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domingo, 8 de novembro de 2020

Kamelot - I Am The Empire: Live From The O13 (Box Set: Blu-ray + DVD + 2Cds – 2020)


 

Recheado e Caprichado

Por Trevas

Quase 14 anos após o lançamento do apoteótico One Cold Winter’s Night, um dos home vídeos mais bacanas já lançados, o combo multinacional de Power Metal Kamelot volta ao formato com um show especial, gravado em Tilburg, na Holanda, em 2018. A versão aqui analisada é a do Box Set, contendo Blu-ray, Cds e DVD, mas como habitual, existem diversos outros formatos (com lançamento nacional, inclusive).

Apresentação

O Box Set segue o formato tradicional para lançamentos do gênero: um Digipack enclausurado em Slipcase. Cada banda do Digipack com miolos de plástico sobrepostos para encaixe dos disquinhos. O encarte é bonito, mas tudo segue um padrão repetido inúmeras vezes. Os Menus são bonitos, mas tive alguma dificuldade de navegação pelo joystick do PS4. Uma apresentação bacana, mas não há nada diferente aqui.

Feuer Frei! 

Áudio e Vídeo

Quem já assistiu a banda ao vivo sabe do esmero técnico que envolve suas apresentações. Em se tratando de um show especialmente feito para a gravação de seu novo ao vivo, era de se esperar algo ainda mais grandioso. E é isso que encontramos aqui: uma qualidade absurda de vídeo, com inúmeras câmeras, nenhuma imagem granulada que seja, edição perfeita e momentos visuais de cair o queixo. A produção do show ainda garante um palco belo, pirotecnias bem colocadas e um ou outro arroubo de teatralidade (embora em menor grau que em One Cold Winter’s Night).



O áudio é ótimo, e os Cds merecem sim a aquisição, mas confesso que na primeira audição demorei a entrar no clima da mixagem. Embora hoje nem saiba mais explicar o porquê.

Performances e Repertório

O show do Kamelot é absurdamente redondo, e tecnicamente absurdo. Alex Landenburg, o mais novo membro, é um baterista para lá de competente para o estilo. Oliver Palotai toma tanto os holofotes com seus teclados quanto o eficiente patrão Thomas Youngblood. Sean Tibbets brinca bastante no palco, ainda que suas linhas de baixo raramente apareçam tanto. E Tommy Karevik é o clone perfeito de Roy Khan. A semelhança nos timbres chega a assustar. Mas, apesar de tecnicamente ser possivelmente até melhor que seu antecessor, sinto a falta de um pouco mais de feeling em suas interpretações. Da mesma maneira, apesar de, como Roy, não ter pinta de cantor de Metal, ele segura bem como frontman, mas fica um pouco a sensação de algo meio robotizado em sua performance.



E, por falar em robôs, vamos entrar num ponto sensível aqui; é impressionante o quanto temos material pré-gravado no show do Kamelot. Das compreensíveis partes orquestradas até quase todos os backing vocals, essas camadas extras deixam tudo com cara de que estamos ouvindo o próprio CD ao vivo. Das bandas que conheço, somente o Nightwish exagera mais do que eles nas backing tracks. O quanto esse uso é interessante ou beira a trapaça, deixo para cada um analisar.



Temos também um punhado de participações especiais nesse show: Lauren Hart (Once Human); Alissa White-Gluz (Arch Enemy); Elize Ryd (Amaranthe); Charlotte Wessels (Delain), Sascha Paeth (ex-Heavens Gate, Avantasia) e o quarteto feminino de cordas Eklipse. Todos os convidados têm seu espaço e fazem bonito, engrandecendo o show, como esperado.

