sábado, 26 de dezembro de 2015

Armored Saint - Win Hands Down (Cd - 2015)

Armored Saint - Win Hands Down
Prólogo - Tainted Past

Califórnia, 1982. Quatro colegas de escola mais um vizinho resolvem montar uma banda. Os garotos são muito jovens, na faixa dos 18 anos de idade. Todos fascinados pela NWOBHM, já sabiam eles que a banda seguiria aquele caminho, do então efervescente “novo Heavy Metal”. Mas falta à mistura um nome bombástico. Afinal, Judas Priest, Iron Maiden, Saxon, Angel Witch, todos tinham nomes memoráveis que conjuravam grandes batalhas ou coisas místicas e algo proibidas. Qual então a maneira mais eficaz de se pensar num nome de banda do que ficar doidão e assistir a um filme de capa e espada num cinema da vizinhança? Reza a lenda que assim os garotos escolheram o insólito nome Armored Saint, fumando muita erva e assistindo o já suficientemente viajandão Excalibur num empoeirado cinema de bairro. Nascia ali uma das mais talentosas e mais azaradas bandas de Heavy Metal da América. Aquela que viveria seu auge à margem do sucesso, fadada a ser eternamente lembrada dentro daquele umbral artístico no qual colocamos as ditas “Bandas Cult”.

Xicanos de Armadura
Metallica x The Saints

Já com a primeira demo assinada (Lessons Well Learned) o primeiro contratempo aparece para os jovens Californianos. Uma banda para lá de incensada no underground Estadunidense, uma tal de Metallica, convida o vocalista John Bush para a gravação de seu primeiro álbum, que viria a se chamar Kill’Em All. Bush, aos 20 anos de idade e com o orgulho e presunção que muito temos nessa idade, refutou o convite, certo de que os Saints viriam a ser ainda maiores do que aquela banda, que apesar de longe do fenômeno que hoje conhecemos, já tinha fama o suficiente na cena para que muitos considerassem a escolha do vocalista um tremendo erro. Alguns dizem que o que em grande parte teria influenciado a negativa de Bush seria o fato do tresloucado Dave Mustaine ter quebrado a perna do guitarrista Phil Sandoval, ao tentar defender o gnomo e metido colega de banda Lars num entrevero com o guitarrista dos Saints. Vale lembrar que era uma época em que as bandas se comportavam meio que como pequenas gangues de desajustados, e o comportamento algo fraternal fazia parte do jogo. Bush tinha que estar do lado de Phil, seria uma afronta debandar para o lado da “gangue rival”. A relação dos Saints com o Metallica ainda teria mais um capítulo. Joey Vera, eterno baixista dos Californianos, foi o primeiro a ser lembrado por um já grande Metallica para substituir o falecido Cliff Burton. Mais uma negativa que mais uma vez se mostrou uma escolha equivocada para uma carreira que não levantava voo.

Metallic Saint?
Saints Will Conquer? NOT!

Mas melhor nos atermos a discografia dos caras, essa sim de qualidade muito superior do que as escolhas citadas. Descobertos pela Metal Bade com o EP auto intitulado, os garotos logo seriam cooptados por uma Major, a Chrysalis para seu primeiro Full Lenght. Nomeado March Of The Saint o mesmo é quase que um Blueprint para o que viria a ser o dito American Power Metal. Apesar do relativo sucesso da faixa de trabalho Can U Deliver, March marcou o início de uma relação para lá de conturbada: a banda estava infeliz com a interferência da gravadora na sonoridade do disco e a Chrysalis se sentiu decepcionada com a vendagem apenas razoável do primeiro tento de sua suposta “mina de ouro”, sua chance de espelhar o sucesso que as bandas inglesas vinham tendo no mercado americano com o então som da moda.



