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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Heavy Duty: Minha Vida No Judas Priest – K.K. Downing & Mark Eglinton (Livro-2018)


 

K.K. Solta o Verbo

Por Trevas

Originalmente publicado em 2018, esse é o trabalho autobiográfico de K.K. Downing, legendário guitarrista do Judas Priest, escrito em parceria com o escocês Mark Eglinton (responsável pelo livro sobre a Metal Blade e pelas biografias de Nergal e Rex Brown).

 

Apesar da carência de material literário sobre o Judas Priest (uma de minhas bandas favoritas) à época, relutei em adquirir o livro: resultado de uma agressiva campanha de marketing na qual quase diariamente o guitarrista soltava alguma declaração depreciativa em relação a seus ex-companheiros de banda. Cheirava a azedume e dor de cotovelo gratuitos. Livros escritos assim raramente valem a pena. Coube então ao meu amigo Moisés Cipriano fazer a resenha do livro para a Cripta, em sua edição original.

 

Mas após viajar com o ótimo Confess, do Halford, achei que era hora de encarar a versão de K.K. sobre a história de uma das maiores bandas de Metal em todos os tempos. O timing foi perfeito, pois a Estética Torta lançou o livro em uma belíssima edição nacional, em capa dura e com tradução certeira. E que ainda vem com cartão (bookplate) autografado pela própria lenda.

A bela edição nacional, com o bookplate autografado. Parabéns para a Estética Torta

Sobre o livro em si, me surpreendi: o tom de Downing no geral é bem leve, ainda que franco, mesclando lembranças de sua juventude e vida pessoal com detalhes sobre a carreira do Judas Priest.

No comparativo com Confess, Heavy Duty é sim um livro mais centrado no Judas Priest do que a obra de Halford. Dito isso, nem de longe parece um livro definitivo sobre a história da banda (Mick Wall, cadê você, meu filho?!?!). A narrativa é bacana, mas K.K. decididamente não é um contador de histórias tão divertido quanto o Metal God.

E se o azedume não contaminou o discurso de K.K. durante boa parte das 325 páginas de Heavy Duty, o mesmo não pode ser dito de seu encerramento, com um capítulo confuso (assim como o do Halford em Confess, sobre sua saída em 1991), contraditório e repleto de mágoas, quase sempre direcionadas a Glenn Tipton.

Ou seja, temos em mãos uma biografia honesta, mas sem nada de especial para quem já está acostumado a livros do gênero. Um bom livro, mas que dificilmente cativará alguém que já não seja muito fã do Judas Priest.(NOTA: 7,00)

Formato: Livro

Título Original: Heavy Duty: Days & Nights In Judas Priest

Ano 1ª Edição: 2018

Editora: Estética Torta

Páginas: 325





terça-feira, 27 de outubro de 2020

Confess: The Autobiography - Rob Halford (Livro - 2020)


 

Confissões do Metal God

Por Trevas

 

Confess é o livro que conta a saga de um certo Robert John Arthur Halford, nascido e criado em uma Birmingham do pós-guerra, no coração poluído do Black Country, para se tornar uma das mais emblemáticas figuras da história do rock.

Eventualmente, Rob Halford ganharia o mundo à frente do Judas Priest, uma das maiores bandas de Heavy Metal em todos os tempos, uma verdadeira instituição britânica. A própria redefinição do British Steel.

Mas Confess definitivamente não é um livro sobre o Judas Priest.

Confess é sobre a jornada de descobertas e auto aceitação de um jovem criado em um lugar empedernido, em uma época cinzenta, escapando do destino do chão das fábricas, e vivendo sonhos, por culpa do amor à música.

O livro justamente funciona melhor em sua primeira metade, quando Rob relembra sua infância e juventude, e as desventuras da descoberta de sua homossexualidade (a aceitação viria muito, mas muito mais tarde), de maneira bem-humorada e leve.

Na segunda metade o livro ameaça entrar na cansativa seara da “saga do junkie”, lugar comum em 10 a cada 10 biografias do mundo do rock.

Ainda assim, escapa do marasmo devido ao “brilho no olhar “ com que o quase septuagenário senhor conta até os momentos mais trágicos, espelhando a conhecida personalidade “boa praça” do careca mais famoso da cena. Por exemplo, dá pra sentir a empolgação do já milionário senhor narrando sua fanboyzice em encontros com Andy Warhol, Cher, Jack Nicholson, Jimmy Page, Freddie Mercury, Dio, Lemmy, Madonna, a própria Rainha e...Lady Gaga?!?

