
diante de uma banda para lá de afiada, com um repertório especial, comemorando
os 30 anos de um de seus grandes trabalhos: FutureWorld. E é esse
disco na íntegra que toma boa parte do que vemos aqui, e todas as versões
ganham muito de energia ao vivo, soando ainda melhores que as originais. No encore, algumas faixas de trabalhos
mais atuais (com destaque para Mother Of
All Lies) e Sin-Decade fechando
a noite, em pouco mais de hora e dez de uma apresentação curta, mas matadora.
Performances
Toda a banda funciona
muito bem, mas é impossível não destacar RonnieAtkins. Recentemente superando um terrível
câncer, o cara é um frontman raro. Ronnie continua com voz poderosa e
única, além de ter toneladas de carisma para fechar o pacote. Que bom que logo
ele estará pronto para outras aventuras.
Extras
Se a atração principal é um
show curto, em contrapartida temos extras sobrando. Primeiramente, todos os
videoclipes da fase Frontiers da
banda, que totalizam 11, geralmente bem produzidos. Temos também dois
documentários curtos de turnê. Depois temos entrevistas bem bacanas com quatro
dos membros da banda, focando em fatos desde o início da carreira até agora. Sem
legendas, mas o inglês dos caras é tranquilo de entender, em especial de Ronnie e Ken.
Veredito
Um show curto, mas excelente,
amparado por uma quantidade para lá de satisfatória de extras interessantes. Obrigatório
para os fãs dos dinamarqueses, e uma boa porta de entrada em quem tem
curiosidade de expandir seu conhecimento sobre o som de uma das bandas mais únicas
da história do metal. (NOTA: 9,00)
Gravadora:
Frontiers Records (importado)
Prós:
Show curto e forte e uma penca de extras bacanas
Talvez uma das
maiores notícias (e um dos maiores golpes de marketing) da cena metálica
internacional desde o anúncio do retorno de Bruce e Adrian ao IronMaiden em 1999, a fusão de formações de eras diferentes do Helloween gerou a turnê dos sonhos de
muita gente que foi criada com a onda Power Metal dos anos 1990. A turnê, PumpkinsUnited, que começou titubeante devido a problemas de saúde
envolvendo MichaelKiske e uma grave acusação de uso
desenfreado de Playbacks, entrou
logo nos eixos e terminou como um estrondoso sucesso. Claro que, em tempos
modernos de grande apelo visual, onde cada movimento em cima de um palco é
registrado por inúmeros aspirantes a “cinegrafista de celular”, uma turnê de
tamanha importância pedia um registro audiovisual à altura. E cá temos UnitedAlive, lançado em DVD
triplo e Blu-ray duplo (aqui
analisado), além de opções em BoxSet e sua contraparte em CDs, denominada UnitedAliveInMadrid.
Disco rodando, vamos às impressões da Cripta para a turma da abóbora teutônica.
O Pacote sob análise
Imagem
& Som
O disco 1 representa
o set completo da turnê PumpkinsUnited. Mas as músicas foram escolhidas
de 3 shows diferentes. Embora a edição seja competente o suficiente para que
isso não venha a causar problemas de continuidade (quase não se sente os cortes
quando o show “muda de lugar”), fator importante em qualquer ao vivo que se
preze, a alternância de imagens e som entre os shows de São Paulo, Madrid e
Wacken, além da óbvia mudança de cenário, ainda fazem com que exista uma
diferença entre a qualidade do vídeo e som, ainda que essas diferenças não
cheguem a atrapalhar. Pois para nossa sorte as câmeras são de alta qualidade, e
em grande número, possibilitando uma edição ágil sem ser cansativamente
frenética. Há a inserção de efeitos, em especial flashes em P&B e divisão
da tela, mas ocorrem de maneira bacana. E quando o show muda de uma cidade para
outra, simpáticas vinhetas aparecem para nos informar o paradeiro atual, com
nome da música apresentada. Infelizmente o som já não acompanha a perfeição das
imagens, longe de ser verdadeiramente ruim, mas mais próximo de embolado do que
se esperaria para uma superprodução. Talvez tenha sido uma opção para deixar o trabalho
com mais cara de ao vivo possível. O legal é que os públicos dos três shows,
extremamente animados, aparecem consideravelmente na mixagem.
Performances
& Repertório
Quem já assistiu
qualquer show dos teutônicos, em qualquer era, provavelmente já sabe que
instrumentalmente a banda é sempre impecável. A dupla atual de guitarristas, SaschaGerstner e MichaelWeikath abriram espaço para KaiHansen brilhar, os arranjos para 3 guitarras soando muito melhores
do que no caso do IronMaiden, seja nas faixas recentes, seja
nos clássicos da era Kiske/Hansen. É fácil fácil se perder
embasbacado nas cascatas de solos dos 3 grandes guitarristas. A cozinha,
formada por DaniLoeble e MarkusGrosskopf
funciona à perfeição, o que não é novidade.
