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segunda-feira, 12 de abril de 2021

Accept – Too Mean To Die (CD-2021)


Difícil de Matar

Por Trevas

Quando fiz a resenha para The Rise Of Chaos, disco de 2017, já havia chamado a atenção para a dificuldade do Accept em manter o altíssimo padrão de seu retorno, com o já clássico Blood Of The Nations. À época, Wolf Hoffmann acabara de perder a dupla Stephan Schwarzmann e Herman Frank. Mas a situação iria piorar: agora a baixa atendeu pelo nome de ninguém menos que Peter Baltes, o icônico baixista/vocalista, até então eterno parceiro de Wolf. Para seu lugar, Martin Motnik foi recrutado. Já que mudança pouca é bobagem, o patrão também resolveu adicionar um terceiro guitarrista à banda: Philip Shouse (Gene Simmons Band, Ace Frehley, Lucifer). Esse último já havia tocado com a banda uma penca de vezes, ou em substituição a Uwe Lulis ou na turnê Symphonic Terror. Para o novo trabalho, ao menos uma coisa se manteve, a parceria com o mago Andy Sneap. Mas confesso que com tudo o que escrevi, fui escutar Too Mean To Die com expectativas bem baixas.

Tio Wolf e seus calouros

Logo nos primeiros instantes da introdução de Zombie Apocalypse, fica claro que ao menos a parceria com Andy Sneap continua garantia de uma sonoridade caprichada. Sei que é impossível mensurar o resultado da adição de um terceiro guitarrista ao som pelo material de estúdio, já que temos sempre uma parede de guitarras, mas ao passar pela virulenta faixa título e pela Metalheartesca Overnight Sensation, salta aos ouvidos a fúria guitarrística desse CD, os riffs e solos estão cortantes como pouco se ouviu na carreira do Accept. A bateria de Christopher Williams também faz um baita estrago, só o baixo de Motnik que ficou enterrado na mixagem. Ah, e Tornillo, esse foi um achado! Cada vez mais esbarramos com fãs da banda que já o consideram o vocalista definitivo da carreira dos caras, o que não é pouca bobagem.


Mas a despeito da qualidade da equipe e do som, as composições pareciam boas, mas longe de postulantes a novos clássicos. Até que a épica No Ones Master eleva o nível. E The Undertaker pode ter causado alguma apreensão entre os puristas, mas é excelente e acerta ao apostar numa direção diferente. Dá até para relevar que roubaram na cara dura a ponte de Fish On, do Lindemann (projeto politicamente incorreto do vocalista dodói do Rammstein com o doido-de-pedra Peter Tägtgren).


Os riffs continuam fortes ao longo do disco, mas os refrães e melodias, nem sempre. Sucks To Be You, Not My Problem e The Best Is yet To Come (com Tornillo cantando bonitinho) sendo bons exemplos de boas músicas que poderiam ser ainda melhores com um capricho melódico maior. Symphony Of Pain, How Do We Sleep e a instrumental Samson And Delilah (que surrupia o tema de Victorious, do Heaven & Earth) elevam o nível para contrabalancear a segunda metade do CD, que pode ser considerado o trabalho mais forte dos alemães desde Stalingrad. (NOTA: 8,62)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Shinigami Records (nacional)

Prós: ótima produção, guitarras em chamas

Contras: algumas melodias não estão à altura do instrumental

Classifique como: Heavy Metal

Para Fãs de: Judas Priest

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Shows de Novembro: Vimic + Megadeth + Accept + Zakk Sabbath

Vimic + Megadeth +Accept + Zakk Sabbath

Olá, Criptomaníacos!
Bom, infelizmente devido à crise que assola o Estado do Rio de Janeiro, e sendo eu um dos muitos servidores que vivem um ano complicado repleto de salários atrasados, definitivamente tive que me alijar de assistir uma penca de grandes shows que por aqui pintaram. Mas não seja por isso, o grande Freddy Krill, nosso enviado especial da Cripta, esteve em todos eles e vem aqui contar tudo para vocês. Divirtam-se!!   
Abraço
Trevas


Convidado da Cripta: Freddy Krill


Biólogo e Maidenmaníaco, Krill testemunhou mais shows nessa existência do que você comeu meleca na sua infância, e isso merece respeito. 

Nas horas vagas, Mr. Krill é um renomado e dedicado professor cujo humor e peso da mão na correção de provas variam consideravelmente de acordo com o que está rolando no aparelho de som.




SOBRE NOVEMBRO E SHOWS NO RIO

Não é novidade que o Rio há muito se tornou escala alternativa para MUITAS produtoras de shows de Rock/Metal (valeu e “OBRIGADO”, povo rockêro-redbênzi!...). Mas estes últimos meses têm sido (estão sendo) atípicos! Ainda que tenhamos ficado de fora do circuito de algumas bandas (King Diamond, Helloween, Hammerfall e Anthrax, sobretudo), tivemos ótimos shows aqui! Cito CINCO, na sequência de apresentação: Vimic / Megadeth, Metalmorphose, Accept & Zakk Sabbath! Esta resenha versará apenas sobre os gringos...

