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terça-feira, 10 de março de 2020

Amon Amarth + Powerwolf – Berserker Latin America '20 (08.03.20 - Circo Voador – Rio de Janeiro/RJ)



Sobre Lobos Tarados & Vikings Cansados
Texto e fotos: Trevas; Vídeos: Renato "Hellnatão" Marques

Powerwolf

Quem acompanha a Cripta sabe que considero o Powerwolf uma espécie de Guilty Pleasure. Mas confesso que não tinha a menor ideia de qual seria a receptividade carioca ao Power Metal com toques sacros e piadas profanas dos teutônicos. Essa dúvida terminou tão logo o som mecânico silenciou e gritos ensurdecedores de “Powerwolf” ecoaram em uníssono por um Circo Voador que já apresentava um bom público. Para surpresa do quinteto (eles se apresentam sem baixista), o jogo estava ganho desde o primeiro minuto de Fire & Forgive. E se o público está animado, o show do Powerwolf é uma delícia de se ver. Os lobisomens teutônicos elevam à quinta potência o conceito de “música para adestrar macaco” que dizem ter sido criado pelo Iron Maiden: é uma profusão de “ôôô”, “Hey,Hey, Hey”, “Hu-Ha”, uma catarse heavy metal que se tornou especialmente viciante dentro da privilegiada acústica do Circo Voador. 



Impossível resistir a galhofagens como Werewolves Of Armenia e a pérola Resurrection By Erection numa atmosfera dessas. Com grande movimentação de todos (em especial do tecladista mico-de-circo Falk Maria Schlegel), visual bem bolado e muito carisma (pontos extras para o ótimo vocalista Attila Dorn), o Powerwolf conseguiu no mínimo angariar respeito até mesmo entre os mais céticos e sisudos fãs do Amon Amarth em seu curto set de 10 músicas e pouco mais que 40 minutos. Showzaço (NOTA: 9,00)

Guarnição do Lobo Guará? Lupinos teutônicos em versão BR


Amon Amarth

Com exatos 3 minutos de atraso em relação ao horário anunciado, Run To The Hills toma de assalto o som mecânico, com o Fade Out pós refrão dando espaço à tradicional introdução do show dos Vikings suecos. Dessa vez com um palco mais ornado do que nas passagens anteriores (mas ainda sem o praticado de elmo para a bateria e sem a profusão de pirotecnias dos shows lá fora), o quinteto inicia os trabalhos com a costumeira The Pursuit Of Vikings, para uma plateia ensandecida.



O gigante hirsuto Johan Hegg é a alma do Amon Amarth, sua simpatia e carisma (com frases em um surpreendente bom português), suficientes para que o público grite seu nome, e não o da banda, nos intervalos entre as músicas. E que músicas! A despeito da primeira canção, o repertório variou em relação às passagens anteriores, com belezuras como Death In Fire, Runes To My Memory e Asator nos pegando de surpresa. O som estava perfeito, com a voz de Johan devidamente amparada com delay e reverbs cavalares e as guitarras de Johan Söderberg e Olavi Mikkonen cortando os tímpanos como machados. Mas há de se destacar a performance cavalar do baterista Jocke Wallgren, numa clara evolução em relação às vindas anteriores. 



Com todos os elogios feitos, uma ressalva: se em anos anteriores os músicos se mexiam o tempo inteiro pelo palco, interagindo com a plateia e não guardando posição por mais do que alguns minutos, ontem já se via uma banda estática a maior parte do tempo. Cansaço? Pode até ser.  Afora o vocalista, sempre sorridente e brincalhão, e sorrisos eventuais no rosto de Jocke, os músicos restantes não pareciam demonstrar muita empolgação com o que estavam vivenciando. Mas, mesmo sem a intensidade de outrora, o profissionalismo e ótimo repertório ainda fazem com que um show do Amon Amarth seja garantia de entretenimento de qualidade para qualquer fã de metal que se preze (NOTA: 8,50).

