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domingo, 2 de fevereiro de 2020

Os Melhores de 2019 - Pela Cripta do Trevas!



Olá, Guardiões da Cripta!

Chega o fim de um ano e me pego tendo a mesma impressão de sempre, quantos bons lançamentos que tive em mãos! E quantos outros podem ter me escapado...

A facilidade de acesso que instrumentos como o streaming nos proporciona faz com que consigamos explorar cada recanto do “universo música”, se assim nosso dia a dia permitir.

E se considerarmos que ainda assim existem mundos pouco afeitos a expor sua arte nessas plataformas, chega a assustar quanta coisa boa pode estar perdida por aí...

Quem já lê a Cripta com frequência, provavelmente sabe que a maior parte do material nela resenhado é composta por aquisições em mídia física para a minha coleção pessoal. Como não sou rico, claro que isso limita bastante meu range. O Spotify tem me ajudado a ter acesso a materiais que não encontro e/ou não consigo comprar.

Como habitual, tentei escutar nesse janeiro eventuais “discos do ano” que me passaram desapercebidos. Uma tarefa dura, a cada lista de “melhores do ano” que exploro, ao menos dois ou três discos que nunca ouvi são citados. Na maioria das vezes, com mérito.

Então, encarem essa presente lista como um instrumento falho, incompleto, mas cheio de boas intenções. Uma lista de recomendações, já que o conceito de “melhor ou pior” me parece injusto. 

Por tabela, segue a minha playlist do spotify para 2019.

Leiam, escutem, divirtam-se, cornetem. E se quiserem, me mostrem suas listas!
Saudações
Trevas 

Revelação

No Rio de Janeiro, o Facing Fear lançou seu primeiro disco (Ana Jansen) e vem causando barulho com seu metal revivalista (até no visual) e com letras eventualmente em português. Já o combo Prog Metal Vikram, com músicos de vários lugares de nosso vasto país, fez um disco que merece com sobras entrar na nossa listinha. O Tanith, que traz Russ Tippins, do Satan, Tysondog e Blind Fury fez uma promissora estreia num elo perdido musical entre os anos 1970 e a NWOBHM. Somaria aos três a brilhante estreia dos paraguaios do Nightbound, num Ep homônimo caprichado, que soa uma delícia aos ouvidos dos fãs de bandas como Thin Lizzy.

Revelações
Melhor DVD/Blu-Ray

Ainda que não conte com nenhum extra de bastidores, Songs From The Dead é o Home Video dos sonhos (ou pesadelos?) de qualquer fã do mestre King Diamond que se preze. O dinamarquês, aliás, está em forma impressionante após quase antecipar sua sentada no colo do Capeta. Em contrapartida, o apoteótico registro da bem-sucedida turnê Punpkins United, reunindo eras diferentes dos Lordes teutônicos do Power Metal Helloween, é tão recheado de material caprichado, que não poderia ficar de fora da lista. Um dos pacotes mais bem servidos já lançados no formato.

Os melhores Home Videos que o dinheiro pode comprar, em 2019

PLAYLIST de 2019 – Criptozoologia 2019:




Agora, fiquem com a lista dos 30 (+1, pois errei a conta e só vi quando fui publicar...típico, hehehehe) melhores trabalhos de 2019:


30. Baroness – Gold & Grey
Os esquisitões estadunidenses por pouco não lançaram seu disco definitivo. Ainda que minado por exageradas 17 faixas e uma produção incomodamente suja, quando Gold & Grey acerta a mão, é espetacular e único.



29. Gloryhammer - Legends from Beyond the Galactic Terrorvortex
Power Metal escocês e galhofeiro entre os melhores do ano? Teria Trevas comido um cogumelo estragado? É possível. Mas é inegável que os caras conseguiram lançar um disco para lá de divertido e diferente, mesmo brincando com clichês de um dos gêneros mais bobocas dentro do Metal.


