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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Candlemass – The Pendulum (EP-2020)




Limpando O Baú

Por Trevas

Para quem ameaçou se aposentar, Leif Edling, baixista e mentor do Candlemass, parece incrivelmente ativo. Tão logo a banda retornou da bem-sucedida turnê de promoção do último disco, já foi anunciado o lançamento de mais um EP, algo que tem se tornado corriqueiro para a banda em tempos recentes.

Mais Um Ep, Leif? Cê tem que parar de arrumar essas tretas!

A faixa título foi a última composta para The Door To Doom, originalmente pensado como um disco duplo. Com produção finalizada, é uma faixa legal, mas aquém de quase tudo que entro naquele disco.



O restante dos 20 minutos do EP se resume a versões demo de faixas que não foram finalizadas para The Door To Doom. A qualidade da gravação não é ruim, não, nem saberia se tratarem de versões demo caso não fosse informado no Release. Mas somente as boas Snakes Of Goliath e Porcelain Skull são músicas completas de fato, as restantes são meros interlúdios instrumentais, de pouco mais de um minuto cada. Sub Zero e The Cold Room são pequenas peças acústicas. Já Aftershock nada mais é do que uns barulhinhos pentelhos. Ao final das contas, um material que não agrega muito à carreira dos veteranos, e só fará a alegria dos fanáticos completistas de plantão. (NOTA: 6,77)



Gravadora: Hellion Records (nacional).

Pontos positivos: Três boas faixas

Pontos negativos: Três sobras desnecessárias

Para fãs de: Memento Mori, Solitude Aeturnus

Classifique como: Doom Metal



terça-feira, 30 de abril de 2019

Candlemass – The Door To Doom (CD-2019)



A Porta Da (Des)Esperança
Por Trevas

Confesso que o anúncio do 12º disco de estúdio da lenda sueca do Doom Metal me deixou tão animado quanto um convite para uma feijoada vegana à base de jiló. Não me entendam errado, amo Candlemass e acho a discografia dos caras matadora até Death Magic Doom, de 2009. O problema é que, de lá para cá, o dono da bola, Leif Edling, parece ter perdido o rumo. Envolto em sérios problemas de saúde (que praticamente encerraram sua jornada nos palcos), e titubeante em encerrar ou não em definitivo as atividades do Candlemass, Leif passou a compor e gravar discos para diversos projetos, com resultados diversos em termos de qualidade. E essa inconsistência atingiu em cheio sua banda principal, que teve uma aposentadoria melancólica (com o medíocre Psalms For The Dead) interrompida por dois Eps algo burocráticos (na voz de Mats Levén). E se o anúncio de que o novo trabalho Full Length teria como trunfo o retorno de Johan Längqvist (que eternizara sua voz no clássico absoluto Epicus Doomicus Metallicus, de 1986) ao microfone parecia promissor, a arte gráfica burocrática e o nome tacanho (Door to Doom?!?Sério?!?) me fizeram temer por mais um disco “para cumprir tabela”. Graças a Odin eu provei mais uma vez estar epicamente enganado...


Leif and The Car Of Doom - Candlemass 2019


Microfonia a postos, riff monolítico e andamento de tartaruga sifilítica. Bela introdução, mas Splendor Demon Majesty acelera e a ótima voz de Johan (parecendo uma improvável versão demoníaca de Roy Khan) nos joga na cara: com todo respeito a Mats Levén e Robert Lowe, o Candlemass achou novamente sua voz. Os arranjos épicos emulando uma orquestra satânica pontuam dramaticamente uma faixa que talvez não soasse tão perfeita nas vozes dos vocalistas citados. O clima de Epicus Doomicus Metallicus é conjurado na bela melodia, declamada sobre um dedilhado misterioso na introdução, da apoteótica Under The Ocean, que logo assume um peso digno de um peido carregado do Godzilla.



Confesso que nesse exato momento eu estava a procurar meu cu, recém caído da bunda, quando AstorolusThe Great Octopus (que nome brilhantemente idiota!) varreu meus tímpanos da face da Terra. Ao longo das décadas, muitos acusaram Leif Edling de fazer do Candlemass um eterno tributo ao Black Sabbath. Senhores, vocês estão certos, mas fodam-se, solenemente. Pois Leif traz nessa faixa o próprio Iommi para carimbar sua obra, com um daqueles solos que só poderiam ter saído do bigode do “criador” do heavy metal como o amamos.



