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domingo, 1 de março de 2020

Graspop Metal Meeting 2019: Parte II – Os Shows



Olá Criptomaníacos!! 
Nessa segunda postagem sobre o GMM, farei um breve apanhado dos 36 shows assistidos ao longo dos 3 dias de festival. 
Por show assistido e avaliado, consideramos aquele que conseguimos presenciar por pelo menos metade de sua duração prevista. 
Se contarmos os pedaços de 10/15 minutos que assistimos ao longo desses dias, o número cresceria bastante.
As fotos e pequenos vídeos são meus e da Dressa, e servem apenas para tentar dar uma vaga noção visual da coisa, já que celulares são péssimos para esse tipo de registro. 
E claro que demos preferência a curtir as apresentações ao invés de registrar as mesmas de maneira porca.
Divirtam-se
Trevas


21.06.19 - SEXTA (11 shows assistidos)

Os calouros aqui calcularam mal o deslocamento para o festival, o que nos fez perder o Death Angel, escalado para a infeliz hora do almoço. Nossa primeira parada acabou por ser o Crowbar, no palco Marquee. Foi um bom começo, Kirk Windstein e sua trupe desfilaram seus acordes monolíticos com maestria (NOTA: 8,00). Ainda conseguimos assistir duas músicas do caos eletrônico virulento do Combichrist antes de encarar Glenn Hughes e suas releituras dos clássicos do Purple num show inesperadamente mediano (NOTA: 6,00).

Crowbar - mais pesado que fimose de cachalote
Retornando ao Marquee, dessa vez para o assombroso e para lá de pesado show do Candlemass com Leif de volta ao batente trazendo a tiracolo o excelente Johan Längqvist, vocalista que gravou Epicus Doomicus Metallicus. Realmente épico, Doom bagarai e destruidor (NOTA: 10).

Candlemass, espetacular e de volta às origens
Num dos palcos principais, o metal moderno do Architects levantou o público de maneira tão esfuziante que me senti até um pouco culpado por não conseguir ver nada demais no som dos caras (NOTA: 7,00). Após alguns minutos do viajante e original Cult Of Luna, era vez de comprovar o quanto o Anthrax funciona bem ao vivo. Mesmo com som embolado e Belladonna longe da boa forma vocal, o som dos caras em festival levanta até defunto (NOTA: 9,00).

Caught In A Mosh! Anthrax detonando! 
Um dos shows mais esperados pela gente, o Lynyrd Skynyrd demorou a esquentar. Ainda assim, um show que tem Saturday Night Special e Free Bird não pode ser um fracasso. Vide a contagiante rodinha de coroas dançando em Sweet Home Alabama (NOTA: 7,50). Se os sulistas pareciam algo deslocados, os suecos do Amon Amarth estavam na sala de casa. Com um show pesado, tecnicamente perfeito e cheio de pirotecnias, mostraram que hoje em dia são os headliners perfeitos para festivais do tipo. Vide a lotação do empolgado público de frente para o palco (NOTA: 10).







Perfeição técnica é o que vimos também na apresentação do Within Temptation. Com uma produção de fazer inveja a qualquer banda que não seja o Rammstein, destilaram clássicos de seu período mais sinfônico misturados ao metal moderno de agora. O ponto alto da noite foi ver um verdadeiro viking, torso desnudo no frio, cantando a plenos pulmões Ice Queen. Nos debulhamos em gargalhadas, para então recebermos um merecido olhar de reprovação do grandalhão, que logo voltou a exibir seus dotes líricos. Um belo show (NOTA:8,50) Era hora do último show do Slayer na Bélgica. Um dos eventos mais esperados do festival, a apresentação do quarteto contou com uma produção de palco caprichada e muita, mas muita pirotecnia. O repertório está matador e Gary Holt trouxe um algo a mais para a dinâmica do show, mas não fosse o clima criado pela grandiosidade visual, que nos transporta para algum lugar no inferno, novamente ficaria com a impressão de que a banda é um pouco burocrática no palco (NOTA: 8,00). No acampamento, madrugada adentro só se ouviria uma coisa, urros de “SLAAAAAYEEEEERRR”.

