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sexta-feira, 3 de março de 2017

Metalmorphose - Ação & Reação (Cd-2017):

Metalmorphose - Ação e Reação (Cd-2017)
Metalmorphose - Ação e Reação (Cd-2017):

Sentando A Pua!!!!
Por Trevas

Os pioneiros do Metal Carioca parece que resolveram mesmo recuperar o tempo perdido. Após passar quase duas décadas afastada da cena, desde seu retorno (em 2008) a Metalmorphose vem soltando lançamentos em profusão. Coletâneas, discos e DVDs ao vivo e, mais importante, trabalhos de estúdio – enfim a banda vai engrossando, com qualidade, sua discografia.

Uma Longa Gestação

Lançado dia 02 de março somente nas mídias digitais, com previsão de lançamento em Cd pela Dies Irae em abril, Ação e Reação teve uma longa gestação. Sua produção começou pouco depois do lançamento de Fúria dos Elementos (ver Resenha da Cripta), ainda em dezembro de 2015. A gravação ocorreu nos estúdios HR e Naked Butt, sob a batuta de Gustavo Andriewiski, mesma parceria que a banda utilizou com sucesso nos dois discos pós retorno. Outra parceria que se repetiu aqui foi com o ilustrador Victor Santiago, responsável pela arte de capa de Fúria dos Elementos e que aqui se superou, trazendo uma bela imagem de um combate aéreo – clara referência à faixa de trabalho, A Cobra Fumou. A formação é a mesma que gravou o disco anterior: Tavinho Godoy na voz, André Bighinzoli no baixo, PP Cavalcante e Marcos Dantas nas guitarras e o rinoceronte branco André Delacroix na bateria.  Entretanto, pouco antes do lançamento do disco, foi anunciada a saída de Tavinho, que desde 1983 é o responsável pelos microfones da banda. A separação, amigável, foi sacramentada em um show comemorativo apresentando o mais longo repertório que a banda já tocou ao vivo. 

Metalmorphose: PP, Bighinzoli, Tavinho, Delacroix e Dantas
Ação e Reação – Faixa por Faixa:

1. Bala Perdida – levada contagiante à lá Motörhead, com um riff na cara. Letra que exprime bem o medo que contagia nosso cérebro numa grande capital como o Rio de Janeiro. Há momentos de destaque em separado no arranjo para a bateria de André Delacroix e o baixo de André Bighinzoli. O Refrão é grudento e deve funcionar bem ao vivo, mas por algum motivo não me conquistou.

2. Solução: Cadenciada. Gang Vocals? Bacana! Linhas de guitarra e voz matadoras. Não lembro de ter ouvido cowbell na banda no passado, e a novidade se encaixou muito bem. Toques de rock moderno no refrão, que é grudento (me lembrou estilisticamente o disco Live to Win do Paul Stanley, que adoro) - excelente.

3. Ação e Reação: Rolo compressor na bateria de Delacroix, que segundo consta, pela primeira vez usou bumbo duplo nas gravações do disco. Riffs com cara de Accept, em uma improvável e bem-vinda versão Brasuca, com direito a Gang Vocals de novo, gostei disso! O solo com referência a Grieg ficou realmente muito bom. Clássico pronto!

4. Princesa do Metal: Nascendo quase colada à faixa título, sua letra é uma homenagem direta às moçoilas metálicas. Riff pesadão, refrão grudento e solos em profusão, tudo com cara daquela era mais romântica do Metal tradicional – por sinal, muito boa!

5. Tudo na Vida Tem Seu Preço: Mais um bom refrão, ótimos solos, essa música, bem AOR,  tem muita cara de rádio. Composta por Bighinzoli, que deixou o Brasil rumo à Itália pouco após findar as gravações das suas linhas de baixo, me lembrou algo que poderia fazer parte da fase Hard do Scorpions. Infelizmente as rádios já não se interessam mais por rock.

