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sexta-feira, 1 de março de 2019

Melhores de 2018 Pela Cripta do Trevas




Olá, Criptomaníacos!

Novamente com atraso, chega mais uma lista de melhores do ano.

Faço essa lista desde 2012 e confesso que embora eu sempre me pegue impressionado com a qualidade do material ao final de cada um dos anos, dessa vez me surpreendi demais. 2018 foi o ano em que minha nota de corte para o 20º colocado foi tão alta que quase estendi a lista para 25 ou 30.

Sim, pois o resultado final deixou de fora discos excelentes de gente respeitável, como Unleashed, Imago Mortis (o melhor disco Brasuca de 2018), Metal Church, Burning Witches, Clutch e grande elenco...

Mas lista é assim mesmo, sujeita a falhas, supostas injustiças e muito xingamento gratuito à progenitora do infame “redator” hehehehe

Claro que preparei também uma Playlist no Spotify com uma música de cada disco avaliado por aqui, para quem quiser fazer uma tardia retrospectiva sonora de 2018.

No mais, espero que se divirtam.
Saudações
Trevas


A PLAYLIST


Blu-Ray/DVD

Sim, o outrora promissor mercado de Blu-rays e DVDs, que chegou (ainda que momentaneamente) a servir de válvula de escape para as Gravadoras diante da crescente queda de venda dos Cds, diminuiu estrondosamente. A enxurrada de Home-vídeos do início dos anos 2000 praticamente secou. O bom disso é que as bandas perceberam que precisam colocar algo realmente especial e relevante nesse restrito mercado. Esse ano tivemos alguns bons exemplos, como o documentário/show The Pursuit Of Vikings, do Amon Amarth. Ou Messe Noire, que coloca toda a capirotagem do Behemoth apresentando sua obra máxima ao vivo. Ainda tivemos o ineditismo de ver um show completo do Ayreon saindo do papel no ótimo Ayreon Universe. E a habitualmente confusa mistura orquestra/banda de rock enfim funcionando com Symphonic Terror, do Accept. Mas nada se comparou ao esmero dos lusos do Moonspell com o para lá de abrangente Lisboa Under The Spell: uma megaprodução em três atos divididos entre os clássicos Wolfheart, Irreligious e o então último trabalho, Extinct. Um pacote que ainda conta com ótimos extras e que merece o título de melhor lançamento audiovisual de 2018.



Bomba e Decepção

Sempre bom lembrar a diferença entre bomba e decepção: algo só nos decepciona quando desse algo esperamos bons resultados. Da bomba não necessariamente esperamos nada. E esse ano tivemos algumas decepções que não chegam a ferir os ouvidos: Machine Head perde o pé no confuso Catharsis, Doro entrega um disco duplo bem sem graça, Magnum e Kamelot enfim erram o alvo após anos e anos de bons serviços prestados.  Ah, e Steve Perry faz de seu improvável retorno uma viagem adocicadamente sonolenta. Mas se as decepções não mataram ninguém, não posso falar o mesmo da bomba inconteste de 2018: uma josta triplamente qualificada, um horror Lovecraftiano vomitado das profundezas do mau-gosto chamado The Three Tremors! Roubando a ideia original abandonada nos anos 2000, de unir três grandes vocalistas de Metal (Dio+Halford+Bruce Dickinson), alguém teve a infeliz sacada de fazer uma versão disso, só que comprada no Ali Express: os insuportáveis cacarejadores Sean Peck (Cage, Denner/Shermann) e Tim Owens (Judas Priest e outros 789 projetos de onde é sempre demitido) se juntam ao subestimado Harry Conklin (Jag Panzer) num disco absolutamente impossível de ser ouvido por mais de torturantes dois minutos. Sinceramente, nem latido de poodle soa tão irritante e intragável.