Delirious Nomad pode ser um baita disco, mas teve um gosto amargo para os garotos. O sucesso não vinha e a interferência da insatisfeita gravadora fez uma séria baixa: Phil Sandoval deixava os Saints, que gravariam o ótimo Raising Fear com apenas Dave Prichard nas guitarras. A falta de promoção do novo disco mostrou à banda o que Phil já percebera antes, eles já não eram uma opção válida para a Major. Com um misto de derrota e sangue nos olhos, os garotos retornam à Metal Blade, sua resposta vindo através do desafiador título de seu primeiro lançamento e volta à casa: Saints Will Conquer. Já com Jeff Duncan como segundo guitarrista, os Saints tinham em mente uma única coisa, o próximo disco seria sua última chance de provar ao mundo (na verdade, à ex-gravadora) que eles tinham sim muito valor. Somando o seu usual Heavy metal vigoroso a uma maturidade que só a vivência de tempos difíceis costumam trazer, a fase de pré produção de Symbol Of Salvation dava a todos a certeza de que o disco definitivo dos Saints estava enfim para sair. Mas nada na vida dos caras era tão simples. Antes de adentrar o estúdio para as gravações, Dave é diagnosticado com um tipo extremamente agressivo de Leucemia.  A doença levou o guitarrista ao óbito em pouco tempo, e as gravações foram então adiadas.

R.I.P. Dave!
Os membros remanescentes estavam em dúvida se seguiam ou não em frente, até que um reforço conhecido deu a eles a força para continuar: Phil Sandoval estava de volta. Symbol se tornou o disco de maior sucesso dos Saints, com reconhecimento de público (menos) e crítica (mais). Reign Of Fire e Last Train Home puxaram o relativo sucesso e a banda fez sua maior turnê até então, abrindo para os gigantes Suicidal Tendencies e para os heróis da cena Savatage. Mas já era tarde demais, o desgaste havia sido excessivo para todos. Tão logo o Anthrax precisou de um substituto para o demissionário Belladonna e o convite foi feito, dessa vez John Bush não deixou passar. O ano era 1992 e morria ali a primeira encarnação da banda.


O retorno dos Santos Bissextos!

Em 1999, durante um hiato nas atividades do Anthrax, Bush se juntou a Vera e ambos discutiram se aquele não seria um momento propício para o retorno, sem compromisso, dos Saints. O bom Revelation foi lançado em 2000. A recepção foi quase nula, mas isso já não importava mais. Os Saints passaram a se encontrar de forma errática, para lançamentos espaçados, algo como aqueles encontros de turmas de colégio esporádicos. Só que ao invés de somente beber e relembrar os velhos tempos, discos são produzidos no caminho. Dez anos depois, La Raza, não tão inspirado assim, viu a luz do dia. Novamente não chamou muita atenção, mas e daí? Dessa vez o tempo de espera entre um lançamento e outro foi menor, mas curiosamente, o resultado foi bem além do esperado!


Vencendo Sem Esforço

Se o clima dos lançamentos anteriores era tão descompromissado que talvez tenha comprometido o resultado final, no caso do novo disco, parece que os Saints resolveram que tem algo a provar para o mundo. Já a faixa título (ver vídeo), que numa tradução livre e literal, quer dizer, “vencer sem esforço”, faz troça com a própria carreira da banda, mostrando em sua letra que a despeito do que o mundo pode pensar, os Saints se consideram vitoriosos por sempre terem mantido seu caráter a despeito do que as modas ditaram ao longo dos anos. Já de cara podemos destacar a bateria para lá de vigorosa de Gonzo e a qualidade vocal irrepreensível do subestimado John Bush (uma de minhas maiores influências, diga-se). Isso sem contar os belos duelos de guitarra. Um novo clássico, com certeza!


Mess não fica muito atrás não, um belo exemplo de Power Metal feito nos moldes Estadunidenses, uma ode vintage ao som de conterrâneos como Jag Panzer e Vicious Rumors! Estranhamente escolhida como segunda música de trabalho, An Exercise In Debauchery (ver vídeo) se destaca mais pelo vigor e pelo ótimo solo de baixo de Joey Vera.


Muscle Memory é outro destaque, remetendo bastante o clima do material de Symbol of Salvation e nos fazendo lembrar que Bush também é um grande letrista, optando por temas e por uma escolha de palavras bastante incomum em se tratando de Heavy Metal. That Was Then é para lá de anos 1980 e a excelente With A Full Head Of Steam conta com o reforço da ótima voz de Pearl Aday, nada mais nada menos que filha do lendário Meat Loaf e esposa de Scott Ian.

Santos Velhacos!
In An Instant talvez seja a menos inspirada das faixas do disco, mas tem uma redenção em sua reta final e a dobradinha Dive/Up Yours trazem um pouco dos anos 1970 à mistura, sem descaracterizar o som dos Californianos.  