Sobre o repertório, aqui jaz o suposto único ponto fraco do pacote. A intenção, exposta nas entrevistas bônus, era a de focar no material posterior ao último Home Vídeo. Com ao menos uma música dos cinco trabalhos de estúdio lançados a partir de então. Uma ideia válida, mas que demonstra o quanto a banda decaiu criativamente com o passar do tempo. Não que os discos com Karevik não tenham lá seus bons momentos, em especial as músicas de Haven (de longe o melhor dos discos atuais), mas até esses números empalidecem quando confrontados com os poucos clássicos espalhados pelo set (March Of Mephisto, When The Lights Are Down e Forever). Na verdade, apanham até dos momentos de discos menores da era Khan, como Rule The World e The Great Pandemonium. Mas a plateia presente não composta de fãs eventuais, e acaba por cantar de tudo, feliz e participativa.


Extras

O pacote é caprichado aqui: temos um extenso documentário (cerca de 30 minutos) sobre o show, com muito espaço para os fãs e convidados especiais. Tudo muito bem feito e interessante. Outro item é um apanhado de imagens de bastidores da turnê norte americana, com cerca de 15 minutos. Menos interessante, é daqueles que você dificilmente assistirá mais de uma vez. Para fechar, temos todos os videoclipes da fase Karevik (10 no total), todos contando com produção de ponta.

Veredito Final

Completo e feito com imenso esmero, I Am The Empire é um pacote que há de ganhar alta rodagem nos aparelhos dos fãs da fase atual do Kamelot. Poderia reclamar da falta de material antigo, mas como essa é exatamente a proposta desse ao vivo, seria julgar o trabalho justamente pelo que ele não intenciona ser. Um Home Vídeo tecnicamente perfeito. (NOTA: 10).

 

Gravadora: Napalm Records (importado)

Prós: um pacote recheado e tecnicamente absurdo

Contras: repertório baseado na fase atual, backing tracks em profusão

Classifique como: Heavy Metal, Power Metal

Para Fãs de: Angra, Conception


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

King Diamond – Songs For The Dead Live (Box Set – 2019)




Capirotagem Em Alta definição
Por Trevas

Chega a ser difícil acreditar que um artista tão reconhecido pelo apelo visual de suas apresentações ao vivo nunca tenha lançado um Home Video em sua extensa carreira. Pois é, mas esse é caso do dinamarquês King Diamond, que pretende tirar o atraso com esse Songs For The Dead, que nos traz duas apresentações completas, uma em ambiente fechado e outra num festival, focadas em sua para lá de bem-sucedida turnê de retorno após um infarto que quase lhe levou mais cedo para o colo do capeta.

O Box e suas guloseimas 
Apresentação

Songs For The Dead vem em uma penca de formatos: DVD duplo + Cd; Blu Ray e um opulento Box Set. E é justamente o Box Set que analisaremos aqui na Cripta. O mesmo compreende a soma das edições em DVD duplo (mesmo conteúdo do BD) + CD, Blu-Ray e um CD bônus (com o áudio do show do Graspop). Isso tudo em um pacote cheio de delícias para colecionadores. São elas: uma réplica do Set List do Graspop assinado (uma pena que o “autógrafo” é impresso); uma réplica do cartaz do show; um pôster da turnê; dois stage passes e uma palheta. Tudo embalado numa caixa de papelão que emula um case de instrumento musical. Um pacote belo e caprichado, que pode ser visto em detalhes no Unboxing que fiz no vídeo abaixo.



Áudio e Vídeo

Todo o cuidado com a apresentação de nada serviria se não fosse acompanhado de igual esmero nas imagens e no som. Para nossa sorte, os shows foram captados em altíssima definição, com tomadas e edição criativas que só engrandecem a por si só já impressionante produção de palco. E as performances individuais da agitada banda também não escapam do olho mecânico sagaz. E isso sem deixar de lado as imagens da galera ensandecida, sempre instigada pela presença de palco hipnótica do carismático Rei Diamante. O Som? Tão impressionante quanto esperaria o mais otimista dos fãs. E a qualidade sonora também está excelente nos Cds, o que é ainda mais raro.


