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quinta-feira, 17 de abril de 2014

This Is Your Life – Ronnie James Dio (Cd – 2014)

This Is Your Life
Vida Longa Ao Rei!
Por Trevas

Do Fim ao Início

Maio de 2010, recebo a ligação de um amigo e companheiro de banda. A voz do outro lado da linha trazia com ela todas as sombras de Mordor reunidas. Prendo minha respiração, enquanto a voz titubeante faz rodeios e não chega à evidentemente macambúzia noticia, e espero pelo pior. Finalmente a mensagem é passada “cara, o Dio morreu”. Fiquei surpreso e tive vontade de rir, dentre todos os cenários macabros que meu cérebro conseguira produzir desde que atendi o telefonema, esperava a fatalidade dentro do meu círculo social, e de certa forma fui tomado de imenso alívio. Brinquei um pouco com a situação e desliguei o telefone. Demorou cerca de cinco minutos até que me sentisse como se realmente a fatalidade tivesse se abatido sobre algum amigo próximo. Ronnie James Dio nunca soube de minha existência, mas sua voz falava comigo desde meus 16 anos de idade. Lembro-me como se fosse hoje: estava em São Paulo, entro no carro de um de meus tios, ia com ele até a galeria do rock, com dinheiro separado para comprar os discos faltantes a minha coleção do Iron Maiden.  A fita começa a rodar uma introdução que trazia uma fala de O Mágico de Oz, seguida de um rebuliço instrumental, e então um riff matador. Eu era fanático por Purple e em especial Ricthie Blackmore e reconheci o estilo do guitarrista de imediato. Quando achei que já era a melhor coisa que eu escutara até então, entra uma voz arrebatadora que me fez esquecer Ricthie Blackmore. A música era Kill the King, naquela versão do ao vivo On Stage. A voz, Ronnie James Dio. E repentinamente Bruce Dickinson já não me parecia mais o cara. E então eu soube que eu precisava escutar tudo o que aquele enigmático e gnomesco vocalista havia gravado. Meu dinheiro saiu do colo do insepulcro Eddie para a aquisição dos três discos de estúdio do Rainbow.

O grande amigo que nunca conheci
Stand Up And Shout

Wendy Dio fora casada com Ronnie James Dio por quase três décadas. Embora já separados quando Ronnie adoeceu, foi ela quem ficou ao lado do vocalista até os últimos instantes. Única empresária que Dio teve em sua carreira, Wendy criou em conjunto com o já enfermo músico o Stand Up And Shout Cancer Fund, instituição filantrópica que tem como alvo angariar recursos para investir em pesquisas relacionadas à cura e tratamento do câncer. Em seu leito de morte, Ronnie deixou uma missão nas mãos de sua companheira, todos os lançamentos póstumos que levassem sua marca deveriam deixar 100% da arrecadação atrelada ao fundo. Um ato que demonstrou que Dio manteve sua famosa nobreza até o último suspiro. Um verdadeiro legado de um pequeno grande homem.

Wendy e Ronnie - eternos amigos
Desde então alguns títulos já foram lançados com essa finalidade, em sua maioria explorando o vasto arquivo de gravações ao vivo nunca lançadas pelo vocalista. Em 2012, Wendy começou a trabalhar na ideia de um disco tributo, trazendo artistas famosos, cujo nome trouxesse um peso à causa que ela abraçou. Discos tributo ao Dio não são exatamente uma novidade, e em 1999 já havia sido lançado o ótimo Holy Dio, trazendo a nata do segundo escalão metálico em versões em sua maioria muito boas para os clássicos da carreira do anão (e.g.: Blind Guardian; Grave Digger, Doro, Fates Warning...). Mas quando foi anunciado que o tributo atual trazia gente como Motörhead, Scorpions, Anthrax e em especial Metallica, entendi o quão alto Wendy havia mirado. Contando com a excelente arte de capa de Marc Sasso, This Is Your Life foi lançado com grande expectativa. O legal é que o disco foi alçado diretamente à 25ª posição na parada da Bilboard, feito assombroso em se tratando de material relativo a um artista já falecido e que desde a longínqua década de 1980 não fazia parte do mainstream. Sinal de que a boa música nunca morre.