Saldo Final

Numa discografia nada extensa, mas de qualidade louvável, Win Hands Down se destaca com louvor. Uma grata surpresa que certamente deixará feliz todo e qualquer Headbanger que nutre simpatia pela música dos Saints. Um de seus mais inspirados lançamentos e que entrará com destaque em minha lista de melhores discos desse ano.

NOTA: 88

Indicado para:
Todos aqueles que ainda sentem um frio na barriga ao escutar um simples bom disco de metal tradicional.

Fuja se:
Achar enfadonho o metal de décadas passadas.

Classifique como: Heavy Metal

Para Fãs de: Riot, Vicious Rumors, Metalmorphose, Jag Panzer

domingo, 13 de dezembro de 2015

Curtas: Royal Thunder, Kahbra, UFO e Motörhead





Royal Thunder - Crooked Doors



Royal Thunder - Crooked Doors (Cd - 2015)

Um Estranho e belo segundo rebento

O sucessor de CVI, um dos discos do ano de 2012 para esse escriba, me soou a princípio uma decepção. Time Machine, faixa de abertura, é uma belíssima canção dramática e épica, mas o resto do material falhou em me impressionar nas primeiras audições. Sorte que depois de um tempo retornei a esse álbum com a devida atenção. A banda está menos pesada e apostando um bocado mais em sua verve noventista. Enquanto The Line, Floor e Ear On The Fool (com algo de Mastodon) fazem menção ao peso sabbathico da estreia, Wake Me e Forget You trazem uma mistura de psicodelia e peso alternativo que lembram alguns momentos do Soundgarden, caso a banda tivesse como vocalista Johnette Napolitano, do Concrete Blonde. Sim, Mlny Parzon continua cantando muito, e sua voz não somente se ampara nos potentes gritos, como podemos ouvir em One Day e nas duas partes de the Bear, que fecham de maneira etérea um disco repleto de detalhes que talvez não ganhem a devida atenção da geração do imediatismo.

NOTA: 83

Royal Thunder longe de despencar no penhasco
                                                                              

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Kahbra

Kahbra - Kahbra (Ep - 2015)

Goat Rock, babe!

O Ep de estreia da banda carioca que define seu som como Goat Rock é uma bela surpresa. No geral a banda aposta num Stoner com pitadas de Doom e Retro Rock, tudo com influências bem dosadas. Drown lembra um Graveyard mais cru, com a voz de Jonas Araújo (também baixista e que faz uma bela cozinha com Denys Melo) soando um pouco como Eric Wagner (Trouble). Elementos psicodélicos dão um tempero bacana à boa Giant’s Dream e as guitarras de Igor Fabbri e Julio Latorraca mostram o devido respeito à Tony Iommi em What I Lost (que também me lembrou os bons momentos do Down e Orange Goblin). São apenas quatro faixas, mas que servem de um promissor cartão de visitas dos ditos Goat Rockers.

NOTA: 75

Kahbra bandcamp

Goat Rock Fever

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UFO - A Conspiracy of Stars


UFO - A Conspiracy Of Stars (Cd - 2015)

Objeto Voador ancião se recusa a pousar

E quem poderia apostar que os veteranos do UFO ainda teriam tanta lenha para queimar? O quinto disco dos britânicos desde que o virtuose estadunidense Vinnie Moore preencheu com inesperado louvor o espaço deixado pelo Semi-Deus Michael Schenker é talvez o melhor da (não tão) nova fase. Recheado de grandes riffs e solos e com a voz encardida do sexagenário Phil Mogg destilando letras e melodias igualmente encardidas, não há nenhum minuto desse Conspiracy que não soe inspirado. Uma pena que o UFO pareça relegado ao segundo plano na história da música, mesmo tendo uma discografia das mais consistentes e muito mais rock nas veias que a grande maioria dos “monstros sagrados” que rastejam por aí. Discaço!

