Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
Um dos baluartes do Death Metal em sua forma mais simples,
a banda polonesa Vader chega ao seu
12º trabalho de inéditas contando com uma formação estabilizada e fixa desde
2011. O disco contou com produção de ScottAtkins, o mesmo responsável por Scriptures, do Benediction, e foi lançado em solo Brazuca pela ShinigamiRecords.
Piotr sonhando acordado com um gorduroso X Bacon
E o que temos aqui é mais uma demonstração da mais pura grosseria polonesa,
cortesia de PiotrWiwczarek (voz e guitarras) e sua
trupe. Shock And Awe faz justiça ao
nome e a faixa de trabalho IntoOblivion nos lembra que os caras tem as
manhas de colocar elementos grudentos em meio à porradaria. Os 78 segundos de Despair e a quase épica (mais de 3
minutos!) IncinerationOfTheGods esfregam em nossos combalidos
tímpanos o absurdo que é a performance do moedor de carnes que atende pelo nome
de JamesStewart. O cara deve perder uns 7 kg por show tocando bateria desse
jeito!
O disco não deixa tempo para respirar e muito menos pensar, mas se assim
o fizesse, talvez desse para processar a informação de que não há nenhuma novidade
por aqui. Até mesmo na escolha do divertido cover para os patrícios do AcidDrinkers, DancinginTheSlaughterhouse, o Vader não faz questão de se aventurar
muito fora de sua zona de conforto. Mas quando sua zona de conforto rescende a
enxofre e garante meia hora de devastação sonora como a que ouvimos aqui, quem
se importa? Mais um disco matador! (NOTA:
8,57)
Curtas: Vader, Axel Rudi Pell,
Avenged Sevenfold, Crowbar
Por Trevas
Vader - The Empire
Vader
– The Empire (Cd-2016)
Death
Imperial
Poucas bandas da idade
da polonesa Vader (quase 3 décadas)
podem se gabar de ter uma extensa discografia (só de estúdio são 14 discos) que
prima por um incrível padrão de qualidade. Os caras simplesmente não tem disco
ruim e The Empire está aí para esfregar isso na nossa cara. Se você já havia
ficado feliz com a bifa na oreia que é AngelsOfSteel, primeira faixa de trabalho, não terá do que reclamar do
restante do disco. O que ouvimos aqui é um DeathMetalOldSchool com os
tradicionais elementos de HeavyMetal que o líder Piotr (responsável pelas guitarras e voz) sempre fez questão de
imputar aos seus sons.
A produção, com imenso punch e
ao mesmo tempo imprimindo uma qualidade sonora absurda em meio à desgraceira,
merece destaque absoluto. A proficiência de MarekPajak (guitarras),
TomaszHalicki (baixo) e JamesStewart (bateria) junto ao patrão
também é impressionante. Mas nem produção nem os músicos seriam suficientes
para garantir um jogo ganho e o que realmente vale aqui são as músicas. Prayer To the God Of War carrega nas
nuances mais heavy, já Genocidius é
uma pedrada nos tímpanos. Feel My Pain
é contagiante, e os 33 minutos da bolachinha se encerrariam com imensa
ferocidade com a inspirada Send Me Back
To Hell. Encerraria. Mas na edição brasileira ainda temos o EpIronTimes incluso. Descartada a desnecessária
repetição de Prayer... e Parabellum, cujas versões no Ep são as mesmas do disco, recebemos de
presente duas covers: uma PiescIStal,
que Piotr gravara em 2006 junto ao PanzerX, e uma respeitosa e matadora rendição para Overkill do...ah, nem preciso dizer, né? Padrão de qualidade Vader- Um puta disco, como sempre!
Logo no primeiro dos
45 minutos da bolachinha, mais especificamente na entrada da excelente FallingWhileRising (ver vídeo),
já sabemos o que esperar de KirkWindstein e sua trupe – uma tijolada Doom/Sludge de respeito. O disco marca o retorno do baixista original
após 16 anos de ausência, ToddStrange. O trabalho, 11º rebento do Crowbar, parece querer de certa forma
reverenciar os primórdios da banda, quando Todd
ainda arcava com os graves, carregando a mão no Doom mais classudo. PlasmicandPure, por exemplo, é como uma encarnação zumbi do BlackSabbath. Mas as influências de hardcore não foram esquecidas, não.
A rápida I Am The Storm é virulenta
como pede o estilo.
A produção de DuanneSimoneaux, parceiro de longa data de Kirk (tanto no Crowbar
quanto no Down), faz aquele
equilíbrio preciso entre a sujeirada necessária para a massa sonora da banda e
a clareza nos momentos mais trabalhados, como na excelente e Jerrycantrelliana SurvivingTheAbyss. A faixa
título, que praticamente compila em seus parcos 4 minutos todas as
características do Crowbar, já merece
ganhar espaço nos sets vindouros. O disco tem lá seus momentos menos inspirados,
mas não tem erro – se tua praia é um peso monolítico e sujismundo, vá na fé que
tio Kirk sabe das coisas! Recomendo!
