Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
Glenn
Hughes – Classic Deep Purple Live (29/04/2018 – Circo Voador – Rio de
Janeiro/RJ)
Definitivamente: A VOZ!
Fotos
e texto por Trevas
Noite de domingo,
parto para assistir, pela quarta vez, uma das lendas vivas da história do rock:
Mr. GlennHughes. O vocalista/baixista britânico, agora um senhor de 65 anos
muito bem vividos, a grande maioria deles de grandes serviços prestados à
música, é figura fácil na cidade. Embora a qualidade de Hughes como músico seja incontestável, nem sempre a dinâmica de
seus shows corresponde, muito por conta de repertórios confusos diante de tanta
coisa produzida junto a diferentes artistas com quem ele colaborou (DeepPurple, Trapeze, PatThrall, BlackSabbath, Phenomena...). Mas dessa vez o show seria calcado exclusivamente em
material do DeepPurple, uma das bandas mais importantes
da história. Promissor.
Cartaz da turnê
A abertura do show ficou por conta da banda carioca SeuRoque. Com o som
totalmente calcado no rock setentista, a banda alternou covers de clássicos (LedZeppelin e TheDoors) com músicas próprias em
português. Instrumentalmente a banda funciona muito bem, mas confesso que senti
que falta de algo nas composições próprias, em especial nas linhas vocais. Ainda assim,
um show divertido e que ganhou no mínimo o respeito da plateia, que já lotava o
CircoVoador como há muito eu não via.
Titia Hughes, carcaça carcomida, voz do além
Após uma introdução imitando transmissão de rádio, tocada no som
mecânico, Stormbringer é jogada
impiedosamente em nossas fuças. Um início avassalador, mas quem já acompanha os
shows de Hughes não viu novidade ali...ela viria sob a forma de Might Just take Your Life, seguida pela
bela SailAway e pelo clássico absoluto Mistreated.
Glenn canalizando agudos de outra dimensão
Esse tipo de repertório é uma faca de dois gumes, excelente no papel,
poderia muito bem ser um tiro no pé se a banda que acompanha Glenn não tivesse a pegada certa. Mas,
acreditem, os caras tocam muito e estavam muito bem ensaiados, e com os timbres
brilhantemente escolhidos. E o som da casa, perfeito como poucas vezes ouvi. A
comprovação veio logo após a pergunta do vocalista: vamos voltar comigo ao CaliforniaJam? Foi a deixa para executarem You Fool No One, com direito a emulação dos improvisos originais do
lendário show. SorenAndersen já é velho conhecido, e se não
é um virtuose da guitarra, casa muito bem com a proposta e tem muita pegada e
carisma. JayBoe manda bem demais nos teclados, e contou com o reforço de minimoog e hammond reais!
Mas o destaque mesmo ficou para o jovem chileno FerEscobedo, que
brilhou em um longo solo de bateria que bem poderia ter minado o andamento da
apresentação. Aliás, ele brilhou o show inteiro, a despeito do visual meio
sleaze e das caras e bocas, o garoto é de uma técnica e pegada invejáveis!
O fiel escudeiro, Soren Andersen
Glenn & Soren
Ah, e a voz do Rock? Essa não envelhece nunca, a despeito da carcaça
cada vez mais gasta de seu dono. Para falar a verdade, facilmente posso colocar
o que ouvi nessa noite como uma das performances vocais mais belas e
impressionantes que já pude testemunhar. O que Glenn fez essa noite em canções como This Time Around, Georgia On
My Mind (encerrando SmokeOnTheWater, como nos shows de sua era no Purple) e You Keep On Moving (essa de arrepiar cada pelo do corpo) é de uma
perfeição que parece vir de outro plano astral. A banda se despede sob intensos
aplausos de uma plateia maravilhada.
Sim, você o é, meu chapa
Mas havia mais. O quarteto retorna alguns minutos depois. Glenn deixa o baixo para alguém de sua
equipe técnica (sorry, não descobri quem é) e emenda uma versão de HighwayStar anos luz à frente do que o Purple consegue fazer hoje em dia. Aliás, ela podia ser intitulada
“Chupa Gillan”, mas isso é outra
história. O encerramento vem com a obrigatória Burn, um pouco desencontrada, mas que surte o efeito de um tornado no Circo Voador.