Slayer levando sua capirotagem pela última vez em território belga
22.06.19 - SÁBADO (10 shows assistidos)

Começamos na hora do almoço, com a belíssima apresentação do Cellar Darling. Anna Murphy é uma vocalista e multi-instrumentista brilhante e a banda é um raro caso do estilo que não se vale de absolutamente nada pré-gravado. Excelente (NOTA: 9,00).

Ainda esbarramos com o final da apresentação do Gloryhammer, banda piada de Power Metal que surpreendentemente mostra um poderio absurdo nos palcos. Fica para uma próxima. Impressionante também o pouco que vimos do Ne Obliviscaris, que parece conjurar o próprio som de alguma outra dimensão, uma dimensão sombria e pesada. Os suecos do Hammerfall podem ser mega xaropes, mas imaginei que seu som pudesse soar divertido no ambiente de um festival. Até cantei junto uma ou outra música dos simpáticos bangers, mas a plateia não pareceu tão convencida assim (NOTA: 7,00).

Compenetrados
Muito melhor se saiu o fenômeno Lzzy Hale e seu Halestorm. Aguados em estúdio, os estadunidenses destroem ao vivo, capitaneados por uma das vozes mais fortes da história do rock (NOTA: 9,00). Após um pequeno relance no não muito impressionante show do Grand Magus, era hora de Nergal e sua trupe no palco principal. E o Behemoth fez justiça a sua fama, um show verdadeiramente infernal e pesado (NOTA: 9,00). Tempos atrás parecia que o Trivium conquistaria o mundo, mas a carreira dos caras nunca atingiu o ápice esperado. Mas não é por falta de trabalho, com um show tecnicamente excelente na parte instrumental, os caras se movem tanto no palco que microfones eram colocados em toda a extensão do mesmo. Uma apresentação repleta de carisma e energia (NOTA:8,50).

Muitos cadeirantes no evento, alguns deles gozaram de belos crowdsurfings
De volta aos palcos menores, nossa primeira escolha de sofia: estávamos nas primeiras fileiras da apoteótica apresentação do Clutch, com um Neil Fallon endiabrado comandando a plateia como um pastor do inferno, os estadunidenses destilavam um clássico atrás do outro (NOTA: 10,00). Infelizmente deixamos o show na reta final pois não podíamos perder uma das derradeiras apresentações do UFO antes do encerramento da carreira. O septuagenário Phil Mogg parece um pouco cansado, e logo se percebe que a aposentadoria vem em boa hora, mas o show tem tanto clássico por minuto que acaba valendo o esforço (NOTA: 8,00). A noite não dormida cobrou seu preço, acabamos por abandonar o festival mais cedo e perdemos bandas como Krokus, King Diamond, Demons & Wizards, Disturbed, Lamb Of God e Slipknot. As três últimas pudemos escutar do acampamento, assim como a reação da plateia. Ao que parece, shows destruidores. Era hora de recuperar as baterias para o último dia.

Domingo com sol a pino e os dois na primeira fila para o FM


23.06.19 - DOMINGO (15 shows assistidos)

Nosso domingo começou bem cedo, e direto da primeira fila de um dos palcos principais, com uma aula impecável de AOR com os veteranos britânicos do FM, comandados pela bela e cristalina voz de Steve Overland (NOTA:9,00). Bem menos impressionante foi o show seguinte, dos postulantes a nova sensação do Classic Rock Inglorious. Definitivamente falta algo aos ingleses, e o afetado e talentoso Nathan James ainda precisa comer muito Fish & Chips para atingir o nível que acha já ter (NOTA: 6,50).


