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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Soilwork – A Whisp Of The Atlantic (EP-2020)


 

Experimentando e Acertando
Por Trevas

Que caralhas colocaram na cerveja de Björn Strid e David Andersson? Os caras, responsáveis por praticamente tudo do Night Flight Orchestra e da era recente do Soilwork, simplesmente não sossegam! Desde 2017, esse é 5º trabalho de estúdio que a dupla lança, três com o surpreendentemente bem-sucedido combo AOR e dois com a banda principal. A Whisp Of The Atlantic é composto por cinco canções que o Soilwork criou desde que o excepcional Verkligheten assombrou nossos ouvidos, em 2019. Excetuando a faixa que dá nome ao disco, todas foram lançadas como singles anteriormente. Mas se o número de músicas indica um EP, a duração da bolachinha já é de disco completo: 36 minutos.

Soilworkaholics

Muito disso por conta da faixa título, que abre o trabalho com seus majestosos 16 minutos de duração. Em uma estrutura digna de bandas clássicas de Rock Progressivo, essa música vagueia por momentos extremamente melódicos e calmos, com direito à pianos e saxofones, até trechos do mais típico metal extremo. Sim, a coisa ameaça por vezes desandar, e se isso não acontece, em muito se deve à capacidade colossal de Strid para criar melodias agradáveis. Ah, e sua versatilidade cresce a cada trabalho. Não diria se tratar de uma faixa que nasce clássica, mas com certeza é bem inventiva e única dentro da carreira dos caras. O que não é pouco, já que são muitos anos de estrada.


E as surpresas não param por aí. A deliciosa The Nothingness And The Devil adiciona ao catálogo do Soilwork um petardo que poderia muito bem servir à bandas de Metal Tradicional. Seria algo tipo Dio goes Melodeath! Exceto que os caras acham espaço para um solo à lá Pink Floyd.


Feverish desperta em seu início um tema de teclado que bem poderia servir ao Night Flight, mas aí somos jogados a um Blast Beat e aos vocais urrados de Strid, até culminar em uma ponte e refrão que definitivamente tem um pé no AOR, só que após doses cavalares de esteroides. Outra pérola!


Desperado joga na mistura um tema que remete a Westerns em meio a uma estrutura que já se aproxima mais à do Soilwork habitual. Muito boa. Por último, temos Death Diviner, uma belezura midtempo e com slide guitars, quase sem nenhum vocal sujo, uma espécie de elo perdido entre o Night Flight Orchestra e o Soilwork.


Muito mais que um simples catadão de singles, A Whisp Of The Atlantic continua a saga recente do Soilwork, de criar discos inesquecíveis e variados em série. Matador!  (NOTA: 8,78)

Visite o The Metal Club


Gravadora: Nuclear Blast Records (importado)

Prós: a banda experimenta bastante, mas mantém sua identidade

Contras: a faixa título pode soar exagerada demais a alguns

Classifique como: Melodic Death Metal, Prog Metal

Para Fãs de: In Flames, Opeth


domingo, 2 de fevereiro de 2020

Os Melhores de 2019 - Pela Cripta do Trevas!



Olá, Guardiões da Cripta!

Chega o fim de um ano e me pego tendo a mesma impressão de sempre, quantos bons lançamentos que tive em mãos! E quantos outros podem ter me escapado...

A facilidade de acesso que instrumentos como o streaming nos proporciona faz com que consigamos explorar cada recanto do “universo música”, se assim nosso dia a dia permitir.

E se considerarmos que ainda assim existem mundos pouco afeitos a expor sua arte nessas plataformas, chega a assustar quanta coisa boa pode estar perdida por aí...

Quem já lê a Cripta com frequência, provavelmente sabe que a maior parte do material nela resenhado é composta por aquisições em mídia física para a minha coleção pessoal. Como não sou rico, claro que isso limita bastante meu range. O Spotify tem me ajudado a ter acesso a materiais que não encontro e/ou não consigo comprar.