6. Liberdade: Aqui o disco ganha tons mais épicos, com a música composta por Roosevelt Bala (do Stress) trazendo algo de velho oeste empoeirado. Guitarras dobradas à lá Maiden (em seus tempos áureos) – cortesia de PP Cavalcante e Marcos Dantas - andamento empolgante. Pouco provável que não venha a se tornar obrigatória nos shows vindouros.

7. A Cobra Fumou: Primeira faixa de trabalho, composta por Marcos Dantas. Tivemos acesso a ela através do videoclipe (ver abaixo), com imagens da Segunda Guerra. Outra que aposta em atmosfera épica e que remete ao Iron Maiden clássico. Na letra, uma singela e bem-feita (“Não Há Lourdinha à Matracar” é genial) homenagem aos combatentes da FEB (Força Expedicionária Brasileira), mais especificamente comemorando os 72 anos da batalha de Monte Castello, ao final da Segunda Grande Guerra. Já não era sem tempo, os suecos do Sabaton já haviam prestado homenagem a nossos heróis e agora temos um hino em verde e amarelo sobre esse importante episódio de nossa história. Absolutamente emocionante.



8. Prelúdio Metálico: Uma boa e curta faixa instrumental, que a banda executava ao vivo em seus shows na década de 1980. Bom riff e bons solos. Imagino que poderia dar origem a uma música inteira.

9. Viver Para Correr: Hardão com aquela letra que faz a felicidade dos motociclistas. Grande interpretação do vocalista Tavinho Godoy.

10. Menina Má: E André Delacroix ataca de novo de cowbell. Ouvi um slide ali? Linha melódica que explora a sensualidade da letra. Por algum motivo essa faixa me remeteu ao primeiro disco do Montrose ou os momentos mais Rockers da carreira solo do grande Sammy Hagar.

11. Aquela Menina: Blues Rock na Metalmorphose? Mais uma novidade. Encardida, traz aquelas letras bem típicas do Blues, com direito a mulher atormentando o protagonista e a belos solos.

12. Quem foi: Outra com um toque de modernidade. Direta e bacana, com uma boa letra. Gostei da cara de jam no meio, lembrando o Thin Lizzy.

13. Mate o Réu: A música que encerra a bolachinha é uma merecidíssima, vigorosa e honrosa homenagem àquela que é tida como a grande pioneira do Metal Brasuca – Stress!!


Saldo Final:

Ação e Reação traz um punhado de grandes músicas que varrem um vasto espectro musical dentro do Rock Pesado. Aqui cabe ressaltar o belo trabalho de produção de Andriewiski, que conseguiu equilibrar a diversidade do material do disco, dando igual destaque a todos os instrumentos sem que com isso prejudique o desempenho de Tavinho Godoy, que faz em sua despedida sua melhor performance em estúdio.
Em suma, Ação e Reação é o melhor trabalho dos veteranos e tem tudo para angariar mais atenção e  respeito ao Heavy Metal feito em nossa língua. Matador!


NOTA: 9,11


Pontos positivos: material variado e com grandes músicas
Pontos negativos: Bala Perdida definitivamente não me conquistou
Para fãs de: Riot, Iron Maiden, Stress, Salário Mínimo, Azul Limão
Classifique como: Heavy Metal


sábado, 19 de setembro de 2015

Metalmorphose – Fúria dos Elementos (Cd -2015)

Metalmorphose - Fúria dos Elementos (Cd - 2015)
A Fúria Inspirada dos Veteranos!!
Por Trevas

Uma das pioneiras do Heavy Metal brasuca, a Metalmorphose surgiu em 1983 e escreveu seu nome na história ao lançar o Split Ultimatum, em conjunto com a mítica Dorsal Atlântica, em 1985. Sempre senti a banda como uma prima tupiniquim de bandas clássicas do metal Estadunidense surgidas sob a influência da NWOBHM, em especial Armored Saint e Riot. Com o diferencial da escolha pela língua portuguesa como forma de passar suas mensagens, dando uma cara única ao resultado final. Infelizmente os anos 1980 passaram sem que a banda conseguisse deixar sua marca em obras oficiais, encerrando suas atividades em 1989 e rumando a passos largos para um não merecido esquecimento por parte de muitos headbangers mais jovens.