Sua faceta pacífica só se mostra esgotada no episódio em que o babaquara Axl Rose tenta impedir que o Judas use a Harley Davidson no show do Rock In Rio II. Por pouco um show histórico quase não acontece...

Aos pudicos, um alerta, Rob é bastante “gráfico” ao narrar suas descobertas sexuais, preparem-se para ouvir bastante sobre punhetas e boquetes em desconhecidos em banheiros públicos, e descubram que também nos EUA há uma estranha relação entre Forças Armadas e o armário...enfim...

Os fãs de Judas Priest terão sua cota de anedotas, possivelmente algumas poucas delas inéditas, mas certamente ficarão frustrados se encararem a leitura como uma dissecação da história da banda e suas relações internas. Nesse ponto Rob é bem político e algo evasivo.

Há, por exemplo, uma clara licença poética sobre sua saída da banda e sobre a entrevista que o levou à se assumir para o mundo. Assim como um certo eufemismo nos eventos que levaram à decisão de KK de se desligar da mesma.

Mas prefiro analisar o livro pelo que ele é, uma história incomum de um personagem igualmente incomum, e contada de forma muito divertida.

Leitura das boas.

Mas o livro definitivo sobre a história do Judas Priest, esse ainda está por ser escrito.

Mick Wall?? (NOTA: 8,00)


Formato: E-book Kindle (em inglês)

Editora: Hachette Books

363 páginas






quarta-feira, 22 de julho de 2020

Heavy Duty: Days and Nights in Judas Priest - K.K. Downing + Mark Eglinton (Livro-2018)





Texto por Moisés Cipriano (mentor e fundador do The Metal Club)
Moisés, nosso convidado especial

Para quem gosta de heavy metal, Judas Priest é uma entidade e encontra-se normalmente no topo das bandas preferidas. Foi essa a razão que me fez correr atrás de um livro que explicasse mais em detalhes as origens da banda. E nada como ler diretamente do fundador, do membro mais antigo da banda, daquele que pegou o nome emprestado e definiu o visual da banda. O livro, em inglês, se chama Heavy Duty – Days and Nights in Judas Priest. O livro contém uma série de fotos legais no meio dele que não me atrevo a rebater, por questões de direitos.

O objetivo dessa resenha não é traduzir o livro, pois seriam quase 300 páginas, mas sim dividir algumas histórias que guardarei na memória e fazer um pequeno resumo desse belo livro que, por enquanto, não possui sua versão em português.

- K.K. Downing nasceu como Kenneth Downing Jr., ou Ken, em 27 de outubro de 1951 em Black Country, West Bromwich, Inglaterra.

- Ken ficou louco com o som da guitarra de Jimi Hendrix, em especial, Foxy Lady. Ele teve o privilégio de ver alguns shows do mestre quando jovem e isso o influenciou bastante o querer tocar guitarra.

- O ambiente em sua casa era hostil. Não havia amor. Seu pai o proibia de interagir com outras crianças por motivos psicológicos. O cara era um vagaba e apostava o que conseguia do governo em cães e cavalos. Eram pobres e moravam um pouco afastados, na região central da Inglaterra em um ambiente industrial. Bem Heavy, né?

- Com amigos, fez uma viagem louca pela Europa, foi parar na Alemanha e, quando finalmente, retornou à sua cidade, perdeu o bom emprego de cozinheiro que tinha em um bom hotel.

- Al Atkins já tinha um nome na cena local e junto com K.K compuseram as primeiras canções do Judas Priest. Sem novidade. Todo mundo já sabia.

- Após alguns shows com Al Atkins, a falta de grana falou mais alto para quem já estava em outra fase da vida. Sem vocalista, K.K. recebeu a dica de uma amida da namorada e bateu na porta de Rob Halford.

- O contrato para a gravação do 1º álbum Rocka Rolla foi conseguida através da ralação dos shows e antes da entrada de Glenn Tipton na banda. Momento bom para entrar numa banda. O Budgie era uma das bandas parceiras para as quais o Judas abria os shows.

- Junto com o esforço e alegria de um primeiro contrato e primeiro álbum, veio a decepção da mixagem ruim. Lição aprendida sobre a importância da mixagem logo de cara.

