Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
Banda surgida em 2007
na Inglaterra, é considerada uma das mais emblemáticas do movimento Djent, um rótulo derivado do metal
progressivo para designar bandas como Meshuggah
e Sikth. Não, não espere por algo
tão pesado quanto as bandas citadas, os garotos do Tesseract pegam bem mais leve aqui. O retorno do vocalista DanielTompkins não mudou tanto o resultado em relação ao disco anterior,
o que temos aqui é um Metal moderno, bastante técnico, mas sem espaço para exibicionismo.
A mágica progressiva está centrada nos arranjos, que fazem as músicas oscilarem
entre uma beleza quase etérea, baixos pulsantes e peso monolítico quando
necessário. Quando funciona, como em Hexes
e Tourniquet, essa última quase
saindo da seara metálica, ficamos diante de um material que beira a perfeição.
Mas o problema é que nem sempre a
mistura engrena, vide as menos inspiradas Cages,
Dystopia e Utopia, onde a banda aposta num som com vocais rapeados em alguns
momentos, com clara influência de FaithNoMore. A faixa de Trabalho, Survival
(ver vídeo abaixo), é outro destaque, e uma boa amostra do que o ouvinte
encontrará em Polaris. Um disco
bastante interessante, mas que passa a impressão que o Tesseract ainda vai lançar sua obra definitiva num futuro não muito
distante.
NOTA:
79
Classifique
como: Prog Metal, Djent
Para
fãs de: Pain Of Salvation, Sikth
Fuja se você for aquele garoto que rouba o
dinheiro do lanche de gente como os garotos do Tesseract
Banda alemã de Power
Metal, o Powerwolf se destaca da
maioria dos seus congêneres por dois pontos: a mistura com música sacra e os
temas também sacros, tratados com muito humor politicamente incorreto. Para
ajudar a dar um tempero à temática, os caras também se utilizam de CorpsePaint e muita pirotecnia. O vocalista AttilaDorn vem de um background
de música erudita, então espere por muito coros e vocalizações operísticas. Mas
espere, esse não é o tipo de coisa que você esperaria encontrar na Cripta né?
Ah sim, uma coisa que me faz gostar do som dos caras é que tudo soa sombriamente
divertido, nada de Happy Metal aqui, e os caras costumam caprichar no peso,
como pode ser checado na faixa de trabalho, ArmyOfTheNight (ver vídeo abaixo).
Bom, eu realmente acho que o som dos
caras lembra bastante o dos suecos do Sabaton,
e tal qual os primos belicosos, uma vez que você compra a proposta musical,
fica difícil encontrar uma música que desagrade. Tudo aqui soa bacana, nada de
novo, mas divertido e com aquela sensação e que deve ser muito legal conferir
os lobos profanos ao vivo.
NOTA:
77
Classifique
como: Power Metal
Para
fãs de: Sabaton, Dream Evil, Grave Digger
Passe
longe se for alérgico a coros e ópera
Não, cara, não é para rir...é para ter medo. Powerwolf 2015
Depois do
surpreendente reboot da lendária banda estadunidense com o disco homônimo de
2013 (ver aqui), confesso que pela primeira vez em muito tempo me senti ansioso
em relação a um novo lançamento dos caras. E quem gostou do disco anterior, não
terá do que reclamar de ConditionHüman, pois a fórmula aqui é exatamente
a mesma. O Queensrÿche parece ter
pego uma máquina do tempo e escolhido uma era entre o RageForOrder e o OperationMindcrime. Até
mesmo o ótimo ToddLaTorre parece uma versão quase
idêntica vocalmente ao GeoffTate daqueles tempos. Quem se lembra
dos caras como uma banda de vanguarda, sempre inovadora e produzindo trabalhos
diferentes uns dos outros, pode estranhar e questionar a honestidade dessa nova
empreitada. Mas a banda não parecer dar a mínima, fazendo até mesmo uma auto
referência justamente na música de trabalho, a ótima Guardian, na qual a letra brada RevolutionCalling na
maior cara de pau no refrão (ver vídeo).
Ainda bem que o material musical aqui é
bem acima da média, contando com ótima produção e boas músicas. Os destaques
ficam por conta de Hourglass e da
Power Ballad oitentista Bulletproof.
Mas nem tudo são flores, a bolachinha cai um pouco na reta final, com a péssima
balada JustUs inaugurando uma trinca para lá de medíocre antes do encerramento
com a boa faixa título. Mais uma bola dentro que só não vai deixar o GeoffTate careca por que os cabelos já o abandonaram tem tempo (Infelizmente
parece que a inspiração se foi com eles).