28. Vírus – Contágio
O tão aguardado disco de estreia dos veteranos da cena Brazuca enfim chegou. E mesmo com o atraso de décadas, impossível resistir às versões definitivas para petardos como Matthew Hopkins e Batalha No Setor Antares. Isso sem contar com os “novos” clássicos Povo do Céu e Sacrifício. Imperdível aos ouvidos dos fãs do metal em Português.


27. Týr – Hèl
Essa lista está tão estranha que entra até banda das Ilhas Faroe. Sim, os caras chegam aqui na cota de Viking que deveria ser do Amon Amarth. Já que os suecos lançaram um disco bom, mas inferior ao alto padrão por eles imposto...fico com esse belo trabalho que mistura de forma única vários gêneros dentro do metal.


26. The 69 Eyes – West End
Olha, mesmo eu curtindo muito vários trabalhos dos Vampiros de Helsinque, os caras andavam tanto no piloto automático que jamais imaginei gamar em um disco deles de novo. West End é uma delícia do Gothic Rock, viciante.


25. Overkill – The Wings Of War
Faz tempo que a máquina de Thrash estadunidense não erra a mão. Em Wings Of War o Overkill se recusa a trilhar a fórmula que dera tão certo no surpreendente disco anterior. Com uma sonoridade mais próxima de seus primórdios, acertam em cheio em um disco que é uma muqueta na zoreia.


24. Pristine – Road Back To Ruin
Heidi Solhein comanda com sua bela voz e feeling o combo norueguês em Road Back To Ruin, um disco que, apesar da evidente cara retro-rocker, não é para ficar limitado somente a esse nicho. Um baita trabalho que merece ser ouvido por fãs de Rock em geral 


23. Arch/Matheos – Winter Ethereal
A junção de metade da formação original do Fates Warning traz um trabalho complexo e repleto de melancolia, com cascatas de melodias vocais e instrumental sofisticado nos levando para uma viagem sombria. Um disco de Prog Metal maduro, sem os exibicionismos estéreis do gênero.


22. RAM – The Throne Within
Para não dizer que não há espaço para o Metal-Metal da nova leva nesse 2019, o novo trabalho dos suecos troozões chuta bundas com seu coturno gasto e surrado. Fãs de Accept e Judas Priest certamente ficarão com suas cacetas em riste perante o Metal puro e vigoroso do quinteto, que parece nunca errar a mão.


21. Angel Witch – Angel Of Light
Eu falei Metal-Metal? Pois olha quem nos surpreendeu esse ano: Direto e certeiro, Angel Of Light pode ser a luz (oops) que faltava para o Angel Witch enfim engrenar e, quem sabe, construir uma reputação que faça justiça ao status de lenda que o quarteto ganhou exclusivamente por conta de seu excelente debut. Imperdível


20. Sacred Reich – Awakening
Despretensioso, virulento e direto ao ponto! De onde menos se esperava veio um disco de retorno dos mais legais que já escutei. Viciante, Awakening tem como único grande “defeito” durar parcos 30 minutos.


19. Death Angel – Humanicide
Desde seu triunfal e prolífico retorno, os ex-menudos da Bay Area definitivamente não podem ser acusados nem de amansar seu som, nem de se deitar no saudosismo repetitivo que acomete a cena Thrasher. Humanicide é definitivamente um dos discos mais poderosos dos californianos, audição obrigatória para qualquer fã de Thrash, de qualquer era.


18. In Flames – I, The Mask
Ainda que seja fã de carteirinha dos suecos, fazia tempo que nada deles me empolgava tanto. Longe da discussão infrutífera sobre os rumos que a banda tomou quase 20 anos atrás, temos em mãos o melhor e mais equilibrado disco do In Flames em muito tempo. Um disco direto, moderno, grudento e ainda assim cheio de nuances. Viciante.


