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domingo, 2 de fevereiro de 2020

Os Melhores de 2019 - Pela Cripta do Trevas!



Olá, Guardiões da Cripta!

Chega o fim de um ano e me pego tendo a mesma impressão de sempre, quantos bons lançamentos que tive em mãos! E quantos outros podem ter me escapado...

A facilidade de acesso que instrumentos como o streaming nos proporciona faz com que consigamos explorar cada recanto do “universo música”, se assim nosso dia a dia permitir.

E se considerarmos que ainda assim existem mundos pouco afeitos a expor sua arte nessas plataformas, chega a assustar quanta coisa boa pode estar perdida por aí...

Quem já lê a Cripta com frequência, provavelmente sabe que a maior parte do material nela resenhado é composta por aquisições em mídia física para a minha coleção pessoal. Como não sou rico, claro que isso limita bastante meu range. O Spotify tem me ajudado a ter acesso a materiais que não encontro e/ou não consigo comprar.

Como habitual, tentei escutar nesse janeiro eventuais “discos do ano” que me passaram desapercebidos. Uma tarefa dura, a cada lista de “melhores do ano” que exploro, ao menos dois ou três discos que nunca ouvi são citados. Na maioria das vezes, com mérito.

Então, encarem essa presente lista como um instrumento falho, incompleto, mas cheio de boas intenções. Uma lista de recomendações, já que o conceito de “melhor ou pior” me parece injusto. 

Por tabela, segue a minha playlist do spotify para 2019.

Leiam, escutem, divirtam-se, cornetem. E se quiserem, me mostrem suas listas!
Saudações
Trevas 

Revelação

No Rio de Janeiro, o Facing Fear lançou seu primeiro disco (Ana Jansen) e vem causando barulho com seu metal revivalista (até no visual) e com letras eventualmente em português. Já o combo Prog Metal Vikram, com músicos de vários lugares de nosso vasto país, fez um disco que merece com sobras entrar na nossa listinha. O Tanith, que traz Russ Tippins, do Satan, Tysondog e Blind Fury fez uma promissora estreia num elo perdido musical entre os anos 1970 e a NWOBHM. Somaria aos três a brilhante estreia dos paraguaios do Nightbound, num Ep homônimo caprichado, que soa uma delícia aos ouvidos dos fãs de bandas como Thin Lizzy.

Revelações
Melhor DVD/Blu-Ray

Ainda que não conte com nenhum extra de bastidores, Songs From The Dead é o Home Video dos sonhos (ou pesadelos?) de qualquer fã do mestre King Diamond que se preze. O dinamarquês, aliás, está em forma impressionante após quase antecipar sua sentada no colo do Capeta. Em contrapartida, o apoteótico registro da bem-sucedida turnê Punpkins United, reunindo eras diferentes dos Lordes teutônicos do Power Metal Helloween, é tão recheado de material caprichado, que não poderia ficar de fora da lista. Um dos pacotes mais bem servidos já lançados no formato.

Os melhores Home Videos que o dinheiro pode comprar, em 2019

PLAYLIST de 2019 – Criptozoologia 2019:




Agora, fiquem com a lista dos 30 (+1, pois errei a conta e só vi quando fui publicar...típico, hehehehe) melhores trabalhos de 2019:


30. Baroness – Gold & Grey
Os esquisitões estadunidenses por pouco não lançaram seu disco definitivo. Ainda que minado por exageradas 17 faixas e uma produção incomodamente suja, quando Gold & Grey acerta a mão, é espetacular e único.



29. Gloryhammer - Legends from Beyond the Galactic Terrorvortex
Power Metal escocês e galhofeiro entre os melhores do ano? Teria Trevas comido um cogumelo estragado? É possível. Mas é inegável que os caras conseguiram lançar um disco para lá de divertido e diferente, mesmo brincando com clichês de um dos gêneros mais bobocas dentro do Metal.


28. Vírus – Contágio
O tão aguardado disco de estreia dos veteranos da cena Brazuca enfim chegou. E mesmo com o atraso de décadas, impossível resistir às versões definitivas para petardos como Matthew Hopkins e Batalha No Setor Antares. Isso sem contar com os “novos” clássicos Povo do Céu e Sacrifício. Imperdível aos ouvidos dos fãs do metal em Português.


27. Týr – Hèl
Essa lista está tão estranha que entra até banda das Ilhas Faroe. Sim, os caras chegam aqui na cota de Viking que deveria ser do Amon Amarth. Já que os suecos lançaram um disco bom, mas inferior ao alto padrão por eles imposto...fico com esse belo trabalho que mistura de forma única vários gêneros dentro do metal.


26. The 69 Eyes – West End
Olha, mesmo eu curtindo muito vários trabalhos dos Vampiros de Helsinque, os caras andavam tanto no piloto automático que jamais imaginei gamar em um disco deles de novo. West End é uma delícia do Gothic Rock, viciante.


25. Overkill – The Wings Of War
Faz tempo que a máquina de Thrash estadunidense não erra a mão. Em Wings Of War o Overkill se recusa a trilhar a fórmula que dera tão certo no surpreendente disco anterior. Com uma sonoridade mais próxima de seus primórdios, acertam em cheio em um disco que é uma muqueta na zoreia.