Os Shows – Performances e Set List

Olha, realmente fica difícil acreditar que o Rei esteja com 60 anos nesses shows. Já tive a oportunidade de ver o Dinamarquês ao vivo duas décadas atrás e a performance dele naquela noite não se equipara ao que vemos nos dois shows aqui presentes, a perfeição é tamanha que logo apostaria em toneladas de overdubs. Mas basta buscar outros shows gravados não oficialmente dessa turnê para entender que, seja lá o que a experiência de quase morte trouxe na cachola do maluco, essa epifania fez um bem danado para sua performance. Contando apenas com a ajuda da esposa e cantora Livia Zita, ele destrói, e nenhuma música fica aquém de sua contraparte de estúdio.


E não é só o patrão que está na ponta dos cascos, não. Andy La Rocque e Mike Wead formam uma dupla de guitarras forjada nas profundezas do inferno. E a cozinha composta por Pontus Egberg e Matt Thompson (que rolo compressor é esse cara!) parece tocar por telepatia. Sem tempo para respirar, as músicas se seguem e os caras agitam bastante, como se conhecessem cada uma das notas desde 789 encarnações passadas.


O repertório se repete nas duas apresentações, com uma ou outra mudança de ordem. A primeira parte do show traz um apanhado da carreira do tio Diamante, com dois números do Mercyful Fate, a segunda metade centrada na execução integral de seu disco mais famoso: Abigail. Apesar das reclamações dos fãs mais ardorosos, que gostariam de ver todos os discos representados, é indiscutível que o resultado final funcionou monstruosamente bem! E apesar dos repertórios gêmeos, a ambiência diferente dos dois shows justificam a dobradinha. Apesar do público maior no Graspop, a atmosfera fica ainda mais legal no mais intimista Phillmore. Se há realmente algo que poderia causar alguma reclamação mais justa, é a ausência de making off, entrevistas ou qualquer outro extra.



Veredito da Cripta

Alta definição de imagens, grandes performances e uma sonoridade bem cuidada podem produzir grandes Home Videos. Mas existe um outro elemento, difícil de explicar, que eleva alguns desses registros de shows a um patamar ainda mais alto. Seria a atmosfera? Ou a interação entre público e banda? Ou uma noite particularmente inspirada dos músicos? Tudo isso junto? Não sei. Mas sei que esse Songs For The Dead tem exatamente esse algo mais, um bem-vindo elemento sobrenatural que faz desse ao vivo um clássico em potencial. Coloque para rodar com o volume no talo e perdoe King Diamond por ter demorado tanto tempo para nos entregar essa pérola! Obrigatório!


NOTA: 10


Gravadora: Metal Blade Records (importado)
Prós: produção visual impecável, som de primeira e grande performances
Contras: ausência de extras
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Mercyful Fate



terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Moonspell – Lisboa Under The Spell (Box-Set – 2018)




Lisboa Em Chamas!
Por Trevas

A maior banda de rock pesado da história de Portugal, a despeito de uma carreira para lá de produtiva e do reconhecimento internacional, é bastante econômica em seus lançamentos em vídeo. Afora o ótimo Lusitanian Metal e um ou outro DVD bônus encartado nas edições especiais de seus álbuns, os grandes shows dos Moonspell só podiam até então ser conferidos na íntegra em Bootlegs ou filmagens toscas no YouTube. Talvez por ter se apercebido já ter passado a hora de um Home Video caprichado, o quinteto preparou uma noite ambiciosa em fevereiro de 2017, no Campo Belo, casa com grande capacidade. O plano? Registrar com produção para lá de caprichada uma noite especial, onde três de seus trabalhos mais icônicos seriam tocados na íntegra. O pacote, sintomaticamente nomeado Lisboa Under The Spell, foi lançado em vários formatos. O formato analisado aqui é o do Box-Set, prontamente adquirido por este que vos escreve, sabidamente um grande fã dos caras. 

