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sexta-feira, 1 de março de 2019

Melhores de 2018 Pela Cripta do Trevas




Olá, Criptomaníacos!

Novamente com atraso, chega mais uma lista de melhores do ano.

Faço essa lista desde 2012 e confesso que embora eu sempre me pegue impressionado com a qualidade do material ao final de cada um dos anos, dessa vez me surpreendi demais. 2018 foi o ano em que minha nota de corte para o 20º colocado foi tão alta que quase estendi a lista para 25 ou 30.

Sim, pois o resultado final deixou de fora discos excelentes de gente respeitável, como Unleashed, Imago Mortis (o melhor disco Brasuca de 2018), Metal Church, Burning Witches, Clutch e grande elenco...

Mas lista é assim mesmo, sujeita a falhas, supostas injustiças e muito xingamento gratuito à progenitora do infame “redator” hehehehe

Claro que preparei também uma Playlist no Spotify com uma música de cada disco avaliado por aqui, para quem quiser fazer uma tardia retrospectiva sonora de 2018.

No mais, espero que se divirtam.
Saudações
Trevas


A PLAYLIST


Blu-Ray/DVD

Sim, o outrora promissor mercado de Blu-rays e DVDs, que chegou (ainda que momentaneamente) a servir de válvula de escape para as Gravadoras diante da crescente queda de venda dos Cds, diminuiu estrondosamente. A enxurrada de Home-vídeos do início dos anos 2000 praticamente secou. O bom disso é que as bandas perceberam que precisam colocar algo realmente especial e relevante nesse restrito mercado. Esse ano tivemos alguns bons exemplos, como o documentário/show The Pursuit Of Vikings, do Amon Amarth. Ou Messe Noire, que coloca toda a capirotagem do Behemoth apresentando sua obra máxima ao vivo. Ainda tivemos o ineditismo de ver um show completo do Ayreon saindo do papel no ótimo Ayreon Universe. E a habitualmente confusa mistura orquestra/banda de rock enfim funcionando com Symphonic Terror, do Accept. Mas nada se comparou ao esmero dos lusos do Moonspell com o para lá de abrangente Lisboa Under The Spell: uma megaprodução em três atos divididos entre os clássicos Wolfheart, Irreligious e o então último trabalho, Extinct. Um pacote que ainda conta com ótimos extras e que merece o título de melhor lançamento audiovisual de 2018.



Bomba e Decepção

Sempre bom lembrar a diferença entre bomba e decepção: algo só nos decepciona quando desse algo esperamos bons resultados. Da bomba não necessariamente esperamos nada. E esse ano tivemos algumas decepções que não chegam a ferir os ouvidos: Machine Head perde o pé no confuso Catharsis, Doro entrega um disco duplo bem sem graça, Magnum e Kamelot enfim erram o alvo após anos e anos de bons serviços prestados.  Ah, e Steve Perry faz de seu improvável retorno uma viagem adocicadamente sonolenta. Mas se as decepções não mataram ninguém, não posso falar o mesmo da bomba inconteste de 2018: uma josta triplamente qualificada, um horror Lovecraftiano vomitado das profundezas do mau-gosto chamado The Three Tremors! Roubando a ideia original abandonada nos anos 2000, de unir três grandes vocalistas de Metal (Dio+Halford+Bruce Dickinson), alguém teve a infeliz sacada de fazer uma versão disso, só que comprada no Ali Express: os insuportáveis cacarejadores Sean Peck (Cage, Denner/Shermann) e Tim Owens (Judas Priest e outros 789 projetos de onde é sempre demitido) se juntam ao subestimado Harry Conklin (Jag Panzer) num disco absolutamente impossível de ser ouvido por mais de torturantes dois minutos. Sinceramente, nem latido de poodle soa tão irritante e intragável.

Três decepções e uma aberração
Os 20 Melhores:














20. Saxon – Thunderbolt
A primeira metade dos curtos quarenta minutos de Thunderbolt é tão arrasadora que chega a empalidecer (injustamente) o restante do disco. Mais um ótimo trabalho de uma das bandas mais prolíficas e equilibradas de sua geração.














19. Behemoth – I Loved You At Your Darkest
O sucessor do brilhante The Satanist é de uma fúria e perfeição absurdos. Mais direto e menos inventivo, ILAYD definitivamente não é tão genial quanto seu irmão, mas ainda assim está facilmente entre os melhores discos dos poloneses.
