17. Crobot – Motherbrain
Os malucos do Crobot conseguem unir em Motherbrain elementos de Retro-Rock e Stoner com o som alternativo dos anos 1990 e tempero Hard/Heavy, num dos discos mais viciantes desse 2019. E Brandon Yeagley é um dos vocalistas mais bacanas que ouvi da nova safra.


16. Vikram – Behind The Mask – I
Um punhado de ótimos músicos de nossa cena se unem em uma viagem conceitual num dos melhores Debuts dos últimos anos. Prog Metal inteligente, único e vigoroso, uma feliz prova de que há sim renovação e esperança para a cena Bazuca!


15. Evergrey – The Atlantic
Se alguém quer um exemplo de como uma banda pode amadurecer seu som sem soar meramente pretensiosa, reserve uma hora de seu tempo e embarque em The Atlantic. Um disco colossal, ao mesmo tempo pesado, denso e sensível. Isso sem nunca soar piegas. Uma pena que não consegui conferir o show no Rio.


14. Lacuna Coil – Black Anima
Após alguns anos de estagnação, os italianos acertaram a mão ao apostar em uma guinada no peso e em temáticas mais sombrias. Delirium já era matador, mas Black Anima vai além, um forte concorrente a melhor disco da prolífica carreira de Cris Scabbia e seus amigos.


13. Thunder – Please Remain Seated
Fiquei em dúvida se incluía ou não esse disco aqui, já que se trata praticamente de uma compilação. Mas esse não é um Best Of normal, os britânicos escolheram faixas não necessariamente incensadas de sua carreira e praticamente as reconstruíram em um delicioso formato anos 1950. Uma bela maneira de se explorar o passado sem soar apelativo. Um disco único e muito bacana de se ouvir.


12. Cellar Darling – The Spell
The Spell pode se mostrar uma jornada demasiadamente longa e melancólica ao ouvinte de um Metal mais convencional, mas é uma jornada na qual vale a pena embarcar, para aqueles afeitos a músicas que permeiam várias vertentes do estilo. O Cellar Darling encontrou enfim sua cara, e ela é bela e triste.


11. Kadavar – For The Dead Travel, Fast
Os retro-rockers teutônicos do Kadavar mergulham de maneira firme e certeira na história de Drácula e num som que parece erguido triunfantemente das brumas lisérgicas do final dos anos 1960. Absolutamente matador.


10. Eclipse – Paradigm
Paradigm pode não ter exatamente quebrado nenhum paradigma do Melodic Hard Rock/AOR, mas é facilmente um dos melhores trabalhos do estilo que escuto em anos, e provavelmente o melhor disco da carreira dos prolíficos suecos.


09. Sabaton – The Great War
Os simpaticíssimos suecos do Sabaton vêm tomando o mundo do Metal de assalto. The Great War alcançou o Top 10 em nada menos que 13 países (e Top 50 em 21), chegando ao número 1 na Alemanha. E é merecido. Dentro do estilo que se propõe, é facilmente um dos melhores discos desse 2019, e tem aquele raro mérito de pedir por um repeteco tão logo os 39 minutos se encerram. Excelente.


08. Rammstein – Rammstein
Com a estética do “menos é mais”, o quinteto ganhou foco, caprichando bastante nas composições. Até aquelas que aparentemente nada trazem de novo ao bestiário Rammsteiniano soam deliciosas. Com parcos 46 minutos de duração (e as tradicionais 11 músicas), Rammstein é cirúrgico e denso. Um dos melhores discos de 2019, que também ameaça se tornar um dos favoritos dos fãs dentro da discografia da banda.


07. Insomnium – Heart Like A Grave
Retornando a um formato de disco mais tradicional, o combo finlandês mergulha ainda mais na melancolia para produzir um disco de Melodic Death Metal excepcional, adotando elementos de diversos gêneros dentro do rock para temperar seu som. Denso e pesado, belo e sombrio.