Como habitual, tentei escutar nesse janeiro eventuais “discos do ano” que me passaram desapercebidos. Uma tarefa dura, a cada lista de “melhores do ano” que exploro, ao menos dois ou três discos que nunca ouvi são citados. Na maioria das vezes, com mérito.

Então, encarem essa presente lista como um instrumento falho, incompleto, mas cheio de boas intenções. Uma lista de recomendações, já que o conceito de “melhor ou pior” me parece injusto. 

Por tabela, segue a minha playlist do spotify para 2019.

Leiam, escutem, divirtam-se, cornetem. E se quiserem, me mostrem suas listas!
Saudações
Trevas 

Revelação

No Rio de Janeiro, o Facing Fear lançou seu primeiro disco (Ana Jansen) e vem causando barulho com seu metal revivalista (até no visual) e com letras eventualmente em português. Já o combo Prog Metal Vikram, com músicos de vários lugares de nosso vasto país, fez um disco que merece com sobras entrar na nossa listinha. O Tanith, que traz Russ Tippins, do Satan, Tysondog e Blind Fury fez uma promissora estreia num elo perdido musical entre os anos 1970 e a NWOBHM. Somaria aos três a brilhante estreia dos paraguaios do Nightbound, num Ep homônimo caprichado, que soa uma delícia aos ouvidos dos fãs de bandas como Thin Lizzy.

Revelações
Melhor DVD/Blu-Ray

Ainda que não conte com nenhum extra de bastidores, Songs From The Dead é o Home Video dos sonhos (ou pesadelos?) de qualquer fã do mestre King Diamond que se preze. O dinamarquês, aliás, está em forma impressionante após quase antecipar sua sentada no colo do Capeta. Em contrapartida, o apoteótico registro da bem-sucedida turnê Punpkins United, reunindo eras diferentes dos Lordes teutônicos do Power Metal Helloween, é tão recheado de material caprichado, que não poderia ficar de fora da lista. Um dos pacotes mais bem servidos já lançados no formato.

Os melhores Home Videos que o dinheiro pode comprar, em 2019

PLAYLIST de 2019 – Criptozoologia 2019:




Agora, fiquem com a lista dos 30 (+1, pois errei a conta e só vi quando fui publicar...típico, hehehehe) melhores trabalhos de 2019:


30. Baroness – Gold & Grey
Os esquisitões estadunidenses por pouco não lançaram seu disco definitivo. Ainda que minado por exageradas 17 faixas e uma produção incomodamente suja, quando Gold & Grey acerta a mão, é espetacular e único.



29. Gloryhammer - Legends from Beyond the Galactic Terrorvortex
Power Metal escocês e galhofeiro entre os melhores do ano? Teria Trevas comido um cogumelo estragado? É possível. Mas é inegável que os caras conseguiram lançar um disco para lá de divertido e diferente, mesmo brincando com clichês de um dos gêneros mais bobocas dentro do Metal.


28. Vírus – Contágio
O tão aguardado disco de estreia dos veteranos da cena Brazuca enfim chegou. E mesmo com o atraso de décadas, impossível resistir às versões definitivas para petardos como Matthew Hopkins e Batalha No Setor Antares. Isso sem contar com os “novos” clássicos Povo do Céu e Sacrifício. Imperdível aos ouvidos dos fãs do metal em Português.


27. Týr – Hèl
Essa lista está tão estranha que entra até banda das Ilhas Faroe. Sim, os caras chegam aqui na cota de Viking que deveria ser do Amon Amarth. Já que os suecos lançaram um disco bom, mas inferior ao alto padrão por eles imposto...fico com esse belo trabalho que mistura de forma única vários gêneros dentro do metal.


26. The 69 Eyes – West End
Olha, mesmo eu curtindo muito vários trabalhos dos Vampiros de Helsinque, os caras andavam tanto no piloto automático que jamais imaginei gamar em um disco deles de novo. West End é uma delícia do Gothic Rock, viciante.