18. Halestorm – Vicious
O Halestorm estava nos devendo um Cd à altura de seus poderosos shows. Estava. Vicious enfim mostra ao mundo um som encorpado e com produção que faz justiça a natureza rocker e rebelde do quarteto. E Lzzy, essa coloca novamente suas garras de fora e vai galgando espaço aos poucos no panteão das grandes mulheres da história do Rock. Um baita disco.















17. We Sell The Dead – Heaven Doesn't Want You And Hell Is Full
E de onde eu menos esperava saiu um disco simples, único e viciante. Um disco conceitual unindo figuras tão díspares Niclas Engelin (guitarrista do In Flames, Engel e Passenger), Apollo Papathanasio (voz, ex-Firewind, atual Spiritual Beggars), Jonas Slättung (baixo e voz, Drömriket) e Gas Lipstick (bateria, ex-HIM). Difícil dizer se há conteúdo para se levar o We Sell The Dead para além desse álbum de estreia, mas se ficar só nele, a junção dos suecos já terá valido à pena.















16. King Witch - Under The Mountain
Imensamente suja e intensa em seus parcos 43 minutos, Under The Mountain é uma estreia para lá de invejável e promissora desse barulhento quarteto escocês. Recomendadíssimo para qualquer fã de Doom Metal que se preze!














15. Lucifer – Lucifer II
Lucifer II é um demônio completamente diferente daquele conjurado por Sadonis e sua trupe no primeiro trabalho. Menos pesado e solene, mais melodioso e versátil. A única linha que une por completo os dois discos é a da qualidade, que se mantém para lá de alta. Outro excelente trabalho de uma das melhores bandas da atualidade.















14. Powerwolf – The Sacrament Of Sin.
O Power Metal, geralmente um pária aos ouvidos deste escriba aqui, acabou por ganhar um representante na minha lista de melhores discos de 2018. Sacrament Of Sin é o renascimento dos lobisomens teutônicos e provável postulante a melhor trabalho de suas carreiras. Um disco deliciosamente brega e divertido.















13. Rolo Tomassi – Time Will Die And Love Will Bury It
Se você anda a procura de uma banda única, encontrou. Aqui a parada é densa e para lá de complexa, exigindo bastante do ouvinte. Pode não parecer um prato para todos, e realmente não é. Mas para quem curte, ainda que vez ou outras, sons desafiadores, e estiver disposto a embarcar na viagem dos irmãos Spencer, eis um trabalho cuja audição pode se tornar imensamente gratificante.















12. Corrosion Of Conformity – No Cross No Crown
Parece que o longo hiato só fez bem ao casamento Pepper Keenan/COC. No Cross No Crown é um disco que beira a perfeição e que deixará os fãs de Stoner/Southern com lágrimas nos olhos. Figura certa nas listas de melhores do ano, a audição desse novo disco não é somente recomendada, é uma obrigação.














11. Wytch Hazel – II: Sojourn
O segundo Full-length dos britânicos do Wytch Hazel é um deleite aos ouvidos mais afeitos à sonoridade de eras passadas: guitarras dobradas com a cara do Thin Lizzy, melodias simples e grudentas com aquela cadência algo folk de um Jethro Tull e uma cozinha impressionante. Tudo na bolachinha cheira à anos 1970, e se a abertura com Devil Is Here não for o suficiente para te convencer que os caras falam à sério, tente sobreviver ao ataque seguinte, com Save My Life. Impossível, não? Que bom que não são exceções à regra num disco surpreendente e matador.















10. Uriah Heep – Living The Dream
Living The Dream é uma grata surpresa, um disco repleto de criatividade e vigor vindo de uma banda com tantas décadas de estrada nas costas. Talvez seja o sangue novo trazido já a alguns discos por Gillbrook e Rimmer, talvez seja o dedo do produtor. Seja lá o que for, esse ingrediente secreto faz desse Living The Dream um dos melhores discos da história Heepiana pós fase clássica. Excelente!














09. Fifth Angel – The Third Secret
Os estadunidenses acertaram em cheio nesse disco de retorno, atualizando seu Hard & Heavy tipicamente oitentista para a era atual, com uma produção moderna e com punch suficiente para derrubar um mamute. Sinceramente, não me lembro de um comeback tão impactante desde o já clássico Blood Of The Nations do Accept.















