Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
Não fosse a pandemia,
2020 seria um ano repleto de comemorações por parte dos suecos do InFlames.
Os baluartes do Gothemburg Sound completam
nada mais nada menos que 30 anos de existência. E Clayman, seu quinto disco de estúdio, completa 20 anos de
lançamento. E Clayman representa
muito para o quinteto: foi com esse disco que a banda galgou terreno para além
de seu nicho original, o DeathMetal Melódico, ganhando muitos fãs
dentro da cena do metal moderno mundial.
Clayman em sua versão original
Clayman também é considerado
o último disco do In Flames a apostar em sua proposta sonora original. RerouteToRemain chegaria pouco
depois para causar uma imensa divisão entre os fãs, com muito do então chamado NuMetal
infiltrado em seu estilo sueco de Death
Melódico. Eu fui um dos fãs que largou de mão da carreira dos caras à época
(depois voltei com força total e passei a entender e curtir os rumos que
escolheram). Mas escutando o disco hoje em dia, fica mais claro que a ruptura
não foi tão drástica quanto pareceu, Clayman
já era uma espécie de elo perdido entre o velho e o futuro InFlames. Originalmente
produzido por FredrikNordström, o disco tem sua edição comemorativa
remasterizada por TedJensen (Pantera, Gojira). E fica
bem fácil notar que a escolha foi acertada, com a clássica BulletRide soando forte
como nunca na abertura. E que abertura: seguem PinballMap e a
obrigatória Only For The Weak, um
clássico instantâneo que curiosamente já escancarava a metamorfose que os
suecos sofreriam no próximo disco.
E a destruição não para. A nem sempre lembrada As The Future Repeats Today é de uma urgência viciante, e o início
da bem construída SquareNothing remete aos temas Folk vistos nos discos anteriores, mas
com um arranjo mais maduro. A faixa título chega, e só não se faz como
obrigatória nos sets atuais pois a tríade de abertura está num nível
estratosférico e os caras precisam prestigiar os outros trabalhos.
O restante do disco não baixa nem um pouco a guarda, com a dinâmica do
futuro In Flames dando as caras em
coisas como SatellitesAndAstronauts e SuburbanMe (com solo de ChristopherAmott) e Swim merecendo um lugar entre os lados
B favoritos dos caras. Com pouco mais de 40 minutos, Clayman continua um forte candidato a disco definitivo de um subgênero,
e soa melhor que nunca no novo trabalho de remasterização. Clássico da Cripta, obrigatório!!
Bônus
Da Edição de 20 Anos
Para a nova edição, Clayman ganhou uma arte de capa nova. E
cara, como ficou mais bonita. Também estão presentes cinco faixas gravadas atualmente
(embora não fique claro no encarte a formação responsável pela gravação),
produzidas por HowardBenson (Motörhead). A primeira delas é uma instrumental tocada pelo
violoncelista JohannesBergion (DiabloSwingOrchestra) e BjörnGelotte, uma
espécie de medley de alguns temas do disco. Interessante, mas longe de
obrigatória. De resto, temos as regravações de Only For The Weak, Bullet
Ride, PinballMap e Clayman. Não, nenhuma delas soa tão bem quanto as originais, embora
fique claro que AndersFridén usa melhor sua voz limitada hoje
em dia. Ou seja, não fosse o ótimo trabalho de remasterização das faixas
originais, não recomendaria a substituição da versão original do disco por essa
edição comemorativa.
Gravadora:
Shinigami Records (nacional)
Prós:
O clássico do In Flames em seu melhor estado
Contras:
As regravações não rivalizam com as originais
Classifique
como: Melodic Death metal, Modern Metal
Para
Fãs de: Soilwork, Arch Enemy, Dark Tranquillity
É curioso fazer uma
resenha sobre os suecos do In Flames
e perceber que é uma tremenda perda de tempo explicar que não se deve esperar
um novo Whoracle ou LunarStrain. Sim, pois com 13 discos de estúdio nas costas, o InFlames
tem muito mais estrada (e trabalhos) vestindo a roupagem de Metal Moderno que
optou em 2002 com o divisor de águas RerouteToRemain do que em sua fase inicial que tanto acalenta os saudosistas.
