sábado, 28 de novembro de 2020

Firewind – Firewind (CD-2020)


Fogo Renovado
Por Trevas

O 9º trabalho de estúdio da banda do guitarrista grego Gus G (Ozzy, Dream Evil) chega após duas importantes mudanças de formação: saem o tecladista Bob Katsionis, parceiro de Gus há nada menos que 16 anos, e o vocalista Henning Basse. Gus assumiu os teclados no disco (assim como a produção, com ajuda de Dennis Ward), e chamou o alemão Herbie Langhans (Sinbreed, Avantasia) para ser o oitavo (caceta!!!!) vocalista a empunhar o microfone do Firewind.

Em chamas

E se a ideia de lançar um disco homônimo é a de marcar um novo recomeço, o petardo Welcome To The Empire se mostra o cartão de visitas perfeito. Um cruzamento moderno e pesado do Helloween da era Deris (vide a voz encardida de Herbie) com o trabalho do Malmsteen.


O peso adicional no som da banda é confirmado em Devour e Rising Fire, as duas com refrães de grudar no cérebro. Break Away tem uma cara de material clássico do Malmsteen, e Bob Katsionis aparece como convidado nos teclados climáticos de Orbital Sunrise, que destaca também o poderio do novo vocalista.


Longing to Know You quebra um pouco a pancadaria, uma balada que tinha tudo para ser memorável, mas peca por um refrão pouco convincente. Overdrive e All My Life reativam o modo Malmsteen, enquanto Space Cowboy tem um que de Scorpions, um Hard/Heavy que me fez triste por Gus não ter tido a chance de compor para um disco do Ozzy. Se Firewind, o disco, representa um novo caminho para Gus G e sua trupe, este é pesado e promissor. Um dos melhores trabalhos da banda, e a melhor “coisa com cara de Malmsteen” desde Magnum Opus. (NOTA: 8,72)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Shinigami Records (nacional)

Prós: é o disco mais pesado da banda

Contras: tem aquela aura de Malmsteen, o que dará náuseas a alguns

Classifique como: Heavy Metal, Power Metal

Para Fãs de: Malmsteen, Helloween

Alestorm – Curse Of The Crystal Coconut: Deluxe Edition (2CDs-2020)


 

Monty Python x Piratas do Caribe, Parte 6

Por Trevas

Bandas-piada não são novidade no mundo do rock, de Spinal Tap a Steel Panther, passando por Massacration, os absurdos e exageros do som pesado (e seus maneirismos) rendem ótimas sátiras. Mas uma Pirate Metal Band escocesa com toques de folk e guiada por um feioso de papetes que empunha uma hedionda keytar? Isso não se ouve todo dia! Graças a Odin! Mas, o pior é que é indiscutível: os malucos do Alestorm entendem de diversão. Mas como uma piada repetida exaustivamente tende a perder a graça, fui conferir o 6º trabalho de estúdio dos ébrios camaradas, lançado aqui em bela edição dupla pela Urubuz Records, sem muita convicção.

Chiclete com Banana?

Bom, Treasure Chest Party Quest fez toda minha baboseira sisuda cair por terra logo de cara. Logo no segundo refrão eu já cantava junto “we’re only here to have fun, get drunk, and make loads of Money!”. Duvido bastante que os escoceses estejam fazendo realmente dinheiro com essa mistura de Power Metal, Folk e Metal Moderno (tem até gutural), mas que eles continuam prestando um grande serviço à parte da diversão, isso fica claro.


Cara e o que dizer do hino Fannybaws? Somente um escroque como Christopher Bowes conseguiria cantar com tanta propriedade sobre o “flagelo dos mares” escocês. Por sorte não podemos ver as papetes que ele usa no clipe. O líder do bando tem uma voz tão tosca que faz o Chris Boltendahl parecer o Pavarotti. E isso faz tudo soar mais crível e divertido. Aliás, a produção de Lasse Lammert ajuda bastante a tornar palatável o surubandê musical dos caras, como podemos ver no Folk Metal Chomp Chomp, que fala sobre um crocodilo assassino tão sinistro que devorou uma tripulação inteira, e que não pode ser vencido nem por “Russell Crowe with a giant crossbow”: uma aula de como salvar uma rima...


