domingo, 3 de novembro de 2019

The 69 Eyes - West End (CD-2019)



O Retorno Dos Vampiros De Helsinki
Por Trevas

O combo finlandês The 69 Eyes está completando 30 de atividade com o lançamento de seu 12º trabalho de estúdio, produzido por Johnny Lee Michaels (mais conhecido por suas incursões como compositor de trilhas sonoras para o pouco expressivo cinema finlandês). Seu autodenominado Goth’n’Roll, ainda que tenha rendido grande sucesso comercial (especialmente na Europa), costuma nos brindar com discos para lá de heterogêneos, onde verdadeiras pérolas do estilo dividem espaço com canções de gosto duvidoso. Desde o razoável X (trabalho de 2012) eu não adquiria um disco dos caras, e talvez só tenha realmente embarcado em West End por conta do lançamento nacional do disco, pelas mãos da sempre caprichosa Shinigami Records.


O cruzamento de Maracujás de Gaveta com um morcego?
Olha, e confesso que me senti um pouco envergonhado por ter deixado os finlandeses de lado por um tempo, pois o quarteto que abre o disco já é suficiente para engolir boa parte dos trabalhos de Gothic Rock feitos na última década! Two Horns Up flerta com o Metal, uma abertura perfeita com o bem-vindo reforço do gnomo inglês Dani Filth.




27 & Done é uma “ode” à infame turma dos ícones da cultura pop que se foram coincidentemente nessa aparentemente amaldiçoada idade. Uma delícia gótica cuja letra irônica pode soar ofensiva e perigosa àqueles que tendem a levar tudo à sério demais. Para nossa sorte esse não é o caso do quinteto de músicos, e belezuras como uma Black Orchid ou uma Cheyenna, com suas caricatas Gothic Girls, podem soar tanto sexistas como empoderadoras. 






Curiosamente a banda se sai muito melhor quando abraça seu lado mais gótico (que por vezes soa como uma versão Disney do que o The Cult fez em Love) do que quando transita pelo Shock Rock ou pelas suas influências de Sleaze, como nas apenas passáveis Burn Witch Burn e The Last House On The Left (novamente com reforços, dessa vez Filth + Wednesday 13 e a “filha-do-hômi” Calico Cooper). Para nossa sorte os pontos baixos dessa vez estão em minoria, e ainda podemos nos divertir com canções para lá de inspiradas do porte de Outsiders, Change e Death & Desire, nesse que de cara já se coloca entre os melhores trabalhos dos vampiros de Helsinque! (NOTA: 8,79)






Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: ótimas composições, clima gótico bacana
Contras: os momentos mais rockers ficam aquém do restante
Classifique como: Gothic Rock, Gothic Metal
Para Fãs de: The Cult, Type O Negative, HIM 

sábado, 5 de outubro de 2019

Sacred Reich – Awakening (CD-2019)



Dividindo e Conquistando
Por Trevas

O anúncio de que após 23 anos um novo trabalho do Sacred Reich veria a luz do dia pegou praticamente a cena inteira de surpresa. Tendo testemunhado o impressionante poder de fogo dos caras ao vivo recentemente, abri um sorriso. Mas apesar de toda a esperança, bem no fundo pairava o medo de que o quarteto, que nunca conseguiu vencer o status de Banda Cult, pudesse queimar seu prestígio perante os fãs de Thrash, uma galera tão fiel quanto cabeça fechada. O medo aumentou quando vi que o disco foi antecipado por um monte de “não ouvi e não gostei” por parte dos direituchos estadunidenses, magoadinhos com as posições progressistas e anti-Trump do vocalista/baixista Phil Rind. Mas convenhamos, se incomoda essa galera hipócrita, a promessa é de que vem coisa realmente boa por aí. Vamos lá...

Phil e sua trupe ao ouvir mais um lamurio de Thrasher conservador 
Riff poderoso e seco com a batera virulenta de um controlado polvo Dave McClain (retornando após abandonar o mala do Robb Flynn com seu take solo do Machine Head) no comando, solos debulhando (Joey Radziwill       e Wiley Arnett são os feras das seis cordas aqui), tudo soa muito bem. A voz poderosa e urgente de Phil convocando os fãs para o regresso da banda, numa abertura perfeita de disco que promete detonar ao vivo também.