24. Pristine – Road Back To Ruin
Heidi Solhein comanda com sua bela voz e feeling o combo norueguês em Road Back To Ruin, um disco que, apesar da evidente cara retro-rocker, não é para ficar limitado somente a esse nicho. Um baita trabalho que merece ser ouvido por fãs de Rock em geral 


23. Arch/Matheos – Winter Ethereal
A junção de metade da formação original do Fates Warning traz um trabalho complexo e repleto de melancolia, com cascatas de melodias vocais e instrumental sofisticado nos levando para uma viagem sombria. Um disco de Prog Metal maduro, sem os exibicionismos estéreis do gênero.


22. RAM – The Throne Within
Para não dizer que não há espaço para o Metal-Metal da nova leva nesse 2019, o novo trabalho dos suecos troozões chuta bundas com seu coturno gasto e surrado. Fãs de Accept e Judas Priest certamente ficarão com suas cacetas em riste perante o Metal puro e vigoroso do quinteto, que parece nunca errar a mão.


21. Angel Witch – Angel Of Light
Eu falei Metal-Metal? Pois olha quem nos surpreendeu esse ano: Direto e certeiro, Angel Of Light pode ser a luz (oops) que faltava para o Angel Witch enfim engrenar e, quem sabe, construir uma reputação que faça justiça ao status de lenda que o quarteto ganhou exclusivamente por conta de seu excelente debut. Imperdível


20. Sacred Reich – Awakening
Despretensioso, virulento e direto ao ponto! De onde menos se esperava veio um disco de retorno dos mais legais que já escutei. Viciante, Awakening tem como único grande “defeito” durar parcos 30 minutos.


19. Death Angel – Humanicide
Desde seu triunfal e prolífico retorno, os ex-menudos da Bay Area definitivamente não podem ser acusados nem de amansar seu som, nem de se deitar no saudosismo repetitivo que acomete a cena Thrasher. Humanicide é definitivamente um dos discos mais poderosos dos californianos, audição obrigatória para qualquer fã de Thrash, de qualquer era.


18. In Flames – I, The Mask
Ainda que seja fã de carteirinha dos suecos, fazia tempo que nada deles me empolgava tanto. Longe da discussão infrutífera sobre os rumos que a banda tomou quase 20 anos atrás, temos em mãos o melhor e mais equilibrado disco do In Flames em muito tempo. Um disco direto, moderno, grudento e ainda assim cheio de nuances. Viciante.


17. Crobot – Motherbrain
Os malucos do Crobot conseguem unir em Motherbrain elementos de Retro-Rock e Stoner com o som alternativo dos anos 1990 e tempero Hard/Heavy, num dos discos mais viciantes desse 2019. E Brandon Yeagley é um dos vocalistas mais bacanas que ouvi da nova safra.


16. Vikram – Behind The Mask – I
Um punhado de ótimos músicos de nossa cena se unem em uma viagem conceitual num dos melhores Debuts dos últimos anos. Prog Metal inteligente, único e vigoroso, uma feliz prova de que há sim renovação e esperança para a cena Bazuca!


15. Evergrey – The Atlantic
Se alguém quer um exemplo de como uma banda pode amadurecer seu som sem soar meramente pretensiosa, reserve uma hora de seu tempo e embarque em The Atlantic. Um disco colossal, ao mesmo tempo pesado, denso e sensível. Isso sem nunca soar piegas. Uma pena que não consegui conferir o show no Rio.


14. Lacuna Coil – Black Anima
Após alguns anos de estagnação, os italianos acertaram a mão ao apostar em uma guinada no peso e em temáticas mais sombrias. Delirium já era matador, mas Black Anima vai além, um forte concorrente a melhor disco da prolífica carreira de Cris Scabbia e seus amigos.


13. Thunder – Please Remain Seated
Fiquei em dúvida se incluía ou não esse disco aqui, já que se trata praticamente de uma compilação. Mas esse não é um Best Of normal, os britânicos escolheram faixas não necessariamente incensadas de sua carreira e praticamente as reconstruíram em um delicioso formato anos 1950. Uma bela maneira de se explorar o passado sem soar apelativo. Um disco único e muito bacana de se ouvir.


12. Cellar Darling – The Spell
The Spell pode se mostrar uma jornada demasiadamente longa e melancólica ao ouvinte de um Metal mais convencional, mas é uma jornada na qual vale a pena embarcar, para aqueles afeitos a músicas que permeiam várias vertentes do estilo. O Cellar Darling encontrou enfim sua cara, e ela é bela e triste.


11. Kadavar – For The Dead Travel, Fast
Os retro-rockers teutônicos do Kadavar mergulham de maneira firme e certeira na história de Drácula e num som que parece erguido triunfantemente das brumas lisérgicas do final dos anos 1960. Absolutamente matador.


10. Eclipse – Paradigm
Paradigm pode não ter exatamente quebrado nenhum paradigma do Melodic Hard Rock/AOR, mas é facilmente um dos melhores trabalhos do estilo que escuto em anos, e provavelmente o melhor disco da carreira dos prolíficos suecos.


09. Sabaton – The Great War
Os simpaticíssimos suecos do Sabaton vêm tomando o mundo do Metal de assalto. The Great War alcançou o Top 10 em nada menos que 13 países (e Top 50 em 21), chegando ao número 1 na Alemanha. E é merecido. Dentro do estilo que se propõe, é facilmente um dos melhores discos desse 2019, e tem aquele raro mérito de pedir por um repeteco tão logo os 39 minutos se encerram. Excelente.