08. Earthless – Black Heaven
Black Heaven é o melhor disco de Retro-Rock que escuto desde o fenomenal Hisingen Blues, do Graveyard. E esse não é um elogio tolo. Uma adição obrigatória à coleção e qualquer fã de rock setentista que se preze.














07. Khemmis – Desolation
O terceiro disco em três anos do Khemmis (algo incomum para os dias atuais) é excepcional, como fora seu antecessor. Se em Hunted eles encontraram seu som, aqui eles consolidam o mesmo com muita personalidade, galgando terreno para fora do underground e se tornando também uma de minhas bandas favoritas da atualidade. Fenomenal.


A PARTIR DE AGORA, CONSIDERO TODOS OS DISCOS EMPATADOS 




Satan – Cruel Magic
Quantas bandas conseguem depois de um hiato tão longo replicar a magia de seus primórdios em uma trinca de discos tão forte? Um fenômeno raro, mas aqui o Satan ainda foi mais longe, buscando toques de progressivo e de timbres setentistas para produzir algo ainda mais raro: um disco único. Nada soa como esse Cruel Magic.


Primordial – Exile Amongst The Ruins
A crise de meia idade fez um imenso bem aos Irlandeses. Diante da necessidade de se reinventar, o Primordial conseguiu criar uma obra densa e difícil de ser rotulada. Um trabalho daqueles que acabam por proporcionar uma atmosfera absolutamente imersiva, um louvável e incomum resultado. Um dos melhores discos de 2018 e forte concorrente a disco de cabeceira deste escriba aqui.


Ghost – Prequelle
Pouco após o lançamento do medíocre Infestissumam, cravei que seja lá qual magia o Ghost tivesse, ela havia sido efêmera, concentrada apenas no espetacular álbum de estreia e se esvaído rapidamente a partir dali. Como de costume, uma previsão estúpida. Prequelle é ainda mais espetacular que Opus Eponymous, justamente por conseguir reinventar a banda em um cenário quase Pop Rock, sem abandonar os elementos de Heavy Metal, Progressivo e Classic Rock explorados até então. Um álbum perfeito, daqueles raros, sobre o qual falaremos daqui a 20 anos, com melodias tão simples e grudentas que ficamos estarrecidos por ainda não terem sido inventadas antes.



Orange Goblin - The Wolf Bites Back
Bom, se os ingleses queriam realmente provar ao mundo seu valor com seu 9º disco, conseguiram. The Wolf Bites Back é ao mesmo tempo o disco mais visceral, versátil e inspirado da carreira dos caras. Um petardo de um Heavy Metal feio, ogroide e delicioso que veio direto para o topo de minha lista de melhores de 2018.



Amorphis – Queen Of Time
Uma das bandas mais originais de sua geração, o Amorphis finalmente encontrou um novo sopro de vida nos últimos dois discos. Queen Of Time é realmente bombástico e ambicioso, como seus membros haviam prometido. Mas está muito longe e sucumbir ao exagero e pompa de alguns artistas que resolvem incorporar elementos alienígenas em profusão ao seu som. Pesado, solene e sofisticado, Queen Of Time não é só um dos melhores discos de 2018. Aos poucos está também se tornando um forte postulante a um dos meus discos favoritos em todos os tempos.


Judas Priest – Firepower
O Heavy Metal em sua vertente mais tradicional parecia esquecido no tempo, as velhas bandas do estilo vivendo de raros lampejos (com exceções...ok, Accept e Saxon?), e as novas se limitando a copiar de forma pálida e diluída o que já fora feito melhor no passado. Aí vem um dos titãs do estilo e lança, aos mais de 40 anos de estrada, uma obra que não só se contenta em não fazer feio frente ao passado, como também é capaz de rivalizar com os melhores momentos de sua vitoriosa carreira. Firepower não é só o melhor disco do Judas Priest em décadas. É também o melhor disco de Metal Tradicional que escutei nos últimos cinco anos (talvez mais). Se esse realmente for o canto de cisne de uma das maiores bandas em todos os tempos, será uma saída triunfal de cena. Forte candidato a futuro clássico.



segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Satan – Cruel Magic (CD-2018)

Satan - Cruel Magic (Cd-2018)

Satã Clama Metal!
Por Trevas

Terceiro disco dos veteranos da NWOBHM desde seu brilhante retorno aos estúdios, Cruel Magic ganhou uma impensável edição nacional pela Urubuz, com um slipcase que realça a malvada e bela arte de Eliran Kantor (Kreator). Arte aliás, que parece continuar a temática do mórbido juiz que aparece desde os tempos do longínquo e clássico Court In The Act. Mas quem esperava um mais do mesmo do quinteto britânico, deve ter tomado um certo susto.