- E a grana? Que grana? Veio então com o 2º álbum Sad Wings of Destiny? Sem chance. A coisa só começou a entrar de leve quando trocaram para Sony/CBS e gravaram Sin After Sin. Com ele, fizeram uma pequena tour no U.S.

- A relação difícil com Tipton vem dos primórdios com a divisão injusta dos solos e inicio do domínio de Tipton sobre a banda. O perfil de K.K. nunca foi de confronto dado tudo que passou e teve que enfrentar dentro de casa quando criança.

- O visual da banda na década de 70 era disparate. A imagem e as roupas que definiram o heavy metal vieram de K.K. Downing. Ele definiu a imagem do Judas e a imagem do metal. Halford comprou logo de cara a ideia das roupas de couro, tachas e chicote. Por que será?

- O Judas sempre valorizou as bandas de abertura assim como foi valorizado pelas bandas do início do movimento no início da década de 70. Mas a treta com o Maiden foi real. Segundo a versão deles, Paul Di’ Anno e cia eram meio metidos e intrusos, o que nunca favoreceu  uma boa relação entre as bandas.

- Ibiza na Espanha foi o paraíso onde foram gravados Point of Entry, Screaming for Vengeance, Defenders of the Faith e outros.

- Assim como li em outros livros, a importância do US Festival e a ostentação de chegar de helicóptero e ver um planeta inteiro em um festival é inesquecível para os músicos que fizeram parte do festival.

- Turbo foi polemicamente um sucesso. Sintetizadores não foram um problema só para o Judas. Ahhh conhecem Top Gun? Pois é, a banda não topou entrar na trilha do filme. Bola murcha.

- A banda sempre soube e respeitou a posição sexual de Rob Halford. Bola dentro.

- A tour com Motorhead e Alice Cooper foi o fim da banda. Desgaste de relacionamento, confusões, brigas e acidente no palco determinaram a saída de Halford antes mesmo de K.K. entregar sua própria carta de demissão - carta essa que só seria entregue muitos anos depois em sua aposentadoria do Judas.

- Ralph Scheepers foi sim cogitado. Ripper entrou e foi importante para a banda. Manteve a chama acesa e fez seu papel da melhor forma possível. Profissional na entrada e saída.

- Com o retorno de Halford, a banda voltou com força nos festivais e lançou Angel of Retribution que continha material da fase Screaming for Vengeance como, por exemplo, Judas Rising, que quase virou o título do álbum, o que estaria totalmente com a temática metal-religiosa da banda ao longo dos anos.

- Nostradamus é um álbum bem valorizado por K.K que, segundo ele, não funcionou ao vivo e perdeu uma grande oportunidade cênica e teatral que poderia ter marcado ainda mais o Judas.

- O livro termina com a carta de demissão ou aposentadoria em Abril de 2011. Será? Termina com algumas histórias da vida como ela foi pós-Judas e algumas frustrações superáveis em especial com o documentário Heavy Metal Britannia onde K.K. não foi convidado para contar a origem do metal na Inglaterra industrial. Eu assisti ao documentário e recomendo.

- Em resumo, um metaleiro com infância difícil, guerreiro, riffeiro, determinado, que ajudou as mulheres e pessoas que passou pela sua vida e, mais do que tudo, contribuiu para a solidificação do heavy metal e de sua imagem.





sexta-feira, 1 de março de 2019

Melhores de 2018 Pela Cripta do Trevas




Olá, Criptomaníacos!

Novamente com atraso, chega mais uma lista de melhores do ano.

Faço essa lista desde 2012 e confesso que embora eu sempre me pegue impressionado com a qualidade do material ao final de cada um dos anos, dessa vez me surpreendi demais. 2018 foi o ano em que minha nota de corte para o 20º colocado foi tão alta que quase estendi a lista para 25 ou 30.

Sim, pois o resultado final deixou de fora discos excelentes de gente respeitável, como Unleashed, Imago Mortis (o melhor disco Brasuca de 2018), Metal Church, Burning Witches, Clutch e grande elenco...

Mas lista é assim mesmo, sujeita a falhas, supostas injustiças e muito xingamento gratuito à progenitora do infame “redator” hehehehe

Claro que preparei também uma Playlist no Spotify com uma música de cada disco avaliado por aqui, para quem quiser fazer uma tardia retrospectiva sonora de 2018.