08. Rammstein – Rammstein
Com a estética do “menos é mais”, o quinteto ganhou foco, caprichando bastante nas composições. Até aquelas que aparentemente nada trazem de novo ao bestiário Rammsteiniano soam deliciosas. Com parcos 46 minutos de duração (e as tradicionais 11 músicas), Rammstein é cirúrgico e denso. Um dos melhores discos de 2019, que também ameaça se tornar um dos favoritos dos fãs dentro da discografia da banda.


07. Insomnium – Heart Like A Grave
Retornando a um formato de disco mais tradicional, o combo finlandês mergulha ainda mais na melancolia para produzir um disco de Melodic Death Metal excepcional, adotando elementos de diversos gêneros dentro do rock para temperar seu som. Denso e pesado, belo e sombrio.


06. Tuatha De Dannan – The Tribes Of Witching Souls
Um Ep vitaminado por algumas versões diferentes de faixas já apresentadas anteriormente, The Tribes Of Witching Souls é a prova cabal de que os mineiros são das melhores bandas de nossa cena. Um daqueles trabalhos que tão logo terminam já pedem por um novo toque compulsivo no “PLAY” do aparelho de som.

DAQUI PARA  FRENTE, A ORDEM NÃO IMPORTA!


Tygers Of Pan Tang – Ritual
Difícil esperar de um combalido veterano do segundo escalão da NWOBHM qualquer sinal vital em pleno 2019, certo? Porra nenhuma. Os tigres britânicos já vêm ameaçando lançar um novo clássico tem pelo menos 10 anos. E Ritual, ainda que seja apenas um simples disco de Metal tradicional, consegue grudar em nossa mente feito chiclete. 53 minutos que farão qualquer fã Old School sorrir sem parar.


Jinjer- Macro
Eis que vem da improvável Ucrânia um dos melhores e mais inventivos discos de 2019, que nos prova com sobras que o Jinjer não é mais uma promessa da cena, e sim uma retumbante realidade. Pesado, inteligente, criativo e diversificado.


Rival Sons – Feral Roots
Incapaz de fazer um disco minimamente medíocre, o combo Retro-rocker estadunidense nos presenteia com um discaço ao mesmo tempo simples e bastante sofisticado. Um forte rival (oops) para The Great Western Valkyrie pelo trono de melhor disco da carreira dos caras.


Candlemass – The Door To Doom
Os mestres suecos do Doom Metal parecem uma fênix sombria. Renasceram anos atrás com o impecável disco homônimo, ressurgiram de novo quando Rob Lowe assumiu os vocais da banda. Anunciaram o fim. E do nada retornam, com o vocalista original que gravara Epicus Doomicus Metallicus, com um disco tão matador que não merecia o título tosco. Um dos melhores de toda a carreira.


Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light
Quando os finlandeses sorumbáticos lançaram o ambicioso disco triplo Songs From The North, acreditei piamente que esse seria o ápice criativo que uma banda como eles poderia atingir. Ledo engano. Movidos pela dor do luto de seu líder e principal compositor, os caras fizeram um disco tão sombrio e denso quanto delicado e belo. Um Gothic Doom de cortar o coração (e os pulsos).


Soilwork  - Verkligheten
E não é que o The Night Flight Orchestra fez muito bem ao Soilwork? Após anos de estagnação criativa, os caras vêm enfileirando discaço atrás de discaço. Até fica difícil escrever aqui sem cair na armadilha da adulação gratuita de fanboy. Mas o fato é que no novo trabalho os suecos conseguiram encontrar um raro equilíbrio entre peso, melodia e inserção de elementos estranhos ao seu som tradicional. As composições são tão caprichadas, e o clima tão único, que nos resta aplaudir quando You Aquiver nos presenteia com os últimos acordes de um disco fadado a se tornar um clássico do estilo.


terça-feira, 30 de julho de 2019

Rammstein – Rammstein (CD-2019)


Fogo Nada Fátuo
Por Trevas

Vamos lá. O headbanger mais sisudo e tradicionalista pode odiar a banda e vomitar o quanto quiser, mas terá que afogar as mágoas abraçadinho com seu LP do Eternal Champion diante de um fato inconteste: O Rammstein se tornou uma das maiores bandas de Heavy Metal da história. Na ativa com seu Metal Industrial único e polêmico desde 1994, o quinteto teutônico é bem econômico em termos de lançamentos de estúdio, e esse novo trabalho (autointitulado) apareceu nas lojas para quebrar um hiato de nada menos que 10 anos sem um disco de inéditas. E esse tempo todo sem um disco de estúdio não fez que a marca perdesse força, pelo contrário: o disco figurou em número 1 em vendagem em nada menos que 9 países na Europa. Abocanhou dois discos de platina na Alemanha natal em pouco menos de 2 meses (com mais de 400.000 cópias vendidas) e é o primeiro trabalho do combo teutônico a alcançar o TOP 10 da Billboard, um feito e tanto se considerarmos que os Estadunidenses costumam ser imensamente refratários à arte em outra língua que não o inglês.

E aí, o que vamos queimar hoje?
A força do Rammstein em muito se deve à reputação da banda ao vivo. Um espetáculo tão grandioso que empalidece até monstros sagrados do entretenimento, como Kiss e Iron Maiden. Então é tiro e queda, a vida dos caras se baseia num ciclo de lançar um CD e passar três ou quatro anos levando esse espetáculo a arenas ao redor do globo. Mas se engana quem pensa que esse Modus Operandi do Rammstein é uma unanimidade entre seus membros. A eterna acusação de que o grupo não passa de uma atração circense com roupagem polêmica e som pesado, mas previsível, costuma incomodar bastante. Tanto que, na turnê passada, no meio do show os caras migravam de seu palco High Tech para um pequeno palanque em meio à multidão, para execução de alguns números sem as pirotecnias e afins. E findada a turnê, Richard Z Kruspe, guitarrista e único dos caras que costuma falar (e muito) com a imprensa, afirmou não ver motivos para lançar um novo trabalho. Após anos em que se especulou se a banda iria um dia retornar, o tal rebento foi anunciado. Kruspe afirmou que dessa vez a havia uma meta clara para o disco: mostrar um Rammstein despido da grandiosidade, focando nas composições. A capa simples, com o fósforo emblemático, vende a ideia. Segundo o guitarrista, será como ouvir um Rammstein 3D, em termos de feeling.

