sábado, 16 de janeiro de 2021

Testament – Titans Of Creation (CD-2020)


 

Thrash Metal Titânico

Por Trevas

Após o arregaço que foi Dark Roots Of Earth, os incansáveis veteranos do Testament passaram por um período turbulento, onde até mesmo o futuro da banda foi posto em xeque. O momento conturbado acabou por gerar Brotherhood Of the Snake, que até passa longe de ser um disco ruim, mas que também refletia a falta de direcionamento, comunicação e motivação que contagiou o quinteto. Para nossa sorte, os rapazes acertaram os ponteiros e deixaram o descontentamento com o disco anterior de lado, demonstrando sua animação renovada nas muitas entrevistas que antecederam o lançamento de Titans Of Creation, projetado para ser um disco mais melódico, mas não menos feroz do que o habitual.

Amiguinhos de novo? Testament, 2020

E a pancadaria começa muito bem com a apoteótica Children Of The Next Level, com sua letra que relembra o caso da seita baseada em Ufologia Heaven’s Gate, que cometeu suicídio coletivo em 1997. Uma paulada com estrutura Old School, tal qual WWIII. A produção, nas mãos de Eric Peterson e Chuck Billy (com auxílio de Juan Urteaga e mixagem por Andy Sneap) é precisa e mescla bem o lado Old School escolhido (em especial na voz de Chuck, soando bastante mais próxima dos anos 1980) com a modernidade. Individualmente, a banda é de longe a mais impressionante da velha guarda do estilo, com destaque para a cozinha absurda de Gene Hoglan e Steve Di Giorgio.


E os fãs da faceta mais clássica do Thrash Metal definitivamente irão se deliciar com a ferocidade de números como Ishtar’s Gate, Symptoms, The Healers, Code Of Hammurabi e City Of Angels. Nenhuma delas faz a menor questão de deixar pescoços incautos intactos. Há espaço até para algo mais próximo do Metal Tradicional, como na excelente Dream Deceiver, que bem poderia estar num dos discos iniciais do Savatage. Fácil, fácil uma das melhores aqui.


Apesar disso, senti um pouco a falta da mistura com Death Metal que a banda se especializou em fazer e que rendeu os já clássicos Dark Roots Of Earth e The Gathering. Ela aparece timidamente na trauletada Curse Of Osiris e em especial na sinistra Night Of the Witch (as duas trazendo Eric dividindo os vocais com Chuck), essa última, o grande destaque de um trabalho que mantém intacta a incapacidade atual do Testament de fazer um disco ruim. Muito bom! (NOTA: 8,90)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Shinigami Records (nacional)

Prós: ótima produção e ferocidade Old School

Contras: a banda praticamente abandonou as incursões pelo Death Metal

Classifique como: Thrash Metal

Para Fãs de: Megadeth, Overkill, Death Angel


Jorn - Heavy Rock Radio II - Executing the Classics (CD-2020)


 

Festa PLOC Importada

Por Trevas

O norueguês Jorn Lande pode se orgulhar de ser dono de uma das melhores vozes de sua geração. Infelizmente parece não se importar em diluir sua fama alternando alguns poucos discos memoráveis, como Burn The Sun (com o Ark), Dracula (com Trond Holter), The Duke (solo) e o primeiro disco com o Masterplan, com uma miríade de lançamentos para lá de medíocres. Dentro desse espectro pouco animador, se encontram seus lançamentos baseados em covers. E basta dar uma olhada no repertório escolhido (clássicos?) para sentir que não há muita esperança aqui.

Está sorrindo? espere até ouvir meu novo disco...

E não há mesmo. A xaropagem começa com Lonely Nights, do Bryan Adams, ganha contornos trágicos com a péssima Winning (do Russ Ballard, que já ganhou releitura pelas mãos do Santana). Você sabe que o treco é azedo quando algo que o Don Henley(do chatíssimo Eagles) escreveu melhora o clima. É o caso com New York Minute.


A mediocridade retorna com a manjada (e modorrenta) Needles And Pins (originalmente do The Searchers) e se repete com versões burocráticas para as já nada atraentes Quinn The Eskimo (Manfred Mann’s Earth Band), Nightlife (Foreigner) e The Rythm Of The Heat (Peter Gabriel). Parece a banda de um amigo qualquer tocando no barzinho o que há de pior nas rádios especializadas em músicas de consultório de dentista. Mas dá para ficar pior: I Do Believe In You (The Pages) e Bad Attitude (simplesmente uma das piores músicas do pior disco do Deep Purple) são de cair os cabelos do saco. Para salvar a bolachinha do desastre, temos boas rendições para Love, do Santana e Mistery, do Dio. Mas nada que tire a impressão de ressaca após uma festa PLOC bem muquirana. Recomendado apenas aos (malucos) aficionados por trilha sonora de filme de sessão da tarde nos anos 1980. Se não for o caso, passe longe! (NOTA: 5,54)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Frontiers Records (importado)

Prós: é bem produzido e Jorn tem a voz de sempre

Contras: parece uma daquelas rádios pavorosas que se escuta no dentista

Classifique como: Hard Rock?

Para Fãs de: Música de elevador e porcarias afins...