Vendido como o novo supergrupo
do metal estadunidense, o AOD tem em sua formação dois ex-Megadeth, o excelente
guitarrista ChrisBroderick e o batera ShawnDrover, o baixista MattBachand (que é guitarrista em sua banda
de origem, o ShadowsFall) e o ex-vocalista do ScartheMartyr, HenryDerek. A proposta da banda é...bom, esse é o problema principal,
nem eles parecem saber direito. A faixa de abertura e trabalho, Throwback (ver vídeo), começa com uma
fúria Thrasher à lá Exodus, mas logo
descamba para um híbrido Metalcore.
E isso se repete em boa parte do disco. Você
está batendo cabeça com um riff bem Slayer
e de repente entra uma melodia vocal de ruborizar os caras do BulletForMyValentine. Não que eu considere isso um
problema por si só. O fato é que a banda carece de boas músicas, a maior parte
do material se destacando mais pela perícia de Broderick em sua guitarra (mas mesmo ele parece se repetir aqui) e
pela ferocidade da bateria de Drover.
Os vocais de HenryDerek tendem a irritar rapidamente,
seja pela falta de inventividade, seja pelo seu timbre rasgado chatinho à
balde. Enfim, BirthAndTheBurial não chega
perto de ser uma bomba, mas é daqueles discos fadados a catar poeira ou ganhar
um delete em tempo recorde pela simples falta de momentos memoráveis.
NOTA:
68
Classifique
como: Metalcore com elementos de Thrash Metal old school
Para
fãs de: Exodus com Dukes, Metalcore em geral
Passe longe se você tiver pavor da mistura de vocais
urrados e refrões limpos.
Five Finger Death Punch – The
Wrong Side Of Heaven And The Righteous Side Of Hell
Macho, Macho (pop) Metal em Duas
Viciantes Partes
A
New Wave Of American Metal tem sido
extremamente prolífica em bandas, todas elas contando com pontos em comum a
despeito do subestilo: músicas pesadas, que fazem uma ponte entre modernidade e
o passado do metal e com um tino incrível para melodias radiofônicas.
Um
dos exemplares que melhor ilustram esses pontos, o Five Finger Death Punch (ou simplesmente 5FDP) estourou para o grande público com uma versão pesada para Bad Company (sim, da banda homônima de Paul Rodgers) e desde então vem
angariando tantos fãs quanto detratores, muitos desses últimos geralmente
críticos da postura “testosterona ao máximo” que a banda passa. Apesar da
postura “Macho Man” e belicista, na verdade o 5FDP é das bandas mais palatáveis para o grande público dessa nova
safra, talvez devido à simplicidade de suas músicas.
Só cabra bonito e simpático
A suposta falta de conteúdo da banda fez com que
muitos estranhassem quando a mesma anunciou o lançamento de um disco duplo,
atitude muito mais comum em se tratando de bandas mais ambiciosas
estilisticamente. A produção das duas bolachinhas ficaria ao encargo de Kevin Churco (produtor da safra atual
de discos do Ozzy Osbourne) e foram anunciados alguns artistas convidados: Max Cavalera, Rob Halford, Jamey Jasta
e Maria Brink.
Volume 1
O primeiro disco, saído em julho desse ano,
começa arrasador, com o single Lift Me
Up (ver vídeo) contando com ótimo refrão e participação marcante de Rob Halford, como que para mostrar que
a valha guarda aprova o trabalho do 5FDP.
Watch You Bleed mantém a toada,
mostrando que a banda vem se especializando em uma mistura de metal moderno com
referências a bandas clássicas e uma veia radiofônica típica do metal
americano, sem que isso represente música estéril e sem peso. Tudo isso em
faixas que raramente ultrapassam 4 minutos. O peso dá as caras com maior
intensidade em números como You, Burn MF, Dot Your Eyes e I.M. Sin,
sendo essas últimas dois dos destaques, em especial nas versões bônus da edição
limitada.
Mas
o 5FDP mostra também ter uma mão
bastante boa para Power ballads, diga-se de passagem, fazia tempos que não
ouvia boas baladas metálicas como a faixa título, M.I.N.E. (lembrando bastante o lado melódico do Stone Sour) e Anywhere But Here, essa última contando com a discreta participação
de Maria Brink (In This Moment) em sua versão original.