1.          VIMIC / MEGADETH (VIVO RIO, 01/11/2017)

a)         VIMIC: NUNCA fui (ou serei) fã do Slipknot. As a matter of fact, quando se apresentaram no RiR 2011, fui me deitar na grama (sintética) da Cidade do Rock... Também, depois de Matanza, Korzus, Angra, Sepultura, Coheed & Cambria e MOTÖRHEAD (meu último deles, snif snif...), como é que eu estava??? Então optei por ficar apenas ouvindo aquela “muralha” (oops!) polissônica que não me emociona (Sorry lovers / Hello haters)! Mas por que falar deles? Porque a saída/demissão/expulsão de Joey Jordison da banda será sempre algo mal e/ou não devidamente explicado. Assim sendo, saber da inclusão do Vimic como banda de abertura do Megadeth não me disse nada. Não sabia o que esperar...
A convite da @eventimbrasil (produtora do evento), adentramos o Vivo Rio com a expectativa nas alturas! Eram 20h (EM PONTO) quando Jordison (D) e seus asseclas (Jed Simon / Steve Marshall [G], Kyle Konkiel [B], Matt Tarach [KB] e o super-albino Kalen Chase [V]) tomaram o palco. Sua música tem (e não poderia ser diferente!) toques da ex-banda de Joey (que é um excepcional baterista!), mas, honestamente??? NÃO CONSEGUI CURTIR!!! As músicas têm andamentos esquisitos, com diversas “quebradas” de tempo... Na hora em que você acha que “vai”... NÃO VAI!!! O público (ainda reduzido) tratou o batera com reverência e (a banda com) respeito, mas o fato de ainda não terem lançado seu álbum de estreia e um show apenas morno (apesar de uma hora de duração), com músicas desconhecidas, contribuiu para certa indiferença... (este escriba incluso!).


Vimic (foto por Krill)
b)         MEGADETH: Desde que aterrissaram no RiR 1991, com a formação do Rust in Peace (Mustaine / Ellefson / Friedman / Menza – aclamada como a melhor da história da banda), que de forma mais ou menos contínua ela vem ao Brasil. Sua última passagem aqui foi em 2013, como banda de abertura do Black Sabbath (Apoteose), ainda com Shawn Drover (D) e Chris Broderick (G), que saíram logo após. A escalação de Kiko Loureiro (G, ex-Angra) e Dirk Verbeuren (D, ex-Soilwork) como membros efetivos trouxe certo entusiasmo em ver como seria sua “enésima” encarnação!
Eram 21:30h (sim, EM PONTO!) quando o telão passou sua tradicional abertura e, logo após, ladeados por algumas dezenas de fãs do Meet and Greet, Dave Mustaine e trupe adentraram o recinto, descascando logo de cara Hangar 18 que, na minha opinião, não fosse Holy Wars, ganharia o título de “melhor-música-best-of-de-todos-os-‘times’-do-RiP”! Calcando seu set no novo CD, levaram The Threat is Real, Conquer or Die!, Lying in State e a faixa título Dystopia, além daquelas “çuper-crássicas-crasse-A” que não podem faltar: Wake Up Dead, In My Darkest Hour, A Tout Le Monde, Symphony of Destruction e Peace Sells, ladeadas pelas excepcionais Take No Prisoners, Sweating Bullets (é muito comédia ver Mustaine conversando com ele mesmo!), Tornado of Souls e a apenas esforçada Trust (dava pra colocar outra melhor no lugar...). De MUITO espantoso veio Mechanix (provando que Mustaine deixou no passado suas diferenças com o Metallica – ou será que não e nunca???)...
Os novatos Dirk e Kiko provaram ter sido ótimas escolhas, ainda que o Brasileiro esteja contido, com pouca participação junto à galera, que o ovacionava de forma enlouquecida! Num show direto, mas curto (1:30h de duração), a volta teve como único bis a óbvia Holy Wars... The Punishment Due, que levou o público ao êxtase! De forma simpática, mas sem muitas firulas, bye bye Rio!

Dave Megamorte e sua trupe (foto por Krill)
2.          ACCEPT (TEATRO RIVAL, 11/11/2017)

Sabe aquelas bandas que você acha que NUNCA conseguirá ver aqui? Pois é. Para mim, o Accept SEMPRE teve essa aura! Nas suas idas e vindas, ao longo de seus 40 anos (!) de carreira, com intermináveis e inesgotáveis “brigas e pazes” com o baixinho Udo Dirkschneider, já tinha me conformado com o inevitável. Mas eis que... Udo’s OUT, Mark Tornillo’s IN e... ACCEPT NO BRASIL (abrindo para o Judas Priest, num abarrotado Vivo Rio [23/04/2015] e Imperator [09/04/2016])!! Shows irrepreensíveis, com uma banda afiada, que resiste ao tempo no “núcleo duro” composto por Wolf Hoffman (G/V, o melhor clone de Bruce Willis que você verá na sua Vida!) e Peter Baltes (B/V), aliados ao já citado Tornillo (V, ex-TT Quick), Uwe Lullis (G/V, ex-Grave Digger / Rebellion) e Christopher Williams (D/V, ex-Kid Rock, Blackfoot & War Within). E foi assim que vieram para sua terceira apresentação no RJ, divulgando seu novo CD (o primeiro com a nova formação). Na fila (pequenina), algumas questões: o quanto de público compareceria? (O Rival comporta apenas metade de público do Imperator, onde o show já fora um tanto esvaziado) e, pior... Haveria? O de Fortaleza fora cancelado (por problemas no avião/aeroporto)... Mas daí encostou uma van e saltaram os cabruncos!

