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domingo, 1 de março de 2020

Graspop Metal Meeting 2019: Parte II – Os Shows



Olá Criptomaníacos!! 
Nessa segunda postagem sobre o GMM, farei um breve apanhado dos 36 shows assistidos ao longo dos 3 dias de festival. 
Por show assistido e avaliado, consideramos aquele que conseguimos presenciar por pelo menos metade de sua duração prevista. 
Se contarmos os pedaços de 10/15 minutos que assistimos ao longo desses dias, o número cresceria bastante.
As fotos e pequenos vídeos são meus e da Dressa, e servem apenas para tentar dar uma vaga noção visual da coisa, já que celulares são péssimos para esse tipo de registro. 
E claro que demos preferência a curtir as apresentações ao invés de registrar as mesmas de maneira porca.
Divirtam-se
Trevas


21.06.19 - SEXTA (11 shows assistidos)

Os calouros aqui calcularam mal o deslocamento para o festival, o que nos fez perder o Death Angel, escalado para a infeliz hora do almoço. Nossa primeira parada acabou por ser o Crowbar, no palco Marquee. Foi um bom começo, Kirk Windstein e sua trupe desfilaram seus acordes monolíticos com maestria (NOTA: 8,00). Ainda conseguimos assistir duas músicas do caos eletrônico virulento do Combichrist antes de encarar Glenn Hughes e suas releituras dos clássicos do Purple num show inesperadamente mediano (NOTA: 6,00).

Crowbar - mais pesado que fimose de cachalote
Retornando ao Marquee, dessa vez para o assombroso e para lá de pesado show do Candlemass com Leif de volta ao batente trazendo a tiracolo o excelente Johan Längqvist, vocalista que gravou Epicus Doomicus Metallicus. Realmente épico, Doom bagarai e destruidor (NOTA: 10).

Candlemass, espetacular e de volta às origens
Num dos palcos principais, o metal moderno do Architects levantou o público de maneira tão esfuziante que me senti até um pouco culpado por não conseguir ver nada demais no som dos caras (NOTA: 7,00). Após alguns minutos do viajante e original Cult Of Luna, era vez de comprovar o quanto o Anthrax funciona bem ao vivo. Mesmo com som embolado e Belladonna longe da boa forma vocal, o som dos caras em festival levanta até defunto (NOTA: 9,00).

Caught In A Mosh! Anthrax detonando! 
Um dos shows mais esperados pela gente, o Lynyrd Skynyrd demorou a esquentar. Ainda assim, um show que tem Saturday Night Special e Free Bird não pode ser um fracasso. Vide a contagiante rodinha de coroas dançando em Sweet Home Alabama (NOTA: 7,50). Se os sulistas pareciam algo deslocados, os suecos do Amon Amarth estavam na sala de casa. Com um show pesado, tecnicamente perfeito e cheio de pirotecnias, mostraram que hoje em dia são os headliners perfeitos para festivais do tipo. Vide a lotação do empolgado público de frente para o palco (NOTA: 10).







Perfeição técnica é o que vimos também na apresentação do Within Temptation. Com uma produção de fazer inveja a qualquer banda que não seja o Rammstein, destilaram clássicos de seu período mais sinfônico misturados ao metal moderno de agora. O ponto alto da noite foi ver um verdadeiro viking, torso desnudo no frio, cantando a plenos pulmões Ice Queen. Nos debulhamos em gargalhadas, para então recebermos um merecido olhar de reprovação do grandalhão, que logo voltou a exibir seus dotes líricos. Um belo show (NOTA:8,50) Era hora do último show do Slayer na Bélgica. Um dos eventos mais esperados do festival, a apresentação do quarteto contou com uma produção de palco caprichada e muita, mas muita pirotecnia. O repertório está matador e Gary Holt trouxe um algo a mais para a dinâmica do show, mas não fosse o clima criado pela grandiosidade visual, que nos transporta para algum lugar no inferno, novamente ficaria com a impressão de que a banda é um pouco burocrática no palco (NOTA: 8,00). No acampamento, madrugada adentro só se ouviria uma coisa, urros de “SLAAAAAYEEEEERRR”.

Slayer levando sua capirotagem pela última vez em território belga
22.06.19 - SÁBADO (10 shows assistidos)

Começamos na hora do almoço, com a belíssima apresentação do Cellar Darling. Anna Murphy é uma vocalista e multi-instrumentista brilhante e a banda é um raro caso do estilo que não se vale de absolutamente nada pré-gravado. Excelente (NOTA: 9,00).

