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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Eclipse – Paradigm (CD-2019)



Total Eclipse Of Farofa
Por Trevas

O sétimo trabalho de estúdio dos suecos do Eclipse vem envolto em algumas dúvidas quanto ao futuro do projeto. Outrora principal válvula de escape criativa do multi-homem Erik Martensson (vocalista, produtor, baixista, compositor), atualmente a banda disputa a atenção com outros trocentos projetos do músico, um dos xodós da Frontiers Records, que coloca o rapaz para compor músicas para um monte daqueles combos repletos de artistas decadentes que o selo italiano adora abraçar. O próprio Erik andou dizendo em entrevistas que era hora do Eclipse evoluir, já que ele sentia a fonte aos poucos secando para o estilo antigo da banda. Mas se a preocupação é com a qualidade das composições, o início desse Paradigm se mostra para lá de promissor. Impossível não sair cantarolando Viva La Victoria logo após a primeira audição. Não por acaso, foi escolhida como faixa de abertura e primeira a ser trabalhada na divulgação do novo disco. Mary Leigh pode ser de uma xaropagem lírica assustadora, mas é igualmente grudenta e viciante.

Erik e sua trupe de vikings farofentos
Blood Wants Blood nos faz perceber um cuidado constante com a inserção de violões e temas celtas ao longo do disco, o que dá ao trabalho uma cara de Gary Moore de sua fase Hard. Particularmente acho uma inclinação para lá de agradável. Shelter Me é uma balada bonita pacas, Jon Bon Jovi mataria por uma dessas nesses tempos de vacas magras. 


Por falar em Bon Jovi, United definitivamente não ficaria nem um pouco desencontrada naquele disco da trilha sonora de Young Guns II. A produção de Martensson é impecável e dá espaço para os arranjos mais trabalhados da carreira dos suecos, sem descaracterizar a acessibilidade necessária a um estilo imediatista como o Arena Rock/Hard Rock/AOR praticado. Individualmente, todos cumprem suas funções com maestria, mas quem já conhece a banda nunca duvidou disso. Delirious enfim baixa um pouco (só um pouco) o nível, lembrando demais trabalhos anteriores da banda. When The Winter Ends é a Power Ballad que todo farofeiro sonha em compor enquanto passa laquê no cabelo de poodle.




Em termos de letras, Erik costuma até tentar se afastar vez ou outra do padrão dor de corno comum ao estilo. Em .38 or .44 por exemplo, faz seu protesto à cultura armamentista estadunidense, mais uma música bacana, com belos solos e temas de guitarra. Em um disco que já beirava a perfeição, ainda somos confrontados com duas das melhores composições do pacote já na reta final: Never Gonna Be Like You e a metálica e celta The Masquerade (a despeito das acusações de plágio do nada confiável larápio Timo Tolkki) disputam palmo a palmo com qualquer coisa que a banda já tenha feito anteriormente. E arrisco dizer, Paradigm pode não ter exatamente quebrado nenhum paradigma do Hard/AOR, mas é facilmente um dos melhores trabalhos do estilo que escuto em anos, e provavelmente o melhor disco da carreira dos suecos (NOTA: 9,48)



Visite o The Metal Club
Gravadora: Hellion Records (nacional)
Prós: um pacote irresistivelmente grudento de canções
Contras: não, não quebra nenhum paradigma
Classifique como: Hard Rock, AOR
Para Fãs de: Whitesnake, Blue Murder, Gary Moore (fase Hard)


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Eclipse – Armageddonize (Cd-2015)

Eclipse - Armageddonize (Cd-2015)
Prólogo: de promessa a realidade
Texto por Trevas

A história do Eclipse teve início em Estocolmo, em 1999. Jovens amigos montam uma banda para fazer o som que tanto curtem, o Hard Rock. Após 3 bons álbuns, espaçados por hiatos típicos de bandas que trafegam mais na estrada dos hobbies do que do profissionalismo, as lideranças criativas do Eclipse (a saber: o vocalista/baixista/guitarrista/produtor Erik Martensson e o guitarrista Magnus Henriksson) são cooptadas por Serafino Perugino (sim, o onipresente presidente do selo Frontiers) como produtores e compositores para diversos projetos da gravadora (inclusive o aclamado primeiro disco do W.E.T.).