Vossa Satânica Majestade
Into The Mouth Of Eternity chuta eventuais bundas esperançosas pela mesmice com uma introdução totalmente progressiva, para então adentrar o ramo do Metal oitentista com uma produção crua e bem ao vivo, que parece reminiscente do fim dos anos 1970 do que da própria era que consagrou o Satan. A música é brilhante, com Brian Ross e sua voz que nunca envelhece entoando suas inspiradas letras algo esquisotéricas rodeado de uma orgia guitarrística de arrancar sorrisos de qualquer fã de guitarras dobradas. Steve Ramsey e Russ Tippins definitivamente não estão para brincadeira aqui.



A faixa título começa misteriosa e o baixo pulsante de Graeme English fazendo uma belíssima dobradinha com a bateria “na fuça” de Sean Taylor, cada batida uma pancada nos tímpanos. O estilo de gravação setentista chama a atenção, alguns solos até mesmo poderiam evocar algo como Foghat e os backing vocals, são deliciosamente “largados” e também temos cowbells aqui e acolá. Não se assuste, o Satan ainda está ali, prontamente reconhecível mesmo àqueles que só acompanharam o debut, mas os caras conseguiram trazer um molho à mais. O single The Doomsday Clock (que curiosamente tem um trecho que parece cantado pelo Daron Malakian do SOAD!) e sua sucessora Legions Hellbound (uma das faixas mais fodonas de metal tradicional que já escutei) bem poderiam estar no disco de estreia, diga-se de passagem.



Ophidian dá a impressão que o quinteto tentou reescrever The Ripper, do Judas Priest. Mas o fez com esmero, pois conseguiram manter aquele clima de suspense/horror que seus conterrâneos canalizaram sonoramente décadas atrás. O começo com a bateria de Sean Taylor dá o sinal para My Prophetic Soul, a menos inspirada de todo o disco, mas ainda assim capaz de fazer o pescoço balançar e as mãos acompanharem os riffs e intrincados solos em uma guitarra invisível. Death Knell For A King nos faz querer ajoelhar perante a majestade Brian Ross. Como o cara soa bem aqui. E as letras conseguem soar absolutamente Heavy Metal sem dar aquela vergonha alheia. Um talento de poucos.



Who Among Us soa um cadinho abaixo do massacre sonoro, mas Ghosts Of Monongah, que musica esplendorosamente a história da catástrofe que dizimou mais de 300 mineiros na homônima cidade estadunidense séculos atrás, me faz pensar que diabos os caras beberam para esbanjar tamanha inspiração em um estilo já tão batido. Mortality encerra com toques orientais e maestria um disco impressionante.


Veredito da Cripta

Quantas bandas conseguem depois de um hiato tão longo replicar a magia de seus primórdios em uma trinca de discos tão forte? Um fenômeno raro, mas aqui o Satan ainda foi mais longe, buscando toques de progressivo e de timbres setentistas para produzir algo ainda mais raro: um disco único. Nada soa como esse Cruel Magic. Facilmente um dos melhores discos desse excelente 2018!


NOTA: 10


Visite o The Metal Club


Gravadora: Urubuz Records (nacional)
Prós: um disco único, e ainda assim soa como Satan clássico
Contras: produção crua e bem “ ao vivo”, pode incomodar alguns
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Blitzkrieg, Angel Witch




domingo, 3 de janeiro de 2016

Dobradinhas: Saxon - Battering Ram (Cd-2015)/ Satan - Atom By Atom (Cd-2015)