Ainda esbarramos com o final da apresentação do Gloryhammer, banda piada de Power Metal que surpreendentemente mostra um poderio absurdo nos palcos. Fica para uma próxima. Impressionante também o pouco que vimos do Ne Obliviscaris, que parece conjurar o próprio som de alguma outra dimensão, uma dimensão sombria e pesada. Os suecos do Hammerfall podem ser mega xaropes, mas imaginei que seu som pudesse soar divertido no ambiente de um festival. Até cantei junto uma ou outra música dos simpáticos bangers, mas a plateia não pareceu tão convencida assim (NOTA: 7,00).

Compenetrados
Muito melhor se saiu o fenômeno Lzzy Hale e seu Halestorm. Aguados em estúdio, os estadunidenses destroem ao vivo, capitaneados por uma das vozes mais fortes da história do rock (NOTA: 9,00). Após um pequeno relance no não muito impressionante show do Grand Magus, era hora de Nergal e sua trupe no palco principal. E o Behemoth fez justiça a sua fama, um show verdadeiramente infernal e pesado (NOTA: 9,00). Tempos atrás parecia que o Trivium conquistaria o mundo, mas a carreira dos caras nunca atingiu o ápice esperado. Mas não é por falta de trabalho, com um show tecnicamente excelente na parte instrumental, os caras se movem tanto no palco que microfones eram colocados em toda a extensão do mesmo. Uma apresentação repleta de carisma e energia (NOTA:8,50).

Muitos cadeirantes no evento, alguns deles gozaram de belos crowdsurfings
De volta aos palcos menores, nossa primeira escolha de sofia: estávamos nas primeiras fileiras da apoteótica apresentação do Clutch, com um Neil Fallon endiabrado comandando a plateia como um pastor do inferno, os estadunidenses destilavam um clássico atrás do outro (NOTA: 10,00). Infelizmente deixamos o show na reta final pois não podíamos perder uma das derradeiras apresentações do UFO antes do encerramento da carreira. O septuagenário Phil Mogg parece um pouco cansado, e logo se percebe que a aposentadoria vem em boa hora, mas o show tem tanto clássico por minuto que acaba valendo o esforço (NOTA: 8,00). A noite não dormida cobrou seu preço, acabamos por abandonar o festival mais cedo e perdemos bandas como Krokus, King Diamond, Demons & Wizards, Disturbed, Lamb Of God e Slipknot. As três últimas pudemos escutar do acampamento, assim como a reação da plateia. Ao que parece, shows destruidores. Era hora de recuperar as baterias para o último dia.

Domingo com sol a pino e os dois na primeira fila para o FM


23.06.19 - DOMINGO (15 shows assistidos)

Nosso domingo começou bem cedo, e direto da primeira fila de um dos palcos principais, com uma aula impecável de AOR com os veteranos britânicos do FM, comandados pela bela e cristalina voz de Steve Overland (NOTA:9,00). Bem menos impressionante foi o show seguinte, dos postulantes a nova sensação do Classic Rock Inglorious. Definitivamente falta algo aos ingleses, e o afetado e talentoso Nathan James ainda precisa comer muito Fish & Chips para atingir o nível que acha já ter (NOTA: 6,50).


Outro combo britânico na fila, fomos conferir os ogros do Orange Goblin no Marquee. O gigante Ben Ward e sua trupe fazem um show poderoso e vibrante, e nos divertimos pulando abraçados a um cabrunco que parecia ter lambido um sapo lisérgico (NOTA:9,00). Ainda deu tempo de pegar a metade final do Deadland Ritual, supergrupo que reúne gente do quilate de Geezer Butler, Steve Stevens e Matt Sorum. Capitaneados pelo pouco inspirado vocalista Franky Perez, a banda fez o provável show mais murcho de todo o festival. Uma apresentação morta a ponto de conseguir não levantar a galera nem com War Pigs, música que geralmente salva da derrota qualquer banda cover do planeta. Uma lástima (NOTA: 4,00).

Ih, é a banda da minha camisa ó!


Mudando um pouco o clima, fomos conferir o show do Delain, que seria o último com a formação contando com duas guitarras (uma despedida curiosamente silenciosa da demissionária gnominha espoleta Merel Bechtold). Um show bacana que levantou a plateia com hits grudentos, mas fica claro que os holandeses ainda precisam trilhar muita estrada para chegar perto dos patrícios do Within Tempattion ou dos finlandeses do Nightwish (NOTA: 7,50).

