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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Moonspell – Lisboa Under The Spell (Box-Set – 2018)




Lisboa Em Chamas!
Por Trevas

A maior banda de rock pesado da história de Portugal, a despeito de uma carreira para lá de produtiva e do reconhecimento internacional, é bastante econômica em seus lançamentos em vídeo. Afora o ótimo Lusitanian Metal e um ou outro DVD bônus encartado nas edições especiais de seus álbuns, os grandes shows dos Moonspell só podiam até então ser conferidos na íntegra em Bootlegs ou filmagens toscas no YouTube. Talvez por ter se apercebido já ter passado a hora de um Home Video caprichado, o quinteto preparou uma noite ambiciosa em fevereiro de 2017, no Campo Belo, casa com grande capacidade. O plano? Registrar com produção para lá de caprichada uma noite especial, onde três de seus trabalhos mais icônicos seriam tocados na íntegra. O pacote, sintomaticamente nomeado Lisboa Under The Spell, foi lançado em vários formatos. O formato analisado aqui é o do Box-Set, prontamente adquirido por este que vos escreve, sabidamente um grande fã dos caras. 

Fanâ e um dos brinquedinhos da produção caprichada do show
Apresentação

O Box é caprichado, contendo um Blu-Ray, um DVD (mesmo conteúdo do BD) e os três Cds, cada qual para um dos atos do show. Tudo encartado (e encaixado em miolos de acrílico) em belo mediabook encapsulado por uma capa em cartão. A arte do pacote é bela e o design interno, informativo e contando com fotos excelentes da noite do show.

O Box Set 
Documentário:

O documentário é a perfeita contraparte para a excelente biografia Lobos Que Foram Homens (ler resenha aqui), repleta de filmagens para lá de pitorescas. Aqui acompanhamos os lusos em cenas que retratam desde tarefas prontamente identificáveis e mundanas como preparar o café para a esposa e as crianças, praticar atividades físicas, rever risonhamente imagens do passado com os colegas tomando uma birita e fumando umas ervas, até tarefas nada comuns aos reles mortais, como guiar uma banda internacionalmente reconhecida em suas peripécias criativas/administrativas. Os preparativos para a grande noite também aparecem aqui, sempre em takes despojados. Com legendas em inglês para os não lusófonos, é um apanhado para lá de agradável que nos faz sentir parte dessa simpática e batalhadora alcateia. A edição já é emendada com os shows, o que garante uma maratona para lá de bem-vinda aos fãs dispostos a reservar 3 horas de seu tempo junto à maior banda Portuguesa da história.


O documentário espia os homens por debaixo desses lobos aí

Os Shows

Arena abarrotada de fãs dispostos a cantar cada nota junto à banda, produção de palco de altíssima qualidade e ótima captação de imagens em alta resolução, com takes e edição bem pensados, que conseguem alternar performances, plateia e os detalhes da produção esmerada sem que tudo pareça um grande videoclipe. Tudo isso se perderia caso os Moonspell não fossem uma máquina funcional em cima dos palcos. Mas eles hoje são sua melhor versão ao vivo, uma alcateia que, mesmo sem contar com os mais virtuosos dos músicos, atende a um padrão alto de qualidade de espetáculo e musicalidade.



O repertório é dividido em três atos, cada um replicando um disco da carreira dos lusos na íntegra. O primeiro ato com Wolfheart, o segundo com Irreligious e o terceiro com o então disco novo, Extinct. A escolha tem uma explicação simples: Wolfheart e Irreligious, a despeito do impacto que causaram à cena europeia em seus lançamentos, vieram em uma época de consolidação da banda, e as suas turnês tinham um Moonspell majoritariamente servindo de opening act para outras bandas, tendo então a restrição habitual de tempo de palco. Logo, o material clássico desses trabalhos, afora as mais manjadas, raramente viu a luz do dia nas turnês posteriores. E é para lá de bacana ver o quanto esses discos, em especial Irreligious, sobreviveram ao teste do tempo, soando ainda melhores interpretados ao vivo por uma banda mais madura e proficiente. A plateia participativa, os coros reais e a presença de Mariangela DeMurtas (Tristania, esposa do guitarrista Ricardo Amorim) em Raven Claws ainda ajudam a tornar as versões aqui mostradas melhores que suas contrapartes de estúdio.


