Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
Com uma carreira
relativamente curta, apenas 6 anos desde sua formação, a banda espanhola Lords Of Black ganhou atenção extra
quando seu vocalista, o chileno RonnieRomero foi anunciado como nova voz
do lendário Rainbow. Com dois ótimos
álbuns nas costas, o quinteto, liderado pelo guitarrista TonyHernando, tinha
tudo para capitalizar em cima disso com seu terceiro disco, Icons Of The New Days. Mas tão logo o
trabalho ganhou as lojas, a saída de Ronnie,
então disputado à tapa por dezenas de projetos musicais, fora anunciada. Tony tentou seguir em frente,
escolhendo o argentino DiegoValdez para o posto, mas as coisas não
vingaram. Já com o novo disco composto, de alguma maneira que talvez nunca
saibamos ao certo, Hernando convenceu Ronnie
a retornar e gravar esse AlchemyOfSouls,
primeira parte de dois trabalhos cujo conceito das letras passa pela eterna
luta que cada um de nós trava entre o bem e o mal.
Señores de La Negritud, 2020
E a nova bolachinha começa muito bem, obrigado. Com aquele enfoque
moderno num Metal que vaga entre o
tradicional e o Power, e ótima produção por parte de Hernando (com mixagem e masterização nas mãos de RolandGrapow), Dying To Live Again
seria o tipo de faixa que se esperaria de AxelRudi Pell, se ele resolvesse sair um
passo que fosse da caixinha. É bom ouvir a voz de Ronnie Romero, e concordo com o patrão dele: ele soa melhor aqui do
que em qualquer outro dos 789 projetos em que tem cantado atualmente.
Into
the Black mantém a toada, com Ronnie
dividindo os holofotes com a guitarra encorpada de Tony (que também responde pelos teclados climáticos), e a cozinha
precisa de DaniCriado e Jo Nunez. Tony escreveu todas as canções e
letras, com algumas parcas contribuições nessas últimas pelas mãos de Valdez, o breve vocalista substituto. E,
a despeito do que o estilo e arte gráfica indicam, a temática raramente esbarra
na fantasia, centrada bem mais em questões pessoais e do mundo atual. Letras bacanas,
por sinal.
Deliverance Lost flerta com o PowerMetal mais clichê, se salvando da mediocridade mais pela voz do
chileno. Já a excelente Sacrifice destaca o baixo de Criado, evocando o clima algo dark dos dois primeiros discos, o que
se repete em Brightest Star.
Closer To Your Fall tem um quê de ProgMetal, mas de uma maneira interessante. A partir daí temos um final
que se mantém bacana, mas sem nenhum destaque absoluto. O que não diminui nem
um pouco o brilho de mais um capítulo de qualidade dessa jovem banda que já
impressiona pela regularidade. Recomendo. (NOTA;8,64)
O segundo trabalho
que une os talentos do multi-instrumentista sueco ErikMartensson (Eclipse, WET) com o veteraníssimo vocalista dinamarquês RonnieAtkins (frontman
do PrettyMaids) traz 11 faixas inéditas e escritas pela própria dupla. Mas
vem com um problema à tiracolo: se a primeira bolachinha tinha como trunfo unir
o lado AOR do PrettyMaids com a
expertise da ala moderna do estilo de Erik,
aqui fica evidente que a fonte está começando a secar.
O AOR algo tristonho da bolachinha (que remete ao Starbreaker de TonyHarnell e MagnusKarlsson) combina bem com os talentos da dupla, mas faltam músicas
mais marcantes, e terminar a audição de um disco de AOR sem ter um punhado de refrãos imediatamente grudados na mente
definitivamente não é um bom indicativo. Ainda assim, SecondComing está longe
de ser um disco ruim, apenas não tem nada que o eleve do patamar do competente
para o memorável.
NOTA: 6,96
Gravadora: Frontiers Records (importado)
Prós: boa produção, sonoridade
interessante
Contras: parece feito para cumprir tabela
Classifique como: AOR
Para Fãs de: Starbreaker
Erik, erh...acho que você deve prestar mais atenção na sua esposa...
The Night Flight Orchestra –
Sometimes The World Ain’t Enough (Cd-2018)
Mullet-Rock
Por Trevas
Mais um capítulo do
incrível projeto paralelo que se tornou gigante, o novo disco da NFO mergulha ainda mais naquele AOR que parece feito em algum momento
entre 1978 e 1985. A fórmula já não é mais nenhuma surpresa, mas a capacidade
de escrever canções grudentas de Bjorn
e DavidAndersson (os cabeças do projeto, direto do Soilwork) permanece aguçada.