NOTA: 84

Esses velhinhos cascudos ainda podem enterrar você

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Motörhead - Bad Magic



Motörhead - Bad Magic (Cd - 2015)

Ainda longe de desligar os aparelhos

Mais uma vez envolto num manto de preocupação em relação ao estado de saúde de seu líder, o lendário e infame Lemmy, o Motörhead faz de seu novo disco um portentoso “dedo do meio” na fuça dos carcarás. Os únicos cadáveres a serem velados aqui são os dos nossos tímpanos, atacados com fúria punk por petardos como Victory Or Die (que traz uma singela homenagem ao Metallica em um de seus riffs) e Thunder & Lightning (não, ela não ficaria deslocada em We Are Motörhead). Os flashbacks de Heavy Rock dos anos 1970/80, que engrandeceram Aftershock, estão presentes em FireStorm Hotel e nas excelentes Devil e Evil Eye (essa última traz em seu refrão a referência ao título do disco). Ah, e nem mesmo a escolha da batida Simpathy For the Devil consegue disfarçar o fato de que um Motörhead moribundo ainda tem muito mais tesão pela vida que 99,99% das bandas do universo conhecido.

NOTA: 84

Com o pé na cova, mas melhor que você

sábado, 5 de dezembro de 2015

Blue Öyster Cult – The Columbia Albums Collection (Box Set – 2012)



Bem Vindo Ao Culto
Por Trevas

Do preconceituoso mote de um crítico musical “The thinking men’s heavy metal band”, à oportunista  propaganda “a resposta americana ao Black Sabbath”, muitos já tentaram definir o som do Blue Öyster Cult (ou BÖC). O fato é que se trata de uma das bandas mais estranhas da história do rock pesado, mas que ainda assim influenciou gente tão diferente quanto Bruce Dickinson, Lizzy Borden, Ville Valo (HIM), os finlandeses do Tarot e o mala do Lars Ulrich (que tem em Tattoo Vampire uma de suas músicas favoritas).

O infame BÖC
Uma das bandas da moda, o polarizador de opiniões Ghost, se utiliza em muito de preceitos explorados exaustivamente pelo BÖC: aura mística, simbolismos por vezes fake e a estranha sonoridade que ora é pesada, ora parece uma versão capiroteada para os Beatles. Em suma, uma de minhas bandas favoritas e que merece ao menos uma checada por qualquer fã de rock pesado. Sua discografia não é tão longa para uma banda que está na ativa (ainda que não produza nada de novo há cerca de 10 anos), e em se tratando do período clássico, a mesma se concentra em uma gravadora só, a Columbia Records. E a Columbia, como a maioria das grandes gravadoras, perdeu em muito sua arrecadação. Nesses tempos difíceis, tem sido muito comum a exploração do catálogo de bandas tidas como clássicas, em pacotes que variam muito em termos de qualidade de apresentação, material inédito e até mesmo em preço (vide o para lá de proibitivo Box Set do Motörhead). A ideia aqui não é centrar a avaliação na qualidade musical do BÖC, tendo em vista que provavelmente só estará disposto a investir uma grana em um Box Set quem efetivamente for fã da banda. Nesse caso, dividirei a resenha em quatro partes: apresentação do material, conteúdo musical, preço e uma rápida abordagem crítica de cada álbum. É a primeira resenha desse tipo aqui na Cripta, espero que vocês gostem.

Apresentação

O Box Set segue os moldes do que a Columbia fez com o catálogo do Judas Priest anteriormente, e mais recentemente, com o Kansas. Uma caixa de papelão com design gráfico simples e não muito atrativo, com a traseira contendo algumas das capinhas dos discos inclusos e uma explicação pouco detalhada do material incluso (ver imagens abaixo).

Visão geral do Box Set.
Caixa aberta e detalhe de um dos Mini LPs (maldito foco, hehe)
Os discos inclusos estão em formato Mini-LP, com o design replicando os lançamentos originais. Por exemplo, Agents of Fortune replica sua capa dupla, apesar de ser um disco simples. As informações às costas de cada Mini-LP também remetem à prensagem original, ou seja, nada de informação sobre faixas bônus. Essas informações, tal qual os créditos de produção dos álbuns, estão inclusas no livreto de 40 páginas encartado no Box. O livreto também traz um breve prefácio assinado por Lenny kaye, o eterno parceiro de Patti Smith (moça que colaborou com o BÖC com alguma frequência), e algumas fotos interessantes. Tal qual o caso do Box do Judas Priest, o grande furo é que o livreto está todo em preto e branco, o que contribui para a impressão de que a gravadora não se esforçou tanto na apresentação do material quanto deveria.


