Tirando Mais Um Coelho da
Cartola
Eu ainda não era um aficionado
por Heavy Metal ou Hard Rock...
Simple Minds, U2, Depeche Mode
davam o tom da minha curta coleção de bolachões de vinil...e recém havia “descoberto”
minhas duas novas paixões, o Queen (desde os 6 anos de idade eu ficava vidrado
na capa do News Of The World toda vez que visitávamos meu tio em São Paulo) e
os Ramones...
E de repente, via meninas que mal
haviam parado de cantarolar Vou de Táxi exibindo gloriosamente posters de uma
nova banda...os caras se vestiam de uma maneira ridícula e o vocalista, um
ruivo escrotérrimo, posava com batom na boca e uma porra de short de lycra que
compilava tudo de ruim que os anos 1980 representaram...
A banda, o Guns And Roses, havia acabado de
estourar ao grande público com o lançamento de Lies (lá fora foi o Appetite For
Destruction que começara a moda um pouco antes, mas lembrem-se, era a época
pré-internet e a coisa só explodiu mesmo por aqui com a balada Patience...)
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| GNR - não, eu nunca tive Paciência com eles, ugh... |
Foi ódio a primeira vista: a
atitude programada, o visual pensado e vendido em tudo o que era lugar e a voz
mais irritante que já ouvi na minha vida...definitivamente o GNR representava
tudo o que eu sabia não querer numa banda, embora eu ainda não soubesse porra
nenhuma.
Bom, pouco tempo depois um estalo
no meu cérebro fez do Iron Maiden (que eu conhecia já tinha tempo, meu melhor
amigo era viciado nisso) minha banda favorita e então comecei a minha busca
pelas origens (sob a figura de Black Sabbath, Deep Purple, Rainbow, Led...). me
tornei um headbanger xiita e oficializei meu ódio pelo Axilas Rosas e sua
trupe.
O Enigmático Cara da Cartola
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| Alguém sabe de fato como é o rosto do Slash? |
Nascido Saul Hudson em 1965, na
Inglaterra, Slash comeu o pão que o diabo amassou após deixar (ou ser deixado?)
o GNR. Já o guitarrista mais incensado daquela época, toda a pompa que envolvia
seu nome (até Michael Jackson o adotou) não foi capaz de tornar as coisas
fáceis.
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| Snakepit - derrota comercial total... |
E convenhamos, nem toda a
propaganda do mundo faz daquele bando chamado Velvet Revolver (que parecia mais
uma juntada de xepa da feira) uma boa banda. Apesar dos milhões gastos para
promover o suposto supergrupo, o retorno foi pífio (mais ou menos como
aconteceu com o Audioslave).
Não dei bola para nenhuma das
duas empreitadas. Na verdade, você deve estar se perguntando por que diabos
então estou fazendo essa resenha.
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| Primeirão Solo (2010) |
Eis que começo a ouvir pessoas
que, como eu, não curtem ou curtiram o GNR falando muito bem da nova empreitada
do cabra da cartola.
WOW, riff animal...MYLES que
PORRA é ESSA????
Ainda estava curtindo a arte de
capa quando um ótimo riff carregado de wah-wah inicia a bolachinha...abri um
sorriso e então entra uma voz que parece saída do cu de um pato que engoliu um
pedal de wah-wah. QUE PORRA É ESSA?????
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| Myles Kennedy sofre com meu julgamento precoce |
Myles usa sua voz de pato na segunda e matadora One Last Thrill (ver abaixo) e já sei
que não irei gostar do que escuto no restante do disco. O cara me soava tão
chato que tive que pesquisar o porque Malmsteen
e Michael Schenker nunca o tinham
recrutado antes.
Voltando ao Disco
Slash se destaca em todas as faixas. Seu estilo está muito mais
próximo dos guitar heroes da década de 1970 do que de seus contemporâneos e do
virtuosismo estéril dos anos 1980. Seus solos e timbres estão sempre carregados
de personalidade e não há um riff no disco todo que possa ser jogado fora. Tiro
minha cartola para o cara, mesmo que com muito atraso.
O restante da banda, intitulada The Conspirators, traz músicos bastante
competentes. O multiinstrumentista (que aqui cuida em maior grau da bateria) Canadense
Brent Fitz já tocou com gente como Alice Cooper e Vince Neil. O também canadense Todd
Kerns (Age Of Electrics) é responsável
pelo baixo e backing vovals
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| Slash, Myles and The Conspirators - 2012 |
No More Heroes (ver vídeo) é radiofônica e tem um refrão legal e grudento. Halo tem seu riff chupado de Assault Attack do Michael Schenker Group e possui uma das linhas de voz mais irritantes do disco. We Will Roam é outra que pode tocar nas rádios com tranqüilidade, mas não empolga muito.
A bela Anastasia é certamente um dos destaques do disco, nela Slash dá um show de grandes solos e Myles mostra que consegue cantar muito bem sem o Wah-wah do cu do pato. A balada anti drogas Not For Me é chatinha mas logo temos a ótima Bad Rain (ver vídeo) para compensar, com excelente performance de Mr. Kennedy. Aliás, essa faixa me lembrou muito o também excelente finado Badlands, com Myles soando um bocado como Ray Gillen.
Hard & Fast traz um riff empolgante e vintage e um refrão legal e descompromissado. Far And Away é uma balada razoável com muita cara de anos 1970 com destaque para a bela interpretação de Myles. E o disco chega ao fim com uma de suas melhores faixas, Shots Fired, uma porrada rock and roll contagiante.
Saldo Final
Com uma banda boa e coesa,
composições em sua maioria bem feitas, um vocalista com personalidade (ainda
que não tenha me descido a principio), o feioso da cartola não tinha como
errar. Apocalyptic Love está longe de ser perfeito, mas possui um ritmo
acelerado que não cansa e é certamente um disco a ser conferido por todos
aqueles que curtem um hard rock bem feito. Uma grata surpresa.
Ah, a banda tocará no Brasil em
novembro, na Rio o show será na Fundição Progresso, dia 2.
NOTA: 8
Edição Limitada
Apocalyptic Love foi lançado no Brasil em duas edições, a comum,
aqui resenhada e uma edição dupla limitada.
Essa edição limitada vem com duas faixas bônus e
um DVD contendo Making Off do disco.
Ficha Técnica
Banda (Nacionalidade): Slash (EUA/ING)
Título (ano de lançamento): Apocalyptic
Love (2012)
Mídia: CD (CD)
Gravadora: Hellion Records (Nacional)
Faixas: 13
Duração: CD – 54’
Rotule como: Hard Rock
Indicado para: Fãs de Hard Rock,
em especial do Badlands
Passe longe se: Não tiver paciência para vocais
esganiçados