Outro combo britânico na fila, fomos conferir os ogros do Orange Goblin no Marquee. O gigante Ben Ward e sua trupe fazem um show poderoso e vibrante, e nos divertimos pulando abraçados a um cabrunco que parecia ter lambido um sapo lisérgico (NOTA:9,00). Ainda deu tempo de pegar a metade final do Deadland Ritual, supergrupo que reúne gente do quilate de Geezer Butler, Steve Stevens e Matt Sorum. Capitaneados pelo pouco inspirado vocalista Franky Perez, a banda fez o provável show mais murcho de todo o festival. Uma apresentação morta a ponto de conseguir não levantar a galera nem com War Pigs, música que geralmente salva da derrota qualquer banda cover do planeta. Uma lástima (NOTA: 4,00).

Ih, é a banda da minha camisa ó!


Mudando um pouco o clima, fomos conferir o show do Delain, que seria o último com a formação contando com duas guitarras (uma despedida curiosamente silenciosa da demissionária gnominha espoleta Merel Bechtold). Um show bacana que levantou a plateia com hits grudentos, mas fica claro que os holandeses ainda precisam trilhar muita estrada para chegar perto dos patrícios do Within Tempattion ou dos finlandeses do Nightwish (NOTA: 7,50).

Mesmo durante o início do show do Delain, era visível e impressionante o deslocamento de boa parte do público presente no festival para o outro palco principal. O que só comprova o estrondoso sucesso dos franceses do Gojira em território europeu. E que show. Com peso e musicalidade surreais e uma postura de quem sabe que vai destruir tudo, os irmãos Duplantier foram responsáveis pela maior profusão de rodinhas, Crowd Surfing e afins em todo o festival. Ao final de pouco mais de uma hora, a banda se despede, e o baterista Mario vai ao microfone agradecer e atestar ter perdido alguns quilos na apresentação. Nós também, Mario, nós também (NOTA: 9,50).

Pernas pedindo arrego, hora de dosar as energias
Igualmente destruidora foi a apresentação dos suecos do In Flames. Trazendo a bela adição de Chris Broderick na segunda guitarra e contando com algumas surpresas antigas (Pinball Map e Colony) e muita simpatia, fizeram um set de arrepiar os fãs de todas as fases da carreira dos caras (NOTA: 9,50). Uma breve checada no aparentemente imponente show do Insomnium antes do encontro com tio Coverdale e seu novo Whitesnake. Novo entre mil aspas. O repertório permanece o de sempre (só trocam as faixas do disco atual), mas a destreza dos músicos compensa a repetição. Claro que se você pode chiar do tom abissal no qual as músicas são tocadas e do fato de um show de uma hora contar com solos individuais e intervenções instrumentais, ambos artifícios voltados a preservar a combalida voz do tio, que até que estava num bom dia. Divertido e previsível, como sempre (NOTA: 8,00). Já eram 19:00 da noite, mas o céu de verão estava límpido, com o sol castigando a galera. Após conferir alguns minutos do final estrondoso do show do Possessed, sentados na grama para testemunhar Rob Zombie fazer uma apresentação impressionantemente divertida, com direito até a uma ótima versão para Helter Skelter (NOTA: 9,00). Nunca havíamos visto o Def Leppard em ação. E cara, que decepção. Tecnicamente perfeito, o show tomava forma repleto dos hits radiofônicos que catapultaram os ingleses ao Mainstream. Mas é tudo feito de maneira tão burocrática que faz até o “chá das cinco” parecer um evento com mais atitude. Morno demais (NOTA: 6,00).

Cervejinha belga + Coverdale = previsível e bom
Fugimos para o Eluveitie, mas a lotação do Marquee e o calor infernal nos levaram mesmo ao palco onde se apresentava o Kvelertak. Eu tinha muita curiosidade de conferir o sexteto de Death’n’Roll, com suas músicas repletas de referência de tudo o que é era do rock cantadas em norueguês. E que sorte que o destino nos levou até ali, os caras fizeram um dos shows mais perfeitos do festival. E o público pequeno, logo se transformou em uma multidão. A grande maioria não fazia ideia do que esperar do som dos caras, mas a força de uma banda que, além de proficiência técnica, ainda termina com o vocalista (novo na turma) e dois dos três guitarristas fazendo crowdsurfing ao longo das músicas não pode ser menosprezada. Ao final dos 50 minutos do repertório, os noruegueses deixavam umas 5.000 pessoas embasbacadas para trás, certamente tendo convertido boa parte desses em novos fãs incondicionais (NOTA: 10).