Todos os membros da banda abraçam o chefe de maneira carinhosa e verdadeira. Hughes, visivelmente emocionado,
agradece com aquela paz de guru esotérico e promete um retorno para o ano que
vem. Ninguém arreda o pé, os aplausos seguem efusivos enquanto a banda e seu líder
permanecem no palco. E posso dizer então, que, mesmo já tendo visto o Purple “oficial” uma penca de vezes,
pela primeira vez vi uma banda fazer justiça a seu legado musical. E assim termina um
dos maiores espetáculos que já tive a sorte de presenciar. Uma noite perfeita (NOTA: 10)
Mais uma participação especialíssima aqui na Cripta para cobrir um evento para lá de esperado! Sim, meu amigo e colega de Metalmorphose, o Rinoceronte Branco André Delacroix, um dos maiores bateristas do Brasil, foi lá conferir a passagem de seu amado Cheap Trick por terreno tupiniquim, nos brindando com um texto para lá de bacana!
Espero que gostem!
Abraço
Trevas
Sinta a felicidade de nosso enviado especial
Uma Trinca De Ases!
Texto por delacroix
Fotos de Tesla e Cheap Trick: página oficial das bandas
Foto do Deep Purple: Daniel Croce
Cheap Trick!
Desculpem, mas eu não poderia começar essa resenha do evento
de ontem, de outra forma.
Grande fã, trinta e nove anos de espera por um show dos
caras por essas bandas… muita anisedade… muita emoção!
Mas, vamos lá…
O Tesla é uma banda da safra Hard Rocker oitentista que
nunca foi assim, do primeiro time, mas que tem um trabalho de qualidade,
voltado pra um lado mais Blues/Rock a la Aerosmith do que para algo mais
“farofesco” (permitam- me o neologismo) a la Poison, Pretty Boy Floyd e
similares.
Vieram como azarões, abrindo, com shows curtos (sete
músicas, no Rio, oito) por serem banda de abertura, mas conseguiram, finalmente
(tal qual o poderoso Cheap Trick) se apresentar no RJ (dava pra ver na animação
dos músicos da banda).
Como não sou conhecedor da obra dos caras e não sei se o set
list publicado na internet está correto, vou resumir a apresentação dizendo que
os caras realmente são ótimos músicos, as músicas são muito bem feitas, ora
empolgantes, ora mais calmas e que todos que chegaram a tempo, com certeza, no
mínimo passaram a respeitar o trabalho da banda.
Destaques para o ótimo vocalista Jeff Keith, com muito
carisma e uma excelente voz cheia de feeling , que engrandece as composições da
banda. De sons mais intensos como a música de abertura “Edison´s Medicine” a
baladas, como a mais conhecida “The Way it Is’, os caras mostraram muita
qualidade musical O batera Troy Lucketta tem pegada firme e precisa e o
guitarrista Frank Hannon faz bonito nos solos.
Um começo de noite muito bom, com ótima qualidade de som (me
surpreendi), aquecendo a galera pro que via pela frente.
Tesla passando o som na Jeunesse Arena
Sei que muita gente desdenhou e chegou tarde ou até ignorou
as apresentações das duas bandas de abertura, o que é uma grande pena. Perde-
se cultura musical e a chance de se evitar ser um fã obtuso de música,
limitando seus conhecimentos musicais às mesmas cinco bandas de sempre.
Pronto, falei he he
A banda mais aguardada (por mim), Cheap Trick entrou no
palco com a já esperada intro “Hello There”, música que abre praticamente todos
os shows, já ditando a pegada do concerto (com exceção de uma ou outra balada).
Entraram forte e já mostraram aos descrentes que Cheap Trick é Rock N Roll
visceral, sim, e não apenas uma banda de baladas melosas, como passou a ser
vista, graças a uma fase realmente mais mansa nos anos 80 (ah, as gravadoras)
“Elo Kiddies” do primeirão veio com peso, mas foi em “Big
Eyes” que a casa caiu, mesmo. Peso total e lágrimas deste que vos escreve.
Música clássica do petardo ao vivo “At Budokan”, primeiro deles que eu ouvi na
vida e que me fisgou de imediato.
Daí em diante o porta-voz da banda e mestre de cerimônias
Rick Nielsen e seus comparsas detonaram a ótima Jeunesse Arena com vários
petardos da carreira da banda (praticamente focando apenas nos anos 70, quando
a banda lançou cinco discos). Algumas inesperadas, como The House is Rockin do
excelente “Dream Police”, um rockão lado B; “Lookout” um Rock frenético que foi
registrado inicialmente no “At Budokan” ;“Voices” balada agradável e água com
açúcar , também do “Dream Police” e “The Ballad of TV Violence’, do primeirão
(essa eu confesso que não faz muito a minha cabeça).