Metalmorphose na época da arca de noé...
Eis que em 2008 um show comemorativo mudou esse destino fatalista por completo e com parte de sua formação clássica completada por outros craques veteranos com longa lista de serviços prestados em prol do rock nacional, a banda recuperou o material perdido de sua juventude através de compilações e um disco ao vivo e se arriscou até mesmo a remar contra a maré e lançar um disco com material novo. Surge então Máquina dos Sentidos, um baita disco que mostrou que o tempo não apagara em nada a sede da banda por destilar seu metal tradicional com equilíbrio entre o romantismo do metal oitentista de suas origens e um bem vindo toque de classe proporcionado pela experiência e rodagem na cena.


Seguiu-se uma turnê devidamente registrada através de um combo CD + DVD, Máquina Ao Vivo e então somos agraciados com a promessa de uma nova bolachinha, intitulada Fúria dos Elementos, contando com bela apresentação gráfica num digipack caprichado.

Fúria Em Detalhes

Marcas do Tempo abre o disco num tom algo sombrio e pesado e apesar do bom refrão linha de baixo marcante e ótimos solos (e uma convenção bacana com bateria à lá Bill Ward), não soa como a escolha ideal para abrir um disco. Mas talvez a intenção tenha sido justamente essa, iniciar de maneira inesperada. A acelerada música de trabalho Corda Bamba sim é a típica abertura de um disco de metal, direta ao ponto e grudenta pacas. Aliás, a produção de Gustavo Andriewiski deixou tudo com aquela pegada ao vivo que faz tão bem à sonoridade de bandas de metal tradicional.


O início de Puro Prazer faria Phil Lynnot abrir um sorriso de satisfação, e depois a música segue uma toada bem anos 1980, com um interlúdio bem legal. Porrada....bem essa faixa é uma...porrada? Uma música tão simples, divertida e direta que você fica encasquetado de como não haviam pensado nela antes! A épica e algo sombria Acorrentado demorou um pouco a me conquistar, mas se trata de uma música muito bem construída e que casa bastante bem com a letra.

Metalmorphose 2015 - too old to rock and roll? NOT!!
O nível cai um bocado com a fraca Ninguém é Maior que Você e a não tão inspirada Sinais Trocados, mas as pedradas Espanhola e Vá Para o Inferno (primeira música de trabalho) logo colocam as coisas de volta nos trilhos, preparando o terreno para uma de minhas favoritas do disco (e da banda), a épica Evolução. Contando com uma performance absurda de todos os integrantes (o que toca o rinoceronte branco Delacroix nessa faixa, camarada?) e um arranjo com elementos sinfônicos bem colocados, a música dribla a letra algo esquisita com um final para lá de apoteótico, com solos e dobras de guitarra de fazer chorar os fãs de NWOBHM, cortesia da dupla dinâmica Marcos Dantas e PP Cavalcante. Não me canso de escutar as guitarras dessa música! Excelente!


Me Leve Embora evoca o espírito do Candlemass em seu início e final, o mais perto de um Doom Metal que a banda já chegou. Talvez o material mais moderno e variado da bolachinha, a música não faz feio, e conta com ótima performance de Tavinho, mostrando uma capacidade de interpretação que falta a muita gente da nova safra. A majestosa Luta e Glória poderia se perder ao juntar dobras de guitarra, orquestrações, coral e piano em seus mais de sete minutos. Poderia, mas não se perde não. Um clássico obrigatório nos novos shows, certamente. E se você é daqueles que acha que metal em português não funciona, faça um favor a vossa pessoa e escute essa música, ok!?

Saldo Final
Para aqueles que encararam com algum ceticismo o retorno do Metalmorphose à ativa, Fúria dos Elementos é uma resposta para lá de convincente. Novamente a banda mostra um material ainda melhor do que o de sua juventude. Quantos grupos de metal agarraram uma segunda chance com tamanha gana? Um discaço, altamente recomendado.

