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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Lords Of Black – Alchemy Of Souls – Part I (CD-2020)

 


Spanish Castle Magic

Por Trevas

Com uma carreira relativamente curta, apenas 6 anos desde sua formação, a banda espanhola Lords Of Black ganhou atenção extra quando seu vocalista, o chileno Ronnie Romero foi anunciado como nova voz do lendário Rainbow. Com dois ótimos álbuns nas costas, o quinteto, liderado pelo guitarrista Tony Hernando, tinha tudo para capitalizar em cima disso com seu terceiro disco, Icons Of The New Days. Mas tão logo o trabalho ganhou as lojas, a saída de Ronnie, então disputado à tapa por dezenas de projetos musicais, fora anunciada. Tony tentou seguir em frente, escolhendo o argentino Diego Valdez para o posto, mas as coisas não vingaram. Já com o novo disco composto, de alguma maneira que talvez nunca saibamos ao certo, Hernando convenceu Ronnie a retornar e gravar esse Alchemy Of Souls, primeira parte de dois trabalhos cujo conceito das letras passa pela eterna luta que cada um de nós trava entre o bem e o mal.

Señores de La Negritud, 2020

E a nova bolachinha começa muito bem, obrigado. Com aquele enfoque moderno num Metal que vaga entre o tradicional e o Power, e ótima produção por parte de Hernando (com mixagem e masterização nas mãos de Roland Grapow), Dying To Live Again seria o tipo de faixa que se esperaria de Axel Rudi Pell, se ele resolvesse sair um passo que fosse da caixinha. É bom ouvir a voz de Ronnie Romero, e concordo com o patrão dele: ele soa melhor aqui do que em qualquer outro dos 789 projetos em que tem cantado atualmente.



Into the Black mantém a toada, com Ronnie dividindo os holofotes com a guitarra encorpada de Tony (que também responde pelos teclados climáticos), e a cozinha precisa de Dani Criado e Jo Nunez. Tony escreveu todas as canções e letras, com algumas parcas contribuições nessas últimas pelas mãos de Valdez, o breve vocalista substituto. E, a despeito do que o estilo e arte gráfica indicam, a temática raramente esbarra na fantasia, centrada bem mais em questões pessoais e do mundo atual. Letras bacanas, por sinal.


Deliverance Lost flerta com o Power Metal mais clichê, se salvando da mediocridade mais pela voz do chileno.  Já a excelente Sacrifice destaca o baixo de Criado, evocando o clima algo dark dos dois primeiros discos, o que se repete em Brightest Star.


Closer To Your Fall tem um quê de Prog Metal, mas de uma maneira interessante. A partir daí temos um final que se mantém bacana, mas sem nenhum destaque absoluto. O que não diminui nem um pouco o brilho de mais um capítulo de qualidade dessa jovem banda que já impressiona pela regularidade. Recomendo. (NOTA;8,64)


Visite o The Metal Club

Gravadora: Hellion Records (nacional)

Prós: Ronnie Romero e Tony Hernando fazem uma dupla e tanto

Contras: podia ser umas duas músicas mais curto

Classifique como: Heavy Metal

Para Fãs de: Rainbow, Dio


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Curtas: Nordic Union, The Night Flight Orchestra, Visigoth & Lords Of Black

Curtas da Cripta





Nordic Union – Second Coming (Cd-2018)

União Sonolenta
Por Trevas
O segundo trabalho que une os talentos do multi-instrumentista sueco Erik Martensson (Eclipse, WET) com o veteraníssimo vocalista dinamarquês Ronnie Atkins (frontman do Pretty Maids) traz 11 faixas inéditas e escritas pela própria dupla. Mas vem com um problema à tiracolo: se a primeira bolachinha tinha como trunfo unir o lado AOR do Pretty Maids com a expertise da ala moderna do estilo de Erik, aqui fica evidente que a fonte está começando a secar.



O AOR algo tristonho da bolachinha (que remete ao Starbreaker de Tony Harnell e Magnus Karlsson) combina bem com os talentos da dupla, mas faltam músicas mais marcantes, e terminar a audição de um disco de AOR sem ter um punhado de refrãos imediatamente grudados na mente definitivamente não é um bom indicativo. Ainda assim, Second Coming está longe de ser um disco ruim, apenas não tem nada que o eleve do patamar do competente para o memorável.


NOTA: 6,96


Gravadora: Frontiers Records (importado)
Prós: boa produção, sonoridade interessante
Contras: parece feito para cumprir tabela
Classifique como: AOR
Para Fãs de: Starbreaker

Erik, erh...acho que você deve prestar mais atenção na sua esposa...
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The Night Flight Orchestra – Sometimes The World Ain’t Enough (Cd-2018)

Mullet-Rock
Por Trevas

Mais um capítulo do incrível projeto paralelo que se tornou gigante, o novo disco da NFO mergulha ainda mais naquele AOR que parece feito em algum momento entre 1978 e 1985. A fórmula já não é mais nenhuma surpresa, mas a capacidade de escrever canções grudentas de Bjorn e David Andersson (os cabeças do projeto, direto do Soilwork) permanece aguçada.