Fora os clássicos que não podiam faltar como “Dream Police”,
“I Want you to Want Me” (grande sucesso da banda, versão do “At Budokan” e “Surrender”
(de “Heaven Tonight”.)
A banda ao vivo é
muito forte, uma máquina. A cozinha com o baixo de doze cordas de Tom Petersson
e com o ‘novato” Dax Nielsen na batera (substituindo o mítico batera original
Bun E. Carlos) é muito precisa e poderosa, deixando espaço para os destaques
Rick Nielsen , principal compositor e guitarrista cem por cento Rock N Roller e
suas bases inspiradas e solos incendiários (infelizmente, parcialmente
prejudicados em termos de volume) e Robin Zander (a meu ver, um dos maiores
vocalistas de Rock de todos o tempos) , que me surpreendeu com sua performance
irrepreensível, alternando vocais mais intensos e rockeiros a momentos de
suavidade e melodia, de forma mais natural, impossível (isso aos sessenta e
quatro anos!)
Fora os clássicos dos anos setenta, tivemos “The Flame”
(grande sucesso deles nos anos oitenta), “In the Streets” (da trilha sonora da
famosa série ‘That Seventies Show” ) e “Long Time Comin” (e como!), do mais
recente disco “Were All Allright” que voltou a uma sonoridade mais rockeira
(teria a entrada deles no Rock N Roll Hall of Fame, no ano passado, animado o
espírito mais rockeiro da banda?)
“California Man “, cover de “The Move” botou fogo na galera,
mas poderia ter sido o único da noite. “Magical Mistery Tour” dos Beatles é bem
legal, mas eu preferiria “Come on, Come on”, “Clock Strikes Ten’ ou “Stop This
Game’, que foram tocadas em SP, por exemplos (sons autorais!). O mesmo para o
cover de “Velvet Underground, “I´m Waiting for the Man” , cantado pelo Tom Petersson,
desnecessário.
Apesar desse pequeno
detalhe (e eu tô sendo bem minucioso, mesmo he he) o show foi arregaçante e os
caras deixaram uma ótima impressão mesmo em quem não os conhecia e pagaram essa
“dívida histórica” com o Brasil. Mágico.
Cheap Trick fazendo novos amigos
Já o Deep Purple chegou consagrado e , mesmo antes de tocar
sequer uma nota e, apesar das críticas aos mais recentes trabalhos, fez um show
que empolgou a plateia e fez jus á história da banda.
Ian Gillan já não tem mais aqueles agudões? Não. Steve Morse
não é o cara certo pra o lugar do lendário Ritchie Blackmore? Don Airey não tem
como substituir o insubstituível Jon Lord?
Bom, o Gillan se saiu muito bem durante todo o show,
respeitando seus limites que vieram com a idade (setenta e dois anos e no
palco, afinal de contas!), arriscando agudos suaves, para pontuar malabarismos
de outrora e cantando com feeling os vários clássicos que a banda executou na
noite.
Steve Morse, obviamente é um excelente guitarrista, mas eu
não acho que ele tenha um “determinado o quê” que o Blackmore tem. Talvez seja
o velho choque “Virtuose x feeling”, não sei bem explicar. E não é que ele não
tenha feeling, não me entendam mal. De qualquer maneira, o cara toca muito e
inclusive, durante um solo de guitarra, ele inseriu a melodia de “Surrender” do
Cheap Trick. Bônus pra o homem das seis cordas.
Ian Paice: o que mais dizer sobre esse batera monstro? Muito
groove e finesse na batera e Roger Glover “fechou” bonito com ele. Cozinha
classe A.
Já Don Airey brilhou na noite. Além de respeitar o timbre e
a execução do insubstituível Jon Lord, Airey debulhou nos teclados, tanto nas
músicas como em dois solos extensos, que encheram os ouvidos da galera,
inclusive incluindo temas de músicas brasileiras (Bossa Nova e Marchinhas),
para o delírio da plateia. Show de bola.
Entre uma ou outra mais nova, o Purple se concentrou em
clássicos que agitaram a galera (que encheu a pista e a maioria das
arquibancadas, mostrando que o RJ surpreendeu em termos de presença de público
– parabéns por isso!) , abrindo o show com o “pé na porta”, com a intensa e
clássica “Highway Star”. Tocando depois, “Blood Sucker” (do brutal “In Rock”),
Lazy, Black Night (com os famosos ô, ô, ôs do público), Strange Kind of Woman,
uma dobradinha do “Perfect Strangers”, a música homônima e “Knockin on your
door” e, é claro, atingindo o ápice com
a mega clássica que todo mundo conhece “Smoke on the Water”, com
participação de Rick Nielsen do Cheap Trick na guitarra.