Com toda sinceridade, nem acredito que ainda exista alguém que espere um
retorno à essas origens há tanto renegadas. Então vamos pular essa parte. Após
o lançamento de um dos seus discos mais controversos, o “pop” Battles, o combo sueco liderado pela
dobradinha AndersFridén (voz) e BjörnGelotte
(guitarras), com a companhia do já conhecido NiclasEngelin
(guitarras), repete a parceria com o premiado produtor HowardBenson (que
aparece como colaborador nas composições) e dá boas-vindas aos novatos BrycePaulNewman (baixo,
substituindo o membro de longa data PeterIwers) e TannerWayne (bateria)
em mais uma tentativa de “escrever o melhor disco que pudermos”. A expectativa aqui
era de que ao menos fizessem algo melhor que o murcho disco anterior...
Direto da convenção de lenhadores suecos, In Flames 2019
O disco começa com o pé na porta, com Voices trazendo um dos muitos grudentos que se fazem onipresentes
na bolachinha seguida pela faixa título, talvez a mescla perfeita entre o “velho”
e o “novo” In Flames.
CallMyName é bacana e “para
cima”, já IAmAbove parece a melhor
coisa que o Bullet For My Valentine
escreveu em anos. FollowMe faz com que percebamos mais
claramente o quanto trabalhar com Benson
fez com que Anders evoluísse
monstruosamente como vocalista. Explicando: o produtor convenceu mr. Fridén a começar a fazer aulas de canto
ainda à época da gravação de Battles.
Se antes víamos um músico funcional que tinha como maior mérito soar único
dentro de suas limitações, agora o barbudo consegue se expressar com uma
versatilidade nunca antes vista num disco da banda. Não, Fridén não virou um ChrisCornell, mas até mesmo as partes
mais declamadas (à lá JonathanDavis) ganharam em feeling e melodia.
Claro que nem tudo funciona super bem o tempo todo. (This Is Our) House só escapa do horror absoluto causado pelos
corinhos com crianças (por quê, Senhor?) devido ao refrão virulento. E InThisLife pouco oferece além do metal
Moderno radiofônico produzido às toneladas por aí. Mas quando o toque
radiofônico, as dinâmicas da boa produção e o peso balanceado se encontram, o
disco se torna absolutamente irresistível, vide as deliciosas WeWillRemember, Burn e a bela StayWithMe (com a melhor performance vocal da vida de Anders). A versão nacional ainda traz uma faixa bônus de respeito, NotAlone.
Veredito
da Cripta
Longe da discussão infrutífera
sobre os rumos que a banda tomou quase 20 anos atrás, temos em mãos o melhor e
mais equilibrado disco do InFlames em muito tempo. Um disco direto,
moderno, grudento e ainda assim cheio de nuances. Viciante.
Na ativa desde 2011, o quinteto carioca
definitivamente foi uma ótima escolha para a abertura deste show. Com o palco
ornado com o belo backdrop da banda,
além de dois praticados laterais com arte gráfica correlata, o RH iniciou seu show pontualmente às
21:00, quando ainda havia pouco público. Mas o poderio do quinteto, que mostra em
eu som uma espécie de compêndio de tudo o que já se fez (e se faz) de bom
dentro do MelodicDeathMetal, logo atraiu uma parcela bem razoável das pessoas que já se
encontravam na casa para a pista. O vocalista JP tem um gutural poderosíssimo (realmente impressionante!) e ótima
presença de palco (me parece que ainda há algo a evoluir nas linhas de voz limpas,
mas nada que comprometa), e seguiu comandando as ações, mas extremamente bem
assessorado por uma dupla de grandes guitarristas (PhilLeander e LucasBrum) que atua de forma quase telepática. Some-se a isso uma
cozinha para lá de poderosa (JohnnyKings e CaviMontenegro, com seu
baixo tão alto no mix que chegava a encobrir as guitarras) e ótimas músicas e
temos uma das melhores bandas da nova geração que já vi ao vivo. Uma pena que o
set durou apenas meia hora. Fui lá na banquinha e já garanti os dois lançamentos
da RH (um Ep e um FullLength) e uma camisa. Sensacional. (NOTA:8,50)
Reckoning Hour ganhando novos fãs
In Flames
– Tocando Para Amigos
O palco repentinamente
toma nova forma, o backdrop gigante (e
clean) dos suecos é o único cenário, afora a bateria...nada de parede de amps,
tudo ligado em linha. E a banda sobe com dez minutos de atraso ao som de duas
faixas do novo disco, o controverso Battles
(e como essas músicas soaram melhores ao vivo, hein?). E controvérsia
parece ser uma constante na carreira do InFlames, uma das bandas mais
influentes e polarizadoras de seu tempo. A mudança do MelodicDeathMetal tipicamente sueco para uma
amálgama de heavy metal moderno que deve tanto a seu passado quanto ao NuMetal
e Pop ainda é motivo de muita
rabugice na cena. Mas se você veio até aqui procurando alguém que alimente essa
gasta polêmica, veio ao lugar errado. O InFlames de hoje é um monstro muito
diferente, e pudera, a banda que vemos no palco traz somente dois membros
originais (e dá até para discutir se realmente podem ser considerados “originais"):
o guitarrista tigrado BjörnGelotte e o vocalista com cara de
hipster do Leblon AndersFridén. De resto, temos os novatos BrycePaul (baixista) e JoeRickard (bateria), além do já conhecido
guitarrista NiclasEngelin. E cara, como esse novo monstro
funciona bem.