Renda-se Ivar, Johan está aqui!









domingo, 1 de março de 2020

Graspop Metal Meeting 2019: Parte II – Os Shows



Olá Criptomaníacos!! 
Nessa segunda postagem sobre o GMM, farei um breve apanhado dos 36 shows assistidos ao longo dos 3 dias de festival. 
Por show assistido e avaliado, consideramos aquele que conseguimos presenciar por pelo menos metade de sua duração prevista. 
Se contarmos os pedaços de 10/15 minutos que assistimos ao longo desses dias, o número cresceria bastante.
As fotos e pequenos vídeos são meus e da Dressa, e servem apenas para tentar dar uma vaga noção visual da coisa, já que celulares são péssimos para esse tipo de registro. 
E claro que demos preferência a curtir as apresentações ao invés de registrar as mesmas de maneira porca.
Divirtam-se
Trevas


21.06.19 - SEXTA (11 shows assistidos)

Os calouros aqui calcularam mal o deslocamento para o festival, o que nos fez perder o Death Angel, escalado para a infeliz hora do almoço. Nossa primeira parada acabou por ser o Crowbar, no palco Marquee. Foi um bom começo, Kirk Windstein e sua trupe desfilaram seus acordes monolíticos com maestria (NOTA: 8,00). Ainda conseguimos assistir duas músicas do caos eletrônico virulento do Combichrist antes de encarar Glenn Hughes e suas releituras dos clássicos do Purple num show inesperadamente mediano (NOTA: 6,00).

Crowbar - mais pesado que fimose de cachalote
Retornando ao Marquee, dessa vez para o assombroso e para lá de pesado show do Candlemass com Leif de volta ao batente trazendo a tiracolo o excelente Johan Längqvist, vocalista que gravou Epicus Doomicus Metallicus. Realmente épico, Doom bagarai e destruidor (NOTA: 10).

Candlemass, espetacular e de volta às origens
Num dos palcos principais, o metal moderno do Architects levantou o público de maneira tão esfuziante que me senti até um pouco culpado por não conseguir ver nada demais no som dos caras (NOTA: 7,00). Após alguns minutos do viajante e original Cult Of Luna, era vez de comprovar o quanto o Anthrax funciona bem ao vivo. Mesmo com som embolado e Belladonna longe da boa forma vocal, o som dos caras em festival levanta até defunto (NOTA: 9,00).

Caught In A Mosh! Anthrax detonando! 
Um dos shows mais esperados pela gente, o Lynyrd Skynyrd demorou a esquentar. Ainda assim, um show que tem Saturday Night Special e Free Bird não pode ser um fracasso. Vide a contagiante rodinha de coroas dançando em Sweet Home Alabama (NOTA: 7,50). Se os sulistas pareciam algo deslocados, os suecos do Amon Amarth estavam na sala de casa. Com um show pesado, tecnicamente perfeito e cheio de pirotecnias, mostraram que hoje em dia são os headliners perfeitos para festivais do tipo. Vide a lotação do empolgado público de frente para o palco (NOTA: 10).







Perfeição técnica é o que vimos também na apresentação do Within Temptation. Com uma produção de fazer inveja a qualquer banda que não seja o Rammstein, destilaram clássicos de seu período mais sinfônico misturados ao metal moderno de agora. O ponto alto da noite foi ver um verdadeiro viking, torso desnudo no frio, cantando a plenos pulmões Ice Queen. Nos debulhamos em gargalhadas, para então recebermos um merecido olhar de reprovação do grandalhão, que logo voltou a exibir seus dotes líricos. Um belo show (NOTA:8,50) Era hora do último show do Slayer na Bélgica. Um dos eventos mais esperados do festival, a apresentação do quarteto contou com uma produção de palco caprichada e muita, mas muita pirotecnia. O repertório está matador e Gary Holt trouxe um algo a mais para a dinâmica do show, mas não fosse o clima criado pela grandiosidade visual, que nos transporta para algum lugar no inferno, novamente ficaria com a impressão de que a banda é um pouco burocrática no palco (NOTA: 8,00). No acampamento, madrugada adentro só se ouviria uma coisa, urros de “SLAAAAAYEEEEERRR”.

Slayer levando sua capirotagem pela última vez em território belga
22.06.19 - SÁBADO (10 shows assistidos)

Começamos na hora do almoço, com a belíssima apresentação do Cellar Darling. Anna Murphy é uma vocalista e multi-instrumentista brilhante e a banda é um raro caso do estilo que não se vale de absolutamente nada pré-gravado. Excelente (NOTA: 9,00).

Ainda esbarramos com o final da apresentação do Gloryhammer, banda piada de Power Metal que surpreendentemente mostra um poderio absurdo nos palcos. Fica para uma próxima. Impressionante também o pouco que vimos do Ne Obliviscaris, que parece conjurar o próprio som de alguma outra dimensão, uma dimensão sombria e pesada. Os suecos do Hammerfall podem ser mega xaropes, mas imaginei que seu som pudesse soar divertido no ambiente de um festival. Até cantei junto uma ou outra música dos simpáticos bangers, mas a plateia não pareceu tão convencida assim (NOTA: 7,00).