Fanâ e um dos brinquedinhos da produção caprichada do show
Apresentação

O Box é caprichado, contendo um Blu-Ray, um DVD (mesmo conteúdo do BD) e os três Cds, cada qual para um dos atos do show. Tudo encartado (e encaixado em miolos de acrílico) em belo mediabook encapsulado por uma capa em cartão. A arte do pacote é bela e o design interno, informativo e contando com fotos excelentes da noite do show.

O Box Set 
Documentário:

O documentário é a perfeita contraparte para a excelente biografia Lobos Que Foram Homens (ler resenha aqui), repleta de filmagens para lá de pitorescas. Aqui acompanhamos os lusos em cenas que retratam desde tarefas prontamente identificáveis e mundanas como preparar o café para a esposa e as crianças, praticar atividades físicas, rever risonhamente imagens do passado com os colegas tomando uma birita e fumando umas ervas, até tarefas nada comuns aos reles mortais, como guiar uma banda internacionalmente reconhecida em suas peripécias criativas/administrativas. Os preparativos para a grande noite também aparecem aqui, sempre em takes despojados. Com legendas em inglês para os não lusófonos, é um apanhado para lá de agradável que nos faz sentir parte dessa simpática e batalhadora alcateia. A edição já é emendada com os shows, o que garante uma maratona para lá de bem-vinda aos fãs dispostos a reservar 3 horas de seu tempo junto à maior banda Portuguesa da história.


O documentário espia os homens por debaixo desses lobos aí

Os Shows

Arena abarrotada de fãs dispostos a cantar cada nota junto à banda, produção de palco de altíssima qualidade e ótima captação de imagens em alta resolução, com takes e edição bem pensados, que conseguem alternar performances, plateia e os detalhes da produção esmerada sem que tudo pareça um grande videoclipe. Tudo isso se perderia caso os Moonspell não fossem uma máquina funcional em cima dos palcos. Mas eles hoje são sua melhor versão ao vivo, uma alcateia que, mesmo sem contar com os mais virtuosos dos músicos, atende a um padrão alto de qualidade de espetáculo e musicalidade.



O repertório é dividido em três atos, cada um replicando um disco da carreira dos lusos na íntegra. O primeiro ato com Wolfheart, o segundo com Irreligious e o terceiro com o então disco novo, Extinct. A escolha tem uma explicação simples: Wolfheart e Irreligious, a despeito do impacto que causaram à cena europeia em seus lançamentos, vieram em uma época de consolidação da banda, e as suas turnês tinham um Moonspell majoritariamente servindo de opening act para outras bandas, tendo então a restrição habitual de tempo de palco. Logo, o material clássico desses trabalhos, afora as mais manjadas, raramente viu a luz do dia nas turnês posteriores. E é para lá de bacana ver o quanto esses discos, em especial Irreligious, sobreviveram ao teste do tempo, soando ainda melhores interpretados ao vivo por uma banda mais madura e proficiente. A plateia participativa, os coros reais e a presença de Mariangela DeMurtas (Tristania, esposa do guitarrista Ricardo Amorim) em Raven Claws ainda ajudam a tornar as versões aqui mostradas melhores que suas contrapartes de estúdio.


O terceiro ato, com o bem mais moderno e complexo Extinct encerra um ciclo que demonstra que, a despeito da evolução musical da banda, que experimentou muito em cada disco nesse interim, há uma lógica estética clara. Jamais poderiam acusar não ser a banda que fez Wolfheart capaz de anos depois entregar o belo Extinct, interpretado com emocionante excelência. Talvez o único senão resida no fato que o som do Blu-Ray e sua mixagem não acompanhem o visual Blockbuster da noite. Não, o som não é ruim, apenas mais cru do que se imaginaria. Tal pormenor estético fica ainda mais claro no áudio dos Cds. O lado bom é que efetivamente a experiência fica mais próxima de um show real, nada parece sonoramente superproduzido ou artificial.