Enfim, fizeram um show arrasador e surpreenderam quem não
acreditava mais no “poder de fogo” dos velhinhos.
O “Solid Rock” foi uma noite para não se esquecer, com ótima
participação de público, ótimas apresentações das bandas, excelente organização
em um espaço para shows que se mostrou à altura do evento.
Parabéns, Tesla, Cheap
Trick, Deep Purple e público rockeiro do RJ!
Steve Morse mostrando todas as rugas, foto por Daniel Croce
Prólogo – Trevas,
Blackmore, Morse e a Montanha Russa
Vamos ser honestos
aqui, caros Criptomaníacos...Deep Purple
foi, durante muito tempo, minha banda favorita. Mais precisamente durante
os anos 1990, quando efetivamente me tornei fanático por Rock e comecei a
descobrir os clássicos. Eu simplesmente ficava vidrado com a bateria diferente
de Ian Paice, com o Hammond do eterno JonLord...mas era o som
da guitarra de RitchieBlackmore que me encantava mais. O mago
dodói das ideias tinha um jeito de tocar que não parecia nada que eu já tinha
visto ou ouvido (apesar de ter gerado uma horda de imitadores, o mais famoso o
sueco, também maluco, Malmsteen). Blackmore fez despertar em mim a
vontade de ser músico, como guitarrista. Infelizmente nunca tive talento e
obstinação necessários para tocar guitarra decentemente. Acabei por acidente
virando vocalista. Então, chegamos ao ponto crítico para preparar vossos
espíritos para o que vem a seguir nesta resenha: quando o Purple anunciou a saída de Blackmore,
lá no meio dos anos 1990, fiquei horrorizado. Mas minha adoração por Blackmore não era suficiente para me
tornar surdo a material sem ele, não. ComeTasteTheBand é um puta
disco, e conta com o saudoso Bolin, de
estilo diverso demais do Ritchie, na guitarra. À época pouco ou nada conhecia
do substituto, um redneck chamado SteveMorse. Até ligar os pontos: descobri
que ele era responsável pelo pior disco de outra de minhas bandas favoritas, o
péssimo Power, do Kansas. Aí a luz amarela acendeu. Mas ainda
assim, fui encarar o disco vindouro, Purpendicular,
de peito aberto. E até que gostei. Longe de ser um discaço, era melhor do que
coisas como House of Blue Light e SlavesandMasters, bombas
feitas sob a batuta de meu falível herói.
Purple em 1971, para muitos, o auge
Assisti
o Purple nessa turnê, e mesmo diante
do meu fascínio em poder ver uma das minhas bandas favoritas, não pude deixar
de notar três coisas: 1. Gillan
estava ficando péssimo ao vivo, 2. Morse
podia ser bem técnico, mas seu som e meus ouvidos não casavam. 3. O Purple estava começando a soar como outra
banda.
Discos vieram, cada
um soando menos Purple e menos
interessante aos meus ouvidos. Assisti a banda por mais duas vezes, até
entender que ao menos para mim, a magia havia morrido. E por falar em morrer,
foi com imenso desgosto que recebi a chocante notícia de que a banda seguiria
seu caminho mesmo após o falecimento de JonLord. Purple sem Blackmore já me soa perigoso. Sem Lord também,
é o equivalente a um BlackSabbath sem TonyIommi. Simplesmente
não faz sentido seguir sem os compositores de 97% do material clássico da banda.
Me entristeci pela decisão de IanPaice e Glover. Mas é um direito deles. Vida que segue.
Jon Lord, 1973. A alma da banda.
Bom,
apaguei a banda da minha vida, até que esbarrei com uma cópia do então disco
novo Now What!? Resolvi, sei lá por
que cargas d’agua comprar a bolachinha. Soava como qualquer outra coisa,
inclusive como a errática carreira solo de Gillan,
até mesmo soava em momentos como um pastiche de ELP. Tudo, menos Purple.
Se tornou a bomba do ano para mim. Me desfiz daquilo. Agora, escuto que a
dobradinha com o produtor Bob Ezrin
se repetiria, dessa vez num suposto disco de despedida. Somente por acreditar
na tão falada despedida, resolvi escutar InFinite.
E lá vamos nós...
O Fim de Uma Era?