O terceiro ato, com o bem mais moderno e complexo Extinct encerra um ciclo que demonstra que, a despeito da evolução musical da banda, que experimentou muito em cada disco nesse interim, há uma lógica estética clara. Jamais poderiam acusar não ser a banda que fez Wolfheart capaz de anos depois entregar o belo Extinct, interpretado com emocionante excelência. Talvez o único senão resida no fato que o som do Blu-Ray e sua mixagem não acompanhem o visual Blockbuster da noite. Não, o som não é ruim, apenas mais cru do que se imaginaria. Tal pormenor estético fica ainda mais claro no áudio dos Cds. O lado bom é que efetivamente a experiência fica mais próxima de um show real, nada parece sonoramente superproduzido ou artificial.


Veredito da Cripta  

Lisboa Under The Spell veio ao mundo para suprir a falta de registros ao vivo oficiais do Moonspell.  Trazendo três horas de um ótimo e completo material, acompanhado de um grande esmero na apresentação, temos aqui um pacote dos sonhos para os fãs de uma das bandas mais idiossincráticas da história.


NOTA: 10


Gravadora: Napalm Records (importado)
Prós: produção visual impecável, três horas de um material de primeira
Contras: áudio algo cru, contrastando com a superprodução da noite
Classifique como: Gothic Metal
Para Fãs de: Paradise Lost, Type O Negative, Tiamat




quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Lobos Que Foram Homens: A História Dos Moonspell – Ricardo S. Amorim (Livro-2018)



Dança Com Lobos
Por Trevas

“Cagar no Fernando Ribeiro e no Lagsuyar e conhecer o Fanã”

Essa frase, perdida ao final do posfácio do livro, posfácio este escrito pelo próprio “Fanã” (apelido de Fernando Ribeiro usado pelos amigos) talvez seja a que melhor resume o trabalho do jornalista Ricardo S. Amorim nesse exímio livro, o trabalho de rasgar a pele dos lobos empedernidos em busca dos homens que ali habitam. Homônimo do guitarrista de longa data da alcateia Lusa, Ricardo mergulha fundo na história de uma banda cuja trajetória se confunde com a própria história do metal português. O livro segue uma narrativa cuidadosa e detalhada, rica em informações sobre os bastidores das diferentes eras da banda e que se preocupa em situar o leitor no cenário de cada uma dessas eras, ficando bem mais fácil entender as decisões, decepções e cisões pelo caminho. A edição aqui analisada, com ótimo prefácio de Dani Filth, é a portuguesa, e até onde eu saiba, não há previsão de uma edição Brasuca.

Ricardo S. Amorim, traduzindo lobos em palavras

Todos os membros e ex-membros tem voz ativa aqui e nenhum episódio, por mais doloroso que tenha sido, passa descoberto. E assim descobrimos parte da magia que envolve a alcateia: todos extremamente autocríticos e humanos, as glórias e dissabores são igualmente repartidos, sem um apontar de dedos gratuito. E o mais legal do livro é aprender e testemunhar o quanto os reconhecidos profissionalismo e obstinação dos Moonspell permeiam cada uma das diferentes personalidades do grupo, tendo cobrado um alto preço pessoal ao longo do caminho. Ricardo, o escritor, a tudo observou e registrou, com uma delicadeza ímpar em saber os momentos nos quais o distanciamento favoreceria uma melhor análise de um acontecimento, ou quando a intimidade seria primordial para explicar um outro ocorrido qualquer. Esse caminhar numa linha tênue é que acaba por proporcionar um dos trabalhos biográficos mais humanizados que já tive o prazer de ler. Um excelente livro que me fez ter ainda mais respeito por esta que já era musicalmente uma de minhas bandas favoritas (NOTA: 10)




Editora: Saida de Emergência (importado, Portugal)
Data 1ª Edição: 02/03/2018
Páginas: 448


sábado, 28 de abril de 2018

Moonspell – 1755 Latin America Tour (25/04/2018 - Teatro Odisseia – Rio de Janeiro/RJ)

Cartaz do show do Rio

Deixando O Odisseia Em Ruínas!
Texto e Fotos por Trevas

Meio de semana no Rio de Janeiro e a expectativa estava mais alta do que o normal para o show dos lusitanos do Moonspell. O cancelamento da turnê anterior pela América Latina deixou os fãs da banda escaldados e temerosos de que evento semelhante voltasse a ocorrer. Some-se isso ao fato dos portugueses estarem justamente promovendo seu primeiro disco gravado integralmente em sua língua pátria, o que desperta aquela curiosidade de como o ótimo material novo funcionaria diante de uma plateia lusófona, e temos um cenário de apreensão para o primeiro show completo da banda no Rio de Janeiro (o do Rock In Rio foi um set curto). O belo cenário armado no acanhado palco do Teatro Odisseia já profetizava uma noite especial, a máquina de gelo seco esfumaçando a casa de shows como se nos preparasse para a entrada do Sisters Of Mercy. O público, parecia então não somar mais do que a metade da casa, o que apresentava um cenário desolador, a baixa venda de ingressos vem minando cada vez mais a cena carioca de Metal, e mais um fracasso em um evento de uma banda que anda de vento em popa no resto do mundo certamente não jogaria a favor dos fãs do estilo, podendo minar a oportunidade de novos shows no futuro próximo na cidade do caos.