A produção do disco é seca, pesada e sombria, como pede o figurino. O produtor, Marcus Jidell, já trabalha com Edling (também como guitarrista) tem um tempo, seja no Avatarium (ele é esposo da cantora, que faz backing vocals aqui) ou no Doomsday Kingdom), então sabe exatamente como agradar bem o patrão. E o rapaz tira um ótimo som, sem frescuras, potencializando o poder de fogo dos veteraníssimos Mappe e Lars (guitarras) e Jan Lindh. Mas nem só de trauletadas vive a bolachinha, que tem na viajante balada Bridge Of The Blind um de seus mais belos momentos, coroando o retorno estelar de Mr Längqvist.



A pressão retorna em Death’s Wheel, com aquela queda de andamento no refrão bem típica da banda, uma faixa que parece saída do pesadíssimo disco homônimo de 2005. Até aqui The Door To Doom soa tão perfeito que até a boa Black Trinity parece representar uma enganosa “queda” de qualidade. E se você acha que estou exagerando sobre o quanto Johan fez bem à banda, ouça a nova rendição para House Of Doom e contemple o quanto ela soa absurdamente melhor que na versão do Ep homônimo. Logo em seguida a belíssima e épica The Omega Circle encerra os 49 minutos da bolachinha com maestria, nos lembrando mais uma vez que estamos diante de um dos grandes momentos da carreira da banda.



Veredito da Cripta

Épico, Doom e Metal para caralho. Se você ama heavy metal, faça um favor a vossa existência patética e corra atrás de uma cópia desse CD, que é desde já um dos melhores trabalhos de toda a discografia do Candlemass. Fortíssimo candidato a disco do ano!


NOTA: 9,75


Visite o The Metal Club
Gravadora: Hellion Records (nacional)
Prós: tem as melhores composições de Leif desde o disco homônimo, a voz de Johan
Contras: a produção pode soar preguiçosa a ouvidos mais frescos
Classifique como: Doom Metal
Para Fãs de: Black Sabbath, Saint Vitus

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Candlemass – House Of Doom (Ep – 2018)

Candlemass - House Of Doom

O Retorno Dos Mortos-Vivos
Por Trevas

Se um dia alguém ousar escrever um livro sobre a história do Doom Metal, pode apostar que alguns capítulos deverão ser reservados aos suecos do Candlemass. Um dos pioneiros e ícones do gênero, infelizmente a banda tem sofrido com uma estranha síndrome de morto-vivo. Envolto em uma série de problemas de saúde, o líder, baixista e compositor de 99% do que os caras já fizeram, Leif Edling, anunciou o encerramento das atividades do Candlemass, lá em 2012. Segundo reportado à época, ele queria que a banda parasse no topo, antes de começar a lançar discos “meia-boca” (como aliás foi o fraco canto do cisne, Psalms For The Dead). O fim não durou muito. A banda continuou a excursionar aqui e acolá, com Leif raramente subindo aos palcos e o microfone sendo entregue ao amigo e colaborador eventual Mats Levén (Therion, Malmsteen). E em comemoração dos 30 anos do disco de estreia, em 2016, lançaram até mesmo um bom Ep, Death Thy Lover. Eis que sou pego de surpresa ao me deparar com mais um Ep lançado na surdina, House Of Doom, que inclusive ganhará edição nacional. Vamos ver o que nosso adorável zumbi aprontou dessa vez.


Leif e sua trupe
A faixa título é Candlemass clássico, não traz absolutamente nada de novo ou excepcional, mas deve agradar quem estava com saudade do som único dos suecos.



Flowers Of deception sonoramente até remete ao ótimo disco de retorno da formação clássica, mas sofre do mesmo mal que aflige boa parte das composições atuais de Leif em seus muitos projetos diferentes, uma certa preguiça nos refrães. Uma pequena decepção, só para não perder o trocadilho. A acústica e climática Fortuneteller eleva o nível, mas tem cara de quem funcionaria melhor em algum disco do Avatarium. Dolls On A Wall é uma curta e desinteressante instrumental que encerra enigmaticamente os parcos 19 minutos de música desse Ep.