Bom,
entre ouvir o disco, escrever o esboço da resenha e ter coragem de publicar a
mesma, esbarrei com duas boas entrevistas. Nelas, Gillan admite à ClassicRock e à RoadieCrew que a
despedida da banda é uma farsa. Uma estratégia de marketing capitaneada pela
gravadora, que inclusive, é a responsável pelo enganoso título. Um título
bacana, que combina com a belíssima capa e arte gráfica. As únicas coisas que
justificam a existência do que vem a seguir.
TimeForBedlam abre o disco. Primeira faixa de
trabalho, me soou péssima à época do lançamento do LyricVideo (ver abaixo).
Com o tempo acho que acostumei. Não, está longe de ser boa ou até mesmo
razoável, mas ganha pontos por tentar soar única e relevante, o que
infelizmente não acontece muito no restante do álbum.
Aí
voltamos à dura realidade do Purple
de 1994 para cá, HipBoots é aquele rockinho para lá de
safado, com mais um riff genérico de mr. Morse.
Mas temos DonAirey e BobEzrin pode não saber o que fazer com o
direcionamento do som do Purple, mas
não é bobo, então afundou as guitarras no mix e deixou o teclado brilhar disco
adentro.
All I Got Is You, outra das faixas de
trabalho (ver vídeo abaixo), inicia com um tom algo melancólico e um trabalho
interessante de Airey. Aqui Gillan até que não soa irritante como
tem sido costume, mas os riffs qualquer nota de Morse falham em tornar a música algo além de agradável.
One Night In Vegas segue a toada da
mediocridade. Fosse em outros tempos, com muita sorte serviria de lado B de um
single não muito inspirado do Purple.
Seria demais pedir por um bom riff? Em se tratando de SteveMorse, sim. O cara
tem tanto rock no sangue quanto um Porquinho da Índia. A falta de inspiração é
tamanha que fica até me peguei checando se a fraca Get Me Out Of Here já não havia tocado antes no disco...
Deep Purple 2017...colocando nossos ouvidos numa fria...
E
então The Surprising chega, me
trazendo uma grande...erh, surpresa...Sim, Gillan
me presenteia, ao menos em parte da Power Ballad, com uma interpretação bem
bacana. Não é uma faixa magistral, jamais a colocaria numa coletânea óctupla dos
caras, e o maldito Ezrin novamente
deixou o Purple soar em alguns
momentos como uma banda progressiva pau mole, mas assim como TimeForBedlam, a música
acaba por se salvar por ao menos tentar soar diferente.
Daí
é ladeira abaixo. Jonny’s band tem
uma bela introdução que parece chupada do Kansas.
O que até cairia bem, mas logo Steve
puxa mais um de seus brilhantes riffs feitos de água de chuchu e temos um
rockinho para lá de fraco na extensa coleção recente do Purple. On Top Of The World
começa e novamente não tenho muita certeza se já não ouvi essa mesma faixa no Bananas, ou no Abandon, ou em ambos. Não irrita e nem empolga, apenas passa sem
mudar sua vida. Em Birds of Prey Steve
Morse ao menos sai um pouco do piloto automático, só comprovando que ele se
sai melhor quando não finge ter as manhas para o rock and roll. O que mata aqui
é o arranjo das vozes, daqueles que marcaram o Gillan recente, anasalado e pentelho. Fico feliz por estar chegando
ao fim da jornada. Tolinho. Me foge à compreensão como uma banda veterana e um
produtor experiente deixam entrar em uma gravação oficial uma hecatombe nuclear
que é essa desnecessária versão para a já muito batida RoadhouseBlues, do Doors. Gillan parece estar cantando de pura sacanagem, Morse definitivamente não funciona e
nem mesmo DonAirey parece estar à vontade. Me pergunto se IanPaice não sofreu seu
AVC após escutar o resultado final. Uma das piores covers já feitas.
Saldo Final
Por
mais medíocre que o trabalho pós Purpendicular
do DeepPurple se mostrasse, ainda existia em mim uma mínima fagulha de
esperança que em seu suposto grito final a banda pudesse heroicamente mostrar
redenção. Tolice pura. O segundo rebento da parceria com BobEzrin traz mais um
apanhado de ideias desinteressantes e momentos constrangedores que fazem desse
um dos piores discos da extensa discografia do Purple, uma (in)digna companhia aos igualmente ruins Houseof Blue Light, Slaves & Masters e NowWhat naquele canto
empoeirado de nossa estante de CDs. Torço que o fim da banda não seja realmente
pura estratégia de marketing. Triste, muito triste.