As
participações especiais trazem um diferencial para a edição limitada do disco.
Em Anywhere But Here, Maria Brink aparece em maior destaque
na versão bônus. Dot your Eyes melhora
ainda mais com a possante participação de Jamey
Jasta (Hatebreed), assim como o
faz Max Cavalera (inclusive em
português) com I.M Sin. Até mesmo a
participação do rapper Tech N9ne em Mamma Said Knock You Out (versão para a
música do também rapper LL Cool J) ficou
legal, lembrando as interações metal/rap da trilha sonora clássica do filme Judgement Night.
A edição limitada também possui um CD ao vivo de
bônus, contendo uma apresentação completa da banda, com 17 faixas em ótima
qualidade. Portanto, se esbarrar com essa edição, dê preferência, os bônus
engrandecem e muito o material.
Volume 2
Volume 2
Lançado
poucos meses depois do primeiro volume, o segundo disco veio ao mundo com a
ingrata tarefa de igualar o alto nível de seu predecessor. Sem contar dessa vez
com nenhuma participação especial, o Volume 2 foi alardeado pela banda em
entrevistas se tratar da nata do material composto para a dobradinha. Parecia
pura bravata, e é mesmo. Essa segunda parte é legal, mas não chega perto da primeira.
Here To Die, Weight Beneath My Sin e Wrecking Ball tentam quase com sucesso
repetir o início radiofônico, porém arrasador do disco anterior. E se eu disse
anteriormente que a banda fazia boas Power-ballads, é porque eu ainda não havia
escutado essa fantástica Battle Born
(ver vídeo). Os caras se tornaram mestres nesse tipo de baladinha metal. Tão
previsível quanto viciante, essa música pode ser considerada o destaque
absoluto do segundo disco e tocaria nas rádios facilmente tivesse sido lançada
ao final dos anos 1980.
Cradle To The Grave mantém o híbrido peso/melodia/radiofonia vivo
com méritos. Daí para a frente o disco fica um pouco irregular. A Matter Of Time é apenas correta, The Agony Of Regret não passa de uma
curta introdução para Cold, a menos
legal das baladas do pacote. Let This Go
e My Heart Lied são bons exemplares
de Pop Metal e A Day In My Life não
traz nada demais.
Como citado anteriormente, o 5FDP estourou de vez com uma versão metalizada para um clássico do
rock. Por isso não deixa de ser curioso que o ponto baixo dos dois discos seja
justamente uma tentativa de reproduzir esse sucesso, dessa vez errando feio com
uma péssima rendição para House Of The
Rising Sun (famosa por sua versão pelo Animals).
Essa versão ficou tão ruim que parece coisa dos Mamonas Assassinas. E se nessa segunda parte não temos faixas
bônus, por outro lado a edição limitada traz o DVD do show encartado como Cd na
edição limitada da primeira parte, o que compensa bastante.
Saldo Final
A
estratégia de marketing de mostrar que a banda “tem tanto material de qualidade
composto que ficou impossível lançar tudo em um só disco” é manjada e não
funciona tão bem atualmente, quando o conceito de disco já não parece fazer
tanto sentido para as novas gerações. E via de regra os “discos gêmeos”
poderiam funcionar muito melhor caso o material fosse bem escolhido e compilado
em um só trabalho, mais forte. É o caso aqui. Se pegassem a primeira parte
inteira e fundissem com as 4-5 melhores da segunda parte, teríamos um provável
clássico em mãos. Ainda assim, tratam-se de dois bons lançamentos, com ampla
vantagem para o Volume 1.
NOTAS
Volume 1: 9
Volume 2: 7,5
Queensrÿche: Queensrÿche x
Frequency Unknown
Goleada
na Primeira Partida
A história do rock conta com um sem número de
aberrações e o capítulo recente da biografia do grupo estadunidense Queensrÿche exemplifica uma delas: o
caso da banda que passa a existir em duas versões. A separação traumática do
vocalista alemão radicado no Canadá Geoff
Tate do restante do grupo foi um fato extensamente explorado pela mídia
especializada desde seu acontecimento em junho de 2012 (clique aqui para ver um resumo).
Esses 4 juntos novamente? Só nos tribunais...
De
lá para cá transcorre uma disputa legal pela marca, e até que a mesma seja
findada, teremos duas versões do Queensrÿche,
a do Geoff Tate e a de Michael Wilton, Eddie Jackson e Scott Rockenfield.