Fernando e a lanterna: prenúncio macabro para os cariocas no brasileirão?
Poucos minutos após o horário marcado, a banda toma seus lugares, com um Fernando Ribeiro teatral empunhando uma lanterna à óleo e entoando a versão mais recente do hino Em Nome Do Medo. Fernando, com uma expressão corporal que em muito remete Till Lindemann, deixa o refrão para o público e...então me dou conta de que a casa repentinamente enchera bastante. E, melhor ainda, enchera de aficionados pelo som variado dos portugueses. Ah, sim, agora o cenário parecia extremamente favorável.

Oremos...
O show segue com as novas 1755, In Tremor Dei e Desastre, todas apresentadas com elementos cenográficos para lá de especiais, e muitíssimo bem recebidas pelo público. Night Eternal testa o som geralmente tacanho do Teatro Odisseia, e ele responde razoavelmente bem, a despeito do vocal um pouco abafado no mix. O terreno estava pronto para a dobradinha do clássico Irreligious: Opium e Awake em sequência levaram alguns marmanjos e moçoilas ao delírio.

Pedro e Fernando

O simpático frontman se destaca pela versatilidade vocal, presença de palco teatral e pela simpatia na comunicação com o público. Mas a banda toda funciona como um relógio: Aires (baixo) não para de agitar por um segundo sequer, Miguel Gaspar (bateria) desce a lenha nos tambores com aquele estilo vistoso que serviria bem até mesmo à uma banda sleaze, Pedro Paixão (teclado) segura as pontas das orquestrações detrás de um excelentemente bem bolado praticado de teclados que simula um órgão de igreja gótica, e Ricardo Amorim (guitarras e voz) é clínico nas seis cordas, seus belos solos merecendo um reconhecimento maior do que tem. A sinergia dos membros da banda se faz evidente na excelente versão de Ruínas, ainda melhor que sua contraparte de estúdio.

Ricardo Amorim, Morning Blade em ação
O repertório, muito bem escolhido, segue com duas músicas do ótimo Extinct: Breathe e a faixa título. Evento e Todos Os Santos (com a bem sacada cruz-com-laser) comprovam que a banda também estava cheia de vontade de poder mostrar mais das músicas em português no setlist. É chegada a hora de Vampiria, com Fernando envolto numa capa de fazer inveja à Bela Lugosi. Longe de ser minha favorita dos lusos, não me empolguei tanto, mas era só olhar ao redor e ver a goticaiada indo aos prantos para lembrar o impacto que Wolfheart e essa música tiveram em seu tempo. Alma Mater aparece para roubar o que ainda sobrava do nosso fôlego, mas não parava por aí. Lanterna dos Afogados, a bela balada dos Paralamas, convertida com maestria em hino gótico, ganhou uma rendição para lá de emocionante, encerrando a primeira parte de um show que já ganhara a todos.


Sob a luz da cruz

Fernando Ribeiro

Ehr, qual era a letra mesmo?
Mas havia mais...o bis nos guardou a surpreendente e monstruosa Everything Invaded (uma de minhas favoritas), seguidas das clássicas Mephisto e Full Moon Madness, cantadas à plenos pulmões por um Odisseia em êxtase. A felicidade desse público refletia nos rostos dos membros da banda, sabedores que a conquista iniciada no Rock in Rio agora se fazia efetiva. E, citando a piada que Fernando fizera naquele festival: caros amigos do Moonspell, definitivamente vocês têm muito mais que 10 fãs nessa cidade. E eles aguardarão ansiosamente pelo momento em que o feitiço da lua cairá novamente sobre o Rio de Janeiro. Memorável (NOTA:10).





Mephisto em pessoa


Hora do "até logo"
















sábado, 24 de fevereiro de 2018

Melhores de 2017 pela Cripta do Trevas

Melhores de 2017 - Cripta do Trevas

Olá, Criptomaníacos!