Compenetrados
Muito melhor se saiu o fenômeno Lzzy Hale e seu Halestorm. Aguados em estúdio, os estadunidenses destroem ao vivo, capitaneados por uma das vozes mais fortes da história do rock (NOTA: 9,00). Após um pequeno relance no não muito impressionante show do Grand Magus, era hora de Nergal e sua trupe no palco principal. E o Behemoth fez justiça a sua fama, um show verdadeiramente infernal e pesado (NOTA: 9,00). Tempos atrás parecia que o Trivium conquistaria o mundo, mas a carreira dos caras nunca atingiu o ápice esperado. Mas não é por falta de trabalho, com um show tecnicamente excelente na parte instrumental, os caras se movem tanto no palco que microfones eram colocados em toda a extensão do mesmo. Uma apresentação repleta de carisma e energia (NOTA:8,50).

Muitos cadeirantes no evento, alguns deles gozaram de belos crowdsurfings
De volta aos palcos menores, nossa primeira escolha de sofia: estávamos nas primeiras fileiras da apoteótica apresentação do Clutch, com um Neil Fallon endiabrado comandando a plateia como um pastor do inferno, os estadunidenses destilavam um clássico atrás do outro (NOTA: 10,00). Infelizmente deixamos o show na reta final pois não podíamos perder uma das derradeiras apresentações do UFO antes do encerramento da carreira. O septuagenário Phil Mogg parece um pouco cansado, e logo se percebe que a aposentadoria vem em boa hora, mas o show tem tanto clássico por minuto que acaba valendo o esforço (NOTA: 8,00). A noite não dormida cobrou seu preço, acabamos por abandonar o festival mais cedo e perdemos bandas como Krokus, King Diamond, Demons & Wizards, Disturbed, Lamb Of God e Slipknot. As três últimas pudemos escutar do acampamento, assim como a reação da plateia. Ao que parece, shows destruidores. Era hora de recuperar as baterias para o último dia.

Domingo com sol a pino e os dois na primeira fila para o FM


23.06.19 - DOMINGO (15 shows assistidos)

Nosso domingo começou bem cedo, e direto da primeira fila de um dos palcos principais, com uma aula impecável de AOR com os veteranos britânicos do FM, comandados pela bela e cristalina voz de Steve Overland (NOTA:9,00). Bem menos impressionante foi o show seguinte, dos postulantes a nova sensação do Classic Rock Inglorious. Definitivamente falta algo aos ingleses, e o afetado e talentoso Nathan James ainda precisa comer muito Fish & Chips para atingir o nível que acha já ter (NOTA: 6,50).


Outro combo britânico na fila, fomos conferir os ogros do Orange Goblin no Marquee. O gigante Ben Ward e sua trupe fazem um show poderoso e vibrante, e nos divertimos pulando abraçados a um cabrunco que parecia ter lambido um sapo lisérgico (NOTA:9,00). Ainda deu tempo de pegar a metade final do Deadland Ritual, supergrupo que reúne gente do quilate de Geezer Butler, Steve Stevens e Matt Sorum. Capitaneados pelo pouco inspirado vocalista Franky Perez, a banda fez o provável show mais murcho de todo o festival. Uma apresentação morta a ponto de conseguir não levantar a galera nem com War Pigs, música que geralmente salva da derrota qualquer banda cover do planeta. Uma lástima (NOTA: 4,00).

Ih, é a banda da minha camisa ó!


Mudando um pouco o clima, fomos conferir o show do Delain, que seria o último com a formação contando com duas guitarras (uma despedida curiosamente silenciosa da demissionária gnominha espoleta Merel Bechtold). Um show bacana que levantou a plateia com hits grudentos, mas fica claro que os holandeses ainda precisam trilhar muita estrada para chegar perto dos patrícios do Within Tempattion ou dos finlandeses do Nightwish (NOTA: 7,50).

Mesmo durante o início do show do Delain, era visível e impressionante o deslocamento de boa parte do público presente no festival para o outro palco principal. O que só comprova o estrondoso sucesso dos franceses do Gojira em território europeu. E que show. Com peso e musicalidade surreais e uma postura de quem sabe que vai destruir tudo, os irmãos Duplantier foram responsáveis pela maior profusão de rodinhas, Crowd Surfing e afins em todo o festival. Ao final de pouco mais de uma hora, a banda se despede, e o baterista Mario vai ao microfone agradecer e atestar ter perdido alguns quilos na apresentação. Nós também, Mario, nós também (NOTA: 9,50).

