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domingo, 22 de novembro de 2020

Iron Maiden – Nights Of The Dead – Legacy Of The Beast: Live In Mexico City (2CDs-2020)



Scream For Me...Again...

Por Trevas

A maior banda de Heavy Metal da história achou uma fórmula mágica tem bastante tempo: lança um CD de estúdio, faz uma turnê para promover a bolachinha. Volta para casa. Depois sai em turnê de novo com um repertório baseado nos clássicos do passado. Cada uma dessas turnês rendendo um ao vivo. Que venderá que nem água, claro. E é exatamente o registro da última Legacy Of The Beast que temos em mãos.  

Logo aos primeiros segundos de Churchill’s Speech, faz-se claro que a escolha de um show no México é tremendamente acertada. Público alucinado logo de cara. E daí para diante, somos confrontados com um repertório que mescla algumas “raridades”, como Where Eagles Dare, Flight Of Icarus, For The Greater Good Of God e Revelations, com as faixas “exploradas ad nauseam” habituais, como 2 Minutes To Midnight, Fear Of the Dark, Iron Maiden e Hallowed Be Thy Name. Ah, e temos até tempo para o resgate de algumas peças da era Blaze, como Sign Of The Cross e Clansman.


A produção de Kevin Shirley conseguiu deixar tudo bem na cara, mas com qualidade. E o quinteto estava particularmente inspirado, até mesmo a combalida voz de Bruce viveu uma noite acima da média atual. Nenhuma das versões aqui suplanta as de estúdio ou até mesmo gravações ao vivo do passado áureo da banda. Mas também passam longe de soarem ruins.   

Pode-se até criticar a Donzela por supostamente diluir seu legado com uma penca de lançamentos ao vivo, alguns pouco inspirados, ao menos se comparados aos hoje clássicos Live After Death e Maiden Japan. Mas convenhamos, em tempos passados, quando a banda não lançava um ao vivo para cada turnê, os fãs se debatiam atrás de toscos (e caros) bootlegs. Então, o material oficial está aí. E dessa vez até que ficou legal. Compra quem quiser. (NOTA: 7,50)   


Gravadora: EMI (importado)

Prós: uma noite inspirada da Donzela

Contras: mesmo em uma boa noite, Bruce está soando cada vez gasto

Classifique como: Heavy Metal

Para Fãs de: Judas Priest, Saxon


sábado, 23 de dezembro de 2017

Iron Maiden - The Book Of Souls: Live Chapter (2Cds – 2017)

The Book Of Souls : Live Chapter
E A Donzela Vive
Por Trevas

Se na época áurea da indústria fonográfica os discos ao vivo já eram considerados uma espécie de patinho feio, o que dizer hoje em dia, num cenário onde nem mais os discos de estúdio vendem e onde a profusão de imagens amadoras e profissionais dos shows pululam quase em tempo real no youtube, minando qualquer magia de “ver e ouvir” sua banda favorita ao vivo? Pois é. E o cenário realmente mudou muito. Nas últimas duas décadas os discos ao vivo foram colocados de lado em detrimento dos home vídeos, aproveitando que os DVDs vendiam bem, mas o Youtube destruiu por completo esse mercado, o que explica a estratégia de lançamento de The Book Of Souls: Live Chapter, o enésimo disco ao vivo da Donzela – streaming ao vivo da contraparte visual do disco, com a parte em áudio lançada em Cd duplo (aqui analisado) e vinil triplo.

Os dois formatos lançados para os Cds

Mas o que um lançamento desse tipo vindo do Iron Maiden ainda pode nos oferecer? Que o Iron é uma força poderosa em cima dos palcos, até os detratores da banda tem que admitir. E a fórmula quase sempre é a mesma: muitas músicas do novo lançamento de estúdio entremeadas pelos clássicos de sempre e uma ou duas mexidas do baú da banda. Talvez o grande trunfo do novo lançamento seja justamente a qualidade do disco em promoção nessa turnê, The Book Of Souls é, de longe, a melhor coisa que a banda colocou no mercado desde os anos 1980. Mas será que seu material, mais denso e sombrio que o habitual, funcionou no ambiente ao vivo? Veremos.