Pausa para o lanche, retornamos a um dos palcos principais e temos uma grata surpresa. O Sabaton é absurdamente popular por lá. Sim a multidão que se amontoa de frente para o palco é impressionante, mas mais impressionante ainda é a desenvoltura com que a banda lida com isso. Em poucos minutos de show e umas 40.000 cabeças cantam e dançam sem parar os hinos quase caricatos dos suecos. A banda também faz por merecer. Os caras não param um segundo e Joakin pode ser um vocalista limitado, mas tem um carisma e simpatia tão grandes que você acaba o show jurando que ainda vai tomar uma cerveja com o grandalhão. Isso sem contar que, arames farpados, sacos de areia, um coral de 20 cabruncos vestidos com uniformes da primeira guerra mundial e um tanque de guerra de verdade estão ali no palco, em meio a explosões e pirotecnias variadas, criando um clima que raramente se vê por aí. Um show monumental e que tem como um grande trunfo não se levar a sério por um instante sequer (NOTA: 10).

KVELERTAK!!!
Era chegada a hora do ultimo Headliner do festival. You Wanted The Best, You’ve Got The Best. The Hottest Band In The World…KISS! Você pode até não gostar do quarteto mascarado estadunidense, mas eles sempre foram o padrão que norteia toda e qualquer banda que preza pelo espetáculo. E a banda faz sua despedida oficial nessa turnê (se bem que anunciam isso sem cumprir o prometido tem bem uns 20 anos pelo menos), então a expetativa era de uma experiência audiovisual impressionante. E realmente o palco é impressionante. Pirotecnias e teatralidade a mil. Uma pena que a banda simplesmente já não esteja à altura de sua reputação. Paul Stanley está com a voz tão cacarecada que consegue irritar os ouvidos até nas várias falas entre as músicas. Sim, o cara está desafinando até falando. Mas ao menos se esforça, conduzindo a banda com vigor impressionante para a idade. Uma pena que seus colegas pareçam tão desinteressados, em especial Gene, cansado como aquele motorista de ônibus no final da última jornada do dia. O repertório, algo previsível, ainda assim deveria soar delicioso. Mas não soa. A sensação de que efetivamente uma das lendas vivas do rock esgotou sua força vital parece ter consumido o público, já cansado dos três intensos dias, que respondia contidamente e de maneira mais respeitosa do que realmente empolgada. Talvez devessem ter pendurado as chuteiras alguns anos atrás, quem assistir a banda pela primeira vez nessa turnê jamais terá a verdadeira noção do que foram até um passado não muito distante (NOTA: 6,00). Íamos deixando o festival antes do fim da apresentação do Kiss, mas pelo caminho ouvimos um som destruidor. Entramos no Marquee no exato momento em que Jeff Walker bradava sarcasticamente ao parco público presente na apresentação do Carcass: “ parabéns a você que está nos assistindo, pois você definitivamente não é um poser”! A provocação aos fãs do Kiss poderia parecer exagerada e deselegante, mas o show do Carcass responde em campo. Um final devastador para nossa longa e fantástica jornada num dos maiores festivais do planeta (NOTA: 9,00).

Kiss e seu melancólico adeus




sexta-feira, 1 de março de 2019

Melhores de 2018 Pela Cripta do Trevas




Olá, Criptomaníacos!

Novamente com atraso, chega mais uma lista de melhores do ano.

Faço essa lista desde 2012 e confesso que embora eu sempre me pegue impressionado com a qualidade do material ao final de cada um dos anos, dessa vez me surpreendi demais. 2018 foi o ano em que minha nota de corte para o 20º colocado foi tão alta que quase estendi a lista para 25 ou 30.

Sim, pois o resultado final deixou de fora discos excelentes de gente respeitável, como Unleashed, Imago Mortis (o melhor disco Brasuca de 2018), Metal Church, Burning Witches, Clutch e grande elenco...