A excelente arte de Marc Sasso para o disco
This Is Your Life - Faixa a faixa:

Anthrax - Neon Knights
Os nova-iorquinos já haviam homenageado Dio em 2011, incluindo uma versão de Heaven And Hell em seu set na turnê do Big 4. Mas essa rendição de Neon Knights ficou bem mais bacana. Baseada em parte na original de estúdio, em parte na versão estendida costumeiramente apresentada pelo Black Sabbath ao vivo, cabe aqui destacar a voz de Belladonna, que ao menos em estúdio vem soando melhor que em seus tempos de sucesso com a banda. Ah, curiosamente, o guitarrista solo nessa faixa ainda é Rob Caggiano, que pouco depois disso abandonaria o posto para assumir as cordas no Volbeat. Um ótimo início.


Tenacious D – The Last In Line
A banda piada liderada pelos comediantes Jack Black e Kyle Gass sempre teve ligação estreita com Ronnie. Jack era amigo pessoal do gnomo e o D já havia homenageado o vocalista em seu primeiro disco, com uma música intitulada...Dio! Ah, e os artistas trocaram favores algumas vezes, com os comediantes participando do clipe de Push (de Killing the Dragon) e Ronnie aparecendo no filme da dupla, The Pick Of Destiny. A versão para Last In Line é bem legal, mais curta que a original,com a voz peculiar de Black guiando a canção com maestria. O solo de flauta substituindo o icônico original de guitarra foi um toque bem bolado.

Black, Gass e Dio: Tenacious Dio?
Adrenaline Mob – The Mob Rules
Existem dois vocalistas da atualidade que fazem justiça ao trono deixado vago por Ronnie. Um é o norueguês Jorn Lande e o outro é o estadunidense Russel Allen, que capitaneia o Adrenaline Mob. The Mob Rules foi gravada para o EP Covertà, quando Mike Portnoy ainda fazia parte da banda, e é tão fiel à original quanto avassaladora. Um dos destaques do disco.


Corey Taylor, Christian Martucci, Russ Parrish, Roy Mayorga – Rainbow In The Dark
Corey Taylor, o espoleta que lidera o Stone Sour e o Slipknot fez questão de participar do tributo. Fã confesso de Dio, juntou seus colegas de Stone Sour a Russ Parrish (ex- Fight) e gravou a toque de caixa essa surpreendentemente boa versão para a música mais famosa da carreira solo de Ronnie. Com boa performance vocal por parte de Corey e uma linha de guitarra substituindo o teclado original com maestria, Rainbow In The Dark pode ser uma porta de entrada para a molecada se interessar pelo catálogo do Dio. (Nota do Trevas: li em alguns lugares que Satchel, dos gaiatos do Steel Panther participa dessa faixa. No encarte ele não vem listado, qual foi então minha surpresa ao descobrir que Satchel e o sumido Russ Parrish são a mesma pessoa!!!!)


Halestorm – Straight Through The Heart
Uma das promessas do Hard/Heavy da atualidade, o Halestorm optou por fazer uma versão crua, sem a refinada produção que guiou seu último disco. Uma escolha acertada, a música ganhou uma cara nova, em parte pela pegada atual em outra pela excelente e poderosa voz de Lzzy Hale. Outra pedrada certeira.

Lzzy trazendo um toque feminino ao tributo

Motörhead & Biff Byford – Starstruck
Amigo pessoal de Ronnie desde os anos 1970, Lemmy não podia ficar de fora dessa festa. E não podia ser outra a escolha, Strastruck fala sobre um tema tipicamente Motörhead – a história de uma insaciável groupie. A participação do monocelha Biff Byford (do Saxon), cuja voz parece não envelhecer nunca, dividindo os microfones com Lemmy deixou essa versão com uma aura toda especial.


Scorpions – The Temple Of The King
A rendição dos alemães para a bela balada The Temple Of The King é um daqueles casos nos quais temos a impressão de que a música poderia muito bem ter sido escrita por eles, tamanha a identificação. Outro grupo que tinha uma boa relação de amizade com Dio, os Scorpions tomam para eles uma das músicas mais inspiradas do Rainbow. É de arrepiar.

Gnomos gêmeos? Dio e Klaus

Doro - Egypt (The Chains Are On)
Outro caso no qual a música se encaixa perfeitamente com o estilo do artista que a coveriza, Egypt já havia aparecido no excelente tributo Holy Dio. Doro, outra amiga de longa data do baixinho, dá uma vida toda nova à faixa com seu vocal rouco e algo sexy. Volta e meia a alemã adiciona essa mística canção em seus set lists.