No mais, espero que se divirtam.
Saudações
Trevas


A PLAYLIST


Blu-Ray/DVD

Sim, o outrora promissor mercado de Blu-rays e DVDs, que chegou (ainda que momentaneamente) a servir de válvula de escape para as Gravadoras diante da crescente queda de venda dos Cds, diminuiu estrondosamente. A enxurrada de Home-vídeos do início dos anos 2000 praticamente secou. O bom disso é que as bandas perceberam que precisam colocar algo realmente especial e relevante nesse restrito mercado. Esse ano tivemos alguns bons exemplos, como o documentário/show The Pursuit Of Vikings, do Amon Amarth. Ou Messe Noire, que coloca toda a capirotagem do Behemoth apresentando sua obra máxima ao vivo. Ainda tivemos o ineditismo de ver um show completo do Ayreon saindo do papel no ótimo Ayreon Universe. E a habitualmente confusa mistura orquestra/banda de rock enfim funcionando com Symphonic Terror, do Accept. Mas nada se comparou ao esmero dos lusos do Moonspell com o para lá de abrangente Lisboa Under The Spell: uma megaprodução em três atos divididos entre os clássicos Wolfheart, Irreligious e o então último trabalho, Extinct. Um pacote que ainda conta com ótimos extras e que merece o título de melhor lançamento audiovisual de 2018.



Bomba e Decepção

Sempre bom lembrar a diferença entre bomba e decepção: algo só nos decepciona quando desse algo esperamos bons resultados. Da bomba não necessariamente esperamos nada. E esse ano tivemos algumas decepções que não chegam a ferir os ouvidos: Machine Head perde o pé no confuso Catharsis, Doro entrega um disco duplo bem sem graça, Magnum e Kamelot enfim erram o alvo após anos e anos de bons serviços prestados.  Ah, e Steve Perry faz de seu improvável retorno uma viagem adocicadamente sonolenta. Mas se as decepções não mataram ninguém, não posso falar o mesmo da bomba inconteste de 2018: uma josta triplamente qualificada, um horror Lovecraftiano vomitado das profundezas do mau-gosto chamado The Three Tremors! Roubando a ideia original abandonada nos anos 2000, de unir três grandes vocalistas de Metal (Dio+Halford+Bruce Dickinson), alguém teve a infeliz sacada de fazer uma versão disso, só que comprada no Ali Express: os insuportáveis cacarejadores Sean Peck (Cage, Denner/Shermann) e Tim Owens (Judas Priest e outros 789 projetos de onde é sempre demitido) se juntam ao subestimado Harry Conklin (Jag Panzer) num disco absolutamente impossível de ser ouvido por mais de torturantes dois minutos. Sinceramente, nem latido de poodle soa tão irritante e intragável.

Três decepções e uma aberração
Os 20 Melhores:














20. Saxon – Thunderbolt
A primeira metade dos curtos quarenta minutos de Thunderbolt é tão arrasadora que chega a empalidecer (injustamente) o restante do disco. Mais um ótimo trabalho de uma das bandas mais prolíficas e equilibradas de sua geração.














19. Behemoth – I Loved You At Your Darkest
O sucessor do brilhante The Satanist é de uma fúria e perfeição absurdos. Mais direto e menos inventivo, ILAYD definitivamente não é tão genial quanto seu irmão, mas ainda assim está facilmente entre os melhores discos dos poloneses.
















18. Halestorm – Vicious
O Halestorm estava nos devendo um Cd à altura de seus poderosos shows. Estava. Vicious enfim mostra ao mundo um som encorpado e com produção que faz justiça a natureza rocker e rebelde do quarteto. E Lzzy, essa coloca novamente suas garras de fora e vai galgando espaço aos poucos no panteão das grandes mulheres da história do Rock. Um baita disco.















17. We Sell The Dead – Heaven Doesn't Want You And Hell Is Full
E de onde eu menos esperava saiu um disco simples, único e viciante. Um disco conceitual unindo figuras tão díspares Niclas Engelin (guitarrista do In Flames, Engel e Passenger), Apollo Papathanasio (voz, ex-Firewind, atual Spiritual Beggars), Jonas Slättung (baixo e voz, Drömriket) e Gas Lipstick (bateria, ex-HIM). Difícil dizer se há conteúdo para se levar o We Sell The Dead para além desse álbum de estreia, mas se ficar só nele, a junção dos suecos já terá valido à pena.