Disco 1:

O formato escolhido segue a ideia que a banda executou outras vezes, de pinçar músicas de apresentações diferentes ao redor do globo. E o primeiro disco é, de longe, o maior atrativo no pacote. O início apoteótico com a matadora If Eternity Should Fail (pensada como música solo por Bruce e adotada pela banda para o novo trabalho) já sana de vez uma dúvida: como estaria a voz do baixinho após o câncer? Perfeita, obrigado. Mr. Dickinson está soando melhor nessa turnê do que nas três anteriores. Speed Of Light é divertida, e as antigas começam a aparecer no repertório. Wrathchild está ok, mas a versão matadora de Children Of The Damned é quem brilha.



Death Or Glory é um petardo e funciona muito melhor ao vivo, com ótima pegada do vovô Nicko, assim como a épica The Red And The Black, com passagem instrumental excelente, de longe a melhor música de Harris desde a hoje clássica Sign Of The Cross.


E nas surradas (mas sempre bem-vindas) The Trooper e Powerslave, pode ser notado que enfim a fórmula com três guitarras vem sendo aproveitada em sua plenitude, os arranjos estão diferentes e Adrian, Janick e Dave, muito mais soltos. E Tony Newton acertou a mão na mixagem, cheia de punch e permitindo ouvir cada um dos guitarristas com perfeição.


Disco 2:

O segundo disco começa com excelentes versões para The Great Unknown e Book Of Souls, comprovando novamente a força do disco mais recente. E comprovando também que definitivamente Kevin Shirley não acerta a mão em estúdio com a banda, as duas músicas, como as outras do mesmo trabalho, soam muito mais poderosas aqui do que nas versões originais.



Daí em diante é aquilo: jogo ganho e mais do mesmo. Ok, eu seria o primeiro a reclamar “porra, vão tocar essa de novo?” quando os primeiros acordes de Fear of The Dark tomassem a arena...mas logo estaria pulando junto à massa cearense de carne saltitante e cantante. A superexposição é um problema sério, mas garanto que 90% das bandas de metal tradicional do planeta matariam para ter uma música como essa em seu repertório. As óbvias e sempre funcionais Iron Maiden (Argentina), The Number of The Beast (Wacken) e o encerramento com Wasted Years (Rio de Janeiro) entremeadas com a chata Blood Brothers. Inexplicável como a banda insiste em uma de suas piores músicas recentes no repertório.



Veredito da Cripta

The Book Of Souls: Live Chapter certamente não irá rivalizar com Live After Death como melhor registro ao vivo do Iron Maiden. Mas é muito bem feito e divertido, capaz de lembrar ao mais cínico dos cínicos que os britânicos sempre serão uma das melhores bandas ao vivo da história do rock pesado. Muito bom.


NOTA: 8,50


Gravadora: Warner Music (nacional).
Pontos positivos: gravação excelente, ótimas performances, músicas novas funcionam muito bem ao vivo
Pontos negativos: a banda podia dar uma remexida mais criativa no material antigo
Para fãs de: Judas Priest, Saxon
Classifique como: Heavy Metal



sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Iron Maiden: Run to the Hills - A Biografia Autorizada - Mick Wall (Livro - 2014)

Iron Maiden - Run To The Hills - A Biografia Autorizada - Mick Wall

Mick Desnuda A Besta
Por Trevas

Mick Wall é meu autor favorito no que se refere a biografias do mundo do rock. Sua vasta experiência junto a revistas como Metal Hammer Uk e Classic Rock Magazine, dentre outras, desde a década de 1970, faz com que ele traga a reboque um sem número de entrevistas realizadas com toda a nata do Rock britânico. E o que diferencia ele da maioria de seus compadres: Mick tem uma capacidade ímpar de tornar uma miríade de informações técnicas em uma narrativa interessante. E o que é melhor, sem nenhum clima de tapinha nas costas, sua língua é ferina, não caindo no lugar comum da “pelação de saco” de artistas consagrados. Então quando vi essa biografia, de uma banda geralmente pouco afeita a abrir seus bastidores ao mundo, corri para as colinas...ooops...