Doro e Dio - a realeza do metal

Killswitch Engage – Holy Diver
Gravada em 2007, especialmente para uma edição da Kerrang!, essa versão para a música título do primeiro disco solo do Dio ganhou notoriedade na época, em especial pelo seu hilário clipe, que fazia troça com o tosco e icônico original. Ainda trazendo o excelente vocalista Howard Jones em sua line up, o KSE foi responsável por apresentar Ronnie Dio e sua música para a garotada fã da NWOAHM. Talvez a versão soe estranha aos ouvidos mais puristas. Particularmente, acho excelente.


Glenn Hughes, Craig Goldy, Rudy Sarzo, Scott Warren & Simon Wright – Catch The Rainbow
Bem, Hughes foi um dos melhores amigos de Ronnie, tendo até mesmo dividido um apartamento com o gnomo nas épocas de vacas magras. Foi ele o escolhido por Wendy para o concerto do Heaven And Hell que homenageou seu marido (em conjunto com Jorn lande, que acabou por se desentender com ela). Escoltado por ex-colegas de banda de Dio, Hughes acaba exagerando demais no tempero soul de sua interpretação, deixando a bela música um pouco estranha. Não ficou exatamente ruim, em absoluto, mas confesso que demorei algumas audições até me acostumar.


Oni Logan, Jimmy Bain, Rowan Robertson & Brian Tichy - I
O bom vocalista Oni Logan, famoso por ter feito parte do Lynch Mob, faz um trabalho bacana nessa excelente faixa do subestimado Dehumanizer. Um pouquinho respeitosa demais à original, a faixa acaba chamando mais a atenção por trazer de volta aos holofotes Rowan Robertson, que aos 19 anos apareceu ao mundo como o guitarrista prodígio que gravou o mediano Lock Up The Wolves do Dio.


Rob Halford, Doug Aldrich, Jeff Pilson, Vinny Appice, Scott Warren – Man On The Silver Mountain
Outra faixa a trazer um vocalista lendário escoltado por ex-colegas de Ronnie, Man On The Silver Mountain causa estranhamento a princípio. O metal god, a exemplo de quando capitaneou improvisadamente o Black Sabbath por dois shows, dá um pouco a impressão de que não está muito à vontade, mas na volta do solo ele acaba por se soltar mais e tudo se encaixa. De qualquer forma, a pegada da música ficou bem legal, com Aldrich brincando com o riff original no início da música, e após algumas audições acabei me acostumando e achando ótimo o cover.


Rob e Dio gravando Stars
Metallica – Ronnie Rising Medley
Quem me conhece sabe que não tenho nenhum apreço pela banda comercialmente mais bem sucedida da história do metal. Para variar, os ególatras condicionaram sua participação no tributo a não ficarem restritos a uma única música. Torci o nariz. Quando me disseram que o medley, que inclui trechos de Light In The Black, Tarot Woman, Stargazer e Kill The King (todas do Rainbow), estava matador, fui escutar cheio de preconceito. Quebrei retumbantemente minha fuça implicante. Alucinante desde a introdução, o medley traz o Metallica com uma fúria e perícia que não são vistos nos caras desde sei lá quando. E Hetfield conseguiu driblar de maneira brilhante suas limitações vocais, trazendo soberbamente músicas bastante complicadas de cantar ao seu característico estilo. Até mesmo a escolha da manjada Kill The King (que 789 bandas já coverizaram) tem que ser perdoada, é a melhor rendição para essa música que ouvi afora a original. Só para não dizer que perdi o sangue nos olhos e o veneno na língua, a passagem de Tarot Woman para Stargazer podia ter sido melhor elaborada, mas pedir que Lars replicasse a mítica introdução criada por Cozy Powell com alguma decência é um pouco demais, não? De qualquer maneira, num disco com nível bastante elevado, o Metallica conseguiu sobressair, tenho que dolorosamente admitir.


Dio – This Is Your Life
Talvez a única coisa que preste em Angry Machines, de longe o pior disco solo de Dio, this Is Your Life é uma balada belíssima. Com sua letra ganhando um significado tocante perante a morte de nosso ídolo, chega a dar arrepios ouvir a majestosa voz de Ronnie versar sobre a efemeridade de nossa existência. E sua performance nessa faixa serve para nos lembrar do imensurável talento que perdemos.