Cada parte se defende como pode. Tate,
autor de 90% do material do Queensrÿche,
garante que esse fato por si só lhe garante o direito de seguir com a marca. Já
os três outros tem a seu favor o fato de serem membros fundadores da banda,
quando essa ainda atendia pelo epíteto The
Mob. Além disso, acusam Tate de
ter dilapidado a marca ao colocar seus familiares e agregados para tratar dos
negócios do grupo, dando-lhe vantagens contratuais indevidas. Enquanto a
justiça não dá seu veredicto, os dois Queensrÿches
resolveram nos brindar com suas visões musicais do que representa a banda.
E
essa visões, para um bom observador, ficam claras desde as escolhas dos nomes
para os discos. Tate parece tentar
dar prosseguimento ao Queensrÿche
dos últimos lançamentos, nomeando o disco com um título, Frequency Unknown, que a princípio em nada faz transparecer toda a
polêmica vivida atualmente. Aparentemente, pois na capa do disco, temos as
iniciais F.U. em evidência. Simples abreviação
ou um sonoro “Fuck You” para seus ex-parceiros?
Enquanto isso, o título homônimo escolhido pela
outra versão, dá a clara sensação de retorno às origens. Um Queensrÿche Reboot. E essa sensação torna-se
concreta assim que colocamos as duas bolachinhas para rodar. Vou analisar os
dois discos por etapas.
Arte Gráfica
Duas artes simples e diretas. Tate nos presenteia com um soco na cara
(de seus detratores? De seus ex-companheiros? De Seus Fãs? Não fica claro.) e a
famosa logomarca aparece com discrição, sob a forma de um anel.
Na ordem: Queensrÿche, Frequency Unknown
Já
Queensrÿche traz uma imagem simples
e direta do logo da banda. Novamente a ideia de um reboot. A edição limitada desse
segundo disco, além de três faixas ao vivo (novas rendições de velhos
clássicos), traz uma embalagem em formato de caixa, contendo adesivo, patch e
palheta.
Enfim, duas artes simples e nada chamativas, um
empate técnico nesse quesito.
Pessoal
Tate aparentemente tentou
atrair atenção para sua versão da banda ao incluir uma longa lista de
convidados especiais em seu Frequency
Unknown. Temos aqui, só para exemplificar, gente do naipe de Craig Locicero (Forbidden), KK Downing
(ex-Judas Priest), Dave Meniketti (Y&T), Paul Bostaph (Slayer), Simon Wright (Dio e AC/DC), Ty Tabor (King’s X) e Rudy Sarzo (Ozzy, Blue Oyster Cult, Whitesnake, Quiet Riot). Um time de respeito, mas como essas participações soaram
no disco, aí é história para mais tarde. A produção ficou ao encargo de Tate e Jason Slater.
Alguns dos culpados por Frequency Unknown
Já
o Queensrÿche versão 2 não pareceu
se importar muito com nomes. Além dos três membros originais, a banda conta com
Parker Lundgren na segunda guitarra.
Curiosidade mórbida à La João Cléber: Lundgren
fora trazido ao mundo do Queensrÿche
incialmente pelo próprio Tate, pois
fazia parte de sua banda solo. Posteriormente casaria com uma das filhas do
chefe (e se divorciaria pouco depois). Já para o posto de vocalista, foi
escolhido o estadunidense Todd La Torre.
Baterista de formação, La Torre teve
sua primeira experiência como vocalista profissional já tardiamente, aos 35
anos, substituindo o falecido Midnight
no Crimson Glory. Todd já vinha trabalhando com os atuais
colegas no projeto Rising West e
anteriormente em algumas demos de um projeto solo de Wilton.
Queensrÿche, com Todd ao centro.
Para remeter ainda mais ao som clássico da
banda, o produtor escolhido foi James “Jimbo”
Barton, engenheiro de som (e produtor eventual) da banda nos lançamentos do
período Operation Mindcrime – Promised Land. Há ainda a participação
de Pamela Moore (a Sister Mary de Operation Mindcrime) em uma das faixas.
Sonoridade e Músicas
1. Frequency Unknown
Cold abre o trabalho
indicando claramente que Tate não
tem intenção alguma de desviar da evolução musical que vem implantando ao Queensrÿche desde á saída de Chris De Garmo. Soa como o Queensrÿche dos últimos discos. E a
despeito da opinião negativa que essa afirmação possa trazer, é uma grande
faixa e foi corretamente escolhida como primeiro single.