Tá bom.

Vamos deixar de lenga-lenga ouvir o que os esquisitões tem a dizer.

Uma das trocentas edições de Rammstein, o disco
Deutschland, faixa que abre o disco, foi também a primeira a ser lançada. Seu portentoso clipe, uma superprodução repleta de referências à história da Alemanha, é dos melhores que já vi. A música é quase um monumento ao Heavy Metal Industrial vigoroso e monolítico dos primeiros trabalhos da banda. Ao contrário do conteúdo de sua contraparte cinemática, sua produção é simples e sem tantas camadas. Como prometera Kruspe, a banda se despiu. Mas isso não significa um descuido técnico. Podemos ter menos camadas e detalhes que o habitual para o discos do Rammstein, mas o som é absurdamente pesado e cristalino.



E se a faixa de abertura pode dar a impressão de que o quinteto fincaria suas pesadas botas no Metal, o segundo single, Radio chega para nos confundir. Absurdamente grudento, carrega em seu DNA de origem o Synthpop dos anos 1980/1990 (ainda que o peso esteja ali).




E essas referências ao Synthpop transparecem de maneira ainda mais clara em Ausländer (outro single, e uma letra que podia bem estar numa música Glam Metal dos anos 1980, se perdesse a inteligência, claro). Outras faixas investem num Rammstein que remete aos primórdios, mas com adições estilísticas novas: vide o coro sacro em Zeig Dich e os teclados psicodélicos na irresistível Weit Weg.




A produção, primeira a não contar com o comando de Jacob Hellner, é surpreendentemente orgânica. A voz de Till nunca soou tão desesperada. O que salta aos ouvidos na pesada e claustrofóbica Puppe, onde ele grita o refrão de maneira agoniante, emulando a psicopatia do personagem da letra (uma criança perturbada que desconta sua frustração por ser deixada sozinha pela tutora/irmã, que sai para se prostituir, mutilando uma boneca – típico Till Lindemann) e na beleza acústica de Diamant (com o impagável romantismo: “você brilha e é bela feito um diamante, mas é só uma pedra”). Outro ponto central da produção é que quem acompanha o protagonismo de Till dessa vez é a cozinha. O novo disco traz o melhor som de baixo e bateria que os caras já conseguiram. E ouvir um som orgânico de bateria desse num disco de Industrial é para lá de bacana. Quem assina essas mudanças estéticas na produção é Olsen Involtini, parceiro de Kruspe no projeto paralelo Emigrate.





Com a estética do “menos é mais”, o quinteto ganhou foco, caprichando bastante nas composições. Até aquelas que aparentemente nada trazem de novo ao bestiário Rammsteiniano soam deliciosas, como Sex, Was Ich Liebe, Tattoo e Hallomann. Outro acerto foi o de não ceder à tentação de lançar um disco muito longo depois de tanto tempo sem gravar. Com parcos 46 minutos de duração (e as tradicionais 11 músicas), Rammstein é cirúrgico e denso. Um dos melhores discos de 2019, que também ameaça se tornar um dos favoritos dos fãs dentro da discografia da banda. (NOTA: 9,44)


https://www.themetalclub.com/

Gravadora: Universal Music (importado)
Prós: Um Rammstein “orgânico” centrado em grandes composições
Contras: Levou 10 anos para ver a luz do dia...
Classifique como: Metal Industrial
Para Fãs de: Killing Joke, Lindemann, Emigrate


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Maximus Festival - Autódromo de Interlagos – São Paulo (07.09.16)

Maximus Festival 2016
Maximus Festival - Autódromo de Interlagos – São Paulo (07.09.16)
Texto e fotos* por Trevas
*Exceto Fotos para os shows de: Halestorm, Disturbed, Marilyn Manson e Rammstein - cortesia da sempre destruidora Alessandra Tolc (Photolc), a quem vai aqui meu agradecimento - valeu!!!!

E eis que no feriado de 07 de setembro quem ganhou um belo presente foram os headbangers, em especial àqueles mais afeitos a bandas com sonoridade mais moderna. Segue aqui minhas impressões sobre o Maximus Festival, que já teve a confirmação de sua segunda edição, para 20 de maio de 2017 (meu aniversário, ora pois).
Conforme fiz ano passado com a resenha para o Monsters, separarei o texto na avaliação estrutural do evento e posteriormente na avaliação dos shows em si.


PARTE I – O FESTIVAL

Ingressos

Adquirir os ingressos pela internet foi absolutamente tranquilo. O preço certamente não é convidativo. Mas, convenhamos, não anda muito diferente dos valores cobrados para eventos de uma única banda (e.g. Scorpions e Black Sabbath). Enfim, acaba por se tornar um valor justo. A retirada dos ingressos não foi tão simples assim. Quem comprou em bilheterias logo de cara, teve que fazer uma segunda visita a pontos credenciados para trocar seu “voucher” pela pulseira que serviria de real entrada para o evento (e gerenciadora do sistema cashless, do qual logo falaremos). A troca também podia ser efetuada no dia do evento, mas acho pouco provável que alguém que compre ingressos antecipadamente tenha apostado nisso.