Bruce Willis teutônico, Baltes, Lullis e tio Parafuso

Lá dentro, a espera durou mais que deveria... Mas às 21:30h o pano que cobria a bateria foi retirado, e Christopher recebeu os aplausos dos cerca de 300 (!) abnegados presentes. Logo em seguida, vieram os demais (num palco diminuto, dada a cenografia da banda) e largaram, de cara, Die by the Sword, emendando com Stalingrad (poderosa, ao vivo!) e as clássicas Restless and Wild, London Leatherboys e Livin’ for Tonite. Do novo álbum, e seguindo sua sequência vieram a faixa título The Rise of Chaos, Koolaid, No Regrets e Analog Man. A partir daí, Final Journey e Shadow Soldiers se apresentaram como novas clássicas (JÁ VIRARAM!), mas é claro que o povo quer as “Udonianas”: Neon Nights, Princess of the Dawn, Midnight Mover, Up to the Limit e Objection Overruled provaram que Tornillo não é “apenas mais um baixinho com voz de pato rouco”, mas que calçou os sapatos do Udo e os remoldou em seus próprios pés, sem deixar dúvidas sobre sua competência nem saudades do Urtigão Ranzinza (pleonasmo vicioso, eu sei!). Pandemic veio destruindo, mas... O ano foi 1982. O termo Heavy Metal, supostamente cunhado vinte anos antes por William S. Burroughs abrangia toda uma gama de sons altos, distorcidos e aparentemente relacionados ao que o Black Sabbath fazia desde 1968... Mas ao se colocar o LP “Restless and Wild” para tocar fomos (e somos) brindados com a curiosa abertura de uma música folclórica alemã, seguida pelo inconfundível som da agulha raspando no vinil e um berro de assustar (lembra do ano?), seguido da música que reputo como a primeira canção de thrash metal da história!: Fast as a Shark, que ao vivo assume contornos assustadores, de tanta força, energia e violência que libera!!! Pausa para um breve descanso, e a volta vem com Metal Heart, Teutonic Terror e a infalível Balls to the Wall!! Na saída, os sorrisos da banda, aliados àquele calorzinho “gostoso” do Rio pré-verão diziam como eles se sentiam... O bom do Accept é que se você não conhece as letras fazer um ÔÔÔÔ já ajuda, e bastante! O carisma, presença de palco, talento e coreografia da melhor banda teuto-americana do mundo faz o resto! Que voltem logo, porque ficamos otimamente bem acostumados!

Teutonic Terror

3.          ZAKK SABBATH (CIRCO VOADOR, 17/11/2017)
Com o “The End” dos mais longevos dinossauros do Heavy Metal, abriu-se uma lacuna que jamais será fechada. Não há banda nesta Terra plana (Planeta – ironic feelings!) que possa fazer o que o Black Sabbath fez. E PONTO! Então, só nos restará, doravante, ver/ouvir seus CDs / DVDs e pior: “aturar” os clones/repetidores/imitadores do BS (EU MESMO participo, como vocalista (se o Ozzy pôde, por que não este escriba?), de uma bagaça dessas)!
Assim, foi sem espanto que no início deste ano soube que Zakk Wylde (G/V, Ozzy Osbourne / Black Label Society), Rob “Blasko” Nicholson (B, ex-Rob Zombie / Ozzy Osbourne) e Joey Castillo (D, ex-Danzig / QOTSA) montaram um projeto, singelamente nomeado Zakk Sabbath. Convenhamos: QUEM TEM MAIS MANHA que Zakk de colocar algo assim pra funcionar? Guitarrista de longa data do Quiropterófago Dislálico e tour-partner dos pais do Heavy Metal... O vídeo de War Pigs me convenceu que havia ali algo espontâneo e forte, ainda que apenas um projeto, já que o BLS está plenamente ativo, e ele voltou a tocar/gravar/excursionar com o Madman. Blasko é um monstro nas quatro cordas, e Joey (que vi com o Danzig no Imperator, num distante 22/06/1995 [lembrem-se de que o Trevas afirmou que já vi mais shows do que melecas foram comidas por muita gente ao longo da Vida!...]) é um baterista fenomenal!
Ao saber que o ZS viria ao Brasil, e melhor, ao Rio e, muito mais melhor de bom ainda, ao Circo Voador, comprei meu ingresso sem pestanejar! Sabia que não há como dar errado juntar músicos como os três com a música inspiradora e atemporal do Black Sabbath!

Trio Urtigão (foto por Krill)

Adentrei o solo sagrado da música carioca/brasileira e de imediato colei logo o quanto pude junto ao palco. Em apenas 30min de casa aberta já havia cinco filas de camisas pretas à minha frente! Mas isso seria temporário, como todos que vamos a shows de metal sabemos... Às 21:35h aquela indefectível introdução de chuva, raios e sinos dizia que... O MONSTRO estava ali! Empunhando de imediato uma belíssima Gibson Les Paul Custom Signature roxa (que ao longo do show trocou por outras iguais), Zakk e seus comparsas assomaram ao palco, iniciando a debulhação de imediato com a trinca Supernaut / Snowblind / A National Acrobat! Na voz, Zakk emula muito bem o “Patrão”, além de ter cartazes plastificados com as letras abaixo dele, que eram trocados por seu roadie particular a cada música! Nos solos, ele abusa de sua técnica e “fritação”, tocando com a guitarra por trás da cabeça (diversas vezes ao longo do show!) alongando-os de maneiras que Tony Iommi, soberbo e preciso em sua economia, jamais pensou fazer! Mas e daí? Era Sabbath, PORRA! À essa altura, a galera sedenta queria algo mais visceral, que veio na forma de Children of the Grave e aí o Inferno abriu suas portas! Aquele “calorzinho bom” se transformou numa sauna fedegosa, com a abertura de uma roda carniceira! A pista, que estava muito cheia se tornou local para bravos e/ou insanos, por que a porradaria estancou, e dicumforça! PRA PIORAR, Zakk desceu ao fosso, onde ficou tocando por infindáveis minutos (com a guitarra por trás da cabeça!), e jogando sua palheta para a pista, fazendo metade dela espremer os próximos à grade (eu incluído, obviamente!)... Sem pausa, vieram Lord of This World, Under the Sun / Everyday Comes and Goes e uma improvável (e inesperada) Wicked World! O entrosamento entre os três fazia com que bastasse um rápido olhar para trocarem de música! Fairies Wear Boots foi emendada direto com Into the Void!! Soberbo!! Espetacular!! Hand of Doom trouxe a apresentação dos músicos, seguida por Behind the Wall of SleepBassicallyN.I.B. Mais descidas de Zakk ao fosso, mais debulhação por trás da cabeça, mais espremeção... TUDO NORMAL!!!

Blasko (foto por Krill)

Sem ser exatamente um bis, pois a banda não se retirou, as luzes se apagaram para começar aquela sirene de ataque aéreo, que prenuncia War Pigs, executada de forma crua (Zakk solou com os dentes!), e o coro do Circo Voador estremeceu a velha lona (veja nos links dos vídeos). Ao final do espetáculo, uma faixa homenageando Dimebag Darrel foi lançada ao palco e exibida pela banda, sob estrondosos aplausos! Aquela gorilice de praxe do Zakk e lá se foram eles...