25. Overkill – The Wings Of War
Faz tempo que a máquina de Thrash estadunidense não erra a mão. Em Wings Of War o Overkill se recusa a trilhar a fórmula que dera tão certo no surpreendente disco anterior. Com uma sonoridade mais próxima de seus primórdios, acertam em cheio em um disco que é uma muqueta na zoreia.


24. Pristine – Road Back To Ruin
Heidi Solhein comanda com sua bela voz e feeling o combo norueguês em Road Back To Ruin, um disco que, apesar da evidente cara retro-rocker, não é para ficar limitado somente a esse nicho. Um baita trabalho que merece ser ouvido por fãs de Rock em geral 


23. Arch/Matheos – Winter Ethereal
A junção de metade da formação original do Fates Warning traz um trabalho complexo e repleto de melancolia, com cascatas de melodias vocais e instrumental sofisticado nos levando para uma viagem sombria. Um disco de Prog Metal maduro, sem os exibicionismos estéreis do gênero.


22. RAM – The Throne Within
Para não dizer que não há espaço para o Metal-Metal da nova leva nesse 2019, o novo trabalho dos suecos troozões chuta bundas com seu coturno gasto e surrado. Fãs de Accept e Judas Priest certamente ficarão com suas cacetas em riste perante o Metal puro e vigoroso do quinteto, que parece nunca errar a mão.


21. Angel Witch – Angel Of Light
Eu falei Metal-Metal? Pois olha quem nos surpreendeu esse ano: Direto e certeiro, Angel Of Light pode ser a luz (oops) que faltava para o Angel Witch enfim engrenar e, quem sabe, construir uma reputação que faça justiça ao status de lenda que o quarteto ganhou exclusivamente por conta de seu excelente debut. Imperdível


20. Sacred Reich – Awakening
Despretensioso, virulento e direto ao ponto! De onde menos se esperava veio um disco de retorno dos mais legais que já escutei. Viciante, Awakening tem como único grande “defeito” durar parcos 30 minutos.


19. Death Angel – Humanicide
Desde seu triunfal e prolífico retorno, os ex-menudos da Bay Area definitivamente não podem ser acusados nem de amansar seu som, nem de se deitar no saudosismo repetitivo que acomete a cena Thrasher. Humanicide é definitivamente um dos discos mais poderosos dos californianos, audição obrigatória para qualquer fã de Thrash, de qualquer era.


18. In Flames – I, The Mask
Ainda que seja fã de carteirinha dos suecos, fazia tempo que nada deles me empolgava tanto. Longe da discussão infrutífera sobre os rumos que a banda tomou quase 20 anos atrás, temos em mãos o melhor e mais equilibrado disco do In Flames em muito tempo. Um disco direto, moderno, grudento e ainda assim cheio de nuances. Viciante.


17. Crobot – Motherbrain
Os malucos do Crobot conseguem unir em Motherbrain elementos de Retro-Rock e Stoner com o som alternativo dos anos 1990 e tempero Hard/Heavy, num dos discos mais viciantes desse 2019. E Brandon Yeagley é um dos vocalistas mais bacanas que ouvi da nova safra.


16. Vikram – Behind The Mask – I
Um punhado de ótimos músicos de nossa cena se unem em uma viagem conceitual num dos melhores Debuts dos últimos anos. Prog Metal inteligente, único e vigoroso, uma feliz prova de que há sim renovação e esperança para a cena Bazuca!


15. Evergrey – The Atlantic
Se alguém quer um exemplo de como uma banda pode amadurecer seu som sem soar meramente pretensiosa, reserve uma hora de seu tempo e embarque em The Atlantic. Um disco colossal, ao mesmo tempo pesado, denso e sensível. Isso sem nunca soar piegas. Uma pena que não consegui conferir o show no Rio.