Mas lista é assim mesmo, sujeita a falhas, supostas injustiças e muito xingamento gratuito à progenitora do infame “redator” hehehehe

Claro que preparei também uma Playlist no Spotify com uma música de cada disco avaliado por aqui, para quem quiser fazer uma tardia retrospectiva sonora de 2018.

No mais, espero que se divirtam.
Saudações
Trevas


A PLAYLIST


Blu-Ray/DVD

Sim, o outrora promissor mercado de Blu-rays e DVDs, que chegou (ainda que momentaneamente) a servir de válvula de escape para as Gravadoras diante da crescente queda de venda dos Cds, diminuiu estrondosamente. A enxurrada de Home-vídeos do início dos anos 2000 praticamente secou. O bom disso é que as bandas perceberam que precisam colocar algo realmente especial e relevante nesse restrito mercado. Esse ano tivemos alguns bons exemplos, como o documentário/show The Pursuit Of Vikings, do Amon Amarth. Ou Messe Noire, que coloca toda a capirotagem do Behemoth apresentando sua obra máxima ao vivo. Ainda tivemos o ineditismo de ver um show completo do Ayreon saindo do papel no ótimo Ayreon Universe. E a habitualmente confusa mistura orquestra/banda de rock enfim funcionando com Symphonic Terror, do Accept. Mas nada se comparou ao esmero dos lusos do Moonspell com o para lá de abrangente Lisboa Under The Spell: uma megaprodução em três atos divididos entre os clássicos Wolfheart, Irreligious e o então último trabalho, Extinct. Um pacote que ainda conta com ótimos extras e que merece o título de melhor lançamento audiovisual de 2018.



Bomba e Decepção

Sempre bom lembrar a diferença entre bomba e decepção: algo só nos decepciona quando desse algo esperamos bons resultados. Da bomba não necessariamente esperamos nada. E esse ano tivemos algumas decepções que não chegam a ferir os ouvidos: Machine Head perde o pé no confuso Catharsis, Doro entrega um disco duplo bem sem graça, Magnum e Kamelot enfim erram o alvo após anos e anos de bons serviços prestados.  Ah, e Steve Perry faz de seu improvável retorno uma viagem adocicadamente sonolenta. Mas se as decepções não mataram ninguém, não posso falar o mesmo da bomba inconteste de 2018: uma josta triplamente qualificada, um horror Lovecraftiano vomitado das profundezas do mau-gosto chamado The Three Tremors! Roubando a ideia original abandonada nos anos 2000, de unir três grandes vocalistas de Metal (Dio+Halford+Bruce Dickinson), alguém teve a infeliz sacada de fazer uma versão disso, só que comprada no Ali Express: os insuportáveis cacarejadores Sean Peck (Cage, Denner/Shermann) e Tim Owens (Judas Priest e outros 789 projetos de onde é sempre demitido) se juntam ao subestimado Harry Conklin (Jag Panzer) num disco absolutamente impossível de ser ouvido por mais de torturantes dois minutos. Sinceramente, nem latido de poodle soa tão irritante e intragável.

Três decepções e uma aberração
Os 20 Melhores:














20. Saxon – Thunderbolt
A primeira metade dos curtos quarenta minutos de Thunderbolt é tão arrasadora que chega a empalidecer (injustamente) o restante do disco. Mais um ótimo trabalho de uma das bandas mais prolíficas e equilibradas de sua geração.














19. Behemoth – I Loved You At Your Darkest
O sucessor do brilhante The Satanist é de uma fúria e perfeição absurdos. Mais direto e menos inventivo, ILAYD definitivamente não é tão genial quanto seu irmão, mas ainda assim está facilmente entre os melhores discos dos poloneses.
















18. Halestorm – Vicious
O Halestorm estava nos devendo um Cd à altura de seus poderosos shows. Estava. Vicious enfim mostra ao mundo um som encorpado e com produção que faz justiça a natureza rocker e rebelde do quarteto. E Lzzy, essa coloca novamente suas garras de fora e vai galgando espaço aos poucos no panteão das grandes mulheres da história do Rock. Um baita disco.