Zacarias "Ursão" Selvagem (foto por Krill)


É lógico que jamais imaginaria Mr. “Goes Wylde” tentando cantar algo das outras fases do BS, mas ficou um gostinho azedo de “quero mais”, já que nos USA tocaram Never Say Die (a melhor faixa desprezada do igualmente desprezado álbum!) e não fizeram clássicos icônicos como Sympton of the Universe, Black Sabbath, Iron Man e o hino dos hinos Paranoid...

Set: https://www.setlist.fm/setlist/zakk-sabbath/2017/circo-voador-rio-de-janeiro-brazil-73e0e231.html










P.S.: Digno de nota é o fato de que no mesmo dia e hora, a poucos metros do Circo, o Obituary se apresentou no Teatro Odisseia (uma banda que AINDA não tive chance de ver, mas Sabbath supera tudo)!
É isso, espero que tenham gostado de ler, assim como gostei de escrever! E, mais uma vez, obrigado ao Trevas pela oportunidade!
Freddy Krill.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Accept – The Rise Of Chaos (Cd-2017)

Accept - The Rise Of Chaos

Chucrute Requentado
Por Trevas

Décimo quinto disco de estúdio do combo teutônico de Heavy Metal liderado pelo guitarrista e clone do Bruce Willis Wolf Hoffman, The Rise Of Chaos veio ao mundo com a perigosa missão de manter o altíssimo padrão de qualidade dos três discos anteriores, que proporcionaram um segundo surto de popularidade junto aos fãs antigos e que angariaram uma tonelada de novos fãs à banda.


Accept detonando em seu retorno

Só que dessa vez o desafio ainda se faz maior, já que os colaboradores de longa data Herman Frank e Stephan Schwarzmann resolveram abandonar o barco. Para o lugar deles foram chamados Uwe Lulis (guitarrista que fez fama junto ao Grave Digger) e o relativamente desconhecido Christopher Williams. De resto, temos novamente Tornillo nos vocais, com Peter Baltes no baixo e o patrão nas guitarras e, muito provavelmente (tendo em vista que não há créditos para as músicas no encarte), assinando as composições. A produção caiu de novo no colo do mestre Andy Sneap, uma parceria que vinha funcionando muito bem até o momento.

Die By the Sword é bem menos frenética que as faixas de abertura que acostumamos escutar nesse glorioso retorno. No entanto, o bom refrão e o exímio trabalho de guitarras acabam por vencer e fazem desta um dos destaques do disco.



Mas a dobradinha que vem a seguir faz a empolgação com o novo disco cair bastante. Hole In the Head até tem uma interessante interpretação Bon Scottiana nos versos, mas se perde em um andamento morno e um refrão desinteressante. Já a faixa título, ao que parece ganhou esse status por que compila o clima distópico que permeia a maioria das letras do material, uma faixa bem mais ou menos.



Koolaid pode até ter se inspirado um pouco além da conta em Thunderstruck, mas é muito mais cativante que suas colegas de repertório, enfim uma boa música, com o baixo de Baltes e as boas melodias de Tornillo dando o tom aqui. No Regrets é outra boa faixa, com refrão bacana e andamento pesadão.




Analog Man inicia com o som de uma fita rebobinando e termina com aquele velho tom de modem discado, para emoldurar uma letra legal, que fará muito coroa se identificar. Entretanto, a chupada que o pré-refrão dá em Balls to the Wall só vem evidenciar que talvez a banda devesse dar um tempo maior em seus lançamentos. Até faixas legais como What is Done is Done e Worlds Colliding tem seu poderio diminuído pela sensação de que a banda fizera as mesmas músicas de maneira mais inspirada nos discos anteriores.



Accept dessa vez está parecendo aquele meia alemão veterano que não volta para marcar

A produção de Andy Sneap tentou tornar o produto final menos parecido com seus irmãos mais velhos, apostando em músicas menos longas, um som um pouco mais dinâmico e menos pesado e com gang vocals bem mais discretos na mixagem. Mas sem muito sucesso, Carry the Weight segue a toada de músicas apenas boazinhas e os 46 minutos da bolachinha se encerram com a pouco inspirada Race To Extinction.

Saldo Final

The Rise Of Chaos é um disco legal, se você for um fissurado por Heavy Metal tradicional, dificilmente se sentirá incomodado com suas dez faixas. Mas é impossível não notar uma queda criativa em relação aos discos anteriores. A continuar nesse caminho, periga o Accept se tornar uma pálida imitação de si mesmo, coisa que o gnomo do UDO já faz a muito tempo em sua errática carreira solo, diga-se.


NOTA: 7,40

  
Gravadora: Shinigami Records (nacional).
Pontos positivos: Ainda é Accept e tem bons momentos
Pontos negativos: começa a soar como comida requentada
Para fãs de: Accept, UDO, AC/DC
Classifique como: Heavy Metal




domingo, 10 de abril de 2016

Accept – Blind Rage Tour (09/04/16 - Imperator – Rio de Janeiro/RJ)



Terror Teutônico, Suor Brasuca
Fotos e texto, por Trevas

O sucesso da passagem do Accept pelo Brasil no ano passado, abrindo os shows do Judas Priest e participando do Monsters of Rock (ver resenha aqui) foi tamanho que a banda teutônica resolveu retornar dentro da mesma turnê. Mas dessa vez eles são o prato principal dos eventos, contando com repertório completo e tocando para os próprios fãs.

Baltes regendo o Monsters 2015
E quem achava que o retorno em tão pouco tempo faria o show ficar esvaziado, se enganou. O renovado Imperator podia não estar entupido de gente, mas havia público mais que suficiente para ajudar a noite a se tornar memorável.

