Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
Geralmente quando uma
banda que já tem alguns discos lançados solta no mercado um trabalho homônimo,
passa a ideia ou de que se trata de um disco definitivo, ou de que ele
representa uma reinvenção do que a banda fez até então. Lançado meio na
surdina, o quinto FullLength dos canadenses mais prolíficos
da NWOTHM me pegou de surpresa, e
pela arte de capa simples e bacana que remete a demo tapes de eras passadas,
imaginei que viria alguma coisa diferente por aí...
Apesar
da capa evocar os primórdios do HeavyMetal, o som segue por uma vertente
anos à frente, quando a NWOBHM
resolvera americanizar seu formato consagrado para alçar maiores voos
comerciais. Longe de ser uma crítica, já que quando a fórmula funciona, rende
músicas fantásticas, como FormerGlory, que abre o disco.
Aquela pegada à lá Anthrax
que permeou a já clássica Underground,
aparece aqui em Pass me By, mas
dessa vez errando feio o alvo. Desnecessária, ainda termina com uma emulação de
groovemetal sem sal. Para nossa sorte o Metal “Final dos Anos 1980”
retorna com um tributo ao Lemmy
chamado BornToLose (ver vídeo).
CheatingDeath é uma curta instrumental que prepara o terreno para a ótima Shadowsin The Night, com a guitarra frenética de TimBrown, o baixo
pulsante de WilliamWallace e a bateria rolo compressor de Adam Brown ganhando seus momentos de
destaque. O vocal do ótimo DanCleary (que aqui também ataca de
produtor) está soando melhor que nunca, agora quase sem gritinhos desnecessários
e muito mais sólido e preocupado somente em criar boas melodias. A continuar
nessa evolução, Dan vai se firmar
soberano como o melhor vocalista dessa geração NWOTHM.
Blame Canada! Striker 2017
O
ano de 1988 aparece muito bem representado na ótima Rock the Night com suas 789 toneladas de reverb e seu grudento refrão. Over
The Top traz um pouco de modernidade à mistura, mas logo o ótimo refrão
nos transporta de volta ao passado. Freedom’s
Call, com sua levada de pirata, mantém o nível, que só cai um pouco com a SpeedMetal (e pouco inspirada) Curse
of the Dead. Nem tudo funciona às mil maravilhas, entretanto. A produção de
Dan deixa o som um pouco saturado, algo
que nem a mixagem do famoso FredrikNordström conseguiu salvar. O estrago
só não é maior por que as músicas são no geral muito boas e a duração do disco
é de apenas 33 minutos. Na edição limitada temos duas faixas bônus. Uma cover
respeitosa e bacana para Desire, do Ozzy, e Heart of a Lion, lado B do Judas
Priest que ganha uma rendição bem fraca.
Saldo Final
Salvo
o problema com a produção, Striker,
o disco, é uma bela continuação do trabalho que os canadenses vem apresentando.
Longe dos exageros de outros colegas da NWOTHM,
Striker, a banda, vem se tornando
minha favorita da cena. Espero que no próximo disco os caras aliem suas ótimas
composições à experiência de um produtor que saiba trabalhar melhor seu som. Ainda
assim, um ótimo disco.
NOTA: 8,53
Lançamento: Avalon
(importado)
Pontos positivos: ótimos
solos e vocais, músicas contagiantes
Pontos negativos: a
produção deixou o som saturado demais.
Já
com o nome marcado na história do rock como um dos maiores guitarristas em
todos os tempos, o prolífico ZakkWylde anda com dificuldade em manter em
seus trabalhos com o BlackLabelSociety um padrão de qualidade condizente com seu imenso talento.
O trabalho
semi-acústico Unblackned parece ter
dado uma renovada na criatividade do barbudão, que produziu um dos melhores
discos de sua banda em tempos (CatacombsoftheBlackVatican, ver resenha da Cripta). Talvez
a saída fosse alternar o estilo dos trabalhos solo, e é isso que Zakk faz aqui, revivendo sua faceta
mais soturna em um disco semi acústico. De início, achei bastante perigosa a
referência ao primeiro BookofShadows.
Aquele foi um trabalho único, sombrio e muito bonito, para muitos o melhor
momento do gigante amigo fora da tutela do tio Ozzy. Aí escutei a primeira música de trabalho, SleepingDogs, e fiquei esperançoso: bonita para dedéu, trazendo um Zakk cantando como nos tempos do Pride&Glory e do
primeiro Book. Enfim, havia
esperanças.