Veredito da Cripta

Seis anos atrás Leif Edling anunciara o fim do Candlemass dizendo que não queria que a banda passasse a lançar discos meia-boca. Caro Leif, era melhor ter mantido o caixão fechado, pois meia-boca é exatamente o termo que define com precisão esse House Of Doom. Recomendado somente para os tarados pela banda e completistas de plantão.


NOTA: 6,65

Visite o The Metal Club

Gravadora: Nuclear Blast (importado).
Pontos positivos: a faixa título é ok
Pontos negativos: o restante soa como um punhado de sobras de estúdio
Para fãs de: Memento Mori, Solitude Aeturnus
Classifique como: Doom Metal



terça-feira, 26 de julho de 2016

Curtas: The Cult, Candlemass, Anthrax e The 69 Eyes

The Cult + Candlemass + Anthrax + The 69 Eyes


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The Cult - Hidden City

The Cult – Hidden City (Cd - 2016)

Inspiração Oculta

Ian Astbury, torcedor do Everton e ávido por qualquer partida de futebol disponível em sua TV, ficou impressionado quando o argentino Tevez, ao comemorar um gol marcado pela Juventus, levantou sua camisa e, ao invés de exibir um anúncio comercial qualquer, exibiu os dizeres “Ciudad oculta”, uma referência a suas origens pobres nos subúrbios de Buenos Aires. Daí vem a inspiração para Hidden City, segundo trabalho dos veteranos desde que Ian anunciara que a banda não mais gravaria um disco inteiro. Ironia do destino, se quando eles lançaram o ótimo Choice of Weapon (ver resenha aqui) eu comemorei o fato da banda ter voltado atrás em sua decisão, dessa vez tenho que admitir que preferia que eles tivessem abortado a ideia de lançar mais discos.

Duffy pensando "que porra esse cara está cantando?"
A verdade é que o material aqui parece algo sem direcionamento. Mesmo em seus melhores momentos, como nas boas Hinterland (ver vídeo), Dark Energy, No Love Lost e na bonitinha Birds of Paradise, esse Hidden City fica longe de ser memorável. Os riffs de Billy Duffy estão lá, mas não parecem ser o centro das atenções na produção errática do igualmente errático Bob Rock. E é a voz desgastada de Astbury que puxa o barco, mas dessa vez sem o mesmo brilho dos discos anteriores. Ian parece se preocupar mais em balbuciar suas poesias do que propriamente criar linhas melódicas de qualidade. Um bom exemplo disso é a chata e presunçosa Deeply Ordered Chaos, que faz companhia a fraquíssima Sound And Fury na ala desinteressante do disco. Aliás, músicas desinteressantes que se fazem presentes em número maior do que as inspiradas, fazendo desse Hidden City o pior disco da banda desde o equivocado “disco do bode”. Um trabalho indicado única e exclusivamente aos fanboys mais ardorosos.

NOTA: 6,77

Indicado para: apenas os fãs mais ardorosos;
Fuja se: não for um fanboy;
Classifique como: Hard Rock, Rock Alternativo


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Candlemass - Death Thy Lover
Candlemass – Death Thy Lover (Ep – 2016)

A Volta dos que não Foram

Confesso, quando Leif Edling anunciou a extinção do Candlemass ao lançar Psalms For The Dead (Ver resenha aqui), eu fui um dos tolos que acreditaram. Aquele lançamento mostrava uma banda cansada e abaixo do potencial. Eis que, como acontece em 90% dos casos no mundo do rock, pouco tempo depois fomos agraciados com a notícia de que não só a banda não encerraria as atividades, como também lançaria um novo Ep. O vocalista aqui é Mats Leven, o mesmo que vem segurando as pontas ao vivo (muito bem, por sinal). E esse Ep de quatro faixas e pouco mais de 20 minutos é um representante muito mais digno do poder de fogo dos Suecos do que fora Psalms.

Candlemass, quando o patrão Leif não está no departamento médico
A faixa título é um daqueles clássicos instantâneos, enquanto Sleeping Giant e Sinister & Sweet, se não atingem esse nível de excelência, ao menos passam longe de serem desinteressantes. A instrumental The Goose é a típica música que faria um fã de power metal melódico cortar os pulsos, mas que com certeza vai conquistar os Doomheads de plantão. Enfim, não há nada de novo aqui, Leif está pregando para os convertidos. Mas, cara, como isso é legal!