In Flames deixando o Circo, ehr...em chamas?
O público, apenas razoável, ficou impressionado com a qualidade sonora
da banda, que destilou uma penca de sons de seus discos mais recentes. Todas
devidamente cantadas e agitadas pelos ávidos fãs, que a cada intervalo
entoava um contagiante “olê, olê, olê,
In Flames, In Flames”. A banda retribuía com muito dinamismo e energia,
além de uma postura atípica. Anders interagia
com todos sempre de maneira calma e jocosa, muito longe da postura fodão
malvadão que muitos artistas do estilo destilam. Sempre bebendo ,ora cerveja ora um destilado que não consegui identificar, Anders
ainda aproveitou a execução e um número instrumental para consumir um fumígero
suspeito no backstage (visível de
onde eu estava), seguido pelo seu companheiro Björn. Enfim, o clima era tão agradavelmente descompromissado e
amistoso que em determinados momentos dava a impressão de estarmos assistindo a
uma banda de amigos. E a prova de que o público da banda renovou seu gosto
ficou latente ao percebermos que a dobradinha Moonshield/JestersDance (as únicas da fase MeloDeath executadas, se consideramos
que OnlyforTheWeak já representa uma fase de
transição) teve recepção morna se comparada a músicas novas como TheTruth e a derradeira TheEnd. A reclamar, apenas uma certa
queda de dinâmica das músicas do meio do set, mas a energia foi logo recuperada
na reta final, com a casa vindo abaixo em números como DeliverUs e TheQuietPlace. Um show
matador! (NOTA:9,00)
Um dos baluartes daquele
movimento que veio a se tornar conhecido como GothenburgSound (o Melodic Death Metal sueco), o InFlames
viveu duas fases bem distintas. A primeira, que compreende os lançamentos de LunarStrain (1994) até Clayman
(2000), traz uma banda que alia o Metal Tradicional
ao DeathMetal para produzir uma sequência de discos que trouxe uma parcela
dos bangers mais tradicionalistas a conhecer um pouco do universo extremo.
Nesse período, a banda era quase uma unanimidade na cena. Mesmo aqueles não
muito afeitos ao som, ao menos demonstravam respeito pelos caras.
A segunda fase pega tudo o que os suecos fizeram desde o polêmico Reroute to Remain, de 2002. A partir daquele
ponto, o InFlames desconstruiria sua imagem, adotando maciçamente elementos do
mundo alternativo e do NuMetal. Os narizes torcidos dos bangers puristas
não impediram que a banda se tornasse uma potência comercial, conquistando uma
legião renovada de fãs. Alguns sortudos conseguem enxergar com carinho os dois
mundos do InFlames, e sou um destes. Consigo escutar tanto um SirenCharms quanto um Whoracle
com igual felicidade. E se você é um fã da afse atual, ou como eu, não tem
preferência por nenhum dos dois mundos, esse novo lançamento ao vivo vai te
agradar em cheio. Como de costume, irei separar a avaliação do pacotão pela
apresentação do material físico, qualidade de som e imagem e finalmente do show
em si.
