segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Last In Line – II (CD-2019)



Segundo Na Linha
Por Trevas

O combo multinacional Last In Line nasceu em 2012, pouco após a morte de Ronnie James Dio, como uma mera reunião da formação clássica da banda solo do gnomo para uma jam descompromissada. Para o posto vocal, Andrew Freeman foi convocado, um músico até então mais conhecido por ter excursionado como guitarrista do Offspring. As jams se tornaram shows, os shows se tornaram frequentes, as composições vieram e em 2015 o Last In Line soltou seu primeiro disco de inéditas. O trabalho, Heavy Crown, se mostrou um surpreendente petardo Hard/Heavy que sobrevivia com louvor ao mero revivalismo saudosista. O câncer de Vivian Campbell e a morte repentina de Jimmy Bain podem ter atrasado as ações da banda, mas após muita luta um segundo disco viu a luz do dia. Intitulado simplesmente II, o novo trabalho apresenta Phil Soussan (Ozzy) no lugar do falecido Bain e conta novamente com a produção de Jeff Pilson. Nome simples, capa simples, vamos ao conteúdo.

Últimos na fila?
Uma breve (e definitivamente desnecessária) introdução e logo somos arremessados à pesada e cadenciada Black Out The Sun. A banda continua exatamente de onde parou no disco anterior, uma versão moderna do Hard/Heavy que fazia a cabeça dos headbangers nos anos 1980. No geral acerta a mão, como em Landslide, primeira faixa de trabalho.


O disco segue majoritariamente com números cadenciados, quase sempre ornados com bons refrães e instrumental competente (ver Gods And Tyrants, Give Up the Ghost e Sword from the Stone). Talvez só falte mesmo um Hit, como Devil On Me fora no trabalho anterior. E a despeito do nome de gente como Vivian Campbell e Vinny Appice, o grande destaque individual fica novamente com a voz encardida e precisa de Andrew, em mais um grande trabalho. Um bom disco de uma banda que tem tudo para sobreviver às comparações com o Dio, como também o fez o Black Star Riders em condições semelhantes. (NOTA: 7,82)

Gravadora: Frontiers Records (importado)
Prós: grandes músicos, boas canções
Contras: falta um "algo a mais"
Classifique como: Hard Rock, Heavy Metal
Para Fãs de: Dio, Lynch Mob



terça-feira, 5 de novembro de 2019

Black Star Riders - Another State Of Grace (CD-2019)



Black Lizzy Riders
Por Trevas

Quatro discos de estúdio em menos de 7 anos é uma marca e tanto nos dias de hoje. O que nasceu como um Spin Off do lendário Thin Lizzy virou um projeto viável e incensado pelos próprios méritos. Hoje trazendo apenas Scott Gorham do Lizzy, o Black Star Riders vive muito mais dos arroubos criativos do irlandês Ricky Warwick, que incorpora seu ídolo Phil Lynnot de maneira fidedigna e respeitosa. O novo trabalho faz dele o único não estadunidense da banda, o que possivelmente aumenta ainda mais a dissociação da nova marca com o velho combo irlandês. Os novos recrutas? Chad Szeliga, baterista que tocou por anos no Black Label Society; Christian Martucci, fera das guitarras do Stone Sour. Com dez novas canções em punho e uma bela capa, vamos ver o que o novo BSR nos traz.

Black Star Riders no viaduto do gasômetro?

Chega a ser curioso que uma banda que ambicione escapar da sombra do Thin Lizzy comece o novo trabalho justamente com uma faixa que traga ao mesmo tempo a palavra Moonlight e um solo de saxofone. Mas Tonight The Moonlight Let Me Down é um rock dançante e bem gostoso. A produção de Jay Ruston é límpida e cheia de punch. Em contrapartida, deixa a sonoridade um pouco perto demais do Arena Rock estadunidense coretinho de bandas como Alter Bridge e Foo Fighters. Os novos recrutas aparecem muito bem, apesar de não trazer nada tão diferente assim em termos estilísticos.



A faixa título é a típica paulada celta que se faz sempre presente nos discos do BSR. Talvez funcionasse melhor como a abertura do disco.