NOTA: 8,54


Indicado para: Fãs de metal tocado à velocidade de uma tartaruga sifilítica, mas pesado como um elefante obeso;
Fuja se: velocidade for o que move teu amor pelo metal;
Classifique como: Doom Metal


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Anthrax - For All Kings
Anthrax – For All Kings (Cd-2016)

Jogando pelo Empate

Segundo trabalho após o retorno de Belladonna ao Anthrax, For All Kings começa promissor, com a épica introdução Impaler preparando o terreno para a veloz e efetiva You Gotta Believe. Monster At The End também acerta o tom, com refrão bacana, ainda que soe algo repetitiva. A bolachinha sofre a partir daí com um sério problema de alternância no padrão de qualidade, revezando faixas boas como Suzerain (ótimo solo do estreante Jonathan Donais), Defend/Avenge, This Battle Chose Us e especialmente Blood Eagle Wings (outro belo momento de Donais e disparado a melhor música do disco, ver videoclipe), medianas como a faixa título, All of Them Thieves e Evil Twin (primeira faixa de trabalho) com outras bem fraquinhas, como a pentelha Breathing Lightning (com seu rabicho instrumental irritante Breathing Out).

Anthrax vivendo dias cinzentos
A rifferama de Scott Ian está lá, tal como o rolo compressor do subestimado Charlie Benante. Frankie Bello está um pouco afundado na mixagem e o novato Donais reserva para os fãs solos bem feitos e funcionais. Já a produção, essa me pareceu um pouco murcha, tal qual a atuação de Belladonna, repetitiva e algo burocrática. Ok, nunca fui grande fã do caboclo, mas confesso que a performance dele em Worship Music havia calado parcialmente minha boca, mostrando uma voz bem mais encorpada que no passado. Aqui já me parece a atuação de um músico ligado no piloto automático. Independente da produção e voz, o resultado final de For All Kings está longe de ser ruim. Mas é um inegável passo atrás em se considerando a dobradinha We’ve Come for You All e Worship Music.

NOTA: 7,20

Indicado para: fãs de thrash com fortes toques de metal tradicional;
Fuja se: preferir um thrash mais encorpado e malvado;
Classifique como: Thrash Metal, Metal Tradicional


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The 69 Eyes - Universal Monsters
The 69 Eyes – Universal Monsters (Cd-2016)

De Volta Ao Goth’n’Roll

Os finlandeses do 69 Eyes viveram a gangorra comum a muitos grupos que começam a galgar um patamar de sucesso maior que o nicho deles comporta. A banda já havia balançado entre o Gótico e o Sleaze quando Gothic Girl se tornou febre nas rádios e boates escandinavas. Era o som que apropria banda rotulara como Goth’n’Roll. Rapidamente o ótimo disco Blessed Be foi catapultado ao topo das paradas de sucesso e os caras se viram transformados de um “guilty pleasure” escondido no underground a uma banda incensada pela grande mídia. O disco seguinte, Paris Kills, manteve a toada, garantindo um contrato bastante bom com a EMI e uma dobradinha de discos (Devils/Angels) com ampla distribuição e vendagem ao redor do globo.

Os Vampiros de Helsinki, chegando um pouco atrasados para a onda emo
Daí para frente, a banda entrou numa crise de identidade, ora buscando um certo retorno às origens (com o bom Back In Blood), ora apostando ainda mais no Mainstream (com o fraco X). Universal Monsters parece ter sido pensado para trazer um certo equilíbrio à carreira da banda, e o fez com sucesso. Se o disco começa numa toada boa, mas previsível (com a quadrilha que começa com Dolce Vita e termina com Lady Darkness), e ameaça desandar de vez com a irritante Miss Pastis, é impossível resistir à excelência do trio formado por Shalow Graves, Jerusalem (ver vídeo) e Stiv & Johnny – três das melhores músicas que os vampiros de Helsinki já gravaram. Daí para frente o que viesse já seria lucro, mas Never e Blue ainda são faixas tão bacanas que até podemos perdoar o desleixado encerramento com Rock ‘n’ Roll Junkie. Um disco bem legal, que deve trazer os Vampiros de volta aos inferninhos ao redor do planeta.