Saldo Final
Um excelente disco, repleto de talento e coração, feito para uma causa nobre e homenageando o maior vocalista que o heavy metal já ouviu. Preciso dizer mais?
O pequeno grande rei viverá para sempre através da atemporalidade de sua música.
E nós mortais temos que celebrar seus feitos, hoje e sempre. Agora me dá licença que vou escutar o disco de novo!

NOTA: 9,5


Prós:
Repleto de artistas consagrados, do passado e da atualidade. Todas as versões transpiram respeito e prazer em fazer parte da homenagem.

Contras:
Podia bem ser triplo...

terça-feira, 1 de abril de 2014

Adrenaline Mob – Men Of Honor (CD – 2014)

Adrenaline Mob - Men Of Honor (CD - 2014)
Adrenaline Mob – Men Of Honor (CD – 2014)

Finalmente Honrando a Famiglia!

Por Trevas

Um Disturbed Com esteróides?

Quando foi anunciado, em meados de 2011, o surgimento de um supergrupo de Heavy Metal reunindo o exímio Russell Allen (vocal, Symphony X), o subestimado guitarrista Rich Ward (do finado Stuck Mojo) e o polvo workaholic Mike Portnoy (então recém demissionário do Dream Theater), fiquei realmente curioso. Minha empolgação foi em bastante amplificada ao ler que esse supergrupo se afastaria o máximo possível do estilo que consagrara as bandas de origem de Russell e Portnoy, o por vezes asséptico Metal Progressivo. Completando o plantel, o virtuoso guitarrista Mike Orlando e o baixista Paul DiLeo (Fozzy). A banda lançou seu primeiro EP ainda em 2011, para reações um tanto quanto divididas: o approach moderno e direto causou algumas reclamações dos fãs de prog metal, enquanto outro grupo achou cedo demais para se tirar alguma conclusão.

The Mob - Primeira Turma
Em 2012 foi anunciada a saída de Rich e Paul, tendo sido o último substituído pelo baixista do Disturbed, John Moyer. Curiosamente, o disco de estréia da banda, Omertà, traz claras referências o som da banda de origem de Moyer. Sim, o primeiro tento do Mob soa exatamente como uma versão anabolizada do Disturbed. Nada contra, mas faltou o tino para músicas grudentas que fez do grupo de David Draiman um fenômeno de vendas nos Estados Unidos. Convenhamos, além de Undaunted (ver vídeo), muito pouco chama a atenção naquele disco. E quando sua melhor música é uma regravação metalizada para um hit do Duran Duran, é sinal de que há algo errado.


2013 viu a chegada do segundo EP do Mob, Covertà, um pacote de covers com resultados bastante desiguais (ver resenha da Cripta aqui). Logo após esse lançamento, Portnoy anuncia sua saída da banda, o que despertou o sentimento generalizado de que a história dos caras havia chegado a um fim, algo bastante corriqueiro no mundo do rock quando se trata de supergrupos. Muitos, como eu, foram pegos de surpresa quando foi anunciado não só que a banda já possuía um substituto para Mike, como também que um novo disco já estava no forno. O novo baterista é AJ Pero, o mão de marreta popularmente conhecido por envergar trajes de traveco e destruir peles e baquetas pelo lendário Twisted Sister. Convenhamos, um nome muito mais condizente com o estilo grosseirão do Adrenaline Mob. Como não havia me empolgado em nada com os lançamentos anteriores dos caras, ia deixar esse passar, até que um amigo me recomendou fortemente que desse uma chance a esse Men Of Honor. Então, lá fui eu escutar a bolachinha.

AJ pega dicas de maquiagem no Blog de minha esposa
Bem Vindo à Famiglia, AJ!


O começo é para lá de promissor, AJ descendo a lenha enquanto Mike Orlando faz um solo à lá Eruption (Van Halen), logo descambando para um Riff que podia muito bem estar no novo disco do Black Label Society. MIB (Mob Is Back, ver vídeo) soa exatamente como algo da banda de Zakk, com a vantagem de ter um dos melhores vocalistas do mundo no lugar do grunhido não mais que esforçado do nosso Viking ursão. A produção e mixagem ficou ao encargo do próprio Orlando que, além de debulhar nos solos de maneira impressionante, deixou a bolachinha com um som cristalino e repleto de punch.


Come On Get Up (ver vídeo) traz aquela veia moderna do disco de estréia, e apesar de possuir uma linha repetitiva nos versos (com participação vocal de Orlando), se salva devido ao refrão legal e por conta do bom solo.  Dearly Departed é a primeira faixa onde percebe-se um grande diferencial em relação ao lançamento anterior: Men Of Honor possui um bocado de infusões de um Heavy Metal mais clássico. Uma faixa bem legal, que exemplifica bem o estilo que a banda buscou no novo disco.