Revivendo a NWOBHM
Por Trevas

Uma Festa Ploc Metálica

Fósseis vivos da New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM), Satan e Saxon trilharam caminhos bem diferentes em suas carreiras até o ano de 2015. O Saxon, sempre presente, desafiou modismos, rachas internos, descrença por parte da mídia britânica, mas nunca perdeu seu posto. Mesmo que esse posto seja no panteão da segunda liga dos Deuses do Metal. Já o Satan nunca teve estabilidade, mesmo em seu glorioso início. Court In the Act catapultou o nome dos cabruncos de Newcastle na preferência dos headbangers oitentistas, mas desde então a banda teve uma vida errática, migrando de nome duas vezes até o encerramento das atividades (ver histórico nesse post da Cripta). Em 2004 o retorno da formação clássica aconteceu, e aos poucos a ideia de lançar novo material foi amadurecida, até que 2013 viu o nascimento de Life Sentence, uma peça nostálgica feita com tanto esmero e garra que ganhou as listas de melhores do ano ao redor do globo. E aqui na Cripta não foi diferente. Quis o destino que em 2013 o Saxon também lançasse um de seus melhores trabalhos, o excelente Sacrifice.

Produção

E não é que 2015 viu as duas bandas novamente nos brindando com trabalhos saídos do forno? As coincidências também dão as caras em detalhes da produção: ambas ao encargo de produtores que também são guitarristas. No caso do Saxon, o britânico Andy Sneap, guitarrista do Sabbat e do Hell, produtor de inúmeras pérolas do metal moderno. Já pelo lado do Satan, o italiano Dario Mollo (The Cage, Voodoo Hill) capitaneou as gravações. Nos dois casos é a segunda experiência dos produtores com as bandas em questão.
Mas o resultado é bem diferente. Enquanto Sneap, tal qual em Sacrifice e nos discos recentes do Accept, deu uma roupagem moderna para o som clássico do Saxon. Já Mollo praticamente repetiu a fórmula absolutamente vintage que foi responsável por parte do sucesso inesperado de Life Sentence.

Músicas

De nada adiantaria dispor de magos por detrás da mesa de produção sem músicas que valham o investimento. Para nossa sorte, nesse quesito as duas bandas estão muito bem, obrigado.

Saxon - Battering Ram
Battering Ram

O Saxon começa seu disco com uma faixa título pesada e competente, mas nada especial (ver vídeo), mas logo ganha o jogo com pedradas como Devil’s Footprint, Eye of the Storm e Destroyer.


Enfim, um disco para lá de bom de Heavy metal tradicional, traduzido para 2015 pela ótima produção de Andy Sneap. Biff continua com a voz poderosa, sem dar nenhum sinal de envelhecimento. Doug Scarratt e Paul Quinn formam uma dupla de guitarras que parece se comunicar por telepatia, e poucas bandas da história do metal clássico tiveram uma cozinha tão boa quanto a formada por Nibbs Carter e o subestimado Nigel Glockler. Mas mesmo com todos esses abençoados atributos, não dá para deixar de notar que algumas faixas parecem caminhar confortavelmente demais em território conhecido, problema que afeta em especial Top of the World e Hard and Fast. Um toque épico e progressivo trazem Kingdom of the Cross e Queen Of Hearts para um lugar de destaque, em especial essa última, talvez o grande destaque do disco.

Saxon

Satan - Atom By Atom
Atom By Atom

Já o Satan envereda por outras paragens. O grito algo desnecessário de Brian Ross nos primeiros segundos do disco mostram de cara dois pontos importantes do novo disco: 1. Brian sofre do mesmo mal que Biff, e parece se recusar a envelhecer; 2. O Satan se entrega de corpo e alma aos anos 1980. Cara, e nenhuma dessas duas coisas é ruim, em absoluto. Afora o berro inicial, Farewell Evolution é deliciosa, e Atom By Atom desfila riffs, solos e refrães memoráveis aos borbotões.

Satan
Quase uma continuação sonora de Life Sentence, Atom By Atom não tem nenhuma faixa dispensável, ao menos não para quem consegue mergulhar na viagem nostálgica dos velhinhos. Steve Ramsey e Russ Tippings desfilam sua magia nas seis cordas de uma maneira bem mais primitiva que os colegas do Saxon, e por vezes isso confere um charme a mais às músicas. A bateria de Sean Taylor é desenfreada, algo meio Philthy “Animal” Taylor, acompanhada por um baixo (cortesia de Graeme English) que sempre encontra um espaço para desfilar suas linhas em meio à aparente confusão. Todas as faixas garantem aquele arrepio na espinha do Headbanger mais empolgado, mas destacaria My Own God, Ruination, a faixa título e a épica Fall Of Persephone das demais. Em suma, para quem acreditava que Life Sentence havia sido um feliz acidente de percurso, Atom By Atom faz-se um ainda mais feliz tapa na cara.