Mesmo durante o início do show do Delain, era visível e impressionante o deslocamento de boa parte do público presente no festival para o outro palco principal. O que só comprova o estrondoso sucesso dos franceses do Gojira em território europeu. E que show. Com peso e musicalidade surreais e uma postura de quem sabe que vai destruir tudo, os irmãos Duplantier foram responsáveis pela maior profusão de rodinhas, Crowd Surfing e afins em todo o festival. Ao final de pouco mais de uma hora, a banda se despede, e o baterista Mario vai ao microfone agradecer e atestar ter perdido alguns quilos na apresentação. Nós também, Mario, nós também (NOTA: 9,50).

Pernas pedindo arrego, hora de dosar as energias
Igualmente destruidora foi a apresentação dos suecos do In Flames. Trazendo a bela adição de Chris Broderick na segunda guitarra e contando com algumas surpresas antigas (Pinball Map e Colony) e muita simpatia, fizeram um set de arrepiar os fãs de todas as fases da carreira dos caras (NOTA: 9,50). Uma breve checada no aparentemente imponente show do Insomnium antes do encontro com tio Coverdale e seu novo Whitesnake. Novo entre mil aspas. O repertório permanece o de sempre (só trocam as faixas do disco atual), mas a destreza dos músicos compensa a repetição. Claro que se você pode chiar do tom abissal no qual as músicas são tocadas e do fato de um show de uma hora contar com solos individuais e intervenções instrumentais, ambos artifícios voltados a preservar a combalida voz do tio, que até que estava num bom dia. Divertido e previsível, como sempre (NOTA: 8,00). Já eram 19:00 da noite, mas o céu de verão estava límpido, com o sol castigando a galera. Após conferir alguns minutos do final estrondoso do show do Possessed, sentados na grama para testemunhar Rob Zombie fazer uma apresentação impressionantemente divertida, com direito até a uma ótima versão para Helter Skelter (NOTA: 9,00). Nunca havíamos visto o Def Leppard em ação. E cara, que decepção. Tecnicamente perfeito, o show tomava forma repleto dos hits radiofônicos que catapultaram os ingleses ao Mainstream. Mas é tudo feito de maneira tão burocrática que faz até o “chá das cinco” parecer um evento com mais atitude. Morno demais (NOTA: 6,00).

Cervejinha belga + Coverdale = previsível e bom
Fugimos para o Eluveitie, mas a lotação do Marquee e o calor infernal nos levaram mesmo ao palco onde se apresentava o Kvelertak. Eu tinha muita curiosidade de conferir o sexteto de Death’n’Roll, com suas músicas repletas de referência de tudo o que é era do rock cantadas em norueguês. E que sorte que o destino nos levou até ali, os caras fizeram um dos shows mais perfeitos do festival. E o público pequeno, logo se transformou em uma multidão. A grande maioria não fazia ideia do que esperar do som dos caras, mas a força de uma banda que, além de proficiência técnica, ainda termina com o vocalista (novo na turma) e dois dos três guitarristas fazendo crowdsurfing ao longo das músicas não pode ser menosprezada. Ao final dos 50 minutos do repertório, os noruegueses deixavam umas 5.000 pessoas embasbacadas para trás, certamente tendo convertido boa parte desses em novos fãs incondicionais (NOTA: 10).


Pausa para o lanche, retornamos a um dos palcos principais e temos uma grata surpresa. O Sabaton é absurdamente popular por lá. Sim a multidão que se amontoa de frente para o palco é impressionante, mas mais impressionante ainda é a desenvoltura com que a banda lida com isso. Em poucos minutos de show e umas 40.000 cabeças cantam e dançam sem parar os hinos quase caricatos dos suecos. A banda também faz por merecer. Os caras não param um segundo e Joakin pode ser um vocalista limitado, mas tem um carisma e simpatia tão grandes que você acaba o show jurando que ainda vai tomar uma cerveja com o grandalhão. Isso sem contar que, arames farpados, sacos de areia, um coral de 20 cabruncos vestidos com uniformes da primeira guerra mundial e um tanque de guerra de verdade estão ali no palco, em meio a explosões e pirotecnias variadas, criando um clima que raramente se vê por aí. Um show monumental e que tem como um grande trunfo não se levar a sério por um instante sequer (NOTA: 10).