16. King Witch - Under The Mountain
Imensamente suja e intensa em seus parcos 43 minutos, Under The Mountain é uma estreia para lá de invejável e promissora desse barulhento quarteto escocês. Recomendadíssimo para qualquer fã de Doom Metal que se preze!














15. Lucifer – Lucifer II
Lucifer II é um demônio completamente diferente daquele conjurado por Sadonis e sua trupe no primeiro trabalho. Menos pesado e solene, mais melodioso e versátil. A única linha que une por completo os dois discos é a da qualidade, que se mantém para lá de alta. Outro excelente trabalho de uma das melhores bandas da atualidade.















14. Powerwolf – The Sacrament Of Sin.
O Power Metal, geralmente um pária aos ouvidos deste escriba aqui, acabou por ganhar um representante na minha lista de melhores discos de 2018. Sacrament Of Sin é o renascimento dos lobisomens teutônicos e provável postulante a melhor trabalho de suas carreiras. Um disco deliciosamente brega e divertido.















13. Rolo Tomassi – Time Will Die And Love Will Bury It
Se você anda a procura de uma banda única, encontrou. Aqui a parada é densa e para lá de complexa, exigindo bastante do ouvinte. Pode não parecer um prato para todos, e realmente não é. Mas para quem curte, ainda que vez ou outras, sons desafiadores, e estiver disposto a embarcar na viagem dos irmãos Spencer, eis um trabalho cuja audição pode se tornar imensamente gratificante.















12. Corrosion Of Conformity – No Cross No Crown
Parece que o longo hiato só fez bem ao casamento Pepper Keenan/COC. No Cross No Crown é um disco que beira a perfeição e que deixará os fãs de Stoner/Southern com lágrimas nos olhos. Figura certa nas listas de melhores do ano, a audição desse novo disco não é somente recomendada, é uma obrigação.














11. Wytch Hazel – II: Sojourn
O segundo Full-length dos britânicos do Wytch Hazel é um deleite aos ouvidos mais afeitos à sonoridade de eras passadas: guitarras dobradas com a cara do Thin Lizzy, melodias simples e grudentas com aquela cadência algo folk de um Jethro Tull e uma cozinha impressionante. Tudo na bolachinha cheira à anos 1970, e se a abertura com Devil Is Here não for o suficiente para te convencer que os caras falam à sério, tente sobreviver ao ataque seguinte, com Save My Life. Impossível, não? Que bom que não são exceções à regra num disco surpreendente e matador.















10. Uriah Heep – Living The Dream
Living The Dream é uma grata surpresa, um disco repleto de criatividade e vigor vindo de uma banda com tantas décadas de estrada nas costas. Talvez seja o sangue novo trazido já a alguns discos por Gillbrook e Rimmer, talvez seja o dedo do produtor. Seja lá o que for, esse ingrediente secreto faz desse Living The Dream um dos melhores discos da história Heepiana pós fase clássica. Excelente!














09. Fifth Angel – The Third Secret
Os estadunidenses acertaram em cheio nesse disco de retorno, atualizando seu Hard & Heavy tipicamente oitentista para a era atual, com uma produção moderna e com punch suficiente para derrubar um mamute. Sinceramente, não me lembro de um comeback tão impactante desde o já clássico Blood Of The Nations do Accept.















08. Earthless – Black Heaven
Black Heaven é o melhor disco de Retro-Rock que escuto desde o fenomenal Hisingen Blues, do Graveyard. E esse não é um elogio tolo. Uma adição obrigatória à coleção e qualquer fã de rock setentista que se preze.














07. Khemmis – Desolation
O terceiro disco em três anos do Khemmis (algo incomum para os dias atuais) é excepcional, como fora seu antecessor. Se em Hunted eles encontraram seu som, aqui eles consolidam o mesmo com muita personalidade, galgando terreno para fora do underground e se tornando também uma de minhas bandas favoritas da atualidade. Fenomenal.


A PARTIR DE AGORA, CONSIDERO TODOS OS DISCOS EMPATADOS 




Satan – Cruel Magic
Quantas bandas conseguem depois de um hiato tão longo replicar a magia de seus primórdios em uma trinca de discos tão forte? Um fenômeno raro, mas aqui o Satan ainda foi mais longe, buscando toques de progressivo e de timbres setentistas para produzir algo ainda mais raro: um disco único. Nada soa como esse Cruel Magic.