NOTA: 5,19
Gravadora:
Hellion (nacional)
Pontos
positivos: Bela arte gráfica e Bob Ezrin traz sua habitual qualidade no som
Pontos
negativos: músicas fracas e um guitarrista que parece ter preguiça de compor um
riff de rock marcante
Para
fãs de: Ian Gillan Band em seus momentos mais soporíferos e tarados por Steve
Morse
Curtas: Anvil + Monster Magnet + Death Angel + Deep Purple + Trivium + Whitesnake
Ano acabando e minha lista de melhores começa a ser elaborada. Faz um bocado de tempo que não posto por aqui, fim de ano complicado, então lá vai uma penca de resenhas, no atacado!
Anvil - Hope In Hell
Anvil – Hope
In Hell (CD - 2013)
Mais do Mesmo
Segundo disco dos mestres do Speed/Thrash Metal canadense após o estouro do documentário History Of Anvil, Hope In Hell repete a dobradinha da banda com o renomado produtor Bob Marlette (Alice Cooper, Iommi, Seether). Infelizmente dessa vez sem o
mesmo sucesso do ótimo Juggernaut Of
Justice.
Ok, Lips, nós também gostamos de você. Mas vê se capricha mais na próxima!
Não que falte garra a Lips, Reiner e Sal Italiano, o
Anvil continua com uma pegada bem pé
no acelerador, e nem falta também o obrigatório senso de humor, vide a
brincadeira com o riff e estrutura de Smoke
On The Water, que atende pelo nome de Through
With You. O que ficou faltando foram músicas memoráveis. Para se ter uma
ideia, somente na quarta música, a vigorosa The Fight Is Never Won é que o disco ameaça engrenar. E só ameaça,
pois afora a mencionada música e as duas bônus da edição limitada (Hard Wired e Fire At Will), o material do disco não empolga, embora também não
chegue a ser ruim. Como a banda está excursionando como nunca, dá a nítida
impressão que esse Hope In Hell foi
produzido apenas como desculpa para o retorno aos palcos. Se não se cuidar com
os próximos lançamentos, é possível que o Anvil
comece a traçar seu retorno ao ostracismo. Melhor caprichar, então!
NOTA: 6,5
Recomendado para: apenas para os fanáticos pelo Anvil e/ou completistas.
Passe longe se: quiser conhecer a banda, nesse
caso, a discografia dos caras tem coisas muito melhores, tente Juggernaut of Justice ou Metal On Metal...
Monster Magnet - Last Patrol
Monster
Magnet – Last Patrol (CD - 2013)
(Not So) Hot Shit, Babe!
Após uma seqüência de grandes
discos que tornaram o Monster Magnet
provavelmente a banda mais bem sucedida e influente da história do Stoner Rock, o maluquete Dave Wyndorf sofreu uma overdose, e
então tudo desandou.
Seguiram-se os pouco inspirados 4 Way Diablo e Mastermind, que só chamaram a atenção dos fãs mais ardorosos. Dave parecia inclusive ter perdido a
centelha que movia a banda e suas histórias de proxenetas interplanetários e
drogas cósmicas (seria porque ironicamente sua overdose quase fatal fora de
remédios para dormir?).
Seria Dave Wyndorf = Sr. Madruga + LSD?
Bom, quando poucos esperavam
alguma coisa da banda, foi anunciado esse Last Patrol, como uma audaciosa e
triunfal volta aos primórdios lisérgicos do MM. Seria verdade ou bravata?
Veremos.
Logo de início, na sombria faixa
de abertura (I Live Behind) e na
espacial faixa título que a segue, duas coisas ficam claras: 1. não, não é um
retorno a Superjudge ou Spine of God; 2. Certamente trata-se de
material muito melhor que o dos últimos dois discos.
Com uma sonoridade que fica entre
God Says No e Monolithic Baby, o disco segue com uma surpreendentemente boa
releitura para Three Kingfishers (do
Donovan), e com as boas Paradise e Hallelujah e a “MM no piloto automático” Mindless Ones (música de trabalho, que se parece outras 789 músicas
da banda). The Duke Of Supernature
torna o disco novamente interessante, seguida pelo rockão End Of Time. Stay Tuned encerra a bolachinha como que para nos
avisar de que Wyndorf tem planos
mirabolantes para os novos capítulos. Que assim seja, pois Last Patrol, embora longe das glórias de outrora, deixa os fãs
esperançosos para com o futuro do Monster
Magnet!
NOTA: 7,5
Recomendado para: fãs de Stoner e Space Rock em geral.
Passe longe se: o Monster Magnet morreu para você após Superjudge.