Novidade mesmo, e uma novidade super esperada, é a união dos três
vocalistas que já passaram pela banda. MichaelKiske, a cara do eunuco Varys da série GameOfThrones, está com a voz cristalina e em
dia. Mas o careca possui o carisma de uma abóbora cozida. Já o sempre divertido
Hansen tem problemas com a voz tem
séculos, mas sobrevive surpreendentemente bem aos seus números, quase todos
compilados num Medley interessante,
além de colaborar bastante nos Backings.
Arrisco dizer que a união serviu para que os fãs deem mais valor ao
excessivamente criticado AndiDeris – além de estar em sua melhor
forma vocal em mais de década, Deris
ainda carrega boa parte da atenção do longo show com seu carisma e dinamismo.
Os arranjos foram todos muito bem bolados para aproveitar o melhor de cada
vocalista, deixando espaço para duetos e momentos solo. Afinal, todos têm
direito a descansar um pouco a voz em um set que beira as 3 horas de duração.
De resto, a banda demonstra simpatia o show inteiro, além de se movimentar
bastante em um palco com produção caprichada. Aos puristas, uma ressalva e
alerta: a banda toca atualmente com a afinação 1 tom abaixo do original. A
grande maioria das canções funciona sem maiores sustos, mas uma ou outra, mais
notadamente DrStein, soam esquisitas aos meus ouvidos com essa mudança.
Outro ponto a ser discutido é a escolha de repertório. Claro que cada fã
da banda tem seu “lado B” de estimação que pode não ter visto a luz do dia
aqui. Mas num show com quase três horas de duração e 25 faixas (fora os trechos
inclusos em dois Medleys), há mais Helloween do que a maioria ousaria
sonhar. Um repertório bem equilibrado e que consegue o milagre de fazer com que
o longo programa nunca chegue perto de ficar cansativo.
Extras
O segundo disco
apresenta quatro faixas ao vivo, duas representando versões alternativas (em
países diferentes) para músicas presentes no disco 1. As outras duas são faixas
que não aparecem no show principal, KidsOftheCentury e MarchOfTime. Qualidade de
imagem? Ótima. De som? Boa, como no material do programa principal. De resto,
documentários sobre a reunião, com incrível opção de legendas, inclusive para o
português!
Uma união fantástica, só resta saber quanto tempo vai durar
Veredito
da Cripta
Um pacote que encapsula
aproximadamente quatro horas de material já merece respeito. O que dizer então
quando há visível esmero e capricho em cada pedaço do referido material? UnitedAlive é a materialização dos sonhos molhados de qualquer fanático
pelo Helloween que se preze. Uma
deliciosa e imperdível overdose de abóbora! (NOTA: 10)
O Grunge nunca existiu. Sorry. Usaram um termo para colocar no
mesmo balaio bandas tão díspares quanto um Nirvana,
com sua agressividade Punk suja e até mesmo algo tosca, e um Soundgarden, com sua releitura algo soturna
e bem pesada para o Rock dos anos 1970. E essa afirmativa não se trata em
absoluto de um mero revanchismo de “Metaleiro”, não. Os próprios fãs de HeavyMetal mais instruídos já viram esse filme antes, mais
especificamente com a famosa NewWaveOfBritishHeavyMetal, uma cena que somente existiu nos jornais e revistas, mas
nunca na vida real. Dito isso, temos em mãos o esperado registro ao vivo de uma
das apresentações mais icônicas da banda, lançado de maneira póstuma (Cornell tirou sua própria vida em maio
de 2017) em uma pletora de formatos, cada um mais apetitoso que o outro aos
olhos dos colecionadores. Após flertar por um tempo com o BoxDeluxe (somente para
ver a realidade de um dólar acima de R$4,00 me esmagar de volta à minha insignificância),
acabei por comprar a edição em Blu-Ray. O que não é nada mal, temos aqui nada
mais nada menos que 29 canções, espalhadas em quase duas horas e meia de show.
Ah, e somadas à meia hora de extras. Ao menos em termo de quantidade, não se pode
reclamar nem um pouco. Resta saber se a qualidade está à altura da expectativa
criada junto aos fãs.
O belo (e caro) Box Set
O show, realizado em fevereiro de 2013, foi transmitido ao vivo pela TV,
mais um bem-sucedido capítulo da série Live
From The Artists Den. A série promove shows especiais de artistas
consagrados para um público restrito. A casa escolhida, o Wiltern, proporciona um cenário interessante. E está claramente
forrada de fãs que realmente amam a banda, que por isso mesmo aposta num longo
repertório, alternando clássicos, faixas do então recente KingAnimal (que soam bem
melhores no palco, diga-se) e lados B tão obscuros quanto bacanas.
