Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
O combo finlandês The 69 Eyes está completando 30 de atividade com o lançamento de seu 12º trabalho de estúdio, produzido por Johnny Lee Michaels (mais conhecido por
suas incursões como compositor de trilhas sonoras para o pouco expressivo
cinema finlandês). Seu autodenominado Goth’n’Roll,
ainda que tenha rendido grande sucesso comercial (especialmente na Europa),
costuma nos brindar com discos para lá de heterogêneos, onde verdadeiras pérolas
do estilo dividem espaço com canções de gosto duvidoso. Desde o razoável X (trabalho de 2012) eu não adquiria um
disco dos caras, e talvez só tenha realmente embarcado em WestEnd por conta do
lançamento nacional do disco, pelas mãos da sempre caprichosa ShinigamiRecords.
O cruzamento de Maracujás de Gaveta com um morcego?
Olha, e confesso que me senti um pouco envergonhado por ter deixado os
finlandeses de lado por um tempo, pois o quarteto que abre o disco já é
suficiente para engolir boa parte dos trabalhos de GothicRock feitos na
última década! Two Horns Up flerta
com o Metal, uma abertura perfeita com o bem-vindo reforço do gnomo inglês DaniFilth.
27 & Done é uma “ode” à infame turma dos ícones da cultura pop que se foram coincidentemente nessa aparentemente amaldiçoada idade. Uma delícia gótica cuja letra irônica pode soar ofensiva e perigosa àqueles que tendem a levar tudo à sério demais. Para nossa sorte esse não é o caso do quinteto de músicos, e belezuras como uma BlackOrchid ou uma Cheyenna, com suas caricatas GothicGirls, podem soar tanto sexistas como empoderadoras.
Curiosamente a banda se sai muito melhor quando abraça seu lado mais
gótico (que por vezes soa como uma versão Disney
do que o TheCult fez em Love) do que
quando transita pelo ShockRock ou pelas suas influências de Sleaze, como nas apenas passáveis BurnWitchBurn e TheLastHouseOnTheLeft (novamente com reforços, dessa
vez Filth + Wednesday13 e a “filha-do-hômi”
CalicoCooper). Para nossa sorte os pontos baixos dessa vez estão em
minoria, e ainda podemos nos divertir com canções para lá de inspiradas do
porte de Outsiders, Change e Death & Desire, nesse que de cara já se coloca entre os
melhores trabalhos dos vampiros de Helsinque! (NOTA: 8,79)
Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: ótimas composições, clima gótico
bacana
Contras: os momentos mais rockers ficam
aquém do restante
Ian Astbury, torcedor do Everton e ávido por qualquer partida de futebol disponível em sua
TV, ficou impressionado quando o argentino Tevez,
ao comemorar um gol marcado pela Juventus,
levantou sua camisa e, ao invés de exibir um anúncio comercial qualquer, exibiu os
dizeres “Ciudad oculta”, uma
referência a suas origens pobres nos subúrbios de BuenosAires. Daí vem a
inspiração para HiddenCity, segundo trabalho dos veteranos desde
que Ian anunciara que a banda não
mais gravaria um disco inteiro. Ironia do destino, se quando eles lançaram o
ótimo Choice of Weapon (ver resenha aqui) eu comemorei o fato da banda ter voltado atrás em sua decisão, dessa vez
tenho que admitir que preferia que eles tivessem abortado a ideia de lançar mais discos.
Duffy pensando "que porra esse cara está cantando?"
A
verdade é que o material aqui parece algo sem direcionamento. Mesmo em
seus melhores momentos, como nas boas Hinterland
(ver vídeo), DarkEnergy, NoLoveLost e na bonitinha Birds of Paradise, esse Hidden City fica longe de ser
memorável. Os riffs de BillyDuffy estão lá, mas não parecem ser o
centro das atenções na produção errática do igualmente errático BobRock. E é a voz desgastada de Astbury
que puxa o barco, mas dessa vez sem o mesmo brilho dos discos anteriores. Ian parece se preocupar mais em
balbuciar suas poesias do que propriamente criar linhas melódicas de
qualidade. Um bom exemplo disso é a chata e presunçosa DeeplyOrderedChaos, que faz companhia a fraquíssima SoundAndFury na ala
desinteressante do disco. Aliás, músicas desinteressantes que se fazem presentes
em número maior do que as inspiradas, fazendo desse HiddenCity o pior disco
da banda desde o equivocado “disco do bode”. Um trabalho indicado única e
exclusivamente aos fanboys mais ardorosos.
Confesso, quando Leif Edling anunciou a extinção do Candlemass ao lançar PsalmsForTheDead (Ver resenha aqui), eu fui um dos
tolos que acreditaram. Aquele lançamento mostrava uma banda cansada e abaixo do
potencial. Eis que, como acontece em 90% dos casos no mundo do rock, pouco
tempo depois fomos agraciados com a notícia de que não só a banda não
encerraria as atividades, como também lançaria um novo Ep. O vocalista aqui é MatsLeven, o mesmo que vem segurando as
pontas ao vivo (muito bem, por sinal). E esse Ep de quatro faixas e pouco mais de 20 minutos é um representante
muito mais digno do poder de fogo dos Suecos do que fora Psalms.