Primordial – Exile Amongst The Ruins
A crise de meia idade fez um imenso bem aos Irlandeses. Diante da necessidade de se reinventar, o Primordial conseguiu criar uma obra densa e difícil de ser rotulada. Um trabalho daqueles que acabam por proporcionar uma atmosfera absolutamente imersiva, um louvável e incomum resultado. Um dos melhores discos de 2018 e forte concorrente a disco de cabeceira deste escriba aqui.


Ghost – Prequelle
Pouco após o lançamento do medíocre Infestissumam, cravei que seja lá qual magia o Ghost tivesse, ela havia sido efêmera, concentrada apenas no espetacular álbum de estreia e se esvaído rapidamente a partir dali. Como de costume, uma previsão estúpida. Prequelle é ainda mais espetacular que Opus Eponymous, justamente por conseguir reinventar a banda em um cenário quase Pop Rock, sem abandonar os elementos de Heavy Metal, Progressivo e Classic Rock explorados até então. Um álbum perfeito, daqueles raros, sobre o qual falaremos daqui a 20 anos, com melodias tão simples e grudentas que ficamos estarrecidos por ainda não terem sido inventadas antes.



Orange Goblin - The Wolf Bites Back
Bom, se os ingleses queriam realmente provar ao mundo seu valor com seu 9º disco, conseguiram. The Wolf Bites Back é ao mesmo tempo o disco mais visceral, versátil e inspirado da carreira dos caras. Um petardo de um Heavy Metal feio, ogroide e delicioso que veio direto para o topo de minha lista de melhores de 2018.



Amorphis – Queen Of Time
Uma das bandas mais originais de sua geração, o Amorphis finalmente encontrou um novo sopro de vida nos últimos dois discos. Queen Of Time é realmente bombástico e ambicioso, como seus membros haviam prometido. Mas está muito longe e sucumbir ao exagero e pompa de alguns artistas que resolvem incorporar elementos alienígenas em profusão ao seu som. Pesado, solene e sofisticado, Queen Of Time não é só um dos melhores discos de 2018. Aos poucos está também se tornando um forte postulante a um dos meus discos favoritos em todos os tempos.


Judas Priest – Firepower
O Heavy Metal em sua vertente mais tradicional parecia esquecido no tempo, as velhas bandas do estilo vivendo de raros lampejos (com exceções...ok, Accept e Saxon?), e as novas se limitando a copiar de forma pálida e diluída o que já fora feito melhor no passado. Aí vem um dos titãs do estilo e lança, aos mais de 40 anos de estrada, uma obra que não só se contenta em não fazer feio frente ao passado, como também é capaz de rivalizar com os melhores momentos de sua vitoriosa carreira. Firepower não é só o melhor disco do Judas Priest em décadas. É também o melhor disco de Metal Tradicional que escutei nos últimos cinco anos (talvez mais). Se esse realmente for o canto de cisne de uma das maiores bandas em todos os tempos, será uma saída triunfal de cena. Forte candidato a futuro clássico.



terça-feira, 13 de novembro de 2018

Judas Priest + Alice In Chains + Black Star Riders (11/11/18 – Km de Vantagens Hall – Rio de Janeiro/RJ)



Um Inspirado (e Versátil) Triunvirato
Texto e fotos ridículas por Trevas

A segunda edição do festival Solid Rock trouxe ao Brasil três bandas representando três escolas diferentes do som que amamos: levando a bandeira do Hard/Classic Rock, temos o multinacional Black Star Riders, o pouco falado (por aqui) Spin Off do Thin Lizzy, uma das bandas de rock mais influentes da história.
Aos fãs dos anos 1990 e do grunge (um rótulo odioso forjado pela imprensa que colocou no mesmo saco bandas que nada tem em comum em termos de sonoridade, mas fazer o quê), temos o Alice In Chains, provavelmente o mais pesado expoente daquela cena e que vive um indiscutível segundo auge criativo.
E para quem ama Heavy Metal, a cereja do bolo, que tal um revigorado Judas Priest, inventor de 90% dos maneirismos audiovisuais do gênero, com um show para lá de caprichado amparando um dos melhores discos de sua extensa carreira?
Pois é, foi com ouvidos esfomeados que eu e minha esposa e parceira de perrengues musicais rumamos para o longínquo Km De Vantagens Hall (maldita seja essa josta de Naming Rights) para conferir esse trio, que se apresentou no Rio sem a chancela do festival citado (sei lá o porquê).