06. Tuatha De Dannan – The Tribes Of Witching Souls
Um Ep vitaminado por algumas versões diferentes de faixas já apresentadas anteriormente, The Tribes Of Witching Souls é a prova cabal de que os mineiros são das melhores bandas de nossa cena. Um daqueles trabalhos que tão logo terminam já pedem por um novo toque compulsivo no “PLAY” do aparelho de som.

DAQUI PARA  FRENTE, A ORDEM NÃO IMPORTA!


Tygers Of Pan Tang – Ritual
Difícil esperar de um combalido veterano do segundo escalão da NWOBHM qualquer sinal vital em pleno 2019, certo? Porra nenhuma. Os tigres britânicos já vêm ameaçando lançar um novo clássico tem pelo menos 10 anos. E Ritual, ainda que seja apenas um simples disco de Metal tradicional, consegue grudar em nossa mente feito chiclete. 53 minutos que farão qualquer fã Old School sorrir sem parar.


Jinjer- Macro
Eis que vem da improvável Ucrânia um dos melhores e mais inventivos discos de 2019, que nos prova com sobras que o Jinjer não é mais uma promessa da cena, e sim uma retumbante realidade. Pesado, inteligente, criativo e diversificado.


Rival Sons – Feral Roots
Incapaz de fazer um disco minimamente medíocre, o combo Retro-rocker estadunidense nos presenteia com um discaço ao mesmo tempo simples e bastante sofisticado. Um forte rival (oops) para The Great Western Valkyrie pelo trono de melhor disco da carreira dos caras.


Candlemass – The Door To Doom
Os mestres suecos do Doom Metal parecem uma fênix sombria. Renasceram anos atrás com o impecável disco homônimo, ressurgiram de novo quando Rob Lowe assumiu os vocais da banda. Anunciaram o fim. E do nada retornam, com o vocalista original que gravara Epicus Doomicus Metallicus, com um disco tão matador que não merecia o título tosco. Um dos melhores de toda a carreira.


Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light
Quando os finlandeses sorumbáticos lançaram o ambicioso disco triplo Songs From The North, acreditei piamente que esse seria o ápice criativo que uma banda como eles poderia atingir. Ledo engano. Movidos pela dor do luto de seu líder e principal compositor, os caras fizeram um disco tão sombrio e denso quanto delicado e belo. Um Gothic Doom de cortar o coração (e os pulsos).


Soilwork  - Verkligheten
E não é que o The Night Flight Orchestra fez muito bem ao Soilwork? Após anos de estagnação criativa, os caras vêm enfileirando discaço atrás de discaço. Até fica difícil escrever aqui sem cair na armadilha da adulação gratuita de fanboy. Mas o fato é que no novo trabalho os suecos conseguiram encontrar um raro equilíbrio entre peso, melodia e inserção de elementos estranhos ao seu som tradicional. As composições são tão caprichadas, e o clima tão único, que nos resta aplaudir quando You Aquiver nos presenteia com os últimos acordes de um disco fadado a se tornar um clássico do estilo.


sexta-feira, 1 de março de 2019

Melhores de 2018 Pela Cripta do Trevas




Olá, Criptomaníacos!

Novamente com atraso, chega mais uma lista de melhores do ano.

Faço essa lista desde 2012 e confesso que embora eu sempre me pegue impressionado com a qualidade do material ao final de cada um dos anos, dessa vez me surpreendi demais. 2018 foi o ano em que minha nota de corte para o 20º colocado foi tão alta que quase estendi a lista para 25 ou 30.

Sim, pois o resultado final deixou de fora discos excelentes de gente respeitável, como Unleashed, Imago Mortis (o melhor disco Brasuca de 2018), Metal Church, Burning Witches, Clutch e grande elenco...

Mas lista é assim mesmo, sujeita a falhas, supostas injustiças e muito xingamento gratuito à progenitora do infame “redator” hehehehe

Claro que preparei também uma Playlist no Spotify com uma música de cada disco avaliado por aqui, para quem quiser fazer uma tardia retrospectiva sonora de 2018.