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Ozzy Osbourne – Ordinary Man (CD-2020)


Renascendo das Trevas

Por Trevas

Passando por uma sequência de problemas de saúde nos últimos anos, Ozzy parecia fadado a rumar para um melancólico, e dessa vez, involuntário, fim de uma longa carreira. Até que um acaso do destino mudou severamente o rumo dos acontecimentos. Andrew Watt, guitarrista que participou do breve projeto Retro Rocker California Breed, com Glenn Hughes, se tornou um dos produtores e compositores do momento no mundo da música Pop (emplacando Hits no topo das paradas com gente do naipe de Shawn Mendes e Camila Cabello). Seu novo desafio, um trabalho do Rapper do momento, um tal Post Malone. Durante a pré-produção, Andrew descobre que Malone divide em comum com ele o amor pela música de Ozzy. A dupla viaja que uma das novas canções bem poderia ter participação do Príncipe das Trevas. E então Watt esbarra com Kelly Osbourne em uma festa e combina de enviar a música para ela. Kelly bota a música para o papai dodói das ideias escutar, e o velho pira com o som. E Ozzy topa gravar uma participação. Mas ninguém imaginou no que isso renderia...

Ozzy & Watt

Take What You Want simplesmente se tornou a primeira música a trazer Ozzy a aparecer no Top 10 da Billboard em nada menos que 30 anos. Foi a deixa para Sharon farejar uma mina de ouro ali, some-se a isso a empolgação do marido em gravar novamente, e temos Andrew Watt como novo parceiro do comedor de morcegos favorito dos fãs de metal. Como é típico de produções do mundo Pop, a lista de músicos que participaram das gravações é extensa. Alguns deles, nomes conhecidos, como Slash, Chad Smith, Elton John, Duff McKagan e Tom Morello. Mas à época, ficou em aberto qual o direcionamento que a bolachinha seguiria. Teria Ozzy virado Rapper

Watt & Ozzy

Straight To Hell começa muitíssimo bem, com um riff totalmente Black Sabbath, apesar da desnecessária referência “All Right Now” ser a primeira coisa que sai da boca do príncipe das Trevas. A produção tem aquela pegada moderna, mas com menos quantidade daqueles efeitos na voz que Ozzy vinha usando já tinha alguns discos. Slash faz um solo bem bacaninha aqui, e dá para dizer que se trata de uma das aberturas mais promissoras de um disco do vocalista em muito tempo. A segunda faixa é uma balada, a bonitinha All My Life, e aqui já fica claro o teor autobiográfico do disco. Para quem reclamou da falta de um Guitar Hero na bolachinha, ouça o inspirado solo final, por Watt


Goodbye segue com mais uma referência ao passado Sabbathico de Ozzy, um metal grooveado com aquela aura Pop que o vocalista sempre imprimiu em seus trabalhos solo. A faixa título, uma baladinha à lá Beatles, traz lado a lado dois ícones imortais da história da música: Ozzy e Elton John. O resultado fica melhor no clipe, mas ainda assim funciona melhor que a média das melecosidades habituais do Príncipe das Trevas. Ah, e tem novamente Slash no solo.


Aí chegamos à cereja do bolo, Under The Graveyard é daquelas faixas que já nascem clássicas, mais uma que poderia bem figurar nos discos icônicos do vocalista, e se existirão turnês futuras, certamente ela estará no repertório. Falei em passado? Eat Me traz Ozzy na gaita, baixo pulsante e Riff encardido. Lembra aquelas coisas bacanudas do Alice Cooper da era Hey Stoopid (o que também a coloca numa pegada similar à encontrada em No More Tears, se pensarmos bem).


Today Is The End é outra grata surpresa, e certamente teria alta rotatividade nas rádios em décadas anteriores. Scary Little Green Man traz Tom Morello e um refrão grudento em uma faixa legal, mas que deixa a impressão de que poderia ter rendido mais. 


Holy For Tonight é mais uma balada, dessa vez não tão bonita, e que não fosse a produção moderna, bem poderia ter sido composta no início dos anos 1970. E aí entra o momento de desespero para os puristas: Post Malone divide os holofotes com Ozzy no suposto encerramento com a divertida e acelerada It’s A Raid. Mas a despeito de constar como Bonus Track, a já citada Take What You Want aparece em absolutamente todas as edições do disco, então de fato é ela que fecha o disco. Mas, a despeito de soar algo deslocada, não há nada que envergonhe aqui, se trata de um Pop caprichado com bela melodia.

Ozzy fez a escolha certa ao variar suas parcerias de composição (isso se acreditarmos que ele compõe algo), pois tudo aqui soa numa pegada bem mais interessante e viva que todo seu material pós No More Tears. E se o tom algo melancólico e autobiográfico indica um suposto fim de jornada, ela se dará em bom nível. Um disco que certamente ganhará mais admiradores no futuro, quando a troozice dos "fãs" amansar. Surpreendentemente legal. (NOTA:8,51)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Sony Records (importado)

Prós: canções legais que fazem referência ao passado do Príncipe das Trevas

Contras: mais de uma balada no mesmo disco sempre incomoda

Classifique como: Heavy Metal, Hard Rock

Para Fãs de: Black Sabbath, Alice Cooper