A performance da banda é vigorosa e repleta de dinâmica, com aquele ar
de banda setentista que sempre separou o Soundgarden
de seus contemporâneos. ChrisCornell é um daqueles talentos que
serão lembrados décadas após sua partida, mas o restante do quarteto demonstra
uma concisão e perícia respeitáveis. A Guitarra “gorda” de Thayl (em boa parte do set dividida com o próprio Cornell) destilando riffs encorpados, com o auxílio de uma
cozinha para lá de forte e certeira (Cameron
e Shepherd). Algumas versões são
melhores que suas contrapartes de estúdio, outras nem tanto, mas todas tem vida
e cara próprias, algo indispensável para um bom registro ao vivo.
A imagem na edição em Blu-Ray é perfeita. A edição, comportada,
mas eficiente. E as tomadas são mais artísticas do que se esperaria de uma
(geralmente burocrática) transmissão ao vivo. A iluminação é bela e o telão de
fundo, funcional. Sobre o som, temos em mãos uma mixagem cristalina, mas que
não perde a mão nem no punch nem
naquele senso de urgência que se espera de um show de rock que se preze. Sobre
os extras, temos entrevistas com o quarteto, um material que talvez não seja reprisado por muitos, mas fecha com esmero um pacote destruidor de uma das bandas mais idiossincráticas da história do Rock. Obrigatório. (NOTA: 10)
Gravadora: Universal Music (importado)
Prós: excelente show, som e imagem
perfeitos
Contras: eu não tenho dinheiro para o Box
Set...#xatiado
Escapando Para A Fronteira Com Estilo Por Trevas Gravado no mítico Budokan dois anos atrás, o novo ao vivo
dos veteranos máximos do AOR
estadunidense traz como grande atrativo a reprodução integral de dois dos
maiores discos da banda: Escape e Frontiers. Lançado em formatos
diferentes, a edição aqui analisada é a que inclui o show em Blu-Ray e traz os
dois CDs, com mesmíssimo repertório.
Imagem
e Som
Como habitual para os
padrões do mala inveterado e perfeccionista assumido NealSchon, o produto
lançado é dotado de enorme esmero técnico: som perfeito e imagem cristalina. A
edição não é daquelas frenéticas que dão a impressão de videoclipe gigante, os
ângulos das tomadas são bacanas e não ficam monopolizados em um ou dois dos
músicos. O som nos CDs também é excelente.
Banda
e Repertório
As performances são
tão perfeitas quanto a qualidade técnica, mas isso é de se esperar, faz parte
da mitologia Journeyana. A formação
é o mais perto da clássica que podemos esperar: o patrão Schon, cercado dos comparsas JonathanCain (teclados), RossValory (baixo) e SteveSmith (bateria). Na voz, a grande
diferença, o filipino ArnelPineda já não é exatamente uma
novidade, mas agora o cinquentão espoleta (que parece ter somente uns 30 anos)
já precisa que a banda adapte o tom das músicas (um tom abaixo, acho) para que
ele sobreviva às mais de duas horas de show segurando notas estratosféricas em
sons difíceis para qualquer mortal.
Mas o estranhamento não deve superar os primeiros minutos da abertura,
com Don’tStopBelieving. Arnel canta barbaramente e continua
quicando pelo palco, para desespero do patrão. Adicionalmente, o tecladista de
aluguel (que aparece aqui e acolá nas vezes em que Cain abandona seu posto para fazer a segunda guitarra) TravisThibodaux ainda empresta seu gogó em LayItDown, Frontiers e After The Fall, para descanso do gnomo filipino. Sobre o
repertório, quem espera cinicamente por uma burocrática execução fotocopiada
dos discos originais, terá uma grande surpresa: as músicas são apresentadas com
muito feeling, e com adições que nunca soam gratuitas. Temos também interlúdios
instrumentais e os solos de Schon, Cain e Smith, somente esse último podendo ser chamado de dispensável. De
bis para uma noite memorável, extensas versões para La Raza Del Sol e Loving’
Touchin’ Squeezin’. De “negativo”, somente o clima tranquilo demais da
comportada plateia nipônica.
Veredito
da Cripta
Live
In Japan 2017 soa melhor do que a soma das partes (Escape + Frontiers), e não estranhe se encontrar por aí algum fã que o chame
de registro definitivo do Journey em
vídeo. Excelente.