O jovem Mick brincando nas catacumbas com Jimmy Page
Logo de início, Mick Wall avisa de bate pronto, com o Iron Maiden o que você vê é o que tem para ser visto. Não há arroubos de estrelismo ou histórias que fariam Calígula orgulhoso, apenas caras normais e talentosos que trabalham duro e acreditam numa visão. E assim começa o livro, centrado na hercúlea missão de tornar um bando de jovens em uma das maiores forças da natureza da história da música: A obstinação de Steve Harris, a lealdade canina da banda para com seu líder, a visão e honestidade de Rod Smallwood. Tudo muito bem documentado em uma narrativa gostosa e interessante.

Existem episódios surpreendentes, como a estúpida rusga com o Judas Priest por uma declaração arrogante feita em tom de brincadeira pelo linguarudo Paul Dianno. O apoio surpreendente de outro linguarudo (Gene Simmons) a uma então emergente e jovem banda. Surpreendente também se faz o fato do quanto os encontros mais importantes para a banda em seus primórdios (Rod, Martin Birch) ocorreram de forma quase acidental. 


Você está demitido!!! Steev Harris, o sargentão de bom coração e mola mestra do sucesso da Donzela
Aprendemos também que a tão incensada NWOBHM de fato nunca existiu como movimento, não passava de um balaio de gato de bandas de origens e intenções diferentes, bem semelhante ao Grunge nos anos 1990, e que nem as figuras clássicas envolvidas no movimento acreditavam nele (nem o mítico Geoff Barton), e que ele era encarado como uma espécie de piada por todos (bandas, fãs e imprensa).

Impressiona a honestidade de Paul Dianno em admitir que estragou por completo uma chance que milhares de jovens sonhariam em ter. O quanto a loucura obstinada de seu hiperativo substituto se tornou o elemento essencial para o salto de qualidade e imprevisibilidade que a banda necessitava para saltar de uma realidade na Grã-Bretanha para uma das maiores bandas de rock do planeta.

E é justamente no capítulo em que Bruce entra na equação que a já interessante narrativa também ganha um imenso salto de qualidade. A mente criativa e sarcástica do baixinho eleva o pacote repleto de informações históricas importantes, mas até então certinho demais, para algo mais próximo do clássico Eu Sou Ozzy. A diferença é que as estripulias do jovem e arrogante Bruce eram bem menos voltadas para o uso de entorpecentes, ainda que em alguns momentos, até mais perigosas, como quando ele arquitetou uma vingança contra os bullies de seu internato com uma armadilha feita de minas reais.


Iron Maiden, pós retorno


Talvez o grande problema com o livro seja o fato de que Bruce e Nicko só aparecem da metade para o final da narrativa. A época de ouro do Iron Maiden tem muito menos espaço do que os primórdios. Talvez por representar um período já muito bem explorado em outras obras, não sei. E a partir daí Run To The Hills decai. Da chegada de Bruce (e o excelente capítulo a ele dedicado) em diante, a narrativa fica bem menos elaborada, tudo acontece em saltos temporais, sem a profundidade da primeira metade do livro. E os capítulos finais, já relacionados aos bastidores do retorno de Bruce e Adrian, além das gravações de Brave New World e Dance of Death, trazem um tom de adulação incomum às obras de Mick Wall.

Mas o que diferencia mesmo a história do Iron Maiden de outras 789 bandas que atingiram o estrelato é a postura: todos que um dia já se envolveram com os caras são unânimes em dizer o quanto eles não tinham as frescuras típicas de astros do rock, o quanto sempre foram extremamente críticos e profissionais, e o quanto lutaram contra tudo e todos por acreditar em uma visão. Nenhum deslumbramento, nenhuma concessão, pode-se gostar ou não do que os caras fazem até hoje, mas tenha certeza, eles fazem exatamente o que querem.

Sobre a edição analisada, a tradução é bastante precisa, e salvo alguns erros bem esparsos de revisão, temos um texto bastante bem trabalhado. Uma pena que a capa aproveite a péssima arte gráfica de Dance Of Death, o então mais recente disco da banda.
Temos em mãos simplesmente o mais completo (ainda que imperfeito) registro da trajetória da maior banda de Heavy Metal que já existiu.