No mais, espero que se divirtam.
Saudações
Trevas


A PLAYLIST


Blu-Ray/DVD

Sim, o outrora promissor mercado de Blu-rays e DVDs, que chegou (ainda que momentaneamente) a servir de válvula de escape para as Gravadoras diante da crescente queda de venda dos Cds, diminuiu estrondosamente. A enxurrada de Home-vídeos do início dos anos 2000 praticamente secou. O bom disso é que as bandas perceberam que precisam colocar algo realmente especial e relevante nesse restrito mercado. Esse ano tivemos alguns bons exemplos, como o documentário/show The Pursuit Of Vikings, do Amon Amarth. Ou Messe Noire, que coloca toda a capirotagem do Behemoth apresentando sua obra máxima ao vivo. Ainda tivemos o ineditismo de ver um show completo do Ayreon saindo do papel no ótimo Ayreon Universe. E a habitualmente confusa mistura orquestra/banda de rock enfim funcionando com Symphonic Terror, do Accept. Mas nada se comparou ao esmero dos lusos do Moonspell com o para lá de abrangente Lisboa Under The Spell: uma megaprodução em três atos divididos entre os clássicos Wolfheart, Irreligious e o então último trabalho, Extinct. Um pacote que ainda conta com ótimos extras e que merece o título de melhor lançamento audiovisual de 2018.



Bomba e Decepção

Sempre bom lembrar a diferença entre bomba e decepção: algo só nos decepciona quando desse algo esperamos bons resultados. Da bomba não necessariamente esperamos nada. E esse ano tivemos algumas decepções que não chegam a ferir os ouvidos: Machine Head perde o pé no confuso Catharsis, Doro entrega um disco duplo bem sem graça, Magnum e Kamelot enfim erram o alvo após anos e anos de bons serviços prestados.  Ah, e Steve Perry faz de seu improvável retorno uma viagem adocicadamente sonolenta. Mas se as decepções não mataram ninguém, não posso falar o mesmo da bomba inconteste de 2018: uma josta triplamente qualificada, um horror Lovecraftiano vomitado das profundezas do mau-gosto chamado The Three Tremors! Roubando a ideia original abandonada nos anos 2000, de unir três grandes vocalistas de Metal (Dio+Halford+Bruce Dickinson), alguém teve a infeliz sacada de fazer uma versão disso, só que comprada no Ali Express: os insuportáveis cacarejadores Sean Peck (Cage, Denner/Shermann) e Tim Owens (Judas Priest e outros 789 projetos de onde é sempre demitido) se juntam ao subestimado Harry Conklin (Jag Panzer) num disco absolutamente impossível de ser ouvido por mais de torturantes dois minutos. Sinceramente, nem latido de poodle soa tão irritante e intragável.

Três decepções e uma aberração
Os 20 Melhores:














20. Saxon – Thunderbolt
A primeira metade dos curtos quarenta minutos de Thunderbolt é tão arrasadora que chega a empalidecer (injustamente) o restante do disco. Mais um ótimo trabalho de uma das bandas mais prolíficas e equilibradas de sua geração.














19. Behemoth – I Loved You At Your Darkest
O sucessor do brilhante The Satanist é de uma fúria e perfeição absurdos. Mais direto e menos inventivo, ILAYD definitivamente não é tão genial quanto seu irmão, mas ainda assim está facilmente entre os melhores discos dos poloneses.
















18. Halestorm – Vicious
O Halestorm estava nos devendo um Cd à altura de seus poderosos shows. Estava. Vicious enfim mostra ao mundo um som encorpado e com produção que faz justiça a natureza rocker e rebelde do quarteto. E Lzzy, essa coloca novamente suas garras de fora e vai galgando espaço aos poucos no panteão das grandes mulheres da história do Rock. Um baita disco.