Conteúdo Musical

Todo o material incluso no box se refere ao período em que a banda foi contratada da Columbia. E na verdade isso abarca quase toda a carreira dos caras, só excetuando dois discos mais recentes de estúdio e mais um ao vivo. Estamos falando de 16 cds e um DVD. Os discos de estúdio, onze no total, serão rapidamente avaliados ao final da resenha. Os três discos ao vivo da discografia original são todos excelentes e tem como trunfo centrarem seus repertórios em uma fase específica da banda. Os dois discos restantes estão focados em raridades. “Rarities” traz 19 faixas entre takes ao vivo, demos e uma introdução falada não utilizada para o álbum Imaginos por ninguém menos que Stephen King. Já The Best Of the Broadcasts traz 13 faixas ao vivo extraídas de 4 shows diferentes. Um material redundante, já que os quatro shows na íntegra fazem parte de outro material bônus do Box sob a forma de um código para download encartado em um folheto em separado.

Material bônus: Rarities, Best Of the Broadcasts e o folheto para download dos 4 shows.
As versões dos discos são todas remasterizadas, com ótima qualidade de áudio. Uma pena que só alguns títulos possuam material bônus. No caso dos discos de estúdio, os que contém faixas bônus são os cinco primeiros. Dos discos ao vivo, apenas Some Enchanted Evening, que também vêm com sua contraparte visual em DVD, ainda que a qualidade do material desse último seja muito mais próxima da de um Bootleg do que de um Home Video oficial. De qualquer forma, o Box traz um material bastante extenso e para lá de satisfatório.

Preço

Bom, a avaliação desse item fica extremamente prejudicada pelo momento econômico atual, com a cotação do dólar atingindo a estratosfera.  Na loja da Amazon, o Box Set está cotado em 100 doletas. Já no Mercado Livre o preço varia entre 575-650 Dilmas. Esse valor chega a quase o dobro de Box sets semelhantes, como nos casos dos pacotes do Judas, ZZ Top e Kansas. Por outro lado, ainda vale bastante mais a pena do que comprar as versões remasterizadas para os mesmos discos em separado. Em suma, não é um Box Set barato. À época (2012), consegui comprar o mesmo por cerca de 270 Dilmas, um preço para lá de justo.

Apanhado Crítico

Os dois primeiros discos, Blue Öyster Cult (NOTA 81) e Tyranny and Mutation (NOTA 83), preparam o terreno com sua estranheza e originalidade para a obra máxima da banda, Secret Treaties (ver resenha na Cripta). Essa primeira fase está representada no ao vivo On Your Feet Or On Your Knees.

Secret Treaties
A banda alcança o estrelato com Don’t fear the Reaper, de Agentes Of Fortune (NOTA 80), amansando o som com Spectres (NOTA 78) – rendendo outro ao vivo, o famigerado Some Enchanted Evening, em Cd e DVD -  e com Mirrors (NOTA 83). A chegada da NWOBHM fez com que os caras respondessem revitalizando seu som, com Cultösaurus Erectus (NOTA 83) e com o excelente Fire Of Unknown Origin (NOTA 90). Essa fase se encerra com o disco ao vivo Extraterrestrial Live.

Extraterrestrial Live
Daí para a frente o material flerta em muito com o AOR, se tornando bastante irregular. The Revolution By Night (NOTA 70) ainda se salva, mas Club Ninja (NOTA 57) e Imaginös (NOTA 63) vivem de uma ou duas músicas cada, sendo quase uma unanimidade negativa entre os fãs da banda.   

Saldo Final

Tivesse a Columbia caprichado um pouquinho mais na apresentação gráfica do material e teríamos em mãos um excelente exemplo de Box Set. Mas ainda assim, mesmo com o preço algo salgado, temos um vasto material que agradará tanto àqueles que não possuíam nada da banda quanto àqueles colecionadores que apenas querem renovar sua coleção, trocando as magras prensagens iniciais em CD pelas vitaminadas versões remasterizadas. Ah, e se você é um dos muitos que não compra mais mídias físicas mas leu essa resenha e não conhece a banda, faça o favor de baixar e dar a devida atenção a uma banda única na história do rock.


Saudações