KVELERTAK!!!
Era chegada a hora do ultimo Headliner do festival. You Wanted The Best, You’ve Got The Best. The Hottest Band In The World…KISS! Você pode até não gostar do quarteto mascarado estadunidense, mas eles sempre foram o padrão que norteia toda e qualquer banda que preza pelo espetáculo. E a banda faz sua despedida oficial nessa turnê (se bem que anunciam isso sem cumprir o prometido tem bem uns 20 anos pelo menos), então a expetativa era de uma experiência audiovisual impressionante. E realmente o palco é impressionante. Pirotecnias e teatralidade a mil. Uma pena que a banda simplesmente já não esteja à altura de sua reputação. Paul Stanley está com a voz tão cacarecada que consegue irritar os ouvidos até nas várias falas entre as músicas. Sim, o cara está desafinando até falando. Mas ao menos se esforça, conduzindo a banda com vigor impressionante para a idade. Uma pena que seus colegas pareçam tão desinteressados, em especial Gene, cansado como aquele motorista de ônibus no final da última jornada do dia. O repertório, algo previsível, ainda assim deveria soar delicioso. Mas não soa. A sensação de que efetivamente uma das lendas vivas do rock esgotou sua força vital parece ter consumido o público, já cansado dos três intensos dias, que respondia contidamente e de maneira mais respeitosa do que realmente empolgada. Talvez devessem ter pendurado as chuteiras alguns anos atrás, quem assistir a banda pela primeira vez nessa turnê jamais terá a verdadeira noção do que foram até um passado não muito distante (NOTA: 6,00). Íamos deixando o festival antes do fim da apresentação do Kiss, mas pelo caminho ouvimos um som destruidor. Entramos no Marquee no exato momento em que Jeff Walker bradava sarcasticamente ao parco público presente na apresentação do Carcass: “ parabéns a você que está nos assistindo, pois você definitivamente não é um poser”! A provocação aos fãs do Kiss poderia parecer exagerada e deselegante, mas o show do Carcass responde em campo. Um final devastador para nossa longa e fantástica jornada num dos maiores festivais do planeta (NOTA: 9,00).

Kiss e seu melancólico adeus




terça-feira, 26 de julho de 2016

Curtas: The Cult, Candlemass, Anthrax e The 69 Eyes

The Cult + Candlemass + Anthrax + The 69 Eyes


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The Cult - Hidden City

The Cult – Hidden City (Cd - 2016)

Inspiração Oculta

Ian Astbury, torcedor do Everton e ávido por qualquer partida de futebol disponível em sua TV, ficou impressionado quando o argentino Tevez, ao comemorar um gol marcado pela Juventus, levantou sua camisa e, ao invés de exibir um anúncio comercial qualquer, exibiu os dizeres “Ciudad oculta”, uma referência a suas origens pobres nos subúrbios de Buenos Aires. Daí vem a inspiração para Hidden City, segundo trabalho dos veteranos desde que Ian anunciara que a banda não mais gravaria um disco inteiro. Ironia do destino, se quando eles lançaram o ótimo Choice of Weapon (ver resenha aqui) eu comemorei o fato da banda ter voltado atrás em sua decisão, dessa vez tenho que admitir que preferia que eles tivessem abortado a ideia de lançar mais discos.

Duffy pensando "que porra esse cara está cantando?"
A verdade é que o material aqui parece algo sem direcionamento. Mesmo em seus melhores momentos, como nas boas Hinterland (ver vídeo), Dark Energy, No Love Lost e na bonitinha Birds of Paradise, esse Hidden City fica longe de ser memorável. Os riffs de Billy Duffy estão lá, mas não parecem ser o centro das atenções na produção errática do igualmente errático Bob Rock. E é a voz desgastada de Astbury que puxa o barco, mas dessa vez sem o mesmo brilho dos discos anteriores. Ian parece se preocupar mais em balbuciar suas poesias do que propriamente criar linhas melódicas de qualidade. Um bom exemplo disso é a chata e presunçosa Deeply Ordered Chaos, que faz companhia a fraquíssima Sound And Fury na ala desinteressante do disco. Aliás, músicas desinteressantes que se fazem presentes em número maior do que as inspiradas, fazendo desse Hidden City o pior disco da banda desde o equivocado “disco do bode”. Um trabalho indicado única e exclusivamente aos fanboys mais ardorosos.