Infelizmente
SleepingDogs é uma exceção dentro das 14 faixas aqui apresentadas. O clima
repete o do primeiro trabalho: músicas melancólicas em formato acústico, com
exceção da inserção eventual de hammond e dos solos de guitarra. Zakk toca tudo nas músicas afora baixo
e bateria. E canta, muito melhor do que vem fazendo no BLS, diga-se. A produção está perfeita, também sob a batuta de
nosso herói. O grande problema é que as composições não ajudam tanto. Não há
nada exatamente ruim aqui, mas as músicas seguem uma mesma fórmula e acabam
cansando ao longo de mais de uma hora de audição. Por sorte temos algumas que
valem por todo o trabalho, como as boas TearsofDecember e DarkestHour, e as excelentes LostPrayer e King. Essa
última tocada ao piano com belíssima interpretação vocal de Mr. Wylde. A edição nacional, culpa da HellionRecords, traz ainda uma segunda versão de SleepingDogs, com CoreyTaylor (Slipknot e StoneSour) fazendo os backing vocals. Um disco bacaninha, mas que não
sobrevive a uma comparação com o primeiro BookofShadows.
Após o sucesso do
ótimo City of Gold (ver resenha daCripta), os canadenses do Striker
voltam com tudo com esse Stand In The
Fire. Com uma nova formação, dessa vez como quarteto, a banda contou com
guitarristas convidados na maioria dos solos, além da ajuda do conterrâneo Randy Black na bateria de uma das
faixas. Mas as mudanças em nada alteraram a capacidade dos caras. Phoenix Strikes é o cartão de visitas
perfeito, mostrando a mescla de NWOTHM
com Hard anos 1980 que a banda faz
tão bem. Out For Blood traz aquela
veia de Anthrax clássico à mistura,
além de um improvável e bacana solo de saxofone (uma referência ao que o Riot fizera em The Privilege of Power?).
Stand in the Fire é um disco bastante vigoroso e up
tempo, e talvez um ponto “falho” seja a pegada frenética e a produção algo
estridente de ponta a ponta de seus 43 minutos de duração. E cabe ressaltar que
a primeira metade do disco (mais precisamente até a ótima instrumental Escape From Shred City) o disco é
excelente, caindo um pouquinho em sua reta final. De resto, ótimos riffs e
solos, refrães grudentos e um vocalista (Dan
Cleary) nos moldes dos grandes nomes do metal tradicional. Nada que
represente uma grande novidade no mundo do metal, mas que fará felizes os fãs
daquela mistura oitentista de Hard/Heavy,
que é exatamente o público alvo desses sempre divertidos canadenses. Bem legal!
NOTA: 8,29
Recomendado para: fãs de
NWOBHM e Hard/Heavy oitentista
Passe longe se: sonoridade
estridente soe incômoda
Quando ouvi falar
sobre um novo projeto envolvendo os grandes HankShermann e MichaelDenner, mestres das seis cordas do MercyfulFate, fiquei
bastante feliz. Mais feliz ainda quando soube da presença do excelente SnowyShaw na batera. Que time! Fui conferir então o EP Satan’sTomb e quase vomitei quando entrou o vocal pela primeira vez.
Conhecia aquele cara, era o vocalista do irritante Cage, um dos grupos de metal mais chatos que já ouvi. Ao final das contas o EP até era razoável.
Mas esse MastersofEvil
é um teste de paciência, ou instrumento de tortura digno de Guantánamo. Angel’sBlood até soa interessante, talvez por apresentar SeanPeck um pouco mais contido. Mas é só começar a rolar a segunda
faixa, a ridícula SonofSatan
para me lembrar o porquê deu não esperar nada desse projeto. Sean soa como o usual, um sub clone do
já imensamente chato RipperOwens. Sua interpretação na péssima The Wolf Feeds At Night é a matéria da
qual os pesadelos são feitos. Mas nem tudo está perdido, vejam só, PentagramandtheCross é muito boa. Ah, mas a faixa
título novamente joga o nível lá no chão, tal qual a subsequente ServantsofDagon. Puta que
bosta!!! E não falo somente pelo vocalista totalmente over, os riffs e solos
todos parecem requentados e nada inspirados, saídos de alguma banda amadora. A
produção é mediana e mesmo o som da bateria de Shaw fica bem aquém do desejado.
O
nível baixo da bolachinha faz com que até a medíocre EscapeFromHell pareça melhor do que realmente o
é. E para encerrar, TheBaroness tenta soar épica e sinistra a
todo custo, mas só consegue mesmo rachar o que sobrou da bolsa escrotal do
incauto ouvinte. Um acinte! Facilmente um dos maiores micos da história recente
do Heavy Metal. Dá até medo de torcer por um retorno do MercyfulFate.