17. We Sell The Dead – Heaven Doesn't Want You And Hell Is Full
E de onde eu menos esperava saiu um disco simples, único e viciante. Um disco conceitual unindo figuras tão díspares Niclas Engelin (guitarrista do In Flames, Engel e Passenger), Apollo Papathanasio (voz, ex-Firewind, atual Spiritual Beggars), Jonas Slättung (baixo e voz, Drömriket) e Gas Lipstick (bateria, ex-HIM). Difícil dizer se há conteúdo para se levar o We Sell The Dead para além desse álbum de estreia, mas se ficar só nele, a junção dos suecos já terá valido à pena.















16. King Witch - Under The Mountain
Imensamente suja e intensa em seus parcos 43 minutos, Under The Mountain é uma estreia para lá de invejável e promissora desse barulhento quarteto escocês. Recomendadíssimo para qualquer fã de Doom Metal que se preze!














15. Lucifer – Lucifer II
Lucifer II é um demônio completamente diferente daquele conjurado por Sadonis e sua trupe no primeiro trabalho. Menos pesado e solene, mais melodioso e versátil. A única linha que une por completo os dois discos é a da qualidade, que se mantém para lá de alta. Outro excelente trabalho de uma das melhores bandas da atualidade.















14. Powerwolf – The Sacrament Of Sin.
O Power Metal, geralmente um pária aos ouvidos deste escriba aqui, acabou por ganhar um representante na minha lista de melhores discos de 2018. Sacrament Of Sin é o renascimento dos lobisomens teutônicos e provável postulante a melhor trabalho de suas carreiras. Um disco deliciosamente brega e divertido.















13. Rolo Tomassi – Time Will Die And Love Will Bury It
Se você anda a procura de uma banda única, encontrou. Aqui a parada é densa e para lá de complexa, exigindo bastante do ouvinte. Pode não parecer um prato para todos, e realmente não é. Mas para quem curte, ainda que vez ou outras, sons desafiadores, e estiver disposto a embarcar na viagem dos irmãos Spencer, eis um trabalho cuja audição pode se tornar imensamente gratificante.















12. Corrosion Of Conformity – No Cross No Crown
Parece que o longo hiato só fez bem ao casamento Pepper Keenan/COC. No Cross No Crown é um disco que beira a perfeição e que deixará os fãs de Stoner/Southern com lágrimas nos olhos. Figura certa nas listas de melhores do ano, a audição desse novo disco não é somente recomendada, é uma obrigação.














11. Wytch Hazel – II: Sojourn
O segundo Full-length dos britânicos do Wytch Hazel é um deleite aos ouvidos mais afeitos à sonoridade de eras passadas: guitarras dobradas com a cara do Thin Lizzy, melodias simples e grudentas com aquela cadência algo folk de um Jethro Tull e uma cozinha impressionante. Tudo na bolachinha cheira à anos 1970, e se a abertura com Devil Is Here não for o suficiente para te convencer que os caras falam à sério, tente sobreviver ao ataque seguinte, com Save My Life. Impossível, não? Que bom que não são exceções à regra num disco surpreendente e matador.















10. Uriah Heep – Living The Dream
Living The Dream é uma grata surpresa, um disco repleto de criatividade e vigor vindo de uma banda com tantas décadas de estrada nas costas. Talvez seja o sangue novo trazido já a alguns discos por Gillbrook e Rimmer, talvez seja o dedo do produtor. Seja lá o que for, esse ingrediente secreto faz desse Living The Dream um dos melhores discos da história Heepiana pós fase clássica. Excelente!














09. Fifth Angel – The Third Secret
Os estadunidenses acertaram em cheio nesse disco de retorno, atualizando seu Hard & Heavy tipicamente oitentista para a era atual, com uma produção moderna e com punch suficiente para derrubar um mamute. Sinceramente, não me lembro de um comeback tão impactante desde o já clássico Blood Of The Nations do Accept.