Veredito da Cripta  

Lisboa Under The Spell veio ao mundo para suprir a falta de registros ao vivo oficiais do Moonspell.  Trazendo três horas de um ótimo e completo material, acompanhado de um grande esmero na apresentação, temos aqui um pacote dos sonhos para os fãs de uma das bandas mais idiossincráticas da história.


NOTA: 10


Gravadora: Napalm Records (importado)
Prós: produção visual impecável, três horas de um material de primeira
Contras: áudio algo cru, contrastando com a superprodução da noite
Classifique como: Gothic Metal
Para Fãs de: Paradise Lost, Type O Negative, Tiamat




sábado, 16 de fevereiro de 2019

Powerwolf – The Sacrament Of Sin (+ Communio Lupatum - Deluxe Edition – 2018)




Lobisomens Redivivos
Por Trevas

Caro Criptomaníano, a alemã Powerwolf, surgida nos idos de 2003, é a típica banda fácil de se odiar. Corpse Paint, vocalista advindo da música erudita, um Power Metal bombástico, nomes artísticos bisonhos e muito, muito excesso visual, com direito a roupinhas elaboradas pirotecnias e até mesmo o abjeto artifício do uso de Corpse Paint. Mas um ingrediente nessa mistura faz com que toda essa gororoba possa ser digerida sem problemas: os caras estão munidos de um tremendo senso de humor! Quando esse escuta uma pérola como Resurrection By Erection, não dá para bancar o banger sisudo e os exageros passam a fazer parte do charme.

Não, você não consegue ser mais ridículo que essa foto...desista
E parece que ao menos na Europa o pessoal comprou a piada, a banda disco a disco passou de mera curiosidade engraçadinha a postulante a headliner em festivais de verão. O show bombástico e visualmente bem pensado obviamente ajuda, mas o prato principal são os refrães bombásticos, que misturam elementos de música sacra com Power Metal, ornamentados por letras divertidamente profanas e blasfemas.

Edição deluxe, com Communio Luporum
Só que a piada aos poucos parecia perder força, os últimos dois discos (Blessed & Possessed e Preachers Of the Night) soando como versões diluídas do que havia dado muito certo até Bible Of The Beast. O quinteto resolveu então apelar para o mago da moda, o produtor sueco Jens Bögren, para ver se recuperava a mão para a divertida blasfêmia de outrora. E deu sim muito certo. O coro sacro dá as caras nos primeiros segundos da bombástica Fire & Forgive, e todos os clichês são escancarados e desconstruídos com maestria em pouco mais de 4 minutos.


A primeira música de trabalho, Demons Are A Girl’s Best Friend mostra aquele apreço por melodias grudentas e letras lascivas que podem soar irritantes ou irresistíveis dependendo da rabugice dos ouvidos receptores. Os vocais roufenhos de Attila Dorn são aquela coisa entre o roufenho de um Chris Boltendahl (Grave Digger) e Joakin Brodén (Sabaton) com algo mais técnico e talvez sirvam para minimizar a atmosfera exagerada. Fosse um típico vocalista eunuco de Power Metal aqui e eu não aguentaria um minuto.



Killers With The Cross exemplifica de maneira explícita minha fala quando me pedem para definir o som do Powerwolf: é o Sabaton com música sacra e ocultismo nos temas. Sim, Killers poderia estar em um bom disco dos suecos se falasse sobre guerras. A faixa é o paraíso para o fã de Power Metal, e é seguida pela bacaninha Incense & Iron. Mas talvez o ápice do disco seja mesmo a dobradinha formada pela belíssima Power Ballad com cara de Scorpions-mordida-por-um-lobisomem chamada Where The Wild Wolves Have Gone e pela excelente experiência em alemão Strossgebet, que faria o fã de Rammstein passar a frequentar a igreja profana dos caras. 


Daí para frente o disco continua extremamente divertido, emoldurado pela produção grandiosa mas para lá de bem calculada e cheia de punch de Bögren, ainda que definitivamente nenhuma das faixas restantes alcance o poder de fogo da primeira metade da bolachinha, talvez excetuando Venom Of Venus.