NOTA: 6,77

Indicado para: apenas os fãs mais ardorosos;
Fuja se: não for um fanboy;
Classifique como: Hard Rock, Rock Alternativo


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Candlemass - Death Thy Lover
Candlemass – Death Thy Lover (Ep – 2016)

A Volta dos que não Foram

Confesso, quando Leif Edling anunciou a extinção do Candlemass ao lançar Psalms For The Dead (Ver resenha aqui), eu fui um dos tolos que acreditaram. Aquele lançamento mostrava uma banda cansada e abaixo do potencial. Eis que, como acontece em 90% dos casos no mundo do rock, pouco tempo depois fomos agraciados com a notícia de que não só a banda não encerraria as atividades, como também lançaria um novo Ep. O vocalista aqui é Mats Leven, o mesmo que vem segurando as pontas ao vivo (muito bem, por sinal). E esse Ep de quatro faixas e pouco mais de 20 minutos é um representante muito mais digno do poder de fogo dos Suecos do que fora Psalms.

Candlemass, quando o patrão Leif não está no departamento médico
A faixa título é um daqueles clássicos instantâneos, enquanto Sleeping Giant e Sinister & Sweet, se não atingem esse nível de excelência, ao menos passam longe de serem desinteressantes. A instrumental The Goose é a típica música que faria um fã de power metal melódico cortar os pulsos, mas que com certeza vai conquistar os Doomheads de plantão. Enfim, não há nada de novo aqui, Leif está pregando para os convertidos. Mas, cara, como isso é legal!

NOTA: 8,54


Indicado para: Fãs de metal tocado à velocidade de uma tartaruga sifilítica, mas pesado como um elefante obeso;
Fuja se: velocidade for o que move teu amor pelo metal;
Classifique como: Doom Metal


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Anthrax - For All Kings
Anthrax – For All Kings (Cd-2016)

Jogando pelo Empate

Segundo trabalho após o retorno de Belladonna ao Anthrax, For All Kings começa promissor, com a épica introdução Impaler preparando o terreno para a veloz e efetiva You Gotta Believe. Monster At The End também acerta o tom, com refrão bacana, ainda que soe algo repetitiva. A bolachinha sofre a partir daí com um sério problema de alternância no padrão de qualidade, revezando faixas boas como Suzerain (ótimo solo do estreante Jonathan Donais), Defend/Avenge, This Battle Chose Us e especialmente Blood Eagle Wings (outro belo momento de Donais e disparado a melhor música do disco, ver videoclipe), medianas como a faixa título, All of Them Thieves e Evil Twin (primeira faixa de trabalho) com outras bem fraquinhas, como a pentelha Breathing Lightning (com seu rabicho instrumental irritante Breathing Out).

Anthrax vivendo dias cinzentos
A rifferama de Scott Ian está lá, tal como o rolo compressor do subestimado Charlie Benante. Frankie Bello está um pouco afundado na mixagem e o novato Donais reserva para os fãs solos bem feitos e funcionais. Já a produção, essa me pareceu um pouco murcha, tal qual a atuação de Belladonna, repetitiva e algo burocrática. Ok, nunca fui grande fã do caboclo, mas confesso que a performance dele em Worship Music havia calado parcialmente minha boca, mostrando uma voz bem mais encorpada que no passado. Aqui já me parece a atuação de um músico ligado no piloto automático. Independente da produção e voz, o resultado final de For All Kings está longe de ser ruim. Mas é um inegável passo atrás em se considerando a dobradinha We’ve Come for You All e Worship Music.

NOTA: 7,20

Indicado para: fãs de thrash com fortes toques de metal tradicional;
Fuja se: preferir um thrash mais encorpado e malvado;
Classifique como: Thrash Metal, Metal Tradicional


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The 69 Eyes - Universal Monsters
The 69 Eyes – Universal Monsters (Cd-2016)

De Volta Ao Goth’n’Roll

Os finlandeses do 69 Eyes viveram a gangorra comum a muitos grupos que começam a galgar um patamar de sucesso maior que o nicho deles comporta. A banda já havia balançado entre o Gótico e o Sleaze quando Gothic Girl se tornou febre nas rádios e boates escandinavas. Era o som que apropria banda rotulara como Goth’n’Roll. Rapidamente o ótimo disco Blessed Be foi catapultado ao topo das paradas de sucesso e os caras se viram transformados de um “guilty pleasure” escondido no underground a uma banda incensada pela grande mídia. O disco seguinte, Paris Kills, manteve a toada, garantindo um contrato bastante bom com a EMI e uma dobradinha de discos (Devils/Angels) com ampla distribuição e vendagem ao redor do globo.