NOTA: 8,04

Indicado para: fãs de Hard Rock e Gothic Rock;
Fuja se: a idéia de um caboclo personficando Elvis cantando Gothic Rock te soar um pesadelo;
Classifique como: Gothic Rock, Hard Rock, Goth’n’Roll


sábado, 23 de abril de 2016

Candlemass - 30 Years/Latin American Tour (20/04/16 - teatro Odisseia - Rio de Janeiro/RJ)

Flyer do Show
Doom The Night Away!!
Texto e fotos por Trevas

Um dos baluartes (e pioneiros) do Doom Metal, o Candlemass é daquelas bandas que amo e que já havia riscado da minha lista de show a assistir. Imaginei que nunca os veria por aqui. Vejam só, depois da banda ter anunciado o fim das atividades eis que não só sou surpreendido pela notícia de uma turnê de retorno, mas também com o anúncio de que essa turnê passaria pelo Brasil, com uma data no Teatro Odisseia.

Odisseia, te odeio!

Aviso ao incauto leitor, se quiser saber mais sobre o show em si, pule esse parágrafo, um mero muro de lamentações em relação ao local do show. Já falei trocentas vezes aqui e repetirei quantas vezes for: como o Teatro Odisseia é ruim! Além da visibilidade precária para os gnomos (meu caso), o som é bem ruim 789% das vezes. Mas além disso somos sempre obrigados a conviver com a inexplicável fila na entrada mesmo quando a casa está vazia, além dos preços medonhos das cervejas vendidas por lá. E os preços dos ingressos não acompanham a falta de qualidade do local, vide o valor quase equivalente para se assistir o Symphony X no Circo (com som e estrutura um bilhão de vezes superiores). Até compreendo a falta de opções de casas de shows desse porte, mas após ter assistido My Dying Bride, Sabaton e Anneke no ótimo Teatro Rival (de capacidade semelhante e bem próximo dali) fica difícil aceitar pagar caro no Odisseia, sorry.

Backdrop digital projetado ao fundo do palco
A Missa Negra

Bom, vamos ao que interessa: às 21:20 a marcha fúnebre toma de assalto os combalidos ouvidos de um público majoritariamente de meia idade. E dali para frente o que se viu foi uma missa negra onde cada palavra e até mesmo guitarra emitidos pelos pastores sombrios eram fielmente replicados pelos súditos. Um raro caso onde 100% da plateia conhecia o material executado de cabo a rabo.

Candlemass e seus súditos
Começar a apresentação com a dobradinha Mirror Mirror e Bewitched foi como anotar um gol de bicicleta logo aos 5 minutos de jogo. O que viesse dali para frente já deixaria todo mundo feliz. Mas felizes mesmo ficaram os suecos ao ver a nova Prophecy ser cantada com tanta avidez quanto os clássicos. O cinquentão Mats Leven (Malmsteen, At vance, Therion, Krux) pode não ser a escolha que eu faria para a banda, mas mantém seu gogó afiadíssimo, executando à sua maneira algo estridente músicas de todas as fases com resultados melhores do que Robert Lowe conseguiu. 

Mats Levén recuperando o fôlego com o gigante Lord K ao fundo 
Muitos foram surpreendidos pela ausência do patrão Leif Edling no palco. Acometido por enfermidade, Leif vem abdicando dos palcos não só com o Candlemass quanto com o Avatarium. Aqui no Brasil o escolhido para representar Mr. Edling foi o carismático grandalhão Lord K (nome artístico do sueco Kentha Phillipson, multi-instrumentista do Project Hate). O resto da banda, os comparsas de longa data Mats "Mappe" Björkman (único original no palco) e Jahn Lindh demonstravam imensa felicidade de estar ali, ainda mais após os problemas no show da Argentina, onde a apresentação foi interrompida por quedas de luz e teve que ter seu som diminuído por solicitação da polícia local. O canhoto Lars Johansson, outro membro da formação clássica, debulhou sua guitarra com aquela sonoridade típica dos grandes guitarristas dos primórdios do Heavy Metal.