NOTA: 82

Prós:
Grandes performances e músicas inspiradas.

Contras:
Só tem contra indicação para quem não consegue ouvir metal em outra língua que não o inglês.

Classifique como: Heavy Metal

Para Fãs de: Armored Saint, Riot, Jag Panzer

Ficha Técnica
Banda: Metalmorphose
Origem: BRA
Disco (ano): Metalmorphose: Fúria dos Elementos (2015)
Mídia: CD
Lançamento: Rising Records/ Voice Music

Faixas (duração): CD  - 12 (60’).

Produção: Gustavo Andriewiski
Arte de Capa: Imaginativa Design

Formação:
Tavinho Godoy – voz;
PP Cavalcante – guitarra;
Marcos Dantas – Guitarra;
André Bighinzoli – baixo, teclados e voz;
André Delacroix – bateria.

sábado, 31 de maio de 2014

Crowdfunding – de Marillion e Ginger até o Super Peso Brasil!



O Crowdfunding, traduzido livremente como Financiamento Coletivo, é uma iniciativa bastante difundida lá fora. Segue abaixo trecho da descrição encontrada na nem sempre confiável Wiikipedia para o assunto:

“Consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas na iniciativa. O termo é muitas vezes usado para descrever especificamente ações na Internet com o objetivo de arrecadar dinheiro para artistas, entre outros.

É usual que seja estipulada uma meta de arrecadação que deve ser atingida para que o projeto seja viabilizado. Caso os recursos arrecadados sejam inferiores à meta, o projeto não é financiado e o montante arrecadado volta para os doadores.

Um aspecto comum a iniciativas de crowdfunding é a concessão de recompensas aos financiadores, em escala proporcional à grandeza do incentivo concedido. As recompensas estão de certa forma associadas ao objetivo final, mas isso não é necessariamente uma obrigação.”

O financiamento coletivo ainda é muito pouco difundido em nossa cultura, com a polêmica exceção da campanha Criança Esperança. Mas lá fora existem muitos exemplos de artistas que obtém bons resultados com iniciativas do gênero. Resolvi escrever sobre o assunto, no primeiro post da Cripta produzido nesse estilo, por conta da corajosa campanha Super Peso Brasil, lançada essa semana com a finalidade de financiar um baita produto - fruto do evento de mesmo nome realizado ano passado, que reuniu cinco bandas pioneiras do Metal Brasuca.

Bom, entrarei em detalhes mais a frente. Vou começar colocando dois casos que exemplificam bem como esse tipo de iniciativa pode ser uma ótima saída para os grupos (e fãs!) de rock no atual cenário de reinvenção da música como produto. Lá vamos nós!!

O Crowdfunding e o Rock – dois exemplos de sucesso!

Marillion – pioneirismo recompensado
Final dos anos 1990, o Marillion, que vivera dias de glória nos anos 1980, passava por dias de vacas magras. O neoprog praticado pela banda andava tão fora de moda quanto os mullets. O início do boom da pirataria e do download ilegal pareciam ser a pá de cal sobre a outrora carreira brilhante dos britânicos. Sem apoio da gravadora (EMI) para realizar a perna americana da turnê de promoção do bom This Strange Engine (1997), a banda revolucionou e lançou sua primeira iniciativa de Crowdfunding: os fãs estadunidenses foram incitados a financiar a turnê. A meta, R$60.000. A recompensa: ingressos e merchandise personalizado. A turnê, nomeada The Fund Tour aconteceu e nada mais foi o mesmo para o Marillion...