NOTA: 4,20
Recomendado para: seu pior
inimigo.
Passe longe se: tiver bom
senso e bom gosto.
Para fãs de: Cage e gritinhos irritantes tipo
Ripper Owens
1985, um Headbanger bem troozão entra numa loja
de discos atrás de uma cópia do ainda recente RidetheLightning, petardo dos novos heróis da
cena, o então nada comercial Metallica.
No som mecânico da loja, toca uma balada melequenta que fica entre o AOR superproduzido e a ainda crescente
cena GlamMetal. Trata-se do ressurgimento do Heart com WhatAboutLove. O headbanger,
irritado, pega seu disco, paga e sai correndo da loja praguejando. Assim que
cruza a rua é atropelado, entrando em coma. 2016, o headbanger sai do coma e no primeiro estabelecimento em que entra,
escuta a voz daquela menina do Heart
em um Hard pop bem comercial...entra uma voz masculina na música, é PapaHet. O Headbanger
retorna a hospital e pede pela eutanásia. Fim. Brincadeiras à parte, essa
bobageira serve para mostrar o quão chocante é imaginar que a faixa título e
carro chefe do novo disco das irmãs Wilson,
seja justamente uma parceria com o vocalista da maior banda de Heavy Metal
americana. E caramba, funcionou bem!
BeautifulBroken,
o disco, consiste em um apanhado de faixas já lançadas pelo Heart, só que com novos arranjos e
produção. A mesma parece tentar recuperar um pouco a sonoridade do Heart em sua fase de cruza entre o AOR e o Glam, escapando do enfoque mais seco dado aos últimos dois discos.
A Zeppeliana Heaven, cuja versão
original consta na edição Deluxe de Fanatic é outro destaque, assim como City’sBurning, que apareceu pela primeira vez em Passionworks e DownOnMe.
Confesso que o lado mais melecoso das meninas não me pega em absoluto, e coisas
como SweetDarling e LanguageofLove
tem açúcar para matar um elefante de diabetes. De resto, Ann Wilson continua
com a voz fantástica, a produção está muito bem-feita e quem é fã pode conferir
sem medo.
NOTA: 7,36
Recomendado para: fãs de
AOR em geral
Passe longe se: você for o
headbanger da historinha
O Striker
surgiu bem recentemente, mais precisamente em 2007, no Canadá. Após lançar uma
demo em 2008 e causar um burburinho na cena local, a banda se arriscou num EP
auto-financiado, Road Warrior. O
disquinho trazia 5 músicas próprias calcadas na NWOBHM com uma leve mistura do Power Metal europeu noventista. Não
à toa, a sexta música do EP nada mais era que uma cover do cultuado Grim Reaper. Road Warrior foi muito bem recebido mundo afora, em especial na
Europa, onde a onda de Retro-rock (e Retro-metal) anda a todo vapor.
Road Warrior EP
Em
2010, Eyes In The Night foi lançado
por um selo local. O disco novamente fez a alegria dos saudosistas e a resposta
a ele foi tão boa que chamou a atenção da Napalm
Records. Por ela saiu o excelente Armed
To The Teeth, de 2012. Aos poucos o som dos caras foi deixando alguns
exageros estilísticos de lado, absorvendo uma produção mais atual sem perder a
essência.
Armed To The Teeth
City of Gold é o primeiro lançamento do Striker a ser lançado já com a banda tendo um certo renome na cena
metálica, ou seja, pela primeira vez os caras tiveram que lidar com alguma
expectativa. Teriam os tresloucados canadenses mantido sua paixão pelo revival
do metal tradicional?
Good To Be The King
Bom, ter crescido em popularidade traz algumas
grandes vantagens a qualquer banda. Logo de cara percebe-se que longe ficaram
os tempos de capas amadorísticas como as de Road Warrior e Eyes In The
Night. A arte de capa ficando aos cuidados do renomado Eliran Kantor (responsável pelos trabalhos atuais de Kreator, Iced Earth e Testament).
Já a produção, que deixou o disco com uma sonoridade excelente, ficou nas mãos
de Fredrik Nordström, o guitarrista
e produtor sueco responsável por boa parte do encanto do Gothenburg Sound.
Nordström, o mago sueco
Full Speed!!!
Não, isso tudo não quer dizer que os caras
tenham mudado seu som para algo mais sofisticado. Aos primeiros instantes de Underground, somos atacados ferozmente
por um heavy/thrash que lembra desde Anthrax
(de Metal Thrashing Mad ou Deathrider) a Savatage (de Taunting Cobras).