Sim, por que num show do Accept, diferentemente do que ocorre com muita banda por aí, o público participa e faz a diferença. Tudo facilitado pelas grandes composições da banda nessas mais de três décadas de discos clássicos. Ao contrário de boa parte das bandas clássicas do heavy Metal, o poderio do repertório do Accept não se esconde totalmente no passado, o que pudemos conferir com o início com um trio novo e arrasador: Stampede abriu o show de maneira acelerada, e nem o som confuso, corrigido aos poucos durante as cinco primeiras músicas, foi capaz de privar o Imperator de uma torrente impressionante de energia, fruto de uma incível sinergia Público/banda, que já se mostrou quase palpável no pula-pula instaurado no transcorrer da já clássica Stalingrad. Hellfire também foi muito bem recebida, seguida pelo primeiro resgate do passado sob a forma de London Leatherboys.

Accept - ou ao menos 4/5 do Accept
O sessentão Mark Tornillo, a despeito de sua performance algo tímida e seu jeito Bon Scottiano, canta perfeitamente o material da era UDO, e parece não se importar nem um pouco em entregar os holofotes de verdadeiro Frontman da banda ao incansável patrão Wolf Hoffman. Wolf continua com suas guitarras afiadíssimas, dividindo essa responsabilidade com o veterano Uwe Lullis (ex-Grave Digger), e rege o público como um maestro, destilando poses caras e bocas em profusão.

Wolf regendo sua orquestra de brasileiros suados e felizes
Peter Baltes, o outro remanescente da fase clássica, também vaga pelo palco com muita autoridade, seu baixo marcante e backing vocal preciso dando cores à clássicos como Living For Tonite, Midnight Mover, Starlight, e engrandecendo os ótimos sons novos (Shadow Soldiers, Final Journey, Dying Breed). O novo baterista, Christopher Williams (Blackfoot, John Corabi) demonstrava imensa felicidade em estar ali, tocando muito bem e com estilo performático casando com a proposta da banda.

Vovô Tornillo gastando o gogó

É o Bruce Willis na guitarra?
Tornillo em seu malemolente momento Bon Scott


O repertório contou com 21 músicas, abrangendo quase toda a discografia, com destaque para Princess of the Dawn, Teutonic Terror, Balls To The Wall e Metal Heart, todas elas contando com os emocionados “ôôôô” dos cariocas. De surpresa, Son Of A Bitch, ainda que ela tenha custado a saída de Breaker do set de quase duas horas de duração. Um espetáculo vigoroso que agradou tanto aos novos fãs quanto aos veteranos que nunca haviam assistido a banda em seus tempos áureos. Um daqueles shows que fazem a gente lembrar o por que amamos tanto o Heavy Metal em sua forma mais pura. Inesquecível! (NOTA:10)  


terça-feira, 28 de abril de 2015

Monsters Of Rock 2015 - Arena Anhembi - São Paulo (25 e 26.04.15)



Monsters Of Rock 2015
Texto e fotos por Trevas

Realizado nos dias 25 e 26 de abril na Arena Anhembi, o festival desse ano focou seu cast majoritariamente em bandas veteranas, apostando num público um pouco mais velho (e potencialmente mais apto a consumir). Separei a resenha em duas partes, a primeira focada na estrutura em si, a outra nas performances das bandas.

PARTE I – O FESTIVAL

O festival Monsters Of Rock, marca famosa na Europa da década de 1980, sempre esteve diretamente correlacionado ao heavy Metal e Hard Rock. Aqui no Brasil, foi realizado algumas vezes na década de 1990, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Assisti duas edições, a última em 1998. Essa edição foi apoteótica, contando com Korzus, Dorsal, Glenn Hughes, Saxon, Savatage, Dream Theater, Manowar, Megadeth e Slayer. Um cast para lá de caprichado. Ano passado o evento voltou a ser realizado, centrado numa mistura de duas eras diferentes do rock pesado, confrontando nomes como Limp Bizkit e Whitesnake. Pela segunda vez sediado na Arena Anhembi, como é comum em eventos desse porte, o Monsters 2015 viveu entre erros e acertos.

Ingressos
Primeiro ponto negativo dessa edição, foi um absoluto parto adquirir ingressos pela internet. Os preços, pouco convidativos de início, logo se tornaram abusivos conforme os lotes de ingressos se sucederam. Aliás, esse esquema de lotes com preços diferenciados me parece realmente ridículo.

Acesso
Principal ponto negativo para muitos, pois no sábado a média de espera na fila para adentrar a Arena foi de uma hora e meia. Inexplicavelmente, quando nos aproximávamos do único portão aberto (19), tudo transcorria velozmente e ficamos sem entender o motivo de tanta retenção. O problema poderia ter sido resolvido com uma melhor orientação ao longo da fila, ou melhor ainda, com outro portão de acesso disponibilizado. No domingo tudo transcorreu sem entraves e adentrei a Arena em menos de 2 minutos, ainda que o número do público tenha sido o mesmo do dia anterior. Nas catracas, outro problema, ao contrário do anunciado no site, os funcionários impediam a entrada de água em embalagens plásticas.

Próximo à fila, o jeitinho brasileiro: uma casa oferecendo o prazer de uma cagada por preço módico
Atividades
Um espaço chamado Galpão do Rock trouxe dezenas de stands vendendo acessórios e roupas ligadas à cultura rocker, dentre outras atividades. Ao longo da Arena também tivemos a disposição um stand de venda de vinil e diversos stands vendendo merchandise das principais bandas do festival e do próprio evento. Os preços variaram de R$60 (as camisetas mais vagabundas) a salgados R$250 (moletons). Apenas o Manowar montou um stand próprio para seu merchandise e todos os stands contavam com máquinas para pagamento em cartão. Um stand de promoção do filme Mad Max inovou ao fazer maquiagens e penteados inspirados no visual pós apocalíptico do filme naqueles que se dispusessem a enfrentar uma fila de pelo menos meia hora. Também haviam barracas de revistas especializadas e de um selo de cds.