14. Lacuna Coil – Black Anima
Após alguns anos de estagnação, os italianos acertaram a mão ao apostar em uma guinada no peso e em temáticas mais sombrias. Delirium já era matador, mas Black Anima vai além, um forte concorrente a melhor disco da prolífica carreira de Cris Scabbia e seus amigos.


13. Thunder – Please Remain Seated
Fiquei em dúvida se incluía ou não esse disco aqui, já que se trata praticamente de uma compilação. Mas esse não é um Best Of normal, os britânicos escolheram faixas não necessariamente incensadas de sua carreira e praticamente as reconstruíram em um delicioso formato anos 1950. Uma bela maneira de se explorar o passado sem soar apelativo. Um disco único e muito bacana de se ouvir.


12. Cellar Darling – The Spell
The Spell pode se mostrar uma jornada demasiadamente longa e melancólica ao ouvinte de um Metal mais convencional, mas é uma jornada na qual vale a pena embarcar, para aqueles afeitos a músicas que permeiam várias vertentes do estilo. O Cellar Darling encontrou enfim sua cara, e ela é bela e triste.


11. Kadavar – For The Dead Travel, Fast
Os retro-rockers teutônicos do Kadavar mergulham de maneira firme e certeira na história de Drácula e num som que parece erguido triunfantemente das brumas lisérgicas do final dos anos 1960. Absolutamente matador.


10. Eclipse – Paradigm
Paradigm pode não ter exatamente quebrado nenhum paradigma do Melodic Hard Rock/AOR, mas é facilmente um dos melhores trabalhos do estilo que escuto em anos, e provavelmente o melhor disco da carreira dos prolíficos suecos.


09. Sabaton – The Great War
Os simpaticíssimos suecos do Sabaton vêm tomando o mundo do Metal de assalto. The Great War alcançou o Top 10 em nada menos que 13 países (e Top 50 em 21), chegando ao número 1 na Alemanha. E é merecido. Dentro do estilo que se propõe, é facilmente um dos melhores discos desse 2019, e tem aquele raro mérito de pedir por um repeteco tão logo os 39 minutos se encerram. Excelente.


08. Rammstein – Rammstein
Com a estética do “menos é mais”, o quinteto ganhou foco, caprichando bastante nas composições. Até aquelas que aparentemente nada trazem de novo ao bestiário Rammsteiniano soam deliciosas. Com parcos 46 minutos de duração (e as tradicionais 11 músicas), Rammstein é cirúrgico e denso. Um dos melhores discos de 2019, que também ameaça se tornar um dos favoritos dos fãs dentro da discografia da banda.


07. Insomnium – Heart Like A Grave
Retornando a um formato de disco mais tradicional, o combo finlandês mergulha ainda mais na melancolia para produzir um disco de Melodic Death Metal excepcional, adotando elementos de diversos gêneros dentro do rock para temperar seu som. Denso e pesado, belo e sombrio.


06. Tuatha De Dannan – The Tribes Of Witching Souls
Um Ep vitaminado por algumas versões diferentes de faixas já apresentadas anteriormente, The Tribes Of Witching Souls é a prova cabal de que os mineiros são das melhores bandas de nossa cena. Um daqueles trabalhos que tão logo terminam já pedem por um novo toque compulsivo no “PLAY” do aparelho de som.

DAQUI PARA  FRENTE, A ORDEM NÃO IMPORTA!


Tygers Of Pan Tang – Ritual
Difícil esperar de um combalido veterano do segundo escalão da NWOBHM qualquer sinal vital em pleno 2019, certo? Porra nenhuma. Os tigres britânicos já vêm ameaçando lançar um novo clássico tem pelo menos 10 anos. E Ritual, ainda que seja apenas um simples disco de Metal tradicional, consegue grudar em nossa mente feito chiclete. 53 minutos que farão qualquer fã Old School sorrir sem parar.