Um início virulento e viciante!!!
A
faixa título (ver vídeo) é a síntese do Striker
em 2014 – metal à lá NWOBHM com
toques de Power e Speed Metal alemão (só da parte boa, nada de coisas
alegrinhas tipo show da Xuxa e Dr Stein).
O ótimo vocalista Dan Cleary está
cada vez mais preciso e contendo melhor os exageros no que diz respeito à sua
extensão vocal. As guitarras de Tim
Brown e Chris Segger despejam riffs
empolgantes e solos bem interessantes. E que legal que os caras mantém aquela
saudável tradição e indicar nas letras do encarte quem faz qual solo! A bateria
de Adam Brown é sempre frenética e William Wallace (??) é um daqueles
baixistas típicos do metal tradicional, jogando para o time e buscando seu
espaço ao meio de bumbos e solos em profusão.
Start Again (ver vídeo) traz bons solos em seu início e
descamba em uma faixa que mescla elementos de Power/Speed/Thrash Metal com
louvor, com um final de fazer chorar fã de Iron
Maiden. Bad Decisions traz uma
deliciosa mescla de Hard/heavy com gang vocals e um refrão para tocar em festa
headbanger. Aliás, nesses sons mais voltados para o Hard Rock, Dan soa como uma versão recente do
saudoso Ray Gillen (o que é um puta
elogio).
Crossroads e All
For One seguem a trilha de ótimas guitarras, refrões grudentos e uma
bateria rolo compressor. A velocidade diminui com a grooveada Mind Control (que dá a chance de William Wallace aparecer um pouco), que
novamente lembra algo que poderia estar em um dos discos clássicos do Anthrax. Second Attack frita nossos cérebros com sua velocidade absurda e um
refrão totalmente Bay Area, um dos destaques na certa.
Os caras do Striker sabem o que é melhor para vc: Metal e cerveja!
All I Want traz de volta as influências de Hard Rock, para o bem de
nossos pescoços. Novamente, uma música que faria muito sentido lá pelos idos de
1988, mas ainda que anacrônica, gruda no teu HD com facilidade absurda. Rise Up tem um riff que possivelmente
já fora gravado em algum canto pelo Saxon,
trazendo de volta a velocidade do disco. Não é das mais inspiradas, mas seu
pescoço irá balançar assim mesmo. A edição normal fecha com Taken By Time, que possui andamento
cadenciado em seu início, com cara de True metal, mas logo descamba para a
velocidade e harmonias de guitarra Maidenianas. Os vocais nessa faixa me lembram
e muito o material do Grim Reaper.
Um encerramento para lá de digno, batendo aqueles saudosos 45 minutos de
audição dos clássicos de outrora!
Saldo Final
O Striker entrega o que promete, Heavy Metal clássico tocado à velocidade
da luz, com todos os clichês que você pode imaginar para o estilo. Não é nada
sofisticado, as letras são simples, os instrumentais e vocais são muito bem
executados, mas nem de longe almejam reinventar a roda. Sinceramente, vinha
sentindo falta de algo mais simples e direto, que lembrasse estilisticamente o
Heavy oitentista mas sem cair na vala comum da imitação barata. Se é isso que
você procura, o Striker é a sua
banda, e esse City Of Gold bem
poderá figurar na sua lista de destaques de 2014.
NOTA: 8,5
Músicas Bônus da Edição Limitada
A edição limitada do disco traz 4
faixas bônus, um cover e três próprias. Bem, eu sequer sei por que o Iron continua a tocar 2 Minutes To Midnight, então não sou a
melhor pessoa para avaliar qual o motivo que levou os canadenses a escolher uma
música tão manjada e batida do prolífico repertório clássico Maideniano. Uma
versão respeitosa e legal, nada além disso. Watching You e Roll With The
Punches são duas faixas rápidas e tão oitentistas que chega a assustar. A
produção, ainda com qualidade de demo, dá um charme especial às duas, bem
legais mesmo. Já Fuck Volcanoes tem
momentos interessantes em suas harmonias de guitarras e uma letra e exageros
vocais que evidenciam o óbvio: trata-se de uma música-piada (a mesma já fora
lançada em 2011 como single). Enfim, se esbarrar com a edição limitada, não
hesite em pegar, pura diversão.
Prós:
Simples, direto
e muito bem tocado.
Contras:
Grau zero de
refinamento estilístico, letras tão oitentistas quanto o som.
Classifique
como: Heavy Metal Tradicional, Speed Metal
Para Fãs de: Grim
Reaper, Iron maiden, Judas Priest, Satan, Vicious Rumors