A produção impressiona, cada timbre e arranjo mergulhado em glitter e calçado em polainas, como deveria ser para as intenções do projeto. Os músicos são todos excelentes, mas Bjorn e Sharlee D’Angelo impressionam ainda mais pela capacidade de expressar seu talento de maneira tão absurda num estilo totalmente diferente daquele que catapultou seus nomes na cena. De negativo, apenas a impressão de que a cada disco que passa dessa patota e temos menos músicas talhadas para sobreviver ao teste do tempo. Talvez devessem dar um espaço maior entre os discos. Ainda assim, um Cd que é daqueles Guilty Pleasures para o banger troozão!    


NOTA: 7,72


Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: te coloca numa máquina do tempo direto para o tempo dos mullets
Contras: músicas divertidinhas, mas a banda vem perdendo poder de fogo
Classifique como: AOR
Para Fãs de: Foreigner, Journey, Survivor


Alô, poderiam enviar mais um carregamento de polainas por favor?
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Visigoth – Conqueror’s Oath (Cd-2018)

Barbaridade!
Por Trevas

Os bárbaros de Salt Lake City chegam ao temido segundo disco tendo que lidar com as altas expectativas criadas diante do improvável sucesso do Debut The Revenant King. Mas é só colocar para rodar a faixa de abertura, Steel And Silver, que o headbanger mais tradicionalista abrirá um sorriso maior que a ferida feita por um machado afiado. O som dos caras transita entre o metal tradicional oitentista e cargas de sonoridade épica que tornam a mistura algo polarizadora. Os vocais operísticos adornados por corais bem macho-man de Jake Rogers por exemplo, a depender do ouvido receptor, podem soar como uma benção ou como a coisa mais ridícula do planeta. E as letras são aquela coisa capa e espada nada cerebral regurgitada de novo e de novo desde o início dos tempos por bandas do estilo.



Mas para quem curte esse tipo de Heavy Metal forjado na linha tênue entre a breguice e a genialidade, fica difícil resistir aos charmes de faixas como Hammerforged, Blades In The Night e Warrior Queen. E o que dizer das épicas Traitor’s Gate e a faixa título? Metal épico de primeira, gravado com esmero e feito sob medida para a galera cantar junto nos shows, com punhos e cervejas em riste.

NOTA: 8,69

Gravadora: Urubuz Records (nacional)
Prós: mais épico que a tanguinha de guaxinim do Joey de Maio
Contras: vai dizer que tu não foi olhar a foto da tanguinha de guaxinim?
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Grand Magus, Hammerfall


Minhas férias na floresta, parte 666
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Lords Of Black – Icons Of The New Days (2Cds – 2018)

Fechando A Trilogia
Por Trevas

O terceiro disco dos espanhóis do Lords Of Black marcaria o canto de cisne do vocalista chileno Ronnie Romero junto à banda. Sua saída foi anunciada pouco após o lançamento da bolachinha, que ganhou edição especial repleta de bônus espalhados por dois discos. Uma pena, já que sua voz rascante, a exata mistura de Dio com Freddie Mercury (conforme palavras do patrão do chileno, Ritchie Blackmore), combina muito bem com o Metal dos espanhóis, uma espécie de Heavy/Power moderno que deve tanto ao Kamelot e Masterplan quanto ao próprio Rainbow. A despeito da estrela do cantor, o dono da bola é o guitarrista Tony Hernando, que assina todas as 12 faixas do repertório da edição padrão.


O disco é menos sombrio que seus antecessores, mas continua a apostar em faixas midtempo repletas de dramaticidade e sem grandes arroubos de virtuosismo, tudo aqui é feito em prol da musicalidade. A produção de Roland Grapow é seca e moderna, e todos os músicos aparecem com igual destaque. As doze faixas são boas, mas a faixa título e a longa e pesadíssima King’s Reborn fazem as vezes de grandes destaques. No disco bônus, boas covers para Edge Of The Blade (Journey), Innuendo (Queen), Only (Anthrax) e Tears Of The Dragon (Bruce Dickinson) e mais duas inéditas. Resta desejar boa sorte para a banda, pois um vocalista como Romero não se acha todo dia.


NOTA: 8,35


Gravadora: Frontiers Records (importado)
Prós: bem construído e com ótimos vocais
Contras: menos impactante que seus antecessores
Classifique como: Heavy Metal, Power Metal
Para Fãs de: Kamelot, Masterplan

Ronnie fazendo sua última aparição com os amigos espanhóis







terça-feira, 21 de junho de 2016

Lords Of Black – II (Cd – 2016)

Lords Of Black II (Cd - 2016)
Lords Of Black(more)?
Por Trevas

Prólogo – Pote de Ouro Chileno ao Fim do Arco Íris

Novembro de 2015, o mundo já estava suficientemente assombrado com a decisão do recluso menestrel e piroca das ideias Ritchie Blackmore, um dos maiores guitarristas e escroques da história do rock, que anunciara o outrora improvável retorno do Rainbow para um punhado de shows em 2016. Mas como nada com o Man In Black parece seguir uma simples linha reta, a formação para esses shows pegou todo mundo com as calças arriadas: nada de Joe Lynn Turner, Doogie White ou qualquer membro do passado da banda (e olha que são muitos para escolher). Ritchie driblou a todos e anunciou os azarões David Keith (Blackmore’s Night) na bateria, Bob Noveau (nome artístico de Bob Curiano, um pouco conhecido multi instrumentista) no baixo, Jens Johansson (Stratovarius, Malmsteen) nos teclados.