O Galpão do Rock
Stand Mad Max
Alimentação e bebida
Dezenas de stands e bares foram espalhados ao longo da Arena, e os caixas também estavam presentes em número satisfatório. Durante os shows foi bem tranquilo se alimentar ou comprar bebidas, as filas ficavam bem pequenas. O esquema de pagamento nos caixas consistia na conversão de uma quantia em fichas do festival (Monster Money), cada ficha equivalendo a R$3. Seria um esquema bem bacana, não fosse a maioria dos bares situados na arena limitados a receber o pagamento em dinheiro vivo, assim como todos os ambulantes. Esse fato, somado ao abusivo e estratégico valor de R$ 9 cobrado por uma simples lata da pavorosa Budweiser, resultou em uma picaretagem homérica: a maioria dos ambulantes, geralmente mais para o final do dia, vendia as latinhas a R$10. Quando interpelados, colocavam a desculpa na falta de troco de R$1,00. Os alimentos, em sua maioria sanduíches, também custavam bem caro. Uma pequena porção de batatas fritas valia R$12, um pacote médio de pipoca saía a R$10. A maioria dos sanduíches não ficava por menos de R$18. Foi instalada uma área gourmet concentrando os stands de comida e algumas mesas, que serviam de salvação aos pés cansados ao fim do dia.

Bares e lanchonetes em profusão
O (desvalorizado) dinheiro metálico
A área gourmet e suas mesinhas salvadoras
Som e palco
O som da grande maioria dos shows foi no mínimo muito bom, embora talvez um pouco baixo para aqueles que optaram por assistir mais de longe para se afastar da muvuca. As exceções se deram nos shows do Manowar e Malmsteen, no domingo. Provavelmente muito mais por culpa das bandas e suas trupes, ao que pareceu. Visualmente o palco estava muito bonito, com um grande telão ao fundo que engrandeceu até mesmo as apresentações iniciais de cada dia. A torre no meio da Arena atrapalhou um pouco a visibilidade e o palco baixo, somado aos não tão grandes três telões (dois laterais e um na torre) acabou por limitar a experiência para aqueles que assim como eu, são desprovidos de altura. De negativo, apenas destacaria a insistência do som mecânico em músicas do Pantera no sábado. Até os fanáticos pela banda devem ter saído enjoados de escutar as mesmas músicas.

Vista do palco no show do Kiss
PARTE II – OS SHOWS

Primeiro dia – 25.04.15

Cast do primeiro dia de festival
(perdi o primeiro show do festival, com o De La Tierra, por pura incompetência minha, mesmo)

Primal Fear
Do lado de fora numa fila infinita, meus ouvidos foram inaugurados nesse Monsters ao som do Primal Fear. Som perfeito, repertório aparentemente equilibrado e Ralph Scheepers gritando a todos os pulmões. Acho o careca fortão extremamente competente, mas muito chato. Prefiro mil vezes o patrão e baixista Matt Sinner cantando, mas quem é fã dos caras aparentemente teve todos os motivos para ficar feliz. Ah, cabe ressaltar que essa foi a estreia do Brasuca Aquiles Priester tocando com eles em território tupiniquim, e o cara tocou bem como sempre.

Coal Chamber
Um dos ícones do Nu Metal, rótulo que soa anacrônico diga-se, o Coal Chamber foi a primeira banda que pude conferir já dentro da arena. Começando com a matadora Loco, Dez Fafara e sua trupe pareciam algo deslocados no cast desse ano, mas fizeram um show honesto, e por isso mesmo receberam uma acolhida respeitosa e em alguns momentos até mesmo positiva. Algumas músicas do vindouro álbum de retorno adornaram o set, fazendo do show algo mais que uma viagem nostálgica aos anos de ouro do infame Nu Metal. Um show correto (NOTA 5).

Nadja e Dez falharam em conquistar o público
Rival Sons
Já enchi a bola do som dos caras na Cripta em outras ocasiões, mas confesso que não sabia muito o que esperar do show dos americanos, ainda mais se considerarmos que eles são desconhecidos do grande público. O som retrô dos caras parece ter conquistado em definitivo boa parte dos metalheads presentes, ainda que tenham insistido em duas ocasiões em jams um pouco longas demais para um festival. Facilita em muito o fato das músicas trazerem muito de Led, The Who, Doors e afins. Ah, e o afetadíssimo Jay Buchanan pode concorrer facilmente ao posto de vocalista revelação do evento, tamanha a qualidade de sua performance vocal. Um showzaço que deve ter angariado muitos novos fãs à banda (NOTA 8,5).

Rival Sons, a grande surpresa do festival (para aqueles que não leem a Cripta, claro)
Black Veil Brides
A inclusão do Black Veil Brides em meio a um cast tão tradicional certamente foi uma aposta arriscada. Amparados por um visual que fica em um meio termo entre o Motley e o gothic rock (lembrando uma versão juvenil do 69 Eyes), o BVB faz um som que em muito lembra uma versão de segunda divisão do Avenged Sevenfold. Tudo extremamente técnico e até mesmo com alguns momentos bem pesados, mas creio que o visual carregado e a aparência de Justin-Bieber-do-mal do vocalista Andy Biersack (disparado o ponto fraco da banda, diga-se) tenham jogado por terra as chances da banda em conquistar o Monsters. Mas aqui cabe uma ressalva, você tem todo o direito do mundo de não gostar dos caras, mas hostilizar e tacar garrafas no palco? Atitude desnecessária e infantil, que só mostra nossa incapacidade como público de curtir festivais. Os festivais de verão na Europa misturam desde Black metal a AOR sem que esse tipo de imbecilidade aconteça. Não quer assistir, o evento tem várias opções de diversão, vá curti-las e volte na hora do show que você tanto quer curtir. Também não concordo com a atitude do vocalista, de choramingar e fazer com que a banda encurte seu set. os babacas eram uma minoria e abandonar o palco foi um desrespeito ao não tão pequeno contingente (em sua maioria meninas) que foram ao evento só para ver o BVB. Ou seja, bola fora dos dois lados (NOTA 6).