NOTA: 7,50


Iron Maiden – Run To The Hills – A Biografia Autorizada
Autor: Mick Wall
Lançamento: Editora Generale
Páginas: 390











quinta-feira, 24 de março de 2016

Iron Maiden + Anthrax + The Raven Age (HSBC Arena, 17/03/2016)


Poster da Turnê de 2016






Bah, os infortúnios dessa existência. Sabe quando você tem noção de que um show vai ser imperdível e que deveria fazer de tudo para comparecer ao mesmo, mas ao mesmo tempo o universo parece conspirar para que você fracasse em sua missão. Pois bem, esse foi o caso com o show do Iron. Por sorte, um grande amigo e Maidenmaníaco, Señor Freddy Krill, biólogo e professor de respeito (sic), tornou-se o enVIADO especial da Cripta nas longínquas terras da Barra da Tijuca, e nos contou o que aconteceu por lá. resta agradecer ao cabrunco (e à Srta Claudia Speroto) e passar um pouco mais de gelol nos meus doloridos cotovelos. 
Divirtam-se!

Trevas


INTRO: ENFIM, CHEGOU NOSSA VEZ!!!
(texto por Freddy Krill, fotos por Krill e Claudia Speroto)

Desde que o “The Book of Souls” foi lançado, em setembro/2015, que a expectativa criada por uma nova turnê por estas plagas só fazia aumentar. Enfim, sai o anúncio oficial: a 11ª passagem da Donzela pelo Brasil está CONFIRMADA! Começou a vender? Compramos! Seria meu 10º show (só não estive presente ao épico concerto do Rock in Rio de 1985)...   


Nota do Trevas: o equivalente Krillzístico do Santo Graal
A banda resolveu enveredar por um caminho muito progressivo, desde o “Dance of Death”. Composições longas, complexas e de difícil palatabilidade (por vezes) arrefeceram aquele entusiasmo juvenil pela minha banda predileta.
The Book of Souls” não fugiu a essa “nova” regra... É Iron Maiden, mas não é “aquele” Iron Maiden de antanho... Enfim... Sem muitas digressões...
Depois de toda a zika (com bastante trocadilho) envolvendo a perna sul-americana da turnê (Ed Force One avariado no Chile; Eddie levando um tombo no palco na Argentina), CHEGOU O DIA!!! Como tudo aqui na terra de Big Foot “tá tranquilo, tá favorável”, no mesmo dia a Barra teria Simply Red (no redivivo Metropolitan) e Wesley Safadão (no Barra Music). Aquele trânsito, maravilhoso por ele, foi tornado ainda mais gostoso pelas obras olímpicas... Alternativa? Sair muito cedo de casa! Após um curto trajeto Tijuca-Barra de 1:35h pela Linha Amarela, chegamos!!! Estacionamento fácil, mas um curral insano, onde todos eram separados de acordo com sua lotação, para serem reunidos na rampa de acesso e separados DE NOVO lá em cima...

Praticamente um senhor de idade, pagando esse "Kong" (foto por Claudia Speroto)
THE RAVEN AGE: Nada como ser filho do homem...

Originalmente previsto para iniciar às 19h, eram ainda 18:48h quando o THE RAVEN AGE, banda de George Harris, filho caçula do “The Boss” adentrou o palco. De cara, o baterista Jai Patel inicia uma surra impiedosa nos surdos, enquanto rolava a intro no background. A banda entra e... A impressão era estar num show do famigerado Avenged Sevenfold!!! Tá certo que não há novidades no metal, mas... Aquela batida pesada e pegajosa, que não empolga nem dá vontade de botar pra correr do palco...O vocalista Michael Burrough (que veio com um visual de Jack Bauer - felizmente não foram 24h de show!) canta bem, de verdade. George na guitarra solo é muito eficiente! Seu parceiro Dan Wright e o baixista Matt Cox mostram que a banda tem MUITO potencial, mas precisa urgentemente encontrar um norte! Um set curto, com menos de 30 minutos de duração, em que tocaram seu EP (auto-intitulado) na íntegra (mais uma música), que agradou as meninas e os fãs-não-tão-troos-de-coração-de-melão...Lauren Harris nos deu o Richie Faulkner. Talvez eles façam melhor daqui para frente...