Os Vampiros de Helsinki, chegando um pouco atrasados para a onda emo
Daí para frente, a banda entrou numa crise de identidade, ora buscando um certo retorno às origens (com o bom Back In Blood), ora apostando ainda mais no Mainstream (com o fraco X). Universal Monsters parece ter sido pensado para trazer um certo equilíbrio à carreira da banda, e o fez com sucesso. Se o disco começa numa toada boa, mas previsível (com a quadrilha que começa com Dolce Vita e termina com Lady Darkness), e ameaça desandar de vez com a irritante Miss Pastis, é impossível resistir à excelência do trio formado por Shalow Graves, Jerusalem (ver vídeo) e Stiv & Johnny – três das melhores músicas que os vampiros de Helsinki já gravaram. Daí para frente o que viesse já seria lucro, mas Never e Blue ainda são faixas tão bacanas que até podemos perdoar o desleixado encerramento com Rock ‘n’ Roll Junkie. Um disco bem legal, que deve trazer os Vampiros de volta aos inferninhos ao redor do planeta.

NOTA: 8,04

Indicado para: fãs de Hard Rock e Gothic Rock;
Fuja se: a idéia de um caboclo personficando Elvis cantando Gothic Rock te soar um pesadelo;
Classifique como: Gothic Rock, Hard Rock, Goth’n’Roll


quinta-feira, 24 de março de 2016

Iron Maiden + Anthrax + The Raven Age (HSBC Arena, 17/03/2016)


Poster da Turnê de 2016






Bah, os infortúnios dessa existência. Sabe quando você tem noção de que um show vai ser imperdível e que deveria fazer de tudo para comparecer ao mesmo, mas ao mesmo tempo o universo parece conspirar para que você fracasse em sua missão. Pois bem, esse foi o caso com o show do Iron. Por sorte, um grande amigo e Maidenmaníaco, Señor Freddy Krill, biólogo e professor de respeito (sic), tornou-se o enVIADO especial da Cripta nas longínquas terras da Barra da Tijuca, e nos contou o que aconteceu por lá. resta agradecer ao cabrunco (e à Srta Claudia Speroto) e passar um pouco mais de gelol nos meus doloridos cotovelos. 
Divirtam-se!

Trevas


INTRO: ENFIM, CHEGOU NOSSA VEZ!!!
(texto por Freddy Krill, fotos por Krill e Claudia Speroto)

Desde que o “The Book of Souls” foi lançado, em setembro/2015, que a expectativa criada por uma nova turnê por estas plagas só fazia aumentar. Enfim, sai o anúncio oficial: a 11ª passagem da Donzela pelo Brasil está CONFIRMADA! Começou a vender? Compramos! Seria meu 10º show (só não estive presente ao épico concerto do Rock in Rio de 1985)...   


Nota do Trevas: o equivalente Krillzístico do Santo Graal
A banda resolveu enveredar por um caminho muito progressivo, desde o “Dance of Death”. Composições longas, complexas e de difícil palatabilidade (por vezes) arrefeceram aquele entusiasmo juvenil pela minha banda predileta.
The Book of Souls” não fugiu a essa “nova” regra... É Iron Maiden, mas não é “aquele” Iron Maiden de antanho... Enfim... Sem muitas digressões...
Depois de toda a zika (com bastante trocadilho) envolvendo a perna sul-americana da turnê (Ed Force One avariado no Chile; Eddie levando um tombo no palco na Argentina), CHEGOU O DIA!!! Como tudo aqui na terra de Big Foot “tá tranquilo, tá favorável”, no mesmo dia a Barra teria Simply Red (no redivivo Metropolitan) e Wesley Safadão (no Barra Music). Aquele trânsito, maravilhoso por ele, foi tornado ainda mais gostoso pelas obras olímpicas... Alternativa? Sair muito cedo de casa! Após um curto trajeto Tijuca-Barra de 1:35h pela Linha Amarela, chegamos!!! Estacionamento fácil, mas um curral insano, onde todos eram separados de acordo com sua lotação, para serem reunidos na rampa de acesso e separados DE NOVO lá em cima...

Praticamente um senhor de idade, pagando esse "Kong" (foto por Claudia Speroto)
THE RAVEN AGE: Nada como ser filho do homem...