Veredito da Cripta

O Power Metal, geralmente um pária aos ouvidos deste escriba aqui, certamente ganhará um representante na minha vindoura lista de melhores discos de 2018. Sacrament Of Sin é o renascimento dos lobisomens teutônicos e provável postulante a melhor trabalho de suas carreiras. Um disco deliciosamente brega e divertido.

NOTA: 9,12


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Communio Lupatum

A edição deluxe é um caprichado box com dois belíssimos mediabooks. O primeiro é o Sacrament Of Sin propriamente dito. O segundo é o surpreendente Communio Lupatum, improvável disco que traz dez faixas do Powerwolf interpretadas por gente tão diversa quanto Mille Petrozza, Battle Beast, Heaven Shall Burn, Eluveitie e Epica. Os resultados são para lá de divertidos, justamente por que os artistas não são em sua maioria bandas típicas de Power Metal, mas conseguiram traduzir o estilo único do Powerwolf para seus próprios mundos. Um dos bônus mais legais e diferentes que já vi e que só mostra o quanto as músicas dos alemães são bacanas mesmo afastadas do exagero audiovisual que os cercam. 

Communio Lupatum e sua bela capa

Gravadora: Nuclear Blast (importado)
Prós: produção impecável, ótimas músicas
Contras: pode soar muito brega dependendo do ouvinte  
Classifique como: Power Metal
Para Fãs de: Sabaton


domingo, 27 de janeiro de 2019

Amon Amarth – The Pursuit Of Vikings – 25 Years In The Eye Of The Storm (Blu-Ray + Cd – 2018)



Bodas De Prata Viking!
Por Trevas

O Amon Amarth completou 25 anos de carreira, comemorados em 2017. The Pursuit Of Vikings lançado em diversos formatos, traz um documentário que conta a história dessa jornada, tendo como bônus as duas apresentações comemorativas (em algumas edições, só o show principal dá as caras) que a banda fez no Summer Breeze daquele ano. A nossa edição é um Digipack contendo um Blu-Ray e um Cd, então vamos às impressões.

Versão analisada pela Cripta
Documentário:

A estrela principal do pacote, o documentário 25 Years In The Eye Of The Storm tem 100 minutos de material que alterna entre entrevistas, imagens de shows e de arquivo. E mostra a longa jornada que o quinteto de Tumba (que ótimo nome para uma cidade de origem para uma banda de Death, hein?), lugarejo nos subúrbios de Estocolmo, percorreu até ter um disco como número 1 nas paradas da Alemanha, isso tocando Death metal e cantando sobre Vikings. As entrevistas focam a formação atual, mas como boa parte já está na estrada desde a década de 1990, não há grandes problemas. É legal imaginar que os caras que vemos agitando nos palcos dos festivais hoje já sofreram os mesmos revezes que qualquer banda que se tenha notícia: a ingrata divisão de tempo e dinheiro entre vida social, empregos normais e banda; a insegurança de que estariam fazendo a coisa certa que fez com que a banda quase acabasse, a falta de profissionalismo dos primórdios, quando a banda criou uma péssima reputação por subir extremamente bêbada nos shows. É difícil imaginar o hirsuto Johann Hegg entregando sorvete para crianças em um caminhão enquanto os outros meninos trabalhavam pesado como pedreiros em Estocolmo, todos se reunindo no fantasioso mundo dos estúdios após o horário comercial. Mais insólito ainda é descobrir que a escolha da temática viking, que os ajudou a mostrar um diferencial em relação a outras bandas para o resto do mundo, gerava imenso preconceito na Suécia natal. Sim, pois por lá a cultura viking é muito utilizada por grupos racistas da extrema direita. Precisou de tempo e do sucesso internacional para que o país entendesse que os rapazes definitivamente não abraçavam essa vertente política, se concentrando apenas no interesse pela mitologia e história daquele período.