A produção impressiona, cada
timbre e arranjo mergulhado em glitter e calçado em polainas, como deveria ser
para as intenções do projeto. Os músicos são todos excelentes, mas Bjorn e SharleeD’Angelo
impressionam ainda mais pela capacidade de expressar seu talento de maneira tão
absurda num estilo totalmente diferente daquele que catapultou seus nomes na
cena. De negativo, apenas a impressão de que a cada disco que passa dessa
patota e temos menos músicas talhadas para sobreviver ao teste do tempo. Talvez
devessem dar um espaço maior entre os discos. Ainda assim, um Cd que é daqueles
GuiltyPleasures para o banger troozão!
NOTA: 7,72
Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: te coloca numa máquina do tempo
direto para o tempo dos mullets
Contras: músicas divertidinhas, mas a
banda vem perdendo poder de fogo
Classifique como: AOR
Para Fãs de: Foreigner, Journey, Survivor
Alô, poderiam enviar mais um carregamento de polainas por favor?
Os bárbaros de Salt
Lake City chegam ao temido segundo disco tendo que lidar com as altas
expectativas criadas diante do improvável sucesso do Debut TheRevenantKing. Mas é só colocar para rodar a
faixa de abertura, SteelAndSilver, que o headbanger mais tradicionalista abrirá um sorriso
maior que a ferida feita por um machado afiado. O som dos caras transita entre
o metal tradicional oitentista e cargas de sonoridade épica que tornam a
mistura algo polarizadora. Os vocais operísticos adornados por corais bem
macho-man de JakeRogers por exemplo, a depender do
ouvido receptor, podem soar como uma benção ou como a coisa mais ridícula do
planeta. E as letras são aquela coisa capa e espada nada cerebral regurgitada
de novo e de novo desde o início dos tempos por bandas do estilo.
Mas para quem curte esse tipo
de HeavyMetal forjado na linha tênue entre a breguice e a genialidade, fica
difícil resistir aos charmes de faixas como Hammerforged, BladesInTheNight e WarriorQueen. E o que
dizer das épicas Traitor’sGate e a faixa título? Metal épico de
primeira, gravado com esmero e feito sob medida para a galera cantar junto nos
shows, com punhos e cervejas em riste.
NOTA: 8,69
Gravadora: Urubuz Records (nacional)
Prós: mais épico que a tanguinha de
guaxinim do Joey de Maio
Contras: vai dizer que tu não foi olhar a
foto da tanguinha de guaxinim?
Lords Of Black – Icons Of The
New Days (2Cds – 2018)
Fechando
A Trilogia
Por Trevas
O terceiro disco dos
espanhóis do LordsOfBlack
marcaria o canto de cisne do vocalista chileno RonnieRomero junto à
banda. Sua saída foi anunciada pouco após o lançamento da bolachinha, que
ganhou edição especial repleta de bônus espalhados por dois discos. Uma pena,
já que sua voz rascante, a exata mistura de Dio com FreddieMercury (conforme palavras do patrão do
chileno, RitchieBlackmore), combina muito bem com o
Metal dos espanhóis, uma espécie de Heavy/Power moderno que deve tanto ao Kamelot e Masterplan quanto ao próprio Rainbow.
A despeito da estrela do cantor, o dono da bola é o guitarrista TonyHernando, que assina todas as 12 faixas do repertório da edição
padrão.
O disco é menos sombrio que
seus antecessores, mas continua a apostar em faixas midtempo repletas de
dramaticidade e sem grandes arroubos de virtuosismo, tudo aqui é feito em prol
da musicalidade. A produção de RolandGrapow é seca e moderna, e todos os
músicos aparecem com igual destaque. As doze faixas são boas, mas a faixa
título e a longa e pesadíssima King’sReborn fazem as vezes de grandes
destaques. No disco bônus, boas covers para EdgeOfTheBlade (Journey), Innuendo (Queen), Only (Anthrax) e TearsOfTheDragon (BruceDickinson) e mais duas inéditas. Resta desejar
boa sorte para a banda, pois um vocalista como Romero não se acha todo dia.
NOTA: 8,35
Gravadora: Frontiers Records (importado)
Prós: bem construído e com ótimos vocais
Contras: menos impactante que seus
antecessores
Classifique como: Heavy Metal, Power Metal
Para Fãs de: Kamelot, Masterplan
Ronnie fazendo sua última aparição com os amigos espanhóis
Prólogo – Pote de Ouro
Chileno ao Fim do Arco Íris
Novembro de 2015, o
mundo já estava suficientemente assombrado com a decisão do recluso menestrel e
piroca das ideias Ritchie Blackmore,
um dos maiores guitarristas e escroques da história do rock, que anunciara o
outrora improvável retorno do Rainbow
para um punhado de shows em 2016. Mas como nada com o ManInBlack parece seguir uma simples linha
reta, a formação para esses shows pegou todo mundo com as calças arriadas: nada
de JoeLynnTurner, DoogieWhite ou qualquer membro do passado da banda (e olha que são muitos
para escolher). Ritchie driblou a
todos e anunciou os azarões DavidKeith (Blackmore’sNight) na
bateria, BobNoveau (nome artístico de BobCuriano, um pouco conhecido multi instrumentista)
no baixo, JensJohansson (Stratovarius,
Malmsteen) nos teclados.