Pernas pedindo arrego, hora de dosar as energias
Igualmente destruidora foi a apresentação dos suecos do In Flames. Trazendo a bela adição de Chris Broderick na segunda guitarra e contando com algumas surpresas antigas (Pinball Map e Colony) e muita simpatia, fizeram um set de arrepiar os fãs de todas as fases da carreira dos caras (NOTA: 9,50). Uma breve checada no aparentemente imponente show do Insomnium antes do encontro com tio Coverdale e seu novo Whitesnake. Novo entre mil aspas. O repertório permanece o de sempre (só trocam as faixas do disco atual), mas a destreza dos músicos compensa a repetição. Claro que se você pode chiar do tom abissal no qual as músicas são tocadas e do fato de um show de uma hora contar com solos individuais e intervenções instrumentais, ambos artifícios voltados a preservar a combalida voz do tio, que até que estava num bom dia. Divertido e previsível, como sempre (NOTA: 8,00). Já eram 19:00 da noite, mas o céu de verão estava límpido, com o sol castigando a galera. Após conferir alguns minutos do final estrondoso do show do Possessed, sentados na grama para testemunhar Rob Zombie fazer uma apresentação impressionantemente divertida, com direito até a uma ótima versão para Helter Skelter (NOTA: 9,00). Nunca havíamos visto o Def Leppard em ação. E cara, que decepção. Tecnicamente perfeito, o show tomava forma repleto dos hits radiofônicos que catapultaram os ingleses ao Mainstream. Mas é tudo feito de maneira tão burocrática que faz até o “chá das cinco” parecer um evento com mais atitude. Morno demais (NOTA: 6,00).

Cervejinha belga + Coverdale = previsível e bom
Fugimos para o Eluveitie, mas a lotação do Marquee e o calor infernal nos levaram mesmo ao palco onde se apresentava o Kvelertak. Eu tinha muita curiosidade de conferir o sexteto de Death’n’Roll, com suas músicas repletas de referência de tudo o que é era do rock cantadas em norueguês. E que sorte que o destino nos levou até ali, os caras fizeram um dos shows mais perfeitos do festival. E o público pequeno, logo se transformou em uma multidão. A grande maioria não fazia ideia do que esperar do som dos caras, mas a força de uma banda que, além de proficiência técnica, ainda termina com o vocalista (novo na turma) e dois dos três guitarristas fazendo crowdsurfing ao longo das músicas não pode ser menosprezada. Ao final dos 50 minutos do repertório, os noruegueses deixavam umas 5.000 pessoas embasbacadas para trás, certamente tendo convertido boa parte desses em novos fãs incondicionais (NOTA: 10).


Pausa para o lanche, retornamos a um dos palcos principais e temos uma grata surpresa. O Sabaton é absurdamente popular por lá. Sim a multidão que se amontoa de frente para o palco é impressionante, mas mais impressionante ainda é a desenvoltura com que a banda lida com isso. Em poucos minutos de show e umas 40.000 cabeças cantam e dançam sem parar os hinos quase caricatos dos suecos. A banda também faz por merecer. Os caras não param um segundo e Joakin pode ser um vocalista limitado, mas tem um carisma e simpatia tão grandes que você acaba o show jurando que ainda vai tomar uma cerveja com o grandalhão. Isso sem contar que, arames farpados, sacos de areia, um coral de 20 cabruncos vestidos com uniformes da primeira guerra mundial e um tanque de guerra de verdade estão ali no palco, em meio a explosões e pirotecnias variadas, criando um clima que raramente se vê por aí. Um show monumental e que tem como um grande trunfo não se levar a sério por um instante sequer (NOTA: 10).

KVELERTAK!!!
Era chegada a hora do ultimo Headliner do festival. You Wanted The Best, You’ve Got The Best. The Hottest Band In The World…KISS! Você pode até não gostar do quarteto mascarado estadunidense, mas eles sempre foram o padrão que norteia toda e qualquer banda que preza pelo espetáculo. E a banda faz sua despedida oficial nessa turnê (se bem que anunciam isso sem cumprir o prometido tem bem uns 20 anos pelo menos), então a expetativa era de uma experiência audiovisual impressionante. E realmente o palco é impressionante. Pirotecnias e teatralidade a mil. Uma pena que a banda simplesmente já não esteja à altura de sua reputação. Paul Stanley está com a voz tão cacarecada que consegue irritar os ouvidos até nas várias falas entre as músicas. Sim, o cara está desafinando até falando. Mas ao menos se esforça, conduzindo a banda com vigor impressionante para a idade. Uma pena que seus colegas pareçam tão desinteressados, em especial Gene, cansado como aquele motorista de ônibus no final da última jornada do dia. O repertório, algo previsível, ainda assim deveria soar delicioso. Mas não soa. A sensação de que efetivamente uma das lendas vivas do rock esgotou sua força vital parece ter consumido o público, já cansado dos três intensos dias, que respondia contidamente e de maneira mais respeitosa do que realmente empolgada. Talvez devessem ter pendurado as chuteiras alguns anos atrás, quem assistir a banda pela primeira vez nessa turnê jamais terá a verdadeira noção do que foram até um passado não muito distante (NOTA: 6,00). Íamos deixando o festival antes do fim da apresentação do Kiss, mas pelo caminho ouvimos um som destruidor. Entramos no Marquee no exato momento em que Jeff Walker bradava sarcasticamente ao parco público presente na apresentação do Carcass: “ parabéns a você que está nos assistindo, pois você definitivamente não é um poser”! A provocação aos fãs do Kiss poderia parecer exagerada e deselegante, mas o show do Carcass responde em campo. Um final devastador para nossa longa e fantástica jornada num dos maiores festivais do planeta (NOTA: 9,00).