Originalmente previsto para iniciar às 19h, eram ainda 18:48h quando o THE RAVEN AGE, banda de George Harris, filho caçula do “The Boss” adentrou o palco. De cara, o baterista Jai Patel inicia uma surra impiedosa nos surdos, enquanto rolava a intro no background. A banda entra e... A impressão era estar num show do famigerado Avenged Sevenfold!!! Tá certo que não há novidades no metal, mas... Aquela batida pesada e pegajosa, que não empolga nem dá vontade de botar pra correr do palco...O vocalista Michael Burrough (que veio com um visual de Jack Bauer - felizmente não foram 24h de show!) canta bem, de verdade. George na guitarra solo é muito eficiente! Seu parceiro Dan Wright e o baixista Matt Cox mostram que a banda tem MUITO potencial, mas precisa urgentemente encontrar um norte! Um set curto, com menos de 30 minutos de duração, em que tocaram seu EP (auto-intitulado) na íntegra (mais uma música), que agradou as meninas e os fãs-não-tão-troos-de-coração-de-melão...Lauren Harris nos deu o Richie Faulkner. Talvez eles façam melhor daqui para frente...



- Nota: 6,5. 

- Indicado para: quem curte A7X. 

- Fuja se: você não admite nepotismo e/ou “meritocracia”. 

E~D: Dan Wright-Michael Burrough-Jai Patel
E~D: George Harris-Jai Patel-Matt Cox-Dan Wright
ANTHRAX: Baixei o “For All Kings” só pra irritar o Scott Ian…

Quando estiveram por aqui, não consegui ir. Sempre por captação deficiente de ativos voláteis no mercado financeiro... Mas dessa vez não escaparam! Após uma rápida preparação, eram 19:50h quando os bacilos mais extremos do thrash pisaram o palco! Pra começar, entra o onipresente John Dette na bateria, substituindo o operado/convalescente Charlie Benante (que sofre de síndrome do túnel do carpo... ÓTIMO para um baterista!). Antes de qualquer coisa, e por dever de justiça: TOCA MUITO!!! Aliás, ele detém o recorde mundial de se apresentar com o Anthrax e o Slayer NA MESMA NOITE!!!... Estrearam o novo guitarrista solo Jonathan Donais, absolutamente preciso!
Isto posto, vamos ao show: começam logo mandando três petardos absolutos: Caught In A Mosh, Got The Time e Antisocial!!! Suores heteros rolaram pelas minhas vistas... Scott Ian, cada vez mais careca e barbudo... Frank Bello, cada vez mais insano e ritmado... Joey Belladona (O VOCALISTA do Anthrax! – sorry Neil Turbin, John Bush & Dan Nelson...), cada vez mais com o cabelo parecendo arame... Seguiram mandando Fight ‘em ‘til You Can’t (do Worship Music, originalmente gravado pelo Nelson mais bizarro citado acima...), Evil Twin (do novo For All Kings), Medusa (Spreading the Disease) e Breathing Lightning (For All Kings). Para encerrar, o mega clássico Indians, em que alguns mosh-pits foram abertos, para desespero de velhos rock’n’rollers presentes na Arena... Faltaram Madhouse e I Am The Law, mas não se pode ter tudo... Prometeram voltar em 2017 para um show completo...
-    Nota: 9,0.
-    Indicado para: bangers velhos, senis e decrépitos como eu.
-    Fuja se: você queria estar no Barra Music.





An-fuckin-thrax!!!!!
Caught In A Moooosh
IRON MAIDEN: OLÊ, OLÊ, OLÊ, OLÊ…

À medida que se via o palco sendo preparado, aumentavam a expectativa e o “amassation of the wicked”... Black Sabbath & AC/DC rolando baixinho no som da Arena tornavam o clima mais elétrico. Até que, às 21:15h... DOCTOR DOCTOR entra rugindo nas caixas! Todo Maidenmaníaco SABE que (1) Esta música prenuncia a entrada da Besta; (2) Steve Harris morre de raiva de não tê-la composto; (3) Steve Harris morre de raiva de ter colocado o Blaze para cantá-la...



Tensão máxima... O palco é liberado dos panos que cobrem os adereços... Um templo Maia surge. Sobre a bateria, uma pira começa a soltar fumaça... É a deixa para um etéreo Bruce Dickinson iniciar If Eternity Should Fail quase Acapella... Se alguém tinha dúvidas de que o câncer descoberto após as gravações do novo disco (quem mandou botar a boca onde DEVIA???) teria detonado sua voz... Nada! Confira no vídeo:






Na sequência vem a mais rápida e enérgica do “Book”: Speed Of Light, seguida por uma belíssima (e cada vez mais indispensável) Children Of The Damned, em que o duo Smith / Dickinson prova ser IMPRESCINDÍVEL à Donzela! Tears Of A Clown homenageia Robin Williams, enquanto The Red And The Black mostra um vigor ao vivo insuspeito na gravação!
The Trooper (uma das eternas do set) e Powerslave (meu mega clássico absoluto!) provam que o passar dos anos em nada tirou seu brilho, peso e adoração por parte dos fãs!
(Uma bandeira Brasileira é atirada no palco. Bruce a pega, abre, diz que a tem visto muito na CNN e que “espera que os ‘bad guys’ se fodam, quem quer que sejam”... Difícil saber por quem começar... Os ‘good guys’ certamente estão entre os ‘worse guys’... O Tempora, O Mores...).
Death Or Glory é muito boa, mas poderia ter dado lugar a outra mais antiga... (The Evil That Men Do ou Killers... Sempre vou esperando por esta última... Sei que não rolará, mas vai que...). Daí vem a faixa título e, como dito por Bruce, a “última do disco novo que tocaremos”... Uma daquelas faixas destinadas a virar clássico eterno, que depois dessa turnê nem eles sabem se voltará a ser apresentada... Hora do Eddie no palco (sem tombos!) e Bruce Dickinson: Vocalista, Historiador, Esgrimista, Piloto Profissional de aviões comerciais e Cirurgião Cardíaco:


Pausa. Um sino começa a tocar junto ao dedilhado de Dave Murray. Hallowed Be Thy Name chegou! É de longe a minha predileta do “Number”. Bruce se enforca cenograficamente sobre a bateria, surrando os pratos com a corda durante o solo e regendo um extático e abarrotado HSBC Arena. Nunca mais a tirem do set, seus putos!!!
Fear Of The Dark é aquela que digo não aguentar mais... Junto com The Trooper e The Number Of The Beast, está em TODO set, de todas as turnês... Faço beicinho, digo que não canto / pulo mais, mas... Ôô.. ôôôôôô... ôôôôôô...
Iron Maiden traz o segundo Eddie. Hino absoluto.


Profusa distribuição de brindes. Após segundos de intervalo, aquela voz cavernosa proclama “Woe to You, O Earth and Sea (…)” enquanto um Capetão inflável sobe no fundo do palco. É hora de The Number Of The Beast:


Blood Brothers segue após um discurso de Bruce, proclamando que “Impérios se levantam, mas sempre caem! O que permanece são os laços de sangue, porque nós somos Irmãos de Sangue!”. Certamente uma das melhores do Brave New World, e muito bem recebida por um público já cansado, mas disposto a mais!
So, understand... Don’t waste your timeWasted Years fecha de forma improvável o show, após quase duas horas ininterruptas! Sorrisos, agradecimentos, fotos, palhetas, peles, munhequeiras, baquetas, tudo voa… E voltamos para casa certos de mais um espetáculo que só senhores sessentões (quase todos) sabem proporcionar.
Bruce Dickinson é Bruce Dickinson, Dave Murray é Dave Murray. Sem mais. Adrian Smith é a cola que une a banda. O melhor e mais técnico dos guitarristas, melódico e absolutamente preciso nas composições, linhas base e solos. Simples assim... Janick Gers? Claro... Está lá! Neste show fez muito menos presepada... Rodou a guitarra nos braços, jogou pro alto, pegou... Zoou o Eddie... O de sempre... Mas nos solos... PQP... O “Ovelha bem nascido” DEBULHOU como NUNCA vi!!!... Steve Harris, com seus 60 completos e cabelos escuros tal qual um adolescente cavalga as quatro cordas, corre de um lado pro outro, faz backing vocal... O HEAVY METAL SÓ MORRERÁ COM ELE!!! Lemmy & Dio Live Forever!!! Nicko McBrain é o enfermo de sempre! Técnico e preciso, mas lamentavelmente cada vez mais lento, compensando com doses cavalares de mão de pedra na bateria.
UP THE IRONS!!!!
-    Nota: 10,0.
-    Indicado para: UP THE IRONS!!!!
-    Fuja se: UP THE IRONS!!!!
Setlist: http://www.setlist.fm/setlist/iron-maiden/2016/hsbc-arena-rio-de-janeiro-brazil-7bf0c238.html

NT: Os The Airumeidi!!!
NT: Filhodopínton, recuperadíssimo!!
NT: o show é tão bom que o Capiroto em pessoa vem prestigiar
NT: e aí, babou com o visual do novo palco?
NT: nosso enVIADO especial em seu momento groupie assanhada (foto por "Rédibênzi Desconhecido")