NOTA:
8,26
Pontos
positivos: peso abissal
Pontos
negativos: tem lá duas faixas mais marromenos no caminho
Disco do guitarrista
alemão Axel Rudi Pell é que nem
filme da sessão da tarde: você geralmente já sabe o que vai acontecer, é clichê
para cacete, mas ainda assim, dependendo do estado de espírito, pode divertir
sem maiores problemas. Convenhamos, não ia ser agora, no 17º disco de estúdio,
que a história iria mudar. A intro desnecessária está ali (dessa vez, com clima
circense), a faixa de abertura que você jura já ter ouvido antes (Fire), também. Mas não vamos ser tão
chatos, tem também um punhado de boas músicas.
Game
Of Sins é um ótimo exemplar do épico obrigatório dos caras, assim
como When the World Says Goodbye. E Sons In the Night nos mostra que a
banda até consegue ser vigorosa quando quer. Uma pena que eles ainda insistam
nas baladas xaropescas de gosto para lá de duvidoso, como a irritante Lost In Love. O mais legal é que a
edição nacional, cortesia da Shinigami,
traz a excelente releitura para All
Along the Watchtower (Bob Dylan,
imortalizada pelo Hendrix). Dentro dos
trocentos discos iguais do Axel Rudi
pell, esse é da leva dos inspirados. Se você é fã, corra e garanta o seu.
A banda que os
Troozões amam odiar está de volta. E camaradas, vocês podem pensar o que quiser
dos estadunidenses, mas os moleques tem colhões de aço. Peitando uma gravadora
major, resolveram simplesmente fazer o que parecia impossível nos tempos de
discos que vazam meses antes de ir ás prateleiras – lançaram seu novo álbum ás
escuras, sem anuncio prévio. Para isso contaram com uma estratégia que envolveu
a difusão de inúmeras notícias falsas pela internet, com participação
ativíssima do colega e lutador de WWEChrisJericho (Fozzy), que até
mesmo criou um disco fictício apara a banda, VoltaicOceans (nome
adaptado de uma música do theCult). A estratégia culminou na
projeção do logo da banda em pontos diferentes das grandes cidades dos EUA e em um show em cima de um edifício.
Durante o show os discos começaram a ser distribuídos às lojas, sem que ninguém
se desse conta disso. A estratégia teve um resultado interessante. TheStage vendeu menos da metade do disco anterior na semana de
lançamento (atingindo o primeiro lugar da mesma maneira), mas manteve a vendagem
no topo por mais semanas do que o normal. De resto, TheStage traz como
novidade a estreia de BrooksWackerman (BadReligion), na
bateria, além de tratar de conceitos baseados em Inteligência artificial e astrofísica.
Parece que a garotada cresceu, enfim.
TheStage, o épico que abre o disco e
primeira faixa de trabalho, lida com a história de um homem que questiona os
desígnios do universo e com a ideia de destino pré-determinado. Uma música
excelente, repleta de belos solos e com uma interessante construção que leva a
um desfecho apoteótico. Uma abertura incomum, mais um ponto para a audácia dos
caras. Paradigm é outra excelente faixa,
que mostra o distanciamento do caminho mais OldSchool do disco
anterior, como comprova a não tão legal SunnyDisposition, com seus metais em meio
ao caos. GodDamn e CreatingGod são bons libelos antirreligiosos. Angels é uma bela balada, que não
aprece chupada do Guns And Roses,
vejam só. Simulation começa lenta e
se desenvolve numa sequência de altos e baixos, de maneira a lembrar uma
evolução dos sons que a banda fazia em CityOfEvil. Higher é excelente
e mostra o quanto MattShadows evoluiu como vocalista, soando
bem mais versátil que em seus primórdios com aquele trinado anasalado. RomanSky traz elementos orquestrais bem casados com a proposta viajante,
que fez lembrar algo no novo Nightwish.
FermiParadox pode ter momentos instrumentais inspirados, mas fica abaixo
do restante do disco. E se iniciar um disco com uma faixa de 8 minutos já é
meio esquisito, que tal fechar o mesmo com um épico de quase 16? Bom, Exist tem de tudo, solos
impressionantes, passagens que remetem ao Metallica
antigo, passagens vocais baladescas e discurso de NeilDeGrasseTyson...certamente não é a obra prima
que a banda imaginou, mas tem momentos interessantes. Em suma, um disco tão
corajoso quanto a estratégia para seu lançamento. Bola dentro para o A7X!