Kiss e seu melancólico adeus




domingo, 1 de setembro de 2019

Amon Amarth – Berserker (CD-2019)




Mais Uma Pilhagem Bem-Sucedida
Por Trevas

O 11º trabalho de estúdio dos Vikings suecos do Amon Amarth chega num momento em que o quinteto navega seu Drakkar por águas curiosamente plácidas. Desde o lançamento de Twilight Of The Thunder God, em 2008, o que se viu foi o crescimento da banda no cenário, de maneira rápida e improvável. Ao ponto de assinarem com uma Major e se tornarem figuras constantes em qualquer festival do estilo que se preze, geralmente em posição de destaque. Definitivamente nada mal para um bando de grandalhões, hirsutos e feiosos, que usam de um Death Metal Melódico como canal para suas letras versando sobre mitologia nórdica e batalhas Vikings. Após o sucesso comercial (e de crítica) de Jomsviking, um de seus melhores trabalhos, o quinteto resolveu dar uma chacoalhada. Deixando Andy Sneap, o mago-produtor-fetiche de 10 entre 10 bandas de Metal, de lado, buscaram o premiado Jay Ruston (Stone Sour, Killswitch Engage, Anthrax e Meat Loaf) para capitanear as gravações do que viria a ser Berserker. Apesar de usar a lenda dos violentos guerreiros quase sobrenaturais aqui e ali, o disco não é conceitual, mas também não foge à temática padrão da banda. Aliás, o gigante vocalista Johan Hegg refuta que um dia a banda venha a abandonar as letras habituais. Estive pela Europa pouco após o lançamento de Berserker, estampado com destaque em grandes lojas (como a FNAC) e caríssimo mesmo para um lançamento. O disco vendeu que nem água. O show no GRASPOP foi fenomenal, uma superprodução amparada por um set list poderoso, com receptividade surreal por parte da plateia. Berserker figurou no Top 100 em nada mais nada menos que 20 países, repetindo o feito de atingir o topo das paradas alemães, como fizera Jomsviking. As resenhas ao redor do globo, majoritariamente positivas, indicam que a banda acertou seu machado no alvo novamente. Sucesso comercial à parte, lá vai a Cripta averiguar a fúria do alucinado guerreiro nórdico...

Prestobarba? Quer morrer moleque?

O valor alto cobrado pela bolachinha tem lá sua razão de ser, o belo e fino Digipack contém um encarte caprichado, repleto de liner notes explicando a inspiração histórica das letras. Aos primeiros instantes da abertura, com a poderosa Fafner’s Gold, logo se percebe também que Jay foi uma escolha acertada para a produção: um som cristalino e ao mesmo tempo poderoso. A bateria do estreante (em estúdio) Jocke Wallgren bem na cara, e Johan Hegg soando cavernoso como nunca (e esqueça as críticas de malas troozões reclamando de “vocais limpos” no disco, na verdade são alguns pequenos trechos declamados que nunca soam gratuitos). Fafner’s Gold é uma bela e promissora abertura.



Uma das faixas de trabalho, Crack The Sky é um hino Amonamarthiano virulento. Uma belezura midtempo feita para fazer os fãs pularem e cantarem junto à banda seu repetitivo, mas viciante, refrão.



É fácil encontrar por aí Bangers desiludidos com o Amon Amarth. Grande parte das reclamações são originárias da doença babacoide que atinge a ala Troozona dos fãs de Metal: toda vez que uma banda de coração alcança um sucesso grande demais e deixa de ser seu “tesourinho escondido”, a mesma “deixa de prestar”. Mas há sim aqui um fundo de verdade em algumas reclamações. Se outrora a banda se valia de um Death Metal Melódico de verdade, com traços de Metal Tradicional, hoje seu instrumental tem MUITO mais de Metal Tradicional, com os resquícios de Death Metal praticamente residindo no vocal de urso sifilítico de Johan. Mas convenhamos, você precisa ser um chato de galocha para conseguir não curtir uma belezura como a pesada e grudenta Mjolner, Hammer of Thor, um dos destaques do novo disco.