Eu comprei meus ingressos pela internet. Como moro em outro estado, efetuei a retirada na véspera, na bilheteria do Estádio do Morumbi. Nesse momento a retirada já dava direito a própria pulseira. Mas não foi tão simples assim. A fila nem era grande, mas o atendimento, feito por poucos caixas, mostrou-se um pouco lento demais para quem paga uma fortuna de “taxa de conveniência”. Conveniente para quem, cara-pálida? Tive um problema adicional que quase estragou minha aventura: o meu cartão usado na compra do ingresso foi clonado pouco depois da mesma. O pedaço de plástico foi devidamente cancelado, novo cartão emitido, vida que segue. Não para a retirada dos ingressos. Além do documento de identidade, me foi cobrado o cartão da compra. Informei o ocorrido. Negaram-me o ingresso: ou eu teria de ter uma fatura paga do cartão, ou o BO da clonagem(?!?!?!?!). Após um período de impasse que me pareceu um filme de terror, consegui reverter a situação (na verdade só foi resolvido quando minha retórica tornou-se longa demais e a fila atrás de mim, impaciente). Me foi informado que isso aconteceu para minha segurança. Não entendi até agora a lógica. O saldo, um envelope contendo duas estranhas pulseirinhas (minha e da Sra. Trevas). E lá vamos ao sistema Cashless.

O envelope contendo as infames pulseirinhas
Cashless – WTF?!?!?!

Bom, o tal sistema cashless supostamente serve para dois fins: evitar que o caboclo fique andando com dindin no festival, algo salutar em se tratando de grandes multidões e grandes beberagens. O outro motivo seria um melhor controle de gastos por parte do usuário, que abasteceria sua pulseirinha previamente através de cartão de crédito o quanto estaria disposto a gastar no evento. A segunda serventia cai por terra quando somos expostos a uma planilha de conversão: o dinheiro válido no evento seriam os “Metals”, cada unidade equivalendo a R$3,75. Fácil do bêbado se perder nessa, não? Pois é.

A terrível Tabela do Enrabamento
O acesso ao evento exigia a prévia ativação da pulseira, feita num cadastro online simples para quem estava em sua cidade natal e o fez num note ou desktop. Já para quem estava longe de casa e com a disponibilidade dum smartphone vagabundo, deve ter sido uma josta. Quem quisesse podia já linkar a pulseira a um cartão de crédito e abastecer a mesma. Dentro do evento, estavam disponíveis alguns pontos de recarga da pulseira, que aceitavam débito também. Ao que parece o principal dos pontos de recarga teve alguma fila de início, mas não presenciei. Os outros pontos estavam sempre com filas curtas e que demoravam no máximo uns poucos minutinhos para atendimento. Para adquirir qualquer produto ou serviço no evento, era bem simples: aproximava-se a pulseira de um leitor, que informava o saldo da pulseira e a compra a ser efetivada. A compra então era confirmada e novamente se aproximava a pulseira do leitor. Tudo com auxílio do vendedor. Bem rápido e efetivo. Aprovado. Sobre o saldo excedente na pulseira, supostamente o mesmo será estornado no cartão cadastrado. A custo módico de 2 Metals de taxa automática. Veremos. (Nota do Trevas: atualizando o post, acabo de receber via e-mail a confirmação do estorno dos Metals residuais de minha pulseira, com a taxa de conveniência de 2 Metals sendo descontada. E sim, o fato se mostrou confirmado em minha fatura do cartão, ou seja, o método realmente funcionou). 

Acesso

O acesso à pista ocorreu da maneira mais calma e rápida que já presenciei em qualquer festival que eu tenha notícia. Foi passar pela revista, encostar a pulseira num tablet e pronto, dentro estávamos. Fila zero. Na verdade, na mesma semana fui num show com pouco mais de cem pessoas e o acesso foi dez vezes pior. Nota dez!!!

Entrada, livre, leve e solta!!
Atividades

Mais econômico que o Monsters nesse ponto, o Maximus, que aproveitou acertadamente o visual da franquia Australiana Mad Max em todo seu visual, tinha algumas barracas de itens afeitos ao universo Banger (lojas de botas, acessórios esotéricos e vinis), as lojas oficiais de camisas e adereços das bandas e festival e área de Food Truck. Além disso, a Sky também arcou com uma bem montada área com carros e trono (dono de uma sempre extensa fila para fotos) fazendo referência ao universo dos filmes australianos supracitados. Ao fundo, um cemitério de mentirinha com lápides de grandes heróis do rock que já não estão mais entre nós. Bacana e simples. Os preços? Exorbitantes como sempre. As camisas, custavam em média 32. Metals. Façam as contas e imaginem a enrabada.

Calango Max além da Cúpula do Baião
Fila para sentar no trono (ver também o item: banheiros)
Alimentação e Bebida

A área de Food Truck (Gas Town, sim, a mítica Vila Gasolina) estava bem bacana e apresentava uma variedade aceitável de quitutes. As filas praticamente inexistiam. Quem não quisesse sair de frente do palco para comprar sua birita podia confiar que a qualquer momento um ambulante com um tanque de cerveja passaria por perto para o abastecimento. Outro ponto positivo do evento. O problema? Os preços, claro. Uma cerveja (Bud, que o diabo carregue essa josta) custava 3 Metals. Um sanduba? Em média uns 6. Era permitido a entrada com alimentos industrializados em sua embalagem original. Sempre recomendável fazer isso, pois passar o dia dependendo de lanchinhos com preços nada módicos pode ocasionar a falência do headbanger desavisado.