Todo ano é a mesma coisa, prometo para a mesmo que conseguirei fechar minha lista de melhores do ano na primeira quinzena de janeiro. E acabo só conseguindo publicar em fevereiro ou março. Dessa vez tenho uma desculpa razoável, fui acometido de uma infecção nos dois ouvidos no final do ano, o que me deixou de molho e impediu colocar em dia as audições para essa postagem.

E esse ano que passou teve uma quantidade bem expressiva de ótimos lançamentos, muitos deles bem poderiam estar na lista do top 20. E 2017 representou um ano de impressionante crescimento para o blog. Chegamos a uma média de 20.000 acessos por mês, o que pode ser pouco para alguns, mas me parece surpreendente para um blog feito por uma pessoa só, sem nenhuma ambição profissional e com frequência errática de publicação.

Como usual, reescutei os discos lançados no início de 2017 para não cometer nenhuma injustiça, e sempre é válido lembrar que, ao contrário de outros blogs, a Cripta expressa tão somente minha preferência. Não há uma equipe ou votação. Então, é claro, tudo tem muito a ver com o meu gosto pessoal e está sujeito a altas doses de subjetividade. Como toda lista do gênero, diga-se.

A ideia principal é tão somente mostrar às pessoas os discos que mais me impressionaram, para, quem sabe, fazer com que elas se apaixonem por essas pérolas também.

Espero que vocês se divirtam, comentem e, se tiverem tempo, postem nos comentários suas listas.

Grande Abraço
Trevas

Metal Brasuca

O ano terminou com o choque da notícia do falecimento de um dos maiores vocalistas da história do nosso Heavy Metal, Mário Linhares, mentor do Dark Avenger. A banda lançou o ambicioso The Beloved Bones: Hell. Confesso que a obra, bastante complexa, não me conquistou como eu esperava, mas muita gente captou a mensagem e listou o disco entre seus favoritos do ano. Já o Sepultura lançou o avassalador Machine Messiah, um dos melhores e mais concisos trabalhos de sua carreira. O canto do cisne de Tavinho Godoy junto à lendária Metalmorphose com Ação & Reação também tem sido pule de dez nas listas de melhores do ano nos veículos especializados tupiniquins. Estaria na minha lista também, mas como agora faço parte da banda e não quero ouvir “marmelada, marmelada”, deixarei a bolachinha fora da lista. O Hatefulmurder achou em Angélica Burns a voz capaz de levar a promissora banda um patamar acima.

Revelações Brasucas


Já no quesito revelação, muita gente vem se impressionando com o Metal revivalista dos anos 1980 do Biter, de fato uma banda a ser observada para os bangers mais tradicionais. Já apostando num Power Metal encorpado, fico com a impressionante estreia do “exército de um homem só” petropolitano Omega Blast. Numa estética ainda mais moderna, apostaria minhas fichas no Final Disaster, que mostrou maturidade e criatividade em seu Ep The Darkest Path.

Capas

The Beloved Bones: Hell, do Dark Avenger, trouxe a impressionante e sombria ilustração do francês Bernard Bitler para casar com a sonoridade complexa e pesada do disco. Igualmente sombria e complexa ficou a arte de Dan Seagrave para o disco de estreia do Memoriam. Já a homenagem à Força Expedicionária Brasileira que a Metalmorphose imortalizou em A Cobra Fumou, também ficou latente na bela ilustração de Victor Santiago no disco Ação & Reação. A simplicidade também tem seu valor, como podemos notar na icônica ilustração do Branca Studio para Medusa, do Paradise Lost.

Melhores Capas de 2017
Bombas do Ano

Difícil escolher os destaques do ano? Mais difícil ainda é gastar saliva com cocôs musicados. Dos grandes lançamentos, fico de longe com a forçada aposentadoria do Deep Purple com o intragável Infinite, um disco que dilapida mais uma vez o legado de um dos gigantes do Rock num marasmo de ideias chinfrins disfarçadas por uma superprodução musical. Uma lástima. A segunda escolha já é menos dolorosa e surpreendente, já que supergrupos são prolíficos em caquinhas musicais. O novo supergrupo da moda, o estelar Sons Of Apollo, foi incapaz de achar uma cara própria em seu absolutamente nada criativo trabalho de estreia, desfilando um pastiche dos piores clichês do infame Metal Progressivo, para nosso horror.

Playlist

Olha, sempre me cobro de fazer um playlist das principais músicas do ano. Em 2018 tenho certeza que farei algo mais robusto, mas para 2017, fico com essas 43 músicas, espero que gostem!