- Nota: 6,5. 

- Indicado para: quem curte A7X. 

- Fuja se: você não admite nepotismo e/ou “meritocracia”. 

E~D: Dan Wright-Michael Burrough-Jai Patel
E~D: George Harris-Jai Patel-Matt Cox-Dan Wright
ANTHRAX: Baixei o “For All Kings” só pra irritar o Scott Ian…

Quando estiveram por aqui, não consegui ir. Sempre por captação deficiente de ativos voláteis no mercado financeiro... Mas dessa vez não escaparam! Após uma rápida preparação, eram 19:50h quando os bacilos mais extremos do thrash pisaram o palco! Pra começar, entra o onipresente John Dette na bateria, substituindo o operado/convalescente Charlie Benante (que sofre de síndrome do túnel do carpo... ÓTIMO para um baterista!). Antes de qualquer coisa, e por dever de justiça: TOCA MUITO!!! Aliás, ele detém o recorde mundial de se apresentar com o Anthrax e o Slayer NA MESMA NOITE!!!... Estrearam o novo guitarrista solo Jonathan Donais, absolutamente preciso!
Isto posto, vamos ao show: começam logo mandando três petardos absolutos: Caught In A Mosh, Got The Time e Antisocial!!! Suores heteros rolaram pelas minhas vistas... Scott Ian, cada vez mais careca e barbudo... Frank Bello, cada vez mais insano e ritmado... Joey Belladona (O VOCALISTA do Anthrax! – sorry Neil Turbin, John Bush & Dan Nelson...), cada vez mais com o cabelo parecendo arame... Seguiram mandando Fight ‘em ‘til You Can’t (do Worship Music, originalmente gravado pelo Nelson mais bizarro citado acima...), Evil Twin (do novo For All Kings), Medusa (Spreading the Disease) e Breathing Lightning (For All Kings). Para encerrar, o mega clássico Indians, em que alguns mosh-pits foram abertos, para desespero de velhos rock’n’rollers presentes na Arena... Faltaram Madhouse e I Am The Law, mas não se pode ter tudo... Prometeram voltar em 2017 para um show completo...
-    Nota: 9,0.
-    Indicado para: bangers velhos, senis e decrépitos como eu.
-    Fuja se: você queria estar no Barra Music.





An-fuckin-thrax!!!!!
Caught In A Moooosh
IRON MAIDEN: OLÊ, OLÊ, OLÊ, OLÊ…

À medida que se via o palco sendo preparado, aumentavam a expectativa e o “amassation of the wicked”... Black Sabbath & AC/DC rolando baixinho no som da Arena tornavam o clima mais elétrico. Até que, às 21:15h... DOCTOR DOCTOR entra rugindo nas caixas! Todo Maidenmaníaco SABE que (1) Esta música prenuncia a entrada da Besta; (2) Steve Harris morre de raiva de não tê-la composto; (3) Steve Harris morre de raiva de ter colocado o Blaze para cantá-la...



Tensão máxima... O palco é liberado dos panos que cobrem os adereços... Um templo Maia surge. Sobre a bateria, uma pira começa a soltar fumaça... É a deixa para um etéreo Bruce Dickinson iniciar If Eternity Should Fail quase Acapella... Se alguém tinha dúvidas de que o câncer descoberto após as gravações do novo disco (quem mandou botar a boca onde DEVIA???) teria detonado sua voz... Nada! Confira no vídeo:






Na sequência vem a mais rápida e enérgica do “Book”: Speed Of Light, seguida por uma belíssima (e cada vez mais indispensável) Children Of The Damned, em que o duo Smith / Dickinson prova ser IMPRESCINDÍVEL à Donzela! Tears Of A Clown homenageia Robin Williams, enquanto The Red And The Black mostra um vigor ao vivo insuspeito na gravação!
The Trooper (uma das eternas do set) e Powerslave (meu mega clássico absoluto!) provam que o passar dos anos em nada tirou seu brilho, peso e adoração por parte dos fãs!
(Uma bandeira Brasileira é atirada no palco. Bruce a pega, abre, diz que a tem visto muito na CNN e que “espera que os ‘bad guys’ se fodam, quem quer que sejam”... Difícil saber por quem começar... Os ‘good guys’ certamente estão entre os ‘worse guys’... O Tempora, O Mores...).
Death Or Glory é muito boa, mas poderia ter dado lugar a outra mais antiga... (The Evil That Men Do ou Killers... Sempre vou esperando por esta última... Sei que não rolará, mas vai que...). Daí vem a faixa título e, como dito por Bruce, a “última do disco novo que tocaremos”... Uma daquelas faixas destinadas a virar clássico eterno, que depois dessa turnê nem eles sabem se voltará a ser apresentada... Hora do Eddie no palco (sem tombos!) e Bruce Dickinson: Vocalista, Historiador, Esgrimista, Piloto Profissional de aviões comerciais e Cirurgião Cardíaco:


Pausa. Um sino começa a tocar junto ao dedilhado de Dave Murray. Hallowed Be Thy Name chegou! É de longe a minha predileta do “Number”. Bruce se enforca cenograficamente sobre a bateria, surrando os pratos com a corda durante o solo e regendo um extático e abarrotado HSBC Arena. Nunca mais a tirem do set, seus putos!!!
Fear Of The Dark é aquela que digo não aguentar mais... Junto com The Trooper e The Number Of The Beast, está em TODO set, de todas as turnês... Faço beicinho, digo que não canto / pulo mais, mas... Ôô.. ôôôôôô... ôôôôôô...
Iron Maiden traz o segundo Eddie. Hino absoluto.


Profusa distribuição de brindes. Após segundos de intervalo, aquela voz cavernosa proclama “Woe to You, O Earth and Sea (…)” enquanto um Capetão inflável sobe no fundo do palco. É hora de The Number Of The Beast:


Blood Brothers segue após um discurso de Bruce, proclamando que “Impérios se levantam, mas sempre caem! O que permanece são os laços de sangue, porque nós somos Irmãos de Sangue!”. Certamente uma das melhores do Brave New World, e muito bem recebida por um público já cansado, mas disposto a mais!
So, understand... Don’t waste your timeWasted Years fecha de forma improvável o show, após quase duas horas ininterruptas! Sorrisos, agradecimentos, fotos, palhetas, peles, munhequeiras, baquetas, tudo voa… E voltamos para casa certos de mais um espetáculo que só senhores sessentões (quase todos) sabem proporcionar.
Bruce Dickinson é Bruce Dickinson, Dave Murray é Dave Murray. Sem mais. Adrian Smith é a cola que une a banda. O melhor e mais técnico dos guitarristas, melódico e absolutamente preciso nas composições, linhas base e solos. Simples assim... Janick Gers? Claro... Está lá! Neste show fez muito menos presepada... Rodou a guitarra nos braços, jogou pro alto, pegou... Zoou o Eddie... O de sempre... Mas nos solos... PQP... O “Ovelha bem nascido” DEBULHOU como NUNCA vi!!!... Steve Harris, com seus 60 completos e cabelos escuros tal qual um adolescente cavalga as quatro cordas, corre de um lado pro outro, faz backing vocal... O HEAVY METAL SÓ MORRERÁ COM ELE!!! Lemmy & Dio Live Forever!!! Nicko McBrain é o enfermo de sempre! Técnico e preciso, mas lamentavelmente cada vez mais lento, compensando com doses cavalares de mão de pedra na bateria.
UP THE IRONS!!!!
-    Nota: 10,0.
-    Indicado para: UP THE IRONS!!!!
-    Fuja se: UP THE IRONS!!!!
Setlist: http://www.setlist.fm/setlist/iron-maiden/2016/hsbc-arena-rio-de-janeiro-brazil-7bf0c238.html

NT: Os The Airumeidi!!!
NT: Filhodopínton, recuperadíssimo!!
NT: o show é tão bom que o Capiroto em pessoa vem prestigiar
NT: e aí, babou com o visual do novo palco?
NT: nosso enVIADO especial em seu momento groupie assanhada (foto por "Rédibênzi Desconhecido")