Erik e Magnus borrado
Esses quatro anos de trabalho para a Frontiers parece ter moldado o talento dos dois, que voltaram com o excelente Bleed & Scream, que rapidamente catapultou o nome do Eclipse entre fãs e imprensa especializada em Hard/AOR (tendo inclusive figurado na lista de melhores de 2012 aqui na Cripta). Após a primeira turnê em formato verdadeiramente profissional e mais algumas participações e produções em projetos alheios, finalmente o Eclipse lança seu quinto trabalho, com a difícil tarefa de suprir as expectativas que agora acompanham o nome da banda.

O Disco
Produzido por Martensson e Henriksson, Armageddonize começa mostrando ótima qualidade sonora e aquela rifferama à lá Whitesnake/ Blue Murder contida no disco anterior, com os teclados do convidado Johan Berlin emoldurando a matadora I Don’t Wanna Say I’m Sorry (ver vídeo abaixo).


A primeira música de trabalho, Stand On Your Feet (ver vídeo abaixo), é presença obrigatória nos sets da banda daqui para frente tamanha sua qualidade. Se afastando da fórmula do último disco, é a mistura perfeita de Melodic Rock/AOR com elementos modernos. The Storm começa com um dedilhado quase folk, mas logo cai em sua forma verdadeira, uma música mais cadenciada com bela interpretação de Erik e mais um refrão capaz de fazer um fã de Journey chorar.


A matadora Blood Of The Enemies evoca aquele combo “música celta com Hard Rock” que permeou os trabalhos de Gary Moore e Thin Lizzy, adicionando elementos de Power metal, numa das músicas mais pesadas do disco. Não por acaso parece um bocado com o som do Black Star Riders!! Wide Open evoca as influências “Journeyanas” de maneira exemplar em seu refrão e a balada live Like I’m Dying quase perde a mão ao esbarrar de leve na pieguice.

Eclipse 2015
Breakdown quebra (ops) o clima Hard Europeu e soa impressionantemente Badlands, o que obviamente é um grande elogio. Love Bites pode não ser o título mais original do mundo e exalar anos 1980 por todos os poros, mas é boa o suficiente para não darmos a mínima para esses fatos. Caught Up In The Rush possui uma dinâmica bacana que permite a Ulfstedt mostrar seus dotes como baixista. Ah e só para variar, possui um refrão matador, claro.  Mais uma enxurrada de bons riff, grandes vocais e solos matadores nos assombram em One Life-My Life e na acelerada All Died Young, que não deixam a qualidade cair, fechando um disco que passa longe de ter uma música ruim sequer.

Saldo Final
O Eclipse conseguiu superar Bleed & Scream, fazendo desse Armageddonize um disco praticamente perfeito dentro do estilo. Obrigatório a todos os fãs de Melodic Rock, Hard Europeu e AOR.

NOTA: 9

Indicado para:
Aqueles que não dispensam refrães grudentos em seu hard rock.
Fuja se:
Tiver urticárias ao ouvir músicas com cara de comercial de marca de cigarro.

Classifique como: Hard Rock, AOR, Melodic Rock

Para Fãs de: Whitesnake, Blue Murder, H.E.A.T., W.E.T., Talisman...
Ficha Técnica
Banda: Eclipse
Origem: SUE
Disco (ano): Armageddonize (2015)
Mídia: CD
Lançamento: Frontiers Records

Faixas (duração): CD  - 11 (42’).

Produção: Erik Martensson & Magnus Henriksson
Arte de Capa: Anders Fastader

Formação:
Erik Martensson – voz e guitarra;
Magnus Henriksson – Guitarras;
Magnus Ulfstedt – baixo;
Robban Bäck – bateria.