Chega a ser difícil
acreditar que um artista tão reconhecido pelo apelo visual de suas
apresentações ao vivo nunca tenha lançado um HomeVideo em sua
extensa carreira. Pois é, mas esse é caso do dinamarquês KingDiamond, que
pretende tirar o atraso com esse Songs
For The Dead, que nos traz duas apresentações completas, uma em ambiente
fechado e outra num festival, focadas em sua para lá de bem-sucedida turnê de
retorno após um infarto que quase lhe levou mais cedo para o colo do capeta.
O Box e suas guloseimas
Apresentação
Songs For The Dead vem em uma penca de
formatos: DVD duplo + Cd; BluRay e um opulento BoxSet. E é justamente o BoxSet que analisaremos aqui na Cripta.
O mesmo compreende a soma das edições em DVD
duplo (mesmo conteúdo do BD) + CD, Blu-Ray e um CD bônus (com o áudio do show do Graspop). Isso tudo em um pacote cheio
de delícias para colecionadores. São elas: uma réplica do SetList do Graspop assinado (uma pena que o
“autógrafo” é impresso); uma réplica do cartaz do show; um pôster da turnê;
dois stagepasses e uma palheta. Tudo embalado numa caixa de papelão que emula
um case de instrumento musical. Um pacote belo e caprichado, que pode ser visto
em detalhes no Unboxing que fiz no
vídeo abaixo.
Áudio
e Vídeo
Todo o cuidado com a
apresentação de nada serviria se não fosse acompanhado de igual esmero nas
imagens e no som. Para nossa sorte, os shows foram captados em altíssima
definição, com tomadas e edição criativas que só engrandecem a por si só já
impressionante produção de palco. E as performances individuais da agitada
banda também não escapam do olho mecânico sagaz. E isso sem deixar de lado as
imagens da galera ensandecida, sempre instigada pela presença de palco
hipnótica do carismático ReiDiamante. O Som? Tão impressionante
quanto esperaria o mais otimista dos fãs. E a qualidade sonora também está
excelente nos Cds, o que é ainda
mais raro.
Os
Shows – Performances e Set List
Olha, realmente fica
difícil acreditar que o Rei esteja com 60 anos nesses shows. Já tive a
oportunidade de ver o Dinamarquês ao vivo duas décadas atrás e a performance
dele naquela noite não se equipara ao que vemos nos dois shows aqui presentes,
a perfeição é tamanha que logo apostaria em toneladas de overdubs. Mas basta buscar outros shows gravados não oficialmente
dessa turnê para entender que, seja lá o que a experiência de quase morte
trouxe na cachola do maluco, essa epifania fez um bem danado para sua
performance. Contando apenas com a ajuda da esposa e cantora LiviaZita, ele destrói, e nenhuma música fica aquém de sua contraparte
de estúdio.
E não é só o patrão que está na ponta dos cascos, não. AndyLaRocque e MikeWead formam uma dupla de guitarras forjada nas profundezas do
inferno. E a cozinha composta por PontusEgberg e MattThompson (que rolo
compressor é esse cara!) parece tocar por telepatia. Sem tempo para respirar,
as músicas se seguem e os caras agitam bastante, como se conhecessem cada uma
das notas desde 789 encarnações passadas.
O repertório se repete nas duas apresentações, com uma ou outra mudança
de ordem. A primeira parte do show traz um apanhado da carreira do tio
Diamante, com dois números do Mercyful
Fate, a segunda metade centrada na execução integral de seu disco mais famoso: Abigail. Apesar das reclamações dos fãs
mais ardorosos, que gostariam de ver todos os discos representados, é
indiscutível que o resultado final funcionou monstruosamente bem! E apesar dos
repertórios gêmeos, a ambiência diferente dos dois shows justificam a
dobradinha. Apesar do público maior no Graspop,
a atmosfera fica ainda mais legal no mais intimista Phillmore. Se há realmente algo que poderia causar alguma
reclamação mais justa, é a ausência de makingoff, entrevistas ou qualquer outro
extra.
Veredito
da Cripta
Alta definição de imagens,
grandes performances e uma sonoridade bem cuidada podem produzir grandes HomeVideos. Mas existe um outro elemento, difícil de explicar, que
eleva alguns desses registros de shows a um patamar ainda mais alto. Seria a atmosfera?
Ou a interação entre público e banda? Ou uma noite particularmente inspirada
dos músicos? Tudo isso junto? Não sei. Mas sei que esse Songs For The Dead tem exatamente esse algo mais, um bem-vindo
elemento sobrenatural que faz desse ao vivo um clássico em potencial. Coloque
para rodar com o volume no talo e perdoe KingDiamond por ter demorado tanto tempo
para nos entregar essa pérola! Obrigatório!
NOTA: 10
Gravadora: Metal Blade Records (importado)
Prós: produção visual impecável, som de
primeira e grande performances