Três decepções e uma aberração
Os 20 Melhores:














20. Saxon – Thunderbolt
A primeira metade dos curtos quarenta minutos de Thunderbolt é tão arrasadora que chega a empalidecer (injustamente) o restante do disco. Mais um ótimo trabalho de uma das bandas mais prolíficas e equilibradas de sua geração.














19. Behemoth – I Loved You At Your Darkest
O sucessor do brilhante The Satanist é de uma fúria e perfeição absurdos. Mais direto e menos inventivo, ILAYD definitivamente não é tão genial quanto seu irmão, mas ainda assim está facilmente entre os melhores discos dos poloneses.
















18. Halestorm – Vicious
O Halestorm estava nos devendo um Cd à altura de seus poderosos shows. Estava. Vicious enfim mostra ao mundo um som encorpado e com produção que faz justiça a natureza rocker e rebelde do quarteto. E Lzzy, essa coloca novamente suas garras de fora e vai galgando espaço aos poucos no panteão das grandes mulheres da história do Rock. Um baita disco.















17. We Sell The Dead – Heaven Doesn't Want You And Hell Is Full
E de onde eu menos esperava saiu um disco simples, único e viciante. Um disco conceitual unindo figuras tão díspares Niclas Engelin (guitarrista do In Flames, Engel e Passenger), Apollo Papathanasio (voz, ex-Firewind, atual Spiritual Beggars), Jonas Slättung (baixo e voz, Drömriket) e Gas Lipstick (bateria, ex-HIM). Difícil dizer se há conteúdo para se levar o We Sell The Dead para além desse álbum de estreia, mas se ficar só nele, a junção dos suecos já terá valido à pena.















16. King Witch - Under The Mountain
Imensamente suja e intensa em seus parcos 43 minutos, Under The Mountain é uma estreia para lá de invejável e promissora desse barulhento quarteto escocês. Recomendadíssimo para qualquer fã de Doom Metal que se preze!














15. Lucifer – Lucifer II
Lucifer II é um demônio completamente diferente daquele conjurado por Sadonis e sua trupe no primeiro trabalho. Menos pesado e solene, mais melodioso e versátil. A única linha que une por completo os dois discos é a da qualidade, que se mantém para lá de alta. Outro excelente trabalho de uma das melhores bandas da atualidade.















14. Powerwolf – The Sacrament Of Sin.
O Power Metal, geralmente um pária aos ouvidos deste escriba aqui, acabou por ganhar um representante na minha lista de melhores discos de 2018. Sacrament Of Sin é o renascimento dos lobisomens teutônicos e provável postulante a melhor trabalho de suas carreiras. Um disco deliciosamente brega e divertido.















13. Rolo Tomassi – Time Will Die And Love Will Bury It
Se você anda a procura de uma banda única, encontrou. Aqui a parada é densa e para lá de complexa, exigindo bastante do ouvinte. Pode não parecer um prato para todos, e realmente não é. Mas para quem curte, ainda que vez ou outras, sons desafiadores, e estiver disposto a embarcar na viagem dos irmãos Spencer, eis um trabalho cuja audição pode se tornar imensamente gratificante.















12. Corrosion Of Conformity – No Cross No Crown
Parece que o longo hiato só fez bem ao casamento Pepper Keenan/COC. No Cross No Crown é um disco que beira a perfeição e que deixará os fãs de Stoner/Southern com lágrimas nos olhos. Figura certa nas listas de melhores do ano, a audição desse novo disco não é somente recomendada, é uma obrigação.














11. Wytch Hazel – II: Sojourn
O segundo Full-length dos britânicos do Wytch Hazel é um deleite aos ouvidos mais afeitos à sonoridade de eras passadas: guitarras dobradas com a cara do Thin Lizzy, melodias simples e grudentas com aquela cadência algo folk de um Jethro Tull e uma cozinha impressionante. Tudo na bolachinha cheira à anos 1970, e se a abertura com Devil Is Here não for o suficiente para te convencer que os caras falam à sério, tente sobreviver ao ataque seguinte, com Save My Life. Impossível, não? Que bom que não são exceções à regra num disco surpreendente e matador.