A tribal Shield Wall fez a felicidade da plateia ao vivo, moendo pescoços a torto e a direito, e sua versão em estúdio também bota em sério risco o mobiliário da sala. Valkyria chega e, ainda que boa o suficiente para não comprometer, empolga menos do que o material que a antecedeu.



Raven’s Flight foi a primeira faixa de Berserker a ser apresentada ao público. Pudera, talvez seja a melhor do disco, pesadíssima e forte candidata a clássico absoluto do Amon Amarth. Uma pena que daí para diante o trabalho perca um bocado de sua impressionante força.



E não é exatamente por que exista qualquer música ruim daqui em diante, todas são suficientemente boas para merecer seu espaço no bestiário dos suecos (vide a bela e diferente When Once Again We Can Set Our Sails). Talvez o grande erro da banda (e produtor) tenha sido não saber onde parar. Batendo quase uma hora de música, Berserker é de longe o trabalho mais longo da carreira dos suecos. E com uma produção poderosa, mas que forma uma parede de escudos sonora que pode cansar os ouvidos depois de uns 40 minutos, acaba minando o potencial do que poderia ser o melhor disco de toda a carreira do Amon Amarth. Ainda assim, estamos diante de um trabalho de respeito, que só deve consolidar ainda mais a reputação de um dos novos gigantes da cena. (NOTA: 8,61) 

Visite o The Metal Club


Gravadora: Metal Blade/Sony Music (Importado)
Prós: ótima produção, boas músicas
Contras: longo demais, perde força em sua reta final
Classifique como: Melodic Death Metal, Heavy Metal
Para Fãs de: Amorphis, At The Gates, Iron Maiden


domingo, 27 de janeiro de 2019

Amon Amarth – The Pursuit Of Vikings – 25 Years In The Eye Of The Storm (Blu-Ray + Cd – 2018)



Bodas De Prata Viking!
Por Trevas

O Amon Amarth completou 25 anos de carreira, comemorados em 2017. The Pursuit Of Vikings lançado em diversos formatos, traz um documentário que conta a história dessa jornada, tendo como bônus as duas apresentações comemorativas (em algumas edições, só o show principal dá as caras) que a banda fez no Summer Breeze daquele ano. A nossa edição é um Digipack contendo um Blu-Ray e um Cd, então vamos às impressões.

Versão analisada pela Cripta
Documentário:

A estrela principal do pacote, o documentário 25 Years In The Eye Of The Storm tem 100 minutos de material que alterna entre entrevistas, imagens de shows e de arquivo. E mostra a longa jornada que o quinteto de Tumba (que ótimo nome para uma cidade de origem para uma banda de Death, hein?), lugarejo nos subúrbios de Estocolmo, percorreu até ter um disco como número 1 nas paradas da Alemanha, isso tocando Death metal e cantando sobre Vikings. As entrevistas focam a formação atual, mas como boa parte já está na estrada desde a década de 1990, não há grandes problemas. É legal imaginar que os caras que vemos agitando nos palcos dos festivais hoje já sofreram os mesmos revezes que qualquer banda que se tenha notícia: a ingrata divisão de tempo e dinheiro entre vida social, empregos normais e banda; a insegurança de que estariam fazendo a coisa certa que fez com que a banda quase acabasse, a falta de profissionalismo dos primórdios, quando a banda criou uma péssima reputação por subir extremamente bêbada nos shows. É difícil imaginar o hirsuto Johann Hegg entregando sorvete para crianças em um caminhão enquanto os outros meninos trabalhavam pesado como pedreiros em Estocolmo, todos se reunindo no fantasioso mundo dos estúdios após o horário comercial. Mais insólito ainda é descobrir que a escolha da temática viking, que os ajudou a mostrar um diferencial em relação a outras bandas para o resto do mundo, gerava imenso preconceito na Suécia natal. Sim, pois por lá a cultura viking é muito utilizada por grupos racistas da extrema direita. Precisou de tempo e do sucesso internacional para que o país entendesse que os rapazes definitivamente não abraçavam essa vertente política, se concentrando apenas no interesse pela mitologia e história daquele período.