08. Earthless – Black Heaven
Black Heaven é o melhor disco de Retro-Rock que escuto desde o fenomenal Hisingen Blues, do Graveyard. E esse não é um elogio tolo. Uma adição obrigatória à coleção e qualquer fã de rock setentista que se preze.














07. Khemmis – Desolation
O terceiro disco em três anos do Khemmis (algo incomum para os dias atuais) é excepcional, como fora seu antecessor. Se em Hunted eles encontraram seu som, aqui eles consolidam o mesmo com muita personalidade, galgando terreno para fora do underground e se tornando também uma de minhas bandas favoritas da atualidade. Fenomenal.


A PARTIR DE AGORA, CONSIDERO TODOS OS DISCOS EMPATADOS 




Satan – Cruel Magic
Quantas bandas conseguem depois de um hiato tão longo replicar a magia de seus primórdios em uma trinca de discos tão forte? Um fenômeno raro, mas aqui o Satan ainda foi mais longe, buscando toques de progressivo e de timbres setentistas para produzir algo ainda mais raro: um disco único. Nada soa como esse Cruel Magic.


Primordial – Exile Amongst The Ruins
A crise de meia idade fez um imenso bem aos Irlandeses. Diante da necessidade de se reinventar, o Primordial conseguiu criar uma obra densa e difícil de ser rotulada. Um trabalho daqueles que acabam por proporcionar uma atmosfera absolutamente imersiva, um louvável e incomum resultado. Um dos melhores discos de 2018 e forte concorrente a disco de cabeceira deste escriba aqui.


Ghost – Prequelle
Pouco após o lançamento do medíocre Infestissumam, cravei que seja lá qual magia o Ghost tivesse, ela havia sido efêmera, concentrada apenas no espetacular álbum de estreia e se esvaído rapidamente a partir dali. Como de costume, uma previsão estúpida. Prequelle é ainda mais espetacular que Opus Eponymous, justamente por conseguir reinventar a banda em um cenário quase Pop Rock, sem abandonar os elementos de Heavy Metal, Progressivo e Classic Rock explorados até então. Um álbum perfeito, daqueles raros, sobre o qual falaremos daqui a 20 anos, com melodias tão simples e grudentas que ficamos estarrecidos por ainda não terem sido inventadas antes.



Orange Goblin - The Wolf Bites Back
Bom, se os ingleses queriam realmente provar ao mundo seu valor com seu 9º disco, conseguiram. The Wolf Bites Back é ao mesmo tempo o disco mais visceral, versátil e inspirado da carreira dos caras. Um petardo de um Heavy Metal feio, ogroide e delicioso que veio direto para o topo de minha lista de melhores de 2018.



Amorphis – Queen Of Time
Uma das bandas mais originais de sua geração, o Amorphis finalmente encontrou um novo sopro de vida nos últimos dois discos. Queen Of Time é realmente bombástico e ambicioso, como seus membros haviam prometido. Mas está muito longe e sucumbir ao exagero e pompa de alguns artistas que resolvem incorporar elementos alienígenas em profusão ao seu som. Pesado, solene e sofisticado, Queen Of Time não é só um dos melhores discos de 2018. Aos poucos está também se tornando um forte postulante a um dos meus discos favoritos em todos os tempos.


Judas Priest – Firepower
O Heavy Metal em sua vertente mais tradicional parecia esquecido no tempo, as velhas bandas do estilo vivendo de raros lampejos (com exceções...ok, Accept e Saxon?), e as novas se limitando a copiar de forma pálida e diluída o que já fora feito melhor no passado. Aí vem um dos titãs do estilo e lança, aos mais de 40 anos de estrada, uma obra que não só se contenta em não fazer feio frente ao passado, como também é capaz de rivalizar com os melhores momentos de sua vitoriosa carreira. Firepower não é só o melhor disco do Judas Priest em décadas. É também o melhor disco de Metal Tradicional que escutei nos últimos cinco anos (talvez mais). Se esse realmente for o canto de cisne de uma das maiores bandas em todos os tempos, será uma saída triunfal de cena. Forte candidato a futuro clássico.



quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Orange Goblin - The Wolf Bites Back (Cd-2018)