Perdão, criançada, Tio Trevas não aprovou nem um pouco as vaias!
Motörhead
O mal-estar causado pelos problemas no show do BVB foi amplificado ao máximo quando um dos produtores do evento adentrou o palco para dar a temida notícia: Lemmy estaria com grandes problemas estomacais e teria sido impedido de tocar. As poucas vaias foram logo suplantadas por um ensurdecedor silêncio e por uma espontânea perplexidade. Um dos grandes bastiões do rock pesado mostrando a crua realidade, até as lendas uma hora enfrentam de frente sua mortalidade. O anúncio da corajosa Mimi-Jam entre ¾ do Sepultura junto a Mickey Dee e Phil Campbell pouco ajudou a diminuir a sensação de perda iminente: muito ali estavam no festival somente para ver o Lemmy, alguns por ser a primeira vez, a maioria por imaginar que aquela poderia ser a última chance de ver o tio Crocotó detonando. A Jam durou apenas três músicas e se representou um momento único na história do rock, poucos ali pareceram perceber. Andreas, com Paulo e Derrick fizeram um esforço bonito ao ajudar Mickey e Phil, mas tudo soou amargo demais aos ouvidos da ainda incrédula plateia.

O telão anunciando uma promessa não cumprida. Melhoras, tio Crocotó!!!
Judas Priest
Coube aos Metal Gods a tarefa árdua de restaurar o ânimo do público, e com um set ligeiramente aumentado em relação ao previsto, tomaram as rédeas da Arena Anhembi com propriedade. Um Rob Halford que até dois anos atrás estava em uma situação bastante delicada de saúde que quase o impediu de andar em definitivo, agora andava pelo palco cantando absurdamente bem, mesmo do alto de seus 63 anos. O repertório, que trouxe boas novas faixas (Dragonaut, a muito bem recebida Halls Of Valhalla e Redeemer Of Souls) com clássicos absolutos (Victim Of Changes) e algumas surpresas (Love Bites, Jawbreaker e Devil’s Child) agradou a todos, fazendo deste um dos melhores shows que já presenciei da banda, e certamente um dos destaques do festival. The Priest is Back!! (NOTA 9).

Rob fazendo graça com a bengala, uiuiui
Ozzy Osbourne
Com meu combalido joelho em frangalhos, presenciei metade do show do Madman, o suficiente para perceber três coisas: 1. Gus G, Blasko e Clufetos formam um time e tanto, certamente uma das melhores formações da banda do Ozzy, e o tempo dará razão a isso; 2. O repertório quase idêntico ao da última passagem do comedor de morcegos por aqui, privilegiando material do Sabbath em detrimento aos sons da carreira solo, absolutamente difícil de entender, tendo em vista a passagem do BS por aqui recentemente; 3. Das quatro vezes que vi Ozzy em ação, essa foi disparado a pior em relação a performance vocal. Fairies Wear Boots e War Pigs foram absolutamente assassinadas. Bom, de qualquer maneira, trata-se sempre de um show divertido e impactante, em especial para os marinheiros de primeira viagem (NOTA 7).

Ozzy trazendo seu manicômio a São Paulo
Segundo dia – 26.04.15

Cast do segundo dia do evento
Dr. Phoebes
Desconhecia o trabalho dos caras e presenciei apenas o final, com presença de uma dançarina fazendo um número de pole dance no palco. Pareceu um rock pesado e competente, e obviamente foi bem recebido pelo público presente. Ponto para os caras, mas não tenho como avaliar.

Dr. Phoebes e sua arma secreta
Steel Panther
Difícil expressar em palavras o grau de diversão que esses caras proporcionaram sem parecer um pouco bobo. O show do Steel Panther poderia ser resumido em um esquete de comédia, todos na banda tem seu papel e o desempenham com louvor e a profusão de piadas de baixo calão com enorme foco nas referências sexuais poderia causar alguns narizes torcidos. Mas tudo isso ainda é adornado com músicas excelentes tocadas por músicos bem acima da média, então se você não é fã da gaiatice, pode ainda assim curtir o som. Bom, e no ramo das gaiatices, nada mais próprio (ou seria impróprio?) que piadas sobre a sexualidade e idade avançada de alguns dos caras (todos eles figurinhas carimbadas da cena Californiana), sobre o tamanho diminuto dos membros dos membros e até mesmo uma impagável sacaneada dos insuportáveis solos de baixo do bobalhão Joey De Maio. Some isso tudo com uma profusão de belos peitos sendo mostrados e temos aí um dos grandes shows do evento todo (NOTA 9).

p.s.: Só não consegui até agora entender a garota chorando horrores no refrão de Community Property (cheque a letra e entenda...).

Satchel e Starr detonando no monsters
Yngwie Malmsteen
O sueco grandalhão sempre teve o talento proporcional a seu ego, e ele tem um ego Godzillico. Então, mesmo sabendo que os bons tempos ficaram bem para trás, estava bastante curioso em conferir o show de um dos maiores guitarristas em todos os tempos. Problemas técnicos intermináveis atrasaram um bocado o início do show, e quando o mesmo teve início, que decepção, Malmsteen conseguiu cagar os solos da fantástica Rising Force. E a banda do cara parece um apanhado de xepa da feira, disparado a pior formação que ele já teve. Um tecladista (bom) que pessimamente se desdobra nos vocais e uma cozinha meia boca. Mas o que impressiona mesmo é o desleixo do outrora mestre do rock neoclássico com seus timbres e solos, comendo muitas notas e fazendo muita pose e pouco som. Um fiasco completo (NOTA 2).