Black Star Riders

Às 19h em ponto é chegado o momento da primeira atração da noite, o Black Star Riders, que sobe ao palco sem muito alarde. Combo multinacional que começou suas atividades em dezembro de 2012, como uma espécie de continuação criativa do legado do Thin Lizzy, o quinteto começa com os dois pés no acelerador, mandando duas faixas do ótimo disco de estreia em sequência, seguindo as mesmas com o clássico Jailbreak, a música que elevara o TL ao status de titã do rock décadas atrás. 
A banda é uma máquina tão azeitada que nem corda de guitarra estourando e baixo pifando a fase ativa foram capazes de fazer os caras perderem a compostura. Pudera, o quinteto pode ser composto por peças pouco reconhecidas aqui debaixo da linha do Equador, mas tem toneladas de experiência nas costas. 
O baterista Chad Szeliga é um dos muitos pistoleiros de aluguel “descobertos” pelo ursão Zakk Wylde, que tem mão cheia para escolher bons músicos. O bom baixista Robbie Crane tem extenso currículo, que inclui gente como Ratt e Lynch Mob. Esquentando o banco deixado por Damon Johnson para a chegada futura de Christian Martucci (do Stone Sour), temos Luke Morley (do subestimado combo britânico de Blues Rock, Thunder) que faz bonito nas seis cordas, eclipsando parcialmente seu colega mais famoso. O que chega a ser curioso quando o tal colega atende pelo nome de Scott Gorham, o lendário axeman californiano do Thin Lizzy, que até está lá no palco, mas como tem ficado evidente de uns anos para cá tem deixado cada vez mais o protagonismo na banda em outras mãos. Mais especificamente, nas mãos tatuadas de Ricky Warwick, frontman, guitarrista e principal compositor do BSR, que detona com sua bela voz (com influência explícita do saudoso Phil Lynnot) e muito carisma (pudera, o cara já fez parte do New Model Army e conquistou o Reino Unido com o The Almighty na década de 1990). 
Ricky se recusa a deixar a banda, evidentemente desconhecida de boa parte do público, assumir o status de mero coadjuvante, comandando as ações com muita energia nos parcos 45 minutos de show munido de doses beneficamente equilibradas de simpatia e marra. E o resultado valeu o esforço, os aplausos ao final da apresentação foram muito além daquelas palmas respeitosas e protocolares. 
O quinteto sai do Metropolitan (esqueçam o nome idiota que a casa assumiu, por favor) com a certeza de ter angariado mais uma penca de fãs. Um pequeno grande show (NOTA: 9,00)



Black Star Riders
Alice In Chains

Com dois imensos e polêmicos praticados de iluminação em cada lado da bateria, o quarteto estadunidense começa seu set com a poderosa Check My Brain. Sim, iniciar o show em um festival com uma música que nem é do disco mais recente nem da fase clássica diz muito sobre o caráter do Alice In Chains, uma banda única que sempre trilhou um caminho igualmente único sem nunca comprometer seu som ou postura sob os ditames da mídia. 
A reverberação positiva pela maioria esmagadora do público que já enchia a casa (que nessa noite chegou a uns 70% da lotação, presumo) a esse surpreendente início de show mostra que o tortuoso caminho escolhido pelo renascido quarteto colheu seus frutos, aparentemente deixando para trás a envelhecida picuinha dos fãs de Metal/hard em relação à “geração Seattle”.

Mas se criativamente só tenho boas palavras a escrever sobre o AIC, já não consigo ser tão entusiasta do show dos caras. O peso monolítico das músicas em suas versões de estúdio diminui consideravelmente no ambiente dos palcos. Talvez o exímio Jerry Cantrell, com seu timbre idiossincrático e encardido, sinta falta de companhia. Não ajuda em muito o baixo do sempre preciso Mike Inez estar enterrado na mixagem (para desespero do bom Sean Kinney) e a guitarra eventual de DuVall parecer meramente cenográfica. Em determinado momento de um solo, visivelmente Cantrell olhou para o frontman com aquela cara de “caralho, cadê o som da sua guitarra?”.  
Mas esteve longe de ser um show ruim. 
O repertório foi montado lotado de clássicos entremeados com bem selecionados números dos (grandes) discos recentes, todos muito bem recebidos e cantados a plenos pulmões pelos fãs.  
Uma banda competente e precisa, mas que deixa a nítida sensação de que as faixas originais de estúdio têm mais energia do que suas contrapartes ao vivo.  
Ah, e nem adianta tentar culpar o “novato”. William DuVall merece um capítulo à parte, com sua esguia silhueta e portentoso afro (ok, não dá para não deixar de citar a semelhança dele com um jovem Hélio de La Peña), o cara é um achado. União rara de um grande talento com carisma e visual de rock star, o Alice In Chains conseguiu o pacote completo. Some a isso o fato da banda sempre prestar sua emocionante homenagem ao saudoso Layne Staley e as viúvas dificilmente poderão reclamar do que a banda se tornou. Enfim, um show competente e bem feito de uma banda que simplesmente funciona melhor em estúdio (NOTA: 7,50).