Rainbow redivivo
Mas
dentre todos os anunciados, nenhum causou mais espanto e curiosidade que o nome
de Ronnie. Não, não usaram um
tabuleiro ouija e trouxeram Dio de
volta, isso seria demais até para o velhaco guitarrista trollador, o Ronnie da vez é o até então
desconhecido Romero. Chileno
radicado na Espanha em 2011, RonnieRomero foi definido pelo novo patrão
como “Uma mistura entre RonnieJamesDio e FreddieMercury”. Puta que o pariu, se a
responsabilidade já era grande, imagina depois de uma declaração dessas! Os
cotovelos do peruquento JoeLynnTurner sofreram de dores lancinantes e todos os holofotes então e
voltaram para a banda do vocalista chileno, uma tal de LordsOfBlack. Ufa, enfim chegamos ao ponto.
Mas não há muito a dizer sobre os caras. Trata-se de um projeto do guitarrista TonyHernando que lançara um disco homônimo em 2014. Um baita disco, mas
que obteve pouca divulgação fora da Espanha natal.
Ronnie levando a sério demais o lance do Freddie Mercury...
Começando a Jornada
MalevolentlyBeautiful
é a curta introdução que abre o disco e prepara terreno para Merciless, um Power metal pesado e
repleto de dramaticidade, carregado pela voz de RonnieRomero. E já que
na voz do chileno reside a maior parcela de interesse pela bolachinha, vou
abrir aqui um parágrafo.
Lords Of Black, a "banda de Tony "que virou a "banda de Ronnie"
O “Outro Ronnie”
Ter nas costas a
carga que Mr. Blackmore colocou em Ronnie não deve ser fácil. Mas esse
“outro Ronnie” tem talento, e muito.
Embora dê perfeitamente para entender o que Ritchie quis dizer com a comparação, pois Romero tem trejeitos dramáticos e algo no timbre que lembram os
raros momentos de agressividade de Freddie
(ver I Want it All) e uma tonelada
de influência do Ronnie original,
mas a voz do cara não é só isso. Mr. Romero
é um vocalista com V maiúsculo e sem a menor sombra de dúvidas, vai fazer justiça
ao material do Rainbow. Eu
particularmente o colocaria como uma versão mais carregada de drive e maldade
de caras como RobinMcAuley (Survivor, GrandPrix, McAuleySchenkerGroup) e JohnnyGioeli (Hardline, AxelRudiPell). Enfim, referências de respeito.
(Nota do Trevas: a resenha foi escrita antes dos primeiros shows da nova
formação do Rainbow, agora já não há
dúvidas, o cara manda muito – ver vídeo abaixo).
Voltando ao disco:
Only One Life Away é muito boa, pesada
e sombria. Mas é com Everything You’re
Not que fui definitivamente conquistado pelo som do Lords of Black, mais dinâmica que as faixas anteriores e contando
com ótimo refrão, dando espaço para Romero mostrar sua versatilidade, diria sem
medo se tratar de um dos grandes sons de 2016. Não à toa, foi a escolhida para
o videoclipe (ver abaixo).
Definir o som dos caras é complicado, é um power metal, fato. Mas longe
dos maneirismos das bandas melódicas, apostando prioritariamente em músicas mid
tempo, com riffs monolíticos e cozinha pesada e sem invencionices. Diria que é
um meio termo entre um AxelRudiPell e um Kamelot
(devido a algumas intervenções mais modernas e sombrias nos arranjos). A aposta
é na voz de Romero, mas quem comanda
o barco é o guitarrista TonyHernando. Além de tocar muito bem as
guitarras e baixos do disco, Tony
compôs todo o material e quase todas as letras, além de dividir a produção com
o veterano RolandGrapow. Essa aliás talvez o ponto baixo
do disco. Longe de ser uma produção ruim ou desleixada, mas o som estridente e
saturado acaba tornando a audição de uma hora de material cansativa mesmo
contando com boas composições.
Segue a toada de boas faixas mid tempo, algumas com as pitadas muito bem
dosadas de metal sinfônico, com destaque para os nove minutos da épica e excelente
GhostOfYou (ver vídeo). Como
que um aperitivo, o disco se encerra com uma versão vitaminada para LadyOftheLake, uma música menor dentro da
discografia do Rainbow.
Saldo Final
Pouco
importa à maioria dos mortais que o LordsOfBlack seja a canalização da criatividade de TonyHernando, mas a
qualidade de suas composições definitivamente engrandece ainda mais o talento
latente de RonnieRomero. Um discaço que me deixa
torcendo que a exposição exacerbada do vocalista chileno não abrevie a carreira
dessa promissora banda.