Saldo Final

Duas grandes bandas da velha guarda na ponta dos cascos, uma atualizando seu som e a outra revivendo o tempo perdido de uma era de ouro. Diria que o Satan pode até ter se saído melhor do que o Saxon esse ano, mas na verdade se há um vencedor aqui são os fãs de Heavy Metal em sua forma mais pura.

NOTAS:

BATTERING RAM: 81
ATOM BY ATOM: 90

Classifique como: Heavy Metal Tradicional, NWOBHM
Para fãs de: Angel Witch, Diamond Head, Judas Priest, Iron Maiden
Passe longe se: cara, tá de sacanagem, né?

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Curtas: Soilwork e Satan



Curtas: Soilwork e Satan


Soilwork - The Living Infinite
Soilwork – The Living Infinite (2CD – 2013)

Pretensão Premiada

Considerado um dos artífices do famigerado Gothemburg Sound, o Soilwork viveu seu ápice criativo em seus álbuns Natural Born Chaos (de 2002) e Figure Number Five (2003), sendo esse último um grande sucesso comercial. Seu diferencial em relação a outras tantas bandas suecas de Death Metal Melódico se deve basicamente pela maior infusão de influências de outros subestilos do rock em eu som, além da presença de um vocalista muito acima da média, sob a figura de Björn “Speed” Strid.

Manter o Soilwork de pé custou caro ao escalpo de Björn
Mas uma das grandes promessas do metal no início dos anos 2000 viu sua carreira ratear perante mudanças de formação constantes, além de uma tentativa infrutífera em trilhar o mesmo caminho do In Flames em deixar-se influenciar pelo sucesso do New Metal. Vieram então o fraco Stabbing The Drama (2005, fracasso de crítica mas ainda um certo sucesso comercial) e o confuso Sworn To A Great Divide (2007), que minaram tanto o nome da banda que até mesmo o bom The Panic Broadcast (2010) passou desapercebido. Em viés de baixa e novamente perdendo seu principal compositor (Peter Wichers deixou a banda pela segunda vez em 2012), o Soilwork surpreendeu a todos com o anúncio de um disco duplo. Segundo Bjorn Strid: “quando anunciamos a saída de Peter, todos pareceram pensar que seria nosso fim e que o próximo trabalho seria um Sworn To A Great Divide – tínhamos que provar ao mundo que seríamos capazes de fazer um grande trabalho, e quando terminamos de compor, ficou claro que seria impossível escolher material para apenas um disco.” Seria mera pretensão ou estaria o Soilwork com uma obra-prima em mãos?

Soilwork 2013
Bem, precisei de meia dúzia de audições, mas posso garantir que estamos diante da segunda opção. Com seu Death metal melódico permeado por um ligeiro clima progressivo, o Soilwork apresentou em The Living Infinite uma coleção de 20 músicas impecáveis, divididas em dois discos e pouco mais de 80 minutos tão agradáveis que parecem durar muito menos tempo. No disco 1, podemos destacar This Momentary Bliss, Tongue, Vesta, a faixa título e The Windswept Mercy (que conta com os vocais de Justin Sullivan, do New Model Army). O senso melódico é tão grande, em especial nos refrãos, que não fosse o peso as músicas poderiam conquistar até os fãs de pop rock oitentista. Cortesia da perícia de Björn como vocalista e de David Andersson, substituto de Peter Wichers tanto nas guitarras como no papel de compositor.


E o segundo disco definitivamente não deixa o nível cair, o que fica evidente pela escolha de duas de suas faixas como músicas de trabalho, Long Live The Misanthrope e Rise Above The Sentiment (ver vídeo). Embora o material seja todo excelente, destacaria ainda Parasite Blues e o encerramento quase doom com Owls Predict, Oracles Stand Guard.


Saldo Final

Bendita seja a pretensão de Strid e sua turma, não estamos diante somente de um dos melhores lançamentos de 2013, mas também do melhor e mais completo álbum do Soilwork.  Altamente recomendado!