Jinjer- Macro
Eis que vem da improvável Ucrânia um dos melhores e mais inventivos discos de 2019, que nos prova com sobras que o Jinjer não é mais uma promessa da cena, e sim uma retumbante realidade. Pesado, inteligente, criativo e diversificado.


Rival Sons – Feral Roots
Incapaz de fazer um disco minimamente medíocre, o combo Retro-rocker estadunidense nos presenteia com um discaço ao mesmo tempo simples e bastante sofisticado. Um forte rival (oops) para The Great Western Valkyrie pelo trono de melhor disco da carreira dos caras.


Candlemass – The Door To Doom
Os mestres suecos do Doom Metal parecem uma fênix sombria. Renasceram anos atrás com o impecável disco homônimo, ressurgiram de novo quando Rob Lowe assumiu os vocais da banda. Anunciaram o fim. E do nada retornam, com o vocalista original que gravara Epicus Doomicus Metallicus, com um disco tão matador que não merecia o título tosco. Um dos melhores de toda a carreira.


Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light
Quando os finlandeses sorumbáticos lançaram o ambicioso disco triplo Songs From The North, acreditei piamente que esse seria o ápice criativo que uma banda como eles poderia atingir. Ledo engano. Movidos pela dor do luto de seu líder e principal compositor, os caras fizeram um disco tão sombrio e denso quanto delicado e belo. Um Gothic Doom de cortar o coração (e os pulsos).


Soilwork  - Verkligheten
E não é que o The Night Flight Orchestra fez muito bem ao Soilwork? Após anos de estagnação criativa, os caras vêm enfileirando discaço atrás de discaço. Até fica difícil escrever aqui sem cair na armadilha da adulação gratuita de fanboy. Mas o fato é que no novo trabalho os suecos conseguiram encontrar um raro equilíbrio entre peso, melodia e inserção de elementos estranhos ao seu som tradicional. As composições são tão caprichadas, e o clima tão único, que nos resta aplaudir quando You Aquiver nos presenteia com os últimos acordes de um disco fadado a se tornar um clássico do estilo.


terça-feira, 20 de agosto de 2019

Soilwork – Verkligheten (CD-2019)



Realidade Aumentada
Por Trevas

Os inéditos quatro anos que separam Verkligheten do lançamento anterior dos suecos do Soilwork estão longe de representar uma preguiça dos músicos. E o motivo é simples: com o inesperado e arrebatador sucesso do projeto (outrora mera brincadeira) The Night Flight Orchestra, o núcleo criativo do Soilwork se envolveu nesse período na produção, lançamento e divulgação de nada mais nada menos que dois trabalhos do combo Brega’n’Roll. Na verdade, até fiquei preocupado que o estrondo causado pelo TNFO pudesse chutar o longevo baluarte do Melodeath sueco para escanteio. Afinal, Moneytalks. Por sorte, esse investimento de tempo e criatividade em outras paragens musicais serviu de uma espécie de arrefecimento na mufa de Strid e sua trupe, que voltaram então as ações para o sucessor de The Ride Majestic em meados de 2018. Sob a batuta de Thomas "PLEC" Johansson (que masterizara os três últimos trabalhos do TNFO e a compilação Death Resonance, do próprio Soilwork), partiram para estúdios em sua terra natal, dessa vez carregando o “novato” baterista Bastian Thusgaard para participar do processo criativo (com David Andersson assumindo o baixo, vago desde a saída de Markus Wibom). Sabedor que a obra prima The Living Infinite praticamente esgotara um caminho para a banda, e que Ride Majestic, ainda que um bom disco, apenas revolvera a mesma caixa, Strid viu que era hora de reinventar seu filhote musical favorito.