Melhores de 2017 – Top 20:


20. Chelsea Wolfe – Hiss Spun
Quinto álbum da multi-instrumentista estadunidense, Hiss Spun tem a difícil tarefa de suceder a obra prima Abyss. A sonoridade é um pouco mais orgânica, com presença de guitarras em primeiro plano em diversas músicas, mas a essência não é muito diferente: uma obra densa e extremamente sombria que mistura elementos de várias vertentes do Heavy Metal com muita eletrônica e soluções musicais incomuns. Difícil de explicar, mas funciona muito bem.




19. Night Demon – Darkness Remais
Adoro o Heavy Metal simples e direto da primeira metade dos anos 1980, e essa onda de revival desse som é legal, mas costuma ser tão derivativa que raramente passa disso: “legal”. Entretanto, às vezes surgem uns discos dessa cena que são tão bacanas que me fazem esquecer a sensação do “já ouvi isso antes e melhor”. Esse Darkness Remains é um deles, um disco delicioso apesar da profusão e clichês.





18. Inglorious – II
Eis que justamente quando Kevin Shirley resolveu controlar um pouco os exageros do promissor (e ególatra) Nathan James é que o Inglorious começa efetivamente a mostrar seu poderio. Apostando em canções que fazem ponte entre o Hard Oitentista e o som dos anos 1970, a banda vem ganhando território e tem tudo para se tornar um grande nome do rock mundial num futuro próximo. Se o ego de Nathan deixar, claro...





17. Hatefulmurder – Red Eyes
A estreia do fenômeno vocal Angélica Burns só fez bem ao som dos cariocas do Hatefulmurder. Contando com uma produção precisa e canções tão ferozes quanto grudentas, Red Eyes tem tudo para colocar a banda no hall dos nomes mais incensados de nossa cena.







16. Vuur – In This Moment We Are Free: Cities
Se forçarmos bastante a barra, dá para chamar o Vuur de um supergrupo holandês. Mas pouco importa, a maioria das pessoas só conseguirá lembrar da presença da sorridente Anneke na banda. O magnetismo e talento da elfa holandesa se unem a um arcabouço musical para lá de inspirado, num daqueles casos em que o rótulo Prog Metal não soa como um convite para desligar o som. Um disco envolvente.




15. Tankard – One Foot In The Grave
Os fãs de metal são esquisitos. Os teutônicos do Tankard, a despeito de uma discografia bem homogênea, são geralmente deixados de lado simplesmente por optarem pelo uso de humor em suas letras. Uma pena, pois os caras tem uma ferocidade impressionante, que se faz ainda mais explícita no novo trabalho, o mais agressivo e bem produzido da longa história da banda.





14. Black Country Communion – BCCIV
Os fãs de Rock em sua vertente mais clássica vibraram com o anúncio do retorno do melhor supergrupo do estilo. E Bonamassa, Hughes e grande elenco não decepcionaram, BCCIV é um disco épico, capaz de fazer frente aos já clássicos dois primeiros trabalhos do combo Anglo-Americano.






13. Royal Thunder – Wick
Difícil classificar o som desse quarteto estadunidense. Mais difícil ainda é passar incólume ao poder de imersão de seus discos. Com Wick não é diferente, basta colocar a bolachinha para rodar para que Mlny e seus comparsas nos transportem para uma dimensão paralela. Uma das bandas mais únicas da atualidade.






12. Overkill – The Grinding Wheel
Chega a ser injusto todo o falatório em torno do Big 4 quando são justamente as bandas do “segundo escalão” como Testament, Death Angel e Overkill que efetivamente carregam nas costas o Thrash Metal estadunidense. E o fazem sem refestelar em comida requentada, diga-se. Tudo aqui em Grinding Wheel soa revigorante e moderno, fica até difícil acreditar que uma banda tão rodada ainda possa ter tanto sangue nos olhos. Uma verdadeira aula de Thrash Metal.



11. Europe – Walk The Earth
Walk The Earth aprofunda ainda mais a caminhada dos outrora purpurinados suecos rumo ao Retro Rock. Canções para lá de inspiradas que se utilizam de estruturas e timbres típicos dos anos 1970, com o tempero sempre bem-vindo da guitarra do mestre John Norum. E ainda temos de brinde boas letras sobre temas políticos e reflexões sobre os rumos de nossa sociedade. Nem dá para acreditar que é aquela mesma banda que apavorou nossos ouvidos na década de 1980 com um sonzinho e visual xaropescos. Isso é que é evolução.