O Crowdfunding reinventou a carreira do Marillion
A iniciativa foi um sucesso tão grande que serviu de pilar para reconstrução da carreira da banda. Em 2001, nova iniciativa foi lançada: os fãs encomendariam o futuro disco do Marillion, ainda não produzido, com um ano de antecedência. A recompensa: o nome nos agradecimentos do encarte e a garantia de um cd bônus trazendo material que não se faria disponível comercialmente em nenhum outro lugar. Os fãs que contribuíram com uma parcela maior teriam suas fotos num painel exposto na arte do encarte. A campanha, que resultou no disco Anoraknophobia (2001) foi um sucesso tão grande que chamou a atenção das gravadoras. A banda comprovou ser um produto atraente mesmo em tempos de crise do mercado fonográfico. Tendo então assinado um contrato vantajoso com uma das gravadoras interessadas, o Marillion recuperado financeiramente, abriu mão de novas ações, ao menos por enquanto.

Anoraknophobia - um rebento do Financiamento Coletivo
Ginger – do fundo do poço ao infinito e além!

Ginger, guitarrista, vocalista e compositor pouco conhecido em terreno tupiniquim, viveu dias de glória no Reino Unido capitaneando o combo rocker Wildhearts.  Banda de carreira errática, muito por culpa do abuso de substâncias e pelas dificuldades que Ginger, de origem proletária nos subúrbios de Newcastle, encontrou em lidar com a fama repentina, o Wildhearts alternou momentos de produtividade e sucesso com outros de ostracismo e até mesmo longos hiatos em suas atividades.


                                                     

Tendo enfrentado anos de vício e depressão por conta da derrocada de sua carreira, Ginger, agora um pacato pai de família, com muitas contas a pagar e um emprego “normal”, sentia muita falta de ser criativo. Longe dos holofotes, com o filme queimado na indústria musical e sem um tostão para financiar sua música, Ginger continuava a compor e gravar em seu equipamento amador nas horas vagas. Como uma espécie de terapia, entrou em redes sociais e passou a interagir com os fãs de seu passado musical. Aos poucos descobriu que tinha muito mais fãs por aí do que imaginava. Teve então a ideia de acionar o Pledgemusic e lançar uma campanha em prol de financiar seu novo disco solo. A contar com o material composto, ainda inacabado e em qualidade amadora, Ginger apostou na produção de um álbum triplo.  Não custava arriscar, certo? Ele não tinha nada a perder.

Ginger saúda o milagre do Crowdfunding
O que ninguém esperava é que a campanha fosse se tornar um sucesso arrebatador. A meta inicial foi suplantada em tempo recorde em 555%, que, aliás, se tornou o título do trabalho. O montante arrecadado somou cerca de 250.000 doletas! O disco triplo, lançado em 2011, foi rapidamente catapultado ao 9º lugar nas paradas do Reino Unido. O sucesso da campanha foi replicado por Ginger mais uma vez, recolocando o artista de volta ao mapa musical britânico e causando a ressurreição do Wildhearts.

555%
A Iniciativa Super Peso Brasil

O Super Peso Brasil foi um evento realizado em novembro de 2013, um show histórico reunindo cinco dos pioneiros do Metal Brasileiro (cantado em português): Stress, Metalmorphose, Taurus, Centúrias e Salário Mínimo. O show, que contou com diversas participações especiais, foi um sucesso de público e crítica (ver resenha do site Whiplash aqui).

Poster do evento
Baseado na resposta positiva ao evento foi lançada, através do Site Catarse,  uma iniciativa de Financiamento Coletivo visando a confecção de um CD+DVD cobrindo alguns dos melhores momentos do evento. Serão disponibilizadas três músicas do show de cada banda (incluindo todas as participações especiais), mais o momento do evento que contou com todos os músicos em cima do palco. Para a produção do material, foi estipulada uma meta de arrecadação de R$44.100, no período de quarenta dias. A qualidade do material a ser produzido pode ser conferida no vídeo da campanha (ver aqui).

