domingo, 13 de setembro de 2015

Luficer – Lucifer I (Cd – 2015)

Lucifer I (Cd - 2015)
Reerguido Das Cinzas
Por Trevas

Ano passado uma nova banda - The Oath - capitaneada por duas pequenas loiras, surpreendeu o mundo do rock pesado duas vezes. A primeira vez, ao lançar a bolachinha homônima, listada em muitas revistas e sites especializados como um dos melhores discos do ano. A segunda ao, pouco depois do lançamento do primeiro rebento, anunciar o fim de suas atividades. O motivo: diferenças pessoais irreconciliáveis entre a guitarrista sueca Linnéa Olsson e a vocalista alemã Johanna Sadonis.

Olsson e Sadonis = The Oath
E veja só, Johanna Sadonis também foi pega de surpresa pelo desmantelamento de sua banda. Já então cheia de planos para um novo disco, foi um alento para ela saber que a cozinha de sua antiga banda estava a seu lado para uma nova empreitada. Mas faltava uma peça importante: um guitarrista. Eis que um encontro casual com Lee Dorrian, que por anos ostentou o microfone junto ao Cathedral, resolveu miraculosamente a questão: “Por que você não chama Gaz, ele é um ótimo guitarrista”! Sim, o “Gaz” em questão é o mestre por traz dos riffs do Cathedral, Gaz Jennings. Johanna se mostrou incrédula com a sugestão, mas não mais incrédula do que com o aceite do lendário guitarrista. Gaz se juntaria ao novo projeto, intitulado Lucifer, ao menos em estúdio.

Lucifer e a esfinge
Tendo como engenheiro de som Ingo Krauss (que também trabalhou recentemente com o Kadavar), todas as músicas foram compostas pela dupla Sadonis/Jennings e evocam um rock pesado à lá anos 1970, com pitadas marcantes de psicodelia e muito ocultismo nas letras. Bom, quanto ao ocultismo, a capa e títulos como Abracadabra, Purple Pyramid, Sabbath e Izrael (ver clipe) logo entregam o jogo.



No geral, temos a junção de riffs sabáticos típicos de Gaz com a doce e algo misteriosa voz de Sadonis, que muitas vezes parece uma versão mais crua e vintage da Anneke dos primórdios (The Gathering circa Mandylion). A cozinha é bastante competente, e ainda temos alguns teclados adornando o resultado final.

Sadonis em destaque na capa da Decibel
A produção é direta e com aquela aura esfumaçada de outrora, e todas as músicas são muito boas, fazendo os 43 minutos passarem voando. Um disco daqueles que você acaba por escutar por muitas vezes seguidas! Ah e o nome da bolacha parte da promessa de Johanna: haverá uma parte II. Aguardemos a segunda vinda de Lucifer, então!

NOTA: 93

Prós:
Peso e doçura mesclados com uma aura mística.

Contras:
Um pouco curto demais.

Classifique como: Retro Rock, Stoner, Ocult Rock

Para Fãs de: Death Penalty, Purson, Jess and The Ancient Ones

Ficha Técnica
Banda: Lucifer
Origem: ALE
Disco (ano): Lucifer I (2015)
Mídia: CD
Lançamento: Rise Above Records (importado)

Faixas (duração): CD  - 8 (43’)
Produção: Lucifer
Arte de Capa: Johanna Sadonis

Formação:
Johanna Sadonis – voz e teclados;
Dino Gollnick – Baixo;
Gaz Jennings – Guitarra;
Andrew Prestidge – Bateria.

Paradise Lost + Anathema – 08.09.15 – Circo Voador - RJ



Paradise Lost + Anathema – 08.09.15 – Circo Voador – RJ
Fotos e texto por Trevas

Chove bastante no Rio, até o clima parece conspirar para um clichê inevitável: um pano de fundo sombrio para o retorno do Paradise Lost à cidade, depois de exatos 20 anos. E para a estreia em território Fluminense dos contemporâneos e conterrâneos do Anathema.

Paradise Lost
Vinte anos atrás um imberbe Trevas teve a chance de assistir uma das noites da edição carioca do Monsters of Rock. Na noite em questão, Ozzy e Faith No More, duas de minhas bandas favoritas à época. E de Bônus track, uma então desconhecida (para mim) banda inglesa que surpreendentemente vinha tomando de assalto as “paradas de sucesso” (ô expressão velha, hein?) com o fenomenal Draconian Times: o Paradise Lost. Aos primeiros acordes de Enchantment, os britânicos conquistavam um novo fã, para todo o sempre.

Local diferente, mesmo line up - Monsters 1995
Eis que com apenas 3 minutos de atraso, o PL sobe ao palco sob os samplers de The Enemy, um dos clássicos de sua fase de transição entre o período gótico/eletrônico e a fase atual de retomada do peso do passado.