10. Uriah Heep – Living The Dream
Living The Dream é uma grata surpresa, um disco repleto de criatividade e vigor vindo de uma banda com tantas décadas de estrada nas costas. Talvez seja o sangue novo trazido já a alguns discos por Gillbrook e Rimmer, talvez seja o dedo do produtor. Seja lá o que for, esse ingrediente secreto faz desse Living The Dream um dos melhores discos da história Heepiana pós fase clássica. Excelente!














09. Fifth Angel – The Third Secret
Os estadunidenses acertaram em cheio nesse disco de retorno, atualizando seu Hard & Heavy tipicamente oitentista para a era atual, com uma produção moderna e com punch suficiente para derrubar um mamute. Sinceramente, não me lembro de um comeback tão impactante desde o já clássico Blood Of The Nations do Accept.















08. Earthless – Black Heaven
Black Heaven é o melhor disco de Retro-Rock que escuto desde o fenomenal Hisingen Blues, do Graveyard. E esse não é um elogio tolo. Uma adição obrigatória à coleção e qualquer fã de rock setentista que se preze.














07. Khemmis – Desolation
O terceiro disco em três anos do Khemmis (algo incomum para os dias atuais) é excepcional, como fora seu antecessor. Se em Hunted eles encontraram seu som, aqui eles consolidam o mesmo com muita personalidade, galgando terreno para fora do underground e se tornando também uma de minhas bandas favoritas da atualidade. Fenomenal.


A PARTIR DE AGORA, CONSIDERO TODOS OS DISCOS EMPATADOS 




Satan – Cruel Magic
Quantas bandas conseguem depois de um hiato tão longo replicar a magia de seus primórdios em uma trinca de discos tão forte? Um fenômeno raro, mas aqui o Satan ainda foi mais longe, buscando toques de progressivo e de timbres setentistas para produzir algo ainda mais raro: um disco único. Nada soa como esse Cruel Magic.


Primordial – Exile Amongst The Ruins
A crise de meia idade fez um imenso bem aos Irlandeses. Diante da necessidade de se reinventar, o Primordial conseguiu criar uma obra densa e difícil de ser rotulada. Um trabalho daqueles que acabam por proporcionar uma atmosfera absolutamente imersiva, um louvável e incomum resultado. Um dos melhores discos de 2018 e forte concorrente a disco de cabeceira deste escriba aqui.


Ghost – Prequelle
Pouco após o lançamento do medíocre Infestissumam, cravei que seja lá qual magia o Ghost tivesse, ela havia sido efêmera, concentrada apenas no espetacular álbum de estreia e se esvaído rapidamente a partir dali. Como de costume, uma previsão estúpida. Prequelle é ainda mais espetacular que Opus Eponymous, justamente por conseguir reinventar a banda em um cenário quase Pop Rock, sem abandonar os elementos de Heavy Metal, Progressivo e Classic Rock explorados até então. Um álbum perfeito, daqueles raros, sobre o qual falaremos daqui a 20 anos, com melodias tão simples e grudentas que ficamos estarrecidos por ainda não terem sido inventadas antes.



Orange Goblin - The Wolf Bites Back
Bom, se os ingleses queriam realmente provar ao mundo seu valor com seu 9º disco, conseguiram. The Wolf Bites Back é ao mesmo tempo o disco mais visceral, versátil e inspirado da carreira dos caras. Um petardo de um Heavy Metal feio, ogroide e delicioso que veio direto para o topo de minha lista de melhores de 2018.