Lars, ou como disse Mr. Croce, o canhotinha de ouro do Candlemass
Sobre o repertório, é bem complicado resumir 30 anos de uma banda de Doom Metal, repleta de longas músicas, em cerca de uma hora e meia de apresentação. Belezuras obrigatórias como A Sorcerer's Pledge e At the Gallows End se misturaram com algumas surpresas como Emperor Of the Void (faixa de abertura do melhor disco da fase Lowe, mas curiosamente a de pior recepção) e A Cry From the Crypt (Cripta, alguém falou Cripta???). Claro que cada um dos presentes tem suas preferidas e faria opção diferente, mas garanto que se jugarmos o show pelo que foi tocado (e não pelo que não foi), colheremos só sorrisos. Sorrisos esses que quase viraram choro compulsivo quando a banda iniciou a estupenda Solitude. Nela fica claro que Mats tem problemas nas partes mais graves das músicas, mas ninguém deu a mínima, ele nem precisava se esforçar, o público cantou a plenos pulmões cada sílaba. O fim da missa se aproximava, e após aquela encenação básica, a banda finge estar atendendo excepcionalmente a pedidos dos fãs (eles fizeram isso em todos os shows da turnê, mas poxa como nos sentimos especiais, hehehe) e então executam Samarithan. E fez-se Doom, e cada um dos presentes voltou para casa feliz com a aula sombria que presenciou. Um showzaço (NOTA 9).




Class Dismissed!!!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Candlemass - Psalms For The Dead (2012)



NO MORE DOOM?



Prólogo -Surge a máquina Sueca do Juízo Final

Um dos baluartes do doom metal na década de 1980, o Candlemass fez sua fama ao misturar o peso sombrio e monolítico dos primórdios doBlack Sabbath com o então novo metal europeu. Após um início bombástico com o excelente Epicus Doomicus Metallicus, os suecos liderados por Leif Edling (baixista e compositor de 99% do material da banda) acharam sua voz sob a rotunda forma do maluquete Messiah Marcolin, uma gigante e desgrenhada figura que se vestia de monge. Dono de voz e carisma muito acima da média, Messiah levou a banda a uma sequência de trabalhos obrigatórios na discografia de qualquer fã de metal (Nightfall, Ancient dreams e Tales Of Creation).

Candlemass - Messiah ao centro em sua glória capilar


Isso até que os egos começaram a falar mais alto que a música, culminando com a saída de Messiah, em 1990. Nãos em deixar para trás o monstruoso registro ao vivo Candlemass – LIVE.
A banda prosseguiu sob a forma de uma espécie de projeto solo de Leif Edling, lançando discos cada vez mais experimentais (discos esses desprezados sem eu tempo, mas que ganharam estatus “cult” recentemente), até que desapareceu do mapa em 1999.
No início dos anos 2000, pegando carona na onda de reuniões de formações clássicas de bandas de metal, eis que o improvável acontece: Messiah retorna ao Candlemass.


Candlemass 2002 - o retorno
Uma turnê de retorno matadora foi o prenúncio do lançamento de um dos melhores discos da banda, uma pedrada homônima produzida pelo mestre Andy Sneap e que se tornou um dos melhores discos de 2005 (ver vídeo para Black Dwarf):






Mas logo a personalidade insana de Messiah entraria novamente em choque com a tirania assumida de Leif Edling. No momento em que adentravam o estúdio para gravar o sucessor de Candlemass, o monge maluco pelou fora do barco.


Messiah colocou o terninho e foi procurar emprego


A Nuclear Blast, gravadora da banda à época, tentou demover Messiah e convencê-lo ao menos a concluir as gravações. Chegaram a oferecer um ótimo contrato para um disco solo para o balofo, mas sem sucesso.

Parecia tudo perdido...

Candlemass redivivo – De novo!

Mas o obstinado Leif Edling convenceu a Nuclear Blast que seu material era forte o suficiente para sobreviver à mudança dramática de formação.  Substituto? Robert Lowe, excelente vocalista americano que há alguns anos já emprestava sua voz a um filhote do Candlemass, o bom Solitude Aeturnus.

Robert "Leôncio" Lowe
Com voz única e poderosa, aliada a excentricidade visual comparável à do Messiah, Robert Lowe conquistou de cara quase todos os fãs da banda. Facilitou em muito o fato dos discos subsequentes, King Of The Grey Islands e Death Magic Doom apresentarem material que rivalizava facilmente com os clássicos de outrora.

A banda com Robert Lowe

Mas, após a boa fase, somos pegos de surpresa com duas notícias:

A primeira, o Candlemass lançaria seu disco derradeiro, encerrando suas atividades ao final da turnê.