Old Nick ditando a lição: Thou Shall be Doomed!
E por falar em clássicos, os parcos 80 minutos de apresentação foram devidamente recheados com eles, abarcando praticamente toda a obra da banda, desde pérolas de seu período mais ogróide (Gothic, Pity The Sadness), de sua fase Depeche Mode Wannabes (One Second, Erased) e da atual redescoberta do Death/Doom (Faith Divides Us, Death Unites Us e as três belezuras do novo disco). Todas recebidas com muito respeito por parte de uma plateia que mais se assemelhava à de um jogo de tênis: silêncio durante as músicas, aplausos efusivos ao fim das mesmas. A cereja do bolo ficou por conta da dupla do Draconian Times (Hallowed Land, Enchantment).

Seria o velho Greg ou o Tio Al do Ministry?
Se o set list mostrou-se quase irrepreensível (faltaram Forever Failure, Embers Fire e The Last Time para esse escriba aqui), a performance da banda também não ficou atrás: longe de serem virtuoses em seus instrumentos, Aaron Aedy e Greg Mackintosh (que está os cornos do Tio Al do Ministry) possuem timbres, riffs e solos daqueles que podem ser reconhecidos a uma galáxia de distância. Steve Edmonson e Walterii Vayrinen (substituindo provisoriamente Adrian Erlandsson) fazem uma cozinha para lá de competente e Nick Holmes....bom, Old Nick sempre teve pavor dos palcos e nunca foi um vocalista lá muito prendado. Mas hoje em dia utiliza sua limitada voz com muita propriedade (só apanhou que nem boi ladrão do refrão de Isolate) e tem lá seu carisma de tiozão tímido. O único ponto negativo foi a falha no sampler que criou um clima meio sem graça no palco e quebrou muito sensivelmente o andamento do show, que prima por praticamente enfileirar um clássico atrás do outro. Um show memorável que terminou com Say Just Words e com uma sincera homenagem aos amigos do Anathema, mostrando o clima de camaradagem da turnê (NOTA 9).


Redshift?
Anathema
Bom, a atmosfera dark e low profile do show do PL passa longe da apresentação do Anathema. Com um belo palco sempre perfeitamente iluminado, o sexteto inicia o show com seu pop rok açucarado e carregado de elementos do universo alternativo, tudo disfarçado pela estrutura progressivóide das músicas. Não, não consigo conter meu cinismo diante do show dos caras: Danny e Vincent Cavanagh são tão afetados que fariam Clovis Bornay corar, as músicas seguem a mesma estrutura: teclado melecoso e percussão marcando o início, Vincent proferindo cada uma das melodias pop da banda com a pose de quem revela o segredo de Fátima, Vincent rebolando com a guitarra por mais da metade da música sem tocar uma nota, banda entrando em cheio ao final da canção criando aquela sensação de crescendo com belos solos de guitarra à lá Pink Floyd. Isso se repetindo em quase todas as intermináveis faixas da noite, num quase híbrido macabro de Placebo com Dream Theater (the horror, the horror).

A cada 789 reboladas, Vincent eventualmente também emitia sons de sua guitarra, ora pois
Mas mesmo não conseguindo em absoluto me identificar com a banda que o Anathema se tornou, nenhum cinismo do mundo pode ignorar um detalhe: os caras são de uma entrega absurda. O carisma afetado dos irmãos, a proficiência de todos os membros em seus instrumentos (destaque para a dobradinha bateria/percussão), somados à relação emocionada e franca com o público (que abandonou a postura blasè, mostrando quem era a banda da noite, para minha surpresa) fazem da apresentação da banda um evento no mínimo intenso. E descontraído também, como pudemos ver na retomada da insuportável Distant Satellites após o reconhecimento de um erro por parte de um divertido Danny, gerando uma aparentemente risonha discussão entre os músicos no palco. E após a execução de uma de suas melhores músicas (A Natural Disaster, com a tímida Lee Douglas à frente) o Anathema retribui a homenagem do PL ao chamar um desajeitado Old Nick ao palco para ajudar (ao menos nos refrões) com a boa Fragile Dreams e encerrar uma noite memorável de forma única. Um show no máximo interessante para os não muito afeitos e talvez fantástico para os fãs de carteirinha (NOTA 7).


Lee Douglas
Placeb...quer dizer, Muse...erh, não...Anathema!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Paradise Lost – The Plague Within (Cd – 2015)

The Plague Within (2015)
Um Longo Inverno...
Aqueles que acompanham a Cripta (sim, eles existem!!!!) certamente notaram a falta de novidades por aqui. Ainda que eu seja culpado parcialmente (sou um verme preguiçoso, admito), o que de fato aconteceu foi que a empresa de internet cujos serviços utilizo fez o favor de me deixar mais de um mês sem conexão. Problema só resolvido após acionar a Anatel e a Justiça. Novos capítulos desse embate ainda acontecerão no mês que vem, em juízo, mas um ano repleto de grandes lançamentos merece algo mais que lamentos. Preparando o espírito para o festival da Overload nessa terça, com Anathema e Paradise Lost, temos em mãos a resenha para o novo petardo the Plague Within. Em seguida, me comprometo a postar aqui a resenha desse show, além dos novos de Lucifer, Metalmorphose, Moonspell, Motörhead e Iron Maiden.
Stay Tuned!
Trevas  


Paradise Lost – The Plague Within (Cd – 2015)