E se é curioso como os caras ainda consigam achar letras divertidas dentro de um tema tão limitado, musicalmente também temos algumas novidades: Tortuga aposta numa escrotamente deliciosa mescla de Hip Hop com Pop Metal que fará a galera da Amaranthe chorar de inveja. Já Zombies Ate My Pirate Ship traz a bela voz da alemã Patty Gurdy cantando à lá Nightwish a seguinte tosqueira: “far across the sea, zombies wait for me, craving brains and treasure, it’s their destiny...”.


Por falar na pouco recomendável dieta dos zumbis, se sua ideia de música é algo meramente cerebral, nem perca seu tempo com um minuto sequer desse disco...aliás, nem sei por que você ainda está lendo isso! Justamente quando a banda tenta soar mais normal, como em Call Of The Waves, a coisa fica também um pouco menos legal. Pirate’s Scorn e Pirate Metal Drinking Crew soam como outras faixas do passado, sem tanto brilho. A vinheta desbocada Shit Boat garante um sorriso e a épica Wooden Leg Part 2 tem até Blast Beats. O disco se encerra com a folk Henry Martin, mostrando que ainda não foi dessa vez que os escoceses perderam a mão. Mas quando pensei que as piadas haviam acabado, fui escutar o disco 2 da versão nacional, intitulado “16th Century Version” – e não é que temos o disco inteiro em Midi típico dos games de 16...bits? Ri bastante, mas claro que não passei da segunda faixa...sou idiota, mas tenho limites...(NOTA: 8,62)

Visite o The Metal Club


Gravadora: Urubuz Records (nacional)

Prós: divertido demais

Contras: definitivamente não recomendado para quem se leva a sério demais

Classifique como: Pirate Metal

Para Fãs de: Blind Guardian, Skyclad


terça-feira, 24 de novembro de 2020

Jinjer – Alive In Melbourne (CD-2020)


 

Traumatismo Ucraniano Garantido

Por Trevas

O quarteto de metal moderno ucraniano viralizou com uma arrebatadora performance “ao vivo em estúdio” da sensível Pisces, muito por conta da tresloucada transformação vocal de Tatiana Shmailyuk, que facilmente muda de um doce e melodioso trinado para a própria encarnação do cramulhão. Mas a despeito das 44 milhões de visualizações no Youtube, a banda galgou fortemente seu espaço na cena por sua reputação de ferocidade e competência nos shows, com sua sonoridade única e pesada. E Alive In Melbourne vem para coroar a boa fase.

Tati quebra pescoço


Na verdade, o CD é a contraparte em áudio do show transmitido ao vivo via streaming. Então, primeiro ponto positivo: é tudo REALMENTE ao vivo aqui. E cara, como a banda é clínica em execução. Se as proezas vocais de Tatiana já são de amplo conhecimento, cabe ressaltar aqui que os companheiros não ficam nadica de nada a dever à moça! Roman Ibramkhalilov consegue segurar sozinho o peso dos intrincados riffs de guitarra, e o poderio sonoro da cozinha monstruosa formada por Eugene Abdukhanov (baixo) e Vladislav Ulasevich (bateria) chega a ser surreal. E todos agitam bastante, conforme podemos conferir no vídeo do show, hoje disponível em sua integridade.


O que resta analisar é o quanto o repertório dos ucranianos funciona nos palcos. Mas para isso, resta observar a reação dos animadíssimos australianos, que cantam efusivamente tanto as faixas dos dois primeiros discos, quanto as mais sofisticadas (mas não menos ferozes) canções de Macro e Micro, durante os quase 80 minutos da bolachinha. E se considerarmos que Jinjer era uma banda de abertura na noite em questão, a devoção do público impressiona ainda mais. Enfim, um ao vivo poderoso, em que a proficiência técnica da banda em momento algum eclipsa a energia e espontaneidade da apresentação. Como todo bom ao vivo deve ser. (NOTA:9,00)


Gravadora: Napalm Records (importado)

Prós: performance poderosa e bem “na cara”

Contras: mixagem “na cara” pode incomodar os audiófilos mais exigentes

Classifique como: Prog Metal, Modern Metal

Para Fãs de: Tesseract, Gojira