Alice In Chains

Judas Priest

Com o palco menos ornado de plataformas e estruturas mecanizadas do que em outras ocasiões, o quinteto britânico apostou acertadamente num visual baseado em projeções no imenso telão de fundo para adornar sua apresentação. Obviamente só foi possível atestar isso após a queda da bela cortina aos primeiros acordes da potente Firepower. Se a banda já havia se mostrado revigorada na turnê anterior, que marcara a efetivação de Richie Faulkner e a recuperação de Rob Halford após uma operação delicada que o salvou das dores lancinantes nas costas com as quais havia convivido por quase duas décadas, dessa vez a energia que emanava do palco se fazia quase palpável.

Que o diga a sequência quase inacreditável com Running Wild, GrinderSinner e The Ripper, cantadas de uma maneira tão perfeita que se calhasse de fechar os olhos eu bem poderia acreditar que Rob, do alto de 67 anos bem vividos, havia rejuvenescido uns 30 anos! A deusa do metal, muito mais solta no palco que em qualquer momento nos últimos 15 anos, estava em chamas. Mas não estava sozinho.

Halford, imponente
Faulkner, exatamente 30 anos mais novo que o patrão, quicava pelo palco, assumindo um protagonismo muito bem-vindo, em especial quando lembramos que a banda teria que suplantar a ausência de Glenn Tipton, impossibilitado de excursionar por conta dos efeitos da doença de Parkinson. Seu substituto (provisório), Andy Sneap (os cornos do Jason Statham), um guitarrista reconhecidamente técnico, agitava, mas de maneira comedida, como que respeitosamente mostrando que em nenhum momento intenciona “pegar o lugar” de um dos maiores ícones do gênero. Ian Hill, o Stênio Garcia Headbanger, fazia o mesmo papel que faz desde o início da banda, e Scott Travis, esse estava muito mais empolgado do que em qualquer outra das 7 vezes que vi a banda, inclusive brincando com a plateia ao microfone. A diferença de postura fica ainda mais clara quando lembramos que, desde a época do Ripper, a banda sistematicamente dava intervalos grandes entre uma música e outra. Aqui, os intervalos se resumiram a dois, para lá de mínimos.

Faulkner, em chamas
E quando uma banda como o Judas está com fogo nas ventas, amparada por um som perfeito (ainda que muito alto) do Metropolitan, resta um grande set list em mãos para termos uma noite memorável. E os caras são, das veteranas do metal, uma das bandas que mais resgata pérolas de sua discografia. E tome belezuras como Desert Plains, Night Comes Down e Freewill Burning (com uma anacrônica, mas inofensiva, homenagem ao Senna no telão, politizada de forma abobalhada por veículos de imprensa conservadores) dividindo terreno com as excelentes músicas do Firepower (No Surrender, Lightning Strike e Rising From Ruins), todas recebidas efusivamente pela mesma plateia que aplaudira o Alice In Chains antes. Isso sim é bonito de ver. Uma pena que na reta final o repertório (mais curto do que nas últimas turnês, uma exigência da idade?) acaba por descambar para as obviedades, como Hell Bent For Leather, Breaking The Law, Painkiller, Living After Midnight e You’ve Got Another Thing Coming. Não que isso seja exatamente ruim, cada uma dessas “obviedades”, merecedoras de espaço cativo no panteão dos grandes hinos do Metal, tendo feito o público quicar e cantar com emoção. Que é o que importa, afinal. E Painkiller, essa ganhou a melhor rendição que já vi a banda fazer dela ao vivo. Ao final do show, um dos melhores que já presenciei do Judas, os tradicionais sorrisos e agradecimentos e uma mensagem no telão “The Priest Will Be Back”. Que os Deuses do Metal assim permitam! (NOTA:10


When The Show Comes Down...

O Reino dos Metal Gods