A segunda, dada logo após o anúncio da data de lançamento do disco, é ainda mais triste. Robert Lowe fora chutado da banda, sob a estranha acusação de que suas performances ao vivo não vinham atingindo um padrão de qualidade aceitável (ver link da página oficial):



Resignado, corri atrás de uma cópia do canto de cisne de uma das bandas que mais gosto, ansiando fortemente que tal canto fizesse justiça a carreira brilhante da mesma.

Psalms for The Dead foi lançado em vários formatos. O formato aqui analisado conta com o CD original e um DVD. Como não existem faixas bônus, o conteúdo extra do DVD será analisado após a resenha. O pacote em si é bonito, um digibook contendo letras e fotos interessantes. A arte gráfica segue o padrão dos últimos discos, sombria, simples e efetiva.

Quanto ao material sonoro, lá vamos nós:


Entoando os Salmos

Logo nos primeiros instantes de Prophet fica claro que peso não faltará à bolacha. A faixa é um tanto mais veloz que de costume, tal qual If I Ever Die na abertura do álbum anterior. Clima épico, boas linhas de voz, mas coroadas por um refrão algo preguiçoso, ótimos solos e o som de hammond, todos esses pontos se destacam em Prophet e seriam uma constante no restante disco. Uma boa faixa de abertura, certamente.



Passamos a The Sound Of Dying Demons.A bateria marcando o tempo seguida de um riff soturno e distorcido parece uma óbvia referência a Iron Man, mas há de se lembrar, a própria existência do Candlemass é uma eterna referência (e reverência) ao som do Black Sabbath. Os teclados criando um clima de filme de terror ou ficção científica de baixo orçamento fazem ressurgir resquícios do Candlemass de Dactylis Glomerata ou From the 13th Sun (cortesia de Carl Westholm, que fez parte da banda nessa época). Mais um refrão preguiçoso e repetitivo (estaria o Candlemass ouvindo muito o Iron Maiden atual?). Dispensável. Começo a temer pelo restante do disco.

Começa Dancing in The Temple (of the Mad Queen Bee), uma faixa atípica.Algo acelerada, curta e nada melancólica (ao menos para os padrões da banda), a faixa vale novamente pelos ótimos solos.Forçando bastante a barra, poderíamos fazer um paralelo desta música com as influências neoclássicas de Tales Of Creation.

Waterwitch começa pesada e promissora, sua estrutura épica lembrando bastante outras faixas da atual encarnação do Candlemass. Mas nada a salva de mais um refrão modorrentamente preguiçoso – “Waterwitch, Waterwitch, Waterwicth...”. Fica a clara impressão que o chefão, compositor, letrista e baixista Leif Edling já viveu dias mais criativos.

Leif, pouco antes de soltar os cachorros...pobre Lowe

O clima de desesperança não é algo incomum e necessariamente ruim em um disco de doom metal, exceto quando se trata de desesperança na capacidade da banda em fazer um bom disco. Mas o jogo ainda não havia terminado, e as coisas começariam a melhorar. Consideravelmente, diga-se.

Reminiscências do passado do Candlemass com Messiah Marcolin podem ser encontradas em The Lights Of Thebe, cujo clima oriental misterioso leva o típico carimbo de excelência da banda. Ótima música, que marca uma considerável reviravolta de qualidade no restante da bolacha.


A faixa título é o tipo de material que esperava escutar desde que apertei o play em meu aparelho de som para fazer essa resenha: riffs monolíticos, solos inspirados, belas linhas melódicas e refrão marcante. Tudo isso coroado pelo peso típico do doom metal. Forte candidata a clássico.

Outro início com marcação de bateria e logo somos presenteados com um riff que parece saído de Vol4, do Black SabbathThe Killing Of The Sun tem algo que a deixa no meio tempo entre o doom tradicional e o Stoner. Matadora.

Efeitos que novamente remetem aos álbuns mais experimentais da banda iniciam Siren Song, deixando-a com algo de Uriah Heep, o que não pode ser considerado um insulto. Algo como um remake deRainbow Demon, conta com uma ótima performance de todos e solo de teclado, cortesia de Per Wiberg (Spiritual Beggars, Opeth).