Entrada da Vila Gasolina, na verdade, um cantinho de Food Trucks

Lojinhas, para você trocar seu rim por algum badulaque maneiro
Quando a bebida oficial é Bud, pode apostar que o Posto Médico vai ficar cheio
Banheiros

Sempre com fila, os aglomerados de horrendos banheiros químicos são o pesadelo daqueles que pretendem passar o dia num evento como esse. Um grande ponto falho, ainda mais na parte da noite, quando a escuridão tornou algo além de uma simples mijada um acontecimento pavoroso. Já vi, em eventos bem menos abastados, soluções que envolvem banheiros montados em containers e caminhões, com qualidade e higiene bem melhores. Se tem um ponto que DEVE evoluir para a edição de 2017, é esse.

A fila para sentar no outro trono era mais bacana
Palco e Som

Dois monumentais palcos forma montados um ao lado do outro para os shows principais (Rockatansky e Maximus). Um palco bem mais modesto, Thunder Dome (Sim, a Cúpula do Trovão!!), receberia os shows até o meio da tarde. A estrutura do entorno do Thunder Dome esteve ok e o único show que conferi ali contou com ótimo som.

Cúpula do Trovão: dois homens entram, apenas um homem sai
Já nos dois palcos principais, alguns problemas foram notados. O piso era de terra batida, com um pouco de cascalho por cima, insuficiente para impedir a formação de poças de lama. Por sorte uma micro garoa caiu na tarde de quarta. Tivesse sido um chuvaredo, chafurdaríamos bonito.

Da lama ao caos...
Mas esse foi um mero pormenor. Se ano passado o mega telão ao fundo do palco garantiu um tremendo visual até para os shows menores, dessa vez não tivemos a mesma sorte. Uma imensa estrutura para backdrops foi disponibilizada, mas a mesma só prendia os backdrops na parte de cima, e o vento constante fazia com que eles ficassem revoltos. Enfim, algumas bandas optaram por não usar seus backdrops ou deixá-los estendidos pela metade, próximo ao solo. Uma perda de apelo visual, em especial para os shows à luz do dia, quando a iluminação não ajuda a deixar o espetáculo mais bonito. Quanto ao som, um problema bem mais complicado. Na verdade, o mesmo começou bem ruim nos palcos principais e só ficou realmente bom nos três shows principais (Disturbed, Marilyn Manson e Rammstein). De resto ou o som ficou incrivelmente baixo (Black Stone Cherry, metade inicial do set do Halestorm), ou muito embolado (Hellyeah). A clara impressão é que o poderio sonoro foi reservado propositalmente para as atrações finais. Vergonha. No mais, a acústica do local, um promontório no meio do Autódromo, parece ter contribuído para a dispersão do som, fazendo com que você visse uma massa de 40.000 pessoas cantando, mas que soavam como 10 cabruncos. Chato.

Os dois palcos principais: Rockatansky (esquerda) e Maximus (direita)

Grade de Horários do Festival
PARTE II – OS SHOWS!!!

Começamos a maratona com os improváveis rednecks finlandeses do Steve N Seagulls. Vestidos com roupas que remetem a estereótipos da caipiragem estadunidense, os cabruncos fazem versões bluegrass de estandartes do Hard e do Metal. O curto set de seis músicas foi extremamente divertido e cheio de energia, passando por coisas como The Trooper e Aces High (Iron), Seek & Destroy (Metallica) e encerrando com uma apoteótica Thunderstruck (Ac/Dc). Bem diferente e legal, o show deve ser uma monstruosidade dentro de um local de menor porte (NOTA: 8). Enquanto aguardávamos para migrar para o Thunder Dome, aproveitamos o tempo para rodar as lojinhas atrás de alguns souvenires. Enquanto isso assisti à distância o Hollywood Undead fazer sua melhor personificação de Linkin Park do início de carreira. Um show bem feito de uma banda que ainda parece ter que encontrar sua própria cara (NOTA: 6).

Família Buscapé? Nada, é só o Steve n Seagulls
Definitivamente o tipo de dupla que não se espera ver num festival de Metal (Steve N Seagulls)
No Thunder Dome, teve início o show da banda potiguar Far From Alaska. E que show. O som da banda é difícil de rotular, uma mistura de uma miríade de influências que vão do Stoner ao universo alternativo, mas bem fácil de assimilar. Os natalenses tocam com sangue nos olhos e desenvoltura, com a linha de frente dividida entre a talentosíssima e carismática Emmily Barreto (voz) e a tresloucada Cris Botarelly (lap steel, sintetizadores, chapéu do Sonic e voz). A receptividade foi surpreendentemente boa, com um bocado de gente cantando as letras, mostrando que a banda já galgou um bom território no cenário underground. Uma pena que aparentemente o show terminou com uma música a menos, fruto de um pequeno atraso por problemas técnicos no decorrer da apresentação. Muito bom (NOTA: 9).