17. We Sell The Dead – Heaven Doesn't Want You And Hell Is Full
E de onde eu menos esperava saiu um disco simples, único e viciante. Um disco conceitual unindo figuras tão díspares Niclas Engelin (guitarrista do In Flames, Engel e Passenger), Apollo Papathanasio (voz, ex-Firewind, atual Spiritual Beggars), Jonas Slättung (baixo e voz, Drömriket) e Gas Lipstick (bateria, ex-HIM). Difícil dizer se há conteúdo para se levar o We Sell The Dead para além desse álbum de estreia, mas se ficar só nele, a junção dos suecos já terá valido à pena.















16. King Witch - Under The Mountain
Imensamente suja e intensa em seus parcos 43 minutos, Under The Mountain é uma estreia para lá de invejável e promissora desse barulhento quarteto escocês. Recomendadíssimo para qualquer fã de Doom Metal que se preze!














15. Lucifer – Lucifer II
Lucifer II é um demônio completamente diferente daquele conjurado por Sadonis e sua trupe no primeiro trabalho. Menos pesado e solene, mais melodioso e versátil. A única linha que une por completo os dois discos é a da qualidade, que se mantém para lá de alta. Outro excelente trabalho de uma das melhores bandas da atualidade.















14. Powerwolf – The Sacrament Of Sin.
O Power Metal, geralmente um pária aos ouvidos deste escriba aqui, acabou por ganhar um representante na minha lista de melhores discos de 2018. Sacrament Of Sin é o renascimento dos lobisomens teutônicos e provável postulante a melhor trabalho de suas carreiras. Um disco deliciosamente brega e divertido.















13. Rolo Tomassi – Time Will Die And Love Will Bury It
Se você anda a procura de uma banda única, encontrou. Aqui a parada é densa e para lá de complexa, exigindo bastante do ouvinte. Pode não parecer um prato para todos, e realmente não é. Mas para quem curte, ainda que vez ou outras, sons desafiadores, e estiver disposto a embarcar na viagem dos irmãos Spencer, eis um trabalho cuja audição pode se tornar imensamente gratificante.















12. Corrosion Of Conformity – No Cross No Crown
Parece que o longo hiato só fez bem ao casamento Pepper Keenan/COC. No Cross No Crown é um disco que beira a perfeição e que deixará os fãs de Stoner/Southern com lágrimas nos olhos. Figura certa nas listas de melhores do ano, a audição desse novo disco não é somente recomendada, é uma obrigação.














11. Wytch Hazel – II: Sojourn
O segundo Full-length dos britânicos do Wytch Hazel é um deleite aos ouvidos mais afeitos à sonoridade de eras passadas: guitarras dobradas com a cara do Thin Lizzy, melodias simples e grudentas com aquela cadência algo folk de um Jethro Tull e uma cozinha impressionante. Tudo na bolachinha cheira à anos 1970, e se a abertura com Devil Is Here não for o suficiente para te convencer que os caras falam à sério, tente sobreviver ao ataque seguinte, com Save My Life. Impossível, não? Que bom que não são exceções à regra num disco surpreendente e matador.















10. Uriah Heep – Living The Dream
Living The Dream é uma grata surpresa, um disco repleto de criatividade e vigor vindo de uma banda com tantas décadas de estrada nas costas. Talvez seja o sangue novo trazido já a alguns discos por Gillbrook e Rimmer, talvez seja o dedo do produtor. Seja lá o que for, esse ingrediente secreto faz desse Living The Dream um dos melhores discos da história Heepiana pós fase clássica. Excelente!














09. Fifth Angel – The Third Secret
Os estadunidenses acertaram em cheio nesse disco de retorno, atualizando seu Hard & Heavy tipicamente oitentista para a era atual, com uma produção moderna e com punch suficiente para derrubar um mamute. Sinceramente, não me lembro de um comeback tão impactante desde o já clássico Blood Of The Nations do Accept.















08. Earthless – Black Heaven
Black Heaven é o melhor disco de Retro-Rock que escuto desde o fenomenal Hisingen Blues, do Graveyard. E esse não é um elogio tolo. Uma adição obrigatória à coleção e qualquer fã de rock setentista que se preze.