De Volta às Origens
Por Trevas

Bloodbath e saudosismo
A história não é nova e se você está procurando essa resenha, já deve conhece-la: um dos baluartes do Doom Metal britânico, o Paradise Lost evolui seu som constantemente, nesse meio tempo lançando a obra prima Draconian Times e se tornando a pedra fundamental para a onda do Gothic Metal que floresceu em meados da década de 1990. Mergulhando cada vez mais no mundo gótico, a banda experimenta com a eletrônica até praticamente se tornar uma versão mais pesada do Depeche Mode, afastando muitos fãs antigos e angariando novos. Sentindo que esgotara a fonte no direcionamento escolhido, a partir de 2005 vem aos poucos recolocando o heavy metal em sua mistura. Os membros da banda voltam a escutar as bandas que os influenciaram nos primórdios, redescobrindo o prazer em escutar Death Metal. Nick Holmes é então convidado a assumir o posto de vocalista no Supergrupo de Death metal Bloodbath e se obriga a reaprender a cantar com guturais. Pronto, o terreno está pavimentado para o novo disco do Paradise Lost, completamente baseado na redescoberta das raízes da banda.

Construindo a Praga
O colombiano Jamie Gomez Arellano ganhou notoriedade ao produzir Opus Eponimous, do incensado Ghost, um trabalho de produção que se baseava numa sonoridade simples e oitentista, seca e direta. Esse trabalho atraiu a atenção de muitas bandas que prezam por esse tipo de atmosfera, como Angel Witch e Cathedral. Não é nenhuma surpresa a escolha de Jamie para capitanear esse Plague Within. O resultado já pode ser sentido logo de imediato com a espetacular e rascante No Hope In Sight, faixa de abertura do disco, e que nos apresenta gloriosamente o novo velho PL, com um peso descomunal, ótimas ideias de guitarras e um Nick Holmes que parece ter feito gargarejo com lâminas de barbear em seus renovados guturais.



Terminal é bem mais acelerada e ainda mais virulenta, uma faixa que clama por um palco e uma plateia ensandecida. An Eternity Of Lies me deixou com a pulga atrás da orelha, o trabalho de cordas dá a impressão e se tratar de algo do My Dying Bride. Algo MUITO bom do My Dying Bride, diga-se. Talvez a melhor de todo o trabalho, ainda ganha um tempero a mais pelo belo trabalho da vocalista Heather (da banda Tapping The Vein) no refrão. 


Punishment Through Time é uma pedrada, mas lembra demais Pity The Sadness sem eus versos para seu próprio bem. Beneath Broken Earth tem em sua atmosfera lúgubre e seu andamento de paquiderme manco dois trunfos, exemplificando o Doom Metal em sua melhor forma. Aliás, o peso e inventividade dos riffs e harmonias das guitarras e Aaron Aedy e do mestre Greg Mackintosh poucas vezes ficaram tão em evidência quanto nesse novo disco. E a cozinha composta pelo fiel escudeiro Steve Edmonson e pelo não tão novo membro Adrian Erlandsson servem muito bem ao propósito da banda.


Sacrifice The Flame mantém a toada Doom, mas com ligeiros toques do Paradise Lost de antes da retomada, com as cordas dando o ar de sua graça sem tirar um pingo do peso da ótima composição. O casamento entre todas as fases ocorre brilhantemente mesmo é em Victims Of The Past, uma peça impecável de Symphonic Death/Doom, que reaparece na edição digipack do disco em uma versão ao vivo com orquestra, um aperitivo do próximo lançamento dos britânicos, um DVD/Blu-Ray nesse formato. Certamente reservarei minha cópia!!!!

Pelas barbas do profeta! Paradise Lost 2015, com um hirsuto Nick ao centro
Bom, o disco beira a perfeição, mas tem lá seus momentos menos inspirados: Flesh From Bone é um Death Metal bacana mas nada especial e a boa Cry Out tem um perfil mais rocker que torna sua presença algo estranha perante o restante do material. Mas eis que antes do fim, temos mais uma cereja podre e enegrecida sob a forma da retumbantemente épica e mórbida Return To the Sun.  


Saldo Final
Aqueles que viraram as costas à banda após One Second dificilmente conseguirão argumentos contra o mamute enfurecido que é este Plague Within. Certamente um dos melhores discos da carreira do Paradise Lost e figura obrigatória em qualquer lista de melhores de 2015 que se preze!  

NOTA: 94

Indicado para:
Fãs do Doom Metal
Fuja se:
Seu ideal de felicidade seja musiquinhas alegres como Dr. Stein.

Classifique como: Doom Metal

Para Fãs de: My Dying Bride, Cathedral.
Ficha Técnica
Banda: Paradise Lost
Origem: ING
Disco (ano): The Plague Within (2015)
Mídia: CD
Lançamento: Century Media (Importado)

Faixas (duração): CD  - 10 (50’). 11(55’) na edição Digipack

Produção: Jamie Gomez Arellano e Paradise Lost
Arte de Capa: Zbigniew Bielak

Formação:
Nick Holmes – vocals;
Steve Edmonson – baixo;
Greg Mackintosh – guitarra;
Aaron Aedy – guitarra;
Adrian Erlandsson – bateria.