Emmily gastando o gogó - Far From Alaska

Até Sonic toca no Far From Alaska
Seguimos para o palco Maximus, no intuito de dar uma conferida no Hellyeah, do Vinnie Paul, mítico baterista do Pantera. Confesso que nunca consegui curtir o som da banda em estúdio, mas imaginei que ao vivo a coisa pudesse ser diferente. Ledo engano. O som é pesado, obviamente Vinnie Paul detona na bateria. Mas a impressão que a banda passa é que toca a mesma música repetidamente, um Groove Metal genérico, sempre pontuada pelos gritos irritantes do esforçado e simpático Chad Gray (com a cara coberta de sangue artificial). Enfim, o show só serve mesmo para a molecada poder dizer que um dia viu o batera do Pantera em ação. Como já vi o Pantera, o show mostrou apenas uma banda tão sem graça e pouco inventiva quanto seu nome sugere (NOTA: 5).

Olha, nem suando sangue para o show do Hellyeah soar mais do que meramente esforçado
O Black Stone Cherry parece algo deslocado no cast do festival, e chega a ser curioso que uma banda que já é gigante nos Estados Unidos se apresente tão cedo no Festival. E você sabe que o negócio vai pegar fogo quando os roadies ao invés de abastecerem o praticado da bateria com garrafas de água mineral, o fazem com Jack Daniels! Desfalcados do segundo guitarrista (não consegui entender o motivo), o BSC ganhou o reforço do Joe Hottinger, guitarrista e eventual peguete de Lzzy do Halestorm. E o gorducho Chris Robertson, completamente rouco, puxou a performance de sua banda para uma apresentação que deveria ser memorável, debulhando nos solos, com um desempenho arrasa-quarteirão do baterista John Fred Young, muita empolgação por parte do baixista John Lawhon e cercado de boas canções de um Southern Rock mesclado com Heavy Metal. Uma pena que o festival não colaborou. O backdrop da banda ficou tão revolto com a ventania que acabou sendo recolhido ao início da apresentação. E, muito pior, o som ficou tão baixo que se tornou difícil escutar os solos e alguns riffs. E não melhorou nem um pouco durante todo o show. O público e banda se comportaram como se tudo estivesse ok, o que foi bom, diversão garantida. Mas ficou aquela sensação de que os caipiras, que detonam fortemente, mereciam mais (NOTA:7,5).


Chris Robertson jogando para a galera - Black Stone Cherry
Joe Hottinger pegando mais cedo no serviço - Black Stone Cherry
Hora de Lzzy Hale e sua trupe. Com os backdrops firmemente montados (na verdade, os mesmos faziam “barrigas” por conta do vento durante o show), o quarteto estadunidense toma o palco Maximus com Love Bites (So do I), nada mais nada menos a faixa que garantiu o Grammy para a banda.

A frente do palco estava abarrotada, mostrando que a ótima apresentação do Halestorm no Rock In Rio rendeu frutos. O Hard Pop dos caras pode ficar meio diluído em estúdio, mas ao vivo a coisa muda de figura: Lzzy é uma frontwoman com talento e carisma suficientes para deixar seu nome escrito na história do rock. Mesmo parecendo rouca, a moça não economiza o gogó, berrando a plenos pulmões enquanto o irmãozinho Arejay detona na bateria. Em jornada dupla, Hottinger manda melhor nas guitarras do que eu imaginava enquanto Josh Smith ajuda a construir uma cozinha de respeito. O show já era bom o suficiente com o som meia boca, e ficou ainda melhor quando finalmente conseguiram deixar o belo palco com uma potência sonora digna do evento. Showzaço (NOTA:9,5).

Lzzy ensinando os marmanjos a arte perdida do rock and roll (Foto por Alessandra Tolc)
Contando com uma concentração bastante menor que a do Halestorm frente ao palco, os britânicos do Bullet For My Valentine pareciam que iriam encarar uma plateia com algum nível de hostilidade. Era comum ouvir gente reclamando da banda antes do show, associando a mesma equivocadamente com a cena emo, por exemplo. Bastou apenas uma música para as mesmas pessoas ficarem olhando com visível curiosidade para o quarteto, impressionadas com o peso que aqueles jovens com cara de Boy Band emanam ao vivo (N.T.: em determinada pausa entre as músicas, um grupo de meninas, eufórico, gritou: fiquem pelados!!! Uma pena que não tive essa ideia enquanto a Lzzy estava no palco). Michael Thomas fez A performance baterística do dia, em um festival onde o instrumento já vinha sendo muito bem tratado. Michael Paget e Matthew Tuck detonaram nas dobras de guitarra e solos, enquanto o novato Jaimie Mathias se desdobrava entre as linhas de baixo e parte dos vocais. O som no palco já se fazia bem melhor do que nas apresentações anteriores, com exceção dos vocais de Tuck, bem baixos, em especial quando este utilizava o microfone principal (por vezes ele cantava em um microfone posicionado atrás do praticado da bateria). As luzes já começavam a fazer diferença, tornando o espetáculo ainda melhor. Claro que de nada adiantaria tocar bem e ter a iluminação a seu lado se suas músicas também não forem boas o suficiente. E cara, como são. Com um set recheado de faixas do ótimo novo disco, Venom, somadas aos Hits, o BFMV fez a felicidade dos fãs e certamente conquistou mais um monte daqueles que antes se mostravam incrédulos. (NOTA: 9).