07. Khemmis – Desolation
O terceiro disco em três anos do Khemmis (algo incomum para os dias atuais) é excepcional, como fora seu antecessor. Se em Hunted eles encontraram seu som, aqui eles consolidam o mesmo com muita personalidade, galgando terreno para fora do underground e se tornando também uma de minhas bandas favoritas da atualidade. Fenomenal.


A PARTIR DE AGORA, CONSIDERO TODOS OS DISCOS EMPATADOS 




Satan – Cruel Magic
Quantas bandas conseguem depois de um hiato tão longo replicar a magia de seus primórdios em uma trinca de discos tão forte? Um fenômeno raro, mas aqui o Satan ainda foi mais longe, buscando toques de progressivo e de timbres setentistas para produzir algo ainda mais raro: um disco único. Nada soa como esse Cruel Magic.


Primordial – Exile Amongst The Ruins
A crise de meia idade fez um imenso bem aos Irlandeses. Diante da necessidade de se reinventar, o Primordial conseguiu criar uma obra densa e difícil de ser rotulada. Um trabalho daqueles que acabam por proporcionar uma atmosfera absolutamente imersiva, um louvável e incomum resultado. Um dos melhores discos de 2018 e forte concorrente a disco de cabeceira deste escriba aqui.


Ghost – Prequelle
Pouco após o lançamento do medíocre Infestissumam, cravei que seja lá qual magia o Ghost tivesse, ela havia sido efêmera, concentrada apenas no espetacular álbum de estreia e se esvaído rapidamente a partir dali. Como de costume, uma previsão estúpida. Prequelle é ainda mais espetacular que Opus Eponymous, justamente por conseguir reinventar a banda em um cenário quase Pop Rock, sem abandonar os elementos de Heavy Metal, Progressivo e Classic Rock explorados até então. Um álbum perfeito, daqueles raros, sobre o qual falaremos daqui a 20 anos, com melodias tão simples e grudentas que ficamos estarrecidos por ainda não terem sido inventadas antes.



Orange Goblin - The Wolf Bites Back
Bom, se os ingleses queriam realmente provar ao mundo seu valor com seu 9º disco, conseguiram. The Wolf Bites Back é ao mesmo tempo o disco mais visceral, versátil e inspirado da carreira dos caras. Um petardo de um Heavy Metal feio, ogroide e delicioso que veio direto para o topo de minha lista de melhores de 2018.



Amorphis – Queen Of Time
Uma das bandas mais originais de sua geração, o Amorphis finalmente encontrou um novo sopro de vida nos últimos dois discos. Queen Of Time é realmente bombástico e ambicioso, como seus membros haviam prometido. Mas está muito longe e sucumbir ao exagero e pompa de alguns artistas que resolvem incorporar elementos alienígenas em profusão ao seu som. Pesado, solene e sofisticado, Queen Of Time não é só um dos melhores discos de 2018. Aos poucos está também se tornando um forte postulante a um dos meus discos favoritos em todos os tempos.


Judas Priest – Firepower
O Heavy Metal em sua vertente mais tradicional parecia esquecido no tempo, as velhas bandas do estilo vivendo de raros lampejos (com exceções...ok, Accept e Saxon?), e as novas se limitando a copiar de forma pálida e diluída o que já fora feito melhor no passado. Aí vem um dos titãs do estilo e lança, aos mais de 40 anos de estrada, uma obra que não só se contenta em não fazer feio frente ao passado, como também é capaz de rivalizar com os melhores momentos de sua vitoriosa carreira. Firepower não é só o melhor disco do Judas Priest em décadas. É também o melhor disco de Metal Tradicional que escutei nos últimos cinco anos (talvez mais). Se esse realmente for o canto de cisne de uma das maiores bandas em todos os tempos, será uma saída triunfal de cena. Forte candidato a futuro clássico.