Death Angel - The Dream Calls For Blood
Death Angel
– The Dream Calls For Blood (CD - 2013)
Absolutamente Destruidor
Um raro caso de segunda chance na história do
Metal, o Death Angel, banda promissora de Thrash a surgir na segunda leva da
cena da Bay Area, retornou com sangue nos olhos em 2004. De lá para cá produziu
três obras que facilmente suplantam em qualidade os três discos de sua
encarnação original. E o quarto rebento desse ressurgimento, The Dream Calls
For Blood já chama a atenção de primeira, graças à belíssima ilustração de
Brent Elliot White que adorna sua capa, facilmente a mais bacana de 2013.
Death Angel - 2013
Mas de nada adiantaria se o
conteúdo, produzido pelo guitarrista e principal compositor do D.A., Rob Cavestany e Jason Suecof (Trivium, Firewind, Six Feet under) não fizesse frente à bela arte de capa. Ah e como
faz. Left For Dead, Son Of The Morning e Fallen formam uma trinca de derrubar
tanque de guerra.
Mark Osegueda está usando sua voz peculiar (que poderia bem servir
a uma banda sleaze, por exemplo) como nunca. Rob Cavestany e Ted Aguilar
são os culpados por uma chuva de riffs e solos memoráveis e a cozinha de Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria) não deixam pedra
sobre pedra.
O ritmo cai com a faixa título,
somente em velocidade, já que a mesma cheira a clássico. E não para por aí,
somos presenteados com uma pedrada após a outra, com destaque para Caster Of Shame e Empty. A edição limitada, além de um DVD com o Making Of do
álbum, ainda vem com uma ótima versão para Heaven
And Hell, do Black Sabbath.
Em suma, o Death Angel nos entregou o disco de Thrash de 2013!
NOTA: 9
Recomendado para: fãs de thrash, seja ele old ou new school.
Passe longe se: seu ideal musical tenha algo com
Jack Johnson e John Mayer...
Deep Purple - Now What?!
Deep Purple
– Now What?! (CD - 2013)
Cuma?
O tempo pode ser cruel com alguns artistas. Mas
com outros pode ser ainda pior. Esse é o caso do Deep Purple, que aos poucos se tornou uma caricatura hedionda do
outrora seminal grupo do Rock britânico. Com seu último grande disco datando de
1984 (Perfect strangers), a fase
atual da banda, com o enfadonho Steve
Morse na guitarra, até começou com um brilhareco, sob a figura do
corretinho Pupendicular, mas depois
desceu uma interminável ladeira. E se você caiu na propaganda enganosa desse
novo disco, de que o produtor Bob Ezrin
(que produzira o the Wall, do Pink Floyd, dentre outros...) teria
conseguido efetuar um milagre, esqueça. A ladeira Purpleniana realmente
não tem fim...
Não, ainda não descobri se ali é o Gillan ou o Bill Murray...
Sim, acho um absurdo a banda ter
mudado seu som para se encaixar no estilo do “novo” guitarrista, mas seria
demais colocar toda a culpa por todas as mazelas da banda nas costas de Steve Morse. Na verdade, a saída de Blackmore representa muito mais que a
mudança de um guitarrista. Representou a saída do compositor de 90% do material
da banda. E disso o Purple nunca se
recuperou. Atualmente a banda parece muito mais com um misto de projeto solo de
Gillan e/ou Morse. Fato ainda mais acentuado após a saída do saudoso Jon Lord.
E não ajuda em nada o fato de Ian Gillan, outrora a voz mais
prodigiosa dos anos 1970 hoje soar ridículo, com seu timbre anasalado que
irrita até monge budista.
Bom, o que esse Now What?! Traz de novo, então? Bob Ezrin ajudou em todas as
composições do disco, e orientou a banda a compor em forma de Jam. O álbum traz
uma produção encorpada, com bastante punch e um clima progressivo que permeia
todas as faixas. Um bom começo, desde que as faixas demonstrassem alguma
qualidade. Não é o caso. A despeito de boas passagens instrumentais, inclusive
com uma referência a ELP (Uncommon Man, homenagem à homenagem do ELP a AaronCopland), o que
temos aqui é um ótimo som tentando esconder músicas envelhecidas e
desinteressantes. Curiosamente a melhorzinha da safra vem sob a figura da
esquisitona Vincent Price, uma ode
bacana aos filmes de horror do passado. Sintomaticamente, horror é quase o que
temos aqui.
NOTA: 5
Recomendado para: não consegui pensar em ninguém para
recomendar isso aqui...
Passe longe se: for fã do Deep Purple!