NOTA: 10



Ficha Técnica:

Banda (Nacionalidade): Soilwork (SUE)
Título (ano de lançamento): The Living Infinite (2013)
Mídia: CD Duplo
Gravadora: Nuclear Blast (lançamento nacional pela Laser Company)
Faixas: 20
Duração: 84’

Rotule como: Melodic Death Metal, Gothemburg Sound
Indicado para: fãs de Death metal Melódico e de prog metal em sua vertente menos exagerada.
Passe longe se: a mistura de vocais urrados e melódicos lhe soar indigesta.



Satan - Life Sentence
Satan – Life Sentence (CD - 2013)

Um Fóssil Vivo da NWOBHM

Nome forte e som idem, o Satan seguiu o caminho de boa parte das bandas da New Wave of British Heavy Metal, passando de grande promessa ao ostracismo num piscar de olhos. Após forjar um dos mais influentes discos daquela cena, Court In The Act, um álbum pesado cujo brilhantismo foi em muito prejudicado pela produção pobre, a banda sucumbiu às reações negativas ao seu nome. Tentando fugir da polêmica, acabou mudando a marca para Blind Fury, novamente para Satan, The Kindred e Pariah. A instabilidade no nome e as constantes mudanças de integrantes jogaram contra e sem nunca ter obtido o devido destaque, o Satan encerrou atividades, com dois de seus membros (Graeme English e Steve Ramsey) montando o Skyclad, banda pioneira da nascente cena do Folk Metal.

Satan no início dos anos 1980 - beleza não põe a mesa

O interesse pela obra do Satan (soou sombrio isso, não? hehe) ressurgiu ao final dos anos 1990, com o Blind Guardian (o mais bem sucedido produto alemão da moda Power metal que assolou aquela década) gravando um cover bastante bom para Trial By Fire, de Court In The Act. Após uma breve aparição para shows em 2004, a banda remontou sua formação original em 2011. Seguiu-se uma longa e surpreendentemente bem sucedida turnê, e então o Satan decidiu que era hora de retornar ao estúdio. A intenção era clara: lançar ao mundo o sucessor direto de Court In The Act.

Satan 2013 - ainda bonitões
Com produção da própria banda e mixagem por conta do italiano Dario Mollo (guitarrista do Voodoo Hill e Tony Martin e grande fã do Satan), Life Sentence cumpre o que promete. O som é cru, pesado e remete tanto estilisticamente quanto em termos de produção ao som do metal inglês do início dos anos 1980, com a pitada de velocidade que fez com que o Satan fosse considerado um grupo de proto-thrash dando as caras. Até mesmo a arte de capa remete ao clássico de 1983. As guitarras de abertura de Time To Die (cortesia de Steve Ramsey e Russ Tippings) são um presente dos deuses aos fãs da NWOBHM e a voz de Brian Ross soa tão bem quanto jamais soou.


Twenty Twenty Five, Siege Mentality e Cenotaph seguem arregaçando e é quase impossível não se sentir dentro de uma máquina do tempo musical, tamanha a fidelidade de tudo aqui em relação aos anos 1980. Claro que todo esse saudosismo poderia soar artificial e até mesmo ridículo, mas a qualidade do material é tamanha que nem por um minuto passa pela cabeça do ouvinte duvidar da honestidade do disco. Incantations, Testimony e Tears Of Blood vêm como numa torrente de sangue e sem dar tempo para respirar. A faixa título, longe de ser ruim, talvez seja o menos interessante por aqui, mas o Satan só tira mesmo o pé do acelerador no início da faixa de encerramento, a épica e lúgrube Another Universe, uma música excelente coroando um trabalho de igual qualidade.


Saldo Final

A fúria old school presente em Life Sentence deve conquistar uma nova penca de interessados no Satan e mais provavelmente fará a valha guarda do metal chorar de alegria. Life Sentence soa deliciosamente datado. Um dos grandes discos de 2013, com certeza!

NOTA: 9

Ficha Técnica:

Banda (Nacionalidade): Satan (ING)
Título (ano de lançamento): Life Sentence (2013)
Mídia: CD
Gravadora: Listeneable Records (importado)
Faixas: 10
Duração: 44’

Rotule como: Heavy Metal
Indicado para: fãs de Metal Tradicional, de Thrash Metal Antigo e da NWOBHM
Passe longe se: sua praia for metal mais moderno.