Orange Goblin - The Wolf Bites Back (Cd-2018)
O Lobo e o Ogro
Por Trevas

O nono disco de estúdio dos britânicos do Orange Goblin nasceu de uma derrota dolorida. A excelente receptividade dos últimos discos da banda fez com que o quarteto resolvesse finalmente apostar todas as fichas em tornar o Goblin sua empresa e único trabalho. Back From The Abyss, primeiro rebento dessa era de profissionalização se mostrou um sucesso de público e crítica. O Orange Goblin passou a ser figura fácil em festivais e abertura de shows de gigantes do Metal. Mas o sucesso de exposição não gerou os frutos financeiros esperados. O quarteto, resignado, retornou a seus “empregos normais”. Mas, longe de choramingar pelos cantos, Ben Ward e sua trupe decidiram apenas canalizar toda sua frustração para fabricar o disco mais forte de sua carreira. A intenção admitida: replicar em estúdio a força da banda nos palcos, cada música composta deveria ser capaz de sobreviver no ambiente de um show. Um desafio honesto, mas teria o Orange Goblin sucesso na empreitada? Veremos.

Esquadrão Ogrão em Ação
Sons Of Salem é o apocalipse musicado, crua e direta, visceral e grudenta. Feita para o palco, nascida para moer pescoços.


A faixa título segue, mostrando a versatilidade que a banda intencionalmente quis introduzir ao disco (e já visível em Back From The Abyss), e é forte candidata a garantir lugar cativo nos sets de turnês vindouras. E ela conta ainda com o inestimável trabalho de Phil Campbell, do Motörhead, em seu solo.


A escolha de Jaime Gomez Arellana (responsável pelas últimas belezuras do Paradise Lost, o que seria o suficiente para garantir uma bela indicação) se mostrou para lá de acertada. As guitarras de Joe Hoare soam cortantes como nunca, podemos sentir a cozinha gordurosa de Chris Turner (bateria) e Martyn Millard pulsar no peito, tamanha a pressão. E o “limitado” gigante Ben Ward, esse cospe cada palavra como se a tivesse mastigado junto com um punhado de caco de vidro. E essa fúria atinge um primeiro ápice em Renegade, uma bela ode ao falecido Lemmy.


Eu falei em versatilidade? Pois então, Swords Of Fire transita entre o Sludge e o Doom de uma maneira que um ouvinte desavisado poderia confundir como sendo ali o Mastodon, se esse tivesse caído num poço de piche. Ah, mas logo depois somos confrontados com um delicioso Classic Rock venenoso e cheio de feeling chamado Ghosts Of The Primitives. Aí os ingleses nos jogam um interlúdio instrumental (In Bocca Al Lupo) que bem poderia estar nos primeiros trabalhos do Black Sabbath, só para depois dar um pescotapa digno de Bud Spencer chamado Suicide Division, uma das faixas mais brutais de sua discografia.



Ufa, a coisa acalma um bocado com The Stranger, um Blues Rock de alma setentista com belos solos do subestimado Hoare. Burn The Ships é talvez a mais “genérica” do pacote, mas ainda assim boa o suficiente para manter o interesse do ouvinte, que volta a se deliciar com a espetacular Zeitgeist, que traz empolgantes duelos entre Phil Campbell e Hoare.


Veredito da Cripta

Bom, se os ingleses queriam realmente provar ao mundo seu valor com seu 9º disco, conseguiram. The Wolf Bites Back é ao mesmo tempo o disco mais visceral, versátil e inspirado da carreira dos caras. Um petardo de um Heavy Metal feio, ogroide e delicioso que vai direto para o topo de minha lista de melhores de 2018.


NOTA: 10


Visite o The Metal Club
Gravadora: Candlelight Records (importado)
Prós: dez belas faixas de um metal direto e visceral, mas que ainda assim consegue incorporar elementos diferentes
Contras: é ogro e feio, pode desagradar ouvidos mais sofisticados
Classifique como: Heavy Metal, Stoner Metal
Para Fãs de: Monster Magnet, Clutch, Motörhead