Behind These Eyes é a primeira balada do CD e seria forte candidata a povoar uma daquelas coletâneas tipo Lovy Metal, se elas ainda existissem. Uma faixa bonitinha que faria inveja ao Skid Row. Os riffs e vocais à lá Disturbed voltam em Let It Go, outra (boa) faixa com vocais divididos entre o abissal Russell e Orlando. Russell, aliás, canta um pouco mais solto nesse disco, não tentando soar malvadão o tempo todo, o que pode agradar um pouquinho mais os fãs de seus outros trabalhos fora do Mob.

Adrenaline Mob e o Visual Proxeneta Boladão
Em Feel The Adrenaline (ver vídeo) comecei a entender que a banda finalmente achou sua cara. Um misto entre o metal sujão e moderno com boas pitadas de tradicionalismo aqui e acolá. A banda definitivamente já não parece um primo mal humorado do Disturbed. John Moyer tem seu momento de destaque justamente nessa faixa, com um curto solo, e AJ Pero mostra mais uma vez que foi uma adição perfeita ao grupo. Apesar de Orlando e Russell serem os destaques absolutos do disco, a pegada pesadona do ex- traveco agregou bastante ao resultado final.


A faixa título (ver vídeo) faz o balanço perfeito entre moderno (versos) e tradicional (refrão), mostrando que a dobradinha vocal entre Russell e Mike veio para se tornar uma das marcas registradas dos caras. Crystal Clear começa como uma baladinha voz e violão meio chocha. E é isso mesmo que ela é, mas quando se tem um vocalista da grandeza de Sir Russell, até baladas chochas valem a pena. House of Lies quebra a tranqüilidade com um baita riff, letra escandalosamente idiota recheada de testosterona, berros do soberbo vocalista e um bom refrão. Um dos destaques, na certa. Judgement Day pode soar tão batida quanto o título indica, mas a energia compensa e é impossível não ter aquela vontade de banguear ao seu som. Falling To Pieces, a última do disco, tem a cara de metal feito para tocar no rádio. Mas é bem feita e cola na cabeça de imediato, encerrando Men Of Honor de maneira para lá de satisfatória.


Saldo Final

Justamente quando muita gente já não apostava mais no Adrenaline Mob é que os caras vieram com sangue nos olhos mostrar serviço. O grande mérito da banda no novo disco foi ter encontrado um meio termo entre a modernidade e o som mais tradicional, talhando assim uma cara própria e identificável, o que havia faltado em Omertà. Fico feliz por ter dado atenção à recomendação daquele meu amigo, Men Of Honor, a despeito das letras imbeciloides de machão boladão, é um disco de metal bastante divertido. Nada que vá mudar o mundo, mas quem se importa?


NOTA: 8


Prós:
A banda finalmente vai achando seu som. Músicas diretas e contagiantes. Grande trabalho de guitarra e voz. AJ Pero afunda crânios, para variar, só que dessa vez sem batom e rímel.

Contras:
Sonoridade bastante simples, letras idiotas. Ah, AJ Pero é ainda mais feio sem maquiagem!

Para Fãs de: Black Label Society, Disturbed, Dio.

Ficha Técnica
Banda: Adrenaline Mob
Origem: EUA
Disco (ano): Men Of Honor (2014)
Mídia: CD
Lançamento: Hellion Records (Nacional)

Faixas (duração): 12 (62’). 10 faixas na versão comum
1. Mob Is Back; 2. Come On Get Up; 3. Dearly Departed; 4. Behind These Eyes; 5.Let It Go; 6. Feel The Adrenaline; 7. Men Of Honor; 8. Crystal Clear; 9. House Of Lies; 10. Judgement Day; 11. Falling To Pieces.