10. Sepultura – Machine Messiah
Sempre inventivo e aberto a experimentações, o Sepultura por vezes paga por sua louvável ousadia com discos que sofrem de uma certa irregularidade. Felizmente não é o que acontece em Machine Messiah, um dos mais certeiros e inspirados discos que a banda lançou. Partindo de um conceito interessante, a banda montou um material variado e ao mesmo tempo repleto de personalidade, que soa totalmente Sepulturesco mesmo quando flerta com elementos alienígenas.





09. Kreator – Gods Of Violence
Nunca o sujeito a deitar sobre os louros do passado, dessa vez Mille fez o Kreator aprofundar o flerte com as alas mais melodiosas do metal Europeu. Apesar dos narizes torcidos de alguns fãs mais cabeça-fechada, a mistura nos brindou com um disco pesadíssimo e inspirado, que honra sobremaneira a vitoriosa discografia dos teutônicos.






08. Paradise Lost – Medusa
O novo trabalho dos mestres britânicos do Doom/Gothic Metal faz uma ponte entre os primeiros discos da banda, soando extremamente pesado e arrastado, ao mesmo tempo em que sela as pazes com o período em que os caras quase se transformaram numa versão Metal para o Depeche Mode. Um disco de extremos, feito com muita qualidade.





07. Memoriam – For The Fallen
Nem sempre os supergrupos nos presenteiam com chorume musicado. O britânico Memoriam, que une membros e ex-membros de dois titãs do extremo (Bolt Thrower e Benediction), foi responsável por um dos melhores e mais surpreendentes debuts dos últimos tempos. Denso e pesado feito piche.





06. Trivium – The Sin And The Sentence
Afastados os problemas com a voz de Matt Heafy, enfim o Trivium faz um disco conciso e capaz de agradar tanto aos velhos fãs quanto aos que apreciaram o lado mais melódico que a banda vinha tomando nos últimos trabalhos. Repleto de boas canções, bateria nervosa e solos inspirados, The Sin And The Sentence pode e deve marcar uma nova etapa na carreira de uma banda que tem tudo para se tornar um dos maiores nomes do estilo.






05. Myrkur – Mareridt
O aparecimento de uma One Woman Band no usualmente misógino cenário do Black Metal unificou uma horda de haters espinhentos e bocós contra a dinamarquesa Amalie Bruun. Como sempre acontece, a onda de ódio só atraiu ainda mais a atenção para o trabalho da moça. Mas tudo não passaria dos 15 minutos de fama, caso a música não falasse por si só. E fala, muito. Mareridt pega os pontos fortes do debut e amplifica por dez. De Folk a industrial (com presença da igualmente polarizadora Chelsea Wolfe), tudo é feito com muita precisão e uma sorumbática beleza.



04. Enslaved – E
Os noruegueses já há muito gozam da fama de vanguardistas dentro da cena extrema. Entretanto, poucas vezes na carreira conseguiram tão bem casar os elementos clássicos de seu Viking Metal com experimentalismos e nuances de Rock Progressivo como fizeram em E. E o que é melhor, conseguiram unir essas características sem soar herméticos. Tal façanha vem rendendo à banda novos mercados para shows e resenhas positivas em meios de comunicação pouco relacionados à cena da qual fazem parte. Merecido.




03. Pallbearer – Heartless
Os estadunidenses da Pallbearer conseguiram em Heartless transmutar todos os trunfos do Doom Metal em sua concepção mais tradicional para a modernidade, selando uma harmoniosa união entre duas eras geralmente conflitantes. Um disco belo para ser apreciado por inteiro.







02. Mastodon – Emperor Of Sand
Uma das bandas mais idiossincráticas de sua geração, Mastodon nos presenteou com duas obras para lá de inspiradas nesse ano. Emperor of Sand, que narra a batalha contra o câncer sob o manto de um épico de ficção, é o trabalho mais conciso e cheio de nuances que o quarteto já lançou. Um marco de como se fazer um disco complexo e cheio de personalidade que ainda assim consegue ter grande apelo comercial.





01.  Moonspell – 1755
Seguir o sucesso comercial de Extinct com um disco conceitual cantado totalmente em português? Um passo ousado, não? Mas ousadia nunca faltou aos Portugueses do Moonspell. E 1755 não é um disco qualquer, e sim um trabalho fadado a se tornar um clássico entre os fãs das vertentes mais sombrias do Heavy Metal. Primeiro lugar, com louvor!






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