Brian Slagel, Peter Tatgren e Andy Sneap aparecem ao longo do documentário, e muito é falado de quanto o falecido Michael Trengert, executivo da Metal Blade, colocou a banda debaixo dos braços, desenvolvendo conceitualmente o show que hoje conhecemos. A edição é bacana e a honestidade dos envolvidos é visível, mas a longa duração, a falta de histórias mais polêmicas e ausência de legendas (o inglês dos suecos nem sempre é fácil para ouvidos não treinados) podem tornar o filme desinteressante aos olhos do fã casual. Mas aos viciados por biografias, temos um ótimo e bem documentado apanhado da história de uma das bandas mais legais da atualidade.



Live At Summer Breeze: The Movie

O show dos suecos continua o mesmo em sua essência: furioso, com uma música quase emendando na outra e alto nível de proficiência técnica (com exceção feita ao inexplicável e já infame solo torto em Twilight Of The Thunder God). A diferença para outros tempos reside na produção: hoje a banda tem cacife para bancar pantomimas de encher os olhos do headbanger oitentista de lágrimas, como um praticado de bateria que é um elmo viking, um mjolnir explosivo, batalhas bem encenadas, um Loki de olhos fulgurantes e até mesmo a serpente marinha gigante da mitologia nórdica. O repertório é bem diverso (uma pena o show da noite anterior, mais Old School, só estar disponível no Box-set maior) e Johan Hegg capitaneia o quinteto com imenso carisma diante de uma plateia que parece incansável durante todo o set, rolando até mesmo o dueto legalzinho com a musa Doro. O som é cristalino e as múltiplas câmeras captam em alta definição e com edição de imagens bacana o clima festivo e a quase simbiose entre banda e público. Talvez o único senão seja a captação do som da tresloucada plateia durante as músicas, bem baixo na mixagem.




Live At Summer Breeze: The Album

O pacote aqui analisado vem com o show da segunda noite, o do palco principal, completo. O áudio é cristalino como o do Blu-ray, mas no Cd o som baixo da plateia incomoda ainda mais. Difícil entender como uma banda experiente como o Amon Amarth pode ter deixado passar batido um pequeno grande detalhe que separou o presente trabalho da perfeição. Ainda assim, as rendições das músicas apresentadas são todas bem legais, no mínimo rivalizando com suas originais de estúdio.




Veredito da Cripta

Um ótimo e extenso documentário adornado com um show em alta definição de uma das bandas mais legais da atualidade para se ver ao vivo. Há como reclamar? Um pacote que por alguns pequenos detalhes não alcança a perfeição. Altamente recomendado.


NOTA: 9,00


Gravadora: Metal Blade Records/ Sony Music (importado)
Prós: documentário e show detonam
Contras: faltou o show do palco menor, a plateia na mixagem e a opção de legendas
Classifique como: Death metal Melódico
Para Fãs de: At The Gates, Unleashed


domingo, 13 de janeiro de 2019

Primordial – Exile Amongst The Ruins (Deluxe Edition – 2018)


Primordial - Exile Amongst The Ruins
Exilados Na Escuridão

O período que antecedeu a gestação do nono trabalho de estúdio dos titãs irlandeses do Black/Folk Metal viu um quinteto desalentado. Uma verdadeira encruzilhada criativa, diante da qual os experientes músicos questionaram veementemente a relevância do Primordial nos dias de hoje. Relutantes em prosseguir, mas teimosos demais para decretar o fim das atividades, o quinteto seguiu pela primeira vez em sua longa carreira para o estúdio sem nem uma linha escrita. Em seu site oficial, a banda passou a definir seu som apenas como heavy metal, o que evidencia o espírito e necessidade de libertação que os envolveu. Se nada das sessões de gravação agradasse a todos os envolvidos, o fim estaria decretado. Como Exile ganhou a luz do dia, sabemos que a história teve um final feliz. 