Amorphis – Queen Of Time
Uma das bandas mais originais de sua geração, o Amorphis finalmente encontrou um novo sopro de vida nos últimos dois discos. Queen Of Time é realmente bombástico e ambicioso, como seus membros haviam prometido. Mas está muito longe e sucumbir ao exagero e pompa de alguns artistas que resolvem incorporar elementos alienígenas em profusão ao seu som. Pesado, solene e sofisticado, Queen Of Time não é só um dos melhores discos de 2018. Aos poucos está também se tornando um forte postulante a um dos meus discos favoritos em todos os tempos.


Judas Priest – Firepower
O Heavy Metal em sua vertente mais tradicional parecia esquecido no tempo, as velhas bandas do estilo vivendo de raros lampejos (com exceções...ok, Accept e Saxon?), e as novas se limitando a copiar de forma pálida e diluída o que já fora feito melhor no passado. Aí vem um dos titãs do estilo e lança, aos mais de 40 anos de estrada, uma obra que não só se contenta em não fazer feio frente ao passado, como também é capaz de rivalizar com os melhores momentos de sua vitoriosa carreira. Firepower não é só o melhor disco do Judas Priest em décadas. É também o melhor disco de Metal Tradicional que escutei nos últimos cinco anos (talvez mais). Se esse realmente for o canto de cisne de uma das maiores bandas em todos os tempos, será uma saída triunfal de cena. Forte candidato a futuro clássico.



quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ghost – Prequelle (CD-2018)

Ghost - Prequelle
Fasntasminha Inspirado
Por Trevas

Prequelle é o quarto disco do outrora enigmático combo de Shock Rock conhecido pela alcunha de Ghost. Seu lançamento ocorreu após o rastro de polêmicas e acusações de ex-membros da banda contra Tobias Forge, o vocalista sueco que (agora se sabe) encarna os vários “Papas” presentes no bestiário Ghostiano. As acusações dos Nameless Ghouls? De que Forge trapaceou e tomou para si as composições e (principalmente) as finanças da banda. A resposta de Forge? O Ghost seria desde o início um projeto criativo única e exclusivamente dele, e os músicos, meros contratados para executar sua visão e estariam cientes disso. Veredito? Difícil dizer e complicado até mesmo definir se esse bafafá todo não passou de mais uma estranha estratégia de marketing, tal como a criação de mais um “Papa”, dessa vez uma figura canastrona que atende pela alcunha de Cardinal Copia. Diante desse cenário, fui conferir Prequelle, com sua belíssima capa e produção ao encargo do renomado Tom Dalgerty (Siouxie, Simple Minds, Pixies e Killing Joke, dentre muitos) sem saber muito o que esperar.

Cardinal Copia ao centro, músicos sem rosto nas sombras, ao fundo. Assim dita o ego de Forge 
Ashes é a curta introdução parte sussurrada parte orquestrada de filme de terror, que é seguida pela apoteótica Rats. Absurdamente grudenta e radiofônica, sem deixar de ser virulenta, em especial em sua letra (um ataque aos ex-membros? Talvez), Rats tem elementos que muito bem poderiam estar em discos do ABBA (leves pinceladas) e Blue Öyster Cult (toneladas). Uma das faixas mais legais desse 2018.



Os riffs que remetem a filmes de horror barato prosseguem em Faith, e a capacidade de Forge de forjar (ops) melodias tão grudentas que poderiam muito bem tomar nossos ouvidos em uma FM qualquer é realmente impressionante. Duvida? Escute See The Light e tente não sair cantando junto.



Miasma é uma instrumental com tino de trilha sonora e com muita cara de progressivo final de anos 1970, início dos 1980. Não sei a identidade dos músicos que acompanham Forge, mas certamente é tudo fera. A destacar, como são legais os solos de todas as músicas. Ah, e por falar em 1980, Dance Macabre bem poderia ser do Survivor, se os membros da banda frequentassem boates góticas.