Produção: Mike Orlando
Arte de Capa: Marc Sasso

Formação:
Russell Allen – voz;
Mike Orlando – Guitarras e voz;
John Moyer - baixo
AJ Pero– bateria.

sábado, 20 de julho de 2013

Curtas: Adrenaline Mob, Airbourne, Cathedral e Halestorm



Curtas: Adrenaline Mob, Airbourne, Cathedral e Halestorm


Adrenaline Mob - Covertá
Adrenaline Mob – Covertá (Ep – 2013)

A agora ex-superbanda de Mike Portnoy (um dos melhores bateristas da história recente do metal e também uma das figuras mais malas da cena) com o fantástico Russel Allen (vocalista do Symphony X) nos presenteou com mais um EP, dessa vez contendo somente versões para clássicos do Hard/Heavy. Em conjunto com o ótimo Mike Orlando (guitarras) e John Moyer (baixista do Disturbed), Portnoy e Allen arregaçam em faixas como a ótima High wire (do Badlands) e Barracuda (do Heart), mas não fazem justiça aos originais de Romeo Delight (Van Halen) e break on Through (The Doors). Lemon Song (Led Zeppelin) parece perdida em meio aos outros sons e as versões de faixas que continham Dio como vocalista em suas originais ficaram corretas, pois se há alguém capaz de fazer justiça à Ronnie, esse cara é Russel Allen. No geral, um disco legal, mas como o restante da curta discografia da banda, nos deixa aquela sensação de que falta algo.


NOTA: 6


Portnoy, Allen e grande elenco batem na trave...de novo





Airbourne - Black Dog Barking

Airbourne – Black Dog Barking (CD – 2013)

Os tresloucados australianos vem impressionando o mundo com seu som calcado nos primórdios do AC/DC, ancorados mais ainda por seus shows carregados de energia. Mas se ao vivo a banda já é considerada uma realidade e aparece em destaque em diversos festivais no verão europeu, em estúdio a coisa ainda não chega a emplacar. Com uma mistura da sonoridade AC/DC da era Bon Scott com infusões do hard rock americano do final dos anos 1980 (leia-se Motley Crüe e afins), tudo nesse terceiro disco da banda soa bacana e divertido, mas ao final dos seus pouco mais de trinta minutos de duração fica aquela sensação de que a banda deveria se esmerar um pouco mais e não soar tão genérica. Mas se você não se importa tanto com originalidade há de se divertir com a bem produzida bolachinha. Ah, e a capa é animal!

NOTA: 7

Attack Of the Mad Aussies





Cathedral - The Last Spire


Cathedral – The Last Spire (CD – 2013)

Talhado como o ultimo disco da carreira de um dos combos mais festejados da história do Doom Metal, The Last Spire é bem menos afeito á experimentações do que The Guessing Game (disco de 2010). Após uma demasiado longa introdução climática, Pallbearer finalmente toma nossos ouvidos de assalto com o que Lee Dorrian e sua trupe sabem fazer de melhor: Doom ultra arrastado calcado em riffs monolíticos do subestimado Gary Jennings. Já li por aí reclamações de que o disco pouco arrisca e não mostra nada diferente do que a banda já fizera no passado. Não deixa de ser verdade, mas considerando se tratar do encerramento da história da banda, creio que a intenção tenha sido justamente fazer uma ode ao próprio legado. Um senhor legado, diga-se de passagem, e The Last Spire mostra-se um final bastante nobre para uma banda que deixará saudades.

NOTA: 8

Lee Dorrian e sua turma, sempre sem pressa


Halestorm - The Strange Case Of
Halestorm – The Strange Case Of (CD – 2012)

Os novos queridinhos da América faturaram um Grammy como melhor canção Hard/Heavy pela faixa de abertura desse seu segundo disco, a viciante Love Bites (So Do I). Mesclando uma mão cheia para melodias radiofônicas e um vigor de botar muita banda de Hard rock no chinelo, os talentosos irmãos Lzzy (voz e guitarra) e Arejay Hale (bateria) fizeram um disco quase perfeito para o mainstream, mas que pode ser bem apreciado por fãs de um rock mais true. “Quase” porque o excesso de baladas acaba por cansar um pouco a audição completa do disco. Uma pena, pois é justamente nas faixas mais pesadas que a banda se sai melhor: a sequencia inicial com a já citada Love Bites, Mz Hyde, I Miss The Misery e Freaks Like Me somada à excelente Daughters Of Darkness seriam o suficiente para convencer os fãs de um bom Hard rock, todas ancoradas nos ótimos vocais da bela Lzzy. Mas nesse meio temos um punhado de baladas e faixas mais melosas que atingem um nível quase Avril Lavigniano. Tomara que a banda invista em seu lado mais rocker, pois ao que ao que consta por suas apresentações ao vivo, é aí que reside o verdadeiro talento da banda.

NOTA: 7

Lzzy Hale e sua bela...guitarra