Ain’t The End Of The World é um rock dançante com pitadas de anos 1950 e daquelas coisinhas bonitinhas que tio Lynnot sempre fazia. Curiosamente, apesar do selo Thin Lizzy em tese vir pela presença de Scott Gorham, o veterano californiano praticamente não assina nada na bolachinha, e quando assina, vem sob a forma de uma das poucas coisas que em nada remetem ao combo irlandês: a ótima Underneath The Afterglow. Por sinal, que traz uma letra que é uma porrada na cara dos saudosistas: “Do You Remember? Back In The Day When Everything Was Better? Cause I Recall And It Wasn’t Nothing Special!”



Soldier In The Ghetto mantém o padrão alto e diversão, que é quebrado pela pouco inspirada balada Why Do You Love Your Guns?, com sua mensagem certeira contra a cultura armamentista estadunidense minada por um refrão modorrento. A mesma modorrência contamina a segunda balada da bolachinha, What Will It Take?, que traz a boa voz de Pearl Aday à tiracolo (filha de Meat Loaf e esposa de Scott Ian). Para nosso deleite, a partir dali o disco não sofre outro revés de qualidade, soando absurdamente divertido (ainda que sem grandes arroubos de criatividade), até o último instante de Poison Heart. A edição nacional, pela Shinigami Records, ainda traz uma faixa bônus que não faz feio nesse disco de Rock despretensioso e bem bacana. (NOTA: 8,28)


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Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: disco conciso e certeiro
Contras: ainda sinto falta de algo “wow” nos discos dos caras
Classifique como: Hard Rock, Classic Rock
Para Fãs de: Thin Lizzy, Alter Bridge



domingo, 3 de novembro de 2019

The 69 Eyes - West End (CD-2019)



O Retorno Dos Vampiros De Helsinki
Por Trevas

O combo finlandês The 69 Eyes está completando 30 de atividade com o lançamento de seu 12º trabalho de estúdio, produzido por Johnny Lee Michaels (mais conhecido por suas incursões como compositor de trilhas sonoras para o pouco expressivo cinema finlandês). Seu autodenominado Goth’n’Roll, ainda que tenha rendido grande sucesso comercial (especialmente na Europa), costuma nos brindar com discos para lá de heterogêneos, onde verdadeiras pérolas do estilo dividem espaço com canções de gosto duvidoso. Desde o razoável X (trabalho de 2012) eu não adquiria um disco dos caras, e talvez só tenha realmente embarcado em West End por conta do lançamento nacional do disco, pelas mãos da sempre caprichosa Shinigami Records.


O cruzamento de Maracujás de Gaveta com um morcego?
Olha, e confesso que me senti um pouco envergonhado por ter deixado os finlandeses de lado por um tempo, pois o quarteto que abre o disco já é suficiente para engolir boa parte dos trabalhos de Gothic Rock feitos na última década! Two Horns Up flerta com o Metal, uma abertura perfeita com o bem-vindo reforço do gnomo inglês Dani Filth.




27 & Done é uma “ode” à infame turma dos ícones da cultura pop que se foram coincidentemente nessa aparentemente amaldiçoada idade. Uma delícia gótica cuja letra irônica pode soar ofensiva e perigosa àqueles que tendem a levar tudo à sério demais. Para nossa sorte esse não é o caso do quinteto de músicos, e belezuras como uma Black Orchid ou uma Cheyenna, com suas caricatas Gothic Girls, podem soar tanto sexistas como empoderadoras. 






Curiosamente a banda se sai muito melhor quando abraça seu lado mais gótico (que por vezes soa como uma versão Disney do que o The Cult fez em Love) do que quando transita pelo Shock Rock ou pelas suas influências de Sleaze, como nas apenas passáveis Burn Witch Burn e The Last House On The Left (novamente com reforços, dessa vez Filth + Wednesday 13 e a “filha-do-hômi” Calico Cooper). Para nossa sorte os pontos baixos dessa vez estão em minoria, e ainda podemos nos divertir com canções para lá de inspiradas do porte de Outsiders, Change e Death & Desire, nesse que de cara já se coloca entre os melhores trabalhos dos vampiros de Helsinque! (NOTA: 8,79)






Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: ótimas composições, clima gótico bacana
Contras: os momentos mais rockers ficam aquém do restante
Classifique como: Gothic Rock, Gothic Metal
Para Fãs de: The Cult, Type O Negative, HIM