Brian Slagel, Peter Tatgren e Andy Sneap aparecem ao longo do documentário, e muito é falado de quanto o falecido Michael Trengert, executivo da Metal Blade, colocou a banda debaixo dos braços, desenvolvendo conceitualmente o show que hoje conhecemos. A edição é bacana e a honestidade dos envolvidos é visível, mas a longa duração, a falta de histórias mais polêmicas e ausência de legendas (o inglês dos suecos nem sempre é fácil para ouvidos não treinados) podem tornar o filme desinteressante aos olhos do fã casual. Mas aos viciados por biografias, temos um ótimo e bem documentado apanhado da história de uma das bandas mais legais da atualidade.



Live At Summer Breeze: The Movie

O show dos suecos continua o mesmo em sua essência: furioso, com uma música quase emendando na outra e alto nível de proficiência técnica (com exceção feita ao inexplicável e já infame solo torto em Twilight Of The Thunder God). A diferença para outros tempos reside na produção: hoje a banda tem cacife para bancar pantomimas de encher os olhos do headbanger oitentista de lágrimas, como um praticado de bateria que é um elmo viking, um mjolnir explosivo, batalhas bem encenadas, um Loki de olhos fulgurantes e até mesmo a serpente marinha gigante da mitologia nórdica. O repertório é bem diverso (uma pena o show da noite anterior, mais Old School, só estar disponível no Box-set maior) e Johan Hegg capitaneia o quinteto com imenso carisma diante de uma plateia que parece incansável durante todo o set, rolando até mesmo o dueto legalzinho com a musa Doro. O som é cristalino e as múltiplas câmeras captam em alta definição e com edição de imagens bacana o clima festivo e a quase simbiose entre banda e público. Talvez o único senão seja a captação do som da tresloucada plateia durante as músicas, bem baixo na mixagem.




Live At Summer Breeze: The Album

O pacote aqui analisado vem com o show da segunda noite, o do palco principal, completo. O áudio é cristalino como o do Blu-ray, mas no Cd o som baixo da plateia incomoda ainda mais. Difícil entender como uma banda experiente como o Amon Amarth pode ter deixado passar batido um pequeno grande detalhe que separou o presente trabalho da perfeição. Ainda assim, as rendições das músicas apresentadas são todas bem legais, no mínimo rivalizando com suas originais de estúdio.




Veredito da Cripta

Um ótimo e extenso documentário adornado com um show em alta definição de uma das bandas mais legais da atualidade para se ver ao vivo. Há como reclamar? Um pacote que por alguns pequenos detalhes não alcança a perfeição. Altamente recomendado.


NOTA: 9,00


Gravadora: Metal Blade Records/ Sony Music (importado)
Prós: documentário e show detonam
Contras: faltou o show do palco menor, a plateia na mixagem e a opção de legendas
Classifique como: Death metal Melódico
Para Fãs de: At The Gates, Unleashed


domingo, 28 de maio de 2017

Amon Amarth + Abbath – Circo Voador (26/05/2017 – Rio de Janeiro/RJ)









Amon Amarth + Abbath – Circo Voador (26/05/2017 – Rio de Janeiro/RJ)

Fotos e texto por Trevas




Abbath - We’re Abbath! Abbath! Abbath!!!!!


Alguns Headbangers raivosos acreditam que bandas-piada como Massacration ou Steel Panther “Denigrem a imagem do estilo” ou “fazem piada com aquilo que amo”, Tolice. O finado e caricato Immortal já fazia isso com resultados muito mais danosos lá na década de 1990. Às 20:30 uma cortina de fumaça tomava o palco, anunciando o início do show daquele que havia se tornado líder e principal compositor da banda em sua fase final. Um baterista mascarado assume seu posto, circundado por duas esguias figuras de corpse paint. To War! toma de assalto os ouvidos incautos. Em segundos o meme ambulante que atende pelo nome de Abbath assume seu posto. Difícil descrever o que veio após isso.


Esse é o Patati ou o Patatá?


Massas de um Black Metal simplista nos falantes, alternando entre Immortal, I e carreira solo. A banda de apoio tocando de forma correta e algo mecânica. Nenhum sorriso permitido, claro. Abbath vomita palavras inaudíveis se fazendo de bêbado entre as músicas. “balwaharagehiamegamheahfolegweerhgh” Durante elas, toca corretamente, se move com estranha desenvoltura daquela maneira caricata que se tornou marca registrada e canta o esperado. Sim, o rotundo batráquio cara pintada Abbath está com sua voz monocórdia de lagarto em dia. E com as caretas também. Parece o filho do Groo, o Errante, com um guaxinim. Ao anunciar o nome da banda, late “We’re Abbath! Abbath! Abbath!!!”, como se fosse a menina do Exorcista vomitando vitamina de abacate. Dancinhas ridículas se seguem (se teve a infame dança do siri, ou demon dance como os troozões chamam, eu infelizmente perdi). Pose para lá, pose para cá. Mais fumaça. Um roliço simulacro de Gene Simmons das trevas tapa uma narina e ejeta ranho satânico a metros pela outra. Talvez a parte mais criativa do show. 