Trivium - Vengeance Falls
Trivium – Vengeance Falls (CD - 2013)
Rumo Ao topo
Surgida como a possível cereja do
bolo dentro da cena que vem sido chamada de New Wave Of American Metal, a banda Trivium
acabou por ver sua carreira ratear para longe do topo, enquanto o Avenged Sevenfold era catapultado à
estratosfera.
Quebrando a parceria de longa data com o
produtor Jason Suecof (ver resenha
sobre o novo do Death Angel, nesse
mesmo post), os garotos assumiram a atitude do “ou vai ou racha”. Só que muitos
estranharam quando foi anunciado o novo produtor: David Draiman, mais conhecido pelo posto de vocalista no
controverso Disturbed.
Pelas orelhas de Matt Heafy! Esse disco é bom mesmo!
Mas não se desesperem caros
amigos, a presença de Draiman não
fez que Matt Heafy passasse a imitar
orangotangos em suas linhas melódicas. Muito pelo contrário, a presença do
diminuto careca fez com que finalmente Matt
encontrasse sua voz, não mais pecando pelo excesso de referências a seus
ídolos. A maior preocupação com as melodias vocais não tirou o foco das
guitarras, que permanecem excelentes. Matt
e Corey Beaulieu formam uma dupla de
respeito, e não faltam solos e riffs memoráveis no novo disco. E o fato das
músicas estarem mais diretas, isso não deveria assustar, já que In Waves já mostrava essa tendência.
Sem sequer uma música ruim, fica
difícil apontar os momentos de destaque no novo disco, mas a tríade composta
pela faixa título, Strife (a melhor)
e No Way To Heal devem se tornar
obrigatórias nos shows. O encerramento com a épica Wake (The End Is Nigh) deixa o ouvinte com aquela sensação de que
poderia escutar mais uma hora de material desse nível. A apontar de negativo
(se é que dá para considerar isso como negativo), apenas uma presença um pouco
forte demais de Disturbed em algumas
composições (como nos versos da boa To Believe,
por exemplo). No mais, um grande salto de qualidade na carreira do Trivium e um dos melhores discos do
ano.
NOTA: 9
Recomendado para: fãs de metal tradicional em geral.
Passe longe se: prefere músicas mais intrincadas
e/ou extremas.
Whitesnake - Made In Japan
Whitesnake –
Made In Japan (Blu Ray - 2013)
Rugas e Farofa em HD!
Após ter passado seu período de
maior sucesso sem soltar sequer um disco ao vivo, o Whitesnake resolveu capitalizar
na última década, lançando um atrás do outro. Não que isso seja ruim,
David Coverdale nunca foi bobo e sempre se cercou da nata do hard/Heavy,
fazendo com que uma apresentação da banda seja quase sempre certeza de sucesso.
Quase por um simples motivo, de alguns anos para
cá a voz do tiozão anda pagando o preço de décadas de birita e muito cigarro. Como
visto esse ano nos últimos shows da banda em território tupiniquim, Coverdale
alterna bons shows com outros nos quais parece ter feito gargarejo com giletes.
Pode admitir, ele parece alguma tia sua, vai...
Para nossa sorte, nesse Blu Ray
(com edições em DVD e CD duplo), que imortaliza a participação da banda no festival
Loud Park de 2011 (realizado na Saitama Super Arena, Tóquio), a voz de Coverdale está no melhor estado que
sua idade permite atualmente. Somos agraciados com um set curto (cerca de 80
minutos), mas matador, contando com alguns clássicos misturados a faixas do
ótimo Forevermore e do bom Good To Be Bad. Doug Aldrich e Reb Beach arregaçam
as guitarras, como sempre. Brian Tichy é um tremendo baterista e dá até para
não passar o solo do rapaz. Michael Devin pode não ser tão famoso quantos eus
colegas, mas segura as pontas com louvor. E Coverdale, esse é um dos maiores
frontmen da história, esbanjando vigor e simpatia, além de possuir uma das mais
belas vozes do rock. Tudo isso coroando uma imagem cristalina
(podemos ver as rugas de tio Cobrabranca com perfeição), e um som que em nada
deve a essa imagem.
A reclamar, somente a escassez de
extras de verdade. Se considerarmos que o show é bem curto e Blu Ray ainda
custa um bocado para os incautos cucarachas, temos a relação custo/benefício um bocado
prejudicada. Ainda assim, trata-se de um grande registro de uma grande banda.
NOTA: 8
Recomendado para: amantes de boas vozes e grandes
guitarras...