Sobre o trabalho vocal, o Cardinal Copia de Tobias Forge apresenta basicamente a mesma coisa já mostrada nos discos anteriores. Quem curtiu, irá se deliciar, pois as canções estão bem caprichadas. Mas se você é fã apenas de vocalistas cheios de maneirismos e elasticidade, provavelmente terá uma síncope. Quem ama a capacidade de interpretação ficará estarrecido com a beleza sutil da melodia de números como a Jethro Tullesca Pro Memoria. Witch Image também é muito boa, apenas um cadinho menos impressionante do que o material que a antecedeu. Helvetesfönster é outra instrumental digna dos melhores momentos do Neo Progressivo, e prepara o terreno para o encerramento com o belo hino Life Eternal.




Veredito da Cripta
Pouco após o lançamento do medíocre Infestissumam, cravei que seja lá qual magia o Ghost tivesse, ela havia sido efêmera, concentrada apenas no espetacular álbum de estreia e se esvaído rapidamente a partir dali. Como de costume, uma previsão estúpida. Prequelle é ainda mais espetacular que Opus Eponymous, justamente por conseguir reinventar a banda em um cenário quase Pop Rock, sem abandonar os elementos de Heavy Metal, Progressivo e Classic Rock explorados até então. Um álbum perfeito, daqueles raros, sobre o qual falaremos daqui a 20 anos, com melodias tão simples e grudentas que ficamos estarrecidos por ainda não terem sido inventadas antes.


NOTA: 10


Visite o The Metal Club
Gravadora: Universal Records (nacional)
Prós: cada uma das músicas gruda no cérebro instantaneamente
Contras: não é um disco calcado no peso
Classifique como: Heavy Metal, AOR, Shock Rock
Para Fãs de: Blue Öyster Cult, Mercyful Fate



domingo, 27 de dezembro de 2015

Curtas: The Vintage Caravan, Ghost, Taste, Thunder

The Vintage Caravan, Ghost, Taste, Thunder



The Vintage Caravan - Arrival
The Vintage Caravan – Arrival (Cd-2015)

Retro Rock da Terra da Bjork!

Ok, banda fazendo Retro Rock não é mais novidade alguma, certo? Mas e quando a banda em questão vem da Islândia e é formada por adolescentes, aí você tem que dar o braço a torcer: isso sim é novidade! Formada em 2006 por garotos de aproximadamente 12 anos de idade, o Vintage Caravan lançou seu terceiro disco, Arrival, em maio de 2015. E cara, que disco legal. A faixa de trabalho Crazy Horses remete a Hendrix e Pride & Glory  e o som dos garotos tem um paralelo grande com o dos estadunidenses do Radio Moscow, com doses cavalares de Mountain. Nas faixas mais épicas, há um pouco também de Lucifer’s Friend e Rainbow. A destacar, as excelentes Babylon e Winter Queen e a absurda qualidade das guitarras do imberbe Óskar Logi Ágústsson, que também assume a responsabilidade pelos apenas corretos vocais.  

NOTA: 78

Classifique como: Retro Rock
Para fãs de: Radio Moscow, Hendrix, Graveyard

Old enough to rock your socks off!

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Ghost - Meliora
Ghost – Meliora (Cd -2015)

Um Fantasminha Camarada

Frequentemente me colocam no meio da inóspita discussão sobre o papel do Ghost no metal atual. Sempre me perguntam o que acho da banda, geralmente na esperança que eu desanque impiedosamente os mascarados. Sorry, não é o caso. Adorei Opus Eponymous, com suas toneladas de referências, em especial ao meu amado Blue Öyster Cult (com pitadas generosas de Mercyful Fate). Ah, então você adora os caras? Também não. Infestissumam passou pelo meu toca discos sem chamar nem um pouco a atenção uma pá de vezes. O fato é que fui conferir esse Meliora, com sua temática inspirada em Metropolis, sem saber o que acho da banda. E confesso que escutei o disco diversas vezes com um ponto de interrogação na fuça. Spirit e Cirice (uma de minhas favoritas do ano, por acaso), com sua aura de filme Z de terror são deliciosas, tal qual From the Pinnacle To The Pit.