Gene Simmons e Ace Fr...não, péra...

Outra música se segue. Fumaça. A plateia, até então em sua maioria impassível durante as músicas tal qual a banda de apoio, se empolga após a demonstração explícita de fanfarronice. Talvez na única fala compreensível de toda a apresentação, o monstrinho pergunta “are you feeling Immortal, tonight?” Não, amigão, me sinto apenas cansado desse stand up comedy de cemitério que repete a mesma piada por tempo demais. O set programado termina com cerca de 50 minutos. O baixista se dirige ao patrão, obviamente pedindo para tocarem mais uma música. Abbath se move para a lateral do palco, retornando com semblante derrotado fazendo com os ombros o gesto de “é, tentei, mas não deu”. Não sei quem vetou a continuidade do show, mas agradeço. Próximo aos banheiros, uma fila se formava para o meet and greet, garantido através da compra de merchandise oficial, algo bem satânico (ah, o vil metal). Saio sem entender qual a magia de Abbath, mas é certo que ao menos para alguns, ela existe. Não para mim. Eu preferia ter visto o filme do Pelé. (NOTA: ????)


Rocket Racoon na guitarra






Amon Amarth - Conjurando o Ragnarok

Com um atraso mínimo de cerca de 5 minutos, belas luzes e o som mecânico anunciam a chegada aos palcos dos suecos do Amon Amarth. Infelizmente sem a majestosa produção de palco habitual, The Pursuit Of Vikings começa, e o hirsuto gigante pançudo Johan Hegg nem precisa fazer nada para que a plateia comece a saltitar cantando cada nota do riff. Em apenas uma música os vikings já haviam posto o show de abertura no alforje, mas tinha mais, muito mais. Você sabe quando uma banda atingiu um patamar diferente quando uma sequência de três faixas novas (First Kill, The Way Of Vikings e At Dawn’s First Light), cantadas palavra por palavra pela casa lotada, tem receptividade tão boa quanto as faixas antigas.

Hegg...ou seria Chewbbacca?

Como é comum em bandas escandinavas, a precisão é tamanha na execução das músicas que dá a impressão que estamos ouvindo o disco de estúdio. Falta então energia? Nem um pouco. Todos ornados de instrumentos wireless, os músicos da banda não guardam posição no palco, se movimentando a todo momento e interagindo com a plateia e entre eles mesmos. Em determinado duelo de guitarras durante uma das músicas, Olavi Mikkonen arremessa uma palheta ao final de seu solo para o colega Johan Söderberg, que a pega no ar e continua o solo seguinte. Tudo parece ensaiado, e os rapazes da linha de frente tem cansaço estampado nos olhos, mas em nenhum momento baixam a guarda ou diminuem o ritmo. O único erro que consegui notar foi quando Mikkonen puxou Tattered Banners and Bloody Flags antes do esperado. Erro reparado em segundos.



Pilhando as seis cordas

A formação era quase a mesma do show de 2014, excetuando a adição do baterista Jocke Wallgren, que desempenhou seu papel com precisão e força. O simpático e comunicativo gigante gentil Hegg canta como se tivesse 7 pulmões, e sua performance na repetição do refrão final de Destroyer of the Universe deveria ser estudada pela Nasa. Alternando sua cara de ogro para um sorriso quase infantil ao ver a reação do público a suas músicas, é um raro caso de frontman carismático dentro do universo extremo. A plateia, ensandecida, além de cantar, moshear e pular a todo o momento, ainda ensaiou um simulacro de barca viking que o palhaço Abbath aprovaria.


Destruidores do universo...e do Circo também...


O quarteto Death in Fire, Father of the Wolf, Runes to My Memory e War of the Gods já seria o suficiente para incitar a pilhagem de dezenas de vilas. Mas ainda tinha o bis, que começou mais morno com a fanfarrona Raise Your Horns e teve seu ápice com as clássicas Guardians of Asgaard e Twilight of the Thunder God. Faltou pouco, muito pouco, para a banda igualar o show de 2014, um dos melhores que já vi, mas ainda assim o Amon Amarth prova mais uma vez ser capaz de proporcionar um dos melhores shows de Heavy Metal da atualidade. Excelente! (NOTA: 9,50)


Hegg pedindo para a galera conferir se seu desodorante de sebo de javali já estava vencido