Candlemass, quando o patrão Leif não está no departamento médico
A
faixa título é um daqueles clássicos instantâneos, enquanto SleepingGiant e Sinister&Sweet, se não atingem esse nível de excelência, ao menos passam
longe de serem desinteressantes. A instrumental TheGoose é a típica
música que faria um fã de power metal melódico cortar os pulsos, mas que com
certeza vai conquistar os Doomheads de plantão. Enfim, não há nada de novo
aqui, Leif está pregando para os
convertidos. Mas, cara, como isso é legal!
NOTA: 8,54
Indicado
para: Fãs de metal tocado à velocidade de uma tartaruga sifilítica, mas pesado
como um elefante obeso;
Fuja
se: velocidade for o que move teu amor pelo metal;
Segundo trabalho após
o retorno de Belladonna ao Anthrax, ForAllKings começa promissor, com a épica
introdução Impaler preparando o
terreno para a veloz e efetiva You Gotta
Believe. Monster At The End
também acerta o tom, com refrão bacana, ainda que soe algo repetitiva. A
bolachinha sofre a partir daí com um sério problema de alternância no padrão de
qualidade, revezando faixas boas como Suzerain
(ótimo solo do estreante JonathanDonais), Defend/Avenge, This Battle
Chose Us e especialmente Blood Eagle
Wings (outro belo momento de Donais
e disparado a melhor música do disco, ver videoclipe), medianas como a faixa
título, All of Them Thieves e Evil Twin (primeira faixa de trabalho)
com outras bem fraquinhas, como a pentelha Breathing
Lightning (com seu rabicho instrumental irritante Breathing Out).
Anthrax vivendo dias cinzentos
A
rifferama de Scott Ian está lá, tal
como o rolo compressor do subestimado CharlieBenante. FrankieBello está um
pouco afundado na mixagem e o novato Donais
reserva para os fãs solos bem feitos e funcionais. Já a produção, essa me
pareceu um pouco murcha, tal qual a atuação de Belladonna, repetitiva e algo burocrática. Ok, nunca fui grande fã
do caboclo, mas confesso que a performance dele em WorshipMusic havia
calado parcialmente minha boca, mostrando uma voz bem mais encorpada que no
passado. Aqui já me parece a atuação de um músico ligado no piloto automático.
Independente da produção e voz, o resultado final de ForAllKings está longe de ser ruim. Mas é um
inegável passo atrás em se considerando a dobradinha We’ve Come for You All e Worship
Music.
NOTA: 7,20
Indicado
para: fãs de thrash com fortes toques de metal tradicional;
Fuja
se: preferir um thrash mais encorpado e malvado;
Os finlandeses do 69 Eyes viveram a gangorra comum a
muitos grupos que começam a galgar um patamar de sucesso maior que o nicho
deles comporta. A banda já havia balançado entre o Gótico e o Sleaze quando Gothic Girl se tornou febre nas rádios
e boates escandinavas. Era o som que apropria banda rotulara como Goth’n’Roll. Rapidamente o ótimo disco Blessed Be foi catapultado ao topo das
paradas de sucesso e os caras se viram transformados de um “guilty pleasure” escondido
no underground a uma banda incensada pela grande mídia. O disco seguinte, Paris Kills, manteve a toada,
garantindo um contrato bastante bom com a EMI
e uma dobradinha de discos (Devils/Angels) com ampla distribuição e
vendagem ao redor do globo.
Os Vampiros de Helsinki, chegando um pouco atrasados para a onda emo
Daí
para frente, a banda entrou numa crise de identidade, ora buscando um certo
retorno às origens (com o bom Back In
Blood), ora apostando ainda mais no Mainstream (com o fraco X). UniversalMonsters parece
ter sido pensado para trazer um certo equilíbrio à carreira da banda, e o fez
com sucesso. Se o disco começa numa toada boa, mas previsível (com a quadrilha
que começa com Dolce Vita e termina
com Lady Darkness), e ameaça desandar
de vez com a irritante MissPastis, é impossível resistir à
excelência do trio formado por ShalowGraves, Jerusalem (ver vídeo) e Stiv&Johnny – três das melhores músicas que os vampiros de Helsinki já
gravaram. Daí para frente o que viesse já seria lucro, mas Never e Blue ainda são
faixas tão bacanas que até podemos perdoar o desleixado encerramento com Rock ‘n’ Roll Junkie. Um disco bem
legal, que deve trazer os Vampiros de volta aos inferninhos ao redor do
planeta.
NOTA: 8,04
Indicado
para: fãs de Hard Rock e Gothic Rock;
Fuja
se: a idéia de um caboclo personficando Elvis cantando Gothic Rock te soar um pesadelo;
Classifique como: Gothic
Rock, Hard Rock, Goth’n’Roll