Matt Tuck debulhando a guitarra - BFMV
Michael Paget e os canhões de luz fazendo efeito - BFMV
Talvez o Disturbed fosse a banda com menor rejeição de todo o festival. Tinha gente que torcia o nariz para o Marilyn Manson e vi alguns fãs do shock rocker enciumados com a importância dada aos headliners alemães. Mas o Disturbed? Ainda que um pouco, todos ali pareciam curtir os caras. O início, com som impressionante e aquela sequência de hits que só uma banda que ganha o primeiro lugar da Billboard desde o debut pode ter à disposição, parecia acenar para o melhor show do festival. Mas em algum momento a coisa desandou. David Draiman, cada vez mais roliço e parecendo o Gru da animação Meu Malvado Favorito, vez ou outra lançava olhares algo perdidos e/ou desinteressados, insistindo em puxar o estranho coro “olê-olê-olê-Disturbed, Disturbed”, meio sem graça, como se não soubesse lidar com o público que tinha em mãos. E se ainda assim a plateia agitava sem parar, o interesse diminuiu consideravelmente quando, sem ser possível entender o motivo, a banda emendou uma sequência de covers desnecessários (Simon & Garfunkel, U2, Rage Against the Machine, The Who) que deixou a apresentação com cara de Karaokê. Não ajudou em muito a sequência com the Light, a pior música do novo disco, que deixou o vocalista meio no vácuo ao pedir sem ser lá muito atendido para que o público levantasse os celulares iluminados no refrão. Mas nem tudo estava perdido, Stricken iniciou uma quadrilogia matadora na reta final do show, e Down With the Sickness encerrou com dignidade uma boa apresentação que perdeu a grande chance de ser memorável (NOTA: 7,5).

Meu malvado favorito - David "Gru" Draiman e seu Disturbed (foto por Alessandra Tolc)
Olha, vi muito fã das antigas do Marilyn Manson assustado quando subiu ao palco, com algum atraso, uma figura que mais se assemelhava ao Nicholas Cage interpretando um proxeneta de luxo em alguma ficção científica dirigida por Luc Besson. Roliço e vestindo um terninho, MM andava erraticamente pelo palco, numa tentativa infrutífera de tentar parecer um respeitável crooner. O impacto inicial, que já não fora lá muito positivo, foi piorando música após música, seja pelo inexplicável e longo intervalo silencioso entre uma música e outra (quebrado por alguns barulhinhos de guitarra desconexos), seja pela postura “foda-se’ que o repaginado anticristo imprimia em suas interpretações das músicas, por muitas vezes balbuciando as letras de maneira displicente. Era assim: as luzes se acendiam, MM cantava erraticamente alguma música com arranjo modificado do original, MM tacava o microfone no chão, luzes se apagavam, dois minutos de espera com pim-pam-pum solitário na guitarra, MM voltava ao palco, repete-se o circo. Tudo isso quebrado apenas por um momento de chilique do astro (com um corte numa das mãos – cenográfico?) com alguém da plateia, interrompendo a execução de algum número musical desinteressante, para então ser retomada a chata rotina do show. Se musicalmente a carreira do esquisitão é passível de discussão, nos palcos sempre ouvi falar que ele detonava. Bom, pelo visto isso foi no passado, atualmente o roliço clone de Nicholas Cage que subiu ao palco do Maximus interpreta um péssimo Marilyn Manson. Constrangedor (NOTA: 3).

Nicholas Cage não acerta uma faz tempo (Foto por Alessandra Tolc)
Vou ser sincero: se teve um motivo em especial que fez com que eu e minha esposa nos deslocássemos até outro Estado para esse Festival, esse motivo atende por um nome – Rammstein! Temos aqui um cabrunco que deve ter batido o recorde de reproduções do DVD Live Aus Berlin. Ao menos em DVDs o espetáculo que os caras fazem parecia incomparável. E bastou uma música para que toda essa expectativa fosse confrontada com a realidade – o show do Rammstein é definitivamente o melhor espetáculo da atualidade. A qualidade de som impecável realça todo o peso do Metal Industrial praticado pelos teutônicos, e nem as letras na língua de Schweinsteiger impedem que a multidão que preenche por completo o espaço dos dois palcos até o fundo cante a plenos pulmões palavra por palavra. Os praticados das luzes no palco se movem música após música, fazendo com que até mesmo quando a pirotecnia não se fazia presente o apelo visual fosse algo único e mutante. A performance dos caras é estudada e bastante eficiente, com aquela postura algo robótica, algo alienígena entremeada por um senso de humor ácido. Ah, e os efeitos pirotécnicos? Esses fazem o show do Kiss parecer um número qualquer de algum circo decadente. O repertório, iniciado pela nova Ramm 4, perpassa toda a carreira dos alemães, ficando difícil achar algo para reclamar. Enfim, uma espécie de Disneylândia infernal para headbanger nenhum botar defeito. Inesquecível! (NOTA: 10)


Feuer Frei!!!! Rammstein fazendo a primeira fila de pururuca (Foto por Alessandra Tolc)

Saldo Final

Comparado ao Monsters do ano passado, esse Maximus ganhou de lavada por apresentar um Line Up composto em sua grande maioria por bandas que ou estão no auge ou ainda tem sangue nos olhos para tentar chegar até lá. Com uma organização exemplar no que tange ao acesso à entrada e aos serviços oferecidos, o festival também mostrou-se um avanço considerável se comparado a seu irmão mais velho. A pontualidade dos shows também foi outro ponto para lá de positivo, assim como a variedade de estilo das atrações. De negativo, restou a defasagem na qualidade de som dos shows principais para o das outras atrações (coisa que não aconteceu tão marcadamente no Monsters) e o alto preço cobrado pelos produtos e serviços no festival. Se as atrações anunciadas para a próxima edição forem minimamente atraentes, nos vemos de novo em 2017!!!