The Night Flight, ooops, Soilwork 2019
A proposta dessa vez foi de envolver todos os músicos no processo de composição, experimentando o quanto achassem que as músicas pediam. Um método de trabalho até então inédito e que, segundo Strid, mudou também o resultado final: “a sonoridade saiu mais Metal básico e direto, mas com uma carga de melancolia típica do Soilwork...os fãs irão identificar elementos de nossos últimos trabalhos aqui e ali, mas há um clima diferente no ar, uma diversidade maior”. A faixa título (“realidade” em sueco), que abre o disco, já mostra de cara o nível de experimentalismo: uma curta e atmosférica instrumental que não ficaria perdida num disco do Pink Floyd dos tempos áureos. Mas Arrival, com Blast Beats fundidos a aura espacial, trazem os ouvidos a uma realidade diferente. As melodias em profusão contrastam com o peso muma faixa que é tudo o que se esperaria do Soilwork, mas de uma maneira diferente. A matadora Bleeder Dispoiler tem uma guia em slide guitar e clima bem rocker. Já Full Moon Shoals me faz pensar em como o público da cena é tapado. Precisou do inesperado Boom do Night Flight Orchestra para então Bjorn Strid ser reconhecido como o grande vocalista que é. Versátil até a medula, soa bem desde os guturais até os falsetes, passando pelos graves góticos e uma pegada mais industrial num piscar de olhos. A aura bluesy da introdução da música seguinte parece referendar ainda mais a versatilidade apregoada, mas logo The Nurturing Glance se transmuta no indefectível Gothemburg Sound dos caras, só que com uma aura mais rocker que deixa o som ainda mais irresistível. Um início para lá de promissor!


O time atual do Soilwork pode não ser o mais virtuoso que a banda já teve, mas funciona brilhantemente. David Andersson e Sylvain Coudret trazem muito de classic rock aos riffs e solos do Melodeath típico dos suecos. Bastian Thusgaard pode não ter impressionado de cara nos shows ao substituir o monstro Dirk Verbeuren (uma missão sabidamente ingrata), mas pelo que se escuta aqui, está finalmente adaptado. Um baita trabalho! Sven Karlsson continua colaborando com aquele clima espacial/progressivo nas linhas de teclado, um pouco menos evidentes do que em The Living Infinite, mas muito bem pensadas. E no baixo, assumido por Andersson na gravação, linhas competentes, mas não tão evidentes no meio de tanta melodia e de uma bateria cheia de notas. A quantidade de informação musical por faixa é tremenda, e aí entra em cena o brilhante trabalho do produtor Thomas "PLEC" Johansson, que deixou tudo límpido e agradável aos ouvidos, cheio de dinâmica, mas com peso colossal. Ouça as brilhantes When The Universe Spoke (novamente com Blast Beats em meio aos climas espaciais), Stålfågel (grudenta até a medula, uma das melhores do pacote), Needles and Kin (com Tomi Joutsen) e The Wolves Are Back In Town e tire a prova.



O disco segue extremamente variado, e imensamente inspirado até o fim. Até fica difícil escrever aqui sem cair na armadilha da adulação gratuita de fanboy. Mas o fato é que no novo trabalho os suecos conseguiram encontrar um raro equilíbrio entre peso, melodia e inserção de elementos estranhos ao seu som tradicional. As composições são tão caprichadas, e o clima tão único, que nos resta aplaudir quando You Aquiver nos presenteia com os últimos acordes de um disco fadado a se tornar um clássico do estilo (NOTA: 10).



Nota sobre a Edição Nacional: O lançamento nacional vem encartado em slipcase trazendo a capa do EP Underworld, contendo três faixas inéditas de qualidade equivalente ao repertório já caprichado do novo disco. Ainda temos uma versão diferente para Needles and Kin no pacote. Ou seja, vale cada centavo.