Apresentação
Em tempos onde boa
parte do público está acostumado a piratear o material de suas bandas favoritas
e que só os colecionadores parecem dispostos a arcar com o custo de ter
fisicamente o produto oficial em mãos, se faz imperativo que os artistas
invistam para agradar esse exigente mercado. Já faz bastante tempo que os
suecos se preocupam com cada detalhe gráfico de seus lançamentos, e aqui não é
diferente. A edição que comprei é a que vem com um digipack belíssimo
encapsulado em um envelope muito bonito. O livreto traz fotos caprichadas
somadas às letras das músicas. Existe ainda uma versão em digibook que inclui
também a edição em DVD para o show.
Não fosse o preço proibitivo, teria apostado nessa, pois pelas fotos parece
ainda mais bonita. Enfim, quem pagou para ter o material físico em mãos, irá se
sentir satisfeito, com toda certeza.
Imagem da edição analisada
Imagem
Cenograficamente o
show é um deleite, tendendo à escuridão completa para valorizar o incrivelmente
engenhoso set de luzes dos caras. Dependendo da música, os canhões transformam
o palco, adornado ao fundo com uma parede de galhos mortos, com uma profusão de
verde ou vermelho ou azul...esse efeito nas mãos experientes e para lá de
competentes de PatricUllaeus, com suas tomadas únicas, faz
com que o BluRay seja visualmente perfeito.
Som
Os dois lançamentos
anteriores do In Flames sofriam do mesmo mal, uma péssima qualidade sonora. O
resultado era tão ruim que ouço até hoje muita gente dizendo que a banda só
funciona em estúdio. Bobagem, o InFlames é um dos shows mais concorridos
no mercado europeu e isso não é à toa. Dessa vez a produção caprichou,
escuta-se tudo com imensa perfeição e com muito punch, seja no BluRay, seja nos dois cds. Um fator bem legal que deveria ser
obrigação para qualquer lançamento ao vivo que se preze, foi o cuidado na
captação do áudio da plateia, a intensa reação do público faz-se presente de
maneira incrível na mixagem, transportando a gente lá para o meio da multidão.
O Show
Impossível não
começar essa parte da avaliação sem citar o set list. Se você é fã
exclusivamente da fase mais Melodeath
do InFlames, nem prossiga. O repertório traz apena duas faixas pré-Reroute, e uma delas járepresentava uma transição musical, a apoteótica OnlyforTheWeak (recebida com
um entusiasmo imenso, mostrando a plateia simplesmente quicando tal qual uma
onda de carne). De resto, todos os discos da fase moderna estão muito bem
representados, obrigado. E é impressionante perceber como cada música escolhida
soa como um Hit em potencial. Até mesmo o material do criticado SirenCharms brilha aqui, mostrando que a produção ruim tirou em muito o
potencial daquele disco. Vide a belíssima WhentheWorldExplodes, que casa
a apresentação visual impecável com uma emocionante participação da cantora
lírica EmiliaFeldt.
A
banda funciona perfeitamente ao vivo, com todos os músicos demonstrando imensa
empolgação e destreza técnica. Vocalmente limitado, Anders Fridén hoje em dia sabe
usar muito bem a ferramenta que tem em mãos, e sua simpatia é no mínimo
contagiante. Mas nem a banda e seu repertório fariam diferença se estivessem
diante de uma plateia indiferente. E o que torna esse lançamento ainda mais especial
é ver o quanto o público de Gotemburgo ama a banda. A reação em boa parte das
músicas se assemelha em absurdo ao que presenciei no Live At River Plate, do
AC/DC. A galera canta tudo palavra por palavra nas músicas mais calmas e quica
ensandecidamente no material mais agitado. Fantástico. E não se assuste com o
fato da interação da banda com o público ser feita na língua pátria – nesses momentos
temos a ajuda de legendas bem colocadas. Único ponto a se considerar negativo é
a absoluta ausência de extras.
In Flames 2016
Saldo Final
Parece
que finalmente o InFlames resolveu acertar a mão num
lançamento ao vivo oficial. Sounds From
the Heart Of Gothenburg tem tudo que um fã da banda poderia pedir de um
show da atual fase dos suecos. Um dos melhores materiais ao vivo de uma banda
de Metal que vejo em eras. Absolutamente perfeito.
NOTA: 10
Pontos positivos: Luzes,
som, banda e plateia encapsulados em vídeo de maneira perfeita.
Pontos negativos: Não há
extras e pode soar ofensivo aos fãs da primeira afse dos caras.
Para fãs de: Soilwork, Dark
Tranquility, Korn
Classifique como: Melodic Death
Metal, Modern Metal