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Iron Maiden – The Book Of Souls (2Cds – 2015)

Iron Maiden - The Book Of Souls (2015)
Up the Irons!!
Por Trevas

Trevas e a Donzela
Outubro de 1995. Um jovem Trevas, no último ano do segundo grau se encontra longe da sala de aula, em casa e enfermo com quase 40º de febre somado a muita dor no corpo e náuseas. A tarde está surpreendentemente fria e chuvosa. Meu sono é então interrompido pela ligação de um amigo: “cara, acabou de chegar o novo disco do Iron Maiden aqui numa loja da Tijuca”. Trevas respira fundo, e ciente da responsabilidade que acomete um homem com uma missão, coloca seus tênis e um moletom velho, rumando debaixo de chuva para o referido bairro, atrás de X Factor, o primeiro disco da polêmica fase com Blaze nos vocais.

X Factor tirou um Trevas zumbi de casa
Bom citei esse episódio para mostrar o quanto o Iron Maiden já significou para mim no passado. Não foi minha primeira monomania juvenil (essa foi o Queen), mas certamente foi a mais forte e que durou mais tempo. Logo depois viria Virtual XI para derrubar o tabu, e a ruindade daquela obra me fez ver o óbvio, o Iron tinha defeitos, era uma banda mortal, como todas. Acabara a era da inocência e nada mais foi como antes. De repente, músicas horríveis como Gangland, Back In The Village, The Assassin, Quest For Fire, saltaram aos meus olhos. Não, nunca antes eu admitiria que o Iron em sua fase áurea tivesse pecados tão graves. Ah, a realidade. Bom, o tempo passou, e nem mesmo o retorno de Bruce e Adrian à banda com o legalzinho Brave New World conseguiram reavivar minha adoração pela Donzela. Seguiram-se o razoável Dance Of Death, o bom (com boca murcha, como diria um amigo) A Matter Of Life And Death e então o péssimo Final Frontier e minha certeza de que o Iron jamais faria algo realmente marcante de novo só se fortalecia.

Brave New World, um enganoso retorno à boa forma
Bom, então quando foi anunciado que o Iron lançaria mais um disco, novamente produzido por Kevin Shirley e dessa vez em formato duplo e batendo 90 minutos de duração, não poderia ter ficado menos empolgado. Confesso que nem o confronto com a morte travado por Mr. Dickinson foi capaz de me sensibilizar em relação ao futuro lançamento. Sou um rato de resenhas, o que aliás me fez criar esse blog, e já andava suspeito de que algo mudara ao esbarrar com palavras de outros ex-maidenmaníacos e atuais detratores da banda elogiando sem piedade o novo disco. E quando finalmente a banda soltou a música de trabalho, Speed Of Light, as suspeitas aumentaram. Não, a faixa não é nada excepcional, mas soa muito melhor que suas primas recentes (Different World, a pavorosa Eldorado e congêneres). Sim, há algo a mais ali. Talvez dessa vez eu esteja enganado. E lá fui eu, pela primeira vez em muitos e muitos anos, conferir com alguma expectativa um novo trabalho da banda mais amada da história do metal.


Disco 1
O início psicodélico de If Eternity Should Fail causará pavor àqueles que ainda tem na memória a péssima Satellite 15 do disco anterior. Graças à Odin a música logo se desenvolve para algo pesado e sombrio que muito mais se aproxima ao material solo de Bruce do que aos discos recentes da donzela (não por acaso é uma composição assinada exclusivamente por ele e até o trecho narrado ao final parece saído de Chemical Wedding). Um excelente início que de cara pôs em dúvida minha crença de que eu estaria com mais um cd para cumprir tabela em mãos.

Eddie de peito aberto para os fãs...

Speed Of Light, primeira música de trabalho, fruto da parceria entre Bruce e Adrian, é simples e direta. Bobinha até. Mas muito melhor que suas concorrentes dos discos anteriores, com bons solos, um refrão bacana e até mesmo um curioso cowbell!! Só que nela já podemos ver dois probleminhas na bolacha: 1. Bruce está penando nos tons mais altos, está soando feio e forçado em alguns momentos. 2. Kevin Shirley não acerta o som do Iron, em alguns momentos dá a impressão que estamos com uma demo boa em mãos.