O disco segue com uma
sequencia de faixas diretas, modernas e pouco interessantes, mas que poderiam
ter um apelo um pouco maior caso não fossem prejudicadas por uma produção ruim,
com os instrumentos soando sem brilho ou força, tal como a própria voz de Tate. A culpa foi jogada na mixagem,
tendo rapidamente sido lançada uma versão com mixagem diferente, mas que ao que
pude ler, não ajudou em muito. O disco soa como uma demo aceitável em se
tratando de um artista já estabelecido. E o pior é que essa sonoridade sem vida
acabou por tornar dispensável todo o cast unido pelo vocalista.
Tate: os caras me deixaram careca...
Surpreendentemente o
material dá uma guinada de qualidade em suas últimas faixas. Life Without You, Everything, Fallen e a
épica The Weight Of The World (com
belo solo de Chris Poland), em
contrapartida ao restante do material parecem querer trazer de volta um pouco que
seja do velho Queensrÿche. Melancólicas,
melodiosas e com uma veia mais old school, poderiam se encaixar sem muito
estranhamento em discos como Empire
e Promised Land.
Uma pena que pouco
após nos mostrar que existe esperança, Tate
faça o favor de jogar lama ao assassinar quatro clássicos da banda em rendições
pouquíssimo inspiradas, e com produção pavorosa. I Don’t Believe In
Love, Empire, Jet City Woman e Silent lucidity não mereciam
isso.
2. Queensrÿche
A breve introdução X2 parece nos preparar para uma viagem no tempo, remetendo a Rage For Order. E quando Where Dreams Go To Die entra em seus
primeiros versos, somos fantasmagoricamente confrontados com o que parece ser o
Geoff Tate de outrora. O susto é
imenso, tamanha semelhança do timbre e interpretação de La Torre com o que o veterano vocalista fazia na década de 1980. Grande
música, apesar do susto.
A produção de Jimbo parece colaborar com o clima
vintage que as músicas nos passam, e a qualidade do material surpreende. Spore poderia estar em qualquer disco
pré Empire da banda. Na ótima In This Light pode-se perceber que La Torre é mais que um mero macaco de
imitação bem treinado, apesar de em alguns momentos ele fazer questão de nos
lembrar do fantasma de Tate.
Redemption foi a primeira música apresentada ao público e
dá para entender o porque: parece uma amalgama de todas as fases do Queensrÿche. Uma boa amalgama, mas nem de
longe a melhor música do pacote.
Vindication parece saída diretamente de The Warning, e poderia soar datada, não
fosse uma faixa bastante boa. A intro Midnight
Lullaby prepara o terreno para a soturna e bela balada A World Without. Don’t Look Back
acelera as coisas com guitarras saídas dos anos 1980. Curta, old school e
certeira. Fallout foi escolhida como
música de trabalho, mas não me parece tão interessante para merecer esse
destaque. Muito melhor resultado a banda obteve com a épica Power-ballad Open Road, que encerra os curtos 35
minutos da edição original com maestria. As três faixas ao vivo contidas na
edição limitada são Queen Of The Reych, En
Force e Prophecy, faixas muito raramente apresentadas nos palcos pela banda
na última década. Boas rendições, mas nada que mereça um dinheiro a mais.
Saldo Final
Enquanto
Tate não se decide entre modernidade
e revival, a outra versão do Queensrÿche
nos coloca uma máquina do tempo para nos fazer relembrar o quanto a banda havia
sido fantástica. Obviamente de nada essa viagem valeria se as composições não
fizessem justiça ao enfoque vintage escolhido. Mas elas o fazem, com louvor. Se
formos suficientemente cínicos, o Queensrÿche
sem Tate pode ser acusado de
vilipendiar o passado, o que fica difícil de defender quando se escuta ToddLa Torre imitar descaradamente Geoff
Tate em boa parte do material. Mas os méritos tem que ser dados, os caras
mergulharam fundo na auto-referência e ainda assim saíram de lá sem parecer uma
mera paródia. Já Tate, esse deveria
repensar sua carreira e se reinventar, pois independentemente do resultado dos
tribunais, trata-se de um dos maiores vocalistas da história do rock e tem
capacidade de apresentar algo melhor do que Frequency Unknown.
Em
suma, se o resultado dos discos for refletido nos tribunais, dará uma goleada
para o Queensrÿche de Wilton, Rockenfield e Jackson.