Divide & Conquer mantém a pegada, um hino contra a estratégia das Fake News, que deram as caras no ressurgimento mundial de uma imbecilizada extrema direita. Obviamente uma das faixas que motivaram o chororô da parte mais conservadora do público headbanger. Um povo que definitivamente parece desconhecer (ou que propositalmente quer esquecer, ou pior, reescrever) a história do próprio Rock and Roll. Vai entender....Música porreta, independente da mensagem. E que fica ainda melhor justamente pela mensagem. Salvation parece querer arrefecer um pouco os ânimos com sua letra de libertação pela música. Temática manjada, mas funciona bem demais. E se as duas primeiras faixas indicavam um retorno bem Thrasher, daqui para frente eventualmente vemos que o Sacred Reich não renega discos bons e injustiçados como Independent e Heal, com seu Thrash’n’Roll mesclado com elementos de rock mais moderno.


Manifest Reality retorna ao Thrash mais puro, mas dessa vez não acertando tão bem o alvo. Killing Machine, com sua letra antimilitarismo meio anos 1960, é uma excelente pedrada Rocker que por vezes remete ao Corrosion Of Conformity da era Keenan. O espírito COC (e toques de Classic Rock) também infectou a gostosa Death Valley, que traz até mesmo uma penca de Cowbells à mistura. Aliás, que interessante é ouvir Dave capitaneando de maneira Old School uma bateria, em contraste com o estilo mais “polvo” de sua era no Machine Head. Versatilidade e repertório, que chama, né?



Revolution faz aumentar a velocidade da bolachinha com sua pegada algo punk que deve funcionar melhor ao vivo. Something To Believe in encerra com pegada rocker e baixo gorduroso os parcos (mas deliciosos) 31 minutos de um dos discos de retorno mais legais que já escutei. Despretensioso e obrigatório (NOTA: 8,96)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Urubuz Records (Nacional)
Prós: despretensioso e viciante
Contras: a galerinha conservadora magoou
Classifique como: Thrash Metal, Heavy Metal
Para Fãs de: Nuclear Assault, Corrosion Of Conformity


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Rival Sons – Feral Roots (CD-2019)




Sanha Feral
Por Trevas

“Não fazíamos ideia de quanto mundo estava precisando de uma banda de Rock.” Essa frase, proferida pelo vocalista do Rival Sons, o impressionante Jay Buchanan exemplifica o quanto os próprios músicos ainda se surpreendem com o sucesso obtido pela banda, desde que Pressure & Time (segundo trabalho e estreia de Jay) passou a receber resenhas elogiosas ao redor do globo em 2011. E como o mundo precisa, Jay! Em especial quando essa banda de rock nos presenteia com discaços como Great Western Valkyrie e Hollow Bones!

Rival Sons, caminhando por 1969 em pelo 2019

O esperado sexto álbum de estúdio dos retro-rockers californianos do Rival Sons foi precedido por Do Your Worst, um rockão direto e radiofônico que também é o responsável por abrir com maestria o repertório do Cd, primeiro lançamento do quarteto pela Atlantic Records.



De cara percebe-se que a dobradinha da banda com o produtor Dave Cobb atingiu um grau de simbiose que beira a perfeição. Faixas como Sugar On The Bone soam vivas como se estivéssemos sentados num banco dentro da sala de ensaios de um estúdio caro com os músicos tocando. E o disco equilibra bastante bem um lado mais rockeiro, que além das duas já citadas afeta também canções como as espetaculares Back In The Woods, Stood By Me e Too Bad com um lado mais calmo e experimental.



Esse lado mais experimental e calmo (que para alguns críticos remete ao caminho trilhado décadas antes pelo Led Zeppelin III) está explicito em belezuras quase folk como Look Away, All Directions e a faixa título. Ainda há espaço para flertes com elementos de reggae (Imperial Joy), Gospel (Shooting Stars) e eletrônica (a totalmente The Cult End Of Forever), enriquecendo o já bem estabelecido Classic Rock de uma das melhores bandas da atualidade. Um discaço ao mesmo tempo simples e bastante sofisticado. Facilmente um dos melhores trabalhos do ano (NOTA: 9,46)




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Gravadora: Atlantic Records (importado)
Prós: ótima produção, músicas excelentes
Contras: absolutamente nada
Classifique como: Retro Rock, Classic Rock
Para Fãs de: Montrose, Led Zeppelin, The Cult