O Papa e sua comitiva profana
Por outro lado, Mummy Dust é tão insuportável que me dói crer que algum produtor não tenha vetado essa bagaça de entrar no disco. Tem também algumas peças sem muito sal, como Majesty e He is. Mas veja só, as faixas que fecham o trabalho, Absolution e Deus In Absentia são para lá de boas. Enfim, uma banda que consegue polarizar opiniões dentro do mesmo disco, mas que vale uma checada: forme sua opinião por conta própria e deixe de lado os preconceitos babacas da cena.

NOTA: 74

Classifique como: Heavy Rock, Occult Rock
Para fãs de: Blue Öyster Cult


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Taste - What's Going On
Taste - What's Going On: Live at the Isle of Wight 1970 (Cd -2015)

Rory Gallagher – A Origem!

Volta e meia as gravadoras nos premiam com belezuras retiradas do alto de suas prateleiras empoeiradas. No caso aqui, temos o resgate remasterizado da antológica apresentação de um power trio pouco falado, mas de muito valor: trata-se do Taste, banda irlandesa responsável por catapultar a carreira de ninguém menos que Rory Gallagher. A apresentação em questão foi retirada do mítico festival realizado na Ilha de Wight em 1970. O som é cru e o mesmo tempo impressionante, com a banda toda esmerilhando seu Blues Rock envenenado com doses cavalares de Jazz. Rory, mesmo na tenra idade de 22 anos já era um fenômeno, não à toa merecendo citações extremamente elogiosas por parte de ninguém menos que Hendrix. O show foi lançado também em DVD, LP e Blu-ray, mas não pude ainda conferir a qualidade da contraparte visual. Recomendo!!!

Nota: 86

Classifique como: Blues Rock, Classic Rock
Para fãs de: Cream, Hendrix, Rory Gallagher


Rory nos primórdios



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Thunder - Wonder Days
Thunder – Wonder Days (Cd – 215)

Trovão Velho Ribomba Alto

Uma das maiores promessas do Hard britânico, o Thunder falhou retumbantemente em espelhar seu sucesso caseiro em outras paragens. Com a exceção do Japão, o resto do mundo nunca deu a mínima para os caras, mesmo com o lançamento de discos do quilate de Back Street Symphony e Laughing On Judgement Day. Talvez o crescimento do Grunge possa ser culpado por isso, talvez as turbulências internas é que sejam os verdadeiros demônios. Deixa para lá, o importante é que os caras resolveram trazer seu Hard classudo repleto de Blues em ótima forma para o ano de 2015. A voz de Danny Bowes envelheceu muito bem, por vezes lembrando a forma atual do também rouco veterano Jimmy Barnes. Diria se tratar da provável melhor performance vocal do ano. A faixa título, com um clima pesado, remete a uma bem vinda mistura de Led e Rainbow. The Thing I Want é o paraíso do Hard clássico. The Rain põe um bocado de folk britânico no liquidificador e Black Water tem sua excelência no equilíbrio entre o Hard e o Blues.

Será que os velhinhos já conhecem o Trovão Azul?
The Prophet tem muito de Lights Out em sua estrutura e um solo Blackmoriano, já Resurrection Day é uma balada bacana e nada mais. O ritmo levanta novamente com a rifferama da correta Chasing Shadows, mas curiosamente o disco demora a recuperar a qualidade de sua primeira metade. A redenção vem com a ótima e dramática When The Music Played. Serpentine também arregaça, e a essa altura mesmo que I Love The Weekend não fosse um delicioso rockão conseguiria tirar o sorriso do rosto do ouvinte. Wonder Days é um disco para lá de bom, uma grata surpresa vinda de uma banda que parecia não ter mais muito a mostrar. Discaço.

NOTA: 86

Classifique como: Hard Rock, Blues Rock, Classic Rock
Para fãs de: Badlands, Deep Purple, UFO, Whitesnake