The Great Unknown já tem aquela estrutura típica das faixas atuais do Iron, e incomoda um pouco em alguns momentos devido à insistência de Bruce em trabalhar em tons visivelmente desconfortáveis para sua voz. Mas ainda assim está acima da média atual da banda e novamente trabalha com um clima sombrio, que parece ditar a norma aqui, e tem belas obras de guitarra.

Única faixa exclusiva de Steve Harris na bolachinha, The Red And The Black é também sua melhor obra desde Sign Of The Cross. Um épico de 13 minutos com trechos de belas guitarras e um coro que clama por uma multidão empolgada em um estádio. When The River Runs Deep abre com algo de Moonchild e logo se mostra um rockão mais direto, bastante bom, por sinal, com ótimo refrão e variações interessantes de andamento.

Bruce descansando após chutar a bunda de um câncer
O primeiro disco se encerra com a faixa título, um épico pesado e bem inspirado, com elementos sinfônicos bem encaixados e que certamente fará parte dos shows vindouros.

Disco 2:
A segunda bolachinha começa com o pé no acelerador em outra parceria entre Bruce e Adrian chamada Death Or Glory, baseada nos embates aéreos da primeira guerra. Uma faixa empolgante com belos trechos de guitarra e que vai na contramão do material mais recente da banda. Shadows Of the Valley é a contribuição de Gers no disco, em conjunto com Harris, uma música bastante legal, que quase falha no resultado final por conta da voz de Bruce, novamente rateando nos tons altos. Tears Of A Clown é a já tão falada música inspirada no suicídio de Robin Williams. Quase radiofônica, é outra que deve muito mais aos discos solos do Mr. Dickinson e possui um refrão bem grudento e sua aparente simplicidade engrandecida por um andamento algo quebrado.

Iron Maiden 2015
The Man Of Sorrows tem um teclado irritante (para que tanto teclado fazendo camas desnecessárias numa banda com 3 guitarras???) e algumas passagens desinteressantes atrapalhando seu bom refrão, fazendo dela a menos inspirada de todo o disco.

Empire Of the Clouds, a ópera rock de Bruce sobre o acidente com um dirigível na década de 1930 vem dividindo opiniões. E dá para entender o motivo, seus longos dezoito minutos de duração tem lá seus altos e baixos. Bruce ao piano cantando em sua primeira parte é de uma rara beleza e mostra que o britânico ainda tem muita lenha para queimar e serve ainda para os detratores que reclamam da banda nunca ousar ficarem com uma pulga atrás da orelha. Mas talvez algumas passagens instrumentais pudessem ser encurtadas, e a performance do vocalista no momento da catástrofe, repleto de drama e novamente em tons muito altos, quase põe tudo a perder. Por sorte esses trechos não comprometem o todo e a música se encerra de forma bela e apoteótica, findando com ela os pouco mais de 90 minutos do Livro Das almas.

Bruce espreitando o horizonte
Saldo Final
Não, The Book Of Souls não vai ressuscitar seu amor juvenil pela banda, os tempos são outros tanto para os fãs antigos quanto para os combalidos britânicos. Mas se esse não for o disco a recuperar ao menos um pouco o respeito do grande público pela maior banda de Heavy metal da história, não sei que disco o fará. Imperdível.

NOTA: 86

Prós:
O melhor e mais equilibrado disco do Iron em décadas.
Contras:
Produção algo capenga, músicas muito longas.

Classifique como: Heavy Metal

Para Fãs de: Iron Maiden, claro

Ficha Técnica
Banda: Iron Maiden
Origem: ING
Disco (ano): The Book Of Souls (2015)
Mídia: CD Duplo
Lançamento: EMI (nacional)

Faixas (duração): CD 1 - 5 (52’), Cd 2 – 4 (42’)
Produção: Kevin Shirley
Arte de Capa: Mark Wilkinson

Formação:
Bruce Dickinson – voz e piano;
Steve Harris – Baixo;
Adrian Smith – Guitarra;
Dave Murray – Guitarra;
Janick Gers – Guitarra;
Nicko MacBrain – Bateria.