Super Peso Brasil com todos os participantes (Foto por Kubo Metal)
As formas de financiamento e respectivas recompensas são bem variadas, desde pacotes simples incluindo apenas o combo CD/DVD até outros mais completos incluindo camisetas e photobooks em referência ao evento. Existe inclusive a opção de dois pacotes voltados exclusivamente para distribuidores. Tão logo foi lançada a campanha, fui lá contribuir. Quem gosta das bandas em questão não deve perder tempo e nem ter medo, e dou aqui alguns bons motivos para tal:

1. O CD/DVD resultante não estará disponível para comercialização fora do projeto;
2. A qualidade do material será espetacular, a tomar pelo vídeo da campanha;
3. As recompensas são bastante justas e condizentes com o montante investido para cada pacote;
4. Caso o projeto venha a fracassar em obter o montante inicialmente estipulado, o dinheiro que você investiu será prontamente devolvido, não havendo risco de perda do mesmo.

Segue abaixo o link para a iniciativa!!!


Resta agora torcer pelo sucesso desta corajosa iniciativa. E que esse caminho, ainda marginalizado por aqui, seja seguido por outras bandas e projetos artísticos, dando aos fãs a bela possibilidade de se tornar mecenas para aqueles que nos proporcionam tantos momentos bacanas.

Abraços
Trevas


terça-feira, 13 de maio de 2014

Grim Reaper + Picture + Metalmorphose - Teatro Odisséia (RJ) - 08.05.14



Back To The NWOBHM!!!!
Texto e Fotos (de celular, infelizmente) por Trevas

Um dos mais importantes movimentos na história da música pesada, a New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM) rapidamente alastrou seus tentáculos para fora da terra da rainha. Uma enxurrada de bandas promissoras surgiam ao redor do mundo, antenadas com as novas tendências metálicas, fato muito mais difícil de acontecer em tempos pré-internet. Aqui no Brasil, um dos pioneiros em emular o novo metal da época foi o Metalmorphose, banda carioca que após longo hiato voltou à cena com força total.

Metalmorphose, 1865?
Em alguns casos temos a impressão de que, tal como ocorreria com o Thrash anos depois, o estilo surgia de forma independente em lugares diferentes do globo. Um grande exemplo disso é o Picture, banda holandesa que gravou seu primeiro disco ao final de 1979, com uma sonoridade bastante semelhante aos britânicos que ainda engatinhavam para fora do underground.

Picture
Já falando de dentro da NWOBHM, o Grim Reaper surgira como uma de seus rebentos mais promissores, catapultado rapidamente ao estrelato com três grandes discos e sumindo em seguida devido a problemas com empresários, seguindo um roteiro bastante comum às bandas daquela cena.

Grim Reaper, a banda favorita de Beavis And Butthead
Quem diria que quase trinta anos após seu surgimento, três bandas clássicas como as citadas se encontrariam sobre o mesmo palco numa noite de meio de semana no Rio de Janeiro? Um fato a ser comemorado por qualquer amante de metal que se preze.

Chegando à porta do Teatro Odisséia, no coração da Lapa, temi pelo pior. O evento parecia fadado ao fracasso, graças à uma greve de ônibus, iniciada na manhã daquele dia e que só terminaria no dia seguinte. Deixariam os Deuses do Metal que uma noite como essa tivesse tão poucos expectadores? Foi assim, com pouco mais de vinte pessoas no local, que os guerreiros do Metalmorphose iniciaram os preparativos para seu show.

Metalmorphose

Com a garra e perseverança cantada nos versos de Jamais Desista, o Metalmorphose tocou como que para uma turba de milhares, aproveitando cada minuto de seu set. Cavaleiro Negro colocou os desavisados da existência do novo disco (o petardo Máquina dos Sentidos) no circuito, mas o repertório da noite foi mesmo calcado no último lançamento. Uma escolha em muito baseada no fato de que a banda tocaria no dia seguinte em outra casa na Lapa com um set mais completo, na ilustre companhia de seu contemporâneo brasuca Stress e do X Rated. Escolha bem vinda, dada a qualidade de sons como Metrópole (com ótimas guitarras dobradas à lá Thin Lizzy), Máquina dos Sentidos e especialmente Máscara. A banda (que sempre me faz lembrar os primórdios do Riot e Armored Saint) está cada vez melhor: André Delacroix continua sendo um rolo compressor (além de ser uma figura no palco), a dupla de guitarras Marcos Dantas e Pepê está afiadíssima e André Bighinzoli toca sempre com muito entusiasmo e carisma. O único prejudicado na noite foi o ótimo Tavinho Godoy, cuja voz ficou enterrada no meio dos outros instrumentos, fato que aconteceria novamente no set do Picture. Coisas do Odisséia. Com o público aos poucos chegando no meio do set, o show cresceu, terminando com uma empolgada ovação de quase uma centena de headbangers felizes. Ficamos no aguardo do novo disco e dos shows vindouros!(NOTA 8)