Visite o The Metal Club

Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: O provável ápice da carreira do Soilwork, com um baita Ep de bônus
Contras: o disco acaba
Classifique como: Death Metal Melódico
Para Fãs de: In Flames, Dark Tranquility, Amorphis


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Soilwork - The Tour Majestic (09/09/2016 - Teatro Odisseia - Rio de Janeiro/RJ)

Cartaz da turnê Brasileira
Uma verdadeira “Ride Majestic”!
Texto por Trevas
Fotos (exceto Meet and Greet) cedidas cordialmente pelo sempre excelente (e grande fã do Soilwork!!) Allan Barata - Obrigado, amigo!!

Enfim chegava o momento que o jovem Trevas imaginou nunca presenciar. Um dos baluartes do Melodic Death Metal sueco finalmente pisava no Rio de Janeiro. E, ainda melhor, consegui um Meet and Greet em uma promoção. Ah, mas nem tudo são flores. Primeiramente, o tão esperado show tomaria lugar no Teatro Odisseia...meu local desfavorito para shows no Rio. Promessa de som cocozão, ainda mais ao levar em consideração se tratar de uma banda com duas guitarras e teclado. Até a logística para colocar essa gente toda naquele palco pequenino deve ser complexa. Ok, ainda assim tentei não desanimar. O segundo senão: ganhei o Meet and Greet, e eu devia desconfiar que não se tratava de minha sorte...ganhei como todos os que concorreram, pois quase ninguém se inscreveu na promoção. Ah, não estou reclamando pela promoção em si, e sim por isso ser um indicativo de que o público a conferir os suecos seria para lá de reduzido.

Ok, após o Meet and Greet, no qual o gigante Bjorn e o guitarrista David Andersson se mostraram bastante surpresos com meu pedido de autógrafo numa cópia de Skyline Whispers, do projeto paralelo Night Flight Orchestra (ver resenha aqui), ficamos no aguardo do show em si.

Olha o sorriso do Trevas Fanboy...
E que show avassalador. Começando com a faixa título do último disco de inéditas e passando por quase todos os trabalhos da banda, o sexteto não deixou espaço para o público, não mais que mediano, respirar. Mediano em número, pois cada um dos presentes simplesmente cantava todas as músicas de maneira tal que era visível a surpresa do Soilwork. E a banda retribuía essa energia!

A Momentary Bliss - Soilwork no Odisseia (foto por Allan Barata)
Strid estava com a voz em dia e alternava os vocais urrados e limpos com maestria. Sylvain Couldret e David Andersson podem não formar a dupla de guitarristas mais prodigiosa da história dos caras, mas não fazem feio, além de demonstrar extrema felicidade em poder tocar para o público Sul Americano. Markus Wibom é uma figura, desfilando pelo palco com muita pose e carisma. O tecladista Sven Karlsson é o único que não vibra tanto durante o show, mas desempenha seu papel com competência. O novato Bastian Thusgaard se vira como pode para substituir o monstro Dirk Verbeuren, e até que se sai relativamente bem.

O tresloucado e hirsuto Wibom (foto por Allan Barata)
O som? O tradicional bololô do Odisseia, com sua habitual “síndrome do vocal baixo”. Daria para reclamar da escolha do local de maneira mais enfática, mas o público algo decepcionante me deixa sem argumentos. Não daria para transpor nem para o belo Teatro Rival.

Strid, o gigante gentil, destruindo tudo no Odisseia (foto por Allan Barata)

Bjorn Strid causando um Overload no Odisseia (foto por Allan Barata)


No mais, uma hora e quinze (e quinze faixas) depois, Strid (que supostamente fazia aniversário) agradece ao púbico e é possível sentir honestidade e gratidão em sua voz. A promessa é feita, de que o Soilwork irá retornar em breve. O grandalhão cita a casa vazia e faz o Mea Culpa por ter se ausentado quando a banda viveu seu ápice comercial, e pede que da próxima vez quem estiver ali e que tenha gostado do show traga seus amigos. Ah, Strid, te garanto que se depender do boca-a-boca de quem teve a sorte de assistir esse show destruidor, qualquer casa ficará pequena quando vocês resolverem retornar!  (NOTA:10)