Rainbow redivivo
Mas dentre todos os anunciados, nenhum causou mais espanto e curiosidade que o nome de Ronnie. Não, não usaram um tabuleiro ouija e trouxeram Dio de volta, isso seria demais até para o velhaco guitarrista trollador, o Ronnie da vez é o até então desconhecido Romero. Chileno radicado na Espanha em 2011, Ronnie Romero foi definido pelo novo patrão como “Uma mistura entre Ronnie James Dio e Freddie Mercury”. Puta que o pariu, se a responsabilidade já era grande, imagina depois de uma declaração dessas! Os cotovelos do peruquento Joe Lynn Turner sofreram de dores lancinantes e todos os holofotes então e voltaram para a banda do vocalista chileno, uma tal de Lords Of Black. Ufa, enfim chegamos ao ponto. Mas não há muito a dizer sobre os caras. Trata-se de um projeto do guitarrista Tony Hernando que lançara um disco homônimo em 2014. Um baita disco, mas que obteve pouca divulgação fora da Espanha natal.

Ronnie levando a sério demais o lance do Freddie Mercury...
Começando a Jornada
Malevolently Beautiful é a curta introdução que abre o disco e prepara terreno para Merciless, um Power metal pesado e repleto de dramaticidade, carregado pela voz de Ronnie Romero. E já que na voz do chileno reside a maior parcela de interesse pela bolachinha, vou abrir aqui um parágrafo.



Lords Of Black, a "banda de Tony "que virou a "banda de Ronnie"



O “Outro Ronnie”

Ter nas costas a carga que Mr. Blackmore colocou em Ronnie não deve ser fácil. Mas esse “outro Ronnie” tem talento, e muito. Embora dê perfeitamente para entender o que Ritchie quis dizer com a comparação, pois Romero tem trejeitos dramáticos e algo no timbre que lembram os raros momentos de agressividade de Freddie (ver I Want it All) e uma tonelada de influência do Ronnie original, mas a voz do cara não é só isso. Mr. Romero é um vocalista com V maiúsculo e sem a menor sombra de dúvidas, vai fazer justiça ao material do Rainbow. Eu particularmente o colocaria como uma versão mais carregada de drive e maldade de caras como Robin McAuley (Survivor, Grand Prix, McAuley Schenker Group) e Johnny Gioeli (Hardline, Axel Rudi Pell). Enfim, referências de respeito. (Nota do Trevas: a resenha foi escrita antes dos primeiros shows da nova formação do Rainbow, agora já não há dúvidas, o cara manda muito – ver vídeo abaixo).



Voltando ao disco:

Only One Life Away é muito boa, pesada e sombria. Mas é com Everything You’re Not que fui definitivamente conquistado pelo som do Lords of Black, mais dinâmica que as faixas anteriores e contando com ótimo refrão, dando espaço para Romero mostrar sua versatilidade, diria sem medo se tratar de um dos grandes sons de 2016. Não à toa, foi a escolhida para o videoclipe (ver abaixo).


Definir o som dos caras é complicado, é um power metal, fato. Mas longe dos maneirismos das bandas melódicas, apostando prioritariamente em músicas mid tempo, com riffs monolíticos e cozinha pesada e sem invencionices. Diria que é um meio termo entre um Axel Rudi Pell e um Kamelot (devido a algumas intervenções mais modernas e sombrias nos arranjos). A aposta é na voz de Romero, mas quem comanda o barco é o guitarrista Tony Hernando. Além de tocar muito bem as guitarras e baixos do disco, Tony compôs todo o material e quase todas as letras, além de dividir a produção com o veterano Roland Grapow. Essa aliás talvez o ponto baixo do disco. Longe de ser uma produção ruim ou desleixada, mas o som estridente e saturado acaba tornando a audição de uma hora de material cansativa mesmo contando com boas composições.


Segue a toada de boas faixas mid tempo, algumas com as pitadas muito bem dosadas de metal sinfônico, com destaque para os nove minutos da épica e excelente Ghost Of You (ver vídeo). Como que um aperitivo, o disco se encerra com uma versão vitaminada para Lady Of the Lake, uma música menor dentro da discografia do Rainbow.


Saldo Final

Pouco importa à maioria dos mortais que o Lords Of Black seja a canalização da criatividade de Tony Hernando, mas a qualidade de suas composições definitivamente engrandece ainda mais o talento latente de Ronnie Romero. Um discaço que me deixa torcendo que a exposição exacerbada do vocalista chileno não abrevie a carreira dessa promissora banda.


NOTA: 8,84


Para fãs de: Rainbow, Axel Rudi Pell
Fuja se: for um fã apenas de metal moderno
Classifique como: Heavy Metal, Power Metal