O disco se encerra com a boa Black As Time. A descontar a desnecessária introdução falada, que ao invés de criar um clima sombrio parece mais saída de algum esquete perdido do Monty Python, Black As Time literalmente fecha o caixão do Candlemass com alguma dignidade funesta.

Sobre os desempenhos individuais, o Candlemass sempre primou em jogar para a equipe. Leif Edling e Jan Lindh formam uma cozinha precisa e funcional, primando em imprimir o peso monolítico que faz parte da marca registrada da banda. A produção, sob a batuta do chefão Edling, é bastante boa. Todos os instrumentos aparecem em igual destaque e o peso e punch são quase palpáveis.

Os guitarristas Mats "Mappe" Björkman e Lars “Lasse”Johansson podem não ser reconhecidos individualmente pela técnica apurada. Entretanto, quando juntos, são responsáveis por algo raro no metal atual: solos daqueles que ficam na memória tanto quanto as melodias vocais. E talvez abraçando o que seria a última oportunidade em deixar sua marca para a posteridade, a dupla é o destaque absoluto do disco.

Quanto ao demissionário Robert Lowe, ele faz o melhor com o que foi dado (leia-se, as melodias algo repetitivas criadas pelo chefe para os refrãos), cantando cada frase com a maestria que lhe é peculiar. Poucas vezes uma banda acertou tão em cheio no substituto de um vocalista de renome e é uma pena que não seja ele a excursionar nesta que deve ser a ultima turnê da banda.

Saldo Final

Em se tratando do alto padrão de qualidade dos últimos três discos, aliado à grande expectativa criada por (supostamente) se tratar do derradeiro capítulo de uma das melhores bandas escandinavas em todos os tempos, é impossível não chegar a terrível conclusão:

Psalms For The Dead é tranquilamente o disco mais fraco desde o retorno da banda em 2005.

Mas se não será lembrado como um dos melhores discos do Candlemass, também fica a milhas de distância de ser considerado um disco ruim. Em suma, Psalms For The Dead é um bom disco de doom metal em sua vertente mais tradicional. O disco dificilmente deixará algum fã descontente, mas a irregularidade do material nele contido talvez seja a prova cabal de que esse é o momento certo para se aposentar.


NOTA:7

DVD da Edição Limitada:

Intitulado Let There Be Doom, o material do DVD é constituído de um making of do álbum intercalado com cenas do 70.000 Tons of Metal, o famigerado cruzeiro com shows de metal. Logo de início somos avisados que um dos guitarristas, Lars “Lasse”Johansson não pode participar do cruzeiro por problemas familiares. Logo de início, um problema – não há legendas. E tome cenas em línguas escandinavas e alemão. E mesmo os diálogos em inglês são de difícil compreensão, o sotaque dos caras (com exceção do americano Robert) é complicado. Algumas cenas da gravação do disco ou da sessão de fotos para o mesmo se salvam com muita boa vontade. No mais, são pouco mais de 25 minutos de imagens ruins e perfeitamente dispensáveis. Não vale tempo (para quem faz download) e muito menos dinheiro (para quem compra). Passe longe!

Curiosidade:
Para a turnê de despedida foi confirmado MatsLevén no posto de vocalista. Para quem não conheceMats já integrou o próprio Candlemass (e outros dois projetos de Edling: Krux e Abstrakt Algebra), além de ter participado de discos e turnês com o Therion, Yngwie Malmsteen, At Vance, dentre outros. Dotado de boa performance de palco, sua extensão vocal só fica aquém de sua capacidade em irritar tímpanos alheios. Uma pena que tenha que terminar assim. Para diminuir o fiasco, foi anunciado também que Per Wiberg arcará com as partes de teclado dessa derradeira turnê.



Ficha Técnica
Banda (Nacionalidade): Candlemass (SUE)
Título (ano de lançamento): Psalms For the Dead (2012)
Mídia: CD
Gravadora: Napalm Records (Importado)
Faixas: 9
Duração: 50’
Faixas:
1. Prophet; 2. The Sound of Dying Demons; 3. Dancing In The Temple; 4. Waterwitch; 5. The Lights Of Thebe; 6. Psalms For the Dead; 7. The Killing Of The Sun; 8. Siren Song; 9. Black as Time;

Rotule como: Doom Metal
Indicado para: Fãs de metal tocado à velocidade de uma tartaruga sifilítica, mas pesado como um elefante obeso.