Rob Half...ehr, Primordial, 2018

Digibook

A edição Deluxe, aqui analisada, consiste em um belíssimo Digibook com encarte em papel especial que valoriza em muito a bela arte gráfica de Costin Chioreanu. Em miolos situados nas contracapas, temos os dois discos. O primeiro, o trabalho em si, com oito músicas. No segundo disco, 6 músicas entre versões instrumentais, ensaios e duas inéditas. Um caprichado pacote que agradará em cheio aos fãs de carteirinha. Quem é marinheiro de primeira viagem, melhor se ater mesmo à edição padrão.
Digibook do Exile

O Exílio

Nail Their Tongues, a apocalíptica faixa de abertura já mostra um bocado do que encontraremos ao longo da bolachinha: um Heavy Metal difícil de ser rotulado, mas sempre épico, intenso e pesado. Praticamente nenhum sinal de Folk pode ser entreouvido, e os resquícios de Black Metal se fazem presentes em uma ou outra voz rasgada e na bateria em sua reta final.



To Hell Or The Hangman segue explicitando ainda mais a liberdade que a banda almejou no novo trabalho. Ao ouvinte desavisado, o sinistro conto de traição e assassinato bem poderia ser confundido com um novo (e inspiradíssimo) single do misterioso combo gótico britânico Fields Of The Nephilim. Sim, o vocalista Allan AverillNemtheanga” soa aqui como um improvável filho bastardo do Carl McCoy com o Martin Walkyier (Skyclad). Uma das melhores faixas de um inspirado 2018.



Where Lies The Gods traz consigo os elementos folk, mas com um ar oriental, e sua letra inicia um tema frequente no disco, o das civilizações e feitos apagados e soterrados pelas areias do tempo. O tema é explorado ainda mais vividamente na faixa título, carregada de emoção. Ambas apoteóticas.




Nemtheanga e suas linhas melódicas fortes, voz carregada de emoção e ótimas letras pode até reinar absoluto ao longo do disco, mas a banda está longe, muito longe de ser formada por um amontoado de pernas-de pau. Os guitarristas Ciáran MacUiliam e Micheál Ó Floinn jogam para o time, num peso minimalista repleto de nuances e dinâmica. E a cozinha, essa é excelente, com as linhas inventivas de baixo de Pól MacAmhlaigh e a bateria variada e tribal de Simon Ó Laoghaire roubando a cena nas passagens instrumentais. A longa e matadora Upon Our Spiritual Deathbed, que migra de um som marcial para algo mais próximo ao heavy metal mais tradicional é um belo exemplo da versatilidade do quinteto, emoldurada pela produção sombria e acertadamente árida de Ola Ersfjord (Tribulation).




Stolen Years, a melancólica e calma faixa de trabalho, assustou alguns dos fãs da fase mais crua da banda, mas é bela e hipnótica e merece o posto de single do disco, ainda que sua aura, com algo de Katatonia, pouco represente o restante do material.




O disco se encerra com dois pesadíssimos épicos: Sunken Lungs com sua intrincada cozinha e novamente com aquele espírito de Fields Of The Nephilim sobressaindo; já Last Call é tão sombria e claustrofóbica que não ficaria nem um pouco deslocada em um disco do My Dying Bride.




Veredito da Cripta

A crise de meia idade fez um imenso bem aos Irlandeses. Diante da necessidade de se reinventar, o Primordial conseguiu criar uma obra densa e difícil de ser rotulada. Um trabalho daqueles que acabam por proporcionar uma atmosfera absolutamente imersiva, um louvável e incomum resultado. Um dos melhores discos de 2018 e forte concorrente a disco de cabeceira deste escriba aqui.


NOTA: 10


Visite o The Metal Club
Gravadora: Metal Blade Records (importado)
Prós: atmosfera densa, sombria e imersiva
Contras: pode parecer monótono aos mais imediatistas
Classifique como: Doom Metal, Black Metal
Para Fãs de: My Dying Bride, Enslaved, Fields Of The Nephilim