Tavinho Godoy
Picture

Cerca de vinte minutos depois o palco foi montado novamente. A casa já estava cheia, os deuses do metal venceram a greve. Um fato curioso: o público gritou efusivamente "reaper, reaper", mas foi pego de surpresa pela avassaladora Griffons Guard the Gold! Os gritos rapidamente mudaram para "Picture-Picture" e os pescoços, ah, esses sofreram. Com muita garra e um clima que remetia a algum pub esfumaçado da Europa nos idos de 1983, o Picture impressionou com um set repleto de clássicos tocados com ferocidade e precisão. Armado de muito couro, um chapéu à lá Mad max e uma cartucheira contendo latas de cerveja (sabiamente bebericadas entre as músicas) Pete Lovell comandou o Odisséia com maestria, a despeito de sua voz também estar enterrada na massa sonora.

Pete Lovell
Com três quintos da formação que gravou o clássico Eternal Dark em ação (o baterista Bakkie e o baixista Rinus, além de Pete), o Picture tocou músicas imortais como Eternal Dark, Heavy Metal Ears, Lady Lightning e The Hangman. O set terminaria aparentemente com a monstruosa Into The Underworld. O público não deixou. Então a banda, visivelmente feliz, tocou Bombers para encerrar. Um Show para ser lembrado por muito e muito tempo.

O mais legal foi ver que assim que terminou seu set, a banda se posicionou (munida de cervejinhas), em uma área reservada do mezanino, para curtir o show do Grim Reaper. E quem aparecesse na corrente que separava essa área era simpaticamente atendido pelos caras, que trocaram ideias, tiraram fotos e deram autógrafos aos fãs com muita humildade. Virei fã e espero ver a banda de volta no futuro.(NOTA 9)

Picture
Grim Reaper

Superar o surpreendente show do Picture seria uma tarefa árdua, mas Steve Grimmet é um cara bem escolado. Após o término da primeira encarnação do Grim Reaper, o balofo vocalista tentou a sorte com bandas como o Onslaught, Lionsheart e Grimmstine, sem o mesmo sucesso. Recentemente entrou em acordo com o ex-guitarrista Nick Bowcott e passou a usar o nome do Grim Reaper em seus shows (como Steve Grimmet's Grim Reaper). Contando com o excelente Ian Nash na guitarra e uma cozinha de respeito (Chaz Grimaldi no baixo e Mark Rumble na bateria), Steve capitaneou um ótimo set de 16 petardos quase sem interrupção, que só perdeu para o Picture por uma questão de mágica, mesmo. Dono de um gogó para lá de privilegiado, o cinquentão Grimmet foi o único vocalista da noite que sobreviveu ao péssimo som do Odisséia, impressionando a todos com uma voz que pouco ou nada perdeu nesses trinta anos de carreira. Passando por clássicos dos três discos da banda (Fear No Evil, Waysted Love, lay It Down The Line), somados a uma homenagem algo enrolada ao Dio (Don't talk To Strangers) e até mesmo uma ótima música nova (Sim, os caras lançarão um disco esse ano, a música se chama From Hell), o Ceifador encerra a noite com a obrigatória See You In Hell. (NOTA 8)

Não, não sei se nos veremos no inferno...mas no próximo show das três bandas, aí sim vocês vão me encontrar.

Steve Grimmet