Malmsteen 2015, apenas um borrão do que já foi um dia...
Unisonic
Qualquer coisa com Kiske nos vocais me faz querer estar em uma caverna isolada no Afeganistão, milhas de distância de qualquer emissão sonora. Mas respeito Kai Hansen, que acho um bom guitarrista e um puta showman. Bom, o Unisonic não me fez mudar de ideia sobre o Kiske. Um metal europeu para lá de melódico e pasteurizado, como era de se esperar. Mas claro, tudo muito bem tocado. Kiske envelheceu, mas sua voz não sentiu tanto, atingindo uma maturidade que em muito lembra o que aconteceu com o Geoff Tate (Queensrÿche). Acredito que os fãs de metal melódico, afeitos a esses shows bonitinhos e de certa forma distantes do conceito do Heavy metal não tenham nada a reclamar. Eu aproveitei e assisti o show à distância, comendo um bacon burguer, que tem muito mais potássio, atitude e energia em 200 gramas de carne do que em uma hora de show dos caras (NOTA 6).

Accept
Precisou outro combo alemão para mostrar aos garotos leite com pera como se faz. O Accept aproveitou cada um dos minutos de sua apresentação para destilar em alto e bom tom todos os bons clichês do heavy metal clássico. Guitarras esporrentas, bateria cavalar, baixo competente e um vocal que parece ter feito gargarejo com cerol entoando petardos que usam sim de melodia, mas na medida certa, sem Abdicar do peso. A reta final, com Teutonic Terror (recente e já clássica) e Balls To The Wall levantou até defunto. E Mark Tornillo definitivamente faz com que a ausência do anão UDO mal seja sentida. Em suma, o Accept veios em muito alarde e simplesmente destroçou, fazendo aquele que muito consideraram ser o melhor show do festival. Matador! (NOTA 10).

Accept fazendo mais um gol para a Alemanha!

Manowar
O show no Monsters Of Rock de 1998 corou triunfalmente o Manowar no coração dos headbangers nacionais. Eu estava lá, e gaiatices à parte, foi destruidor! Que diferença... o Manowar até começou muito bem, mas chafurdou seu bom repertório num som horroroso. Em quase todo o show o que se ouviu foi o sempre ótimo Eric Adams cantando em cima das linhas de bateria, entrecortado por solos de guitarra e o pior som de baixo que já ouvi. Poderia se culpar o som do evento, mas curiosamente Accept veio antes, som perfeito, Judas veio depois, som perfeito... E o babacão do Joey de Maio com suas bravatas soa como o Steel Panther, só que com uma pequena grande diferença: ele se leva à sério. Absolutamente triste. E o cara ainda tirou onda por falar português, talvez se esquecendo que os gaiatos da Califórnia já tinham falado algumas piadas em bom português horas antes. O sentimento de vergonha alheia tomou conta de muitos, e olha que o público estava bem receptivo. Na plateia, uma profusão de gorilas musculosos sem camisa, se abraçando e chorando, bêbados e provando que o excesso de testosterona se aproxima demais da veadagem absoluta. Assistindo essa apresentação e tentando lembrar o último disco razoável dos caras, me peguei pensando que é hora de programar a aposentadoria: talvez seja melhor dividir o preço do psiquiatra com o Malmsteen. Pífio! (NOTA 4)

p.s.: Ah, sim, teve a participação de Robertinho do Recife, mas ao que parece poucos entenderam quem era.

Judas Priest
Assistir dois shows seguidos de qualquer banda pode ser um pouco desanimador, certo? Sim, mas a fase do Judas está tão boa que fiz questão de ver tudo de novo. Uma ou duas músicas foram trocadas em relação ao show da noite anterior (saiu Love Bites, infelizmente) e Halford estava um tiquinho menos inspirado. Ainda assim um grande show que terminou com uma performance apoteótica de Painkiller seguida de Living After Midnight, a música mais Kiss que o Judas já fez. Muito bom. (NOTA 8)

Kiss
Com quase uma hora de atraso, o Kiss assombra o palco com o costumeiro festival pirotécnico. As pessoas esquecem que fosse somente pela pirotecnia, o Kiss não teria tamanho longevidade e/ou adoração na cena. O grande trunfo dos caras são as músicas: Detroit Rock City, Creatures Of the Night, Psycho Circus, Deuce, God Of Thunder...até mesmo Parasite deu as caras!!! Um show perfeito, certo? Infelizmente não. Paul Stanley está com um físico privilegiado em sua idade, mas ao contrário de Halford, seus 63 anos transparecem por inteiro em sua voz. O cara mal consegue falar, quanto mais entoar os hinos imortais da banda. A voz de Gene também já viveu dias melhores e fica impossível nãos sentir uma pontada de desapontamento em relação ao que se ouviu ontem, a despeito da superprodução e do repertório muito bem escolhido. Ainda assim, um show para lá de empolgante (NOTA 7)

Gene, lá do topo do mundo!
Saldo Final
O triste imprevisto em relação ao Motörhead não pode ser levado em consideração, assim como a má forma de algumas atrações. Ao que pude constatar com quem compareceu na edição do ano passado, o Monsters Of Rock melhorou em termos de estrutura e o som beirou a perfeição na maioria dos shows. A diversidade de stands e afins tornou a experiência de passar o dia no meio de nossos iguais, curtindo um monte de coisas que fazem referência ao universo que tanto amamos, ao som de grandes bandas, uma oportunidade única. E o melhor, em território brasileiro! Particularmente, reencontrei em mim uma paixão pelos shows que vinha aos poucos esmorecendo. O melhor ponto foi a sensação de igualdade, as bandas que tocaram no início da tarde dispondo de ótimo som e do telão fantástico. Afora os já relacionados entraves na organização, o grande ponto negativo foi a notada ausência de nomes brasucas no cast. Sem nenhuma patriotada, temos nomes que podiam muito bem entrar no lugar da galera xepa da feira, como atualmente são o Manowar e Malmsteen. Que venha a edição 2016!!