Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
O 9º trabalho de
estúdio da banda do guitarrista grego GusG (Ozzy, DreamEvil) chega após duas importantes
mudanças de formação: saem o tecladista BobKatsionis, parceiro de Gus há nada menos que 16 anos, e o
vocalista HenningBasse. Gus assumiu os teclados no disco (assim como a produção, com ajuda
de DennisWard), e chamou o alemão HerbieLanghans (Sinbreed, Avantasia)
para ser o oitavo (caceta!!!!) vocalista a empunhar o microfone do Firewind.
Em chamas
E se a ideia de lançar um disco homônimo é a de marcar um novo recomeço,
o petardo WelcomeToTheEmpire se mostra o cartão de visitas
perfeito. Um cruzamento moderno e pesado do Helloween da era Deris (vide
a voz encardida de Herbie) com o
trabalho do Malmsteen.
O peso adicional no som da banda é confirmado em Devour e RisingFire, as duas com refrães de grudar no
cérebro. BreakAway tem uma cara de material clássico do Malmsteen, e BobKatsionis aparece como convidado nos
teclados climáticos de OrbitalSunrise, que destaca também o poderio
do novo vocalista.
Longing to Know You quebra um pouco a pancadaria,
uma balada que tinha tudo para ser memorável, mas peca por um refrão pouco
convincente. Overdrive e All My Life reativam o modo Malmsteen, enquanto SpaceCowboy tem um que de Scorpions,
um Hard/Heavy que me fez triste por Gus
não ter tido a chance de compor para um disco do Ozzy. Se Firewind, o
disco, representa um novo caminho para GusG e sua trupe, este é pesado e
promissor. Um dos melhores trabalhos da banda, e a melhor “coisa com cara de Malmsteen” desde MagnumOpus. (NOTA: 8,72)
Bandas-piada não são
novidade no mundo do rock, de SpinalTap a SteelPanther, passando
por Massacration, os absurdos e
exageros do som pesado (e seus maneirismos) rendem ótimas sátiras. Mas uma PirateMetalBand escocesa com toques
de folk e guiada por um feioso de
papetes que empunha uma hedionda keytar? Isso não se ouve todo dia! Graças a
Odin! Mas, o pior é que é indiscutível: os malucos do Alestorm entendem de
diversão. Mas como uma piada repetida exaustivamente tende a perder a graça, fui
conferir o 6º trabalho de estúdio dos ébrios camaradas, lançado aqui em bela edição
dupla pela Urubuz Records, sem muita convicção.
Chiclete com Banana?
Bom, Treasure Chest Party Quest fez toda minha baboseira sisuda cair por
terra logo de cara. Logo no segundo refrão eu já cantava junto “we’re only here to have fun, get drunk, and
make loads of Money!”. Duvido bastante que os escoceses estejam fazendo
realmente dinheiro com essa mistura de PowerMetal, Folk e MetalModerno (tem até gutural), mas que eles
continuam prestando um grande serviço à parte da diversão, isso fica claro.
Cara e o que dizer do hino Fannybaws?
Somente um escroque como ChristopherBowes conseguiria cantar com tanta
propriedade sobre o “flagelo dos mares” escocês. Por sorte não podemos ver as
papetes que ele usa no clipe. O líder do bando tem uma voz tão tosca que faz o ChrisBoltendahl parecer o Pavarotti.
E isso faz tudo soar mais crível e divertido. Aliás, a produção de LasseLammert ajuda bastante a tornar palatável o surubandê musical dos
caras, como podemos ver no FolkMetalChompChomp, que fala sobre
um crocodilo assassino tão sinistro que devorou uma tripulação inteira, e que
não pode ser vencido nem por “Russell
Crowe with a giant crossbow”: uma aula de como salvar uma rima...
E se é curioso como os caras ainda consigam achar letras divertidas
dentro de um tema tão limitado, musicalmente também temos algumas novidades: Tortuga aposta numa escrotamente
deliciosa mescla de HipHop com PopMetal que fará a
galera da Amaranthe chorar de inveja.
Já Zombies Ate My Pirate Ship traz a
bela voz da alemã PattyGurdy cantando à lá Nightwish a seguinte tosqueira: “far across the sea, zombies wait for me,
craving brains and treasure, it’s their destiny...”.
Por falar na pouco recomendável dieta dos zumbis, se sua ideia de música
é algo meramente cerebral, nem perca seu tempo com um minuto sequer desse
disco...aliás, nem sei por que você ainda está lendo isso! Justamente quando a
banda tenta soar mais normal, como em CallOfTheWaves, a coisa fica
também um pouco menos legal. Pirate’s
Scorn e Pirate Metal Drinking Crew
soam como outras faixas do passado, sem tanto brilho. A vinheta desbocada ShitBoat garante um sorriso e a épica Wooden Leg Part 2 tem até BlastBeats. O disco se encerra com a folk
HenryMartin, mostrando que ainda não foi dessa vez que os escoceses
perderam a mão. Mas quando pensei que as piadas haviam acabado, fui escutar o
disco 2 da versão nacional, intitulado “16th
Century Version” – e não é que temos o disco inteiro em Midi típico dos games de 16...bits? Ri
bastante, mas claro que não passei da segunda faixa...sou idiota, mas tenho
limites...(NOTA: 8,62)
O quarteto de metal
moderno ucraniano viralizou com uma arrebatadora performance “ao vivo em
estúdio” da sensível Pisces, muito
por conta da tresloucada transformação vocal de TatianaShmailyuk, que
facilmente muda de um doce e melodioso trinado para a própria encarnação do
cramulhão. Mas a despeito das 44 milhões de visualizações no Youtube, a banda galgou fortemente seu
espaço na cena por sua reputação de ferocidade e competência nos shows, com sua
sonoridade única e pesada. E Alive In
Melbourne vem para coroar a boa fase.
Tati quebra pescoço
Na verdade, o CD é a
contraparte em áudio do show transmitido ao vivo via streaming. Então, primeiro ponto positivo: é tudo REALMENTE ao vivo
aqui. E cara, como a banda é clínica em execução. Se as proezas vocais de Tatiana já são de amplo conhecimento,
cabe ressaltar aqui que os companheiros não ficam nadica de nada a dever à
moça! RomanIbramkhalilov consegue segurar sozinho o peso dos intrincados riffs de guitarra, e o poderio sonoro da
cozinha monstruosa formada por EugeneAbdukhanov (baixo) e VladislavUlasevich (bateria) chega a ser surreal. E todos agitam bastante,
conforme podemos conferir no vídeo do show, hoje disponível em sua integridade.
O que resta analisar é o quanto o repertório dos ucranianos funciona nos
palcos. Mas para isso, resta observar a reação dos animadíssimos australianos,
que cantam efusivamente tanto as faixas dos dois primeiros discos, quanto as
mais sofisticadas (mas não menos ferozes) canções de Macro e Micro, durante
os quase 80 minutos da bolachinha. E se considerarmos que Jinjer era uma banda de abertura na noite em questão, a devoção do
público impressiona ainda mais. Enfim, um ao vivo poderoso, em que a proficiência
técnica da banda em momento algum eclipsa a energia e espontaneidade da
apresentação. Como todo bom ao vivo deve ser. (NOTA:9,00)
Gravadora: Napalm Records (importado)
Prós: performance poderosa e bem “na cara”
Contras: mixagem “na cara” pode incomodar
os audiófilos mais exigentes